sábado, 23 de janeiro de 2016

O que os Ansos de Ansião poderão fazer ao se virem despojados deste tesouro ( Senhora da Paz)

Lamentavelmente constato que apenas visitei por duas vezes a Constantina, embora utilize amiúde a estrada que lhe passa em paralelo com o Nabão velho. Lugar que sempre intrigou o meu pensar seja pelo fausto passado da via romana que por aqui passou na direção aos Netos, Lagoas e Ansião, há uns 50 anos havia ainda um troço de calçada que o Comandante Artur Paz deu a conhecer ao seu sobrinho Renato Paz, mas este no tempo lhe perdeu o rasto, supostamente já não existirá(?). Também pelo seu nome sonante, a lembrar o Imperador Constantino e por acréscimo Constantinopla que tomou para a capital do império romano.
Ex libris no Nabão aos Poios antes do Marquinho
A ponte  de três arcos abatidos, como eram outras, de um ou dois arcos lamentavelmente foram destruindo...
No mesmo fatídico fim as pontes sobre o Nabão (velho) que no tempo foram sendo substituídas por outras em cimento armado, e disso confesso não aprecio, porque deveriam ser respostas como o foram no passado, seja  pela beleza ingénua e pela mística da história que encerram, também por terem sido marcos de alto valor credetício, um testemunho eloquente do passado glorioso e dos povos que por aqui habitaram e outros foram viandantes , por isso não deveriam ser alteradas de qualquer maneira no meu opinar no direito de cidadania. No melhor ainda vivo os genes deixados pelos romanos, a marcar ainda hoje as suas gentes abençoados de rostos belos em homens e mulheres, e outros com resquícios dos franceses e também de mouros. 
Haveria séculos mais tarde esta terra ser de novo palco exarado nos anais da história.
 «ESTA FONTE APPARECEU A 11 DE AGOSTO DE 1623»
Fonte Santa
Dois anos após o Milagre já corriam longe as tamanhas virtudes chegando aos ouvidos do Chantre de Évora que em 1625decidiu fazer uma viagem para visita de santuários na região centro.
Título do Livro: Manuel Severim de Faria e a sua ida a Maçãs de D. Maria
Autor: Ricardo Charters d’Azevedo
Colecção: Tempos & Vidas - 26
ISBN: 978-989-8812-00-1
N.º de páginas: 96
Preço e Disponibilidade: Não disponível


"Sinopse:Neste livro apresenta-se, de forma resumida, a figura de Manuel Severim de Faria, clérigo nascido em Lisboa, respigando o que outros autores escreveram mais ou menos desenvolvidamente sobre ele. Apesar da sua actividade intensa como sacerdote, historiador, arqueólogo, numismata, genealogista e escritor, incide-se especialmente na sua faceta de cronista de viagens, em particular na crónica da sua deslocação a Maçãs de D. Maria, no concelho de Alvaiázere, que ele aproveitou não só para ver a sua irmã, que aí vivia, como para passar por locais de culto mariano nos arredores de Maçãs, incluindo o da Nazaré. São interessantes as informações que nos dá sobre as características do percurso e, em particular, as duras considerações que ele tece sobre a forma de viver no convento de Alcobaça. Por último, apresentam-se duas figuras incontornáveis de Maçãs de D. Maria, a “ Ribeirinha” e D. Cristóvão Manuel, seu cunhado, que devem merecer um estudo mais aprofundado do que aquele que agora se publica neste trabalho."
Prefaciando o livro as "Viagens em Portugal de Manuel Severim de Faria 1625"
Relato delicioso pela rica descrição das coisas simples da vida ...
"Nas páginas 146 e 147 na viagem que fez na companhia do tio Chantre de Évora, de onde partiram e aonde voltaram, para conhecer os santuários da Nazaré, Ansião ( Constantina) e de Nossa Senhora dos Covões em Alvaiázere , sendo que depois de Tomar passaram por Ceiras, narrando a forma como foi recebido em "Maçans de Dona Maria" onde pararam em casa  da sua  irmã .
Em português arcaico "alegremente e regalados com contínuos banquetes de diuersas iguarias assi de carnes como de fruitas e pescados" afirma que a Vila aem Agosto de 1625, tem 27 “vesinhos e posta em hum pequeno monte donde fica muito descuberta aos ventos, que nela naõ faltaõ. Tem muitas e boas fontes, he bastantemente abundante de fruitas, assi sedo como do tarde, os edifícios são pobres, a comenda della possue hoje D. Cristóvão Manoel, em cuja casa estivemos, 3 feira que foraõ 12 d’Agosto partimos para Nossa Senhora da Paz, que he hua Igreja fabricada de dous annos para qua no termo da Villa de Ansiaão no lugar de Constantina, que será de 50 vesinhos pouco mais ou menos. Era esta igreja antigamente uma pequena ermida  e porque estava falta de imagem pedirão aos d’Ansião lhe desseest a  senhora, que eles tinhaõ na Samchristia, por ser perceito do Bispo, que não tevessem mna igreja imagem vestida. Comsedeosele aos da Constantina o pediaõ. Porem  pela muita devo-ção que os moradores da vila tinhaõ a esta Senhora foi necessário trazerem a Imagem m de noite por evitar algûa repugnância, que os de  Ansos de Ansião podiaõ fazer se se viraõ des poiados deste tesouro dispois de hum anno, que hauia a Senhora estava nesta hirmida aconteceo, que hum mininodo mesmo lugar sonhou que no milho que o pai tinha semeado, nu secco areal lhe dava Nossa Senhora da Paz hua fonte aonde com fé viva se foi pella menham a cauar com asmaõs no lugar em que sonhava e fez verdadeiro, o que todos a quem elle contava o sonho tinha por impossível por ser o lugar em que a fonte saio hum sequíssimo areal e pella mesma razão incapaz de poder ter agoa dentro de si, quis mostrar a Senhora com muitos Milagres que era obra sua por a fama da fonte santa que todos lhe deraõ este nome, acudiraõ muitos géneros de cegos e aleiiados e todos com selavarem com ágoa foraõ saõs, começaraõ todos a fazer esmolaem tanta copia que em menos de hum anno depois do milagre se fez hua Igreja muito grande na qual mandaraõ por as mortalhas muitos que estavaõ para morrer, e outros ia amortalhados, e por intercessaõ desta Senhora forão livres da morte, em sinal de agradecimento da merce recebida, e saõ as que saõ ao presente na Igreja 140, fora outras muitas vendidas, e outras que estão em casa dos moradores. Succedeo este milagre a onze de Agosto de 1623. Chegamos  a Constantina as 8 horas da menham, enquanto se aparelhou a missa fomos visitar a fonte que he hum buraco aberto no areal, e diante tem feito outra pedra, para a qual vem a agoa da fonte milagrosa. Tornaminos a Igreja a sestear aonde ouvimos supicas de vários passageiros fei tas a mesma Senhora, depois de passada a calma que naõ foi este dia pequena nos pusemos a caminho, que por ser todo de pedra, e cumprido, chegamos de noite a casa aonde se passou o dia seguinte sê hauer cousa de novo ao outro que foi quinta feira e trese do mesmo mês partimos em Romaria a Nossa Senhora dos Covoes hua legoa distante da Comenda, passase o caminho por Alvaiasere villado marquez de Ferreira (...).
Vejam-se as substanciais diferenças do relato escrito do relato oral ,  que deu azo ao título da crónica "O que os  Ansos de Ansião poderão fazer ao se virem despojados deste tesouro ( Senhora da Paz)"Na verdade houve Ansos de Ansião supostamente em coloro com o padre desse tempo  premeditaram a saída da Imagem de noite, para não dar azo a reclamação por outros mais atentos e, assim Ansião se viu despojada duma Imagem que era sua-,  no mínimo é estranho, tendo ocorrido o Milagre da Fonte Santa, havia esmolas, e bem poderiam ter comprado uma para a sua capela.
O que indicia falta revelar mais!
Sobre a Lenda da Fonte Santa na voz do povo
"Algumas pessoas mais devotas de Nossa Senhora, lembraram-se de colocar no nicho da FONTE SANTA uma imagem da Virgem e encontrando uma nas ruínas da antiga igreja paroquial de Ansião, em S. Lourenço ( edificada em 1259 que deixou de ter funções em 1595, sem se saber o motivo, supostamente parcial derrocada com o terramoto de 1531(?), mandaram-na pintar e no meio de grandiosos festejos para lá a conduziram e ali se conservou até à construção da capela da Constantina, onde hoje se venera o milagrosa imagem, sob a invocação de Nossa Senhora da Paz."

A devoção a Nossa Senhora da Paz começou no século XI em Toledo, Espanha.
O nome "PAZ" advêm dos confrontos entre cristãos e muçulmanos expulsos, com o povo orando à Santa para a catedral, a casa de Deus, não voltar a ser profanada pelos infiéis, e por terem almejado o sucesso pretendido, a partir daí consagraram o fato à devoção da imagem de Nossa Senhora da Paz.
Teria a Igreja (Velha ) sido incendiada pelos muçulmanos? E o mesmo fizeram ao Mosteiro, supostamente de (Trinos, monges da Ordem da Santíssima Trindade para a Redenção dos cativos católicos nas mãos dos mouros )o facto que apressou a sua retirada das terras de Ansião e com isso o abandono deste local a poente? Ou ao contrario, os infiéis deixaram de profanar a casa de Deus e assim ambos os povos passaram a viver cordialmente (?), ou se foram simplesmente em harmonia, embora destas terras? Seria interessante apurar a razão de lhe terem atribuído o nome de Nossa Senhora da Paz? Seria o nome primitivo ou foi rebatizada? E o porquê deste nome, por ser pouco usual?
Curiosidade
A Imagem da Nossa Senhora da Paz e a Imagem da Igreja Matriz , a Nossa Senhora da Conceição , são Imagens em roca, pela semelhança se possa aventar seriam oriunda da Igreja Velha.No mesmo a Senhora do Ó, em pedra, quase ninguém conhece, maravilhosamente bela e grandiosa, apesar de falta de algum restauro, nomeadamente nos olhos.Alta com mais de um metro, o que me pareceu quando me foi dada a oportunidade de a conhecer, apesar de estar bem guardada a sete chaves. Não registei foto, embora me fosse autorizado, pese embora não a podia publicar, pelas circunstancias. Optei por não tirar. A Imagem encontra-se bem esculpida, mui delicada em pormenores do manto pela cabeça e do corpo ao jus da Imagem da Rainha Santa Isabel fechado acima do peito por pregadeira e com cinto de lado pela barriga tendo a Senhora a mão aberta sobre o ventre, é magnânima!
Não há altar para a suportar. Mas há espaço, abrindo a porta da matriz sediada a norte com gradeamento e ala museológica para mostrar o espólio de Imagens em reservas, por restaurar.

Cópia da 1.ª página do Alvará Régio de Filipe IV  de 30.10.1624
Terra com fama -, sempre ouvi dizer que na sua volta de coche para conhecer Portugal o Rei Filipe IV aqui esteve, onde assinou um pergaminho e disso guarda em devoção a Confraria. 
Caricatamente nada encontrei dessa viagem na internet, antes outra de Filipe III mas só chegou a Tomar. Fica a dúvida se passou, ou apenas emitiu o alvará (?).
"Eu El Reyfaço saber aos que este Alvará virem que os officiaes da confraria da nossa senhora da paz do Lugar da Constantina na freguesia de Ansião termo da cidade de Coimbra me emviarão dizer por sua petição que a dita comfraria hia em grande augmento por causa das grandes maravilhas e mylagres que a Virgem nossa senhora obrava cada dia e pêra que o serviço da senhora se podesse conservar e se fizesse com a perfeição que comvinha ordenarão por comum consentimento de todos o Compromisso que oferecido o qual corregedor e provedor daquella comarca vira e aprovara como constava do assento que disso sejizera Pedindo me lhes fizesse merçe de lho mandar confirmar, E visto seu Requerimento e a informação que se ouve pello doutor Diogo ferreira de Carvalho dezembargador da casa da suplicação que vio o dito Compromisso e he o atras escrito em onze meãs folhas como esta e querendo lhes fazer graça e merçe hey por bem e me apraz de lhes confirmar como de feito por este Alvora confirmo hey por confirmado o dito compromisso na forma e nossa maneira que neíle se contem e quero que assise cumpra eguarde como nelíe se declara e mando a todos os dezembargadores, corregedores, provedores, ouvidores, juizes, justiças officiaes e pessoas a que o conhecimento disto pertencer que assi o cumprão e guardem ejaçam inteiramente comprir e guardar. E me praz que valha tenha Jorça e vigor como sejbra carta Jeita em meu nome por mim assinada sem embargo de ordenação do segundo Livro titolo corenta em contrario Pedro Alvarez o fez em Lisboa a trinta de Outubro de mil seiscentos e vinte e quatro. Manoel Jugundez o Jez escrever.
Segue se a assinatura de Filipe IV
Alvará que Vossa Magestade he por bem de confirmar aos officiaes da confraria de nossa senhora da paz do Lugar da Constantina freguesia de Ansião termo da cidade de Coimbra, este Compromisso na forma que nelle se contem pello mandado acima declarado.
Seguem-se duas assinaturas"

PRIMEIRO COMPROMISSO DA CONFRARIA DA CONSTANTINA 



"CAP.° 1 do Recebimento dos Irmãos nesta Confraria
Todos os Fieis Christãos; que por serviço de Nossa Snrã da paz se quizer meter por irmão desta sancta Confraria será assentado no Livro della, e dará cada hum de entrada conforme sua possibilidade, que a menos será de cada hum vinte reis e sendo pobre dez reis, e quando falecer deixe a dita Confraria de seus bens o que quizer, e será participante em todos os benefícios que o Senhor Deos e o Padre Sancto o Papa nosso Senhor outorga aos confrades que nesta confraria entrão
CAP.° II da pena que averão, os que não aceitarem o Serviço da Confraria
Ordenamos e estatuímos, que cada hum dos ditos irmãos que sair por official desta Confraria se não escuse do cargo que lhe for lançado e aquelle que o recuzar sem legitimo impedimento pagara sinco arráteis de cera se for mordomo ou Escrivão, mas se for Juiz dez arráteis de cera em pena de não aceitarem o serviço da dita confraria.
CAP.° III da ordem que avera no dizer das Missas
Nesta Confraria como dito he avera hum Juiz, dous mordomos, hum Escrivão, e hum Cappelão o qual dirá missa pellos irmãos confrades e benfeitores desta Sancta confraria, e caza e vivos e defunctos, todos os dias de Nossa Snra que ha pella roda do anno, e Domingos e Sanctos delle e assi mais os primeiros Domingos de cada mes se dirá nua missa em memoria dos doze Apóstolos de Christo para que roguem a Deos por nós pecadores tudo a custa da Confraria, e os officiaes que servirem darão candeas ou vellas aos confrades que terão acezas em suas mãos, emquanto estiverem a dita missa e o Capellão antes do Prefacio ao tomar do lavatório será obrigado a dizer pellos vivos e defunctos e benfeitores desta caza a oração do Padre nosso, e Ave Maria, e os confrades prezentes o rezarão também pedindo ao Senhor Deos haja por seu Sancto serviço aver misericórdia das almas de nossos irmãos e confrades vivos e defunctos.
CAP.° IIII Como por ordem do Juiz se mandarão dizer as missas 
O Juiz terá cuidado de mandar dizer as missas sobreditas para que a Senhora seja bem servida e assi tudo o mais que he bem parecer, conforme a possibilidade da dita confraria e para honra de Deos e de nossa Senhora e proveitos de nossas almas e dos defunctos.
CAP.° V que o Juiz que se elleger tenha as partes que se requerem
Na elleição do Juiz se terá muita consideração para que se elleja pessoa que tenha as partes que para o dito cargo se requerem: e a mesma se terá na elleição dos demais officiaes, e ao fazer delles se lerá este capitulo aos cabiduães que os hande elleger
CAP.° VI de como se ellegerão os seis cabiduães, e os mais offíciaes que hande servir a Confraria
Mais ordenamos que em cada hum anno se ellejão primeiramente seis homens dos irmãos da Confraria de boa e sam consciência e fama que sejão Cabiduães elleitores e que estes ellejão os ditos offíciaes como dito he, e o Juiz Velho da confraria lhe dará juramento para que bem e verdadeiramente sirvão seus offícios, que na dita Confraria me forem dados guardando primeiramente o Serviço de Deos e de Nossa Senhora e bem do prol commum segundo suas consciencias: estes seis homens se hande elleger em cada hum anno pello dia de Nossa Senhora da Paz para a dita elleição como dito he.
CAP.° VII da obrigação dos mordomos e como terão em seu poder as pessas e ornamentos da Confraria
Ordenamos que os mordomos que servirem e ao diante forem terão em seu poder todas as pessas ou prata e mais ornamentos e as demais couzas da Confraria que se terá dentro em hum caixão que mandarão fazer para terem as cousas sobre ditas da Confraria e terão muito cuidado e lembrança destas e de todas as mais cousas que lhe pertencem convém a saber de mandarem pedir para as missas de Nossa Senhora e suas obras na qual igreja e hermida avera alem disso huã caixa para nella os Romeyros e fieis christãos deitarem esmola para as obras de Nossa Senhora a qual terá duas chaves com boas fechaduras differentes-huã das quaes terá o Juiz da dita Confraria e outra hum dos mordomos e isto em quanto servirem o seu anno e terão muito cuidado de mandarem fazer, e pôr em recado todas as cousas que pertencem a Confraria e de as mandar fazer e comprar cada huã em seu tempos sob penna de pagarem de suas cazas a Confraria tudo aquillo que por sua negligencia ou culpa se perder; e de tudo o que Receberem e despenderem lhe será tomada conta pello Juiz e officiaes que de novo entrarem a servir a Senhora da Paz, a qual darão tanto que acabarem de servir seu anno dentro em quinze dias ao mais tardar, sob penna de mil reis para a cera e obras da Confraria.
CAP.° VIII como as cousas da Confraria se arrendarão ou arrematarão
a quem por ellas mais der
Todos os bens que ouver da Confraria se arrematarão em pregão a quem por elles mais der e o que Renderem se carregara em termo apartado no livro das Receitas desta Confraria.
CAP.° IX de que avendo duvida na elleição se ellegera por votos de
toda a Irmandade o Capellão
Ordenamos que avendo duvidas entre os seis elleitores Cabiduães, Juiz e officiaes da Confraria sobre a elleição do Cappellão dela, se ellegera a mais votos de todos os irmãos e confrades para que não aja scandalo entre os officiaes e se faça o que for mais proveito da Confraria porque assi entendemos será a Senhora mais bem servida.
E Porque de todo o conteúdo neste Compromisso somos contentes Pedimos a Vossa Magestade nos faça merçe de o mandar confirmar e mandar que o Juiz da dita Confraria tenha poder e auctoridade para obrigar ou executar nas pennas sobreditas aos irmãos que não quizerem aceitar os cargos e officios que nesta Confraria da Senhora da Paz lhe forem dados, E, R, M."

Achamento de pequena coluna
Em obras de remodelação da escada para o sino, apareceu há anos esta pequena coluna. 
Poderá ter sido da primitiva capela? Pode até ser romana?
Segundo Ilídio Valente, também existe um lavatório em cantaria semelhante ao que se encontra na sacristia.
Testemunho do padre Manuel Ventura Pinho numa resposta que me dirigiu " o padre José Eduardo Coutinho está por dentro de muitas das coisas históricas desta terra, como sabe. Há uns 10 anos pedi-lhe para fazer outra monografia sobre a igreja e capelas da freguesia e ele diz-me que o trabalho está adiantado. Vamos ver se sai o 1.º volume para o ano que vem 2016 . Ficou combinado ser dos primórdios até ao final do século XVI. Sobre estes séculos pouco sabemos até agora."
No recinto do adro onde se faz o magusto dos irmãos da Confrariana encosta visualiza-se uma pedra que parece de cantaria (?), a meu ver deveria ser avaliada e outras que supostamente poderão estar soterradas no local serem pertença da antiga ermida (?), seria  interessante perceber a época que foi mandada construir.
Citando o Blog Viajando no Tempo do Dr Manuel Augusto Dias
«A Irmandade de N.ª Senhora da Paz foi erigida numa conjuntura particularmente difícil, como foi a do século XVII (tempo de guerras, fomes e pestes), e é, quase sempre, em momentos de grande sofrimento que a religião, a fé e os milagres assumem particular relevância na mentalidade e comportamento populares. Aliás, a religiosidade popular da época, conhecia um florescimento do culto mariano, não só em Portugal, como em Espanha e na França. Um pouco por todo o País, o culto a Nossa Senhora ia-se generalizando em torno de pequeninos templos que veneravam N.ª Senhora, sob diversas invocações. O nome de Maria, que chegou a ser evitado no baptismo por escrúpulo, começou a ser adoptado como homenagem à Mãe de Deus, por especial devoção das pessoas mais dedicadas ao seu culto. Em 1623, precisamente na data em que se erigiu a Confraria de Nossa Senhora da Paz da Constantina, o Papa Urbano VIII, confirmou a Instituição da Ordem Militar da Conceição da Virgem Imaculada que, 17 anos mais tarde, a 8 de Dezembro de 1640, D. João IV coroaria Rainha de Portugal e se tornou, também, a padroeira da paróquia de Ansião. Assim se compreende melhor, a expansão que esta Confraria conheceu no século XVII, tendo como confrades inscritos, pessoas de toda a região centro, mormente da área demarcada pelo rio Mondego ao Norte, e pelo rio Tejo ao Sul, se bem que haja também pessoas, embora em muito menor número, de terras do Alentejo, e de localidades a Norte de Coimbra. Em torno da devoção a N.ª Senhora da Paz, milhares de pessoas foram em peregrinação à Constantina, ao longo dos séculos XVII, XVIII e XIX. Nos finais do século XIX, com a retirada das feiras pela Câmara de Ansião, que as transferiu para a vila (sede do concelho); e, na segunda década do século XX, com o fenómeno de Fátima - a escassos 40 Km de Ansião - o santuário mariano da Constantina entrou em decadência acelerada, perdendo quase toda a resplandecência de outrora. Hoje, a capela mantém a imponência dos tempos idos, mas a Confraria é pobre, sobrevivendo da cotização dos seus membros; dos superavits que resultam das festas que os mesários da Confraria continuam a organizar, anualmente, à Senhora da Paz e a Santo António; do dinheiro que cobra pelo acompanhamento dos funerais daqueles que não são seus confrades ou das respectivas famílias; e de uma ou outra iniciativa, de entretenimento ou afim, levada a cabo exactamente com o objectivo de angariar alguns fundos.»
"Livro publicado em 1996 pela Confraria de Nossa Senhora da Paz, autoria do historiador Dr Manuel Augusto Dias. Com o apoio da Câmara Municipal de Ansião. Baseado nos documentos que esta Confraria possui, teve o mérito de dar a conhecer muitos fatos da história desta Associação, que doutro modo jaziam apenas nos arquivos.
Prefaciando o Padre Manuel Ventura Pinho, na página da Igreja de Ansião no Facebook, nunca é demais enaltecer o autor do livro, porque vem dar a conhecer a alma destas boas gentes que vivem à sombra da Senhora da Paz."
Recordo que na altura da minha primeira visita, já lá vão muitos anos, fiquei com a má impressão com a escadaria descarrilada pelas raízes das oliveiras, no adro fiquei de boca aberta com a antiga pia de água benta, a fazer de lava mãos, bem maior das novas substitutas da capela, julgo já foi retirada (?).
Reparei nas lajes do átrio do alpendre com indício de fogueira que me reportou para a capela de Santo António, no Bairro com o mesmo nome ao Ribeiro da Vide em Ansião, onde a mesma marca da fogueira se  mostra dentro da capela-, atribuída ao vandalismo dos desertores franceses depois de perdida a batalha do Buçaco na vez de se dirigirem para as Linhas de Torres para tomar Lisboa, fugiram pelas nossas terras.
A segunda visita aconteceu ao entardecer por altura da festa, a capela estava aberta, engalanada, apreciei a platibanda em balaústre como havia na matriz a dividir o altar mor.
Testemunho do padre Manuel Ventura Pinho
"Quando, em Outubro de 1985, visitei pela primeira vez a capela de N.ª S.ra da Paz, logo me apercebi de que tinha sob os meus olhos um legado precioso, cuja grandiosidade não tinha par nas capelas do Norte do Distrito de Leiria. Um conjunto arquitectónico muito agradável, basta riqueza de talha dourada e policromada e pinturas artísticas em grande número. Quanto a estas, parecia que por ali tinham passado há uns anos os vândalos ou então ainda estavam como as tinham deixado os franceses na sua fúria destruidora de há quase dois séculos. Em conversa com algumas pessoas que me acompanhavam, soube que muitas diligências já tinham sido feitas para encontrar remédio para o mau estado do conjunto artístico, mas que todas as portas se lhes fechavam.Deixei palavras de esperança e quando cheguei a casa fui consultar enciclopédias e livros de arte para ver se havia referências a esta Capela da Constantina e deparei com a seguinte frase do Inventário Artístico de Portugal - Distrito de Leiria, dirigido por Matos Sequeira e já publicado em 1955: "O sacristão disse que o templo estava muito desmoralizado, e os inventariantes estiveram de acordo".
Falei com algumas pessoas conhecedoras e tentei que fosse encontrado alguém capaz de restaurar, com qualidade, altares e telas. Na Cúria de Coimbra foi-me dito que havia um senhor que já tinha restaurado algumas telas para a Casa Episcopal e que o Sr. Bispo tinha gostado do seu trabalho.
Pedi orçamento ao restaurador e logo a Mesa da Irmandade me disse que o Sr. João dos Santos, residente em Aveiro, mas daqui natural, oferecia a totalidade do custo. E, em poucos meses, o estado da Capela-Mor era outro. O Sr. João dos Santos mandou avançar com o restauro dos altares, e aqui, onde menos se esperava, é que apareceram muitas dificuldades em arranjar alguém competente. A obra chegou a estar entregue, mas o restaurador acabou por se negar a fazê-la, apesar de a Mesa da irmandade ter acedido a todas as novas exigências que ele ia fazendo. Até que, passados alguns anos, se entregou o trabalho dos dois altares laterais à Escola Superior de Tecnologia de Tomar, que está agora a ultimar o último destes altares. O Altar-Mor e talha lateral aguardam a sua vez.
Achei que tinha interesse fazer esta resenha da história mais recente desta Capela, porque por ela se vê que as sucessivas Mesas da Irmandade de Na S.ra da Paz e o Povo da região da Constantina nunca perderam o sentido da riqueza espiritual e cultural deste santuário e foram fazendo o que estava ao seu alcance para o conservar."
Imagem de Nossa Senhora da Paz
Estandarte de Nossa Senhora da Paz
Procissão das velas no percurso da capela da Constantina para a capelinha da Fonte Santa e vice versa
Filarmónica de Ansião no seu esplendor o Maestro Simão Castela, um jovem promissor com muito mérito 
Citando a Confraria de Nossa Senhora da Paz
In O retábulo-mor da Capela de Nossa Senhora da Paz no lugar da Constantina”, de Filomena Malva
SOBRE O RETÁBULO TARDO-MANEIRISTA DE CONSTANTINA
"O presente trabalho monográfico de Filomena Malva dedicado ao recheio artístico de um pequeno monumento do Concelho de Ansião, a Ermida de Nossa Senhora da Paz em Constantina, assume-se como uma oportuna lição de (e sobre) História da Arte portuguesa, que não só reabilita os valores patrimoniais de um imóvel ainda hoje muito esquecido, como contribui para ampliar o nosso conhecimento sobre a conduta dos mercados regionais durante a Contra-Reforma e o tempo de dominação castelhana.
Nessa perspectiva, deve louvar-se, antes de mais, a coragem da autora, que não temeu aventurar-se na abordagem de um edifício sobre o qual era quase nula a bibliografia (com a única excepção de uma referência marginal do Inventário Artístico de Portugal da Academia Nacional de Belas-Artes, no tomo de 1955 respeitante ao Distrito de Leiria), e sobre cuja história poucos dados documentais estavam disponíveis.
Agora, fruto do estudo histórico empreendido a respeito dos diligentes mesários da Confra-ria de Nossa Senhora da Paz, pode esclarecer-se melhor o percurso e as diligências empreendidas pelos membros fundadores da irmandade no sentido de dotarem o templinho com um programa artístico adequado às exigências didascálicas do seu preciso tempo: o culto de Nossa Senhora da Paz como imagem de identidade do sítio, o dispositivo ideológico da narrativa como imagem tridentina á fidelidade aos valores católicos estabelecidos, e a imagem adoçada da Contra-Maniera como veículo para um discurso de alinhamento com a situação política da União Ibérica.
Assim, o retábulo da Ermida de Nossa Senhora da Paz em Constantina (Ansião), a peça mais aprimorada do conjunto pela qualidade do entalhe de raiz serliana e pelos acertos das cinco pinturas integrantes, obra de uma ignorada oficina tardo-maneirista acaso de Coimbra, constitui um interessante testemunho dessa arte de raiz oficial, tridentina e integracionista, que chega a incluir uma destacada representação de Santo Ildefonso, patrono das Espanhas, rara na nossa iconografia seiscentista, e outras receitas iconográficas de não-perturbado alinhamento iberista. Como sucede, de resto, em muitos outros retábulos portugueses da primeira metade do século XVII, no essencial avessos à modernidade do novo figurino barroco, tão-só balbuciado numa ou noutra solicitação ao penumbrismo...
O retábulo que aqui se estuda e cujo programa ideológico se reconstitui (infelizmente sem dados precisos sobre os seus autores de talha e de pintura) não será, convenhamos, uma obra de superior qualidade - antes um produto de Maneirismo tardio, e regionalista, dotado de uma certa dimensão cultural periférica -, mas é nessa esfera que ele se impõe como documento artístico preciso, como acertadamente a autora põe em destaque, à luz dos valores que a Confraria estabe-lecera como seus. Sobre o mestre entalhador, é possível que possa ser ligado ao pequeno mundo oficinal de Simão da Mota e de outros artistas e artífices actuantes no aro de Coimbra. Sobre o mestre pintor, se revela artista informado, razoável conhecedor de estampas maneiristas italo-flamengas, e dotado de certa dimensão deformadora dos cânones e formas (veja-se o Cristo com as varas da Justiça do primeiro registo, na edícula esquerda do andar principal) reflecte o mesmo espírito de algumas oficinas tardo-maneiristas conimbricenses (Álvaro Nogueira, Pedro Alvares Pereira, etc), cujas obras se conhecem, assim como de alguns "ateliers" de Leiria e Santarém (como o Manuel Lampreia da Mata), sem que possa ainda haver uma certeza sobre a sua exacta identidade, à míngua de correlativos estilísticos e de documentação precisa. Mas fica a nota, esclarecedora, de paralelos artísticos, fruto de uma investigação bem organizada, que se estende ainda à iluminura do Compromisso original, e a outros elementos decorativos da própria ermida.
Um bom trabalho de História da Arte e um contributo para a revalorização desse património artístico ainda obscuro, eis o que Filomena Malva propõe nesta sua leitura analítica sobre uma peça que as condicionantes do isolamento e a desmemória sobre os lugares recônditos do país tornaram uma verdadeira relíquia do esquecimento.
Vitor Serrão (Professor de História de Arte da Faculdade de Letras de Lisboa)"
"O retábulo da Capela-mor da Constantina (III)
«Numa leitura que seguimos, pela colocação e pela mensagem que traduz - "IUSTITIA ET PAX OSCVLATAE SUNT"-, a exposição pictórica da Virgem com o Menino ao Colo é bem reflexo da concepção naturalista na largueza dos paisagísticos antuerpianos na representações vegetalistas. A composição geometrizante das personagens, cujo debuxo obedece aos programas das gravuras (que neste caso nos parece ser a de um gravado segundo Guido Reni), traduz um vocabulário maneirista bem apreendido na concepção das mãos, mas inábil no posicionamento amaneirado da perna da Virgem. O seu rosto santificado, por expressão de um forte vocabulário moralesco, parece vir mesclar-se com as quedas de água que, segundo cremos, simbolizam o milagre ocorrido no Lugar da Constantina numa expressão de interiorização do artista com o meio ou numa petição dos encomendantes que aí reflectem o acolhimento dos seus anseios político--religiosos reforçados pela legenda, atrás referenciada, onde o Menino traduz a "Justiça e a Senhora a "Paz".»
«Do lado esquerdo está o interessante quadro representativo da Adoração dos Pastores sob a presença da Virgem e S. José, segundo padrões iconográficos persistentes. 0 traçado desta composição está em consonância com as linhas diagonais que induzem o espectador a fundos paisagísticos, penetrando com as suas "touches" lumínicas na intimidade da cena onde está inclusa a rígida e intrigante imposição do pastor do bordão. Esta obra, quando confrontada com as dos maneiristas que versam o mesmo tema-Campelo (tábua torrejana do Convento de Santo António, e mural do Refeitório de Santa Maria de Belém), Simão Rodrigues (Convento de São Domingos de Elvas), da parceria deste pintor e Domingos Vieira Serrão (Igreja de Nossa Senhora do Carmo e Capela da Universidade de Coimbra) passando pelas pinturas teixeirianas de Alcochete e de Figueiró – reflecte uma pessoal intencionalidade do pintor em tomar aquele figurino como o conivente interlocutor da simbologia existente entre as quedas de água e a Virgem, relevando-o pelo cromatismo e pela escala das composições do bordão e humana num contraposto incorrecto e fisionomia de esgares mal concebidos, limitações do autor no domínio de técnica e de signos pictóricos.Na continuação do estudo analítico do quadro sobreleva-se o aspecto bem vincado de naturalismo tenebrista, baseado nas raízes sevilhanas, que confere ao conjunto harmonioso das personagens, de forte tratamento do claro-escuro, um papel secundário em prol das fortes modelações lumínicas que divergem em gradações sequenciais da Virgem, modelo garbosamente rural, ao Menino, enaltecendo-a num brilho diáfano tradutor da pintura de circa 1600.19.
Do cotejo que fizemos sobre o formulário global do quadro concluímos que o mesmo está bastante adstrível ao gravado do flamengo Cornelis Cort, de 1568 20, muito difundido pelas receitas do movimento maneirista, que os virtuosos epígonos de Campelo assumidos com a ideologia pós-tridentina, fizeram transparecer num vocabulário de estética de composição austera e mais despojada de elementos classicizantes. Nesta singularidade de linguagem pictórica o pintor da Constantina fez jus a esse vector, cumprindo a petição religiosa da Confraria da Nossa Senhora da Paz reiterada pela legenda TERRA PAX HOMINIBUS", e ao discurso laudatório da modernidade estética pelo tratamento da aparência dos figurinos e clareza dogmática dos princípios contra-reformistasl Esta representação imagética busca-se como o princípio e o fim da epifania do proto -barroco no conjunto retabular da capela.»
«Distanciada, a Virgem entrega a "dalmática" numa aproximação entre o celestial e o terreno. O tratamento artístico da casula, do báculo e da mitra traduz uma minúcia de pormenor detalhadamente naturalista, e remete para segundo plano as incorrecções que mãos intrometidas repintaram no manto da Senhora.
A cena descreve-se numa ambiência intimista, só quebrada por um arco de volta inteira que comunica com o exterior deixando vislumbrar uma "loggia" encimada por uma coluna perspectivamente mal concebida, e deixando penetrar as nuvens que o tratamento de luz e sombra concretizam.
O rigor da composição geométrica obedece ao novo formulário gramatical proto-barroco, pelo traçado de diagonais que se entrecruzam sobre o escapulário, numa concepção mais alargada do espaço, e permitem pontos de fuga que o artista perspectivou, conferindo fortes pinceladas lumínicas que dimanam da Virgem e se reflectem no cromatismo da casula, contrastando com o escuro das sombras da parte anterior dos panejamentos e dos fundos arquitecturais
A sua leitura iconográfica, contextualizada num momento de revigoração do culto mariano pós-tridentino na União Ibérica, refere-se à Imposição da Casula a Santo Ildefonso, governador da arquidiocese toledana de 657 a 667 pela sua diversificada actuação no âmbito da participação no VIII e IX Concílio de Toledo (ainda abade), de poeta, de orador e de teólogo inflamado na retórica que buscava os princípios ao Livro das Escrituras. "
A capela também celebra festa em honra de Santo António
Casa do Capelão com janelas de avental e varanda em cantaria.
"Está escrito que a Confraria da Senhora da Paz pagava a um padre capelão para celebrar Missa pelo menos aos domingos e dias santos e conhece-se mesmo o nome de diversos capelães.
A tradição dita que a casa do capelão seria a  sua residência . Trata-se de uma casa muito grande, que poderia também servir para hospedar outras pessoas que tivessem posses para isso e eventualmente para apoiar a feira que aqui se realizava duas vezes por ano. Tem  data de 1731 ".
"Propriedade de particulares que vivem em Lisboa, está muito carecida de grandes obras."
Se não lhe acodem a tempo, acaba como outros imóveis de interesse neste concelho.
Aposta interessante seria a sua aquisição para nela instalar um auditório/galeria para exposição de artes e espolio  que desejem ofertar para engrandecimento da terra e chamar o turismo.
A casa do capelão fica no alto sobranceira à capela
O GRANDE BENEMÉRITO JOÃO DOS SANTOS PIRES
Na Foto, o Sr. João dos Santos Pires com a esposa e os irmãos. Só lá falta uma irmã que está no Brasil e, naturalmente, a que faleceu em criança. Alguns dos irmãos presentes nesta fotografia também já faleceram.
" Menos conhecido na freguesia é este HOMEM, também natural da Constantina, deu boas ajudas monetárias às principais Associações de Ansião: Centro Paroquial, Santa Casa da Misericórdia, Bombeiros Voluntários, Filarmónica Ansianense, etc.
À Capela da sua Terra (Constantina) ofereceu a restauração das telas da capela-mor e dos altares laterais, assim como pagou a maior parte do último restauro do largo e nova capela da Fonte Santa.
O Sr. João Pires nasceu a 27 de junho de 1926 e faleceu a 1 de maio de 2011. Natural da aldeia da Constantina era o 2.º filho mais velho de uma irmandade de 8 filhos. Uma das filhas morreu de acidente quando ainda era criança.
Após o grande ciclone de fevereiro de 1941, apareceram por cá uns homens da zona de Aveiro para comprar e levar algumas árvores caídas que davam para a construção de barcos de pesca. O João tinha então 14 anos e foi um dos trabalhadores assalariados para o corte dessas árvores e seu transporte. Esses homens gostaram tanto dele que pediram autorização aos pais para o levar para Aveiro. E lá começou bem novo a luta por uma vida melhor. Na Gafanha da Nazaré conheceu aquela com quem casou – Graciana Ramos Loureiro, dali natural – o que o fixou definitivamente a essas paragens. Mas nunca esqueceu a Terra de origem e a família. Depois de uns anos a trabalhar por conta de outros, estabeleceu-se por conta própria e acabou por criar a fábrica de tratamento e secagem de bacalhau – a FRIAVEIRO – na Gafanha da Nazaré, talvez a melhor no seu ramo. Fui um dia visitá-lo com mais dois amigos e encheu-nos o carro de bacalhau. E do melhor que comi na minha vida!
Era muito amigo da esposa e, como não tinham filhos, criaram um sobrinho como se fosse filho, sem contudo nunca esquecerem os restantes familiares. Se alguma associação de bem-fazer lhes batia à porta, nunca iam embora de mãos vazias. A esposa faleceu pouco depois dele, em 23 de julho de 2011. Havia nascido em 25 de janeiro de 1932.
A Confraria da Constantina está-lhes muito grata!"
Foi distinguido com a menção do seu nome numa rua.
OBRIGADO, ENG. LEONEL DUARTE DOS SANTOS
"O Eng. Leonel nasceu a 9 de setembro de 1963, sendo o primeiro filho de José Albertino dos Santos, que também faleceu prematuramente, e de Maria da Conceição Duarte da Paz, que reside neste mesmo lugar. Casou com a Dra Alda Maria F. Almeida Santos, de quem teve dois filhos gémeos – o Pedro e o Paulo – que actualmente têm 16 anos. Bom estudante, o Leonel tirou um curso superior, que o levou a professor auxiliar na Universidade do Minho, nas áreas de ciências da computação e da informação e engenharia. Autor de quinze livros, publicou inúmeros artigos em revistas especializadas. Coordenou ainda sete projectos de investigação dos catorze em que participou. Em 2004 concluiu um doutoramento em tecnologias e sistemas de informação na Universidade do Minho. Apesar de viver em Braga, deu grande colaboração à Confraria de Nossa Senhora da Paz da Constantina, para além de impulsionar a criação do Grupo de teatro de Ansião “Olimpo”. Em estudante já tinha colaborado com um Grupo de Jovens da Constantina e arredores que promoveu o desporto, concretamente o futebol. O seu intenso trabalho em Braga também não foi obstáculo para se dedicar à Assembleia Municipal de Ansião, onde foi muitos anos deputado e secretário, servindo assim as gentes da sua freguesia e concelho.
Pessoalmente, encontrei sempre no Leonel um amigo, que até me ajudou a entrar no mundo da internet, dando-me umas dicas para fazer os “sites” da paróquia de Ansião.
Foi pena o seu desaparecimento do nosso convívio tão cedo! Mas ficou o seu exemplo...
Que Deus lhe pague!"
Foi igualmente distinguido com a menção do seu nome numa rua 
Almoço onde distingo na primeira linha o Arlindo Moreira (Pirão) do Casal S. Brás casado com uma filha da terra a Graciana,  foi meu colega no Externato
Aqui distingo o Fernando(Paciência) e na diagonal é um Paz
  MAMEDE RODRIGUES VALENTE
Falar de um filho da Constantina que daqui partiu à procura de uma vida melhor. O seu neto José Augusto Rodrigues Valente, que não conheço pessoalmente, num dia viajando no meio virtual encontrou o meu Blog, ao ler uma crónica sobre o meu pai, me abordou  via email em virtude do nome do seu pai ser o mesmo do meu avô, e o nome do seu avô ser igual ao do meu pai,  tamanha coincidência dos dois apelidos "Rodrigues Valente" seja a particularidade de sermos parentes; o meu bisavô paterno Francisco Rodrigues Valente nasceu no Cimo da Rua, mas pode o pai dele ter raízes na Constantina, o que não acho plausível por não haverem terrenos na família por aqui (?), o primeiro palpite, sendo o certo aceitar a sua sugestão em começar a consultar os registos da minha genealogia que estão online.
O apelido "Valente" é usual na nossa região, sendo contudo a parelha dos nomes  "Rodrigues Valente" comum na minha família e à do Fundo da Rua, cujos filhos da minha geração, perderam o " Rodrigues", sendo que tanto eu como a minha irmã ainda os mantemos no nome.
Quem sabe se este amigo não será descendente da casa do capelão com data de 1731 (?), sendo que o seu 6º avô de nome  Manoel Rodrigues Valente nasceu  na Constantina por volta dessa data ?
"Citando José Augusto Rodrigues Valente os seus antepassados da Constantina
Avô -Mamede Rodrigues Valente nasceu 1864 na Constantina Morreu 1934 Lisboa Casado c/ Joaquina da Conceição
2º. Avô -Joaquim Rodrigues Valente nasceu 1819 na Constantina Morreu ???? Casado c/ Maria da Conceição de Albarrol
3º. Avô -José Rodrigues Valente nasceu 1810 +-  na Constantina Morreu 1865 Casado c/ Vitória Maria de Serzedelo
4º. Avô José Rodrigues Valente nasceu 1791+-  na Constantina Morreu 1878 casado c/ Maria Joaquina da Constantina
5º. Avô Francisco Rodrigues Valente nasceu?? e morreu??? casado c/ Maria Nunes da Constantina em 11/2/1790
6º. Avô Manoel Rodrigues Valente nasceu 1730 +- e morreu?? casado c/ Damasia Maria ambos de Constantina".

" É, como pode constatar, uma lista com muitas interrogações e, de certeza, algumas imprecisões. Os dados foram obtidos nos registos paroquiais digitalizados e postos online, creio que recentemente e ainda com muitas faltas. Alguns de óbitos, outros de casamentos e um ou outro de baptizados. Todos foram obtidos na paróquia da Freguesia de Ansião, com a excepção do meu avô Mamede que, como já tinha dito, foi na Freguesia de Pousaflores. Há poucos dias, foram disponibilizados registos da Freguesia de Santiago, onde também já encontrei dois Rodrigues Valentes. Claro que, encontrei também, uma infinidade de tios e primos que, só muito dificilmente conseguirei ordenar.
O último dos meus ascendentes, o meu avô, Mamede Rodrigues Valente nasceu em Constantina, em 1864, filho de Joaquim Rodrigues Valente, também nascido em Constantina e de Maria da Conceição, nascida em Albarrol, onde viveu os primeiros trinta anos da sua vida  e quando saiu de Ansião, por volta de 1890, parou em Carvoeira, perto de Torres Novas, onde casou e viveu meia dúzia de anos, tendo de seguida vindo para Benfica, Lisboa, onde tiveram 9 filhos, o último dos quais, meu pai. 
Aqui há uns vinte anos, antes de ter tido conhecimento da maior parte destes pormenores, dos meus antepassados, sabendo do nascimento desse meu avô em Ansião, pensando que tal tinha ocorrido em Pousaflores, visitei essa terra. Foi uma visita rápida e, quase que de passagem, que não deu para ver praticamente nada. Lembro-me da curiosidade que me suscitou na altura, o café "Valente" em plena vila de Ansião. Tenho programado, há uns anos, uma visita mais demorada e com calma, para tentar visitar, todas essas terras, que aparecem na genealogia dos meus antepassados. Por uma ou outra razão, tem sido sempre adiada. Tenho que cumprir esse meu desejo rapidamente, enquanto tal é possível.
Este meu 6º. avô, de que falo, Manoel Rodrigues Valente, deve ter nascido por volta de 1730 na Constantina. Não consegui, ainda, ir mais atrás, pois a partir daqui os registos são muito confusos e difíceis de ler. Muitas abreviaturas, palavras comidas e esborratadas, é quase necessária uma especialização, para essa leitura ou decifração.Como já afirmei, tenciono assentar arraiais em Ansião, por uns dias e, percorrer todos esses Lugares desde a Constantina a Albarrol, sobre que tenho lido algumas dessas leituras, no seu Blog, que muito agradeço. "
Será sempre benéfico o falar, porque pode sempre aparecer alguém com conhecimentos da família, ou até algum parente afastado.
Nas actas da Câmara em 1909 aparece um vereador com o nome de José Rodrigues Valente, ainda não descobri a sua origem.
Foto do traje dos cocheiros de gente rica.
Segundo o padre  José Eduardo Reis Coutinho, in Ansião, Perspectiva global da Arqueologia, História e Arte da Vila e do Concelho.
"O cocheiro da Rainha Dona Amélia, esposa do Rei D. Carlos assassinado em 1908, era natural de Constantina. Chamava-se José Rodrigues de Campos - para nós o José da Rita - e, pela sua importância no desempenho de tal ofício, foi retratado a óleo e incluído na galeria do Museu dos Coches, em Lisboa, onde a sua imponente figura sempre esteve exposta até que há anos uma remodelação, bem qualificada pelos seus efeitos, de tal modo lhe arrumou o quadro que dele se perdeu toda e qualquer pista."
Seria interessante perguntar ao Museu dos Coches, até porque se mudou recentemente e anda no corropio em catalogações e limpezas de materiais,  o que fez ao quadro do José Rodrigues de Campos - para nós o José da Rita, pois se não o querem, que o entreguem à terra que o viu nascer, a Constantina!
E que tal lançar o mote de todos juntos fazer a petição de pôr o quadro do cocheiro no Lugar certo, no Lugar da Constantina!
Não me vou sem falar da coisa mais linda que se avista por estas bandas em inverno de chuva com o leito do Nabão velho, de margens a murchar as ervas dos quintais de águas fartas vindas em pressa do sopé do Alvorge, Aljazede, Fonte Carvalho e da Ribeira do Açor, e aqui em brilho achegadas para o idílico adeus à Constantina, qual paisagem bucólica de pedras semeadas em carvalhal  cerquinho, vestida a musgo e fetos a lembrar o presépio, é de se ficar pasmado com o cenário do véu de noiva  a deslizar em cascata que de mansinho se faz chegar ao Porto Largo...
Em hora de fecho o remate à alegoria ao título da crónica, o que os Ansos de Constantina e os Ansos de Ansião poderão dizer?
Sendo que nos dias d'hoje a partilha de informação e de fotos no meio virtual passa a ser do domínio público, nesse pressuposto  dita a deontologia na obrigatoriedade da menção e rigor do uso das fontes de informação. Assim, com o devido respeito, aplaudo a cortesia a todos os intervenientes, por delas ter feito uso, a que juntei outras, em prol de abrangência maior em falar desta terra Constantina.
Agradecimento em especial à Confraria de Nossa Senhora da Paz, ao Padre Manuel Ventura Pinho, ao José Augusto Rodrigues Valente e outros, porque, sem o seu contributo, não teria sido possível o ensejo desta compilação, que me deu imenso prazer, pelo que endereço a  todos o meu Bem Haja, na esperança que esta terra volte a ser GRANDE!


FONTES
Página facebook Confraria de Nossa Senhora da Paz
Pagina facebook da Igreja de Ansião
Blog Viajando no Tempo
Wikipédia
http://www.textiverso.com/index.php/tempos-e-vidas/310-manuel-severim-de-faria-e-a-sua-ida-a-macas-de-d-maria
Troca de correspondência com José Augusto Rodrigues Valente
uma foto http://dias-com-arvores.blogspot.pt/

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