domingo, 30 de agosto de 2015

Piquenique com passeio ribeirinho a sentir o Tejo na Trafaria

Quinta feira a manhã acordou com tempo enevoado a que muitos chamam cacimba , o que não amorteceu o mote em teimar sair de casa, a caminho da Trafaria. 
Uma bela buganvília redobrada em carmesim, uma das minhas cores predileta!
A vila é castiça com algum casario emblemático ao estilo século XIX; casas modestas, outras chalets, muitas com revestimento a azulejos com telhados em platibanda, decorados com faiança; vasos , pinhas, balaustres e estatuetas. 

Igreja pintada de amarelo suave com apontamentos em branco
Pedi à minha filha para traduzir a numeração romana-, resposta na muge!
Após o 25 de abril no  fim da mata nacional já no areal a poente, foi sendo absorvido por anexos, que há anos quis conhecer, lembro que tudo me chocou o olhar naquele paraíso dunal em contrste com o costado de pinheiro manso, a quilométricos do Tejo, seriam uns 3? Por se mostrar enxovalhado de barracas, com telhados de zinco, portas e janelos em platex, latas em policromia e mistura de plásticos, no convívio com cães em matilha ao sol deitados e senhores nas parcas placas de cimento em cima da areia a delinear o caminho da avenida na espelunca e monos de lixo por entre estendais de paus com roupa  e carros de alta cilindrada...
Já na vila o ambiente é muito pacato, apenas os silos incomodam com o barulho e o tráfego desmesurado dos camions no vaivém contínuo.
O chuvisco apanhou-nos no passeio Ribeirinho-, olhei a capital em montra perdida à beira do Tejo, envolta em névoa cerrada ,melhor mote para aparecer o nosso D. Sebastião e nos salvar de gente que não sabe mandar...
Andantes a saboreara a calmaria pelo passeio público onde também jazem barcos, palmeiras em agonia e areias deixadas pelas marés vivas...
No pior a mafia das empresas que lucram milhões e ninguém lhes dita COIMAS-, no abuso dos cabos eletricos e telefónicos, em cruzamento a torto e a direito, sem qualquer estética no horizonte, a mim chocam e muito o meu olhar!
Triste em agonia, a beijar o Tejo como se fosse um forte, o antigo quartel, com uma grande igreja dentro de portas, apenas a Cruz e os fogaréus em pedra se destacam no alto.

Melhor placa seria em azulejo?
O tempo que sonhei com o Pai Natal em que punha cartas numa Caixa vermelha igualzinha...Debalde nunca me deu resposta , deixei de acreditar nele, pior gostar do vermelho!


Ao alto da cimalha o painel azulejar com a bandeira do Brasil, não sei se o dono enriqueceu no país, uma forte probabilidade(?).


Quem lhe acode?
Aldrabas prendem sempre o meu olhar-, sinto em nostalgia, a força das mãos que nelas seguraram
A graça do peitoral das janelas, simboliza na minha cabeça o apoio dos braços das raparigas a namorar ...
Belo portão em ferro forjado pela graça das iniciais do nome do dono da casa
Uma estatueta que numa mão segura uma roda dentada, supostamente o trabalho do dono da casa.
Lamento profundo do abandono total a antiga igreja, em ruína total.
Reparei no cimo da elevação uma brutal vivenda minimalista de comprimento a perder de vista com arcadas e vista deslumbrante de 180º, que acredito seja fabulosa, da administração da Esso(?)
 
O que resta de um chalet em madeira
Junto a esta casa de belos azulejos em verde, compramos flores numa mulher velhota de cabelos alvos, com mais de 80 anos, sentada debaixo do chapéu de sol, na rua, mas reviteza, chega-se um homem e pergunta-lhe o preço da laranjeira, responde 5€, diz-lhe ele, ontem você levou-me por uma 10€...retorquiu a pobre velhota, olhe que não o enganava...
De volta à praça central, espreitei o mercado com bom peixe fresco.Compramos pão e bolos.
O piquenique foi no parque junto da GNR, na Mata Nacional, junto da antiga casa do guarda florestal.
O Vicente adorou, vaidoso com uma pulseira que a Maria lhe fez em Ansião.
O piquenique pensado em "cima do joelho", para alegria da minha Dina, saldou-se num bom arroz de tomate e pimentos com pataniscas e pastéis de bacalhau, boa salada de alface, tomate, pepino, pimento e cebola portuguesa, vinho tinto, pão de centeio, pêssegos do lavrado da minha mãe, gelado de chocolate café, que levo sempre o termo.
O afeto partilhado na companhia é hilariante até nos animais. 
O casal de pombos no passeio, juntinhos. Amei!

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Seguidores

Arquivo do blog