sábado, 26 de setembro de 2015

Gentes do Cimo da Rua em Ansião e o seu Cruzeiro

Na vila de  Ansião caminhando na Rua Jerónimo Soares Barbosa na direção ao Cimo da Rua  para parar ao Cruzeiro, também chamado castelinho por terminar com uma pequena torre acastelada de ameias em pedra.
Fiquei estupfacta quem autorizou a construçao da casa que abafa o castelinho? 
Ninguém preserva o que é património!
Agora a fonte encontra-se de lado na Rua da Mina.Todos os fontanários exibem placa de "água não controlada" e acho mal, estava com sede e assim fiquei...
Desta vez andei pela Beira Baixa, no interior deste Portugal esquecido a revesar Espanha de paisagem seca quase estéril, mas onde não faltam fontes em xisto com bicas a correr, delas saciei água fresquinha .
Para pensar!
Foi no início do século XX que o Dr. Domingos Botelho de Queiroz teve a iniciativa da vila ter água potável em fontanários, até aí apenas se usavam dos poços. Aproveitada a mina do Carrascoso com o recetor da água  na Garriaza, na frente de uma vinha que foi pertença dos meus avós paternos, partia para o castelinho e de la abastecia outros fontanários na vila.
Duas das fontes que eram abastecidas na mesma rua
Depósito no inicio da Rua Jerónimo Soares Barbosa
Construída pela câmara de Ansião em 1902, supostamente o empreiteiro de obras foi o meu bisavô-, Francisco Rodrigues Valente, homem nascido no Cimo da Rua, casou no Bairro de Santo António, artista de muita obra camarária no concelho, de fonte fidedigna sei que limpava o canal da mina de areias até ao castelinho, para a água ser cristalina e pura.
O largo do terreiro foi palco de muitos bailaricos das gentes da geração anterior à minha
Desta vez o que me chamou a atenção foi a pedra que lhe está na frente, no passado um Cruzeiro, porque na parte superior tem uma ranhura escavada onde deveria encaixar uma Cruz, não me lembro dela, mas na verdade o povo ao chamar-lhe no tempo Cruzeiro que ainda perdura na toponímia, disso lhe dá conta. Parece óbvio que a pedra se suporte do Cruzeiro seja mais antiga, anterior à construção do castelinho, ou este seja resquício de algo amuralhado que aqui houve (?) na encruzilhada para a serra e para o Casal d'Afonso Pera (Casal das Peras) um dos lugares referenciados dos mais antigos de Ansião como os Empoajados (Empiados).
O tempo não perdoa, na pedra esculpida  depressa se instalaram líquenes a que se juntou a erosão do vento e da água, ainda assim consegui distinguir na pedra quadrangular do Cruzeiro, apesar da falta da Cruz, que se encontra ao centro  do castelinho ornada nas quatro faces com simbologia que achei interessante.
Um cálice, abaixo dele parece uma escada (?) e,...
Nitidamente esculpido um coração, deveria ter uma seta, pois tem um orifício?
Nas ruínas da  igreja  velha de Almoster, no concelho de Alvaiázere, a escassos quilómetros de Ansião, felizmente vão ser requalificadas com dignidade, existem corações assim  em semelhança esculpidos.
Imperceptível o símbolo de baixo na colunata ,o que me pareceu ser um peixe sob um triângulo (?)
Um anel de rebordo relevado (?)
Outro símbolo imperceptível
Picareta(?)
 Parece ser uma turquez
A cavidade na parte superior onde encaixaria a Cruz e no tempo da procissão de Nossa Senhora do Pranto quando rodava para seguir para Além da Ponte era posta a Bandeira da Misericórdia na ranhura.
Seria digno neste local que é histórico a intervenção camarária; limpeza da pedra para se identificar a simbologia esculpida e recolocar uma Cruz na ranhura, colada, para não se voltar a perder, até porque nas imediações fica a casa do que foi deputado da terra, o Dr. Fernando Marques.
As ameias do castelinho
Casario emblemático na longa rua do Cimo da Rua e  Largo do Cruzeiro, dele sempre gostei  e do carisma das suas gentes; a casa do Sr. Coutinho, dono de um belo macho bem calçado de ferraduras que faziam eco ao passar no alcatrão, da casa da Ti Matilde, mulher simpática, doceira de mão cheia; no Pão de Ló e Cavacas, o solar que foi de Virgilio Courela, já o conheci metade dos filhos e outra parte onde viveu o Zé Piloto, de belas janelas em avental e cozinha em laje, recentemente vendida para albergar uma Residência de luxo para Idosos, a casa da mãe da modista Lucinda, que também me fez muitos fatos bonitos, ainda prima afastada; a casa do Ti Abílio Ferreiro; a casa da Ti Zulmira com belas pedras a ornar a fachada, peixeira armada de carrinho de madeira, amanhava o peixe à porta das freguesas e  logo os gatos acorriam à procura das guelras, a casa da modista, a mãe da Helena Coelho, onde me lembro de ir provar fatiotas novas muito bem feitas, uma saia às pregas e um vestido em amarelo e,... a casa do César Nogueira com o seu belo varandim em madeira , a casa dos avós das minhas colegas no Externato-, a Odete Mateus e da irmã que já não me lembro o nome, viviam no Marquinho ao cimo da curva da ponte do Nabão, a casa do "Armando dos burros" que os transacionava,  a casa onde vivia a "muda" e outras casas em ruínas onde viveu gente boa que conheci...
Casa construida com o ouro verde do Brasil de Artur Maria Coutinho

Outra bela casa não sei de quem é...
Casa antiga com belas pedras na fachada e piais em pedra na tradição
 Antigo solar de 1735 actualmente em requalificação
 
Resquício de casario na frente com outra requalificação desapareceu
No meu tempo de cachopa vinha do Bairro de Santo António  e na quelha da Atafona ( assim chamada por no ribeiro ter existido um pequeno moinho, atafona, movido pela força de um burro, agora chamam-lhe rua do Ribeiro da Vide, se ia atalhando pelos carreiros da casa da "Isaura Reala" ou do Ti Bernardo na direção ao quelho, hoje Beco, e num pulo se chegava ao castelinho.
Urge visão de progresso que se faça ligação do Beco ao castelinho e até de outras travessas de ligação do Cimo da Rua ao Ribeiro da Vide.

Gentes do Cimo da Rua
Vai no tempo a lembrança da "Trezena", o pedido do Terço, na Capela de Santo António no Bairro com o mesmo nome, onde eu morei defronte para o adro, ao toque da sineta se chegavam  a subir a escadaria as mulheres e cachopos vindos pelos carreiros dos quintais em atalho vindos do Cimo da Rua...

Recordo o "Ti Armando dos Burros" e seus filhos: Mário, Irene, Carlos, e Filomena; a bela Helena Coelho; os filhos do César Nogueira; César e Rui ; os filhos da prima do meu pai Clementina e do Albertino; Helena e José Manuel ; a Rosa de marca de nascença na face; os filhos do "José Carretas"; Zé Manel, Fátima, Rosa, Augusta, Luís António e Rui ;os filhos do "Ti Armindo sapateiro" Isabel, Célia, Pedro; a Graciete (Muda); as filhas do Ti Abílio Ferreiro;  Mira , Cinda e Lucinda; a minha mui amiga Luz, com um peito que dava para dividir comigo e ainda com outra; os filhos do "Ti João sapateiro"; António, Adriano e Alfredo; a Manuela que o pai foi peixeiro; os filhos do Zé Piloto; Bina, Fernanda, Fernando; Emília, a avó da "Isaura Reala " a rondar os 100 anos, que agora me falha o seu nome ...E, …

Garriasa: Os filhos do Rafael; Amélia e irmãos e, …

Carrascoso: Anita e,…

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