quinta-feira, 2 de julho de 2015

No rasto do lagarto da Penha de França

No passeio quase que ia escorregando com os restos de comida que alguém sem escrúpulos deixou cair , mas devia ter apanhado!
Externato "Mãe de Deus", o ideal pelas boas referências, os meus netos já estão inscritos...
Porta encimada por brasão coroado, mas da casa nada sei o seu passado.Mas vou saber!
Frontaria forrada a azulejos em policromia com debruo a filete fino em azul nas ombreiras das portas e janelas, de duplo beirado e belos gradeamentos em ferro forjado. Numa esplanada tabelei conversa com dois bons homens, que me disseram ter sido pertença de padres(?)-,um de gorda idade vestido de t-shirt verde ervilha, deslumbrante cor de verão a condizer com o belo olhar lânguido esverdeado, qual lago de nenúfares em água morna, de cariz muito simpático, super dialogante com o Vicente, sendo o outro, muito mais jovem, foi jornalista nos EUA, nascido na Costa de Caparica, com genes de forte aventureiro(?) ditados pelo brilho do olhar e do enfoque marcante à temática que se falava (zelo e desmazelo da cidade, do certo e do errado, da falta de visão e...) Nele senti a cumplicidade pela crítica acutilante, pela notícia, e o que deve ser a verdadeira notícia, disse-me o seu nome, debalde nem lamiré dele, quiçá Tino? Disso sinto pena, logo eu que até me acho de boa memória, escapou-me na pressa a descer a calçada, a olhar buracos e a fugir do sol matreiro do meio dia ...

Mais à frente reparei num homem  carregado de sacos com lixos para reciclar, ainda debaixo de um braço duas caixas de pizza, levava os sacos tão cheios, que lhe caíram na calçada por duas vezes objetos, logo se agacha e os apanha.Sendo que ainda teve de andar uns 400 metros, é de admirar e louvar!
Um bom exemplo de cidadania!
Brincadeira às selfies no espelho...

Largo da Penha de França de antigamente
Ermida da Penha de França, [c. 1910]
Fachada principal, virada ao Largo da Penha de França (
Cabeça de Alperche)
Paulo Guedes, in Arquivo Municipal de Lisboa

Foto na Junta de Freguesia da Penha de França

E de hoje

Sede da Junta de Freguesia da Penha de França
Contraste do antes (foto no interior) e d'agora
 Igreja da Penha de França
 As vistas da escadaria da igreja sobre o Tejo e a Ponte Vasco da Gama
Tivemos a sorte à chegada de encontrar duas senhoras que gentilmente me abriram a porta da igreja.
Entrei com o Vicente, sozinhos de porta encostada!
Uma sensação estranha e ao mesmo tempo fascinante, naquele templo grandioso os dois, dei comigo no corredor principal a caminho do altar mor a rezar pelos entes queridos e pelas ditas senhoras simpáticas, e também comemorar o oitavo mês do Vicente, que ocorre amanhã dia 3, mas por não poder estar na sua companhia, antecipei a data com a visita à igreja.
E tanto fascínio nos encheu o peito de alegria. Que me demorei na conversa, nem regateou o almoço em atraso. Um amor de criança! 
Tomando a estrada pelo tardoz da igreja pelo Caracol da Penha, entre a Rua Marques da Silva e a  sul a Rua Cardiff existe uma quinta pertença da câmara, julgo tenha sido a Quinta da Imagem ou Quinta da Palmeira (?)-, que foi de João Marques da Silva que a doou gratuitamente, com isso ganhou o seu nome na rua onde morou. A referida quinta encontra-se neste agora num matagal empestado de canavial e árvores enormes, sem poda que tiram visibilidade aos moradores de caves e de outros vizinhos, com alpendres e barracões em total ruína, onde laborou uma carpintaria que deixou muita matéria combustível, incendiária, no coração da cidade, sem qualquer utilidade há quase 50 anos. Além da proliferação de ratos, ratazanas e repteis descendentes do lendário lagarto da Penha,  urge urgência em ser limpa e reconvertida com interesse para a população, sobretudo para os moradores, sendo que a zona se mostra deficitária de novas acessibilidades; o certo seria abrir os Becos: Cidade de Liverpool  e Beco da Cidade de Cardif  na ligação a norte à Rua Marques da Silva e a nascente à Rua Penha de França, para melhor ligeireza de veículos e de pessoas, construção de um jardim para crianças e idosos, mantendo árvores de fruto, desde que bem podadas , um parque de estacionamento em silo com quiosque de vista panorâmica, e outras infra estruturas de cariz social  e lúdico como um campo de futebol de 5 ou 7 em parceria com a Seleta ( tem um edifício de placa enorme, aberto sem utilidade), para usufruição durante o dia do liceu, à noite, fins de semana e feriados de aluguer à população.
Vista do tardoz dos prédios e dos seus quintais de paredes meias com canaviais e rebentos de figueiras, árvore infestante que se ramifica brutalmente e deixa o chão empestado de folhas e figos.
Porque o lagarto existiu foi embalsamado mas perdeu-se com a reconstrução após o terramoto.
A porta da igreja com imensas ferragens, mas a pouca luz...
A sacristia através de uma nesga da porta reparei num altar forrado a azulejos azul sobre branco, que me lembraram os do convento de Santa Cruz do Buçaco.
O largo com o rico fontanário e banquinhos para apreciar as vistas sobre o Tejo
O ano passado a minha filha enviou e-mail à Junta que o reencaminhou para a Câmara. Há meses  sobre esta temática e outras na mesma zona enviei email  com a crónica à Junta de Freguesia  e ao vereador Dr. Sá Fernandes
http://quintaisisa.blogspot.pt/2015/06/bairro-ingles-chamines-de-olarias-urge.html 

O certo é serem tomadas medidas eficazes, de visão futurista e não apressadas, que serão por certo de pouca valia (?).
O pensar  e o traço deve ser criativo, em romper com dogmas, expropriações e supostos  interesses de terceiros. Há que pensar Grande, para em caso de alguma catástrofe, hajam escapatórias, saídas,  e não como hoje que as vias se mostram por demais atrofiadas! 
Diz o Presidente - uma praça em cada Bairro, ora o Bairro Inglês no tempo se perdeu a sua toponímia ao ser "engolido" pelo Bairro das Colónias, e jamais o devia, o certo é ser reposto sem delongas, dar o seu a seu dono, porque nasceu primeiro, merece honras e dignificação, e claro com a sua praça!

Fontes
http://lisboadeantigamente.blogspot.pt/
http://fotos.sapo.pt/

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