sábado, 2 de janeiro de 2016

O meu natal de 2015 por terras de Ansião

Regressada de terras por Ansião, sem aparente saudade do computador (?), congratulei-me com o email entupido de boas mensagens emanadas por bons amigos cujo conteúdo em deleite de carinho e saudade, a tónica gritante que felizmente também comungo e nutro em igual sintonia.
Acreditando que a cada dia todos temos a capacidade de nos surpreender, então não me esqueci de levar o chaveiro da casa rural, por acaso tinha um de reserva, ainda assim incompleto, por lhe faltar a chave da casa, apenas tinha a da adega, garagem e da cozinha velha, pelo que tivemos de nos remediar com as condições básicas, sorte de levar o saco com roupa lavada da última estada, o que nos valeu para mudar de vestimenta na adega sob manta em chão de terra, qual ambiente quente dado pela pedra das paredes e da madeira do soalho, as botas de cano alto estavam na garagem e a cozinha serviu para remediar o almoço feito ao lume, já a loiça foi lavada em alguidares no patim, a água era gelada, só faltou mesmo a casa de banho que as emergências foram solvidas como antigamente, ao ar livre, e soube muito bem, por isso faço fé neste estar de saber resolver com sapiência imprevistos, nesse pressuposto fácil será catalogar algumas fotos escolhidas ao calhas neste período natalício para elucidar mais uma estada por terras do maciço de Sicó e das faldas a poente da Nexebra.
Vontade assumida em dar cabo das palmeiras antes da mosca atacar, no caso prefiro o muro de xisto, também porque dolorosas foram as picadas das folhas aquando dos cortes...O limoeiro esteve a morrer mas foi bem podado, apesar de ter sido em tempo tardio do mês de agosto, o preceito deve ser pelo S. João.
Flores do cato aloe vera no jardim da casa rural.
Resistente a oliveira que em tempo de antanho serviu de suporte ao balanço do poço, velhinha, foi podada.
Pela alvorada da manhã quando o sol irrompia ao penhasco do outeiro do Cuco na Nexebra, descobri teias de aranha , uma na oliveira e outra no poço do carvalhal que foi cortado, o excedente de madeira deixada pelo madeireiro, que não devia, o demos a uns vizinhos, que agradeceram, mas ao que parece não os quiseram, pois não os foram buscar, sendo que as silvas tudo invadiram sem pedir licença, outro remédio não tivemos senão de a puxar para a fausta borralheira, juntamente com silvas, malditas trepadeiras de espinhos que pegam por ponta em bolbo de milhentas raízes, faz lembrar um alfobre, ainda espinheiros de caule duro cravados de espinhos e mato, serviço difícil em tal emaranhado na glória crepitante com a imagem da queimada em labareda escarlate que soltava estalos secos ,outras fiz acendendo com pazada de brasido e mais brasido, como aprendi com o pessoal da florestal, foram no total umas sete a arder, sempre supervisionadas de pé ligeiro andei na roda delas.
Teia nos paus do poço
Reti o olhar em rosas belas em dezembro, quem diria a lembrar a primavera-, a primeira chamada de Alexandria, cujas pétalas a lembrar as rosas de porcelana dos trópicos e de cheiro inconfundível, que me reportam para o milagre das rosas do regaço da Rainha Santa Isabel...


Gosto da tradição de antigamente dada pelas réstias de cebolas ao léu para não grelarem
Jardim do Ribeiro da Vide em ansião, os plátanos despidos de folhas  que se juntam dentro da fonte, houve um dia que caiu uma grande bátega de água e vi as folhas a nadar em altura, por o escoamento estar quase entupido, no mesmo as sarjetas, e as estradas se mostravam um mar de água, que me reportou para uma grande cheia quando era pequena, coisas e loisas de hoje por terem entupido metade do ribeiro e a nítida falta de limpeza e manutenção. O jardim mostrava-se uma parovela, quase nua de flores, apenas arbustos com verdura onde roubei algumas hastes, por falta de jardim na minha casa, um hábito enfeitar  em grandeza a minha mesa da consoada com as flores do alheio, apanhadas neste espaço onde em miúda deambulei em brincadeira, onde sonhei, onde vivi emoções, o meu querido Ribeiro da Vide, será sempre parte integrante de mim e eu dele, apesar das atrocidades!

Sem jeito nem maneira fiz o arranjo sem água-, é que o ano passado a grande taça de vidro de suporte abriu por artes do diabo molhando-se a toalha e a carpete, claro que gostando tanto dela e de quem me a ofertou comprei uma boa cola para vidro e remedei a situação, mas por via de novo  acidente, ficaram este natal as flores à mingua e com o calor da lareira murcharam cedo...
O natal é uma época interessante pelo movimento que gera em volta da convivência da família  à mesa, com isso a agitação na cozinha de olho no lume para não se apagar. Na mesa já haviam os velozes de abóbora menina, fatias douradas com doce de ovos, jesuítas, pão de ló, bolo rei e um prato com frutas tropicais para o fondue de chocolate.
Os jesuítas a lembrar o convento e os  frades de Santo Tirso que foram donos por duas vezes da Quinta de Cima de Chão de Couce, desde pequena me impressionou a história, cuja receita este ano teimei pela primeira vez experiencial, sendo positiva é  para continuar.
Tenho o hábito de fazer para entrada uma bola, como não tinha sobras de frango assado só a fiz com paio york com pedaços de bacon, perdi tempo a fazer uma boa tábua de queijos variados, na mesa não faltou o doce de abóbora, goiabada, batata doce asada com mel, paté  de marisco com ovo e pickles, tâmaras, bom pão, tostas , azeitonas e mais nada que foi bastante.
A minha filha ditou recomendação, para não haver fumos na casa, sobretudo no salão, atendendo às crianças, dormi mal a pensar como havia de fazer, se mal o pensei melhor o fiz por isso decidi acender as duas lareiras, sendo que a do primeiro andar há anos que não era acesa, e foi um pandemónio, graças ao meu espírito calmo e prático perante o problema logo ali resolvido na perfeição fechando as portas e colocando uma vela de cheiro.Passados minutos problema sanado com alto brasido para o primeiro prato-, tibornada  ou punheta de lombos de bacalhau  com batata a murro regada com o azeite novo do nosso lavrado, uma tradição.
O ambiente mostrava-se tão agradável sem cheiros nem fumos, que o segundo prato, costela de entrecot também grelhado que a minha irmã tomou conta, aconteceu no brasido da lareira do salão, em detrimento da outra lareira que assim viu cair em cinzas as brasas incandescentes, foi acompanhado com grelos do quintal da minha mãe. 
Enfeitada para a distribuição de prendas 
A minha mãe chegou-se a minha casa por volta das cinco da tarde e não via as prendas, sentada à lareira nem perguntava se queria ajuda, indignada diz-me, este ano não há prendas, pois compreende-se agora é para os meninos, já reparei que debaixo da árvore de natal não tens nada, vais dar dinheiro aos meninos?...pois não havia prendas porque decidi coloca-las no closet em cima dum tapetão de Arraiolos, feito por mim alterando o "SJ" com o "C" de Coimbra, só as viu quando a Laura chegou e  a alcofa foi posta em cima da camita de ferro do quarto já previamente quente pelo aquecedor e logo a  sua cara  se iluminou, comeu pouco com a "cegueira"das prendas, qual criança apressada!
O Vicente não gostou de me ver com a barba do pai natal, começou a chorar quando o pompom do chapéu lhe bateu na cara...
A minha mãe adorou a saia com a blusa de cetim em amarelo torrado, as calças de risquinha, a camisola, a camisa de noite, as pantufas, o creme para as rugas, o chá e,... 
A minha irmã foi quem mais recebeu; quadro com um naperon em bordado Rechilieu feito pela nossa avó Piedade , mesinha oval em arte africana com pé entrançado e tampo com elefante esculpido, corno que os pastores faziam uso para levar o sal, ferradura, peça de madeira usada nos barcos para passar as cordas, chocalho e uma pequena toalha bordada. A minha Dina levou um conjunto de lençóis casca d'ovo cinza com bordado de bilros, moldura com dois azulejos antigos, toalha de linho, é sempre tanta prenda e prendinhas que metade já não me lembro...O Vicente estava a experimentar os ténis novos que a tia avó lhe deu...Pois foram os meus netos -, Vicente e Laura, os donatários que levaram a maior fatia em dinheiro para a poupança, eram tantas as notas de 20, que o multibanco me foi dando as vezes que lá tive de ir...
A minha mãe este ano optou pelo envelope com uma quantia choruda, porém o meu se mostrava vazio com a retórica- passei primeiro o cheque da tua irmã , o outro estava inutilizado, já pedi novos dou-te depois...
O dia de Natal foi passado em casa dos meus compadres Odete e Fernando
As bisavós da Laura
D. Helena e a minha mãe
 
Levei outra bola de paio York com quadradinhos de bacon, porque faço sempre duas, e um ananás.
Comi uma boa chanfana com carne de cabra feita em tacho de barro preto não vidrado, receita inventada pelo povo da região, aquando da passagem dos desertores franceses do Buçaco.
Por a minha comadre estar adoentada ainda ajudei a fazer o arroz com miúdos de peru e bacon que teimei servir na caçoila antiga de barro que estava na aba da chaminé, ainda cozi os grelos. Quando o fui para fotografar o peru recheado que foi assado, já estava trinchado, foi a primeira vez que comprei um animal inteiro, por me  lembrar os perus na ceia do Dia de Ação de Graças nos EUA. Havia também leitão e galo, tudo bem assado no forno a lenha que perdeu quentura e teve de ser duas vezes aceso.
Bem hajam o Sérgio e a esposa Célia, no trabalho que tiveram.
Havia muitos doces, salada de frutas e travessas com ananás e manga, ao dizer que na véspera tinha feito fondue de chocolate com frutas, quiseram saber como era feito, por sorte haviam os ingredientes e o utensílio que tinha oferecido à minha filha que  por sua vez o tinha oferecido à mãe do Samuel, por o ter substituído por outro.Tarefa tão simples e todas as mulheres aprenderam a fazer e adoraram.
O Carlos mostra que pode vir um neto do seu filho Simão que tem destreza em segurar um bebé quando toma o biberão.
No final da festa natalícia a foto de família com os avós, filhos e netos
Para acabar esta quadra natalicia com as Lesmas-, bolos típicos de Ansião, que em miúda eram rijos que nem cornos e agora os fazem macios...

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