quinta-feira, 9 de julho de 2015

Bate papo de histórias com estória do Tribunal da Boa Hora

Hoje no meu habitual passeio matinal com o meu neto, no mesmo costume sempre encontrar pessoas anónimas. Impossível não reparar em algumas de cariz azedo sempre de lábios cerrados, jamais soltam soslaio riso-, ao invés de outros, a quem endereço o meu bem haja, por nos dirigirem palavras e gestos de afeto, votos de saúde e felicidades, e ainda há os que conversam prolongadamente. 
Parada para atravessar a Rua Maria Andrade-, julgo, nome da responsável pela antiga revista lésbica Lilás, o que não deixa de ser marcante, se acaso seja a dita homenageada com o seu nome na rua. Cruzei com uma senhora que se encantou com o Vicente, para a seguir nos perdermos nas lamentações com a lástima citadina local -, sem bancos nem jardins para se descansar, num repente a conversa se tornou iluminada, como se a comer cerejas, insaciável, de uma hora bem medida, de pé,completamente eletrificadas com a empatia, cumplicidades, temáticas e pela partilha gratuita de momentos emocionantes a beber notícias quentes, cruzadas com muitas das minhas memórias, curioso acrescentar - mulher de alto porte e belo olhar, intenso e profundo, de beleza incomum, sem idade, de cultura enciclopédica, sapiência política e judicial, também conhecedora de segredos de gente de elite neste País-, numa palavra, amei conhecer.
Um privilégio a boa hora seja o pensamento na Boa Hora!
Tribunal da Boa- Hora, edifício carismático na baixa lisboeta a caminho do Chiado foi fundado por D. Luís de Castro do Rio, alcaide-mor da Covilhã, na esquina da atual calçada de S. Francisco para a Rua Nova do Almada, em Lisboa. 
O teatro do Pátio das Comédias foi transformado em convento em 1677, e ali habitaram várias ordens religiosas até à data da sua extinção, em 1834. 
No convento viveram os padres dominicanos irlandeses, os irmãos da Congregação de S. Filipe de Nery e os Reverendos Descalços de Santo Agostinho, tendo sido estes a ‘baptizar’ o largo e o edifício. Mais tarde, o convento serviu de quartel ao Primeiro Batalhão dos Voluntários do Comercio, de sede de uma das Companhias da Guarda Real de Policia, tendo sido definitivamente entregue o edifício iaicizado , já sem a igreja, ao Ministério da Justiça, que o transformou e adaptou em tribunal, na segunda metade do século XIX.
 O átrio da entrada  revestida a silhares de azulejos em azul sobre branco, vista através das portas de vidro
  O Tribunal da Boa Hora, é, pois, um lugar simbólico para muitas gerações de profissionais, pelos seus 166 anos de vida a exercer o direito e a justiça. Por isso é também um marco indelével de cidadania.
"Julgamentos mediáticos; em 1994, Costa Freire, secretário de Estado da Saúde de Leonor Beleza, foi condenado pelo Tribunal da Boa-Hora a sete anos de prisão por ter participado no crime de burla agravada contra o Estado. O irmão da ministra, José Manuel Beleza, surgiu também como arguido no "caso Costa Freire.Também aqui foi julgado o corretor Pedro Caldeira, e decorreu o processo do designado "caso UGT" do Torres Couto e José Veludo. Em 2006, o Tribunal da Boa-Hora condena João Vale e Azevedo no chamado caso "Dantas da Cunha".Começou na Boa-Hora o julgamento "Casa Pia" na sua primeira sessão, antes de mudar para o Tribunal Militar de Santa Clara. 
Conheci alguns advogados e juízes da Boa -Hora, que já não me lembro dos seus sonantes nomes, ao tempo clientes no Banco Pinto e Sotto Mayor onde iam assiduamente à Rua do Ouro, acaso estivesse com o meu colega Zé Ferreira, ao tempo gerente do Balcão, a todos conhecia muito bem, dizia-me " oh cachopa, então não te lembras do  Fiscalista Fernandes Sanches, sim lembro, e do Dr.Medina Carreira, esse também, tantas as vezes que fui com ele ao Tribunal, do juiz e, ...
Falando de alguns mediáticos-, a UGT, das contas abertas no balcão para os alunos de cursos profissionalizantes da empresa ISEFOC no Monte de Caparica, lembro-me dos ver em cheganças na espera de divisas, que tardavam...também do corretor Pedro Caldeira, processo do meu foro, as delongas, os faxs do Conselho de Ministros sobre o adiamento da Sociedade de Corretagem Financeira, que tardava em arrancar...com isso a multa que ninguém se atreveu a pedir -, a carta foi redigida por mim, dois dias e conta aprovisionada, para espanto de todos-, no melhor a dificuldade em enquadrar na contabilidade aquela verba extra-,  ninguém no Banco na contabilidade dava opinião, perante tanta inércia e medo e tempo demasiado em contas interinas, peguei nas listagens das contas do razão, e a enquadrei nos lucros extraordinários, numa sub rubrica, que já não me recordo qual, com rodapé escrito a vermelho, o que acabo de mencionar-, preto no branco-, que todos tinham medo de opinar onde creditar o lucro extraordinário, e se achassem que estava mal contabilizado só tinham de estornar e contabilizar corretamente...Há anos decorria uma investigação de um Banco da praça. Equipa chamada ao Procurador Geral , foram recebidos com todos os "salamanecos": chá  e conversa afável , de interesse no saber sobre os filhos e saúde, com o "recado" deixem as investigações, porque se trata de gente poderosa, pode enfim haver algum contratempo, é bom lembrar que tem família e ninguém quer contratempos,... 
Ora é bom de discernir-, acaso tivessem avançado, a banca não teria supostamente descarrilado...
De boca aberta fiquei ao ouvir da existência de túneis nos subterrâneos do então convento, "um dia apareceu uma brutal ratazana branca que se agarrou a uma perna de uma funcionária, à sua meia de vidro, em seu auxilio veio um colega que a tentou enxotar, debalde a rata assustada com a verduada, se pisga pelo mesmo buraco de onde tinha saído"...Um incidente medonho que aterrorizou gente, e não era para menos. Tinha de ser resolvido, e foi. Fecharam os túneis com muros a cimento, mas antes-, por ser das pessoas mais antigas no Tribunal, teve autorização para descer vestida de galochas até acima dos joelhos, havia muita água, foi descoberto o que seria um hospital(?) com objetos de vidro com vísceras ao tempo foram para estudo, porventura humanas e esqueletos de crianças...
Curiosamente  tendo sido o convento masculino, como se explicam os esqueletos ? O que se sabe é que a zona era abastecida de conventos, desde o Carmo à Trindade, Espírito Santo à Pedreira, e o de S. Francisco da Cidade. Sendo que os túneis  serviam supostamente o hospital, também podem explicar a ligação a algum convento feminino, para os frades e padres, se deslocarem em anonimato, às escondidas de todos, por debaixo de terra, para encontros de orgias com as suas amantes freiras, que se deviam divertir, sem pudor à grande, sob teto divino de Deus, abençoadas!
Em Maio de 2008, a comunicação social dava-nos conta de que, entre muitos outros, o Governo ia proceder à venda do Tribunal da Boa Hora, na medida em que a maior parte dos serviços do Ministério da Justiça e dos tribunais passariam a funcionar no Campus de Justiça.Esta operação iria render aos cofres do Estado cerca de 30 milhões de euros."
O Tribunal da Boa Hora fechou em 2009 e esteve para ser transformado num hotel de charme. Mas o projeto nunca passou do papel.
Justiça: Transformar Tribunal da Boa-Hora em hotel de charme é uma pouca-vergonha - Mário Soares "É uma pouca-vergonha. É preciso não deixar esquecer a memória histórica", afirmou o antigo Presidente da República durante a sua intervenção na Conferência "Boa-Hora - Um Tribunal com História", promovida pela Associação dos Juízes Pela Cidadania, que decorreu hoje na Sexta Vara do Tribunal da Boa-Hora."
Por sua vez, o juiz desembargador Rui Rangel acusou o Governo de "falta de sensibilidade" ao querer afetar o Tribunal da Boa-Hora à recuperação da zona ribeirinha de Lisboa.

"A ministra da Justiça, Paula Teixeira da Cruz, em 30.01.2013 anunciou a compra do edifício do antigo Tribunal da Boa Hora, em Lisboa. No discurso da abertura do ano judicial, explicou que o Centro de Estudos Judiciários vai passar a funcionar neste edifício, que também terá um museu judiciário.
O negócio foi confirmado em despacho pelo primeiro-ministro Passos Coelho que, nas palavras da Paula Teixeira da Cruz, pôs fim a "um longo processo" que envolveu a Câmara Municipal e o Ministério das Finanças. O ministério deverá pagar à câmara 5,9 milhões de euros pelo negócio. O edifício, um antigo claustro, está muito degradado e terá de ter obras de recuperação."
Aldrabas sob base encimada  com Cruz, do tempo do convento, porventura. As portas na lateral foram pintadas e há uma publicidade tapada, algo vai abrir brevemente, aqui
Atrevida, não resisti a perguntar sobre a situação do Sócrates.Resposta curta e grossa...Esperada? talvez não, ainda assim surpresa!
Afinal, ao fim do dia as notícias acrescentaram valia credetícia no âmbito da "Operação Marquês"-, António Vara, que foi administrador do BCP , amigo pessoal de Sócrates, tinha sido detido para interrogatório ao final da tarde, jantando e passando a noite nas instalações, de manhã iria ser presente ao Dr juiz...Arguido no processo Face Oculta, do Rei da sucata, com pena efetiva de 5 anos, suspensa pelo pedido de recurso.
Ao tempo do ocorrido demitiu-se do BCP, supostamente com a garantia da reforma da banca (CGD e BCP)- sorte só de alguns com grande influência e poder-, já outros funcionários, que de uma forma ou outra se viram despedidos, e com isto não interessa especular os porquês, interessa apenas salientar que quando se tem poder e grandes amigos, todos os acordos se conseguem, já quando toca aos pequenos funcionários, ninguém os salva, nada conseguem, sendo que a reforma, só a conseguem obter aos 65 anos, segundo o ACTV da Banca, e quase por favor. O que deixa a pensar, mais valia ter sido na vida profissional, caixeiro ou empregado de limpezas,  mesmo não tendo o limite de idade, conseguiam obter a reforma antecipada.
O problema é precisamente esse, terem descontado para uma caixa especial que já nem existe, acaso fosse a CGA ou Segurança Social, ou tendo descontos nas duas, podem pedir a unificação da reforma. Mas por alguns já não serem bancários quando se extinguiu a CABEF (caixa dos bancários antigos), não tem direito a pedir a reforma antecipada.Só estratagemas, só engates, só lamentações,  parece coisa do outro mundo, ninguém de direito se preocupou aquando da transferência do Fundo, acautelando os interesses dos contribuintes que por qualquer motivo já não estavam no ativo na Banca!
Impressionante o Sindicato dos Bancários não se insurgir  e intervir sabendo que existem centenas de ex bancários acometidos com o despedimento, com descontos na CABEF, caixa que foi extinta em 2011, passando o Fundo para a Segurança Social, sendo que ninguém lhes comunicou nada de nada. Para todos os efeitos são contribuintes passivos-,  "carne para canhão", com descontos feitos acima da média em relação a outras profissões, sem  quaisquer regalias  e  nenhum direitos.Sendo que enquanto estiveram no ativo descontaram as suas contribuições, e por isso mereciam mais respeito, sobretudo que nas negociações com a Banca, esta situação fosse contemplada e resolvida, por ser um flagelo de muitos, que vivem no limiar da pobreza.Quantos acabam por morrer  antes dos 65 anos, sem nunca almejar a reforma, que a merecem ter, porque descontaram os anos que trabalharam, coisa para pensar!
Neste falar da  continuada suposta corrupção-, na véspera  a televisão avançou com mais uma investigação, os Laboratórios Bial no Porto.Do tráfego de armas, e das quantias avultadas que supostamente passavam pela banca , já lá vão mais de 30 anos-, assunto que ouvia comentar, mas nem sabia do que se tratava efetivamente, só anos mais tarde, por motivo do acidente em Angola, com o filho do Dr. Mário Soares, se especulou que o avião alegadamente levou armas e trazia diamantes...
Confidência de uma fofoca ... No melhor pano caí a nódoa!
No tempo do Salazar "As artes estavam sujeitas a uma censura férrea e os homossexuais era onde mais ferozmente incidia a censura, isto desde que a expressão artística não estivesse ligada ao regime"
Mas "há pessoas que furam essa censura".Um deles é o ator e declamador João Villaret, que "expressa subtilmente a sua homossexualidade fazendo homenagem e recuperando para a sociedade portuguesa a poesia de António Botto, com o argumento de que quem lhe tinha aberto o caminho da declamação tinha sido Botto."

Poema de António Botto - Quem não Ama não Vive

Já na minha alma se apagam 
As alegrias que eu tive; 
Só quem ama tem tristezas, 
Mas quem não ama não vive. 
Andam pétalas e fôlhas 

Bailando no ár sombrío; 

E as lágrimas, dos meus olhos, 
Vão correndo ao desafio. 

Em tudo vejo Saudades! 

A terra parece mórta. 

- Ó vento que tudo lévas, 
Não venhas á minha pórta! 

E as minhas rosas vermelhas, 

As rosas, no meu jardim, 

Parecem, assim cahidas, 
Restos de um grande festim! 
Meu coração desgraçado, 

Bebe ainda mais licôr! 

- Que importa morrer amando, 
Que importa morrer d'amôr! 

E vem ouvir bem-amado 

Senhor que eu nunca mais vi: 

- Morro mas levo commigo 
Alguma cousa de ti. 
O  ator João Vilarett , homem, de quem se dizia alegadamente, pendia para os dois lados...
Supostamente grávida, a atriz,  de casamento marcado com outro, vê-se obrigada a  ir visitar o noivo num sítio de onde não podia sair, e confessar a sua situação, este visivelmente incomodado lhe diz que assume o filho, com o pedido dela não voltar  a ver esse "filho da puta"...
O primogénito nasce ao fim de seis meses após o casório, a quem é dado o nome do verdadeiro pai...O sol aquecia, forçado o adeus da  nossa despedida, dizia-me " vá à internet, veja as fotos  de um e de outro, compare...explicou pormenores, que me escuso de mencionar.
Pois fiquei de boca escaqueirada, completamente extasiada, afinal nem tudo o que parece o é, no caso a vida deste casal foi um pátio de comédias...O teatro foi afinal as suas vidas !
Percebi e entendi amargos  de boca e a refilice acutilante de um e a perseverança e conformismo de outro na vida pacífica, quais  pombos  empoleirados em espera!
A vida afinal é uma pátio de comédia! 
Fontes
http://www.dn.pt/
http://visao.sapo.pt/
http://comunidade.sol.pt/
http://expresso.sapo.pt/
http://publico.pt/

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