terça-feira, 12 de maio de 2015

Quinta da Alegria em Almada foi de judeus

Quinta D'Alegria em Almada,  edificada em sítio altaneiro, no morro, a ver o Mar da Palha .
Mulheres formosas  com cântaros de água à cabeça sob rodilha  de trapos,  vinham à fonte da quinta da Alegria.
Fachada da casa  a nascente.
No local onde estão as  ervas era um campo de ténis da casa.
Fachada lateral virada a sul.
Supostamente no tempo com o abandono da residência, há mais de 70(?) anos-, gente pobre, sem eira nem beira, se instalou  como puderam, nem sei se alguma vez pagaram renda(?) de paredes meias com a casa grande, como aliás se vê noutras quintas pelas redondezas em que depois do abandono das terras e das casas os trabalhadores  se remediaram como puderam, sem rei nem roque, cuja economia  sempre foi paupérrima.

A fachada da frontaria é para poente, virada para Almada onde se juntaram casebres
O portão da entrada ostenta a pedra calcária com o nome da quinta
QUINTA
ao meio esculpida a estrela de Davi
 D ALEGRIA
Esta quinta foi pertença de uma família judia que a construiu em 1893, cuja data está escrita dentro de portas, no átrio para a casa e jardins, em pedrinhas, segundo me confidenciou um morador na zona.
Espreitei através da frecha na lata do portão, apesar de pequena com os cães em voz de comando a ladrar...Descobri uma escada de pedra e por baixo arcadas, que não sei o que foram no passado.
O que me contaram e gostei de saber, é que a escada dá aceso ao ringue onde jogavam badminton.
Ora, se ao tempo já jogavam as senhoras e os homens ténis, era gente muito culta, à época.
Tem jardim e empedrado de passeios com pedrinhas pretas e brancas.
No muro da frontaria descobri esta pedra calcária com um buraco, encastrada, uma possível reutilização vinda de outro imóvel nobre(?)...
O mesmo desta pedra que que foi pertença do remate de um portal(?) assim reutilizada sita na lateral de casario, na lateral da entrada para a quinta de calçada  primitiva basáltica.
Possivelmente o banco pintado a branco que se encontra na lateral do que foi a calçada basáltica seria pertença da quinta da Alegria.
 Aqui não faltam placas sinaléticas
A quinta entestava com a única estrada de Cacilhas para a Cova da Piedade. Ainda resta parte do muro primitivo com os buracos de escoamento de águas e ainda do retiro escavado para se poder ali estar a apreciar quem passava, devia etr por dentro bancos, típico noutros tempos nos muros das quintas.
 
 As vistas sobre a Margueira, o que resta da Lisnave
Ao lado da casa para norte, outrora pertença total ou parcial da Quinta da Alegria, viria mais tarde a ser de uma corticeira que aqui se instalou e nos anos 60 ardeu. Restam três chaminés, uns pilares, ruínas.
Supostamente o espaço faz parte da revitalização da Margueira, onde um dia sairá um espetacular empreendimento turístico, de grande beleza, um paradigma de luxo e opulência soalheiro, onde aterram helis para trazer magnatas...ainda gostava de ver!
 Nesta lateral da casa também há moradores, ao que percebi estão numa situação diferente, tendo o terreno dono (?) , no dia que for o plano da Margueira avante terão de sair(?).
O que chama a atenção é a brutal degradação do que foi a quinta que dá o nome ao local.O meu marido recorda-se nos anos 60 ,aqui ter vindo com o pai visitar um amigo, eram casebres de madeira e os esgotos corriam a céu aberto.
Felizmente hoje o espaço é bem diferente. Apenas existem em casebres e anexos  com moradores no redor da casa da quinta-, casa bem guardada, os cães ladravam a chamar um vizinho, para aparecer" não era gente conhecida"... ouvi abrir o portão e se chega a nós quando registávamos fotos, tabelámos conversa, era pessoa simpática e afável, naquilo chega-se na subida uma mulher velhota de cariz assustada, perguntava-lhe o que queríamos...responde o vizinho-, não é nada, não se preocupe, não é nada consigo...Acabou por dizer que o que resta da quinta tinha dois herdeiros, agora apenas um, ao que parece a semana passada aqui apareceram duas pessoas, os supostos donos...fiquei a pensar para os meus botões, então se tem de pagar IMI, tem de vir conhecer a riqueza do imóvel que possuem...
Pois entende-se perfeitamente o medo e receio de algumas das gentes que aqui vivem seguramente há mais de 50 anos. Supostamente os donos do imóvel se descuidaram em vir receber rendas, fazer obras de melhoramento para as poder com direito aumentar, neste agora todos receiam o despejo!
Não sei se os donos do imóvel terão projeto para a casa?! Justo seria a parceria certa com a câmara na sua revitalização com apoios comunitários?
Interessante seria o seu restauro, atendendo  ao seu passado judeu, parece ainda existe no local os alicerces do que foi um grande moinho, o que evidencia possuírem searas de trigo(?) . 
Seria interessante a reposição do campo de ténis e do de badminton, mas  no melhor tentar descobrir a sinagoga(?) supostamente soterrada no quintal do morador na lateral a norte da casa da quinta -, um dia ao cavar  bateu numa pedra, veio a descobrir uma cúpula em mármore, que se abatia na direção do rio, por certo com ligação à casa(?).
Obviamente o certo seria haver negociações com os donos do terreno da corticeira (?) para aquisição da parcela de terreno dentro do muro que em antanho foi pertença da quinta, e no mesmo deslocalizar moradores de paredes meias, dando-lhe casa e um quintal, estando assim toda uma vida habituados, sendo que ainda existem espaços mais a sul para as fazerem, em prol de os deslocalizar para arrabaldes.
Almada só ficaria a ganhar. Seja pela emblemática quinta  de nome ALEGRIA, seja pela cor primitiva, em  rosa forte-, a cor da câmara , nada mais a calhar, a junção do nome e da cor na harmonia, no centro nevrálgico de Almada, seja a revitalização desta quinta num belo espaço para ser usufruído por todos, dignificando a cidade e também os judeus, que aqui teimaram viver, em justa homenagem. 

Rosas brancas  e  trepadeira azul, lindíssima a ornar hortinhas na encosta do morro na Quinta da Alegria
A ponte do que foi a Lisnave, tanta vez a vi trabalhar.
Sagres ancorada na base do Alfeite ao Caramujo, marinheiros empoleirados aguardavam que as velas fossem içadas
Um pescador conseguiu em minutos só com a corda virar o barco cheio de água e areia, pô-lo direito para na maré baixa o  limpar.

Fontes
Google
Foto Museu virtual de Almada

2 comentários:

  1. Interessante descrição de uma quinta de que nunca tinha ouvido falar, apesar de ser moradora desde concelho. Seria realmente interessante uma parceria com a Camara de Almada e prováveis donos para uma reconstrução o mais fiel possível ao que foi na época.

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  2. Obrigada cara Cristina Coutinho pela cortesia da visita e pelo seu comentário. Como diz e bem é o que deveria ser feito, apenas sou observadora e gosto de exercer o meu direito de cidadania, falando o pouco que sei e vejo para outros com deveres tomarem as devidas providências. Em Lisboa tem funcionado as minhas observações e críticas acutilantes, aqui na margem sul ainda não. Bem haja.
    Cumprimentos
    Isabel

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