quinta-feira, 16 de julho de 2015

Passeio pela Baixa deparei com carteiristas no Terreiro do Paço...

Ontem  ao sair do metro na Baixa-Chiado em frente ao longe avistei com saudade o miradouro Sophia de Mello Breyner Andresen, onde o mês passado nos pediram para nos deixar fotografar a soltar balões, para uma exposição sobre o Sol de Lisboa a decorrer, debalde não vi na exposição nenhuma foto exposta de ninguém...
Rua da Vitória, com breve visita à sua igreja de Nossa Senhora da Vitória
Os azulejos de feição neo clássica. Interessante o esmalte se mostrar em cor de grão. Lamento a foto não mostrar bem.
 Puxadores do contraforte da entrada
 Rua do Ouro
Dei de caras com uma montra do BCP com máquinas antigas. A da frente, máquina de cálculo de juros, ainda trabalhei com uma na década de 80, na sede na Rua do Ouro. Era impressionante a técnica de fazê-la trabalhar à manivela, e o seu barulho sonante.
Quarteirões acolhem novos hotéis
A pastelaria "A Central da Baixa" o que foi noutros tempos, e no que está...
Onde trabalhei, na sede do Banco Pinto e Sotto Mayor, tantos anos a calcorrear pedras da calçada, que entrei por aquela porta, e tantas outras que sai, no tempo de gravidez da minha filha, sem faltas, apenas o tempo legal, ainda assim na notação profissional na pontualidade foi-me atribuído um "G"...Neste agora de novo na mesma calçada, com o meu neto ao colo, o Banco há anos que se fundiu noutro e perdeu o nome...
Memórias!
Antiga estação dos CTT e do telégrafo e Ministérios abarcam restaurantes
 
Cais das Colunas sempre emblemático. Ontem podiam-se ler as inscrições nas colunas
Um casal de espanhóis tirou-nos a foto.
"Como se fosse um templo maçónico, o Terreiro do Paço tem duas colunas à entrada. Mas, aquelas que estão no Cais das Colunas não se chamam Boaz nem Jachim. Têm outros nomes, que estão inscritos em grande destaque na base das mesmas: "SALAZAR" e "CARMONA". 
Para a posteridade o acto histórico, foi decidido gravar na pedra uma mensagem do Presidente da República e outra do Presidente do Conselho".
 
"Aqui embarcou o chefe do Estado para a primeira viagem às terras Ultramarinas do Império: S. Tomé e Príncipe e Angola XI de julho- XXX de agosto de MCMXXXVIII com a certeza de que fala pela minha voz Portugal inteiro, proclamo a unidade indestrutível e eterna de Portugal General Carmona a segunda viagem do Chefe de Estado às terras Ultramarinas do Império: Cabo Verde, Moçambique e Angola. XVII de junho - XII de setembro de MCMXXXIX a viagem do Chefe do Estado às terras do Império em África está na mesma directriz das nossas preocupações e finalidade, é manifestação do mesmo espírito que pôs de pé o acto colonial Salazar."
"O regresso de Carmona, em Setembro de 1939, seria obscurecido pelos ventos que já sopravam da Europa: começara a Segunda Guerra Mundial. Mas, para Portugal, as memórias dessas duas viagem seriam guardadas para sempre naquela entrada simbólica de Lisboa.
Entretanto, os anos passaram e os estadistas morreram. O Império perdeu-se, o regime mudou, outros estadistas apareceram, outro povo surgiu, houve obras no Terreiro do Paço, mas as colunas com as inscrições sobreviveram até aos nossos dias. Penso que, devido ao respeito que a História merece - independentemente da ideologia -, as colunas deveriam ser restauradas de forma a ser mais perceptível a mensagem dos dois estadistas. Agora, se deveriam permanecer ou não no mesmo local, isso é outra discussão. Não me escandalizaria, por exemplo, que as colunas fossem colocadas num museu municipal e substituídas por novas colunas, com outras mensagens. Isso iria dignificar o local, constituindo assim um atractivo extra para os inúmeros turistas que todos os dias visitam o renovado Terreiro do Paço. 
Caso esta última ideia possa ser adoptada, proponho que as novas colunas contenham poemas de
 "A Mensagem" de Fernando Pessoa. Quais?  Há dois que seriam bastantes apropriados para substituir os actuais: 
"O Infante" Deus quer, o homem sonha, a obra nasce. 
Deus quis que a terra fosse toda uma, 
Que o mar unisse, já não separasse. 
Sagrou-te, e foste desvendando a espuma, 
E a orla branca foi de ilha em continente, 
Clareou, correndo, até ao fim do mundo, 
E viu-se a terra inteira, de repente, 
Surgir, redonda, do azul profundo. 
Quem te sagrou criou-te português.
Do mar e nós em ti nos deu sinal. 
Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez. 
Senhor, falta cumprir-se Portugal! 
"Mar Português" 
Ó mar salgado, quanto do teu sal 
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram, 
Quantos filhos em vão rezaram! 
Quantas noivas ficaram por casar 
Para que fosses nosso, ó mar! 
Valeu a pena? 
Tudo vale a pena 
Se a alma não é pequena. 
Quem quer passar além do Bojador 
Tem que passar além da dor. 
Deus ao mar o perigo e o abismo deu, 
Mas nele é que espelhou o céu. "
Fernando Pessoa.
Reparei nas cúpulas das arcadas do Terreiro do Paço que começam a lascar o estuque. 
Pois se o retirassem seriam muito mais belas, ao natural.
Dia de ir ao pastel de bacalhau com queijo, o empregado veio-nos trazer o tabuleiro ao 1º andar, claro entornou-se numa dentada, sujei o vestido e a camisola do Vicente, valeu-me um casal brasileiro de S. Paulo, que prontamente nos limparam...
A casa de banho com uma escultura branca, muito lindaQuadro do Mestre Malhoa
Rua Augusta, o Vicente ficou admirado com a cabeça da vaca...
Com as montras das bonecas e  dos...
Benetton vontade em  rever o mural de azulejos a esmo da escadaria.
Tive uma sorte do "caneco". O calor ao meio dia era demais, sentada numa paragem de autocarros quase na frente do arco da Rua Augusta, em local de vaivém de muitos turistas para os vários transportes públicos; tuk tuk, táxis, anfíbio, elétrico, autocarros para a Costa de Caparica e,...
Na frente do banco um indiano de madura idade, tipo pedinte, dava indicações aos turistas das várias paragens, deles recebia gorjetas, que depois o vi a trocar as notas com um motorista de um dos tuk tuk.
No banco apenas estava sentado um outro homem na casa dos trinta anos, pelo que me sentei na ponta, julgando que ficaria melhor, mais à vontade. Achei estranho na minha frente estar um carro de alta cilindrada com motorista, supostamente ao seu lado sentado um alto cargo de algum Ministério, perplexa na razão da persistência em olhar na minha direção, ainda me virei para trás, e nada vi-, supostamente estava a ver um carteirista a meter a mão à minha mala...mas do assalto, não senti nem vi nada, sorte a mala estar cheia com o lanche do Vicente e a carteira, ao de cima apenas outra carteira verde com o telemóvel, o ladrão quando viu que não havia dinheiro, teve o bom senso de me a devolver, dizendo que estava no chão...
No meio do azar há momentos de sorte.Ao ver se entregue a carteira o carro de alta cilindrada arrancou. Ainda há gente, que se interessa com os outros.
"Todo o descuido é a morte do artista" .
Tenho de ser mais atenta!
Eles andam aí em grande-, os carteiristas!

Fontes
http://paramimtantofaz.blogspot.pt/

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