terça-feira, 12 de maio de 2015

Do Caramujo à praia da Mutela a olhar a Margueira

"o Caramujo, uma restinga de areia; o lugarejo da Piedade algumas quantas casas junto à Igreja... A par do desenvolvimento do comércio de vinho com o Brasil e África assiste-se a uma notável azáfama de tanoeiros. Mas os armazéns de vinhos, vinagres e azeites mantinham-se ligados ao comércio e actividades agrícolas da região..."
A Quinta do Pombal produziu e engarrafou muito vinho, como outras em Almada.
Tanoaria Francisco da Cerca, corredor do Ginjal, 1900. Imagem:   Correia, Romeu, O Tritão, Lisboa, Editorial Notícias, 1982, 174 págs.
Lavadeiras na Romeira no rio das Rãs, no início do século XX
Hoje a caminho da extrema do Caramujo com a Mutela por entre  muros antigos feitos com argila fossilizada onde descobri um bocado de azulejo século XIX
Território fantasma onde outrora foi um mundo industrial neste agora um marasmo de paredes de pé, uma monstruosidade descomunal em total abandono, até se tem medo de por lá andar...
 Descobri da rua  no 1º andar dois azulejos através da janela aberta...
Portas e janelas fechadas no átrio estendal de roupa pendurada...
Travessa a caminho da praia do Caramujo no limite da Mutela
Antiga fábrica da farinha
Que significado teve no passado este  grande marco na praia  do Caramujo?
Quiçá por aqui foi travada a batalha da Cova da Piedade no dia 23 de julho de 1833, e foi enterrado o Telles Jordão vivo, com um braço de fora...
 Caramujo, a praia é hoje parte da Base Naval do Alfeite
Alto muro em cimento armado, ainda assim se distinguem os mastros dos navios
Praia da Mutela
O petroleiro Bérrio ancorado
Sequência de um barco afundado que se vê de proa  ao cimo da água encostado ao molhe
 
Na Sagres se  içavam  as velas, para a exposição no Cais da Marinha no Campo das Cebolas, integrada nas comemorações do aniversário da Marinha.
Ouvia-se um apito  sonoro estridente pelas 10 horas, indiciava que o Comandante estava a chegar ao navio, mote para o Oficial de dia e guardas de vigia em fila na prancha para  lhe bater a pala.
Ainda há bons empregos, sem stress para entrar ao serviço e de mordomias na hierarquia, no século XXI
faz pensar!
ETAR da Cova da Piedade, a parede  ao fundo é forrada a painéis de azulejos, uma parte já caíram...
Antes do 25 de abril nos serviços públicos existia a função do almoxarifado, tinha o dever de olhar e preservar o património público e disso recebia louvor. Recordo as estações de correios, e de ver as placas de louvor com o nome do funcionário em azulejo.
 Parque da Rodoviária
 Mutela
 Esta casa no passado foram só portas...
 Julga-se que esta foto é da fonte da Praia da Mutela data de 1906, ao tempo a única via de ligação de Cacilhas à Cova da Piedade.
Nos dias d'hoje
 O casario, algum requalificado, mas ainda muito em degradação com IMI agravado.

 
Azulejo alusivo ao estaleiro da Mutela
 
Estaleiros da Mutela, Carlos Pinto Ramos, aguarela, 1931
Imagem: Museu José Malhoa
Nas laterais da porta de sacada ainda resistem no abandono, na ruína os vasinhos de flores...
 Resistem também as cortinas de nylon
 Poiso de pombos
Para não ser penalizado pelo IMI o restauro da fachada (?)
 Taberna? na fachada as argolas onde se prendiam as bestas na calçada da Mutela, o caminho de ligação a Almada em tempos de antanho
 Gárgula em forma de cabeça de leão
Ervas florescem nos telhados...
 Resta apenas a pedra do varandim  de traça elegante, os azulejos da fachada brancos, com pintinhas em azul foram barbamente cobertos por grafites
Portal da quinta em abandono...
 
 Hortas com batatas a corar ao sol...
Margueira
Chaminé em ruína de uma fábrica da cortiça
Mãe cigana com o seu filho nos anos 50 no acampamento na Margueira
Putos na Margueira anos 50
Barco na Margueira


FONTES
Fotos
http://almada-virtual-museum.blogspot.pt/

2 comentários:

  1. Maravilhosa reportagem. Muito obrigado pelas imagens. Desconhecia por completo.

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  2. Cara Maria João muito obrigada pela cortesia e pelo elogio à crónica.
    Cumprimentos
    Isabel

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