sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Murfacém na Caparica onde viveu uma princesa

Tomando a estrada do Monte de Caparica a caminho da Trafaria após passar Costas de Cão e pela quinta de Nossa Senhora da Conceição que nos fica pela esquerda, em etrada de curva contra curva, avista-se Lisboa à direita por esguelha em "V" para logo aparecer casario branco ( vacaria ou barracão ?)  seguida de curva para a esquerda apertada que conflui na descida do morro à Trafaria-, antes da descida seguindo em frente, eis que se clama em espetáculo descobrir o Lugar de Murfacém!
Experiência camarária no combate à infestação do canavial, blocos em cimento na ribanceira da estrada, com algum sucesso...
Os romanos vindos de Mérida, passavam por Murfacém, com destino ao Porto Brandão, e por barco  se chegavam a Lisboa.
Morabito de Murfacém
Após a saída dos árabes deste território, deu-se o abandono, supostamente reaproveitado para ermida cristã, dedicada a Nossa Senhora dos Remédios, da quinta onde está o templo inserido, uma forte provabilidade(?). Segundo informação do Blog "Lugares da Caparica" existem em Murfacém a Capela de Nossa Senhora dos Desamparados (Fazenda em Murfacém) e a Capela de Nossa Senhora da Glória ? (Quinta de Murfacém de Gaspar da Rua).
Não sei a localização de ambas.
Capela muito semelhante existe no Cabo Espichel, autores acreditam que no passado tivessem estado relacionadas para envio de SINAIS entre Sintra , Murfacém, Almada e Alcolena (hoje Restelo).
Cabo Espichel
Os árabes deixaram cisternas em Murfacém ( não sei a localização) além do Morabito, e até o nome árabe significa, barbeiro.
Dizem ser a localidade mais antiga do concelho de Almada, apesar de também se terem recentemente encontrado cisternas de origem árabe, em  Almada velha no local do Núcleo Medieval, nas imediações do castelo.
 Existe também equipamento militar construído durante a 2ª Guerra Mundial-, uma Bateria antiaérea. 
Estas terras da Caparica têm sido ao longo dos tempos berço ou local de adopção de figuras ilustres, tais como o Conde de Arcos, Bulhão Pato, Távoras da Caparica, Infanta Dona Maria Adelaide Manuela Amélia Micaela Rafaela de Bragança van Uden, entre outros, que se tornaram, pela sua ação, personagens de grande importância local e nacional, ao longo dos séculos.
Ao se entrar na rua principal de Murfacém, no gaveto do lado esquerdo existe casario antigo, disse-me uma senhora que encontrei ser da Quinta do Guedes(?)  pelo tardoz restos do poço que teve nora, na foto mal se notam os muros de sustentação no meio das ervas.
Rua principal de Murfacém
Porta com a guarita fechada

Ao fundo da rua em lugar altaneiro, para depois começar a descida até ao rio, avista-se uma imponente capela que data provavelmente do século XIV (?), pertença da quinta do Carmo, que  foi de D. Nuno Álvares Pereira.
Em 1949 aqui se fixou e morreu aos 100 anos, no dia 24 de Fevereiro de 2012, a neta direta do Rei Dom Miguel, na sua quinta de Murfacém. a Infanta Dona Maria Adelaide Manuela Amélia Micaela Rafaela de Bragança van Uden.  
Capela de Nossa Senhora do Carmo(curiosamente a imagem da veneração de D. Nuno Álvares Pereira, sendo que também mandou construir o Convento do Carmo em Lisboa)

Relógio de sol ao lado de um cunhal com bola em pedra, o que evidencia aqui ter sido colocado à posterior da construção do edifício. Não falta o belo efeito decorativo em  remate na forma de "CARACOL" tão usual na região a adornar portais  das quintas.
Brasões encobertos pela vegetação
A quinta faz gaveto para poente com vistas deslumbrantes sobre o oceano, o Tejo, e Lisboa
No muro  da quinta encontrei estas letras ARMO
Lateral da quinta  do Carmo  e da quinta do Guedes? para poente com vista sobre o oceano.
Portão da quinta aberto de chão em terra vieram esgravatar garnisés e galos da índia, mas logo me perdi nas vistas,  paisagem que consegui ver através do portão sobre o Tejo  e Lisboa deslumbrante...
Outra perspetiva da vista do casario  da Quinta do Carmo para nascente:
Campanário da capela, chaminé de fogão de sala, cano em cerâmica para escoamento de águas do telhado e janelas em guilhotina.
Voltando ao sítio da capela o único onde se pode estacionar dois a três carros.
Cito a cortesia de Carlos Estevão, homem que viveu na Fonte Santa até aos 19 anos até  67 , de onde saiu para França onde se encontra , informou-me que esta "Fonte" deu o nome ao aglomerado de casario que já era conhecida nos tempos de D. Afonso Henriques. O reguengo desse rei (as terras pertencentes ao rei e não à coroa) iam de Murfacém até ao caminho da Fonte Santa de onde se faziam procissões para homenagem a santidade das águas.

Na esquerda acesso à quinta do Carmo e à quinta do Guedes(?)
Do lado direito no gaveto um fontanário desativado, inestético
Na frente deste núcleo da quinta do Carmo há uma espécie de cruzamento de vias:
A estrada principal que vai dar ao Tejo onde labora uma empresa da antiga ESSO.
Esquerda, sem saída para a quinta do Carmo e quinta do Guedes?
Direita, estrada em calçada estreita, ladeada na entrada por casario dos dois lados, para se finar em casario na orla apenas na direita onde se encontra o Morabito, para terminar sem saída na entrada de outra grande quinta que ao meio ostenta o que resta de um moinho, sendo toda murada, o muro que divide o casario da estrada e se vê nas fotos.
A rua começa e uns metros à frente o Morabito à direita
Esteve ao abandono tendo sido remodelada em 1973
"Capela de planta centralizada, quadrangular, interiormente sem iluminação direta e com cobertura em cúpula. Fachadas de cunhais contrafortados, terminadas em empena reta e coberta por domo, abrindo-se na principal portal de arco apontado, de três arquivoltas, as interiores em duplo dente de serra." 
Provavelmente um morabito no século XII de origem árabe, nos finais do século XV um oratório de uma quinta onde se assistia à missa de orago a Nossa Senhora dos Remédios.
Atualmente aqui funciona um núcleo do Museu de Almada dedicado à arqueologia árabe e à azulejaria de tradição arábica. 
Quinta com portal simples e portão  na lateral sita ao fundo da estrada do Morabito.
A estrada acaba aqui. Os donos devem ser supostamente muito arreigados ao que é seu, não permitem o estacionamento na frente da sua propriedade...
ESTANCIONAR
Impressionante o poderio de quintas em redor do núcleo da quinta do Carmo, à esquerda sem saída e para a direita também, estreitas, fechadas por muros altos, seguindo em frente vai até ao rio em descida brutal onde passam camions rés vês o casario das duas quintas, que vi um camião da TIEL a medir o espaço para passar sem o sobressalto de se amolar... 
Cancela verde
Contornando a quinta do Carmo para norte, há uma bifurcação à esquerda, na frente outra quinta com construções desativadas.
 Vistas sobranceiras ao Tejo, Lisboa e Trafaria são bonitas
A máquina apanhou um sisco na lente...deixou as fotos com pintas pretas...
Ao fundo o portão da mansão minimalista com arame farpado circular como é uso ver nas prisões de alta segurança da empresa da antiga Esso
 Vista da casa minimalista no cimo do morro, vista da Trafaria

No caminho de volta , imagem do tardoz da quinta do Carmo
Estrada de acesso ao rio Tejo.
No portão verde  à esquerda dentro de portas avistei dois pilaretes em pedra, possivelmente reminiscências de outra quinta antiga
 Vista da Fundação António Champalimaud
Nova imagem do moinho a desafiar Lisboa, na entrada da quinta com o portão a sul, e aqui para a estrada de acesso ao Tejo a poente.
STOP
Outras quintas: quinta do Bucho (?) no sopé junto do morro junto das ruínas da Ermida de Nossa Senhora da Conceição erguida em 1751,  sofreu um brutal incêndio em 1835  tendo sido salvas as suas imagens que se encontram na igreja de S. Pedro na Trafaria, onde na década de 60 funcionou uma vacaria.
Foto retirada do Blog Rui'narte da Ermida de Nossa Senhora da Conceição na Trafaria
Quinta do Porto do Buxo, seria sediada junto do Tejo pela palavra porto onde se atraca e embarca e,...

Lamentável constatar tanto terreno de quintas em suposta agonia ou por outro interesses, por volta de finais de 1800 todas elas exaustivamente de chão cultivado;vinha, olival, pomar, hortícolas, neste agora uma mar de incultura...
Também no costume  neste concelho, a arbitrariedade dos fios elétricos e de telecomunicações em desordem total a cruzar os céus, sem qualquer estética como se fosse terra de ninguém!
"Sobre a Infanta foi publicado um livro da autoria de Raquel Ochoa "D. Maria Adelaide de Bragança A Infanta Rebelde", publicado pela Oficina do Livro."

Fontes
http://realfamiliaportuguesa.blogspot.pt/2012_02_01_archive.html
http://lugaresdacaparica.blogspot.pt/
http://dspace.uevora.pt/rdpc/bitstream/10174/10657/1/7%20FBCorreia.pdf
Uma foto do blog Rui'narte da Ermida de Nossa Senhora da Conceição na Trafaria
Uma foto do Google
Cortesia de memórias de Carlos Estevão

4 comentários:

  1. muito bonito. já lá passei mas não entrei. fiquei com vontade de conhecer

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    1. Caro anónimo muito obrigado pela cortesia da visita e pela crónica o ter incentivado a partir e conhecer para desfrutar.

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  2. Muito obrigado pela viagem que aqui nos trouxe. Felicidades!

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  3. Cara Maria João muito obrigada pela cortesia da vista e pelo elogio. Retribuo as Felicidades.
    Isa

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