sábado, 21 de novembro de 2015

Divagar sobre o canhão cársico do vale do Rabaçal no maciço de Sicó

Altaneira o que resta da muralha do castelo do Germanelo ou do Rabaçal
Um marco de continuidade que faz deste vale do Rabaçal um lugar preferido de passagem que vem da Proto-História e se estende, praticamente, até aos nossos dias. 
José da Fonseca o Mestre de obras de Ansião
Ponte filipina na Fonte Coberta que registei com o Rio de Mouros em caudal abundante
Desde a Idade Média que este vale é narrado nos anais da história e, mais tarde, referem-se-lhes os ilustradores do Conde Cosme de Medicis, pela gravura e pela descrição da terra, ficaram hospedados na estalagem da Fonte Coberta, também as Memórias Paroquiais de 1758, nos assentos da Casa Cadaval, nos cartógrafos reais, nas posturas municipais oitocentistas, escritores; Camilo Castelo Branco e Fernando Namora que vinha ao Vale Florido (Alvorge) passar férias a casa de uma avó, e Salvador Dias Arnaut, natural da Cumeeira (?), médico e cultor da História Regional e local de Penela, coordenou nos anos 40/50 pesquisas nas ruínas do Castelo de Germanelo, que veio a adquirir, às quais dispensou particulares cuidados no sentido da sua preservação, pondo a descoberto o sítio da porta, a cisterna, base de casas e o local da lareira e ainda a reconstrução da sua muralha norte.
Teimei conhecer o que desde sempre me fascinava para mais de 35 anos. O Volkswagen carocha na subida íngreme em terra argilosa, teimou resvalar na lama. Fácil foi deixa-lo e subir a pé.Lamento naquele tempo não ter registado fotos. O que sei? Brutal o orgasmo intelectual ali sentido a mirar todo o vale circundante no poiso e terreiro com muita história.
"Foi este vale do Rabaçal a passagem da via romana de primeira grandeza que ligava Olisipo a Bracara Augusta, passando por Conímbriga."Localizadas que estão, no vale e áreas limítrofes, quase duas dezenas de estações arqueológicas de época romana. Até à queda de D. Miguel, em 1832, todo o vale do Rabaçal pertenceria ao Senhor Duque do Cadaval.
O pequeno castelo do Germanelo também conhecido por do Rabaçal, julga-se tenha sido erguido sob um castro romanizado, construído ao estilo da época, o romântico, implantado numa área de 80 mil metros quadrados com mata circundante, foi mandado edificar por D. Afonso Henriques entre 1140 - 1142, para defesa de posto avançado da segurança na estada medieval Ansião - Condeixa, no vale do Rabaçal. e também da cintura da cidade de Coimbra, na defesa dos sarracenos, sendo a região dotada ao tempo de pequenas torres e castelejos de vigia, desde o poente, sul e nascente, entretanto quase todas desaparecidas, tendo a sul, a do Alvorge( significa pequeno forte ou torrinha) nascido como povoado para a história em 1141, pelo menos a nível documentarial, o ano em que D. Afonso Henriques doou em testamento a herdade de Alvorge e sua torre, situada na Terra da Ladeia, ao Mosteiro de Santa Cruz, e passou a administrar aquela área. Mais a nascente defende o historiador padre José Eduardo Coutinho, a existência de um povoado castrejo no cimo do morro de Trás de Figueiró e a poente a torre de Santiago da Guarda
( Ansião),  ainda altaneira e bem solidificada erguida de pé, outra em Soucide, e...
Ao tempo a ocupação  árabe existente nesta região era grande sendo que se pretendia a colonização cristã das terras da Ladeia (espécie de fronteira movediça, ora pertencente aos cristãos, ora aos mouros), onde se inclui Alvorge (Ansião), tendo início com este rei, que tinha o objetivo de alargar a fronteira portuguesa para sul, dando foral ao castelo do Rabaçal, que determinava, que além de serem livres de impostos, concedia paz, perdão e isenção de justiça a todos que tivessem cometido crimes de homicídio ou de furto, sob a condição de se refugiarem nas terras do Germanelo e de as cultivarem.
Com o avanço das fronteiras para o sul, o castelo perdeu a sua principal função estratégica, vindo a ser abandonado.O que resta do pequeno castelo do Germanelo ou do Rabaçal aos dias d'hoje nada mais do que uma muralha com 107 metros, situado na vertente oeste do vale fértil, mas apertado pela esterilidade dos montes em forma arredondada.
D. Afonso Henriques criou o concelho do Germanelo, deu-lhe carta de Foral em 1142.
Jorge de Alarcão natural de Coimbra , coordenou em 1964, na Póvoa de Pegas, uma sondagem e a recolha de dois sestércios, respectivamente, de Trajano e de Adriano-, fragmentos soltos de mosaico policromo, um anel de bronze com mesa, um fragmento de almofariz de mármore, bem como fragmentos diversos de loiça de cozinha e telhas, o que confirma a existência de uma outra Villa no vale.
Na minha primeira vez a caminho de Coimbra que teimei atravessar a aldeia da Fonte Coberta, há muitos anos, depois da ponte filipina em Poço das Casas, distingui num rebordo de uma eira, um busto masculino, enorme, em mármore rosa, que deveria ter sido parte de uma estátua(?) romana da villa de Lameiras(?) a tal que o Dr. Jorge Alarcão mencionou(?). Anos mais tarde voltei a passar, já não a vi no local. Conímbriga fica em linha reta uns 5 Km .Noutra paragem à saída da Fonte Coberta, para tabelar conversa com um peregrino espanhol, trazia às costas a gaita de foles, disse-me que vinha de Lisboa, era um passeiozito até Compostela, coisa de 700 km, e ainda confidenciou ter adorado o Rabaçal e a comida.
A. João Nunes Montreiro, realizou escavações arqueológicas neste vale entre 1991 e 1995, descobriu nas Dordias, Fonte Velha, o que parece ser uma granja com uma actividade intensa de tecelagem e tinturaria romanas.
No Rabaçal  a curiosidade do orago da sua  igreja ser dedicado a Santa Maria Madalena, padroeira dos fabricantes de perfumes-, pode remeter-nos, simbolicamente, para a higiene e descanso dos viajantes nas estalagens que serviam a estrada romana, mais tarde e ainda hoje, conhecida por “estrada real”, denominação esta, bem ilustrativa da importância desta via, até muito recentemente.
A frase cara a Tito Lívio “um povo sem estrada é um povo bárbaro” pode servir-nos, para dar sentido ao deslaçamento das comunicações entre as províncias romanas no século IV e início do V d.C., directamente ligado à instalação de novos povos que, desde o século III, forçam as fronteiras do Império. 
Já as terras, foram pertença do Convento de Santa Cruz e de D. Pedro, Regente e Duque de Coimbra, sendo que os marcos antigos delimitatórios de propriedades que aqui se conservam, de onde em onde, na paisagem do Antigo Regime, nos remetem para as Casas dos Almadas, Figueiredos da Guerra ( solar com capela Nossa Senhora do Pilar no Alvorge) Cadaval , Ordem de Cristo e Universidade de Coimbra. "
"Pela estrada real passou mais tarde do Cosme III de Médicis, na sua viagem por Espanha e Portugal, concretamente em 1669. 
Decorreu uma exposição, promovida pela Fundação Mário Soares, que se constituiu antes de mais como uma espécie de visita guiada ao Portugal de Seiscentos, através das contingências da viagem realizada nesses meses de Janeiro a Março de 1669 em que a comitiva de Cosme III de Médicis (1642-1723) esteve em terra portuguesa. Tudo se estrutura, em termos expositivos, à luz dos relatos dos cronistas Lorenzo Magalotti e Filippo Corsini, que acompanharam Cosme de Médicis, e através dos trinta e quatro preciosos desenhos de Pier Maria Baldi (1630-1686), o pintor do Grão-Duque, conservados na Biblioteca Medicea Laurenziana, em Florença.
Trata-se de uma iniciativa cultural de relevo, que não se subordina a uma dimensão regional, antes se integra nos estudos que, em anos recentes, têm sido desenvolvidos em nome de uma História da Arte topográfica, de que são óptimos exemplos vários estudos de reconstituição cripto-histórica de edifícios desaparecidos e, concretamente, o projecto da FCT, realizado por Pedro Flor e sua equipa, a respeito da Lisboa do tempo de D. Pedro II (a partir do célebre painel do Museu do Azulejo com a vista da cidade, da autoria de Gabriel del Barco). Também a presente exposição patente ao público em Cortes, Leiria, tem interesse histórico vasto e plural, que importa relevar devidamente — não só porque a relação entre as descrições da viagem e as imagens das várias etapas é pela primeira vez proporcionada, na sua globalidade, mas também porque nela se utilizam todos os desenhos aguarelados de Baldi a partir de um processo de animação cromática digital (numa perspectiva de recriação que compromete o autor nas opções tomadas), cujo uso permitiu ao comissário Jorge Estrela realçar as zonas que, mercê das manchas e apagamentos, estavam perdidas nos originais, devolvendo informações desconhecidas sobre a viagem e destacando a previsível beleza dos sítios tal como foram visualizados em 1669. A passagem pelo nosso país, sendo ainda recente a pacificação com Castela depois das Guerras da Restauração, decorreu entre 9 de Janeiro, quando a comitiva florentina entrou por Campo Maior, vinda de Badajoz, e terminou a 1 de Março, na fronteira de Caminha, quando Cosme regressou a Espanha, em direcção a Inglaterra.
Na realidade, quando se fez a viagem, era ainda Grão-Duque da Toscana o seu pai Ferdinando II, que animou o indigitado sucessor a conhecer melhor a Europa. Uma das razões para estimular o périplo fora da Toscana residia no facto de ser infelicíssimo o casamento de Cosme com a caprichosa dama francesa Margarida Luísa de Orleans, neta de Henrique IV e prima de Luís XIV, cujos gastos imoderados e humores extremos contribuíram para o temperamento merencoroso do príncipe.
O culto e sensível Cosme da viagem portuguesa transforma-se num governante absolutista, impopular, católico de exacerbado proselitismo e inábil na legislação.
Pier Maria Baldi, o pintor florentino que o acompanhava, sintetizou em desenho a Fonte Coberta, publicado em Madrid no ano de 1933-, a região do Rabaçal “no trajo das pessoas da fonte, na arquitectura das casas, na esterilidade dos montes”, esta já bem pontualizada no relatório de viagem. "No dia seguinte ao passar por Ansião, também feito um desenho, só que ainda não consegui ler o que foi escrito!
Marco Miliários
Miliário encontrado no lado sul do vale do Rabaçal , próximo da povoação dos Tamazinhos, nos terrenos da Quinta da Ribeira de Alcalamouque, na estrada imperial marca a distância de 8 milhas (cerca de 12 Km que ainda falta cobrir para chegar até à cidade caput viae de Conímbriga. 
Acho-o de forma fálica(?).
Outro miliário grande e alto em calcário local, originário de Mocifas nas Degracias, data de 250 d.C. Nele consta o nome e título do então Imperador Décio, o que atesta a importância da via romana que viria a ser, depois, estrada medieval e, mais tarde, a Estrada de Coimbrã que (ainda o era, no século XIX).
Doação do Marco Miliário: Kees e Maria Isabel Alçada Koenders. 2001, encontra-se no Museu do Rabaçal.
"Esta estrada pública ligava também aos caminhos vicinais e infestos, e era servida de estalagens (mansiones), instaladas a um dia de viagem, e estações de muda (mutationes), implantadas com intervalos de cerca de 12 milhas. É provável a existência nas suas proximidades de uma destas instalações.
De salientar que a estalagem medieval no Rabaçal era consagrada ao mesmo orago da Igreja Matriz -Santa Maria Madalena, que foi mantido até aos dias d'hoje, resistindo aos ventos menos tolerantes da Inquisição. Esta Santa era protectora dos fabricantes de perfume e inspiradora do retemperador descanso após um dia de viagem, atesta a importância estratégica do Lugar, tanto na ocupação do território, como pelo seu papel de eixo de comunicações. 
Além de peregrinos, acolhiam também pobres, almocreves e viajantes.
O topónimo “estalagem” existe na zona de Alcalamouque, a dezenas de metros, bem como restos de construções. 
Esta via entroncava na cidade de Conímbriga, com outra estrada principal que, pela faixa costeira, partindo de Lisboa (Olisipo), ligava os municípios romanos entre o Tejo e o Mondego.
A via romana distancia-se das cabeceiras do rio dos Mouros e, após o diverticulum de Aljazede, entra na bacia do Rio Dueça. "
Para os amantes das vias romanas já era conhecida a bifurcação da via romana vinda de Conímbriga ao limite do Rabaçal, uma via encaminhava-se para nascente, Aljazede, Constantina e Ansião e a outra via dirigia-se a caminho de Santiago da Guarda, Façalamir Ansião...Atestada agora com a descoberta deste marco miliário no Lugar de Tamazinhos, em Alcalamouque, no concelho de Ansião.
Dolina cársica da várzea de Aljazede 

"Quanto às vias que serviam o vale, elas apresentam-se indispensáveis para alcançar os mercados, tornar o território um lugar seguro e possibilitar, porventura, o regresso das riquezas produzidas, de que são reflexo a arquitectura áulica, os mosaicos e os baixos-relevos presentes, de forma eloquente, na Villa do Rabaçal. Estas constituíam um dos elementos mais importantes da prosperidade do vale do Rabaçal, pois por ele passava a estrada imperial, ligação charneira entre o Conventus Scallabitanus e as cidades capitais da Lusitânia e da Galécia. De realçar que, por aqui passavam e continuam a passar os peregrinos com destino a Santiago de Compostela-, chamados de Peregrinos, do latim "Per Aegros", "aquele que atravessa os campos"..
Como dizia Agostinho de Hipona, em De ordine, I,1,3, 
"Se alguém olhasse com tal minúcia que, num vermiculatum pavimentum, nada o seu olhar conseguisse abarcar para além da dimensão (módulo) de uma tessela, censuraria o artifex como ignorante da ordem e da composição"
Isto porque consideraria perturbada a multiplicidade das pedrinhas, por não poderem ser vistos e apercebidos de uma só vez esses emblemata (ornatos) que contribuem para a configuração de uma só beleza."
Delirei com este pensamento "Nada menos que isto acontece aos eruditos que, não conseguindo ver em conjunto, por serem dotados de mente fraca, a adaptação e a harmonia de todas as coisas, se algo os impressionar por ser superior à sua capacidade, consideram que uma grande fealdade é inerente às coisas..."
"Em 1854, por estas paragens passaram os exércitos das Invasões Francesas, deixando atrás de si rastos de devastação, pilhagem e muita descendência.
Em plenas lutas liberais, no período da ascensão miguelista, os estudantes universitários do grupo libertário dos Divodignos, cumpriram penas na cadeia da Casa da Câmara do Rabaçal, que ostenta ainda hoje um bem talhado e raríssimo exemplar de heráldica do período do Reino Unido de Portugal e Brasil (1816-1822). 
O caminho entre Fonte Coberta e Poço 
Depois de não ter conseguido ultrapassar as Linhas de Torres, Massena e as suas tropas recuam até à região de Coimbra ,com a intenção de passarem o rio Mondego, indo ao encontro das forças de Soult estacionadas em Badajoz, para, desse modo, utilizando o rio Tejo e as planuras alentejanas procurarem, de novo, a conquista de Lisboa. Como Coimbra se encontrava devidamente protegida pelos militares luso-ingleses, Massena decide tornear o obstáculo encontrado através da circulação pela ponte da Mucela, inflectindo para Miranda de Corvo, a partir de Condeixa-a-Nova. Antes de partir nesta direcção, Massena aquartelou, no dia 13 de Março de 1811, em Fonte Coberta (freguesia do Zambujal), debaixo de uns frondosos carvalhos, hoje inexistentes, preparando, ao ar livre, o jantar, tendo por companheiros alguns membros do seu Estado-Maior, a amante e cinquenta e cinco soldados, na presunção que as divisões sob o comando do Marechal Ney lhe davam cobertura suficiente no caso de um ataque inimigo, bem como os soldados de Loison (o famigerado Maneta) dispostos entre a Fonte Coberta e a Póvoa de Pegas, e o pequeno vale fértil que se estende até à povoação do Poço das Casas e é atravessado pelo medieval e central caminho português para Santiago . 
O descanso dos invasores franceses foi inopinadamente posto em causa quando se aproximam perigosamente de Massena cinquenta militares ingleses e os espaços circunvizinhos foram ocupados por tropas da mesma proveniência. Na circunstância valeu a Massena, General Eblé, Comandante Pelet, a amante do «Filho Querido da Vitória» e granadeiros da guarda, o nevoeiro espesso anunciador do aproximar da noite. Aproveitando essa benesse natural, às vinte e duas horas do mesmo dia, o quartel-general francês abandonou a região, evitando a captura, após um irmão do General Barão de Marbot, Adolfo, de seu nome, profundo conhecedor da língua inglesa, ter ido ao encontro da força opositora escondido pelas condições climatéricas, e, em nome de Wellington, sugerir em voz audível a sua deslocação para outro local. "
Serra de Janeanes, muros de pedra seca
"Segundo reza a tradição popular da freguesia, criada em 1528, a população da aldeia da Serra de Janeanes, localizada numa pequena cadeia montanhosa mais a poente, aproximou-se do pico da Lomba, do monte sobranceiro à Fonte Coberta, e fazendo grande algazarra ajudou a afugentar os franceses.
Na Fonte Coberta, a população, utilizando o caminho do Valinho. dirigiu-se para a vertente do monte anteriormente referido, escondendo-se onde foi possível, e, em particular, na reentrância geológica conhecida por «buraco da raposa». Entre os populares destacou-se a Dona Carolina, “a Velha”, que nasceu nos finais do século XVIII e faleceu no início do século XX com 114 anos de idade. Transportou consigo os galináceos que pode mas como o galo cacarejava, de modo a evitar a sua audição e reconhecimento do terreno pelos invasores, cortou-lhe a cabeça com uma pedra. "
















"No monte das Pegas, situado junto da aldeia da Póvoa de Pegas, a norte, o povo local e das terras vizinhas refugiou-se no seu topo com o gado caprino e ovino produtor do afamado queijo do Rabaçal, tendo colocado nos cornos dos animais tochas acesas que deram aos franceses uma imagem dantesca e poderosa daqueles que os odiavam, contribuindo para a sua fuga. Este estratagema, utilização de tochas acesas nos cornos dos animais ocorre na ocupação romana, invasões muçulmanas e Guerra da Restauração do actual território de Portugal. Na Serra do Caramulo, monte Lafão, existe a este propósito a lenda do castelo do rei Cid Alahum, e já Aníbal, chefe cartaginês, na II.ª Guerra Púnica, século III a. C., ao ver-se, na Península Itálica, encurralado por Quinto Fábio Cunctator, colocou archotes nos galhos de dois mil bois para distrair as tropas romanas e conseguir escapar ao cerco.
Não pondo em causa a veracidade do comportamento das pessoas (aglomerações, algazarra, tochas acesas nos cornos dos animais, etc.), o que, efectivamente, levou os franceses a fugir foi o eminente aprisionamento de Massena, que teria dado ao exército anglo-luso um estrondoso incentivo psicológico e simbólico, e a presença das tropas britânicas no vale da Fonte Coberta-Poço das Casas. "
Como curiosidade da passagem destes invasores franceses o povo do Rabaçal com medo dos saques enterrou na frente da igreja, as imagens de pedra dos seus Santos. E ali ficaram mais de duzentos anos, só descobertos por casualidade quando abriram uma vala de saneamento(?). Encontram-se no Museu.
Perto deste local o atual executivo da Junta de Freguesia de Zambujal fez erguer um painel de azulejo comemorativo da passagem dos franceses.
Brutal direito de cidadania que encontrei num blog..."Eu, em Portugal, de Lisboa a Condeixa, passei por uma única terra que compreendeu o interesse desta posição estratégica e investiu de maneira inteligente no Caminho de Santiago: em sinalização, em placas, no aspecto atractivo da terra. Uma autarquia inteligente – parece haver tão poucas. Situa-se entre o Rabaçal e Condeixa; chama-se Fonte Coberta.” "Eça de Queirós, Camilo Castelo Branco, Miguel Torga e Fernando Namora referem este lugar do Rabaçal em prosa, em poesia e em obras pictóricas, conforme exposições, catálogos e guia.
Santos Rocha, João Manuel Bairrão Oleiro, Lúcio Cunha, Vasco Gil Mantas, Fernando Rebelo, Justino Maciel, A. João Nunes Monteiro, Salvador Dias Arnaut e Jorge de Alarcão referem-se a este vale com paixão e acuidade.


Outros topónimos-, referindo-se à orografia, evidenciam, em especial, a importância que teve para o homem aquele monte ou aquele relevo, como núcleo de fortificação (Monte do Castelo, Alvorge), como presença de indústrias locais (Cabeça do Moinho, Fonte da Pedra, Pedreiras, Montes dos Irmãos Ferreiros) e como traçado de limites administrativos ou rede viária (Marco, Marquinho). "
Ora depois de um fim de semana de vento e chuvisco que atazanou o negócio, a feira "chata e aborrecida" saldou-se com peças partidas, e ainda aturar gente "lerda" com quem me cruzei, em Setúbal ...chegou-se um homem na casa dos 30 anos, pega num prato de loiça de Sacavém, explico que é dos últimos que a fábrica produziu, olha e reolha, diz que está gasto na pintura (?), a que repondo que não, estava era sujo dos jornais e da chuva, no imediato pego num pano e na pressa o limpei, olhou melhor, mas não lhe agradou o preço 5€, se calhar queria por 1 €... Pega noutro, e mais outro, dispersa a atenção e num marcado 25€ da Viúva Lamego, alusivo a uma reprodução do século XVII, com rendas e um coração trespassado ao centro, olha para mim e no descaramento oferece 5€, que declinei. Depois fez-me uma pergunta sobre o rebordo do pé do prato-, o frete, expliquei as diferenças de faiança de olaria e industrial-, só a gastar o meu latim...Deixa a banca na pressa com o recado que volta, mas o haveria de voltar a enxergar noutra banca a comprar um prato em estampa, tipo limoges ou chinesice-, fiquei a falar sozinha a lembrar o que me tinha dito , que era para oferecer à mãe-, ora se era para lhe oferecer, deveria saber o que ela gosta, já que andando numa feira de velharias, deveria comprar era faiança e não "gato por lebre", mas isso só para gente que o saiba distinguir.E ontem em Algés foi coisa de poucas melhoras...Mote para desforra na crónica temática de um dos sítios que eu gosto,o delírio com o canhão cársico do vale do Rabaçal. 
"Sem dúvida é graças a bons trabalhos narrados em monografias que se promove, porventura conscientemente, o enriquecimento cultural regional deste finisterra da costa atlântica portuguesa".
Para mim que conheço o vale desde semente, na barriga da minha mãe dei sinal das primeiras dores, depois de fazer o turno da meia noite nos Correios de Ansião, ao Ribeiro da Vide, e no táxi do Sr Estrela, que então morava na Igreja velha, que o meu pai foi acordar em passo apressado valido de pernas altas,  sem lanterna pelo caminho escuro e sombrio do Vale Mosteiro, passando ao cemitério, sem medo de lobisomens ou ladrões,  e de madrugada  foram estrada fora para  eu nascer em Coimbra...Voltaria a percorrer o vale vezes sem conta na camioneta do Pereira Marques ou de carro a caminho da cidade, ou vinda dela para casa (Ansião). A primeira imagem aclarada do vale teria 8 anos, era verão, em romaria com os meus pais ao Alvorge, a uma festa, sendo dele por certo que herdei veia no gosto pelo património e sua história, depois da visita à igreja aconteceu a descida ao vale para saciar a sede na fonte, e ver o abandono do solar dos Figueiredo da Guerra na beira daquela que foi outrora estrada real ou Coimbrã.Foi a primeira vez que senti o vale em plenitude, por caminho sinuoso de solo calcomargoso, apesar de poder parecer à vista um vale inóspito, seco, estéril, pedregoso, vestido de olival raquítico e enfezado, ainda assim com ele fiquei retido em memória, para sempre em contínuo deslumbre vivo o recordar pela beleza rara, história e encantamento tamanho na desenfreada vontade de aventura, qual desejo intrínseco de voltar assiduamente com a minha mãe na maioria das vezes, à vila do Alvorge, à fonte, às ruínas do solar, à serra de Janeanes, ao Rabaçal e à Fonte Coberta. Levo em espírito acordar descobertas de pedras calcárias esculpidas pela erosão, e outras afeiçoadas pela mão do homem-, como aquele fálico em pedra esculpido na era do neolíico(?) que no Rabaçal um dia tive o gozo, apesar de imensamente frio sentir na mão, e que soberbo achado, devia estar plantado em vitrina de Museu, nada mais do que o órgão genital masculino encontrado por uma pastora/queijeira,  que sabia olhar para as pedras e para os fósseis marinhos, infelizmente já falecida, dona de um belo par de  olhos azuis, natural do Alvorge, viveu de paredes meias com a igreja do Rabaçal. 
Na minha visita à villa do Rabaçal num dia de agosto tórrido
Mosaico referente à estação do ano - Inverno




FONTES

file:///C:/Documents%20and%20Settings/Isabel/Os%20meus%20documentos/Downloads/P%C3%A1g.1-736.CorpoTese+Primeira+Segunda%20Parte%20(1).pdf
http://www.fmsoares.pt/
http://www.cm-ansiao.pt/
http://www.distritosdeportugal.com/leiria/alvorge/patrimonio.htm

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Seguidores

Arquivo do blog