quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

A finada Maria Russa, pode alguém ser o que não é?

Citando a canção de Sérgio Godinho
Senhora de preto 
diga o que lhe dói 
é dor ou saudade 
que o peito lhe rói 
o que tem, o que foi 
o que dói no peito? 
É que o meu homem partiu

Disse-me na praia 
frente ao paredão 
"tira a tua saia 
dá-me a tua mão 
o teu corpo, o teu mar 
teu andar, teu passo 
que vai sobre as ondas, vem"

Pode alguém ser quem não é? 
Pode alguém ser quem não é? 
Pode alguém ser quem não é?

Seja um bom agoiro 
ou seja um bom presságio 
sonhei com o choro 
de alguém num naufrágio 
não tenho confiança 
já cansa este esperar 
por uma carta em vão

"Por cá me governo" 
escreveu-me então 
"aqui é quase Inverno 
aí quase Verão 
mês d´Abril, águas mil 
no Brasil também tem 
noites de S. João e mar".

Pode alguém ser quem não é? 
Pode alguém ser quem não é? 
Pode alguém ser quem não é?

Mar a vir à praia 
frente ao paredão 
"tira a tua saia 
dá-me a tua mão 
o teu corpo, o teu mar 
teu andar, teu passo 
que vai sobre as ondas, vem"

Pode alguém ser livre 
se outro alguém não é 
a corda dum outro 
serve-me no pé 
nos dois punhos, nas mãos 
no pescoço, diz-me: 
Pode alguém ser quem não é?

Pode alguém ser quem não é? 
Pode alguém ser quem não é? 
Pode alguém ser quem não é?

Seja este agora o fatal narrar "pode alguém ser quem não é " ocorrida que foi a sua morte no intuito de esclarecer e aflorar realidades, sem qualquer intenção de achincalhar quem quer que seja, nem tão pouco causar melindres ou chocar com a verdade nua e crua, sabendo da possível susceptibilidade que este jeito frontal de dizer as coisas sem papas na língua desencadeia em mote ao relatar episódios efémeros, para uma maioria que a conheceu, mas para os visados jamais  inesquecíveis, quiçá de cariz imperdoável (?), sendo que tudo no tempo acaba por ser perdoado, por gente como eu, destituída de genes de ódio e de vingança, já de o falar, não me calo até que a voz me doa no sustentável elencar da vida que lhe conheci, para em génese repisar com legitimidade, a sua suposta profissão de atriz num palco recheado de acontecimentos nefastos para a minha família, e que a mim me afetaram e de que maneira, pelas atitudes negativas que se revelou sendo mulher impostora, aos olhos da minha ingenuidade, nos tenros e honestos 15 anos, na idade da minha inocência, da honra, e dos porquês, na tremenda dificuldade em entender o seu maquiavélico comportamento -, e no mesmo sejam outras pessoas na mesma relação em função da religiosidade católica, por se mostrarem assíduas beatas a caminho da Igreja, a tomar o Senhor, sempre de mão no peito, a rezar o Terço e com Deus na boca, de ar piedoso, estar púdico em plena  vivência de aparências na dualidade do dia a dia em pura farsa, sendo que por dentro se revelam de mau carater, egoístas, imbuídas de má índole, fé duvidosa, e pensar ardiloso no mirabolante presságio e conjecturas de espírito déspota, sempre de olho vivo e ligeiro no arquitetar  como passar a perna a outros a ser favor, atitudes que me deixaram assim ficar arredada na prática assídua de Deus, por achar este estar incompreensível e desumano em humanos... Porque afinal as aparências iludem, quem olha caras não conhece corações!
Prefaciando o pensamento de Benjamim Franklin "Quem abdica de uma liberdade essencial em troca de segurança temporária, não merece a liberdade nem a segurança", mesmo assim continuo frenética neste falar pedindo desculpa ao senhor padre-, por quem nutro grande estima, supostamente por a conhecer apenas nos seus últimos 30 anos de vida, na homilia da missa de corpo presente dedicou grande alocação à defunta, elogiando os seus dons; de boa mulher, prestativa e de muita fé, a senhora Maria-, ora a "Maria russa" assim o foi conhecida e carinhosamente chamada por quem a conhecia e com ela convivia , ao que se saiba jamais uma senhora (?) foi apenas uma mulher e de fraca estatura, parca escola, mas com anos de rodagem a ouvir conselhos ardis, perfil que adoptou após o casamento de cinco anos, em que denotou conduta sagaz em ludibriar com engenho e lábia, sendo certo que levou a água ao seu moinho, apesar de não ter tempo para moer a farinha toda, em virtude da morte precoce do meu avô em 72, causada pela alta pressão que lhe incutia a cada dia para lhe escriturar o remanescente dos seus bens, tamanhas arrelias que lhe infringiu e causou que o deixou fragilizado e amargurado-, homem que sabia que lhe tinha dado mais do que devia, não aguentou tanta dor e tortura de assédio, sendo atraiçoado por ataque cardíaco que lhe ditou a morte repentina. Supostamente esta mulher se revelou não ser de boa conduta, o que se fez constar, que não o foi durante muitos anos (?), no tempo que foi jovem e depois como criada de servir, porque uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa-, o que dirão as mulheres que são realmente senhoras?
Em primeira linha a casa onde nasceu o meu querido pai, e onde haviam de vir a falecer o seu irmão mais novo, o Chico sem ter completado 30 anos e a sua querida mãe, Piedade-, aconteceu em finais da década de 60, ficando viúvo o meu avó "Zé do Bairro", homem de trabalho, fosse na padaria ou na arte de pedreiro, dono de feitio agreste e rude, oposto ao do meu pai, por isso entre eles os atritos eram constantes, talvez porque o meu pai não se esquecesse da forte verdascada com a corda grossa e pesada, demolhada em água, na pia de laje na beira do poço, as vezes que o açoitou pelo dorso, e a minha mãe também trabalhava nos Correios, não podia tomar conta do sogro como merecia, estando fora de coagitação a  sua mudança para nossa casa, seria uma vivência quase impossível-, ponderados factos, em último reduto o meu pai sugere-lhe " a mulher que o pai arranjar não vai ser uma criada, o melhor seria o pai voltar a casar, para tentar ser feliz, já que parece não o foi com a minha mãe." Se mal ouviu o conselho melhor o concretizou até ao dia pelo entardecer nos apareceu na nossa casa trazendo aninhada debaixo do braço uma mulher muito mais nova, de baixa estatura de olhitos pequeninos esverdeados, abençoada de cabelos fulvos em farta trança atada à nuca, nada mais do que a empregada de muitos anos, na casa do Sr Morgado e da D. Maria Augusta, por isso a estupefata surpresa com a aleita (?), sendo fácil reparar que o meu avô se mostrava diferente, estaria realmente apaixonado? Para pouco tempo de novo voltar e na cozinha anunciar que se pretendia casar com a "Maria russa", questionando o meu pai se ele tinha alguma coisa a dizer que rápido lhe responde " o pai é que sabe, se ela aceita casar consigo é porque não quer continuar a ser criada, como o foi na casa do Morgado, por isso o pai dê-lhe a casa, porque não a quero, nela morreu o meu irmão e a minha mãe, e também lhe pode dar a fazenda do Ribeiro da Igreja, junto do cemitério, pelo mesmo motivo, nunca vou comer nada criado lá, só de me lembrar que estão ali ao pé sepultados", visivelmente espantado e satisfeito a ouvir as sugestões proferidas pelo filho, em se mostrar generoso ao se desfazer de bens que deveriam ser um dia seus e das suas filhas,  aceita com agrado a sugestão e lhe agradece tamanha generosidade, sobretudo por não haver desentendimentos entre eles. Casamento marcado, e o meu pai não mostrava vontade nem dava nenhuma importância à divisão dos bens que lhe couberam por morte de sua mãe, estando por isso mais atenta a minha mãe ao decidir em boa hora ir a casa dos sogros buscar alguns pertences; uma colcha em renda, quatro toalhas de rosto em linho, um lençol bordado, duas coberturas em crochet das arcas, duas almofadas com cravos bordados em ponto Castelo Branco, dois naperons em bordado Richelieu, um cálice em vidro e quatro chávenas de café-, as roupas tinham sido obra das mãos da minha querida avó Piedade, do seu enxoval, pois foi fina bordadeira, e as outras peças do pouco que restava da rasia de roubos praticados por tanta gente alheia a trabalhar ao dia na labuta daquela casa... Mas depressa o meu avô deu conta do desfalque, que não o sendo, porque era devido, mas sem o seu consentimento, resolve para não voltar a ser surpreendido mudar a fechadura, e de fonte segura se fez constar que levou o ouro da casa nesse tempo já metade do meu pai, para o entregar à confidente tia do Alto, para o guardar seguro, episódios  perpetrados pelo meu avô "Zé do Bairro" de conduta menos digna para com o seu único filho que magoado não  foi ao casamento, e solidária  a minha mãe também não, nem futura visita a casa, nem amizade, um total afastamento! 
No principio a vida de casado em segundas núpcias parecia correr de feição (?), carinhosamente o meu avô a tratava por "a minha russita" até que ela premeditadamente, ao que se fez constar supostamente aconselhada pelo antigo patrão (?), e isto ao tempo era pura sugestão, mas o ano passado, o próprio filho, o Porfírio, homem de coração puro e farto de não aceitar muita maldade que a mãe lhe infringiu nesta vida, desde que nasceu, quiçá por viver revoltada com o pai dele, por a ter desonrado, pelo abandono, e ainda por não o ter legitimado, sendo precisamente o filho, que sem culpa alguma , que não pediu para nascer o que muito também sofreu na pele as agruras da mãe (?), mais tarde muita vez lhe atirou à cara coisas que não devia, e até lhe chegou a alvitrar que deixava os seus bens a terceiros, por várias vezes, o ano passado em desabafos, acabou por me confidenciar que o meu avô foi para ele como se fosse pai e mãe juntos, mais do que a sua própria mãe sozinha, ainda que o obsequiou, até me disse que o ajudou a tirar a carta de condução e outras atitudes meritórias...quando o confrontei da mãe ter convencido o meu avô para ir a Alvaiázere fazer a escritura de "casa fechada" com os logradouros, para o meu pai não vir a herdar , sendo que não o poderia fazer em Ansião, por ao tempo ele trabalhar no Tribunal , seria fácil tomar conhecimento e ser contra-, logo me surpreende - não sabes quem a ensinou? Quem foi o mestre que lhe cantou missa e o sermão ? Não me digas que não desconfias, foi o Morgado...Foram precisos quase cinquenta anos para deslindar o mistério, que até aqui era meramente suposto!
O casal viveu cinco anos de vida em comum para tanto esta mulher arrecadar para si, sendo que nos últimos anos o meu avô se consciencializou que o casamento não foi o que tinha inicialmente pensado, porque esta mulher, segundo a sua versão, além de deixar de lhe fazer a comida, a salgava, e diariamente o instigava para ele lhe fazer a sua "folha de bens" recebida por morte da minha avó, e isto é tão verdade, que o ouvi da sua boca um dia nas minhas férias da Páscoa, quando frequentava o Colégio Salesiano no Monte Estoril no ano de 72-, pelo anoitecer o meu avô chega a nossa casa aflito e muito nervoso dizendo para o meu pai " Fernando amanhã vais comigo ao notário, quero fazer-te a minha folha, ela já não me faz a comida e o que faz é salgado, não há dia que não me assedie para lhe deixar o resto dos bens..." O meu pai que sempre se revelou em assuntos de heranças e dinheiros um "mãos largas" nunca lhe conferiu a importância devida-, agora o fato de não pensar nele, até compreendo que fosse néscio e desligado, mas não pensar no futuro das suas filhas, já não concordo, perante tais lamentos aflitivos tenta acalmá-lo fazendo-o chamar à razão "acalme-se pai , beba mais um copo, jante connosco, sobrou cozido com a vaca a saber a hortelã como você gosta, com o estômago confortado até vai mais calmo para casa descansar, e sobre os bens, não se apoquente, faça-lhe ver quem é o homem da casa, que recebeu de dote mais do que esperava, pelos vistos mais do que merecia, e afinal casou consigo só pelo dinheiro e pelos bens?...) teimando frisar que não valia a pena ir ao notário-, desalentado com a atitude do filho em não corresponder à sua solicitação na necessidade urgente de sentir o coração mais sossegado de seguir o seu instinto ( escutava a voz do além no aviso da anunciada morte, para o certo remendar)eis que o meu pai lhe abre a porta para ele se ir de embora, e adivinhem quem estava sentada no rebate? "A Maria russa" a ouvir a conversa...Uns dias depois o meu avô encontra a minha mãe e diz-lhe" Ricardina,  prejudiquei o meu Fernando, olha que há lá uma coisita que vocês não vão gostar..."
Regressei ao Colégio e ao meio da semana recebi a notícia que o avô tinha falecido de ataque cardíaco...No dizer do povo "Deus fez justiça pelas próprias mãos ", ao ver que o meu pai se mostrava palerma, sem discernir sobre direitos que deveriam ser seus, mas também das suas filhas-, e a madrasta não contente com a sorte grande que lhe caiu dos céus, na benesse do meu pai que não se opôs ao casório, ditando da sua boca a sentença para o pai lhe ofertar de mão beijada; a casa onde nasceu e uma fazenda, sendo que mais tarde o meu avô comprou outra, que também lhe deu metade, e ainda não contente com tudo isto, premedita fazer mais, sem que o meu pai o soubesse para não a impedir age por "portas e travessas" e conseguiu levar à certa o meu avô para lhe fazer escritura de casa fechada e seus logradouros ( a tal coisita que se queria referir à minha mãe) e como ainda era pouco (?) chamou para si todo o dinheiro da casa, que era naquele tempo muito, não sei onde seria o esconderijo, uma vez  na sala em cima da alta cómoda com dois bustos brancos estava o dicionário de Língua Portuguesa, que tinha sido do meu pai de capa vermelha, ao abri-lo reparei que entre as folhas finas de letras pequeninas haviam intervaladas notas de 100$00  de cor vermelha arroxeada, é óbvio que nesse tempo nem sabia o que era o dinheiro e a sua valia, nos anos 90 no Banco, chegou-se uma velhota com um maço de notas em desuso para trocar, ao ver uma igual logo me saltou a recordação. Além do ouro que havia , as fotografais de família e outros pertences, e ainda não satisfeita em plenitude pretendia surripiar a parte da herança de artigos rústicos-, revelou no mínimo a "Maria russa" ser dona de um carater de ganância, interesseiro, de olhar só para o seu umbigo, agindo de má fé, sem receio nem medo de roubar a herança do próprio filho do marido, apesar de ser mulher de fraca figura , ao jus do ditado "velhaca ou dançarina" e deste modo o foi para a minha família, uma velhaca e dançou a moda que quis dançar, até que pode, e no entanto quem olhasse para ela dizia de boca aberta  "não matava uma mosca, era muito boa mulher, uma pobre diabo, não fazia mal a ninguém, de síndrome apaziguadora... " seja este contraditório, o que me mais espanta em se ter revelado mulher assídua dos preceitos de Deus e da Igreja , coisa que na verdade na longa vida se fartou de mostrar em querer ser, quem sabe por grande arrependimento em desejar pagar em vida os pecados que cometeu e infringiu a outros?Supostamente remorsos do menos bem que direcionou à minha família, porque gente com Deus no coração, não pratica jamais assim tamanha maldade, por isso no tempo a necessidade em professar uma "assídua falsa fé a caminhar para a missa a bater com a mão no peito", no seu julgar sacudia as tramóias que praticara a gente de bem e que não o merecia, fazendo fé que o tempo tudo esquece e tudo apaga, e assim caísse no esquecimento parte do seu percurso de vida, na derradeira esperança de se sentir redimida de tanto pecado? Falsa hipocrisia!
Mas ainda maior questão foi em discernir o certo e justo, em relação aos logradouros. Inicialmente a casa e a padaria estavam implantadas num único prédio urbano, com serventia entre elas na vertical a mediar o poço, nada de enganar. Quando foi a herança por morte da minha avó, o meu avô ficou com a casa onde vivia, seguindo-se o segundo casamento fez a doação da casa de família à "Maria russa". Após a morte do meu avô, o meu pai herda o remanescente do artigo urbano onde está implantada a padaria. No registo da conservatória predial algo correu mal, sendo o artigo urbano único, por força da doação da casa, ocorrido que tinham sido 5 anos, cabia agora na herança do meu pai que este forçosamente tivesse sido dividido em dois, sendo atribuído a cada proprietário o registo do seu artigo urbano, mas não foi isso que aconteceu. Nem me atrevo a dizer se houve suposta corrupção, ignorância profissional, ou erro crasso, mas na verdade é que a minha família foi por esta lacuna grave , prejudicada. Só passados mais de 20 anos, quando a minha mãe procedeu a obras na padaria se deu conta de tal engano onde gastou mais de 100 contos para legalizar o prédio em seu nome ( na verdade a "Maria russa" poderia ter praticado neste espaço de tempo o usucapião e ter ficado com os dois prédios, sendo que o faria de má fé e seria perfeitamente deslindado e desmontado em Tribunal). Sendo óbvio que o logradouro a que tinha direito a "Maria russa" ( por ter convencido o meu avô a fazer a escritura de casa fechada e logradouros) seria o terreno no tardoz da casa doada, compreendido pela divisão da extrema comum aos dois prédios, a mediar o poço, mas na verdade, o que veio a acontecer é que ainda não satisfeita com a sua parte, reclamou o logradouro no tardoz da padaria, que era herança do meu pai, e que extremava com a Ti Elvira. A "Maria russa" conseguiu assim chamar a si o logradouro do meu pai ( e afinal agora entende-se a razão, o artigo não tinha sido dividido na conservatória, sendo único englobava todo o terreno-, erro grave que ao tempo o advogado que a minha mãe se aconselhou, por ser novo, não desmontou com garra e empenho, e o seria fácil se tivesse pedido uma certidão, coisa que qualquer cidadão comum enxerga, e ainda melhor se conhecer o local. A minha mãe ficou penalizada na defesa dos seus interesses, porque quem a devia representar não teve capacidade de valia, no exercício do seu dever e determinação em ganhar a causa, mostrando discernimento em demonstrar o potencial  em causa, seja a cabal defesa dos interesses de quem lhe pagou honorários e com isso se praticar a justiça, no justo atribuir a cada proprietário, o que realmente a cada um lhe cabia, ficando os dois com logradouros, e assim houve desigualdade, a padaria  no seu  tardoz, apesar de ter janelas, ficou CEGA e não o devia!
Morreu no domingo a Ti Maria Russa com 90 anos. Minha madrinha da Crisma na concordata de lhe chamar madrinha, sendo que o meu avô já era meu padrinho de batismo. Nunca me obsequiou rigorosamente com nenhuma lembrança, nem dinheiro, nada. As vezes que convivi com ela, não posso dizer mal, nem bem, durante anos a minha família e ela andou de candeias às avessas, até que o tempo tudo tenta esquecer, e assim nos últimos anos de novo voltou a pouca e sadia convivência, até parecia gostar de mim, e eu dela não posso dizer que não tinha alguma simpatia, mas na verdade tenho dificuldade no tempo em esquecer os meandros que  arquitetou para levar à certa o meu avô, e ainda por achar que  jamais dele ter gostado(?), antes viu nele o viúvo rico que podia almejar, sendo mulher de parca fortuna, de bens herdados apenas uns casebres de pedra onde nasceu na encosta do Ribeiro de Albarrol apesar de local soalheiro a olhar os Escampados, que lá me levaram um dia para conhecer, este casamento foi a sua tábua de salvação para se salvar da vida inglória por ter sido desonrada, seguida de abandono com um filho nos braços, para depois o povo dela ainda falar ter sido suposta criada para todo o serviço, em casa do Sr Morgado, e quando já se mostrava insuportável continuar com este estar(?) porque a esposa se ia reformar, e vinha a tempo inteiro para casa, estando o meu avô recentemente viúvo, seria a escolha do candidato certo, supostamente para pagar o que ficou por receber (?) e desta feita saldar dívidas, promovendo o casamento arranjado, na suposta sorte grande para os envolvidos-, seja a paga de préstimos de serviços de anos na ardil cilada ao homem incrédulo, emotivamente carente, de que ela bem ensinada se saldou bastante sortuda!
Obviamente que o meu avô foi usado e abusado, e disso só se deu conta antes da morte o surpreender  com um fulminante ataque de coração!
Mas também não me vou, sem falar  e sem dizer, que  muitos anos mais tarde pude constatar a  intervenção da "Maria russa" em casos de guerrilhas de vizinhos, em que apelava ao bom senso, em balançar as partes para não haver chatices e tudo se resolver a contento, e se mostrava prestativa em querer ajudar os outros, "vejam se precisam de alguma coisa, querem que vá buscar e,...também em dar conselhos de chás e mezinhas, sempre naquela vozinha pequenina, de mulher conciliadora...  seria esta mulher dona de duas personalidades distintas? Sei que gostava da conversa e de obsequiar, em dar o que não tinha, na sua casa às escondidas, surripiava de vez em quando uns ovitos da cesta, a única coisa nestes últimos anos que me deu por duas vezes...também consta que nesta vida supostamente sofreu "as passas do Algarve"... a meu ver deveria viver amargurada pelos males que praticou a outros , mas também por outros, que os praticavam à sua pessoa, ao eco do ditado popular "cá se fazem cá se pagam"...
Coisas que jamais aceitei? No dia do casamento constou-se que o meu avô lhe ofereceu o cordão em oiro que foi da minha avó, além dos brincos, da sua corrente do relógio e,... só que o cordão seria do meu pai, porque na casa haviam dois-, um para cada filho.O meu tio Chico antes de falecer na visita que lhe fiz com a minha irmã na nossa frente e da mãe, lhe pede o seu cordão, que ela lhe trás e o deposita nas mãos, e em ato imediato lavado em lágrimas ele o coloca nas minhas mãos dizendo, o tio não tem mais nada para vos deixar, minhas sobrinhas...nessa altura a avó diz para o filho," há outro cordão que é do teu irmão, Fernando". Ora se ele a queria presentear neste dia, dinheiro não lhe faltava para lhe comprar o que quer que fosse...agora doar o que não era dele, era da minha avó, é imperdoável!
O meu avô foi sepultado na campa comprada por ele  para a minha avó Piedade, até aqui tudo bem, só que a "Maria russa" mandou fazer uma campa em mármore quando ele faleceu e negligenciou o nome da minha avó ali sepultada , e ainda que ela foi a sua primeira esposa, sendo que ficou com bens dela, é mais outra coisa que também tenho dificuldade em aceitar! 
Na verdade na próxima visita ao cemitério para rever os meus avós paternos, o que vou na certeza ver é a campa onde ela está! E pode estar. Mas na verdade o certo era haver também  lápide com a menção da minha querida avó Piedade!
Não que reserve algum mal aos visados, sabendo que no tempo de casada jamais deu ponto sem nó, e quando lhe convinha não olhou a meios para atingir os fins, apesar de lhe terem feito a cabeça como proceder em conformidade, jamais esqueço as reais intenções que moveram estas pessoas a alcançar os seus fins , por isso a resenha tem o mérito em retratar a verdade que conheci e vivi, porque nem tudo nesta vida  parece o que realmente o é!
Fez-se constar que no seu velório houve um momento em que duas mulheres conversavam, perfeitamente normal este estar, também quando vou gosto de falar, até porque o velório não sendo uma festa, é um momento de encontro solidário na partilha da dor sentida pelas pessoas que se apresentam para prestar a última homenagem ao defunto, sendo natural que se converse, e ninguém fala alto, apenas murmúrios-, longe vai o tempo que um velório se mostrava grande pesadelo a ver gente carregada de preto de mãos elevadas aos céus em gritos e alvoroço, para depois irromper em choro estridente em volta do defunto prostrado na cama até que o caixão chegasse, cenário que conheci em miúda em casas despidas de bens e nuas de parcos haveres cobertos por xailes pretos, no contraste ao empréstimo das lamparinas de latão de azeite que alumiava de raios de luz, a única a brilhar naquele fatal ambiente medonho e pesado, e ainda debaixo da cama havia uma telha a defumar louro e alecrim, tudo se mostrava muito sombrio ...
Fez-se constar que no velório, a sua neta mandou calar de forma estridente, soando em alto e bom som,  um tremendo "CHIUUU, calem-se " deixando o séquito estupefacto e as mulheres atingidas, melindradas outro remédio não sentiram que sair porta fora...
Por volta da missa do sétimo dia soaram rumores, consta que não se sabe do paradeiro do suposto amealhar de décadas...especulou-se pelo Natal para atribuição da mensalidade do Lar em Penela, na entrega da declaração do seu património existente na Banca, ao que parece haveria pouco (?), daí resulto na atribuição de uma baixa mensalidade.Mas afinal onde estarão as suas poupanças de tantos anos? Sendo que o meu avô faleceu em 72, além do dinheiro da casa que era bastante ( empreiteiro do Sr Margarido de Santiago da Guarda, pedreiro e padeiro), se nesse tempo se acrescentar a alta rentabilidade dos juros, mais de 30% ao ano, e ainda a idade avançada a que chegou, contando com a sua reforma por invalidez, apesar de baixa, diabos me levem no suposto palpite seja mais um folhetim na vida desta mulher!
Dizem que presenteou os netos com ajudas, e custeou pequenas obras em casa, fora disso nada mais desembolsou...Nesta vida sempre houve gente cega e tenaz confiante ao ponto de tão cautelosa se revela sem cautelas!
O sítio certo para guardar o nosso dinheiro, será sempre em Instituições Financeiras, seja Bancos ou nos Correios, aplicado em operações sem risco, porque longe vai o tempo que se punha dentro de panelas de ferro, enroscado nos buracos das paredes de pedra, ou dentro do colchão, que ainda há gente que gosta de dormir em cima dele...será que o pó e a transpiração não dá fominha aos ácaros para atacar as notas ? 
Jamais confiar as economias nas mãos de terceiros, por mais abonatória que se mostre a sua salvaguarda e a confiança nessa pessoa, porque o nosso dinheiro nas mãos de amigos, vai torná-os em geral em nossos inimigos, mesmo em situações de limite, de caso pensado, quando se pretende esconder a vida privada aos demais, e nestes se inclui os familiares, mas também de terceiros, os trabalhadores das Instituições onde se fazem as aplicações, seja pela desconfiança, de ficarem a saber da existência do património, apesar do sigilo a que estão obrigados, mas que a iliteracia,  em terras pequenas fala mais alto...
Mas porque razão não se deve confiar o nosso dinheiro na mão de particulares?
Simples, a pessoa escolhida pode até ser honesta, mas no tempo será fácil tornar-se desonesta(?), pela imbecilidade acrescida do aforrador, que geralmente se perde no tempo, por não precisar do dinheiro, nunca lhe o exige, sendo que o facilitador pode eventualmente se vir a apoderar de parte ou o total do seu património...) . Mas como?
O facilitador supostamente aconselha ou pode aliciar(?) o aforrador para aplicar as economias no seu Banco, que  no tempo podia ser Correspondente, e das duas uma, o que se pode aventar ter ocorrido (?): em primeiro lugar a mediação correta seria agilizar junto da Instituição ou Correspondente, a forma de abrir uma conta em nome do aforrador ( por este se mostrar néscio, encontra no facilitador em quem confia para lhe tratar dos seus assuntos burocráticos, a quem vai entregando poupanças para depositar em seu nome ). Prática de procedimento correto; a abertura de uma conta em nome do aforrador, a tramitação bancária credetícia, se a morada de correspondência for da sua residência.
Mas há casos que o aforrador não quer que os familiares saibam, tão pouco desconfiem que tem altas poupanças? Bem, eventualmente há casos em que a morada de correspondência poderá ser outra, quiçá a do facilitador?Mas o que pode nestes casos acontecer?
Todo o cuidado é pouco com atitudes indevidas, quando alguém supostamente se serve da fragilidade de outro, que o sabe manobrar por ser cego de confiança na sua pessoa, ao ponto de piamente lhe entregar nas suas mãos economias, sem qualquer documento que o salve na vida e na morte, e o mesmo aos seus herdeiros. Supostamente a visada se revelou durante a longa vida abonada e de boa cabeça, detentora de um segredo, que sendo seu, o deveria ter transmitido aos seus (?) por ser a atitude certa que se deve tomar, mas oh fatal erro crasso, sendo que há viver e morrer, e o caixão não vai forrado a notas, mentalidade utópica de pura burrice a 100%, na deixa para os herdeiros enigmas difíceis de descobrir?!
Há casos que por motivos vários, um titular de uma conta "empresta" ou facilita a utilização da sua conta para suporte de poupanças, património de outro aforrista -, utilização legal indevida, porque as contas apenas devem suportar património do titular(s), meramente hipótese de cariz particular , só do conhecimento entre as partes, por isso aceitável mediante a causa(?) por o ato ser celebrado em compromisso de honra e boa fé, com documento a espelhar a situação, devidamente assinado por ambos, para se salvaguardarem, mas sobretudo salvaguarda, do aforrista, que usa uma conta sem ser sua, mas por empréstimo de outro.Sendo nesta prática aconselhável haver registo contabilístico feito pelo titular que "empresta a conta" em que especifique todas as entradas de numerário e o respetivo crédito de juros, com entrega de cópia ao aforrador, porque em caso de morte repentina, os herdeiros do titular da conta ao se habilitarem à herança, se não tiverem conhecimento que parte do património da conta não lhes é devido, mas sim parte integrante de uma terceira pessoa, que a foi aprovisionando durante um período de tempo, caso não esteja exarado esta determinação crucial " preto no branco" nem tão pouco tenha sido expressado verbalmente pelo facilitador, em como e porquê emprestou a conta para ser usada para suporte de poupanças de outro, antes da morte lhe bater à porta, seja em mote de se sentir aliviado, possa supostamente ser esta a verdade-, o cuidado em avisar os seus, mas o suposto aviso cair em saco roto, por dar com orelhas moucas(?), ninguém o sabe, saberá, por isso reina enquanto durar a especulação!
E muito menos do suposto cabal interesse seja o hipotético que se alevanta nestas questões melindrosas com meandros escuros, sendo pouco ou nada esclarecidos em vida, paira sobre eles a escuridão na suposta boa fé, em se acreditar que o património deixado pelo titular fazia parte da sua total herança, sendo que na verdade, assim a ser desmontada, não o seja -, deveras periclitante situação ambígua, se não houver qualquer documento que ateste esta provável veracidade (?).
Mas pior quando ocorrida a morte do facilitador e o aforrador não "levanta a lebre" no seu julgar estará convito que tudo no tempo foi bem feito , estando o seu património acautelado e seguro(?).
Seja alvitrar que a visada deixou testamento... o que não creio, já doações, isso sabia como fazer, então o meu avô não a presenteou com doações? Vai levar tempo, ou talvez não(?) até aparecer prova contundente da existência do seu património , e enquanto não sejam encontradas provas fatuais, será um Deus que nos acuda e o zunzum do boato, que se lhe acrescenta sempre um ponto... 
Sem querer precipitar o que se desconhece (?), é certo que situações deste género são insólitas no seio da vivência da família e amigos pelo mau estar, pelas dúvidas e insegurança (?), sendo que o luto se deve pautar em casa e em recato. Sendo que o certo é qualquer pessoa gostar de deixar tratado tudo em vida, sobretudo quando há tempo, o que havia a resolver e a falar, em ser dito e recalcado , porque infelizes nesta deixa é todo aquele que a morte apanha de fisgada, sem tempo algum para dizer o que quer que seja!
Deus queira que este assunto seja deslindado-, seja a deixa do feeling de aprendiz a inspetora, em repto final mais um episódio romanceado na vida desta mulher, em que a base basilar assentou não nos afetos, mas antes no dinheiro-, ao jus popular quem tudo quer tudo perde? Seja o fatal descrédito acreditar que se deixou ludibriar (?), possível ou impossível acreditar neste terrível vaticínio(?), no entanto acredito em gente capaz de indrominar outros com artes do diabo e lábia contundente que deixa a pensar qualquer um com dois dedos de testa, como grandes fortunas se consolidam, não pode ser apenas pela via do trabalho do dia a dia que gera poupança, pode-se especular no suposto aprovisionamento por vias ditas ilícitas...Eis que fatalmente me veio à laia, o Engº Sócrates, aos dias d'hoje também detentor de uma conta em seu nome supostamente com milhões na Suíça, disse à boca cheia numa entrevista na televisão que o dinheiro é do amigo...Pelos vistos é prática ainda corrente seja em gente letrada e iletrada!
Tento por breves segundos esquecer o mal infringido, e com a alma cheia de fé, deixo a última palavra - Paz à sua alma!

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