terça-feira, 25 de agosto de 2015

Recados na estada de 4 dias na casa rural da Moita Redonda

Uma manhã de segunda feira, em Ansião, acordou com a má notícia do falecimento do conterrâneo, um filho da aldeia de Moita Redonda, o último vivo de 9 irmãos, de apelido Fernandes, nascidos na Horta. 
As boas lembranças do João da Horta, segundo as palavras da minha mãe "um bom rapaz de bom coração". Metódica, preparei os viveres para a curta estadia, e jamais algo me faz falta. Mal chegados, no lavatório do varandim dei conta de dois sardaniscas entezicados pelo sol, aqui vieram à procura de água, que não a havendo, morreram de sede, sendo que o sol os deixou como carapaus a secar sob esteira na praia da Nazaré ...Nem quero recordar o abrir a adega com a nuvem de teias de aranha que me cobriram todinha de branco, parecia um véu de noiva, no mesmo jeito a casa e as outras portas, quão desespero!
Ligada a eletricidade e o frigorífico , o meu marido mostrou-se cooperante ao pegar no aspirador, com meio serviço executado, o mote era deixar as janelas abertas para o quintal para renovar o ar porque se fazia tempo de envergar outra fatiota para nos pormos a caminho do velório em Pousaflores. Fatal reencontro com os seus filhos-, o Adalberto, dias antes, precisamente no dia da nossa chegada à província, no hábito de aqui vir para inspecionar as portas, o encontramos com um fardo de folhas de milho de braçado -, claro perguntamos pelo pai, no seu dizer , estava bem, o filho tinha ido busca-lo um dia destes e até se fez passear na cadeira de rodas, pelas festas da terra, seriam as emoções que lhe deram cabo do coração...
Conheci os filhos do Adalberto donos de um belo par de olhos lânguidos em verde, com muito brilho, alvitrei puxarem raízes ao tio- avô o Ti Bernardino, que os herdou dos foragidos do Buçaco, alguns se esconderam na aldeia nuns barracões à Serrada, e claro as mulheres deles gostaram, ou forçadas-, a verdade é que nasceu gente com belos olhos verdes e outros em azul. Na conversa tabelada constatei que pouco ou nada parece saberem da aldeia onde cresceram(?) e isso fiquei a mitigar, quantas vezes a culpa não morre solteira, será imputada aos pais, avós, às gentes (?) que não sentem o prazer em transmitir saberes, já eu quando aqui vinha uns dias muito aprendi com a minha avó Maria da Luz, e mãe que me ficou para sempre gravada nas memórias e no amor por esta aldeia...Matamos saudade das irmãs do Adalberto, a Nela, radicada na Holanda recém chegada de férias, os anos não passam por ela, sempre menina, também da Eduarda, mais magra, e da sua linda filha, morena. Revivemos outros familiares que desde sempre os reencontrei com os pais em casamentos e funerais, porque o meu tio Américo Fernandes, irmão do defunto, foi casado com a minha tia Clotilde Lucas. Matamos saudade com outras gentes que se chegavam na tarde soalheira à morgue com porta para a Rua da Procissão, de onde distingui um belo varandim em madeira ao correr do tardoz de uma bonita casa térrea, reconstruída, por irradiar de um lado da fachada raios de sol rasgados na pedra-, arte do pedreiro em executar no contraste com o belo painel de azulejos com o nome da casa-, pertença do António Simões, não fazia ideia nenhuma, fiquei surpreendida pelo imenso bom gosto, até me veio à ideia que ao tempo tivesse conseguido apoio comunitário do Feder ou outro similar (?).
Não me podia ir embora sem cumprimentar o meu primo Eduíno, marido da Isaurinda que não estava, compramos cervejas, não fosse alguém aparecer. De volta a casa, não podemos ficar para a missa, tínhamos o terreiro para o carro ainda por limpar antes da noite cair. Preparava o molho de tomate para a bolonhesa, eis que sou surpreendida por um pardalito que entrou pela janela com a cortina arredada, para posar no esquentador.
Tentei enxotá-lo em vão, debalde deu-me um baile em alvoroço...
No hall já não era só o pardal a que se juntou uma grande aranha, nisto enfia-se num pote da prateleira, só na rua lhe dei liberdade, já a aranha matei-a bem morta!Desculpem os amigos da defesa dos animais, mas não suporto aranhas, moscas, ratos e cobras, só se não puder, mato tudo!
A Lua em quarto crescente no céu que se mostrava um mar estrelado, mas a máquina não conseguiu cativar o belo no infinito escuro mas brilhante na objetiva, eis que de repente uma cadente se deixa cair abruptamente no abismo,que até palpitei o coração...
Um gafanhoto rosa não me largava na manhã seguinte quando regava o jardim
Fomos dar começo à faina de limpar o quintal. A roçadeira temos o trabalho de a transportar de Ansião , depois do roubo com chave falsa, não corremos riscos de aqui deixar maquinaria, nem nada de valor.
Tudo é imensamente velho, partido, esburacado, muito usado, para não mais sofrer dissabores!
Incrível a latada que a podo mal e porcamente, apenas para não mostrar desmazelo, sem curas, o ano correu contra o míldio e as uvas como nunca antes assim as vi.Ofereci-as ao meu compadre de Ansião.
A guia de uma parreira de cachos infinitos estava caída, tive de puxar para amadurecer
Cachos escondidos com o feno, de bagos verdes, tive de  as desparrar
A única parreira que nada produziu se mostra de cores escarlate a fazer inveja aos carvalhos americanos que felizmente medraram e já se notam bem ao alto do quintal, atrevidas a chamar o outono...
Os perigos dos buracos no quintal-, resultado do encanamento em tempos de antanho do ribeiro para melhor aproveitamento do terreno para o cultivo do milho.
O meu marido com a forquilha a juntar o feno cortado para no outono se fazer as borralheiras
A eira esventrada com o cascalho arrevesar quartzo e mármore, desde o ano passado que aguarda obras, porque a máquina ia-se atulhando no quintal...
Passou um ano, ainda se mostra assim, nada fizemos ainda!
O pessegueiro de roer, com a brutal seca  ficaram minorcas...
As maças de melhor aspeto...
Já as pêras rocha, este ano também minis...
Maçãs Golden, nem grandes nem pequenos, inchavidas...
Ao cair do entardecer fui espreitar os contrastes do pôr do sol a fugir na crista alta dos eucaliptos. 
Tivemos de cortar uma palmeira, as folhas com vento deslocaram telhas do telhado.
No 4º dia limpei a cozinha velha para assar a sardinha, o peixeiro, homem do Barqueiro, dono de um belo par de olhos azuis e alto porte, passa à quinta feira com peixe de alta qualidade condicionado em câmara frigorífico e balança digital, tudo como mandam as normas de higiene.Cozi as batatas ao lume, assei os pimentos e até o café . Isto sim é que é saber desfrutar da ruralidade.
Por aqui tudo é velho, muito usado, mas bem lavado!
Não faltou a broa de mistura e o pudim francês, feito pelo meu marido em Ansião, porque o leite estava em fim de validade...Desta vez só usei o lume uma vez, por isso a arca da lenha ficou cheia sem conseguir fechar...
Tiramos sono à sesta no penúltimo dia para partir com rota definida em caminhada pelas Calhas, ver a nossa courela e explorar a mina, ao Marco .
Constatei uma porta caída,ou arrombada não resisti a fotografar a boca do forno
O nome da Rua das Calhas foi bem atribuído. O que ficou por fazer?
Na verdade hoje a rua é toda uma, em tempos de antanho começava no mesmo sitio ao entroncamento na Moita Redonda, seguia pelas calhas que ficavam ao meio do costado da serra, para atalhar caminho a Chão de Couce. Este trajeto em parte foi suprimido (?) que desembocava ao meio do Furadouro, onde na beira existe uma casa, e uns metros à frente da casa do meu tio Carlos Lucas, por ela passei vezes sem conta com a minha mãe e avó. Aliás a minha mãe em pequena, aqui neste troço, suprimido (?) perdeu uma pulseira em ouro com o seu nome gravado Ricardina.
As calhas eram rasgadas em frondosos pinheiros, que foram abundantes, ainda à pouco vendi uns com um diâmetro extraordinário, por elas corria do costado da Nexebra a água de uma mina, para um baixio, com um tanque em pedra, onde se lavava roupa, continuando a calha com água para este grande poço para rega das hortas ao Furadouro.
Aqui na frente do poço das calhas o caminho é em terra batida, antes do poço temos uma courela que foi uma horta com poço, mas hoje é eucaliptal. Seguindo o caminho a primeira casa que encontramos é da família do Abílio Afonso, ostenta belas hortenses em azul, sinonimo da terra com ferro que lhes dita a cor desta espécie, tradicional na região.

Deixei-me ficar boquiaberta com o nome atribuído "Travessa Abílio Afonso" , primeiro, pelo nome de travessa aqui ser posto-, sem qualquer desprimor pelo nome da pessoa que lhe foi atribuído, não que não mereça tal honra na distinção, até porque o terreno onde se encontra a via deve ser integralmente na sua propriedade, digo eu (?)!
Mas na realidade a Rua das Calhas começa no sítio certo, aquele que durante anos as gentes dele fizeram uso para atalhar às calhas pelo carreiro da casa e do quintal dos pais do Leonel Fernandes, e uns metros à frente nos terrenos da minha família, ao meio do costado, por onde desciam as calhas talhadas em pinheiro deixavam verter água para um tanque para lavagem de roupa, seguindo a restante na levada da calha para o grande poço, também da minha família, sediado à beira do atual caminho de terra batida. Até houve uma demanda em tribunal, na família, por causa das calhas. 
Julgo que muito mais tardiamente foi calcetado o caminho de acesso ao casario da família do Abílio Afonso, desde a sua casa à estrada principal do Furadouro, sendo que para trás do casario ficou o acesso unido ao caminho do poço das Calhas, em terra batida, tendo sido suprimido o outro troço mais antigo(?) que embocava mais abaixo ao Furadouro(?), a caminho de Chão de Couce, mas também não sei se era particular ou público (?).
Porque em Ansião à vista de todos é comum assistir à usurpação de caminhos públicos,e por aqui em local mais recôndito, deixa-nos a pensar, apesar do respeito!
Voltando à Rua das Calhas, o que faz pensar é a razão de nela terem sido atribuídos dois nomes; exatamente nos extremos-, no traçado em alcatrão e no traçado em calçada, sendo que o meio entre elas, em terra batida ficou SEM NOME, o que me deixa a pensar a razão, mas pior, se lhe juntar o nome inadequado(?) do traçado da calçada com a atribuição de travessa(?), porque na verdade não se trata de nenhuma travessa, antes rua completa, apenas com asfaltos diferentes.
Senti o mesmo erro(?) atribuído noutras vias de comunicação-, o que deixa transparecer quem os delineou (?), não saber o significado do que é a designação de travessa e a diferença de rua...E isto aconteceu nas duas freguesias: Pousaflores e Chão de Couce.
O conceito de RUA , define-se claramente como "uma via pública para circulação urbana, total ou parcialmente ladeada de casas".
O conceito de TRAVESSA, geralmente se carateriza por apresentar pequenas dimensões.
Ao se tentar comparar uma travessa com uma rua-, pode-se entender que uma rua é uma via principal, enquanto uma travessa usualmente é uma rua transversal entre outras duas.
A Travessa Abílio Afonso emboca junto à antiga carpintaria, na Rua Principal ao Furadouro, que não registei em foto, porque fiquei a martelar o porquê de lhe adicionarem, principal-, o nome Furadouro, é já por si só sonante, e bastante, para se apresentar sozinho na atribuição, sou eu a dizer!
Ao cimo foi a casa abastada da família dos Moutas...
A Junta de Freguesia de Chão de Couce limpou e bem as bermas, mas tem de voltar para limpar os entulhos das valetas, aqui nada se vê, mas as vi entupidas com terra que descaiu de terrenos, por falta de muros.Porque o inverno vêem aí...
Um belo exemplar de habitação antiga que perdura no tempo-, a casa que foi do Joaquim Afonso
Ao Marco, nome assim dado porque aqui se dividem as freguesias; Pousaflores e Chão de Couce.
Curiosidade no começo e no fim de cada freguesia, uma garagem!
A primeira garagem na freguesia de Pousaflores, o barracão que o meu avô José Lucas mandou construir para a garagem do automóvel, que o filho Alberto Lucas conduzia, em virtude do caminho para a Moita Redonda ser de piso tão esburacado e pedregoso , sem condições ao tempo até para carroças, quanto mais para carros...
A segunda garagem feita mais tarde pela família do Joaquim Afonso na freguesia de Chão de Couce
A mina férrea que fui vistoriar, dista da garagem, hoje barracão que foi do meu avô, a uns escassos 50 metros desta, na beira da estrada.
Hora de voltar a casa
Ou Moita Redonda?
Para mim será sempre Moita!
O início da rua ostenta o nome Rua do Lavadouro, que dista daqui um quilometro, sita ao Vale, junto ao ribeiro da Nexebra-, sendo que dela não descobri o terminus até à Moita Redonda de Baixo (?)...
A aldeia desenvolveu-se ao longo do caminho principal, sendo muito comprida, mais de 2 Km aviados no tempo foi distinguida com os nomes: Moita Redonda de Cima, Fojo, Vale , Horta, Serrada, Quelha, Serradinhos, e Moita Redonda de Baixo.
O mais correto a meu ver teria sido a atribuição partilhada dividindo a rua em três: Moita Redonda de Cima, Vale, e Moita Redonda de Baixo, porque assim o povo a conhece.
Logo na entrada da Rua do Lavadouro, o salgueiro e o tanque em pedra que me fascinam desde criança, que o via sempre de bica a correr água...
O casario que se avista ao longe cresce a cada dia. Linda paisagem de Chão de Couce
O nome está certo
Por aqui se descia às hortas ao Furadouro, regadas com a água que vinha das Calhas, que lhe dava fertilidade.
O mesmo erro(?) na atribuição de travessa, não lhe chamaria assim-, das duas uma ,ou é um Beco ou Rua. Antigamente era um quelho de ligação da Moita Redonda ao Furadouro . Na única casa que nele existe foi infelizmente assassinado o meu tio Carlos Lucas, que por aqui atalhava para sua casa sita na beira da estrada do Furadouro. De fato não deslumbrei a saída da (travessa) que devia embocar na travessa Abílio Afonso, mas pode existir (?), ou no tempo foi suprimida por ser particular(?) e se o foi então será Beco!
  • Para mim o mais certo seria a Rua das Calhas ser a Rua completa: parte em alcatrão, terra batida e calçada-, ou em alternativa a ligação da terra batida no troço antigo a ligando mais abaixo ao meio do Furadouro, como o foi no passado.
  • Junto da carpintaria da família do Abílio Afonso,  há um terreiro com um cão, não sei se pertença ou não, seria interessante neste envolvente ser aproveitado para um pequeno Largo ou Parque, com dois bancos para se descansar, arborizado e ajardinado, e aí sim ostentar a menção de Largo ou Jardim Abílio Afonso, porque as gentes também precisam te usufruir de espaços públicos, junto das suas casas; sejam idosos, e crianças para brincar e aprender a arte de magia, julgo que foi ele o impulsionador nos primeiros passos ao mágico Luís de Matos (?).
  • Quanto à Travessa das Hortas ao Furadouro deveria ser Rua , embocando ao lado do Largo, com saída para a Rua do Furadouro. 
Seja o interesse em alargar, abrir os espaços, para desafogo das pessoas e dos seus bens, em caso de catástrofes.
A casa do João da Horta ostenta na fachada azulejo alusivo ao Santo do seu nome, apesar de ter nascido em janeiro. Aqui funcionou muito tempo o Telefone Público e a caixa vermelha do Correio, sendo que esta antes esteve na frontaria da casa dos meus avós, depois passou para a casa da avó do meu marido, Rosa, e acabou por morrer aqui. A minha Dina em pequena no gozo de férias no Vale, com os avós paternos, no mês de agosto, aqui vinham amiúde, ainda não havia telemóveis. Não mais volto a ver o João da Horta a dormir a sesta no seu Mercedes verde, a ouvir música...Paz à sua alma e da sua esposa Alice.
Mais uns metros esbarrei com a placa
De fato é um Beco, antigamente aqui chamava-se a Cascalheira, supostamente pelo imenso cascalho proveniente do xisto, não sei se teria nesse tempo um carreiro de ligação ao Vale Cego.
A atribuição de Travessa do Portelinho, não me parece que seja correta, antes Rua, que é bem comprida, e toda alcatroada indo desembocar ao Vale.
Outra perspetiva da mesma via vista do Vale
Finalmente uma correta atribuição.Antigamente tinha ligação à estrada da serra, um pouco antes da mina de S.João, infelizmente suprimida no último alargamento da estrada.
Fiquei sem ver mais placas...e devia...Perdi-me no casario fechado em agonia, onde ainda há beleza, algum a caminho da ruína iminente...
Neste "condomínio fechado" alcunhado pela minha mãe, por se mostrar um aglomerado de casario ao invés do restante que se estendeu ao longo do caminho, viveu um velhote, o Ti Francisco, aproveitava a boleia do "João da Horta" para a feira do 15 (gado) no Ribeiro da Vide em Ansião-, o via chegar-se a subir a escadaria do Santo António, trazendo às costas um saco de serapilheira com os peros do fundo da fazenda da Moita Redonda, da minha mãe. Bons tempos na demonstração sem o saber do imenso carinho que os unia. E os peros que adorava trincar, rijos, mas saborosos!
A beleza do janelo no sótão em madeira apenas com um pequeno caixilho, são para mim um fascínio pensar como as gentes que aqui moraram em tempos remotos tinham parca roupa, uma para ir à missa, outra para trabalhar no dia a dia, e a camisa de dormir grossa em estoupa para afugentar as pulgas. Como seria o encadear da luz ,ao entrar pelo caixilho tão minúsculo?Num tempo em que a nudez era pecado, mesmo entre marido e mulher...Sem guarda fatos, faziam uso de cabides em madeira, neles penduravam os saiões, a roupa domingueira para ir à missa, sempre prontos a usar dali a mais uma semana, e os homens só despiam o fato ao fim do dia, porque era dia Santo...
Neste emaranhado de telhas mouriscas e barrotes podres, ao longe distingui uma cama de ferro encostada, fatalmente me deixou a pensar como é possível haver famílias, que depois da morte, não querem os haveres dos seus, um hábito que infelizmente continua-, sou exatamente o contrario, gosto de preservar, sobretudo viver e gozar os objetos antigos. Consigo perfeitamente viver no luxo, e na parca pobreza, desde que tudo esteja bem limpo!
Ao longe um outeiro despido de madeira, que outrora foi pertença da Quinta de Cima.
Outro outeiro ainda com madeira prestes a ser cortada
Mais um tanque em pedra, coberto de silvado por aqui chamado de rosinhas de Portugal...
As famílias mais abastadas tinham grandes tanques de pedra para receber águas de minas, e abastecer as suas casas. Este tanque era do irmão da minha avó Maria da Luz, pai do grande homem que recebeu o mesmo nome do meu avô-, José Lucas, que muito fez por Ansião, mas morreu cedo demais, com isso fez muita falta ao concelho, no seu progresso!
Um bom sítio, onde foi a casa do "Ti João do outeiro", neste momento está à venda
O óculo no sótão virado a sul debruado a xisto
Ainda resistem na aldeia várias chaminés iguais a esta , a da casa dos meus avós era assim em ocre, foram feitas por o sobrinho da minha avó, um grande mestre de pedreiro, o "António do Vale" falecido recentemente com 99 anos, se não me falha a memória, irmão do José Lucas, falado anteriormente.
Outra boca de forno em agonia...
A frontaria com bela cimalha esponjada em policromia, desafia a paisagem!
A estrada para a serra de Nexebra, deveria no entroncamento com a Rua do Lavadouro, ser alcatroada uns metros, sendo o piso de terra batida em declive, os camions, tratores e motas, fazem resvalar a brita que com a chuva rolam pela rua alcatroada com grande facilidade, já me partiram dois vidros das janelas ao serem projetadas pelas rodas dos carros que por aqui passam a alta velocidade.
Também deveria ter sinalética-, falta placa com o nome e outra de COIMAS, para os madeireiros que teimam em deixar os excedentes de madeira nas bermas a entulhar as regateira,s que correm no inverno, e assim, além da inacessibilidade aos terrenos, os inundam, fazendo desabar barreiras.

Ao chegar ao Vale, constatei que a única via no Lugar, que tem nome no início e no fim é esta!
A Junta quando em julho limpou as bermas, esqueceu-se de limpar o Beco do Vale até ao cimo, já chega de desculpas, e não é o único BECO A PRECISAR DE SER LIMPO!...
Do mal o menos aqui a atribuição do nome é correta.
Ao Vale observei o telhado da casa do Silvério e da Maria, também com pinturas de antigamente na cimalha em esponjados.


Flor de sabugueiro em cachos negros ao ribeiro do Vale, o único sitio fresco no pico do verão.
Há anos que foi cortada (?) a água da mina que abastecia a fonte do Vale.
O telheiro do lavadouro que pelos vistos mereceu honras de atribuição à principal via de comunicação da aldeia, mostra-se inestético, bem poderia ser substituído por telha mourisca aproveitando a telha de telhados em derrocada, dava uma graça à aldeia ficando mais airosa e castiça, porque na verdade são estes valores que deveriam ser preservados, com pouco investimento, água a correr na fonte, que a goela ia seca...a pensar chamar mais gente para aqui vir morar e afastar a desertificação.
Incrível o Beco da Horta...sem sinalética e com entrada para uma casa habitada!
Pois aqui falhou redondamente a atribuição de nome, a casa que foi da Josefina, hoje de ingleses, cuja entrada é feita , e sempre o foi pelo quelho da Horta, onde urge urgência em pôr placa identificativa.
No mesmo reparo a Junta, deve proceder à sua limpeza anualmente, que o vi entulhado e no final me pareceu surripiado(?)...sendo público é para livre passagem!
Jaz perdida no beco  panela de ferro, onde se fez muita sopa...
Seria aposta interessante alguém de direito na Junta pensar em rotear a ligação do Beco da Horta, à estrada da serra, logo a sul da mina de S. João, onde ia embocar o carreiro da Horta, uns escassos 200 metros(?), para defesa do Lugar, em caso de incêndio, uma vez que fecharam a entrada do Vale que embocava antes da Mina de S. João.
O que resta da casa da família Fernandes, no Beco da Horta. As vezes que aqui vim, gostava desta casa, da cor do barro vermelho do barracão...e sobretudo das gentes!
Ainda se distingue a pedra calcária que foi do balcão da casa, eram tão castiços os balcões, deles se perderam e não devia.
Ao fundo do beco, antes das hortas, vivia uma velhota a Ti Brasida, uma mulher enorme, vinda dos lados do Agroal , quiçá descendente dos romanos, usava umas tairocas, nas lembranças da minha mãe.
Estranho é constatar em cima duma curva perigosa uma churrasqueira, quando o certo no espaço deveria ser escapatória!
No incêndio por aqui há anos ocorrido, os bombeiros ficaram parados, porque não havia caminhos para entrarem e os que haviam eram estreitos!
Casa da  senhora Idalina
Na verdade a casa da senhora  Idalina, em amarelo, foi comprada no passado pelo meu avô à Ti Teresa, sendo que o caminho sempre lhe passou pela frente. Assim sendo, como se explica que a casa  sita numa berma, com a estrada pelo meio e na outra berma, numa pequenez faixa de terreno se tenha feito a churrasqueira? A própria confidenciou-me que o meu primo Rui(?) que lhe vendeu a casa lhe confirmou que aquela parcela de terra pertencia à casa.Mas como pode ser pertença do imóvel da casa, se entre os dois imóveis existe a estrada?  Mas também é verdade que o muro da casa que foi da Josefina não se apresenta neste espaço direito, e se a faixa estreita de terreno fosse sua pertença, jamais o deixava contemplado fora do muro (?). Na última intervenção de alargamento da estrada para asfaltamento, a Josefina à última da hora, não permitiu que lhe cortassem o parreiral na beira do muro e por isso ficou a curva mais perigosa, cega, e a escapatória maior porque já a tinham começado a alargar(?).
O que levanta a questão da parca faixa de terreno ter sido ao tempo expropriado do inicial da casa da Ti Teresa, para alargamento do caminho pedonal e de carroças e mais tarde estrada de ligação à Moita Redonda de Baixo, Ribeira Velha e Pereiro, sendo por isso hoje um bem público!
Lamento imenso ter de afirmar que a churrasqueira naquele sítio fica no quadro da aldeia desadequada e inestética, porque retira a beleza da casa sita atrás, por ser desmesuradamente grande, sita antes do cotovelo da curva contra curva, de fraca ou nenhuma visibilidade, quando o certo era o espaço ser escapatória para o transito, por isso não deveria ter sido permitido a sua construção(?), sabendo no entanto a boa índole dos seus proprietários, gente de bem e de paz, que foram a meu ver mal informados pelo meu primo(?), porque uma coisa é falar, outra diferente é ter escritura, não sei se tem, não sou fiscal! 
O certo seria a sua destruição para alargamento da estrada, no mesmo sentido o alargamento do lado inverso, onde foi o sítio de um enorme barracão que hoje se apresenta uma lixeira de frigoríficos e outros pertences sem valia abandonados a céu aberto, caixotes de alfobres e parque de estacionamento arbitrário, que descarateriza a pacata aldeia.

Obviamente teria de haver ajuste do prejuízo aos donos, em lhes fazer novo churrasco mais pequeno, junto da casa. Sendo que a aldeia carece de espaço público para lazer, ficaria a meu ver neste altaneiro local, no sítio do barracão bem ficaria um pequeno retiro ajardinado, com um ou dois bancos de jardim e placa a testar o marco histórico, que foi herdado nos genes de muita gente da Moita Redonda, a sua descendência dos desertores franceses da batalha do Buçaco, que aqui se refugiaram . Sendo este espaço imóvel privado, que foi em parte também pertença da minha família, teria de ser comprado, expropriado, ou parceria noutras contrapartidas com o dono.

Também aqui de novo falhou a placa no Beco da Serrada. Supostamente em negociações a casa que foi do"Zé Mau", um dia destes com novo morador e sem nome para morada...

Seria interessante pensar em romper o Beco da Serrada, a caminho do que existiu na ligação aos Motólogos, Pensar, Lages, Vale Cego e Portelinho.Os tratores quando entram para limpar os olivais passam pelas terras das pessoas quando deveria ser serventia publica.
A caminho da Quelha onde reparei noutra casa sem morador, ausente no Brasil, construída em 1945, supostamente no tempo sem ser registada nas finanças...
O forno foi destruído no alargamento da estrada
Na mesma a frontaria com cimalha e laterais em esponjados
Entroncamento com a estrada da serra de Nexebra do lado da Moita Redonda de Baixo, e de outros caminhos-, ainda me lembro de uns emigrantes que vieram uns anos e deixaram de vir por falta de acessibilidades à sua casa que ainda resiste de pé. 
Na mesma nota negativa a falta de sinalética!
A casa onde nasceu o bisavô materno do meu marido

De carro a caminho do Pereiro distingui ao fundo da Moita Redonda de Baixo, uma placa com a menção Rua do Fim do Lugar, seria correta a atribuição se a mesma corresponder à transversal a caminho da Ribeira Velha. Não parei, por isso não posso confirmar. Uma coisa verifico-, a Rua da Moita Redonda, a principal, com a menção de Rua do Lavadouro, só tem uma placa ano início do Lugar, termina aonde? Porque parece haver dois pesos e duas medidas. Ao passar de carro depois de Lisboinha a caminho da Serra do Mouro , ao meio da estrada sem qualquer casario existe uma placa com a menção, Rua da Barroca... 
Cansada e com sede, reparei que há quase mais carros na Moita Redonda do que habitantes.Alguns sucata. Ora se todos os habitantes além da casa tem quintal deveriam apelar ao bom senso, e cada um fazer um terreiro dentro de portas.
Não gostaria de afirmar que sinto desdém ou pior se mostram egoístas (?), porque mesmo havendo poucos moradores deve haver respeito.Em caso de catástrofe, a matéria combustível é densa, basta um incêndio, com tanto carro a atravancar estradas dá para pensar! Porque constatei que se estaciona em Becos, fechando o acesso mesmo pedonal, também se estaciona ao longo da estrada, que não sendo larga, para manobras criam situações embaraçosas, sobretudo ao Vale, em toda a aldeia noto maus estacionamentos, porque deveriam ser dentro das suas propriedades privadas.Um alerta em especial para novos moradores que tem de perceber que o espaço público é de todos. Isto porque o certo compete à Junta criar estacionamento marcado em novos locais e onde as ruas se mostram mais largas.  As coisas deviam primar por ser bem feitas, mesmo nestes espaços esquecidos, porque um trabalho bem executado deve ser o orgulho de quem o faz! 
Existem imensos cães soltos, que metem medo mesmo para ir despejar o lixo. 
Os animais é para estarem presos nas propriedades dos seus donos, e não andarem pelos quintais dos outros e pela ruas a vadiar, porque invadem a minha liberdade, e disso não gosto! 
Se cada um souber fazer o seu papel alterando o que está mal, a aldeia cresce, por certo vai crescer ainda mais -, para isso cada um deve tomar as providências certas, o futuro será mais risonho, e é isso que se pretende, a boa vivência e respeito por todos em maior segurança!
De volta ao Fojo, olhei as silvas que invadiram a escada, já não posso ir roubar marmelos ao Silvério...
Refastelada com os primeiros figos pardos bem maduros a meio passa, roubados da figueira à borda da estrada, do João Medeiros, em bicos de pés, que a ribanceira assusta...

Sem televisão nem microondas, nada nos fez falta.Vivemos os silêncios, este ano não havia moscas a incomodar, nem tão pouco as malditas cigarras de som estridente em cantos sem cessar, apenas as melgas no costume me atacaram e muito, mas muito, foi o trabalho, fizemos o previsto e ficamos satisfeitos com o nosso desempenho, comemos muito bem, no mesmo gosto os bons banhos de sabor delicioso na carne cansada e mui transpirada, para no relax dos deuses adormecer ao som do rádio... 
Remato a crónica numa palavra, esqueci-me do mundo, só lembrei de mim e das Coisas que eu gosto!

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