segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Anjo de carne e osso com tesouro de riquezas à espera de ser desfrutado!

Citando Fernando Pessoa "Sinto-me nascido a cada momento para a eterna novidade do Mundo..." 
Em qualquer crise houve sempre quem vencesse, mas será que cada um  de nós tem esta disponibilidade?
Será que estamos todos confiantes no futuro?
O medo, sempre o medo a causa efeito de se  ter deixado fechado para amar durante muitos anos, o eterno problema de Albert-, alcunha aludida ao príncipe monegasco, pronunciado ao sotaque francês carregado no "L", carinhosamente assim Eneida o gostava de chamar ao jus de atiçar soberbo sorriso, em cara séria!
Ai o "Calimero dos desenhos animados" o pintainho triste e coitadinho, sem jamais o ser, a lembrança foi casual pelo viranço atroz que incutiu nesta  nova etapa, em que se revela no que quer e como quer em ser de novo muito mais feliz! 
Mui determinado, teima em voltar a tentar a sua sorte no amor, depois do desaire do divórcio e de viver anos sozinho, abriu a  porta de casa e do seu coração à  sua musa-, mulher descendente de genes de Celavisa, estudou interna num Colégio Religioso onde aprendeu além das letras e das contas, como tratar da vida doméstica, já nadinha da vida de casada, que desconhecia, menina feita mulher à pressa, emancipada aos dezasseis anos para tirar a carta, e casar com um homem mais velho, regressa da Lua de Mel, agoniada, triste e muito mal tratada...Foi mãe muito cedo.Teimou continuar com os estudos, licenciada em gestão.Há anos divorciada por falta de cumplicidade e empatia. 
Albert e Eneida, ambos reformados na faixa dos 60 anos-, no passado colegas de trabalho e amigos que se perderam no tempo, seguiram rumos diferentes na empresa de contabilidade-, ele como auditor de empresas no corropio de visitar as Ilhas e percorrer o País, enquanto ela se mudou para uma concorrente, para ganhar mais. Na última década Albert tentou procura-la em vão, porém as colegas sempre se negaram a dar o seu contato... Sem jamais perder a vontade de conseguir o seu intento acabou por a reencontrar no meio virtual, depois da troca de galhardetes sobre a família, saúde e da vida boa de reformados, de pouca ou nada  se fazer de mais valia, ficou a intenção de marcar um encontro para matar saudade e conversar sobre as peripécias do passado, por motivos vários foi adiado algumas vezes, para num fim de tarde ela o surpreender no telefonema e marcar encontro à beira Tejo. Em cima do horário espevita com olho de lince, o distingue perdido na sua procura e o chama, e em público se enlaçam no abraço afetuoso a matar saudade de tantos anos em rodopio demorado... Albert pergunta-lhe onde ela quer ir tomar café, dando duas pistas, perante o apagão da sua boca, de onde inexplicavelmente não saíam palavras, aventureiro e já sem medo, não perde tempo para de novo a envolver agora no abraço à cinta, enquanto se encaminham no mesmo passo para onde ele queria ir, e de sorriso escorreito lhe confessou que não tinha esperanças, mas afinal aconteceu e por isso se sente imensamente feliz !
Afinal lembrava-se muito dela, mas esquecera a sua força, aventura e imprevisibilidade!
Completamente a leste do que viria a ser o motivo da conversa, se mostra estupefata pela tamanha surpresa com a declaração de amor proferida em parcas palavras carregadas de afeto e puro sentimento, sem faltar a maior de todas dita em voz trémula, explicita, caliente, doce e mágica -, amo-te...
Instala-se um momento caloroso, intenso mas insólito, por não ser o esperado por ela, chovem outras palavras de afeto-, adoro-te, mas há que anos esta palavra não a ouvia assim tão intensa dita com tanta sofreguidão e intensa e avassaladora  paixão!
Visivelmente nervosa, o riso a sua arma de defesa, sem perder o tino da coisa certa, consegue sair deste clima, que ele compreende de semblante triste, mas resignado. Na despedida amigável a promessa de novo reencontro. Nos dias seguintes choviam mensagens de conteúdo amoroso, Albert se mostrava empenhado " há pouco tempo para ainda sermos felizes" homem sério e franco, abriu o seu coração fechado há mais de 20 anos, e isso não é nada fácil. Mas a vida nem sempre é facilitadora. Porque o bom senso obriga a pensar em prós e contras, sempre  se tenta resistir à tentação da mudança que se apresenta inesperada, seja pelas más recordações do passado, dos quês e porquês, medos, também porque o início de algo é sempre trabalhoso, mas pode ser extremamente recompensador, sendo que é importante se focar no que vale realmente a pena, valorizando as virtudes na ajuda a livrar-se do "lixo" que está sempre a ocupar a mente, não se deixando ficar acomodado em prol do que poderia ser uma vida vitoriosa, ou não-, lá está a incerteza do pouco ou muito do futuro que não se conhece de algo que está no horizonte, de sonhar alto e se desiludir!
Eneida mulher poética e lírica, deixa-se pensativa perdida no tempo e nas vivências da longínqua mas jamais esquecida amizade, mas longe de acreditar que na cabeça de Albert o rebuliço é coisa mais séria e definida, no querer uma vida a dois. 
- Adoro-te, és única, como pessoa e como mulher, a que o meu coração escolheu, quero muito estar contigo, quero avivar a tua mente para que percebas que a vida vale mesmo a pena, e vais-te surpreender, porque a minha meta é fazer-te feliz, e ser feliz contigo. Sonho te beijar efusivamente, abraçar e tocar no teu corpo, quero que saibas que perturbas o meu estar pelo que tens dentro da cabeça (inteligência) fascinas-me pela cultura, pelos sorrisos, pelo estar, pela conversa, pela elegância como sempre primaste em te apresentar, por favor envia-me uma mensagem para o telemóvel a dizer que me amas...
- Meu amigo nem sei que te dizer com a tamanha surpresa, não esperava ouvir de ti o que me disseste, senti que te esforçaste, juro-te que me deixaste de rastos, apesar de me veres a rir, fiquei sem jeito nem maneira, jamais suspeitei que estivesses assim tão louco de paixão ...
- és mesmo sonsa, nunca notaste?
Não, juro que não, ainda não estou em mim, acredita deixei queimar o bolo...
- Se me tivesses falado há anos, quem sabe, teria mudado a minha vida...neste momento nem tenho tempo para nisso pensar, tenho outros interesses muito importantes para mim. Os anos passam, a carne envelhece, e os sonhos desvanecem, mas ficarão sempre no meu coração as tuas palavras, ainda te confesso, de tantas paixões que despoletei, e algumas dei feedbak até onde quis, nenhum homem foi assim sincero como tu , apaixonado, fiel e paciente. Um dia conto-te uma tentativa de mudar de vida que não deu certo, o escolhido por mim, se revelou má escolha. Tenta compreender a minha vida, apenas posso e quero continuar a ser tua amiga, compreendo que te sintas carente, respeito muito os teus sentimentos, mas sinto que não te posso ajudar . Bem hajas pelo carinho que me fizeste sentir , és um homem de verdade, sempre o soube, mereces encontrar a tua alma gémea e ser muito feliz.
- Percebo o texto da mensagem, já o li várias vezes, mas tenho esperança, se não desisti nos últimos 20/25 anos, também não o vou fazer agora....Sei que vou conseguir...só vou desistir quando me levarem para onde eu não quero ir. NÃO QUERO IR MESMO! 
Quero que saibas que és para mim uma pessoa especial, incrível, tenho muita sorte em te ter conhecido, nunca me esquecerei de ti.Nunca.Perdoa-me mas hoje não sou capaz de escrever mais nada...
- Aí, aí, não adianta nada meu querido Albert, ficares nessa vibração negativa, porque só perdes tempo valioso...Podes sempre pensar e sonhar com o frenético beijo com que te surpreendi e nele te enrolaste sem jamais uma vez te perderes, brilhante o ato de te deixares conduzir, no que foi o mais abençoado deleite intenso e demorado, quão profundo, lambido e espremido de sabor, assim tão desejado e lânguido sentido, o único de toda a minha vida, quiçá da tua também!
Gosto infinitamente mais agora de ti , para mim  tens sido fantástica e incrível, e o que sou eu para ti?
- Sinto-te nascido a cada momento para a eterna novidade do Mundo, um Anjo com tesouro de riquezas à espera de ser desfrutado!

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