segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Senhor do Bonfim em Ansião na Quinta da Boa Vista

Vista da ponte da Cal em Além da Ponte, a olhar para poente, antes da requalificação do Nabão, onde se avista o sopé do costado da serra da Costa, sendo que confina na direita com a capela do Senhor do Bonfim, que na foto não é visível, capela inserida na antiga Quinta da Boa Vista, de cujo nome mais fiel ao local, outro não poderia ter!
Citando o Padre Manuel Ventura Pinho 
" A Capela do Senhor do Bonfim pertencia a uma casa rica e nobre, que já vinha do século XVI. Entretanto, na década de setenta do século XVII, o seu proprietário Rui Mendes de Abreu, não se sabe porquê, começou a assaltar casas e pessoas, espalhando o terror, quer nos domínios da vila, quer nos de Coimbra e arredores, não tendo sido fácil apanhá-lo e prendê-lo. Esses crimes arrastaram-no ao cadafalso, para tal expressamente levantado na Praça da Ribeira – em Lisboa – onde foi morto à ordem do Regente Dom Pedro II. A sentença de morte foi proferida pela Relação de Lisboa em 04-11-1679 e consumada dois dias depois. 
O seu corpo foi dividido por Tentúgal, Carapinheira, Montemor-o-Velho e Ansião, – segundo se pode ler em “Ansião Perspectiva Global de Arqueologia, História e Arte da Vila e do Concelho”, monografia escrita por José Eduardo Reis Coutinho. 
Executada a sentença, a sua casa, que habitava no Senhor do Bonfim, ficou praticamente abandonada e à mercê de predadores, saqueada e destruída, muita gente se aproveitou da muita riqueza que ali se encontrava."
O mesmo da quinta, que seria grande, digo eu!
Ruínas da casa nobre adossada à capela do Senhor do Bonfim

Capela do Senhor do Bonfim

" Esta Capela deve ter sido construída no século XVI (?) , pois é dessa altura a porta lateral de que ainda se conservam alguns elementos."
Na foto a porta oblíqua a norte , daria para entrar na capela sem precisar de ir à rua.
Fotos tiradas antes do restauro  pelo carnaval de 2011
A Imagem do Senhor do Bonfim é um Cristo crucificado na Cruz
"As imagens desta capela são recentes. A do padroeiro foi roubada há já muitos anos e nunca apareceu."
Sem dúvida que esta Imagem do Senhor do Bonfim, que mostro em baixo é do século XVII, tendo sido restaurada possivelmente pelo genro da estalajadeira, o Sr Inácio, em Lisboa, sendo que a pintura lhe retirou a patine do tempo e descaraterizou.
Supostamente poderá ser esta Imagem do Senhor do Bonfim a original da capela(?) Porque digo isto? Atendendo à raridade da Imagem atribuída a este Santo, em prol de outras mais comuns ao tempo na posse de igrejas e capelas. Jamais vi outra, sendo que até pode existir. E depois sabendo do saque que a casa e capela foram alvo, e o Bairro de Santo António, já então local estalajadeiro por volta de 1500 (?), sendo a sua capela de 1641, a probabilidade é grande! Mas até pode não ser, puro palpite!
Esta Imagem foi pertença da Estalagem da Ti Maria da Torre, no Bairro de Santo António, onde o povo se reunia em oração em dias de trovoada.
Outro dado interessante a relevar será a correlação do nome do orago da capela ao Senhor do Bonfim, com o fim trágico do dono da mesma-, sendo que foi morto, esquartejado, e o seu corpo dividido pelas terras que aterrorizou e saqueou.Ora aqui se alevanta outra questão-, onde teria o povo de Ansião enterrado os restos mortais, julgo um braço(?) que lhe coube do corpo deste homem mau, indesejado ?
Por certo não o quis no adro da sua igreja (?), o mais certo foi ter sido enterrado na sua quinta!
Sendo que a mesma deveria ser de grande dimensão, para dela tirar o rendimento para se manter com casa nobre e capela privada, assim a imagino a rondar a extrema com a estrada Real ou Coimbrã a nascente, e a sul na atual extrema da CUF, que em tempos de antanho extremava com a quinta do Vale Mosteiro, porque o povo falava dos arcos, que ligavam o Senhor do Bonfim ao Mosteiro, caídos com o terramoto, só não sabem se foi no de 1531 ou 1755 (?), o que não me parece plausível atestar este fato pelo desnível do terreno(?), no entanto sei que na frente da casa do Ti Parolo, um pouco mais à frente, havia no terreno uma presa com muitos arcos, um dia a cavar a terra lhe caiu um sobre um pé, e hoje nada existe...Sendo esta zona compreendida ao longo da estrada real a poente constituiu o primeiro burgo de Ansião, onde nasceram as primeiras quintas, dadas a casais para desbravar o terreno e constituir família em troca de povoar a terra, o que me parece ser possível algum fausto no casario de então com arcadas(?) que delas se perdeu o seu rasto, apenas ainda  três existentes, na ruína da casa onde se diz existiu um pequeno Mosteiro, onde também havia um portal gótico que conheci, havendo outro igual muito mais pequeno no tardoz da Misericórdia.
O mais provável é que os restos mortais do dono da quinta da Boa Vista, terem sido sepultados em terreno direito, onde viria a ser construída a fábrica CUF, precisamente no sítio da Fiandeira-, aquando da desmatação em 62/63 (?) onde foram precisamente aí encontradas ossadas, o que veio apimentar ainda mais o mito deste local na credencia da existência de "almas penadas", mas que gente com cérebro, aproveitou e bem este ensejo, para se livrar dum encarregado da fábrica, que andava sempre em ronda, até ao dia que uma empregada o assusta metendo-se às escondidas a costurar no escuro, assustado ao ouvir a trepidação da máquina sem ver vivalma, suou-lhe que seria uma velha, uma alma penada a costurar que no caso surtiu o efeito desejado, deixou amornar a ronda, sendo mais espaçada ... 
No século XX quem era o antigo dono da Quinta da Boa Vista ou parte dela?
Voltando a citar o Padre Manuel Ventura Pinho " A referida Quinta da Boa Vista , incluindo a Capela, estava na posse do Sr. Júlio Rodrigues conhecido pelo " Júlio do 29", residente na vila de Ansião, sendo que gentilmente a ofereceu à Corporação de Bombeiros e à igreja de Ansião, logo a seguir à revolução de 25 de Abril de 1974. A igreja possui escritura da doação, e já há muitos anos o Sr. Júlio me explicou o porquê de a dar a duas entidades. É que estávamos então num tempo revolucionário, sendo que ele pensava que dando apenas aos Bombeiros estes poderiam acabar, e a igreja essa não acabaria, por que não tinha acabado em nenhum país comunista."
Depois de ter sido doada aos Bombeiros e à igreja de Ansião foi restaurada, segundo os ditames de monsenhor Nunes Pereira, presidente da Comissão do Património Artístico da Diocese de Coimbra, e os Bombeiros depois do restauro fizeram uma festa anual em honra do Senhor do Bonfim."
Infraestruturas de apoio à festa; bar e mesas de laje sob a sombra do carvalhal cerquinho

Tive o privilégio de ter assistido à primeira festa no Senhor do Bonfim após o 25 de abril.Festejo grandioso com uma grande procissão da Matriz, sob um escaldante sol.Os terrenos circundantes à capela do Senhor do Bonfim tinham sido limpos onde se concentrou muita gente em redor dos convidados, a memória atraiçoa-me para o nome do cantador/tocador com a sua viola (Vicente da Câmara?).
O mesmo já não digo sobre a escritora de contos infantis e livros para adultos, a Odete de Saint Maurice, senhora bela que recordo bem, se fez acompanhar pelas netas pequenas; filhas do Maestro Vitorino de Almeida-, a Maria e Inês Medeiros, vestidas de blusa branca e saia azul às pregas. 
Possivelmente contou algum conto ou então veio beber estórias para escrever o seu livro " Almas Perdidas", nem sei de quem partiu o convite...Recordo de estar sentada numa manta de tear onde se saboreou o lanche que muitos levaram de casa ao abrigo da sombra de oliveiras e carvalhos, em sítio altaneiro, muito agradável. Lamentavelmente, foi festa de pouca dura, depressa acabaram com os festejos...

As vistas a nascente sobre Ansião
Local altaneiro em sítio privilegiado de boa vista, merecia ser mais estimado e porque não o rentabilizar?
Continua o Padre Manuel Ventura Pinho
"Atualmente carece de uma Comissão que a zele e conserve. A Capela do Senhor do Bonfim, na Quinta da Boa Vista está restaurada, embora faltando um ou outro pormenor. Este restauro foi feito pela Junta de Freguesia de Ansião, que há dois anos se ofereceu para tal, depois do Conselho Económico ter pedido licença à Direção dos Bombeiros Voluntários de Ansião, que partilha com a Igreja a propriedade da mesma."
Confesso que foi com espanto que soube da doação deste espaço, pertença da antiga Quinta da Boa Vista com a sua capela pelo donatário, o Sr Júlio Rodrigues. 
No mesmo pressuposto julgo aventar uma grande maioria do povo de Ansião, porque aquando do primeiro restauro da capela, após o 25 de abril, a festa começou com missa na Matriz a que assisti, sendo que o pároco deveria ter feito alusão na homilia a tão nobre gesto o de doar, e não o fazendo, apesar do certo o ser e justo seria assim falar, sobretudo invocar o mecenas, até para motivar outros, que não tendo descendência, ou por outro motivo maior, outra vontade ou grande riqueza, do mesmo modo procederem em prol do progresso da vila ( em detrimento do contínuo deixar bens a governantas, amantes e sobrinhos, que na maioria, em vida nada ou muito pouco lhes valeram em carinhos (?)...) mas ainda porque o Sr Júlio Rodrigues é homem com filhos, por isso em dobro lhe tiro o chapéu, por se mostrar homem de carater generoso!
Voltando a citar o Padre Manuel Ventura Pinho "Há uns 20 anos, propus à direcção dos Bombeiros a divisão mas eles acharam que dividir era estragar o que sempre esteve unido. Concordei e dei-lhes razão."
O que o parece certo era a capela do Senhor do Bonfim ser apenas pertença da igreja (?), mas aqui outro problema se levanta, por ser local ermo, não haver vizinhos, ao invés doutros Lugares, que por hábito há sempre alguém mais dedicado na obrigação de tomar conta da limpeza e preservação da capela, por isso a aceitação do lógico da decisão dos Bombeiros " dividir era estragar o que sempre esteve unido".
Embora no meu opinar jamais fazer sentido a concordância de um imóvel rústico com capela a duas entidades (?), por se mostrar difícil no tempo haver entendimento, mesmo um bem sendo de dois irmãos é difícil acordo, quanto mais de pessoas distintas ; seja na sua manutenção, limpeza do local e restauro da capela, ainda no caso de despesas imputadas, sendo parca ou nenhuma a receita, só em caso de festa com arraial, quando a há, o que fatalmente leva a que o espaço fique no esquecimento, e com isso o abandono do bem doado (?), porque assim o vimos durante décadas, mas também sendo a doação a ter apenas um destinatário, em abono da verdade dele poderá cuidar bem, menos bem e até nada fazer...Por isso é difícil contrabalançar com justiça!
Justo será o contrabalançar de que a comissão a zelar e conservar a capela e o espaço envolvente sejam elementos da cooperação de Bombeiros! Porque são voluntários, com homens e mulheres na cooperação.
 Interessante seria  a nova aposta dos Bombeiros em repensar em novas fontes de rendimento (?), a fazer fé em "horas mortas sem chamadas de emergência(?) ", o certo é haver escalas para vários serviços de polivalência para ocupar os seus homens, no meu singelo opinar.
Sabendo que o donatário tinha grande estima pela Associação Humanitária dos Bombeiros de Ansião e pela Igreja , por certo ponderou a doação.
O que aos dias d'hoje parece verosímil seria rentabilizar o espaço que se mostra em local privilegiado, a meia encosta com o Nabão aos pés na ponte Galiz, com grande potencial de oferta para a vila de Ansião, estando a dois passos do IC8. 
Desconheço a metragem do terreno doado, ainda assim sinto ser possível que as partes se deveriam envolver no interesse comum em se abrirem a ideias novas, no compromisso de obterem rendimento do imóvel doado, o que apraz pensar neste século XXI.
Neste meu falar alucinado, porque não apostar na reconstrução da casa outrora nobre, em open space, com apontamentos em pedra, que reportem ao viandante o seu fausto passado de ombreiras e nichos nas paredes, com capacidade para se alugar para eventos, festas e afins, tirando partido da capela para casamentos e batizados, e ainda a possibilidade de ser adoçada a um pequeno hotel, que tarda na vila, e faz imensa falta e criar um parque de estacionamento apropriado e outras infra estruturas de apoio. 
O troço de ligação à Costa, em terra batida, deveria ser alcatroado, no mesmo melhoramento seria interessante a Junta de Freguesia limpar a Lagoa do Castelo, por se revelar sítio emblemático que faz parte do passado de Ansião, atualmente assoreada, assim como os caminhos circundantes, que deveriam ter sinalética, para serem utilizados por caminheiros, atendendo ao local paisagístico de beleza incondicional, a lembrar a vegetação mediterrânica, crespa dada pelo carrasco, em local altaneiro de boas vistas salpicado pelo carvalho cerquinho e da sua convivência sadia  com o pinheiro bravo e manso-, sendo que as pinheiras de belas cúpulas, podiam apostar na exploração do pinhão. Costado da Costa, onde um dia se ergueu uma torre acastelada de vigia, dela apenas se sabe da sua existência pela toponímia, por onde passaram romanos, e em deleite mayor os amantes da fotografia podem descobrir apontamentos de rara beleza, sejam dados pelos raios do sol ao amanhecer ou ao entardecer, pela transparência das águas límpidas da lagoa (o que se espera sejam límpidas debruadas a junco e nenúfares), inserida na serra vestida de madressilva , loureiro, cogumelos e  medronhos, acordada pelo chilreio de pássaros pequenos e também de grandes que ecoam nos silêncios da natureza, também coelhos que fogem aos nossos pés por entre esqueletos de javali prostrados pelo chão, brancos em neve, em mil  momentos esbarra-se o olhar em belos exemplares de pedras esculpidas pela erosão, pelas filas brutais de muros de pedra seca, ou pelos caminhos em chão vestido de mil  formatos e tamanhos raros, por aqui aos pontapés, semeada com tufos de erva de Santa Maria!

Outra sugestão-, sendo a mancha de medronheiro por aqui interessante, se poderia pensar na  sua exploração, como produto endógeno, em destilaria própria, para escoamento do produto, uma fonte de rendimento; a bagaceira de medronho. No mesmo a apanha das pinhas do pinheiro manso, para se obter o pinhão, para venda na fábrica de Alcácer do Sal, a meu ver não há árvores suficientes  na região, para a instalação de uma fábrica, a curto prazo, mas quem sabe a longo prazo (?).
Todos os projetos aflorados poderiam candidatar-se a fundos comunitários. 
Porque também os Bombeiros poderiam pensar em apostar na  área florestal, na prestação de serviços remunerados a particulares; seja na manutenção, limpeza  de terrenos, poda de árvores e fazer queimadas.
Por fim porque os bombeiros estão habilitados a fazer escalada, poderiam prestar serviços de pinturas em prédios, pendurados por esticadores, em prol de andaimes, como já vi outros colegas bombeiros em Almada.  
Mas então o que faz falta neste imediato ?
Lápide com a menção da doação, mais que justo evocar o nome do donatário.  
Lápide com o nome da Quinta da Boa Vista, para quem passa saber a origem do local.
Reparação da calçada com grandes lombas,  na última vez que aqui passei fiquei sem tubo de escape, e não foram as almas penadas, nem acredito que existam!
" Citando o padre Manuel Ventura Pinho 
"Quando vim para cá, foi-me dito que muitas pessoas ainda tinham medo de histórias de almas penadas que tinham ouvido aos mais velhos. Segundo testemunhos, ainda no século passado algumas pessoas falavam de "medos" e “almas penadas” que, diziam, por ali pairavam.  Creio que a festa do Senhor do Bonfim veio sacralizar pouco a pouco aquele lugar."

No início de 70 a minha irmã com a sua grande amiga Elvira André do Escampado de S. Mateus, amantes das suas bicicletas percorriam cantos e recantos, sei apanharam um tremendo susto no Senhor do Bonfim...
Quem sabe se o verdadeiro motivo da doação se prende de fato com o mito das almas penadas? Poderá bem ser a do dono, o tal Rui Mendes de Abreu , homem de maus fígados, por aqui algures foi na sua quinta enterrado(?).
Em miúda recordo o episódio passado com o Rafael da Garriaza, que diziam andava sempre com o livro de S. Cipriano, a propósito da lenda do tesouro que se falava existir algures enterrado junto da Lagoa da Castelo na Costa, a poente do Senhor do Bonfim( quem sabe se ao tempo fazia parte da Quinta da Boa Vista, até me atrevo a dizer mais, também o Lugar da Boavista que fica  a um escasso quilómetro supostamente lhe advêm o nome da antiga quinta? Porque não há fumo sem fogo (?), pode com alguma certeza se falar em tesouro (?) ao se pensar que o dono assaltou e saqueou muita gente,  e algures na sua quinta o enterrou (?) junto da Lagoa, onde me parece passou a estrada romana, vinda do Vale de Boi, Pinheiro, Santana, Façalamir a caminho do Nabão para descer aos Mouchões, abaixo da ponte Galiz, e subir a encosta da Costa a poente do Senhor do Bonfim, onde há anos distingui algumas pedras armadas da antiga calçada(?) na frente da lagoa (dolina cársica) quase totalmente assoreada para seguir na frente pelos Escampados, o que  faz muito sentido assim pensar.
O Rafael que era boa pessoa, homem que o conheci bem, prestava trabalhos agrícolas para os meus pais.
Lenda da Lagoa do Castelo na Costa…
Longe vai o tempo que não se falava de outra coisa, o Rafael da Garriasa, convidou o Zé Serra do Escampado Belchior, para a caça do tesouro na Lagoa do Castelo. O Serra não foi na conversa, mal deixou os bois no curral foi-se deitar. O bom do Rafael embevecido ficou com a leitura do livro de S. Cipriano -, o preceito dizia para se chegar pela meia-noite, assim esteve a fazer tempo no café Chico do Fernando, ao Fundo da Rua, com os copos o certo foi dar com a “língua nos dentes” sobre a intenção em encontrar o tesouro " rezava haver arcas enterradas cheias d'oiro". Imagino o bom do Rafael a emborcar em fila copos de vinho, que dele gostava e muito, claro, fácil acreditar que deixou a voz do álcool bater na língua com os dentes, dizendo aos demais que estava a fazer tempo para à meia noite ir desenterrar um tesouro, na Lagoa do Castelo...O certo foi alguém curioso com o que dele ouvia o ter seguido, sem ele se aperceber até ao local , não sei se levava lanterna para se alumiar à chama do azeite, a bem dizer supostamente quem o seguiu levava na convição “ver para crer”…uma vez chegado ao local, o Rafael puxa da enxada que levava às costas e cheio de força angariada pelo vinho, irrompe em escavar até que ouve uma voz : ”Tiras tu, levo eu “ “ levas tu, tiro eu” “ ou tiras tu, mais eu?” Óbvio que o bom do Rafael homem destemido, sem medo, ali na escuridão responde afoito à voz : “Não, tiro só eu”!  Mal responde de forma egoísta nesse preciso instante começou a apanhar paulada de meia-noite, nitidamente  "borrado de medo" por achar que é obra das almas penadas que o atacaram pela audácia em roubar o tesouro, outro remédio não teve do que desatar em fuga a caminho do Escampado de S. Miguel, onde só pára na casa do tio do meu pai o António Valente, sem uma bota que a perdera pelo caminho, sendo tão medonho o seu estar, diziam, que ali pernoitou só saindo pela manhã...Já ia alta a manhã e o bom do Rafael sai do Escampado de S. Miguel de regresso a casa na Garriaza, seriam 11 horas, e às Almitas apareceram-lhe duas velas acesas uma de cada lado, se ainda estava assustado, mais ficou...depois disso nem queria que lhe falassem da lenda da Lagoa do Castelo, visivelmente com o corpo moído pela tareia que levou horas antes e, com o raiar do sol ainda alucinado?
Alguém sabe quem seria o homem que o surrou bem surrado?
Interessante relembrar o Conde Cosme III de Médicis que passou por Ansião em 1669, dez anos antes do dono da Quinta da Boa Vista ter sido morto, o que se pode especular ao tempo por onde entrou em Ansião, se pela ponte da Cal ou se na estrada Real, e ainda onde se posicionou  Baldi, que o acompanhou na comitiva, para a gravura do burgo de Anfian.
A resenha da crónica teve a finalidade em aglutinar a história, a que juntei a partilha de estórias, deste local emblemático, que me fascina desde sempre, dando azo ao meu gosto de opinar, no meu direto de cidadania, sem ofender quem quer que seja.
Augúrio teria sido sonhar que a herança da Quinta da Boa Vista coubesse em herança ao meu  pai, em prol da fazenda da Costa com 40.000 m2,  jamais teria permitido a doação,  e não é ser egoísta,  nem tão pouco desfraldar a mais valia dos seus destinatários, que bem a mereceram receber em graça -, mas antes pela adoração de idolatrar o Senhor do Bonfim, somente para mim...Lugar emblemático, idílico, romântico de cariz bucólico,  vestido de verde, solitário!

FONTES
Informação disponibilizada na página do facebook pelo padre Manuel Ventura Pinho
Algumas fotos google

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