domingo, 4 de outubro de 2015

Festa no Escampado de Santa Marta em Ansião

Desafio o de voltar à festa de Santa Marta em caminhada, desde o Bairro de Santo António pelo quelho do Vale Mosteiro (a Junta deve proceder à sua limpeza anual), sem saber se na Monteira, o troço na bifurcação, durante anos entupido de lixo se estaria transitável, na dúvida, a alternativa seria contornar o Vale Cerejeiro (?) ou pela Fonte da Costa -, alívio e espanto, pois se encontra finalmente limpo, sem dúvida um grande atalho.
Na rua esquerda ao lado das  Alminhas não pude evitar ficar estupefata com o nome atribuído à  Rua do depósito de água, para os incêndios...Podia ter sido; Rua das Alminhas ou outra designação mais aliciante alusiva ao local, esta me parece banal para um local antigo.
Fiquei chocada com a atribuição do nome  Rua Principal do Escampado de S.Miguel logo no começo ao entroncamento no Vale Mosteiro (com uns aviados 2 km (?), estando a escassos 100 metros da emblemática Fonte da Costa -, se são quatro os Escampados (Belchior, Santa Marta, Lagoa e S.Miguel) porque razão a rua ostenta o nome deste, em detrimento dos demais? Porque tem mais moradores?Porque é mais antigo? 
Deveria ter sido atribuído o nome de Rua da Fonte da Costa, porque assim o é conhecida, e até a serra na frente onde tenho uma propriedade  e a minha irmã no cume, ostenta na escritura o mesmo nome, pelo que deveria ser essa a denominação, pelo menos até ao entroncamento do referido atalho que vem do Bairro de Santo António e do outro que vai para o Vale Cerejeiro(?) ao limite da propriedade do Dr. Calado. A partir daí atribuição com outra designação até ao entroncamento que vai para a Costa e Escampado Belchior e de Santa Marta. 
Este meu falar em tom exclamado no meu direito de cidadania, mas no respeito, sendo que os Escampados, é território dos mais antigos do concelho, onde existe a toponímia Lagoa do Castelo, e no seu território a caminho do poente, algures passou uma estrada romana vinda do Vale Boi, onde foi catalogado um troço de calçada que seguia a caminho de Façalamir, que o povo diz Façalamim, onde já distingui vestígios para descer ao Nabão depois da ponte Galiz (?).
Terras que foram doados em 1673 assim como a vila  de Ansião, a Luís de Menezes, e mais nenhum Lugar, por isso desse passado de glória na história, o povo se devia orgulhar!
Pela Rua do Escampado Belchior já se viam enfeites em flores de papel em policromia com folhas de nespereira.
Bom muro em pedra feito de novo
Bela eira circular em pedra
Casario restaurado na traça antiga  em pedra com duplo beirado  portugués e pial  ao lado da janela para o vaso da sardinheira
Que me desculpe o dono ao fotografar o alpendre-, a piada foi dada pelo inusitado de ali ver uma" 4L" em escarlate-, a ser restaurada ficaria a "matar" .
Guaritas em pedra, as prateleiras no tempo de antanho, todas as casas as ostentavam por falta de mobiliário.

A capela de Santa Marta sita na bifurcação de dois caminhos; à direita na direção do Marquinho, para a esquerda Albarrol. Neste  caminho precisamente a escassos metros da capela, existe uma laje soterrada, com uma "Cruz" pequena esculpida, ao género da usada pelos templários, que a conheci em garota quando aqui vinha em comandita com os cachopos do Bairro de Santo António apanhar alecrim e loureiro para o ramo, do Domingo de Ramos, e voltei a ver um pouco antes de terem roteado o caminho, que a redescobri debaixo de ervas...e mais há frente havia também uma calçada de grandes pedras, algumas descarriladas, supostamente o vestígio mais evidente do que foi uma calçada romana(?), nivelado no meu  olho ligeiro, se perfilha que venha da Lagoa do Castelo, onde também ainda há umas pedras no caminho, seguindo em frente ao agora Escampado da Lagoa, deste tomava a direção do caminho que se encontra à esquerda da capela de Santa Marta, cujos vestígios foram como relatei há poucos anos anulados, por falta de conhecimento dos empreiteiros que deveriam ter formação básica em chamar o arqueólogo destacado na câmara, para averiguar... não o fazendo, se continua a perder património valioso que deixa qualquer  um com dois dedos de testa, perplexo!
O canteiro artista que esculpiu a data na ombreira da porta, supostamente foi o mesmo que esculpiu outros algarismos de sepulturas da igreja de Torre de Vale de Todos, décadas mais tarde, ou outro artista que lhe seguiu o exemplo-, o algarismo "8" é igual em aberto.
Sepultura na igreja da Torre de Vale de Todos
Em miúda punham no orifício da mão da Santa uma açucena ou cajado de S. José.
Andor com a imagem do orago da capela em pedra, pesa  30 quilos e conserva a policromia antiga. 
Altar em madeira que se ergue em duplo arco, ladeado por duas colunatas com terminais, pintado de branco com decorações relevadas a dourado, ao centro o Sagrado Coração de Jesus com resplendor aos três nichos; no central , o maior,  é o lugar da Imagem de Santa Marta, na direita uma Virgem com o Menino, e no lado esquerdo uma pequena imagem sentada num cadeirão, também com um Menino ao colo, ao meio do altar uma imagem da Santíssima Trindade.
Imagem de Santa Luzia no chão...perdeu a policromia, merece restauro e recolocada no altar, no lugar da imagem mais pequena e esta numa mísula lateral e o mesmo com a imagem de Nossa Senhora de Fátima, as duas a ladear o altar, ou outra solução a contento, no meu achar.
Quando perguntava o nome da Imagem no chão a uma rapariga, chega-se outra minha prima, a Isabel casada com o meu primo Tó que vivem na Garriaza, junto da mina-, agora Rua Principal do Casal das Peras, com quase 2 km de comprimento...Neste dia aqui quis vir com a sua filha Marta, o nome da Santa, em festa.
Ora aqui reside um bom mote ir frequentar as festas cujo nome dos Santos foi o escolhido em batismo para dar aos filhos. Gostei  muito de as ver.
Dizia outra rapariga que limpou o altar " deu-me trabalho de duas horas e meia, todo o cuidado é pouco"
Sentado num banco na capela estava um jovem com quem tabelei conversa que me disse ser filho da professora de inglês, a ...lamento não recordar o  seu nome. Conversa solta sobre a capela, num repente disse-lhe há qualquer coisa no seu olhar que me diz que o conheço, não é por acaso filho do Alberto ? Ora que alegria ali ter encontrado sem esperar por acaso, um primo em 4º grau com genes no Bairro de Santo António-, Daniel, lembro-me dele em pequeno, nunca tínhamos  falado, que me  surpreende ao dizer
" ontem estive no seu Blog"...
Quando saí da capela voltei atrás e perguntei, "oh Daniel acha que devo continuar a fazer crónicas?"
Resposta escorreita na ponta da língua.
- Sim, tenho aprendido muito!
Falta a pequena  lanterna que havia ao centro pendurada no teto e alumiava a capela, tinha corrente para içar, julgo eu.
O sino
Recinto da festa  no tardoz da capela. Em tempos abordei que na parede eram visíveis as pedras que um dia foram de uma porta, supostamente da primeira ermida virada a poente(?) e mais tarde alternada para nascente,  ainda bem que na obra recente, as deixaram ficar à vista, para demarcar a legitimidade do espaço-, o adro, que no tempo foi sendo absorvido por casario, ainda dele me lembro, de portas entaipadas de pedra. Voltou o terreiro do adro às origens, um marco histórico ganho por este povo!
Encontramos o Carlos da Lagoa da Ameixieira, aqui veio ver o seu filho Simão, o maestro da filarmónica convidada a abrilhantar a procissão, disso tive pena de não assistir.Prontamente aceitou o nosso convite para tomar um copo no bar, fomos servidos pelo meu primo Alberto, rapaz com uns 45 anos(?) pai do Daniel.
Já tinha esvaziado o meu copo e eles na conversa...
Fui à quermesse ver se me saia uma rifa do saco de traquitanas que ofertei ao Chico Serra, um dia viu-me a caminho de casa afrouxou o trator, disse-me "olha lá tu que és boa cachopa arranja umas coisitas para a quermesse da festa de Santa Marta no domingo e deixa na Fátima" sendo bem mandada assim fiz.
Azar na escolha, saiu-me na rifa uma banheira de loiça que deixei para a nova quermesse... 

 Os meus primos, pai e filho, o mesmo sorriso , o mesmo olhar, sobretudo gente de bem e trabalhadora.
 Deixei o recinto quando o Daniel foi acender o carvão para a sardinha
De volta a casa dizia o meu marido, "o Daniel nem parece um jovem deste tempo, tal a paixão pelo património, tradições e gentes". De se ficar maravilhado.Corroboro na íntegra!
Fiquei a pensar na sardinha, cresceu-me água na boca, tive de a fechar senão babava...
Fiquei triste ao ver a Lagoa que dá a toponímia ao Escampado cheia de caniços, sem pinga d'água.
Urge que alguém de direito a limpe, bem limpa!
Em miúda aqui vinha a casa da avó das irmãs, minhas amigas do tempo de escola-,Gracinda e Idalina, se não me falha a memória , a lagoa era linda e a casa defronte alta, já na altura em abandono, era local que adorava e nele gostaria de ter vivido...
A casa da avó das minhas amigas

Debalde a chatice de ficar ali sem bateria!

5 comentários:

  1. Meu avô e bisavós nasceram no Descampado de Sta Marta. Deu- me saudades deles já falecidos aqui no Brasil onde os descendentes onde residem

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  2. Cara Rosanna, muito obrigado pela cortesia da visita e pelo comentário. Ainda bem que a leitura a reportou para a lembrança e também saudade das raízes dos seus bisavós e avô aqui nascido num Lugar bonito, soalheiro e com uma linda capela. Um dia pode ser que possa vir a Portugal e gostar de conhecer e ainda podem haver tios e primos. Deus queira que possa acontecer.

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  3. Caro Pedroso de Moraes bem haja pela cortesia da visita e pelo testemunho. Não sei se tem raízes nos Escampados. Se tiver agradeço partilha, tenho um estudo em mãos sobre a comunidade judaica que se refugiou no Escampado dos Calados, ao lado de Belchior.Alguns foram para o Brasil e outros para Torres Novas, Penela e...Nunca ninguém escreveu sobre as famílias importantes que viveram nos Escampados.O seu apelido não o conheço em Ansião, o que depreendo se tiver raízes seja por parte de mãe. Desculpe este alvitrar.
    Cumprimentos
    Isabel

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