quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Sãozinha descendente nobre dos Pimentel Teixeira de Maças de D.Maria

O brasão da vila de Maças de D.Maria
A família de José António Álvares Pimentel Teixeira fidalgo de cota d'armas (escudo partido com Pimenteis e Teixeiras)e capitão-mór da comarca das Cinco-Vilas e Figueiró dos Vinhos.Na segunda metade do Século XVIII mandou construir uma casa nobre em Maças de D. Maria , concelho de Alvaiázere, distrito de Leiria, com capela e brasão de armas, pertencente às antigas famílias dos Pimentéis e dos Teixeiras, cujos apelidos foram reunidos numa "Carta de brasão de armas, de nobreza e fidalguia" pelo Rei D. José, em 8 de Agosto de 1767 ao Sr. José António Alvares Pimentel Teixeira. 
Os Pimentéis Teixeira descendem dos Pimentéis do Conde de Benavente – D. Rodrigo Pimentel, irmão do Rei D. Afonso II.Além de proprietária desta casa nobre os Pimenteis Teixeiras também tinham aqui em Maças de D.Maria a Quinta da Boa Vista com outra bela casa, ornamentada com as respetivas pedras d'armas, cujo interior tinha painéis azulejares em azul e branco.
Fotos retiradas de https://www.facebook.com


Foto de Leopoldina de Sousa.Portal da Quinta da Boa Vista, ostentando a Pedra de Armas da Família Pimentel Teixeira de Maçãs de D. Maria.
Num documento de 1955 da Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais -"Inventário do Património Arquitectónico",ao fazer-se a Descrição do Solar dos Pimentel Teixeira, em Maçãs de Dona Maria, que já há muito não é pertença da família e está em ruínas, é referido, a dada altura que (...) a pedra de armas está guardada em casa da Srª D. Josefina Pimentel de Abreu, descendente do fidalgo (...)
Pertinente questionar se ainda existe, se está na posse de um descendente,ou foi vendida (?)-, é sobejamente sabido que há mais de 50 anos que esta região das Cinco Vilas tem sido percorrida por antiquários, especialmente um da Vidigueira que conheci em Ansião, por mero acaso com 8 anos de idade, quando estava na casa que foi de uma descendente brasonada dos Veigas, família ilustre de Ansião com brasão de armas dos Noronha e dos Mendes de Tânger-, vi o homem a dizer.lhe " traga tudo o que tiver; papéis, rendas, mesmo rotas, dizia ele em lábia e ela na volta trazia de braçado,...Também me recordo de ver pelo pátio perdido no chão um pequeno brasão que deveria ter levado o mesmo fim. Há poucos anos conheci o filho deste antiquário em Évora, numa conversa ocasional a falar de Ansião logo começa a falar das boas compras que ao longo dos anos fez ao Visconde de Santiago da Guarda, a cómoda na Junqueira, o relógio de sol e o...Falei-lhe desta recordação de criança, apenas lhe dei as cordenadas da casa que imediatamente identificou, de sorriso solto ainda me disse, a semana passada estive perto de Miranda do Corvo de onde trouxe o recheio de uma biblioteca, vou voltar para a sua zona buscar um brasão...
Doeu-me a alma, porque entendo que os brasões são património das famílias que deviam perpetuar memórias no local onde foram um dia encastrados!

Fotos de Carlos Laranjeira Craveiro  
O brasão estaria colocado entre as colunatas da foto
Retábulo em talha pintada e dourada da Capela de N. Sra. do Amparo da família Pimentel Teixeira de Maçãs de Dona Maria"Picture 12959 (Lote 0117) Palácio Correio Velho, Leilões e Antiguidades,S.A.
Descrição: Santíssima Trindade, fragmento de talha pintada e dourada, trabalho português do séc. XVIII, representando o Pai do Céu, Jesus Cristo e a Pomba do Espírito Santo, sobre as nuvens e cabeças de anjo aladas. Envolto em enrolamentos vegetalistas, tendo ao centro brasão de armas da família Pimentel/Teixeira. Falhas. Dim. Aprox.: 76 x 134 cm."
Sobre este património, Gustavo Matos Sequeira no seu “Inventário Artístico do Distrito de Leiria”, 1955, considerava que poucos edifícios no norte do distrito eram dignos de destaque, excepto "em Maçãs de Dona Maria, a casa nobre dos Pimenteis Teixeiras, com a capela atinente, exemplar interessante da segunda metade do século XVIII, onde se tocam o barroco e o «rocaille».Desta antiga casa nobre resta a capela e um bocado da parede do edifício principal, o restante foi destruído pela Câmara Municipal de Alvaiázere para, em seu lugar, construir o Auditório e a Sede da Junta de Freguesia de Maçãs de Dona Maria.
Em falta a foto com a imagem de Nossa Senhora do Amparo que foi o orago da capela e doada à Igreja Matriz como à frente é mencionado.Faria neste agora todo o sentido regressar a casa!
Foto  Henrique Dia
Tapeçaria com Brasão de Armas da Família Pimentel Teixeira de Maçãs de D. Maria em casa de Carlos Alberto Pereira de Figueiredo Pimentel Teixeira em Oeiras.
Interessante as conchas do Apóstolo de Santiago de Compostela quanto a mim a evidenciar a origem dos Pimenteis na Galiza no que veio a ser o Condado Portucalense ( povo vindo na Diáspora de Israel ao chegar à terra que os romanos chamaram de Finisterra, por esta ali acabar e começar o mar, originou uma grande concentração que soube retirar riqueza da terra com técnicas de irrigação, a rotear costados em leiroes, e depois na Reconquista Cristã prestaram ajuda ao Rei D.Afonso Henriques a derrotar sarracenos, pelos altos feitos haviam de receber regalias como Títulos e Morgadios sendo que se vieram a instalar nesta região centro do País onde se mostra muito visível.


Envolvência do novo espaço ajardinado no dia que o visitei florido em amarelo e cerise, achei uma infinita graça que me fiz descaradamente à selfie...

Tanques em pedra da quinta, um uso na região pela abundância da pedra, a sul quando fotografei há coisa de dois anos estava assim em abandono.
Segundo um excerto de Luís Piçarra 
"Está registado no livro do ano de 1753 a fls.113 Cota Dep. IV-27-A-17, o assento de nascimento de "José filho do Capitão mor destas cinco vilas, José António Álvares Pimentel Teixeira e de sua mulher D. Francisca de Sequeira Mansa de Figueiredo, moradores nesta vila e freguesia de Maçãs de D. Maria, neto paterno de Domingos Álvares Simões e de sua mulher Luzia da Nazaré da mesma vila e freguesia e materno do Capitão Pedro Martins de Figueiredo e de sua mulher Marcela Leitão de Sequeira Mansa da Fonseca, moradores na Quinta do Fojo freguesia de Sernache do Priorado do Crato, nascido a dois de Janeiro de mil setecentos e cinquenta e três, foi solenemente baptizado(...) foram padrinhos o Rev. Dr. Manuel Rodrigues Teixeira, Tesoureiro mor da Sé de Coimbra e Provisor deste Bispado, tio do baptizado,e Bernarda de Sequeira (?) do Capitão Pedro Martins, tia do batizado(...)" 
Interessante tentar conhecer melhor as referidas ligações de D. Josefina Pimentel de Abreu e de D. Maria da Conceição Fróis Gil Ferrão de Pimentel Teixeira-, a Sãozinha, que dela os da minha geração e mais velhos ouviam dela falar e da sua santidade, aos avós e pais.

Saozinha a ilustre descendente da nobreza e fidalguia de Maçãs de Dona Maria nascida a 1 de Fevereiro de 1923 no Bairro de Santa Teresa, Sé Nova, em Coimbra, filha de pais brasonados, Dr. Alfredo da Silva Pimentel nascido no Gavião em 2 agosto de 1895, médico, descendente de D. Nuno Álvares Pereira, morreu na Abrigada em 25 de outubro de 1970, e a mãe era descendente de D. Maria II-,  D. Maria Luiza Fróis da Silva Gil Ferrão de Pimentel Teixeira, nasceu na Abrigada em 6 junho de1986, morreu com 91 anos. 
Saozinha viveu com os pais na Abrigada  em virtude do lado materno, ser natural e residente em Alenquer e, por outro, o seu pai ser médico na Base Aérea nº 7, na Ota- Alguns anos mais tarde, passou a viver em casa dos avós maternos: Abílio Gil Ferrão, advogado e notário que morreu em Alenquer a 17 de agosto de1934 e Maria Benedita Froes de Paiva e Silva. 
Saozinha era uma rapariga como outra qualquer,considerada uma menina amiga de toda a gente, que gostava de ajudar em especial as crianças mais pobres.O sonho seria casar, ter filhos e dedicar-se aos mais pobres. "Se um dia eu for rica, hei-de ter uma grande casa para velhinhos e crianças". Esta era a frase que dizia muitas vezes e que ainda hoje faz mover a obra que tem o seu nome. Situado na Abrigada, Alenquer, o Instituto da Sãozinha dedica-se às crianças e aos idosos e faz do sonho da pequena "Florinha de Abrigada". A irmã Teresa de Jesus, que chegou à Casa da Sãozinha em 1962, conta ao Jornal VOZ DA VERDADE como se deu a chegada desta família a Alenquer. "Depois do Dr. Pimentel ter tirado o curso de Medicina em Coimbra, a família veio para cá e durante uns anos morou em casas alugadas. Quando a Sãozinha tinha cerca de 12 anos, os pais mandaram construir esta casa aqui na Abrigada, onde ainda hoje funciona o Instituto ".Esta religiosa, que professou há 47 anos e que contatou durante muitos anos com os pais da Sãozinha, sublinha que o pai dela "era crente, vinha de famílias cristãs do Alto Alentejo, mas depois na universidade perdeu a fé". Deixou de ser praticante, apesar de ter casado pela Igreja. Anos mais tarde, a pequena Sãozinha começa a perguntar à mãe o porquê de o pai não ir à Missa e começa a pedir a Deus, e aos Santos  seus devotos, que movesse o coração do pai. No dia de anos, no Natal e na Páscoa, o pai perguntava-lhe sempre o que ela queria receber de presente e a resposta de Sãozinha era sempre a mesma: "O pai já sabe qual é o presente que me pode dar… O melhor que me pode dar é ser amigo de Jesus, ir à Missa comungar, ser cristão! O pai é amigo de toda a gente, ajuda os pobres e não há-de ser amigo de Jesus?", conta a irmã Teresa, sublinhando que perante a indiferença do pai aos pedidos da pequena filha, esta não desanimou e continuou a rezar e a pedir a Deus. "Fez tudo o que estava ao alcance dela, assegura a religiosa, lembrando que a jovem era muito devota de Santa Teresinha do Menino Jesus.Quando tinha 16-17 anos, decide oferecer a sua vida pela conversão do pai. "Pediu a Deus que lhe desse uma doença grave, que a fizesse sofrer muito, mas que convertesse o pai. Ninguém sabia de nada, apenas duas ou três amigas da terra sabiam desta sua entrega a Deus, prossegue a irmã Teresa de Jesus. A doença apareceu. Começou pelo tifo, uma dor numa perna e a entrada no hospital a 26 de abril de 1940. O pai, como era médico, pensava que não era nada de grave mas ela percebia que a doença era a oferta dela a Deus. Os pais acompanharam-na sempre no hospital e já perto da hora da morte da filha, o pai ainda se quis converter e disse-lhe: "Se tu sarares, levo-te a Fátima!". 
A 6 de junho de 1940 Sãozinha falecia em odor de santidade no Hospital de S. Luís em Lisboa . A  sua morte mexeu com a pacata Abrigada. As  suas amigas contam então à família a entrega a Deus que a "Florinha de Abrigada" tinha feito.  
"O pai converteu-se na missa de trigésimo dia do falecimento da sua única filha. Depois de ter negado Deus, o pai confessou-se, tornou-se num católico praticante e ainda foi Servita de Fátima durante 13 anos", refere a irmã Teresa."
No meu papel de investigadora autodidata teorizo que a falta de conversão do pai da Saozinha à religião católica seja devida  precisamente pelo passado judaico familiar imposto para ficarem em Portugal tiveram de se converter em cristãos novos, como eram letrados souberam angariar bons ganhos e despistar as denuncias, sendo que alguns jamais esqueceram as suas origens e os seus rituais, apesar de na região centro do País eu não conhecer sinais de mais alguma sinagoga como a que existe em Belmonte e a de Tomar. Podia até ter havido e nos séculos seguintes ter sido alterada para capela. Muitos dos povoadores da região ao se instalarem como Senhores de Morgadios vieram a instituir capelas precisamente para se afirmarem na fé católica.Assunto jamais abordado por investigadores e historiadores das pequenas comunidades judaicas que se instalaram na região centro, no concelho de Ansião e concelhos limítrofes do distrito de Leiria e de Coimbra e ainda nas antigas Cinco Vilas de Chão de Couce e se estendeu até ao alto Alentejo.

 Excerto de Filipe Rogeiro
"A árvore de costados dos antepassados de Maria da Conceição Froes Gil Ferrão de Pimentel Teixeira (Sãozinha), privilegiando a linha Pimentel Teixeira, conforme cópia que em tempos me deu o Senhor Padre Anunciação, já falecido, responsável pela causa da canonização da referida Sãozinha e que investigou a sua ascendência.
1. Maria da Conceição Froes Gil Ferrão de Pimentel Teixeira
2. Dr. Alfredo da Silva Pimentel
3. D. Maria Luísa Froes da Silva Gil Ferrão
4. Serafim Maria de Pimentel Teixeira
5. D. Maria Capitolina Conceição e Silva
6. Dr. Abílio Gil Ferrão
7. D. Maria Benedita Froes de Paiva e Silva
8. Manuel Maria de Pimentel Teixeira
9. D. Maria Florência Craveiro
10. Joaquim José da Silva
11. D. Maria do Rosário da Conceição
12. Fabião António Gil
13. D. Maria Teresa Ferrão Gomes Páscoa
14. Luís Pereira da Silva
15. D. Maria Benedita Froes de Paiva
16. Francisco Maria de Pimentel Teixeira
17. D. Maria Rosa
18. João Rodrigues Craveiro
19. D. Florência Maria
32. José Teixeira Pimentel de Figueiredo e Sequeira
33. D. Inácia Delfina de Paiva Manso Freire e Andrade
64. José António Álvares Pimentel Teixeira
65. D. Francisca Joaquina de Sequeira Manso de Figueiredo
66. Vicente António de Paiva Manso
67. D. Maria Rosa Xavier Freire e Andrade
128. Domingos Álvares Simões Pimentel
129. D. Luzia da Nazaré Teixeira
256. António Pimentel de Abreu
257. D. Joana Simões Biguina
258. Domingos Rodrigues
259. D. Maria Martins Teixeira "

Excerto de Vasco Briteiros 
"A Árvore de costados facultada por Filipe Rogeiro está mais avançada do que a constante do livro "Vou para o Céu" , todavia o livro cita os tios paternos e seus filhos e ainda cita o texto completo da CBA e apresenta uma gravura desenhada pelo pintor de arte bracarense - Abel Mendes ". 
Foto de Manuel Maria Pimentel Teixeira
"MANUEL MARIA DE PIMENTEL TEIXEIRA, meu pai, a quem coube por herança a antiga casa dos Pimenteis e Teixeiras por morte do tio José Venâncio Pimentel Teixeira.
Ao tempo da morte de seu irmão, ficaram os dois menores, meu Pai e minha Tia, sob a jurisdição do curador dos órfãos Dr. Joaquim da Almofada (creio que da família Rego), sendo voz pública, que ele mais cuidava de si que dos órfãos. Ao que diziam os antigos e que eu ainda ouvi, foi o Dr. Joaquim quem promoveu a venda de uma quinta em Sendelgas, na freguesia de S. Martinho d’Arvore, a qual seria atravessada por uma ribeira, tendo perto da residência uma fonte pública, antiga pertença dos Pimenteis e Teixeiras. A quinta seria murada na sua maior parte (havia quem dissesse que o era na sua totalidade) e teria sido vendida por dois mil cruzados, correndo que o comprador, cujo nome referiam mas do qual não me recordo, teria dito após a compra que não vendia os muros pelo preço que comprara a quinta... Nunca visitei esta quinta, nem sei o fundamento do que corria na voz pública que, nem sempre, é a voz de Deus. Diziam que no muro da quinta havia argolas e tal como em Maçãs  que se fossem alcançados por criminosos, já estes não poderiam ser presos pelas justiças ordinárias, regalia concedida por D. José. Na referida quinta que tinha cavalariças e casas para cães, também se via o brazão de armas dos Pimenteis e Teixeiras."
Manuel Maria De Pimentel Teixeira em 1864 é designado como Regedor da Freguesia de Maças de D. Maria.Em 1877 foi padrinho de um casamento onde se diz que era " Juiz Ordinário no Julgado das Cinco Villas".Foi eleito para a Junta de Paróquia de Maças de D. Maria que presidiu de 19 de Dezembro de 1886 a 4 de Janeiro de 1890.
Testemunho escrito pelo seu filho licenciado em Farmácia, Dr Manuel Augusto de Pimentel Teixeira em 1923.
"Em 18 de Junho de 1898 fui para Vilar de Paraíso como Director Técnico da Farmácia Moura, mas como tinha um especial azar à “arte de farmácia” vim para Moçâmedes, (Angola) tendo embarcado no vapor ZAIRE, chegando aqui a 19 de Maio de 1902, trazendo no bolso a importante quantia de 3810 reis, 55 quilos de peso e... esperançosos sonhos. Afinal, protegido por meu primo Serafim Simões de Figueiredo, UM GRANDE AMIGO, tive que montar a Pharmácia Moderna que abri aos 12 de Junho de 1903, a qual por questões políticas locais fui forçado a vender em 1913. Do que se seguiu e está seguindo falarão a... história. Casei com a minha mulher, D. Berta Pinto Coelho, senhora da minha grande consideração e amizade, que me presenteou com seis filhos"
Pedra de armas da família Pimentel Teixeira no Convento de Sandelgas, S. Martinho de Árvore, Montemor-o-Velho.Fica explicada a origem do brasão, a família tinha lá outra casa , sendo o brasão pertença da mesma.A dedução é minha!
"Muitas não outras coisas corriam sobre capoliações feitas a meu Pai e a minha Tia, não as reproduzindo aqui por ignorar se são verídicas. O que ainda posso certificar é que vi umas colchas de damasco e grandes “panos” (diziam que estes panos serviam para forrar a capela nos dias festivos) do mesmo tecido, tudo um tanto velho, servindo para secar o milho na Quinta da Boa Vista. Muito se falava também numa outra colcha de damasco com o Brazão de armas bordado ao centro, colcha esta que teria sido vendida a um sr. Pena de Condeixa, pelo segundo marido da viúva de José Maria Pimentel Teixeira.
Meu pai casou com D. Maria Florencia Craveiro, do lugar da Cumeada, falecida em 29 de Maio de 1903. Era filha legítima de João Rodrigues Craveiro e de Florencia Maria. Meu pai veio a falecer em 6 de Setembro de 1903. Teve uns 13 ou 14 filhos, mas só sete chegaram à maioridade."
Supostamente foi o último morador do solar.
Senhoras da família Pimentel Teixeira-, Maria Rosa Pimentel Teixeira (1831 - 1903), e as suas filhas, Maximina e Conceição.
O requinte da postura, vestuário e dos penteados
"Diz o livro que a Casa dos Pimenteis e Teixeiras com a Capela privativa da invocação de Nossa Senhora do Amparo, coube por herança a Manuel Maria de Pimentel Teixeira, natural de Maçãs de D. Maria, Concelho de Alvaiázere, cuja imagem doou à igreja Matriz de Maçãs de Dona Maria.O bisavô da Sãozinha.
Há dois livros com a história da vida dela. Um escrito pelo Sr. Padre. Oliveiros "Sãozinha"(1990), que serviu para iniciar o processo de canonização a correr em Roma. O livro escrito pela mãe não foi considerado para a abertura do processo. 
Vou Para o Céu é um livro sobre a vida de Maria da Conceição Fróis Gil Ferrão de Pimentel Teixeira (mais conhecida como a Sãozinha), publicado, pela primeira vez, em 1948, da autoria de sua mãe Maria Luísa Ferrão de Pimentel.
Maria Luísa Ferrão de Pimentel é descendente de José António Alvares Pimentel Teixeira, Capitão-Mor da Comarca das Cinco Vilas e da de Figueiró dos Vinhos .Portanto bisavô da "Sãozinha", pelo lado materno, era Manuel Maria de Pimentel Teixeira, casado com Maria Florência Craveiro, ambos naturais da freguesia de Maçãs de Dona Maria, concelho de Alvaiázere."

Imagem da capa do Livro
Descrição do Brasão de Armas dos seus antepassados no verso
"Da nobre estirpe dos Pimentéis descendem D. Nuno Álvares Pereira, a Sereníssima Casa de Bragança e grande parte das Casas Reais europeias. Da família dos Teixeira, uma das mais antigas e ilustres de Espanha, deriva D. Tafez Serracin, rico-homem e senhor de Lanhoso, da casa militar do Conde D.Henrique e descendente de D. Favila, Rei das Asturias. Um dos descendentes desta família, Serafim Maria Pimentel de Teixeira, natural de Alvaiázere viria a casar-se com Maria Capitolina Conceição e Silva Pimentel, natural de Gavião, que viriam a ser os avós paternos de Sãozinha, estando agora explicada a sua ligação a esta vila."
Segundo Conceição Mascarenhas 
É um livro extremamente interessante sobre o percurso de vida da "Sãozinha". Tem informações sobre a árvore genealógica do ramo paterno e do ramo materno. Muito ilustrado com imagens sobre ela e sua família. Apresenta os objetivos do seu Instituto e muitos relatos sobre as graças concedidas por sua intercessão e, também, sobre o processo de Canonização que decorre em Roma.
Descrição: Título: Vou Para o Céu
Autor: Mãe da Sãozinha (Maria Luísa Ferrão de Pimentel)
Ano: 1952
Edição: 3ª
Editora: Edição da autora
Páginas: 308

Casa Saozinha na Abrigada
Atualmente, aquela que foi a sua residência, é a sede do Instituto de Beneficência Maria da Conceição Ferrão Pimentel, (Instituição Particular de Solidariedade Social), mais conhecido como Instituto da Sãozinha, ligado à Igreja, de apoio a crianças e idosos com dificuldades económicas.
No dia 26 de Maio de 1949, Quinta-feira de Ascenção, decorreram as cerimónias de transladação dos seus restos mortais do jazigo de família para o seu Jazigo-Capela no cemitério de Alenquer, presidida pelos padres Marques Soares e Manuel da Silveira.No presente, decorre em Roma o processo para a sua canonização, pelos muitos relatos de graças concedidas por sua intercessão.Processo de canonização aguarda (novo) milagre.
Pesquisa que confesso apaixonante por dois motivos; claro quem nunca ouviu falar da Saozinha? A que na década de meados de 60 ao me deslocar com a minha mãe para trabalhar na Estação de Correios saia sozinha com a cantarinha de barro para ir buscar água fresca à fonte do Pereiro, teria sido dos Pimenteis, onde roubava cerejas, as que conseguia, fechadas pelos altos muros, olhava o cemitério velho, a igreja, o Cruzeiro e fascinava-me com a paisagem brutal das serranias circundantes em contraste com o abandono da casa nobre e da sua capela, ainda com portas e janelas, mas sem o brasão. Ao tempo o largo da feira se mostrava farto terreiro em declive debruado pela frente com muro de pedra-, sozinha, perdida sem respiração a contemplar a vastidão das vistas verdejantes das serranias por minutos gordos e me finar a mirar a capela e a frontaria da casa, enlouquecida no sonho de almejar o dia de uma assim vir a ter com iguais cantarias , por as achar garbosas , fascinantes, e diferentes, das que conhecia no casario de formato direito, simples de  aspeto cru e frio no contraponto o mesmo reportar à semelhança das golas das camisas usadas pelos quatro Mosqueteiros, série francesa que felizmente já via nesse tempo por ter televisão. Também pelas estórias que a minha mãe me contava desta família nobre quando vinham de Coimbra visitavam a família da quinta dos Sequeiras, não sei se seriam "Sousas" no Curcialinho perto da Ribeira do Açor em Ansião e teve capela particular de orago a Nossa Senhora dos Anjos mas já não existe. Seria o mesmo caminho que em 1625 foi percorrido pelo Chantre de Évora escrito pelo sobrinho com 17 anos Manuel Severim de Faria "chegou a Maças onde fomos alegremente recebidos e regalados com contínuos banquetes  e diversas iguarias assim de carnes como de frutas e pescado, e no dia 12 de agosto partimos para a Nossa Senhora da Constantina" 
Foto - Benjamim Simões de Sousa.(1975/76)? 

Havia muitos anos mais tarde na minha visita a Torre de Moncorvo ver no solar  dos Pimentéis com as mesmas janelas em cantaria semelhante, embora mais requintadas do que a casa nobre do Capitão-mor João Carlos d'Oliveira Pimentel , sem saber se as famílias tem ligação (?). 
No entanto é muito curioso perceber que houve nobres que se deslocaram essencialmente do Minho e Trás os Montes para esta região centro, para assumirem os Morgadios, pela via do casamento e a trabalho.
Outra vontade em fazer a crónica foi ter encontrado uma pagela comemorativa da Saozinha em inglês,  de 1947, no meio de uma pequena brochura " A Ribeirinha amante favorita de D. Sancho I que dela reza na história ser mulher de branca pele, de fulvos cabelos, bonita e sedutora "  comprado na feira da ladra, o que me alertou foi o apelido, que logo me reportou para Maças de D. Maria e de ter nascido em Coimbra.
Se olharmos à descrição da Ribeirinha, seria descendente do povo franco, hoje ocupado pela Alemanha.
Saozinha menina rica, filha única, bonita, aluna distinta, condecorada com muitas medalhas pelos seus triunfos escolares, piedosa, pura como um anjo. Precoce e inteligente, sempre preocupada com o próximo, teve uma infância igual à de tantas outras crianças, mas cedo aprendeu a viver os sofrimentos dos outros, dos pais e dos estranhos. Quando em abril do ano de 1929 ingressou na escola em Abrigada, Alenquer,já sabia soletrar e escrever o seu nome. Receando os pais pô-la em contato com outras crianças, esta aluna exemplar, tão precoce no raciocínio respondeu-lhes:"Gostaria de estudar junto às mais pobres, pois, como a respeitavam, não diriam nomes feios ao pé dela e, se os dissessem saberia ensinar-lhes que era pecado".
Azulejo Saozinha
Recordar a memória da ruína da casa nobre da Família Pimentel Teixeira  em 1993.
Foto de Beatriz Rodrigues. Julgo que o final infeliz da casa se deveu a ficar desabitada seguido de vandalismo após o 25 de abril (?).

Foto de Beatriz Rodrigues
Capela anexa ao Solar da Família Pimentel Teixeira em 2000.


Foto de Carlos Laranjeira Craveiro.
Traseiras da Capela dos Pimentel Teixeira.

Julgo (?) que ao tempo a Quinta dos Pimenteis Teixeira tinha este portão que dava diretamente para a Fonte do Pereiro .
Sepultura de Maria Rosa Pimentel Teixeira, de Maçãs de D. Maria, no cemitério do Avelar.
Nascida a 21/01/1831.Falecida a 28/06/1903
E de sua Filha: Maxemina Simões Pimentel de Figueiredo, da Rascóia.
Nascida a 25/07/1854.Falecida a. 24/03/1924
Bela obra escultórica em pedra calcária da região o que evidencia o talento na arte de cantaria sempre presente nas suas gentes.Fala o povo que o escultor quando a montou e se apercebeu que esculpiu a figura feminina para a frente do cemitério, quando deveria ter sido para defronte da sua capela, se veio a suicidar...
Agradecimento especial ao descendente Rui Graça que ao ver o meu pedido lançado no face o encaminhou para o primo, outro descendente Filipe Pimentel Teixeira, que gentilmente enviou algumas fotos com o brasão da família.Supostamente descendente do Dr.em farmácia que emigrou para Moçâmedes (?). Nos finais do século XIX houve emigração de gente do Avelar, Miranda do Corvo, Soure, Ansião e,...para África, nomeadamente para Moçamedes e para as roças em S.Tomé. De onde alguns regressaram ricos, com filhos mulatos dizendo ser afilhados pela conjuntura das guerras liberais haviam de comprar quintas a quem teve de fugir às pressas.
Extensivo a testemunhos de outros descendentes mencionados ao longo da crónica e aos titulares de fotos.No mesmo continuar o agradecimento ímpar aos amigos Raul Coelho e Henrique Dias, amantes ferverosos da história com estórias das Cinco Vilas e genealogia das suas gentes pela ajuda e partilha de fotos retiradas das páginas do faceebook "As Cinco Vilas de Chão de Couce" e de Maças de D. Maria, em especial desta família. Remato com o enquadramento arquitetonico de gabarito dado pelas escadarias na envolvente do edificado onde o antigo e o novo convivem em convivência harmoniosa que não choca o olhar. Mercado onde ao domingo gosto de quando em vez  ir comprar queijo fresco ou curado, castanhas, romãs, couves para plantar e o que mais me agradar ao olhar.

Casario que na frontaria apresentam os típicos bancos para descanso, uma caracteristica na arquitectura trazida pelos judeus nesta região centro ainda se mostrar marcante, como os tanques em pedra.

Sãozinha "Flor da Abrigada"  muita gratidão por todas as graças concedidas...
Saozinha

Fontes
Fontes bibliográficas:"Arquivo Heráldico-Genealógico",CBA nº1414,do Visconde de Sanches de Baêna ; "Inventário Artístico do Distrito de Leiria",págs 24 e 25, de Gustavo de Matos Sequeira.
http://geneall.net/pt/forum/31589/pimentel-teixeira/
https://terrasdaribeirinha.wordpress.com/
https://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%A3ozinha_de_Alenquer
Foto http://www.monumentos.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=1534
http://www.vozdaverdade.org/mobile/link1.php?id=3060
https://www.academia.edu/10230102/Manuel_Severim_de_Faria_e_a_sua_ida_a_Ma%C3%A7%C3%A3s_de_D._Maria

4 comentários:

  1. Postagem interessantíssima, rica em pesquisa e imagens. Recordação da Saozinha, do que ouvíamos os nossos avós e pais falar....

    Parabéns!

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  2. Caro Jorge Amaral muito obrigado pela cortesia da visita e pelo elogio à crónica. Sim é verdade,formou-se a vontade graças a uma pagela encontrada num livro na feira da ladra a que juntei memórias de criança e pesquisa da família.
    Cumprimentos
    Isabel

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  3. Continue o seu trabalho. Reconheço-o com o pensamento de Carljung , que transcrevo :
    "Pensar que o homem nasceu sem uma história dentro de si próprio é uma doença. É absolutamente anormal, porque o homem não nasceu da noite para o dia. Nasceu num contexto histórico específico, com qualidades históricas específicas e, portanto, só é completo quando tem relações com essas coisas. Se um indivíduo cresce sem ligação com o passado, é como se tivesse nascido sem olhos nem ouvidos e tentasse perceber o mundo exterior com exatidão. É o mesmo que mutilá-lo." CarlJung

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  4. Caríssimo anónimo bem haja pela cortesia da visita e pelo elogio em continuar o meu trabalho.
    Desconhecia o pensamento de Carljung que achei eloquente e de grande significado.
    Bem haja pela partilha
    Cumprimentos
    Isa

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