sexta-feira, 1 de abril de 2016

Ansião em si é já um romance na voz de Renato Freire Da Paz !

Supremacia à muito instalada na partilha de conversas sobre as gentes e o património da terra adotiva-, Ansião, mui querida para ambos seja pelas raízes paternas -, da minha parte e de um grande amigo Renato Freire Da Paz , casado, vive em Leiria, estudou no Colégio Nun'Alvares em Tomar, uma referência no fausto ensino que a história havia de ditar como o melhor Colégio Masculino, cujo fundador foi distinta individualidade nascida neste concelho, na aldeia da Urjariça, freguesia do Alvorge-, o Dr. Raúl António Lopes, onde estudaram outras grandes personagens deste País, a destacar o Prof. Hermano Saraiva, com quem aprendi o gosto de olhar o património e o gosto nato de contar histórias, o Dr. Arnaut da Cumeeira, cognominado como o pai do Serviço Nacional de Saúde, antes do 25 de abril teve escritório em Ansião, enquanto estudante foi aqui neste Colégio também colega do meu pai, Fernando Rodrigues Valente, falecido aos 37 anos, sendo dos primeiros a deslocar-se a nossa casa para prestar sinceros pêsames.
Interessante a forma de escrever no seu nome "Da" em letra maiúscula, quando habitualmente se escreve em letra minúscula, revela já por si o real valor nobre que sente ao nome que lhe foi dado em graça ao jus de Deus e Diabo, nomes próprios, por isso devem ser escritos com a inicial maiúscula, sendo que habitualmente o diabo é escrito com letra minúscula, independentemente de que algumas pessoas pensem que Deus é divino e o Diabo não (?) .
Na foto abaixo dos finais da década de 60, inicio de 70, o meu pai faleceu em 72, o automóvel  camarário, carocha branco, só havia este carro, um Volkswagen conduzido pelo seu tio Artur Paz, à vez com o Presidente da Câmara, uma motorizada do Eduardo Rodrigues Valente ( tio da sua prima Anabela) para o serviço de aferição de balanças dos lagares e mercearias, um dumper amarelo para remoção de entulhos, um carrinho de mão conduzido pelo Sr . Carvalho da Sarzedela para recolha do lixo das ruas da vila para a lixeira no gaveto da Cerca com o  Ribeiro da Vide, e bicicletas não sei se as haveria (?)!

Pessoal afeto ao Tribunal de Ansião na década de 60
O meu pai, Fernando Rodrigues Valente na esquerda, atrás dele o "Armando Girafa" o Dr. Arnault de mãos nos bolsos na frente, ao lado vestido de gabardina, o Armando Veiga Cardoso (mãe descendente da Quinta das Lagoas), seguido do Sr. Procurador, e o Sr. Cascão veio a ser escrivão e o Juiz atrás deles-, estes 3 últimos todos gente vinda de fora.Supostamente acabada a audiência, bem sucedida atendendo ao entusiasmo...
 - Bem vinda cara nova amiga Maria Isabel Coimbra, suponho apelido de casamento por parte do marido?
Sim, o meu apelido de solteira é "Rodrigues Valente".
- Ao meu espaço que dedico essencialmente à amizade, arte, cultura, e imparcialidade no aspe(c)to político respeitando as convicções de cada um. Bem haja caríssima amiga pela sua amizade, está de parabéns, pelo belo trabalho que tem vindo a realizar no seu Blog. Há histórias que ficam só no segredo das mulheres. Os homens são menos fiéis nesse aspecto. Não conseguem ficar calados. Já as  mulheres são as fiéis guardiãs dos segredos de seus amores e desamores e são tão fiéis como São Lourenço, o primeiro Santo padroeiro de Ansião.
O Renato no seu melhor, homem abençoado de escrita escorreita, sempre a fascinar, a surpreender, a derreter histórias com estória, para quando sai um romance? Nos seus interregnos sem alunos, suponho lhe dêem muito trabalho atendendo às imensas dificuldades que se vivem hoje no seio das famílias, e também da falta de educação e princípios, atualmente uma maioria é disso expoente máximo, ainda assim haja sobeja de tempo, para a meu ver poder dar corda aos sapatos, digo dedos, porque tem "panos para mangas" factos verídicos na sua família não lhe faltam a que pode acrescentar outros, seja por proximidade ou coincidência ou o que a imaginação na hora fantasiar.
 - O romance histórico que prometi ainda não tive tempo para o continuar. Comecei algumas páginas com passagem pela estalagem de Ansião onde dormiu uma personagem misteriosa estrangeira , sendo servido pela estalajadeira, e mais não conto...antigamente havia muitos romances, verdadeiros romances e tragédias amorosas, muitos mais escondidos que atualmente. Filhos de cavalheiros ilustres e também dos que eram perseguidos pela Inquisição. O perigo era real tal como a fogueira da Santa Inquisição como sabe, mas primeiro vou concluir a 2ª edição da Monografia dos Milagres, que já tenho em mãos. No entanto a vida revelou-me surpresas que mostra que a morte não existe. É apenas uma passagem. Para a outra margem. É como dar à luz. De repente. Acredito nos Anjos e Arcanjos, e admito como muito provável a existência de muitas vidas passadas e futuras, para cada um de nós. Será como uma peça de Teatro, o mais íntimo não muda. Só muda o vestuário!
Caríssimo Renato deixou-me completamente extasiada. Vejo que é homem de cultura enciclopédica, sensível e um romântico sonhador, não deixa de ser curioso é que não sendo eu historiadora, apenas aspirante e apaixonada pelo passado, nomeadamente da nossa amada Ansião, na  predileção ao apego da escrita descritiva, mas simplista, ainda assim se possa revelar de cariz crítico, mas sempre construtivo, no dever de exercer o meu direito de cidadania, quiçá possa a ser especulativo para outros, os verdadeiros historiadores, na sorte de gerar interesse desenvolverem temas esquecidos da nossa terra em monografias, se acaso nisso tiverem interesse, ou no mesmo interesse o de reviver memórias de locais e de pessoas, e até se divertirem com o inusitado de algumas temáticas das cronicas. A vontade em narrar memórias  e coisas que eu gosto nasceu na ideia de mais tarde as voltar a reler seja em  fase de vida já velhinha, na fervente vontade de me voltar a surpreender e apaixonar novamente nesse recordar de fatos e vivências  que de algum modo me preencheram nesta vida , aliada a outra grande paixão, a fotografia, que nas gavetas se foram perdendo na casa dos meus pais, agora armazenadas no computador, também já perdi imensas, imagine que a minha mãe rasgou várias, por achar que não estava bonita...
 - Também cheguei a fazer o mesmo, rasguei uma das minhas melhores fotos tiradas pelo meu tio Jaime Paz, no caso ainda em bebé com a piloca à mostra. Os meus pais ficaram muito decepcionados quando viram a foto rasgada. Coisas de adolescentes.
Pois assim é na adolescência todos de uma forma ou de outra fazemos coisas menos dignas que mais tarde nos arrependemos, felizmente fomos crescendo de mente mais aberta e curiosa, uma vantagem.
Voltando a si, sei que a sua mãe era de família abastada, os pais tinham um solar, foi a minha mãe que me contou, mas nada mais.
 - A minha mãe teve uma educação esmerada, Maria de Lourdes De Sousa Vasconcelos Correia, contudo a minha avó foi uma mãos dadas para a família, incluindo a irmã que veio sem nada de Angola.
Eu fui um perdulário. Podia ter aproveitado a oportunidade quando me disseram que precisavam de docentes de Geografia na Universidade de Coimbra, ao chegar com bom currículo de Universidade Parisiense. Os tempos do amor e da cabana, como diz o José Cid, fizeram-me perder essa rica oportunidade, como me disseram um dia. As grandes oportunidades passam-nos ao lado muito poucas vezes na vida. Se as aproveitarmos nessa altura conquistaremos um lugar brilhante. Ainda assim, estou feliz porque encontrei o amor da minha vida e não mais o larguei. Trabalho no Mega Agrupamento de Escolas de Cister, gosto da profissão, embora seja imensamente trabalhosa atualmente, por causa de alunos em situações muito difíceis em termos familiares. Vivi uma infância e adolescência muito feliz, e prolonguei essa felicidade até aos dias de hoje romanceando a vida com arte que Deus me deu. O currículo ninguém mo tira e as histórias mais engraçadas vividas por mim que costumo contar à família e amigos.Tive sempre uma estrelinha a livrar-me das imensas aflições de uma vida aventureira.
Foi um gosto saber o seu percurso de vida que me soou a  poesia ao sabor conventual dado pelo nome da sua Escola, Cister. Pois tenho visto fotos da sua participação em Feiras Medievais , onde se revela um autentico cavaleiro real, a lembrar outro conterrâneo, o bom amigo o João Patrício de Lisboinha, seu colega, Professor de História em Tomar.
Vou contar-lhe uma mania no gosto de romancear olhando à tendência do signo do indigitado.
- Não estou virado para o campo da astrologia atualmente. Essa foi uma fase que teve o seu tempo e já passou. O meu signo é virgem, conversei com os melhores astrólogos portugueses.
O meu horóscopo completo elaborado por Paulo Cardoso

 - Sol em virgem: Lua em peixes, Mercúrio em balança, Vénus em escorpião, Marte em capricórnio, Júpiter em caranguejo, Saturno em escorpião, Urano em caranguejo, Neptuno em balança e Plutão em leão. Cabeça do dragão e Roda da fortuna em capricórnio, o resto são as casas e os aspetos, muito complicada a interpretação.
Comungo o que sente " na atualidade não estou virado para o campo da astrologia".
Não deixa de ser incrível, analisando o zodiacal, o signo virgem pertence às pessoas mais inteligentes, de cariz cavalheiresco, pensador, pacato aprecia as coisas boas da vida, um bom homem de família .
 - Não está enganada querida amiga. Há coisas, fa(c)tos e semelhanças impressionantes que lhe contarei mais adiante...
  - E o seu signo já agora?
Touro.
 - Ótima na cozinha e amante da natureza e das coisas belas. Era o signo da minha avó materna.
Sim, amo o belo no seu esplendor, seja no masculino, feminino ou no abstrato, adoro a natureza, as pedras, o sol e o mar, de fazer o que me dá na realgana, mas sempre de pés bem assentes na terra.
 -Sim é isso mesmo, é um signo regido pela terra. A feira do pinhão está perto e vou lá.
Não vou, o tempo não convida, também porque de vez em quando faço umas feiras de velharias.
 - Gosto muito de ir a essas feiras e olhar tudo com muita atenção. Sou um colecionador nato de coisas antigas, que adoro e fui colecionando há mais de 30 anos, um bom passatempo sem dúvida.
Adoro em particular a faiança portuguesa, nomeadamente a de Coimbra, da minha terra.
A minha magia pelos relógios antigos
A minha favorita-, a faiança "ratinha" de Coimbra, grosseira  de pincelada em cores fortes, revela gente pobre, de coração alegre e afetuoso, seja este argumento a deixa radiante quando me perco no seu olhar... Em especial mostro uma pequena palangana falante, ligada aos afetos. Vendi-a a um Dr. diplomado, simpatiquíssimo, ainda me distinguiu com dois dedos de conversa  sobre a sua vida boémia, impossível não romancear em cronica, ao sabor dos rebuçados de ovo de Portalegre...
A mim as feiras dão-me prazer também pela partilha do conhecimento e também porque adoro conversar, por hábito faço pelo menos uma feira por semana  na certeza de descobrir algo que me fascine e perturbe o olhar, e quando a posso comprar fico delirante... 
Faiança de Coimbra
O sitio da casa de fotografia Paz
Como a conheci na foto da esquerda para a direita de paredes meias com a casa do Sr. Franco com terminal em pedra e a casa dos "Vinte e Nove".Casa de fachada estreita com frontaria para a Praça do Município de paredes  com  duas janelas de guilhotina na frontaria e no r/c uma montra e duas portas onde não faltava o bacalhau pendurado à laia de chamar a freguesia....
Postais antigos de Ansião do espólio do meu primo Afonso Lucas
 
 
Hoje a casa que foi do Sr. Franco e a da Casa de fotografia Paz são respetivamente a pastelaria Diogo e o Manjar do Diogo remodelada  com duas portas, duas janelas a que acrescentaram duas mansardas.
 
Já a conheci como loja de retratos de Jaime Paz, onde tanta vez entrei... também para comprar o 1º de janeiro ao domingo que estava em cima de uma cadeira à porta. Recordo o Sr. Adrianito da Praça e a Ilda.

Citar excerto  do neto Renato Paz
Manuel Freire dos Santos...

"A arte da fotografia chegou a Ansião através do pai da minha avó, o Manuel Freire dos Santos, originário de São Tiago da Guarda, filho de Florêncio Freire dos Santos que foi Governador do Concelho de Ansião, no tempos da monarquia. O meu bisavô foi ilustre Juiz de Paz no tempo da Monarquia, mas também barbeiro e fotógrafo. Tenho documentos que atestam como o Diário de Governo com a sua nomeação, fruto da minha investigação. Esteve alguns anos no Brasil trazendo algum dinheiro para fazer um lindo casamento da filha Maria da Conceição, a minha avó.
Montou a casa de fotografia "Santos" no final do séc. XIX que funcionou até aos anos 30 do século XX.  Mais tarde foi mercearia, e também casa da Fotografia "Paz" no tempo do meu avô Adriano Freire da Paz, (a quem as gentes chamava Adrianito da praça) viria a dar-lhe continuidade o seu filho Adolfo, e por fim o Jaime..."
Foto de família 
Renato a minha mãe contou-me que  no tempo que a tia Maria da Luz, carinhosamente chamada por Titi, quando namorava com o  seu tio António, a que chamávamos Tonito, já trabalhava nos Correios e era quem pagava o táxi no dia  15 de agosto à sua família para irem à Festa de Nossa Senhora das Neves em Pousaflores ( é do seu conhecimento como eles eram muito forretas) o que ditava a fúria na minha avó materna Maria da Luz da Moita Redonda, que não via com bons olhos este casório. Segundo a minha mãe depois da missa e procissão se dirigiam todos  para a Chousa, onde escolhiam o terrado debaixo de uma boa copa de um frondoso carvalho alvarinho, e se instalavam em cima de mantas de tear a degustar o fausto piquenique, aqui se comia leitoa,  e não leitão como é uso se chamar, que o meu avô  Zé Lucas da Moita Redonda mandava assar no forno pelos criados, e ornamentava o tabuleiro da fogaça que depois arrematava no leilão à voz do pregoeiro, nada mais que a sua oferenda à Igreja.
Na foto a Titi (Maria Augusta a irmã mais velha da minha mãe) casada com António Paz, os irmãos  Adolfo e Ilídio, falta o Artur e o Jaime tirou a foto, os pais  sentados e ainda a minha tia Clotilde, irmã da Titi.
Festa de Pousaflores de Nossa Senhora das Neves
Foto do álbum da minha mãe tirada no dia da Festa do 15 de agosto em Pousaflores, pelo fotografo amador da Serrada da Mata  conhecido por " Artur da Corga", retratista, tirava fotos nas festas e na feira dos Cabaços. A minha mãe Ricardina pequenita junto do tabuleiro, a fogaça, com os irmãos-, Alberto Lucas, Clotilde, Rosária e a Titi de chapéu, ao tempo estudante em Coimbra, estando o Carlos mais afastado do lado esquerdo de chapéu a tirar a mão do bolso.

A beleza criativa dos arcos
Citar excerto saudoso do Renato Paz...
 "A casa dos meus avós, apesar de pequenina, tinha várias divisões e era maravilhosa. Tinha um sótão, uma lareira, janelas em guilhotina, um espelho «mágico» dizia a minha mãe que fazia as pessoas mais bonitas e eu confirmo porque me lembro. Dois lances de escadas em madeira um terraço, um pombal, uma varanda virada para as traseiras. E tudo o vento levou..."

Das minhas recordações da casa e da família ouvidas da boca da minha mãe no serão da meia noite no correio velho, porque a Titi a sua irmã mais velha era casada com o "Tonito Paz", um dos filhos do Adrianito Paz.Contava a minha mãe " As escadas muito lavadinhas com passadeira feita das sacas de serapilheira , ao cimo havia um hall com uma grande talha cerâmica que todos os dias era cheia de água da fonte do largo do correio pela Lucinda, que a trazia num cântaro de barro -,cachopa que não gostava de fazer recados... por isso tinha a alcunha " de torta" a sua irmã Celesteera de melhor feitio...
A Ilda, irmã do Adrianito, cuidava da casa com muito esmero por doença da cunhada Maria da Conceição. Muito poupada, aviava-se da mercearia onde os fregueses tinham caderneta para apontar a despesa como a minha Titi. A casa no tardoz tinha uma varanda típica com arcadas de vidros. Ao lado direito uma pequena e castiça cozinha com lareira e mesa comprida onde todos comiam. Do outro lado os quartos. As janelas engalanadas com cortinas em verde clarinho. A Ilda confecionava muito bem a comida, fazia a sopa muito bem feita, e as pataniscas de bacalhau eram uma delícia.
No tardoz no r/c havia um esconso de terreno que diziam ser pertença do Sr Franco, nada mais do que a pocilga onde se criava o porco e onde era a estrumeira da retrete de madeira...
Quase em final de vida as cortinas das janelas de guilhotina na frontaria foram oferta da minha mãe, eram transparentes com bolinhas cerradas...morreu a casa com elas! 
Era gente trabalhadora e de afectos, vejam-se os diminutivos dos filhos ( Tonito, Adolfito, Arturito,o Ilídio e o Jaime-, não sei se os tinham, porque o pai era Adrianito ).
Nesta casa se matou a fome a muitos graças à poupança e criatividade da Ilda .
Um ano a Ilda pergunta ao irmão " Oh Adrianito vêem ai o Carnaval nós comíamos um bocadito de cabrito?". 
- Ele levanta-se da mesa e responde-lhe -, pois claro!
Passam-se dias e nada dele lhe dar dinheiro até que ela volta a insistir
- Responde-lhe o mesmo "Pois claro"!
Chega-se o dia de quarta feira gorda como de costume apresenta sopa e pataniscas com arroz de tomate...
- Levanta-se ele e diz-lhe" Oh Ilda então e o cabrito?"
Responde-lhe ela "atão não abriste os cordões à bolsa..." 

O diário de 1897 do seu bisavô Manuel Freire dos Santos

Parece que nos conhecemos desde sempre, tamanha a cumplicidade, por altura do seu aniversário escrevi que era o mais  inteligente, cavalheiro, pensador, pacato e homem da família do Zodíaco!
No imediato me responde...
-"Não está enganada querida amiga. Há coisas, fa(c)tos e semelhanças impressionantes! 
Recebi como prenda, das mãos do meu tio Artur um diário do meu bisavô e naquele momento fiquei siderado!
Eu havia visualizado aquele diário com um círculo branco assinado, nas suas capas, num sonho, antes do receber."
O Renato é homem bafejado pela boa fortuna, em si recaiu a escolha do seu tio Artur, entre outros familiares e até da própria filha Anabela, para lhe deixar tão grande legado recebido de herança, o que revela sentir por si grande admiração e estima, a que me atrevo a acrescentar -, o filho homem, que também gostaria de ter tido, porque em si sentia a cumplicidade das histórias da família e do gosto pelo património, por isso lhe contou confidências, lhe mostrou a calçada romana na Constantina ,o poço com túnel ao Vale Mosteiro e,..

Questionei o Renato Paz sobre o apelido Santos do Bisavô e o apelido Paz do Avô

"Do lado do meu avô, o Adriano Freire da Paz, veio o Paz com o Freire. 
 Dizendo-me o meu pai que a tradição oral da família era que o Freire da Paz já vinha de muito longe.
Vai daí dei comigo a pesquisar no arquivo distrital até onde ia o Freire da Paz, cheguei a Laureana Freire da Paz baptizada a 5.06.1692, e falecida em 1722, muito jovem, com 33 anos. Casou com Diogo Dias.
Daí até hoje houve sete homens até ao meu pai na linha dos Freires da Paz e por esse motivo não se perdeu o Paz. O seu pai era Manuel João que teve como testemunhos de casamento (9.9.1691)António de São Bento Freire irmão do Doutor Manuel Paz e João de Barros casado com Isabel da Paz.
Aí estará a razão, provavelmente, da menina Laureana ter adquirido logo a seguir, no ano seguinte, o apelido Paz que não veio, creio eu diretamente do pai, a menos que lhe tenham abreviado o nome, como era normal nos registos a essa época, no reinado de D. João IV se não estou em erro.
Relembro que é nesse reinado a coroação de Santa Maria, Nossa Senhora da Conceição a 8 de Dezembro de 1640."

Espólio de Renato Paz
Interessantíssima foto pela riqueza dos trajes à época: uso do barrete preto fabricado em Castanheira de Pêra, chapéus de aba larga, atrás do estandarte homem  rico pelo uso do borsalino, uns e outros vestidos de coletes, calçam botas altas e curtas, na mesma o tamanho dos casacos, o rico de sobretudo e outros o usam curtos e medianos de virados estreitos, outros largos a rivalizar os demais e um com faixa à cintura traçado por corrente d'oiro e relógio.
Também nos mostra a primitiva calçada portuguesa de pedra irregular  branca e escura que vestia o chão das ruas da vila, e dela parte ainda me lembro, o que é nota interessante é saber que o calceteiro que a fez  nascido na 1ª Casa da Câmara sediada ao Bairro de Santo António, de seu nome António Freire da Paz, alcunha "António Pataco", seja suposto dizer que lhe foi posta por ter herdado moedas de pataco do pai...

  - Foto tirada pelo meu bisavô Manuel Freire dos Santos, no dia da festa da padroeira de Ansião - Nossa Senhora da Conceição, a 8 de Dezembro de 1902. A minha avó tinha dois irmãos: ao estandarte da bandeira da Senhora da Conceição de Ansião nesse ano o seu irmão, o Alfredo Freire dos Santos e a lançar um foguete o outro irmão vestido de barrete, o Emídio Freire dos Santos . O Alfredo teve má sorte, faleceu com 29 anos com doença trazida do Brasil e foi para a Sarzedela de onde era a sua esposa, deixou 3 filhos, a Laurinda que não chegou a casar ficou em Santos no Brasil, veio cá uma vez e se ajoelhou a chorar no quintal, onde o meu avô tinha um belíssimo cenário para as fotos. Ela chorou copiosamente pois lembrou-se de seu irmãozito que ali ficara para sempre caído no poço ao espreitar. A outra sua irmã , a Gracinda que gerou a Helena, veio a casar com o Saul que exploraram o restaurante no gaveto com a estrada para o cemitério.
No meu julgar, a Gracinda, a mãe da Helena morou em Santana, uma aldeia sediada no caminho da via romana no limite da primeira propriedade que atesta o nome de Ansião, de seu nome Façalamir. 
Aldeia de Santana , plantada à janela aberta da casa que eu penso (pensava) ser da Gracinda(?) , a cúpula do forno cravada de telhos mouriscos onde acredito se cozeu muita broa.

Santana aldeia de Ansião no seio de Façalamim
 
 - Olhando a foto estou farto de tentar saber quem é o senhor da casacão com a mão sobre o ombro do irmão da minha avó Maria da Conceição que casou na Sarzedela, e veio do Brasil já defunto, muito novo com apenas 34 anos. Se eu descobrisse a lista dos governadores do Conselho era mais fácil.
Emigrou muita gente em finais do século XIX e início do XX para o Brasil . 
-Já dei voltas e mais voltas e ainda não consegui identificar esse senhor do casacão. Já a mostrei aos descendentes da Quinta que existe à saída de Ansião, a caminho da Sarzedela, disseram-me que não o reconheciam como familiar. Está a ver qual é a Quinta? Com capela tem ,ou teve,  um restaurante? Reparou nas semelhanças entre o Alfredo e o aristocrata?
A Quinta das Lagoas, em relação à parecença, podem ser familiares pelo apelido "Santos" e ser o pai do poeta Políbio Gomes dos Santos, que era vizinho. 
Não encontrei o pedido de passaporte do seu bisavô Manuel Freire dos Santos, na expetativa de ver a aldeia onde nasceu e o ano de nascimento, apenas encontrei o pedido de Passaporte do filho 
Alfredo Freire dos Santos 1908-03-26  Idade: 24 anos
Filiação: Manuel Freire dos Santos / Maria do Carmo
Naturalidade: Ansião - Residência: Ansião

Destino: Santos / Brasil - Observações: Escreve
Também encontrei o pedido de passaporte do irmão Alberto Freire da Paz
1909-01-18 , idade de 22 anos
Filiação: António Freire da Paz / Isidória Augusta
Naturalidade: Bairro de Santo António / Ansião
Residência: Ansião
Destino: Santos / Brasil
Observações: Acompanhado de sua mulher.
Escreve

Na foto acima o Sr. atrás do estandarte
- Ainda não descodifiquei o personagem atrás do estandarte de Nossa Senhora da Conceição vestido de sobretudo e chapéu.De boa figura.
Acho a nítida sensação da muita semelhança, a  João Gomes dos Santos, pai do poeta Políbio a juntar que vivia ali tão perto, envolvido socialmente e pela forma como usa o borsalino, o filho na mesma assim o viria a usar de soberba elegância, e o uso de bigode.
Polibio Gomes dos Santos


                                                    
Os pais do poeta Políbio Gomes dos Santos de Ansião.Pode ser uma pista!
Contraste das fotos
Ou o médico o Dr Domingos Botelho de Queiroz 
Nesta altura estava no auge com a construção do novo hospital da Misericórdia de Ansião.
No meu tempo chamava-se à casa - a casa do fotografo Jaime Paz... 
Entrar à porta dava-me arrepios pela parede defronte do balcão corrido forrada a fotos de todos os tamanhos a preto e branco com uma em destaque pelo olhar amedrontado e boca aberta com lenço branco atado em jeito de laço aos queixos, na sua frente homem de turquês em punho para lhe arrancar um dente...obviamente naquele tempo acreditava que os dentes eram assim arrancados...
Muito mais tarde percebi que a pequenita era a minha prima Isabelinha Paz, neta do fotografo...
As vezes que lá fui para tirar retratos para enviar para as tias em Luanda;do primeiro bilhete de identidade; do primeiro cartão de saúde em 1967 do Ministério da Justiça e, …o Jaime Paz dava volta ao balcão, encostava a porta ia connosco a pé até ao estúdio - não era mais do que um barracão de costas para a estrada e alpendre de telha vã virado a norte a seguir à casa do Dr. Mota. 
Cenário fotográfico em chão de terra, nele restos de palha engalanavam as películas… quando se iam buscar as fotografias a preto e branco,fazia-lhe na nossa frente rendinhas a branco a toda a volta com a guilhotina que descansava no canto do balcão. 
Quando a casa de fotografia "Paz" foi vendida ...por entre os escombros o meu primo Afonso Lucas retirou muitas películas de fotografias antigas que seguramente se perderiam para sempre. Homem apaixonado desde cedo pela arte da fotografia, cuidadosamente as foi revelando uma a uma criando um manancial com centenas de fotos que podem ser apreciadas num computador exposto numa das montras da sua loja. Ricos testemunhos das gentes da nossa terra, dum passado e cultura de trajes, uso de bigodes, chapéus e meninas de laçarotes na cabeça nas fotos de família. Tão precioso espólio fotográfico do Afonso Lucas a juntar com o do bisneto da primeira casa de fotografia "Santos" em Ansião -, o Renato Paz -, estas fotos e outras recuperadas deveriam em tempo útil fazer parte de uma ala do Museu a criar o que muito dignificaria Ansião, onde a menção dos seus nomes seria destaque mayor pelo discernimento de terem feito tal recolha e preservação.O meu primo Afonso Lucas por certo pensou na cultura aprendida no seminário da Figueira da Foz quando por lá andou…Também o Renato Paz puxou-lhe o saudosismo da fotografia e gosto no teimar ficar com recordações da família , bens de alto valor creditício, que muito poderiam vir a enriquecer qualquer Museu que se prestem fazer nesta nossa vida em Ansião!
Para quando um Museu em Ancião?

Citar e-mail do Renato Paz ...
"O Museu era uma ótima ideia. Perderam-se muitos negativos. Ainda salvei uma arca de chapa cheia de negativos em vidro, a maior parte deles já estragados pela humidade. Revelei alguns, melhor acondicionados num velho fotógrafo de Leiria. Há uma foto que tenho que elegi como a jóia da coroa. Ampliei-a para o formato 1000cm x 500cm de área. Não descobri ainda quem é a ilustre, pelo porte aristocrático da personagem principal central ao lado do irmão da minha avó."

Citar outro amigo Henrique Dias... 
"esses espólios deveriam ser preservados, pois são de uma riqueza extraordinária para o estudo da história local.Os museus, bibliotecas ou arquivos municipais deveriam ter um papel mais ativo neste campo. A Biblioteca de Figueiró dos Vinhos, tem feito um trabalho meritório na procura, digitalização e divulgação do espólio fotográfico concelhio". 

Um bom exemplo do meu bom amigo Prof. Arnaldo Silva... 
Ao remodelar a casa do primeiro fotografo de Torre de Moncorvo fica vislumbrado com a riqueza do espólio, e do que encontrou no derrube de uma grossa parede para alargar a casa, imensos fragmentos de cerâmica, faiança e vidro mais de 8000 cacos...
Com a preciosa ajuda da sua família o mote ao desenvolvimento do projecto pelo gosto da fotografia e pela história o culminar deste Espaço Museológico que todos podem visitar e desfrutar.
Largo Adolfo Figueiredo
Multidão na frente da sua casa com grande anuncio na frontaria onde aconteciam os comissios republicanos
Vista do fontanário à Rua Pascoal José de Melo em Ansião 
Correnteza de casario a confinar com o adro de Pedro Augusto de Figueiredo e Veiga (?).
Foto registada num domingo com afluxo de gente de várias faixas etárias na estrada  e mulheres de avental ao fontanário em 1937 ? Aquando da inauguração da rede de fontanários na vila  . 
A minha avó Maria da Luz da Moita Redonda falava dum suposto Figueiredo que aqui morava com ideias revolucionárias... Seria o Adolfo Figueiredo, republicano!
Largo do fontanário de ferro, na esquerda a casa com as duas belas varandas e quatro portas corridas do Sr. Prudente Oliveira, de frente outra casa que já não a conheci vestida de fachada com grande letreiro publicitário ao Externato António Soares Barbosa em Ansião que aqui iniciou.  
-Não sabia que o Colégio tinha começado nessa casa. 

Solar da família do Conselheiro  eclesiástico António José da Silva
Onde funciomou o Externato António Soares Barbosa onde estudei
 -Pois esse conhecia. Neste último domingo parei o meu automóvel na rua António Oliveira Salazar, junto ao chafariz de ferro, estive a apreciar a linda casa com duas varandas, onde encontrei o armeiro de Ansião, a quem cumprimentei. 
O armeiro foi casado com uma senhora que tem ainda uma quinta na Ponte de Freixo, com casario imponente, não sei como se chama, a caminho de Chão de Couce, não teve filhos, há anos divorciado, voltou a Ansião e passou a viver nesta casa que foi dos pais com duas das irmãs, Armanda já falecida e a Mariazinha, ainda tem outra irmã com mais de 90 anos a viver em Lisboa, todos filhos do Sr. Oliveira, negociante de loja aberta com balcão de madeira onde se vendia de tudo, até castanhas piladas, aqui aportou vindo do norte, com sotaque-, um rapazola da Fonte Galega seu criado, ao chamar-lhe moço, soava a mocho, e com essa alcunha o conheci quando vivia no Bairro de Santo António. O Sr. Oliveira enriqueceu, e foi dono de muitas casas nesta rua. O seu filho, o armeiro a quem cumprimentou, morreu há coisa de um mês, se tanto. A ex. esposa presente no velório a confortar a Mariazinha.

Nesta casa no meu tempo no r/c era livraria onde à quinta feira comprava a Crónica Feminina e ao lado era taberna, no tempo da minha mãe tinha pendurezas pelo teto de madeira; penicos e bacias em esmalte, e suportes de lavatório ...
Fale-me do seu pai, do tempo que tocava violino, a minha mãe em pequena esteve um tempo a viver na casa da Titi, com 8 anos, brincava com a água do chafariz, enquanto ela trabalhava nos correios, as vizinhas delambidas falavam que a Titi não tratava bem dela, por a deixar molhar-se...
Disse-me que havia tertúlias no 1º andar desta casa defronte do chafariz onde os chegou a ouvir tocar acompanhado dos irmãos, seus tios, à viola.O povo falava deles tocadores - os filhos do Adrianito da praça na vez de falarem da Casa Paz, o fotografo!
- Um dia, naquela antiquíssima vila de Ansião o meu pai decidiu comprar um violino. Desde pequenino eu me encantei com aquele instrumento nas mãos do meu pai que de tempos a tempos, quando estava inspirado lhe pegava. É que o violino entra no mais profundo da nossa alma quando é tocado com sentimento. Era um encanto ouvir o meu pai tocar violino, o violinista, o meu pai, foi homem autodidata, fazia chorar quando pegava no violino em vibrato. Ainda tenho o seu violino que mandei restaurar, e outro violino checo que comprei para mim. Só ouvi o meu pai parar o violino quando a sua mãe partiu, a minha avó, nunca mais conseguiu. Como sabe, o violino entra-nos pela alma a dentro...

Fontanário de ferro

Foto de Ilídio Paz  a tocar violino e ao lado no mesmo o Renato
 
 - Passei este fim do ano no restaurante sito aos Olhos d'Água junto da nascente do Nabão com a minha mulher, prima Anabela, e família.
O Nabão nesta altura do ano com a chuva que caiu vai de leito acomodado e bonito vestido de branco, que as pessoas no meu tempo de criança lhe chamavam agriões, mas não o sendo, efetivamente são ranúnculos aquáticos, de nome científico Ranunculus peltatus, que no leito do rio formam mantos floridos em branco como se fosse rica tapeçaria. Depois da Ponte Galiz ainda se revela o rio mais largo e airoso com as represas e as tamargueiras deliciosamente cândidas de filamentos em rosa que se vergam para lhe beijar as águas...
Nabão aos Mourochões
Cenário de cariz bucólico e idílico no inverno com chuva, bem podia ter sido retratado por Malhoa, ou pelo seu amigo Henrique Pinto, supostamente na estrada passaram a caminho de Pombal mas no verão, quando este se mostra de leito pedregoso coberto de limos um mar ressequido de dar dó ...
 - A mãe da Anabela Paz de apelido "Valente" os seus pais eram primos direitos. Nunca compreendi muito bem em quem entroncava a ligação. Os pais da Anabela tiveram de pedir autorização ao senhor Bispo para casarem por esse motivo. Quem era o seu ascendente comum ?
A D.Fernanda, mãe da Anabela Paz, sua prima, é de fato  "Rodrigues Valente", não sabia  essa particularidade de serem primos direitos da qual não deslindo a ligação familiar entre os pais. Segundo a neta desta família, a Ana Maria-, a sua avó teria vindo dos lados das Caldas da Rainha e aportado ao Fundo da Rua em Ansião onde se instalou com uma pensão na confluência do movimento da estrada de ligação-, Pombal ao Pontão. O Virgílio Rodrigues Valente natural dos Nogueiros foi emigrado ao Brasil, segundo me confidenciou o Antero Morgado, a mando da família pelo grau de inteligência mas ao tempo incompreendido, erradamente apelidado de suposto libertino (?) teria sido antes de 1895, porque até esta data não encontrei o seu passaporte de onde regressou no final do século XIX,  altura que casou com a  ,a dona da pensão, depois disso fundou o "Café Valente" referido em 1903 no Livro A Extremadura Portuguesa de Alberto de Pimentel na sua visita por Portugal que nele se hospedou, e o referiu - Não existe Theatro. Hotel Um só, o do Valente!
Excerto do Livro A Extremadura Portuguesa de Alberto de Pimentel
Curiosidade de apelidos comuns na região "Rodrigues Valente" 

Na família do "Café Valente" a coincidência de dois apelidos com o meu avô paterno, José Rodrigues Valente, do meu pai  Fernando Rodrigues Valente, ao meu Maria Isabel Rodrigues Valente,  à partida não sejamos parentes, ou somos, e disso não sei.

Passaporte de Francisco Rodrigues Valente ( meu bisavô paterno em 1906, não embarcou porque a mulher estava grávida do meu avô.
Pedido em 1906-03-22 Idade: 28 anos
Filiação: Nicolau Rodrigues Valente / Emília da Conceição
Naturalidade: Ansião
Residência: Bairro de Santo António / Ansião
Destino: Rio de Janeiro / Brasil
Passaporte de Francisco Rodrigues Valente
1908-05-12 Idade: 31 anos
Filiação: Nicolau Rodrigues Valente / Emília da Conceição
Naturalidade: Ansião
Residência: Bairro de Santo António / Ansião
Destino: Santos / Brasil
Observações: Escreve
Supostos irmãos ou primos do Virgílio Rodrigues Valente
Passaporte de Adelino Rodrigues Valente
1908-12-31 Idade: 22 anos
Filiação: João Rodrigues Valente / Maria de Jesus
Naturalidade: Nogueiros / São Tiago da Guarda / Ansião
Residência: Nogueiros / São Tiago da Guarda / Ansião
Destino: Santos / Brasil
Observações: Escreve
Passaporte de António Rodrigues Valente
1909-01-20 Idade: 24 anos
Filiação: João Rodrigues Valente / Maria de Jesus
Naturalidade: Nogueiros / São Tiago da Guarda / Ansião
Residência: Nogueiros / São Tiago da Guarda / Ansião
Destino: Santos / Brasil
Observações: Escreve
Outros conterrâneos com os mesmos apelidos
Passaporte de João Rodrigues Valente
1909-02-16 Idade: 21 anos
Filiação: João Rodrigues Valente / Maria de Deus
Naturalidade: Constantina / Ansião
Residência: Constantina / Ansião
Destino: Santos / Brasil
Observações: Escreve
Passaporte de António Rodrigues Valente
1908-05-20 Idade: 45 anos
Filiação: Manuel Rodrigues Valente / Mariana da Conceição
Naturalidade: Louzal / Ansião
Residência: Sarzedela / Ansião
Destino: Santos / Brasil
Observações: Não escreve.
Passaporte de Manuel Rodrigues Valente
1913-02-17 Idade: Não mencionada
Filiação: Francisco Rodrigues Valente / Maria de Jesus
Naturalidade: Vale de Avença de Baixo / S. Tiago da Guarda / Ansião
Residência: Vale de Avença de Baixo / S. Tiago da Guarda / Ansião
Destino: O Brasil
Passaporte de Carmino Rodrigues Valente
1913-02-13 Idade: Não mencionada
Filiação: Maximiano Rodrigues Valente / Margarida Rosa
Naturalidade: Ansião
Residência: Ansião
Destino: Santos ( Brasil )
Observações: Não tem
Passaporte de Adelino Rodrigues Valente
1913-01-22 Idade: Não mencionada
Filiação: Manuel Rodrigues Valente / Rosa de Jesus
Naturalidade: Junqueira / S. Tiago da Guarda / Ansião
Residência: Junqueira / S. Tiago da Guarda / Ansião
Destino: Brasil
Observações: Não tem
Passaporte de Cipriano Rodrigues Valente 1913-01-21 Idade: Não mencionada
Filiação: António Rodrigues Valente / Maria Rosa
Naturalidade: Junqueira / S. Tiago da Guarda / Ansião
Residência: Junqueira / S. Tiago da Guarda / Ansião
Destino: Santos ( Brasil )
Observações: Não tem
Passaporte de António Rodrigues Valente
1913-01-21 Idade: Não mencionada
Filiação: António Rodrigues Valente / Maria Rosa
Naturalidade: Junqueira / S. Tiago da Guarda / Ansião
Residência: Junqueira / S. Tiago da Guarda / Ansião
Destino: Santos ( Brasil ): Não tem

Sendo claro que só a árvore genealógica revela o ramo familiar e os seus cruzamentos. 
O Virgílio Rodrigues Valente veio a dar o seu nome ao primogénito, que conheci como taxista, por sua vez também o transmitiu ao seu primogénito, nascido em janeiro de 57 e eu em maio, foi o oficial provador dos meus vestidos em criança, por a sua mãe ser modista, até ao dia que bateu o pé dizendo que não era menina para vestir vestidos...Na verdade somos parentes por parte da sua mãe, o meu bisavô Francisco Rodrigues Valente e a D. Lucinda, ambos nascidos no Cimo da Rua, de onde veem a ligação familiar, a D. Lucinda Fonseca (?) em solteira trabalhou em casa dos seus avós com a irmã Celeste. A família Valente do Fundo da Rua teve julgo 5 filhos (?) -, Virgílio, Eduardo, João, Claudemira, e Fernanda-, a mãe da Anabela, casou com o seu tio Artur Paz. Hipotética ramificação familiar pode advir por parte de um irmão do seu avó Adriano (?), em tempo de extrema pobreza as pessoas se deslocarem para outras terras para ganhar a vida que se teria instalado na região das Caldas casado ou por lá se casou, cuja filha mais tarde  tivesse regressado para se instalar com a pensão (?), uma possibilidade ...

Café Valente
 
  - Há dias nas festas dos Pinhões em Ansião encontrei a  sobrinha da mulher do meu tio Artur Paz, irmã do ilustre Maestro da Universidade de Coimbra , o  Virgílio Caseiro, e uma das filhas da Maria do Carmo, uma das irmãs do meu avô Adrianito.
"O Virgílio Alberto Valente Caseiro nasceu em Ansião em 1948. Possui o Curso Superior de Música (Canto) do Conservatório Nacional de Lisboa. Fez também Composição. Licenciou-se em Ciências Musicais pela Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da Universidade Nova de Lisboa. Em 2004 foi agraciado com a Medalha de Mérito, atribuída pela Câmara Municipal de Ansião e Coimbra . Em 2006 recebe a Comenda da Ordem de Santiago de Espada."
Se a irmã do Maestro é como diz sobrinha da D. Fernanda Valente, o seu filho de apelido "Caseiro" lhe advêm pelo ramo familiar de uma tia dela (?), cujo filho ganhou o apelido do pai. O apelido "Caseiro" foi comum em Ansião, só conheci  o Solicitador Sr. Caseiro, havia uma senhora forte, a Júlia Caseira ( dantes havia o uso de alcunhar as pessoas pelo apelido do pai no feminino),  foi costureira  na década de 50, e depois veio trabalhar para a função pública para Lisboa, pela mão do Dr. Faveiro. O meu pai tinha uma tia, Maria do Carmo, que explorou uma mercearia e taberna na Rua Almirante Gago Coutinho, que se deveria chamar Rua da Filarmónica, sem jamais ter ganho essa toponímia que lhe cabia por mérito, infelizmente azarado o emblemático Ensaio, foi vendido e remodelado na traça primitiva, onde funciona um restaurante.Esta tia foi casada com António Maria Caseiro, de aspeto também corpulento. Havia também a Maria Silvina Caseiro, julgo a casa dela muito típica no início da Rua Dr. Oliveira Salazar com um portal de pedra elegante e óculo.

Casa da Silvina e do Pelim
 - Não tem uma foto do solicitador " Caseiro" que era pai de um psiquiatra de Coimbra? Creio que morava frente à loja do Sr. Franco, por cima da antiga farmácia de gaveto para a placa da Praça do Município. Eram primos direitos da minha família, disso tenho certeza.
Na foto acima a casa de primeiro andar com janelas de guilhotina onde viveu o Sr .Caseiro, a senhora da foto é a minha mãe que me confidenciou que todo este casario onde viveu o Sr. Caseiro, e o gaveto para a frente da Igreja foi pertença  de um irmão do Sr. Chiquinho Veiga, que em miúda me recordo de ouvir falar que perdeu tudo no Casino da Figueira, alegadamente sem mais nada se falou que vendeu a mulher para salvar dívidas (?), o que não deslindei durante anos o que queriam dizer, claro está. Afinal era um distinto descendente da Família dos Veigas-, a casa grande, como outrora era chamada pelas gentes das Lagoas e da  Sarzedela, ao solar da Quinta das Lagoas.

O psiquiatra Américo Caseiro 1947-2015
 -Um cérebro, dele se falava " tinha uma grande pancada, associada a grande cultura enciclopédica". Foi diretor do Hospital do Lorvão, tendo sido demitido pelo Cavaco Silva. Encontrei o Blog  "O Almanaque Republican" que fala dele.
Ora homem da minha terra Coimbra, julgava ser nascido no Avelar. A diferença de 10 anos dita que nunca o cheguei a conhecer, apenas vagamente a sua irmã Juju e claro os seus pais, a D. Fernanda e o Sr. Caseiro. Recordo vagamente a mãe já viúva, numa viagem de camioneta que fizemos para Pombal, onde ia apanhar o comboio para Lisboa para visita da filha Juju, netas e claro do genro.
Citando o Blog - Um pensamento de Herberto Helde "Só morremos de nós mesmos" 
"Américo Caseiro partiu, ainda o sol não mostrava o brilho dos raios. Deixou-nos o tesouro da palavra, os nomes e rostos da claríssima luz, a ternura do tempo e da noite sem fim, o prazer e a rebelião da viagem, a lealdade fraternal, a requintada oferenda do “discurso do acordar e do adormecer” [A.C.]. Ele, que amou e viveu a vida, com radiante paixão, partiu (avançou) no seu próprio jogo. Pôs-se a caminho para urdir a sua própria sombra. E deixou-nos no nosso trivial remanso.  "Ao Américo a eterna Saudade … e até Sempre!
"Américo José Lopes Caseiro nasceu a 27 de Maio de 1947, na cidade de Coimbra, lugar que amava como poucos. Era filho de Adriano Maria Caseiro, escrivão e solicitador em Ansião e de Fernanda Godinho Lopes Caseiro. 
"Cresci, único homem (o meu pai só chegava à noite), no seio de seis mulheres, a minha irmã muito conta como tal, e este facto traz as mais agradáveis consequências - a maior relevância para o meu pai, homem belo de 120 quilos, de humor afável e irritável, terno, dócil, violento, brutal incontestável - o meu ideal de beleza era ter 120 quilos e sentir-me belo e sedutor como em muitos dias reparei que se via” [cf. Américo J. L. Caseiro,Curriculum Vitae, 1982].
Fez a escola primária em Avelar, depois estudou no Colégio de Ansião (onde frequentou brilhantemente a Biblioteca Itinerante da Gulbenkian e ali conheceu o Maia Alcoforado, "poeta, revolucionário civil", republicano de têmpera, combatente contra a ditadura), passando depois para Coimbra para fazer o "complementar dos liceus".  Em Coimbra, moço arribado ao liceu D. João III, conhece o "velho Gomes Jacobino" que lhe revela o caminho da Biblioteca (vício nunca abandonado), encontra e percorre Freud e Nietzsche, deslumbra-se com Marx ; Engels, invoca Camus, aparece-lhe Sartre. O coração alumia-se. Entra em 1964 para a Faculdade de Medicina da U.C. Três anos depois tem o seu primeiro casamento, de que resulta um filho encantador. Na candura de uma vida de estudo, de tentações de espelho e outros rendez-vous, foi "incapaz de passar os Arcos do Jardim" e "subir acima da Almedina": quatro anos de "dedicação exclusiva do prazer doutras matérias" (o "sítio do pica-pau amarelo"). Licencia-se aos 27 anos. De permeio esteve "em todas as lutas de estudantes e nas outras", ali, vertical, com o Alfredo Misarela, o Joaquim Namorado, o Orlando de Carvalho, Lousã Henriques, outros mais.O acordar da noite ensinou-o a gostar de Resnais, Fellini, Bergman; tantos outros (o dr. Orlando adornava o alvoroço), enfaixa-se em Lacan em seminários no café Tropical e na Brasileira, Levi-straussa na baixinha em passeatas peripatéticas. A vontade de saber escorre-lhe interminavelmente. Foucault ilumina-o, tal como o vinho e o tabaco com que teorizava e vigiava. Althusser identifica-lhe os "órfãos teóricos" (os do sem pai teórico).Deuleuze ; Guattari, empresta-lhe o inevitável. A psiquiatria – que pratica, usa e abusa - é para ele como a escrita de Leonardo, "para ser lida ao espelho" [A.C.]. Esteve no serviço médico à periferia (Soure, Manteigas), transita para a Clínica Psiquiátrica dos HUC (1979), faz-se exímio na profissão, (re)constrói o (im)possível. Com inquietação, mas solidamente. O dr. Américo Caseiro, "o passáro sarapintado", era um eterno apaixonado. Da literatura (Joyce, Thomas Mann, Dostoievski, os clássicos sempre presentes, com pontualidade e zelo), da música (que não aprendeu com "grande arrependimento e mágoa"), do cinema e teatro, tudo o movia, sempre numa respiração insubordinada, que a outros transmitia. Das suas últimas paixões deve-se referir o seu aprofundado estudo; os seus apontamentos sobre o "Cão de Parar", espaço de "conversação e do elogio do cão", por nós (re)escrito a partir da narrativa assombrosa e encantadora do Mestre Caseiro. 
O "pássaro sarapintado" morreu porque muito amou.  Na madrugada de 26 de Março de 2015, com toda a serenidade ".
Uma grata  e justa homenagem a um homem que faz parte dos ilustres adotivos do  concelho de Ansião.Reparei da última vez que lá  estive que a casa se encontra à venda.Lembro-me bem do pai dele, o solicitador, o Sr. Caseiro, homem forte que adorava rabanetes que o meu pai plantava para ele no quintal e me mandava entregar na sua casa .
 - Não tem fotos desse senhor, pai do Américo? Interessante esse gosto predileto por rabanetes. Estou a lembrar a tese dos rabanetes serem bons para o sangue. Já o meu pai tinha também essa mania.Eu também gosto de rabanetes mas têm de ser muito bem temperados com azeite sal e vinagre.
O Dr. Américo Caseiro tem uma irmã, carinhosamente chamada Juju, casou com o meu primo Rui Lucas, ambos se licenciaram no Porto em Química. Questionei o meu primo Afonso Lucas, que recolheu várias placas de fotos da casa do teu avô quando foi demolida, lamentavelmente tem a caixa com o nome dele, mas não tem a chapa que não a chegou a digitalizar.

Foto da avó materna do meu marido
Rosa Marques, conhecida por Rosa da quelha, vestida de preto e enfeitada pelo cordão com medalhão em ouro  e belos brincos. Deslocou-se ao estúdio do seu avô em Ansião para tirar a foto com o filho, o meu sogro Fernando Coimbra nascido em 1929, para enviar ao pai António Coimbra da Mó, emigrado na Ilha de Fernando Pó, sentado na cadeira que serviu os seus tios e pai (?).

O cenário com colunata  e reposteiro devia de ser em papel, ao olhar o chão...
Foto retirada do Grupo do Facebook das Cinco Vilas
Foto interessante da apoteose e glamour dado pela postura altiva e do doce e intenso olhar da modelo, captada no estúdio de fotografia do seu avô que aqui se revela nesse tempo muito à frente, pelo saber captar momentos e pelo enquadramento final em moldura com monograma da casa.
 - É sim senhor. Adriano Freire da Paz, meu avô e Companhia. Quem está na foto? Ou melhor quem é a linda rapariga da foto? Já uma mulher feita e só com 14 anos?
Outra bela foto cortesia do Henrique Dias, autorizou-me a publicar esta foto com a mãe vestida de farto laçarote branco a ornar belos cabelos, irmãos vestidos em xadrez, ele de calça ao género de bermuda e ela de vestido com cintura descaída, modelos copiados dos figurinos comprados em Coimbra pelas costureiras. Interessante também o ambiente do estúdio da Casa Paz em Ansião ao se apresentar emoldurado com flores onde o menino se deixa fotografar com uma pela mão. Muita classe, ingenuidade e ao mesmo tempo rico património, em retratar a arte do que é chique cujos artistas se mostram  divinos.

Citar Henrique Dias amigo das Cinco Vilas e Ansião
"Nela estão o meu tio José Simões (conhecido como Zé da Rosa) e a minha mãe que aparenta ter aqui cerca de quatro anos de idade, pelo que a foto será por volta do ano de 1930.
 
Citar mensagem de outra bela foto do espólio do Henrique Dias
" tirada mesmo em Ansião cerca de 1928, tendo a minha avó feito a viagem a pé com os seus dois filhos e as duas enteadas desde o Carvalhal (Maças D.Maria), fazendo escala na Pedra do Ouro onde morava uma sua irmã.E o motivo era sempre o mesmo, mandar a foto ao marido que se encontrava no Brasil, para que não se esquecesse da família que tinha cá deixado..."
O cenário do seu avô tem sempre vasos com flores!
- Que maravilha amiga Isabel, duas belas fotografias que nos apresenta, agradeça por mim ao Henrique Dias a feliz partilha.
 -Pintor enquadrado no cenário do atelier de fotografia do meu bisavô em Ansião com data provável 1900 . 
Pose  de cariz pensante com a mão a segurar a queixada, e pincel na mão, no  seu tardoz três quadros, aos pés dois belos cães, não faltam as flores  e o cenário com muralhas e arvoredo. Pois quem será ? 
Boa questão. Vamos às hipotéticas tentativas. O Dr. Adriano Rego, médico, será que tinha o gosto pela pintura?  O Dr. Botelho de Queiroz médico do hospital ? Dr Lima, médico ou o pai do Políbio?...Se o poeta Políbio tinha também o gosto pela pintura, supostamente herdou a veia da arte por parte do pai (?), que desenhou a antiga Placa em triângulo com bancos, o sitio de onde anteriormente já tinham retirado o Pelourinho em 1902 para o local atual, com suporte de novas esferas, que a filha Paulette ( gostava de ser tratada por Poulette) à francesa, bem se empertigou nesse tempo, sendo que morava muito perto do fotografo (?).
Foto entre o Moinho e Lagar aos Olhos D'Água na década de 50
Na direita, o rapaz da frente é o meu tio Francisco Rodrigues Valente, atrás dele o seu irmão, o meu pai Fernando Rodrigues Valente, do outro lado o Sr. de mãos abertas o Sr. Chiquinho Veiga, ao lado da esposa. Não sei a razão da foto, vieram a um casamento? E as mulheres o que  faziam, estariam a lavar tripas, mas de aventais brancos?
Mas será que nunca houve pintores em Ansião?
Conheci o pintor com apelido Paz. 
Recordar a Exposição colectiva "Diversidades" de vários artistas com quadros de António Paz, na Casa Senhorial do Conde Castelo Melhor em Santiago da Guarda em 2006.
Cruzeiro à saída da Sarzedela a caminho da Venda do Brasil, saindo da estrada principal para entrar à direita, a casa que parte se vê na foto de gaveto  teve ou ainda tem uma indicação em mármore (?) da casa de António Paz.
Cruzeiro na Sarzedela
Recordo o António Paz, natural da Sarzedela e residente em Lisboa, faleceu há poucos anos, homem dotado de tendência impressionista de sensibilidade figurativa, foi pelas cores ao encontro da natureza das coisas e à dimensão da beleza na sua realidade. Começou um dia a dedicar-se às gentes, paisagens e fainas campestres da sua terra.Frequentou a Sociedade Nacional das Belas Artes, tendo então como professor um grande mestre. Fez um longo percurso nas artes como autodidata. Fui ver uma exposição que fez em Ansião por altura das Festas do Povo em agosto. Mas o conhecimento veio através da Groupama, Companhia de Seguros com sede na Avª de Berna em Lisboa onde tem uma galeria dedicada à pintura onde chegou a expor as suas obras, confidenciando-me há anos uma funcionária " era um senhor muito querido, humilde amante da sua terra Ansião" . Quem sabe se antes dele já havia alguém dotado para a pintura na família?
Para fechar o campo das hipóteses a  lembrar o Mestre Malhoa e o Henrique Pinto.
Mestre Malhoa 
Por volta de 1880 (?) Malhoa comprou ou mandou construir uma pequena casa de verão, que ficou conhecida por " casulo" na vila de Figueiró dos Vinhos. Era amigo dos donos da Quinta de Cima em Chão de Couce onde passava o mês de setembro, o seu quarto era no torreão.
Em baixo o imenso quadro do Grupo do Leão no Museu do Chiado, que já tive o privilégio de o contemplar ao vivo, óleo pintado em 1885 por Columbano Bordalo Pinheiro. O Grupo do Leão foi uma tertúlia de artistas que se reuniam na Cervejaria Leão de Ouro, em Lisboa entre 1881-1889. O grupo contava com artistas que se viriam a destacar no naturalismo português como Silva Porto, José Malhoa e os irmãos Rafael e Columbano Bordalo Pinheiro, foi responsável pela divulgação e pelo sucesso da pintura do Naturalismo em Portugal. Sentados da esquerda para a direita: Henrique Pinto, José Malhoa, João Vaz, Silva Porto, António Ramalho, Moura Girão, Rafael Bordalo Pinheiro e Rodrigues Vieira;
De pé, da esquerda para a direita:Ribeiro Cristino, Alberto d'Oliveira, o empregado de mesa Manuel Fidalgo, Columbano Bordalo Pinheiro, outro criado (Dias) e Cipriano Martins.

Grupo do Leão no Museu do Chiado
Sempre se primazia falar do Mestre Malhoa que viveu em Figueiró dos Vinhos 50 anos, onde faleceu a 26 de outubro de 1933. Mas na verdade aqui também conviveu com outro pintor seu contemporâneo, natural de Cacilhas, nascido em 1853 e falecido em Figueiró dos Vinhos em 1912, Manuel Henrique Pinto, pintor do primeiro Naturalismo, integra desde a primeira hora o"Grupo do Leão" que com Malhoa, descobre o "Figueiró das cores", e com ele inicia a  dita "odisseia rústica" que de "nacional" terá pouco, muito de figueiroense."
Pintura de Henrique Pinto sem data  "entre o milheiral" 
Henrique Pinto Convento de Figueiró dos Vinhos 
Henrique Pinto Pescadores no Nabão 1903
 Ponte  da Cal em Ansião
Fácil sonhar com o cenário dado pelos arcos da ponte que facilmente me reportaram para a ponte da Cal em Ansião, se tivesse sido neste local os miúdos pescadores estariam sentados na propriedade que foi do Dr. Vitor Faveiro na extrema com uma dos meus bisavós, hoje minha e da minha irmã, onde na ribeira assim a chamávamos, em miúdas jamais Nabão, no verão aqui vínhamos de bicicleta tomar banho escondidas por entre o alto milheiral de ambas as margens. Debalde o local do cenário é mesmo Tomar!

Ponte sobre o Nabão em Tomar, não deixa dúvidas!
Tomar para onde o pintor se transferiu em 1888, para estar mais perto de Figueiró, onde foi Professor e Diretor da Escola Jacôme Ratton.

Manuel Henrique Pinto pintado por Malhoa
Desconheço em que data o fotografo amador de Figueiró dos Vinhos, o Sr Manoel S. Telhada, começou o seu ofício. Nesse pressuposto apraz-me sentir uma grande semelhança do Henrique Pinto, ao do pintor no retrato no estúdio do seu bisavô (?). O chapéu que o Malhoa lhe pintou de aba larga é igual a outros usados na sua outra foto do homem do casacão no dia da festa da padroeira Nossa Senhora da Conceição.

Contrate abismal do Henrique Pinto pintado por Malhoa e do pintor no atelier do seu bisavô
Casulo do Malhoa em Figueiró dos Vinhos
O Mestre Malhoa  apelidou  esta região por "Sintra do norte ou Sintra das Beiras"descobriu os valores etnográficos da realidade rural portuguesa dos finais do século XIX a meados do XX, que deixou bem retratado em belos quadros com cenários campestres e as tradições das suas gentes que lhe valeu o epíteto de "historiador da vida rústica de Portugal". Deixou mais de duas mil obras-, a última aos 70 anos que ofereceu -, o Retábulo de Nossa Senhora da Consolação da Igreja de Chão de Couce , serviu de "modelo inspirador da Santa", uma jovem de 18 anos, Maria Augusta Mesquita, numa altura que o Mestre já se mostrava desesperado por não encontrar o rosto angélico, até ao dia que a  descobriu casualmente acompanhada com a filha da mulher que na altura vivia com ele, tinha sido costureira na sua casa de Lisboa, e após o falecimento da sua esposa a trouxe para Figueiró com a filha dela-, viria a ser a grande atriz Beatriz Costa . A minha filha quando estagiou na Fundação de Nossa Senhora da Guia no Avelar nas valências: Hospital, Infantário e Lar, ali  a chegou a conhecer, vaidosa,  falava deste acontecimento que a marcou para o resto da vida, mas antes o Mestre escolheu outra musa, que havia de se negar ao invocar a lógica razão - como se ajoelharia na frente da Santa ao altar mor, sendo que afinal se sentiria que a Santa era ela...

Obras do Mestre Malhoa 
Mulheres a comer  papas de milho,  lembro a minha avó materna de as comer, porque só tinha um dente...
Cócegas
 
-  Do espólio fotográfico do meu bisavô  quem será esta Família ilustre de Ansião por identificar?
Atendendo aos trajes é possível ser dos finais do século XIX, início do XX(?). Gente endinheirada, mas nem as portas atrás me ditam pistas.
Nesta altura em Ansião as famílias mais abastadas eram:
Família de Fructuoso Veiga da Quinta das Lagoas, uma das filhas por casamento com o Dr. Domingos Botelho de Queiroz teve pelo menos duas filhas, a D. Matilde da Veiga Botelho casada com o Dr. Adriano Rego, depois de viúvo casou em segundas núpcias com a cunhada Lídia Veiga.
Dom José Casimiro de Mascarenhas Velasques Sarmento de Alarcão, da Quinta de Além da Ponte, concelho de Ansião em 1863.
Família de António Joaquim de Bastos Guimarães
Família de  António Simões de Sousa
Família Faria dos lados da Lagarteira
Família José Maria Vaz (professor) tio do Dr. Alfredo Silveira
Família Juiz de Direito João Batista Martins Jorge
Família de Ana Augusta Maneira da Silva
Família de José Luís de Macedo
As "Gloritas" filhas doi Sr.Leitão, doaram a casa aos Bombeiros onde o Bernardino dos Munhos construiu o prédio.
Adolfo L.Figueiredo, morava numa bela casa na Rua Pascoal de Melo onde veio a morar o Sr.Pires.
E,...

Outra foto do meu espólio com o meu bisavô
À esquerda a minha bisavó, no meio fazem uma saúde com o seu compadre António Gomes Bairrada, aos seus filhos e netos no dia de todos os Santos, 1 de Novembro, nesta data de 1912, a 2 anos da implantação da República portuguesa.
Espólio do Renato numa foto da sua família
 - Tente reconhecer alguns dos meus familiares que estão nesta foto que lhe mando, as filhas da Maria do Carmo, uma das irmãs do meu avô Adrianito, e alguns amigos .
Não faço ideia do cenário da foto, será que foi na Festa da Senhora da Paz na Constantina? Deviam ter feito um piquenique, o seu avó está com o pequeno garrafão de vinho preso na mão, o nosso tio António Paz está na fila acima no primeiro da esquerda e os irmãos ainda rapazes no meio dos demais, lamento mas não destrinço mais ninguém.

Foto cortesia da pagina do Facebook da Igreja de Ansião
"A senhora de idade era mãe das três raparigas da foto, chamava-se Maria da Conceição M. Vaz com as suas filhas: a do centro chamava-se Helena e ofereceu o candeeiro de cristal que está na igreja de Ansião, assim como várias outras coisas de valor à mesma igreja; a da esquerda chamava-se Carlota e a da direita, Sofia.  Viveram na Rua dos Bombeiros Voluntários, em frente ao Sr. Antero Morgado junto à barbearia, até casarem. Uma casou com um rapaz da Sarzedela, outra com um jovem de Além da Ponte, e outra com um tio de Ansião que tinha o Café do Corvo em Coimbra, nome que foi dado a essa rua, por via da imagem dum corvo que estava na frontaria desse café. Segundo me dizem, era uma família muito religiosa e que deram bom testemunho de Fé por onde passaram." 

Foto do espólio do Renato datada de 1955  em Ansião
 -Um dos meus primeiros sorrisos ao colo da minha mãe, o meu pai e a nossa comum  prima Isabelinha vestida de grande laçarote , carinhosamente me segura na mão.
Ora aqui vai uma foto do álbum da minha mãe com 18 anos e o seu pai Ilídio, ao tempo foram os padrinhos da prima comum Isabel, carinhosamente tratada por Isabelinha, infelizmente teve pouca sorte ao falecer precocemente num acidente numa estrada rotulada "da morte" em terras de França.
 - Andei anos para descobrir quem era a bela rapariga que estava na foto. Acabei de saber. Afinal é a sua mãe. Recordar é reviver os meus tempos felizes da infância em que adorava ir a casa do tio António, e comer os deliciosos pudins de laranja e toucinho do céu, beber licor de laranja e tangerina que os provei também, muito bem confeccionados pela sua tia Maria da Luz. Estaria lá de certeza algumas vezes uma menina engraçada que era a Maria Isabel...
Sim é verdade conheci aquela linda casa onde fui e comi  abastadas vezes, adorava a Titi e o tio Tonito, ao tempo era muito tímida, éramos os dois, mas olhe que também me lembro dos licores nas garrafas bojudas em vidro a enfeitar a bandeja na mesinha, também fazia um licor de folha de figueira de aspeto verde e o de leite que se mostrava amarelinho, e me deixava a pensar. Quando casei  a Titi presenteou-me com as receitas dos seus licores, finalmente percebi como se fazia o de leite, demorava tempo a coar com a ajuda de um filtro...também os vestidos de tricot , as pegas, que fazia com tanto carinho.

Foto do álbum da minha mãe no dia da formatura da Isabelinha
Recordo este dia quando a família chegou a Ansião onde  a Isabelinha tinha à sua espera um carro novo, um Fiat modelo 127(?) que o pai lhe ofereceu. Tirou a carta em Pombal, fui sua companheira de viagem na camioneta e das aulas de condução. No carro do pai, um velhinho Fiat fomos alguns dias a caminho das Cavadas, onde compilou conversas que teve com as mulheres para um trabalho universitário. Ainda fui "pau de cabeleira" no seu namoro com o Quim, no castelo de Pombal. Tantas recordações desta prima que me ensinou francês , o seu lindo quarto era no sobrado, de paredes esconso em tom pastel, mansarda de grande janela rasgada com vistas para o Vale Mosteiro, e para a casa da Quinta do Dr. Faria, com janelas de avental na sombra do belíssimo e frondoso de copa redonda o cedro do Líbano , quem sabe trazido pelos fenícios, de quem dizem sou descendente pelo lado paterno... 
Por acaso tem fotos do casamento da nossa prima Isabelinha ?
 - Não tenho. É a Luciana, a filha que as tem. Já lhe falei que gostava de as ver, pois faltam-me fotos minhas dessa altura. O casamento dela foi num local muito bonito.
É a minha vez de mostrar  uma foto do álbum da minha mãe tirada na casa do tio António e Maria da Luz em Ansião, no dia do casamento da noiva Isabelinha, grávida da Luciana, ainda assim se mostrava lindíssima, a minha mãe a sua madrinha vestida de luto por morte do meu pai, vivia eu a tormenta da adolescência por ter frequentado o Colégio Religioso das Salesianas no Monte Estoril, onde aprendi a destruir as sobrancelhas, que nunca mais foram o que eram, e o mesmo aos cabelos que eram lindíssimos em tom asa de corvo, no auge dos loucos quinze anos de aspeto me mostro atordoada, e a minha irmã não se revela melhor!
Se calhar desconhece que a Isabelinha teve uma mana mais velha.Lamentavelmente a Titi achou por bem que o parto acontecesse na casa da sua mãe na aldeia de Moita Redonda, sendo que se revelou difícil porque o bebe era grande e a Titi mulher de baixa estatura, sem assistência medica, infelizmente a bebé não sobreviveu.

Dia do casamento da prima Isabelinha Paz
O casamento da Isabelinha com o Quim aconteceu no Registo Civil em Leiria, o primeiro que assim assisti, até então só conhecia o acto religioso, de onde seguimos para conhecer o ninho dos nubentes, um pequeno apartamento alugado na cidade nova, por sinal muito bonito,onde se destacava um sofá grande em amarelo, para culminar o almoço no Hotel de São Pedro de Muel. Mal acabada a boda os adolescentes foram até à praia , recordo de estarmos enfiados nas furnas em conversa fluída a sentir o mar com os pés enfiados na areia, recordo o Fernando, um protegido dos tios que vivia na casa deles, julgo Enfermeiro, fez uma viagem no navio Gil Eanes que dava apoio à pesca do bacalhau na Terra Nova-, recordo o dia que enviou um bacalhau minúsculo, espalmado e seco numa carta à Titi. 

My mother "the early 50 years" Foto do espólio do Renato. 
Que porte, que elegância. Uma senhora! Será o traquinas Renato?
- Senhoras de Ansião hoje, naquele tempo moças bonitas, entre as quais reconheço a Gracinda que auxiliou a minha família por alturas do adoecer da minha avó, e outras duas famílias desconhecidas por identificar.
 - Isabel conhece a senhora ansianense com o bebé de xaile branco, a segunda da direita para a esquerda com o bebé de xaile branco ao colo.Foi empregada doméstica na casa dos meus avós de Ansião quando ainda era criança e a minha avó já estava acamada.Lembra-se quem era? Recordo-me dela que era muito bonita, e acho que ainda era considerada como se fosse da família. Um dia a minha avó foi ajudada a levantar-se da cama por ela num braço e no outro por mais alguém, mas teve de regressar de imediato à cama.
Perguntei à minha mãe que se lembra da Titi falar que trabalharam  em casa dos seus avós as irmãs do Cimo da Rua ; Lucinda e a Celeste, sendo esta mais bonita, eram pobres, a mãe tinha a alcunha "Plastra" já anteriormente lhe falei delas-, a Ana Valente  amiga da minha irmã é filha da D. Lucinda, quando a vir por Ansião, pode questioná-la.
  - E esta foto mais recente?
Não lhe sei dizer, mas o primeiro homem não me é nada estranho o olhar, possivelmente ainda será vivo? 
Foto do espólio do Renato
- À saudosa e honrosa memória do meu pai (o último à direita junto ao coelho) e dos meus tios: Jaime, António, Artur e Adolfo (o coelho na altura para chegar).
O coelho para chegar era quem? Não era o Jaime o mais novo?
Finalmente a Paz, tinha regressado à Europa!
A Laica tão branquinha como serena acompanha na foto de família em finais dos anos 40 em Ansião, espólio de Renato.
Foto do álbum da minha mãe 
Os nossos comuns tios, António e Titi, repare no pano no tardoz a fazer de cenário, que foi na rua com chão de calçada.
Foto do álbum da minha mãe do casamento dos tios na Vidigueira  
A Titi (tia Augusta) trabalhou no início da carreira nos Correios na Vidigueira, quando se casou os padrinhos foram os senhores da casa onde estava hospedada. Os meus avós  da Moita Redonda foram ao casamento.
Quando o tio António Paz festejou meio século de idade-, 50 anos,  presenteou a família com um grande jantar na sua casa onde fui com a minha mãe, e recordo havia muita gente, julgo que também lá estariam os seus pais e o Renato, só que ao tempo todos éramos envergonhados e tímidos... A criada, a Arminda, apresentou um tacho a estrear de barro grande com arroz de marisco com carapaus de bigodes, a primeira vez que saboreei este prato e ouvi chamar carapaus aos camarões, servido em pratos de porcelana da Vista Alegre de fundo anilado com flores na aba e copos cinzelados da Marinha Grande, para cantar os parabéns foi servido um grande bolo com brinde regado a champanhe servido em taças, na graça da minha inocência, senti que as bolhinhas marotas logo me fizeram cócegas na garganta, e deram volta à cabeça, porque à porta na despedida ao descer os degraus em meia lua senti uma tremura e logo me segurei na minha mãe...

Estela na matriz de Ansião
 - Espero que não se tenha aborrecido por ter mostrado na minha página a pedra que fotografou na Matriz de Ansião. No fundo é um pouco mais de História desta terra que gostamos, que me permitiu e a si saber um pouco mais, por isso estou devedor nesse aspecto. Entre o buscar e rebuscar do velho Mosteiro ligado a Santa Cruz de Coimbra e à antiga Igreja de Ansião desenhada pela comitiva de Cosmo III de Médices à passagem por terras de Ansião, creio ter encontrado uma jóia da minha família. A Domingas Freire que casou a 11. 11. 1665 com João Rodrigues avô materno de Laureana Freire da Paz minha nonavó no ramo dos Freires da Paz, genealogia que fui seguindo. Esta senhora que teve por filha também outra Domingas Freire, minha decavó, a mãe da Laureana que teve uma vida pouco feliz, vivendo apenas até à idade dos 30 anos(de acordo c. a certidão de óbito). Então não é que dei no seu Blog com a pedra antiquíssima em português arcaico incrustada na Matriz da vila de Ansião. Só pode ser uma destas Domingas Freire, que lhe falo e que pede para rezarmos pela sua alma. Sei que essa família seria da elite pela forma da escrita muito especial do pároco, por vezes escreviam Paz com Pax. É aí que eu julgo haver um entroncamento com judeus pelo formato do nariz, o semitismo, forretas, etc.  Ontem fui ver a lápide na Igreja e fiquei com curiosidade de saber a data da  sua construção, no portal principal diz 1S93. Será que o S é 5? Esta igreja é tão antiga?
Sim, a primeira Igreja de Ansião dedicada a Santa Maria ou S. Lourenço foi edificada em 1259  a poente da vila no espaço que é hoje o atual cemitério, na parte nova(?) esteve em atividade até 1595 , desconhece-se a origem da sua desativação e da consequente construção da atual Matriz deslocalizada para nascente com data na frontaria de 1593.Supostamente a primitiva ficou abalada com o tremor de terra de 1531(?), sofreu incêndio ou foi invadida pelos sarracenos ainda ativos na região que deu azo ao culto de Nossa Senhora da Paz(?), sendo este raro no País?
 - Sendo assim a lápide foi colocada no início da construção da Igreja, e não veio de outra Igreja como inicialmente cheguei a supor, agora que lá fui e vi  a data de 1593 na frontaria percebi, e dado à data de casamento da minha avó 11ª a Domingas Freire fiquei mais convencido de que a placa é mesmo da minha 10ª avó.A Domingas foi acompanhada no casamento por ilustres ansianenses. O Dr. João da Paz era um deles. Falta-me saber se os Barros que também comparecem estariam ligados a D. João de Barros que teve uma quinta perto das Meirinhas. O jurisconsulto Pascoal de Melo Freire também devia estar ligado à família, e um professor universitário de Braga, escritor de vários livros que faleceu há uns anos, o Doutor António Freire também.
Segundo o Padre José Eduardo Coutinho na sua Monografia sobre o concelho de Ansião, alvitra que esta lápide por ser de quem mandou construir esta igreja. Ora aqui tem uma grande pista!
Renato, Deus queira que o Pascoal não esteja ligado à sua família (?), pois como sabe juntamente com o Marquês de Pombal foram arquitetos em conluio da sentença da morte dos Távoras ( não é de estranhar que em Ansião terra de pedra e de canteiros, nunca lhe mandaram erigir estatuária, apenas tem o nome numa Rua) , sendo que no seu tempo foi um distinto jurisconsulto, é de  se estranhar. Quanto ao Professor e Padre Doutor António Freire, homem nascido em Lisboinha, primo direito da minha mãe, sobrinho por parte do pai, celebrou  excecionalmente o meu batizado em Ansião em agosto de 57,  com fotos do kodak emprestado pelo seu tio Jaime. Não sei a origem do pai dele, assim sendo julgo que o padre não seja da sua família, sendo da minha por parte da minha mãe.

Assento de casamento de Domingas Freire
 - O Dr. Manuel da Paz foi testemunho de casamento da Domingas, minha ascendente e tinha uma Quinta em Ansião, ou arredores com o nome de Quinta da Segonheira, referenciada num outro registo paroquial que possuo. Será que consegue descobrir algo sobre esta Quinta que existia no séc. XVII em Ansião? Aí vai um registo antigo. Tente decifrá-lo
Pois não sou capaz...
 - Vou mandar-lhe agora a interpretação. Inicialmente, noutro registo tinha interpretado Quinta da Segundeira, mas neste é claro, Segonheira. Apesar de terem escrito cegonha com s, talvez fosse assim na altura,  Ansião também já foi Ancião com c.
Aqui está segonheyra (3ª linha a contar do fim) com y,  nesta altura Freire era Freyre com y.
Nunca ouvi falar no nome da Quinta Segonheira, para mim parece plausível que o nome possa derivar de cegonha (?),( avistei o ano passado uma lindíssima junto da Lagoa do Pito e este ano outra nas Vendas de Maria, onde ouvi dizer que atiram tiros para o ar para as assustar porque comem os coelhos...)
A presença de lagoas cársicas no Maciço de Sicó foi grande, algumas foram entupidas no tempo, ainda existiam várias; Ameixieira, Albarrol, Aljazede, Lagarteira, Serra de Janeanes e,...
Existe uma Quinta do Salgueiral em Chão de Couce que tinha nascentes de água férrea. Mas a focada no documento é Seguinheira, apesar da muita semelhança.Há uma aldeia de xisto  desertificada, pertence a Alvaiázere,  à Ribeira d'Alge na estrada a caminho de Figueiró dos Vinhos, perto de S. Neutel que se chama SIGOEIRA, o mais parecido com Segonheira...Aliás no registo que me enviou até me parece ser Segoheira (?), o que pode ser mais uma pista.

Sigoeira  aldeia pertença a Maças de D.Maria
- Mal sabiam os meus bisavós que um dos seus três filhos, o genro do António Bairrada  e filho do Manuel Freire dos Santos haveria de falecer com apenas 29 anos, deixando órfãos seus dois netos: A Laurinda e a Gracinda. O Brasil não lhe trouxera sorte como ao meu bisavô. Veio do Brasil muito doente vindo a falecer com 29 anos na Sarzedela, aldeia histórica, a caminho (pela estrada real) de Coimbra. Quem sabe se a mulher do Alfredo que veio do Brasil doente para falecer na Sarzedela não seria descendente desta Quinta, por parte da mulher?
Houve um descendente de "Rodrigues Valente" da Constantina que me disse uma vez " a senhora se entusiasma com relativa facilidade". Confesso este pecado do entusiasmo  e claro inflamo com facilidade, para neste agora no precipitar da ideia dizer que  a Quinta da Segonheira, possa ser a atual Quinta das Lagoas (?), tendo perdido o seu verdadeiro nome primitivo e ganho outro dado pela atual toponímia, dada pelas muitas lagoas que se formam no inverno nos terrenos que foram pertença da quinta e adjacentes, quem sabe atraiam as garças e cegonhas, dai a associação ao nome ? A meu ver a Quinta era ladeada a norte e a poente pela estrada antiga romana e medieval vinda da Constantina para descer ao Nabão...Esta quinta foi antes de um padre de seu nome Domingos Alvres da Paz e aqui pode haver ligação aos seus ascendentes "Freire da Paz"

No Livro Notícias e Memórias Paroquiais Setecentistas de Mário Rui Simões Rodrigues e Saul António Gomes encontrei um relato que possa ser a pista certa:
" 1721 Titulo das Capelas (...) António de Barros da Ribeira do Açor que mostrou duas quitasoins do Sr Dr Provedor de quinze missas que paga pela instituhisam que fes Domingos Fernandes seu cunhado da villa de Ansiam; este instituhidor faleseo e a instituhio em os trinta e hum de agosto de mil sei sentos e outenta e hum annos.
Item Mais huma obrigasam de sete missas de capella que instituhio Maria Rodrigues molher que foi de António Pires da Sarzedella e hoje sem admenistradores della António Nunes e sua molher Maria Rodigues e Domingas Freire ueuua e António Freire ueuuo todos da Sarzedella a qual instituhisam foi feita em os cinco dias do mês de mayo de mil e seis sentos e sincoenta e outo annos. Sam sete missas."
(...) Interessante na mesma data referir que na vila de Ansião houve uma Capela cujo administrador foi o padre Bartolomeu Barros.

Apelido "Barros", ligação ao escritor João de Barros viveu na sua quinta em Santiago de Litém

Neste excerto aparece o nome de Domingas Freire ueuua, não sei se será a mesma Domingas Freire sua ascendente, sendo que esta morava na Sarzedela, e a ermida seria de Santa Luzia que antes teve um Morgado de Marcos Teixeira Gomes Colaso.Neste tempo a Sarzedela era concelho e tinha juiz.
O apelido Colaço estava naquele tempo interligado á familia de Alarcão do Espinhal e Colaços de Condeixa.
Evidencia que a quinta da Segonheira foi sediada junto ao rio da Sarzedela como hoje se chama , por isso as cegonhas aqui aportavam no inverno em rota migratória para descansar e se alimentar, de facto estão para meu agrado a voltar!
 - Interessantes pesquisas, a não descuidar cara Maria Isabel.

Foto em dia do meu batizado
O Sr. José André do Ribeiro da Vide (descendente de Pascoal Freire de Mello dos Reis), o meu avô paterno Zé do Bairro (José Rodrigues Valente), o padre Freire de Lisboinha, o meu pai (Fernando Rodrigues Valente), a criada do Alvorge, a Lurdes comigo ao colo, a minha mãe Ricardina Ferreira Afonso e a minha avó paterna Piedade da Cruz.
Nesta uma prima do meu pai a Tina, e o meu tio Chico, irmão do meu pai
 - O que me intrigou foram as colunas jônicas (frisadas) da fachada principal. Já vi umas assim em Cernache do Paião, numa Igreja octogonal próxima ao Mosteiro cisterciense em ruínas. A pia baptismal é lindíssima. E o Santo Antano será Santo Antão, não? Costumava haver uma tradição expressiva entre os meus familiares de Ansião que era "valha-me Santo Antão!" Sabia desta expressão?
Lamento não me recordar dessa expressão. Mas é um Santo devoto dos Jesuítas e na região existem vários em capelas e igrejas. Sendo que se instalaram na Granja em Santiago da Guarda, por volta dos finais de 1500,  então no início da herdade de Façalamim (r), interrogo-me depois de ter visto a sigla dos Jesuítas esculpida numa pedra  e duas pedras com uma inscrição em latim no Alvorge reutilizadas numa casa junto a uma capelinha do Espírito Santo, diz o povo tinha sacristia e foi a primeira igreja com data de 1565  , a pergunta impôe-se será que os Jesuítas se instalaram primeiro no Alvorge até fazerem o paço na Granja?
Depois dos Jesuítas terem sido expulsos o paço passou para o bispado de Coimbra ... 
Em Ansião existem duas Confrarias, a do Santíssimo Sacramento e a da Misericórdia, desativada. Por altura da República com a divisão da igreja e do poder, os Livros foram para o Tribunal onde houve um incêndio em 1937 e claro perdeu-se história.
 - Porquê o pedido das orações? É uma pergunta que tenho levantado. Muitas tribulações na vida. Só pode ter sido.O avô paterno nasceu lá, mas o olhar é mais visível noutras pessoas, que são afastadas da família.
Ao tempo os afetos eram sempre escondidos.
 - Claro, os casamentos entre o povo e a aristocracia eram praticamente impossíveis. Mas há ainda os judeus que passaram por Ansião, sendo o nariz aquilino uma das características, tal como o ser-se semítico/forreta. Um timbre da minha família, a que eu felizmente consegui fugir. Muitas mulheres sofriam tormentos com a força hormonal, a que não sabiam acudir, diziam que eram tentações do inferno, e muitos padres as tratavam com exorcismos e outros faziam o trabalho, que seria meritório para os dois (?).
Concordo em absoluto. A presença dos judeus na Península Ibérica remonta a séculos antes de Cristo, quando "Ele" nasceu os judeus já cá estavam à muito...Os fenícios, de raça semítica, chegaram à Península Ibérica associando-se em expedições com os hebreus pelo Mar Mediterrâneo desde os tempos do rei Salomão, usando as ilhas gregas como pontes para a dispersão rumo ao Ocidente, à Europa onde se transformaram em verdadeiros agentes povoadores.
"A grande verdade é que os judeus eram vistos como um povo diferente, um hóspede especial, que participava na economia da região, integrando com ela intencionalmente, mas não religiosamente, ou filosoficamente, porque sempre tiveram a sua peculiar cultura, tradição e costumes guardados pela Torah, pelo Talmude, Mishná e Guemará. Assim, de certo modo estes judeus foram ocidentalizados, tornando-se os sefarditas (os judeus de Sefarad, Espanha) que mais tarde se tornariam os conhecidos como os “Marranos”, quando a inquisição Espanhola teve o seu “start”.

A minha linhagem paterna descendente de cristaos novos vindos da fenícia, atendendo aos traços de nariz afilado, lábios finos, olhos ligeiramente amendoados, tez branca, pés e mãos elegantes e longos, e cabelos pretos asa de corvo.Só a altura não corresponde pelos cruzamentos de casamentos, no caso o meu pai muito alto e a minha mãe baixa. Corroboro o que diz, a Igreja sempre teve padres com conduta do celibato irregular. Em Trancoso um padre deixou descendência em mulheres, não respeitando mães nem filhas, a todas deixou descendência, contam-se mais de 200 filhos . O próprio Mário Soares é filho de um padre, das Cortes em Leiria.
A minha avó paterna nascida em Ansião era lindíssima, com 1,80 de quem herdei semelhanças,  no seu tempo apareceu um letrado para trabalhar nos serviços, não sei se no Tribunal ou do Registo, se apaixonaram,  mas ela foi impedida pelo pai, casando-a com um pedreiro, conta-se que na noite de núpcias dele fugiu dele  casa dos pais, que a trouxeram de volta ao marido, reza a história triste da sua vida que  foi sempre infeliz, acabou por abafar as amarguras da vida na bebida, a droga que tinha à mão, para se esquecer de tamanha infelicidade, sendo mulher delicada e fina e ele apesar de trabalhador, um homem grosseiro e de modos rude.
  - Há uns anos passei com um amigo próximo da Venda do Brasil, não resisti ao ver uma mulher alta e forte, dos seus setenta anos, com uns olhos tão bonitos a dizer-lhe, tem uns olhos lindíssimos!
Ao fazer-lhe uma pergunta sobre um itinerário para conhecer o  palacete na Várzea, onde habitou o advogado Dr. Mota, homem aristocrata, descendente do Visconde de Santiago da Guarda.
O Dr. Mota também teve uma casa na Rua dos  Bombeiros com uma data inscrita na porta de 1880 (?) de paredes meias com o barracão do seu avô onde tirei algumas fotografias.

O Visconde de Santiago da Guarda
Alfredo César  Lopes Vieira  em 1905 foi presidente da Câmara de Ansião, onde teria sido tirada a foto?
Aguarela de Ansian pintada em 1669 por Pier Baldi
 - Estive na abertura à exposição do Jorge Estrela (que faleceu há pouco) na Casa Museu João Soares aqui nas Cortes em Leiria, onde estiveram em vitrines, os originais ou faximilados, já não recordo, dessa memorável expedição de um dos elementos dos Médicis, a família que criou o sistema monetário a nível Histórico na Humanidade, com passagem por Ansião. Deve haver registo fotográfico da mesma na Casa Museu de que sou sócio fundador. Vi com atenção a figura desenhada, parece-me uma Igreja com pano de fundo, o Escampado de São Miguel (?).
Não. A comitiva do Príncipe Cosme de Médicis  vinda de Almoster pela estrada medieval ou Coimbrã entrou no Bairro de Santo António. A aguarela retrata 4 posters por onde passou em Ansião no meu opinar.

Pormenor de parte da réplica da aguarela de Ansião 
Alusiva no cortejo do carro alegórico dos Netos aqui a retratar três pontos:Na direita o núcleo da Cabeça do Bairro com a Casa da Câmara.
O Vale Mosteiro sobre o qual proferiu de "infeliz burgo" por constatar tanta ruína provocada pelo terramoto de 1531 (?) e suposto abandono depois de 1593 quando o burgo se deslocou 200 metros para nascente, no mosteiro estaria encastrado o esmoliadouro, sito na beira da estrada Coimbrã ou Real , conhecido por Osúmio a poente, para os monges protegerem as esmolas dos salteadores, por isso o orago a S.Lourenço,o seu guardião assim retratado na história.
O burgo do adro velho  com a torre da Igreja com duas aberturas para sinos em cada face, cujo corpo da Igreja se mostra como se fosse o seu tardoz encimado por óculo, sem ter a janela de iluminação que tinha inicial acima da porta da entrada,  esta jamais mudou de local.
Finalizou a aguarela com uma panorâmica geral do novo burgo da vila sem mostrar a matriz nem a ermida . 
Onde deveria a comitiva ter pernoitado? No séc. XV haviam três estalagens em Ansião, na Cabeça do Bairro  houveram duas, no Vale Mosteiro teria sido a primeira de todas e anterior, na vila foi edificada uma albergaria e um hospital pequeno em meados da centuria de seiscentos, e mais tarde sofreu alteração a ermida de Nossa Senhora da Conceição ao ser ampliada para a Capela da Misericórdia concluída em 1702, a comitiva passou em 1669.Na verdade numa delas pernoitou, mas que não foi retratada nem falada como a anterior da Gaita e a seguinte da  Fonte Coberta!
Ao jus de gozo, de tanto enxergar a aguarela nada vejo do que seria o burgo de Ansião, hoje atual,  pelo que seja fácil acreditar que Baldi se baldou, ao chegar pela tardinha do dia 21 de fevereiro de 1669, ao anoitecer optou por fazer uma aguarela tipo "chapa 5"...cuja ilustração a meu ver seja  coerente como a descrevi ao passar pelo Bairro na direção do mosteiro e do velho burgo por isso o cronista escreveu que o proferiu de "infelice burgo", o casario foi descrito como sendo baixo e velho entre 60 a 70 casas, ( na saída o burgo actual) para me deixar a pensar como  tal seria possível atendendo ter sido construído a partir de 1590, com a matriz ostentar a data de 1593, como se explica o grau de "velhice" num intervalo apenas de 76 anos?
-Interessante a sua tese. Relativamente a esse aspecto da descrição de Ansião não foi passado nada na exposição, talvez só na Itália se possa encontrar. Segundo o Jorge Estrela  me disse, o Cosme III de Médices  estava a gozar de uma oferta do pai para esquecer a francesa que o havia deixado e fugiu para a França, para o Palácio de Versalhes.
Renato veja se se lembra do nome da estalagem onde o Médicis ficou a sul de Ansião.
  - A estadia da comitiva perto de Ansião, foi na albergaria da Venda da Gaita.
Já sei, fica antes de Almoster, agora a aldeia chama-se Santa Cruz .

Velha igreja de Almoster desativada em 1963
Porta da sacristia (?) ornada na cantaria com flores, corações e...
"Na Inquirição de D. Afonso II, de 1220, diz-nos que, D. Sancho, deu ao Prior de Abiúl a Albergaria de Almoster ".
O nome "Gaita" por que ainda há poucos anos era conhecida uma região de Almoster (hoje Santa Cruz) denuncia a passagem periódica de carruagens com pessoas e correio, cuja chegada era anunciada pelo toque duma gaita. 

Livro a Extremadura Portugueza de Alberto Pimentel de 1903

A última estalagem do Bairro de Santo António funcionou até ao inicio da década de 30, cuja estalajadeira morreu na década de 50 com mais de 100 anos. Por essa altura foi alugada ao jovem casal o Sr. João Marques André, Oficial de Diligências, mas por a renda ser cara  a esposa falou com a sogra ou sogro e tiveram autorização para usar uma casa de familia defronte do largo do Ribeiro da Vide, em pedra de balcão que conheci bem, e hoje não existe.
A última estalagem hoje dela só resta a parte a norte, onde era a cozinha, salão para comerem e no sobrado as acomodações, é a casa que foi de " AntónioTrinta" .A estalagem da Maria da Torre, por ser natural da Torre, assim ficou conhecida pela alcunha, tinha a sul um grande arco por onde os cavalos entravam para o quintal, com cabides para serem pendurados os freios e arreios, um Crucifixo com o Senhor do Bonfim do século XVII, atualmente  na posse dos herdeiros e ainda uma telha antiga com uma inscrição que mantêm bem guardada de difícil acesso, por isso não me a mostrou, confesso me deixou curiosa, no seu tardoz havia uma cisterna, antiga mina de água, onde se dizia deixavam morrer em agonia os forasteiros que matavam para os roubar, o que corrobora por fidelizar o aziago dito popular, para mal dos nossos pecados péssimo desígnio  "Ansião terra de 30 moradores e 31 ladrões" exarado no Livro a Extremadura Portugueza de Alberto Pimentel de 1903, refutado pelo Padre José Eduardo Coutinho" Ansião terra de 30 moradores, 31 já cá estão"...com porta de passagem das cavalariças para a estalagem a norte ao lado da escadaria que seguia para o sobrado onde pernoitavam, em baixo a grande cozinha com chaminé e salão. No quintal um grande poço e na frontaria uma velha glicinia de cachos lilazes.
 - Era isso mesmo. Lembro-me do arco.
 - Se a viagem do Cosme por nossas terras aconteceu em 1669, 4 anos depois da mãe da Domingas Freire, de mesmo nome, se ter casado a 11.11.1665, a Domingas filha-, de quem eu acho ser a pedra gravada na Matriz, foi baptizada a 08 de maio de 1672, apenas 3 anos depois da passagem do Cosme de Médices III por Ansião. Pouco tempo antes, a partir do reinado de D. João IV, como sabe, deixou de ser usada coroa na cabeça dos nossos Reis, passando a sua coroa definitivamente para a "cabeça" de Santa Maria, Nossa Senhora da Conceição. Sendo a minha  descendente Domingas Freire (mãe) nascida neste reinado tendo casado já no reinado de D. Afonso VI-, o vitorioso, epíteto atribuído com a Vitória nesta batalha. Repare na pedra referente a essa batalha 1659 que existe pouco antes da linda cidade de Estremoz. Vamos parar às mesmas datas. Luís de Meneses, 3.° Conde da Ericeira (Lisboa, 22 de julho de 1632 - 26 de maio de 1690).
 Padrão evocativo ao Fundo da Rua em Ansião
Renato, a pedra em Estremoz que mostra acima atesta o  feito de Luís de Menezes  na batalha das Linhas de Elvas, ao género do padrão em Ansião cuja inscrição cito:
"O primeiro Senhor de Ansião D. Luís de Menezes, recebeu a vila por ter sido herói em guerras da Restauração. Ao Fundo da Rua o Senado de Ansião fez erigir um padrão, com inscrição latina em 1686, para "Perpétua Memória a D. Luís de Meneses Conde da Ericeira..." cuja tradução: "Para Perpétua Memória/A D Luís de Meneses Conde da Ericeira d'El-/Rei Pedro II Conselheiro de Estado e do Fisco/Intendente Na Província do Alentejo/Supremo General de Artilharia/Governador da Província de Trás-os-Montes/em vez de João de Áustria/vencido na batalha do Canal/E após a recuperação da cidade de Évora/esta pela jurisdição/que lhe foi concedida o cumulou de tais/prémios e honras por durante 18 anos/se haver dedicado à guerra por ter travado/cinco batalhas e ter participado em tantos/cercos à cidade obtendo glória militar e/alcançada a paz exerceu os maiores/cargos com louvor Por isso o Senado/de Ansião tratou de lhe mandar erigir/este monumento/No ano do Senhor de 1686"
Sendo que a lápide é semelhante pela escrita com a da pedra que está na Matriz, logo contemporâneas...
 -E comprovadamente dessas datas que proponho para a Domingas Freire filha, minha 10ª avó, no ramo dos Freires da Paz de Ansião.
Agora falta confirmar a minha tese: Laureana Freire da Paz filha da minha 10ª avó que teria padecido muitas "dores" ela e a mãe, e talvez avó, pelo segredo mantido e talvez descoberto pelo noivo pouco depois, o Diogo Dias. A Laureana durou apenas 33 anos. Casando aos 19, durou o seu matrimonio apenas cerca de 13 anos. 
 -Isabel, é o segredo visionado por mim lembra-se? Será que ela se apaixonou por ele? Para mim, a grande maioria das mulheres de Ansião têm uma beleza indescritível.
Forte probabilidade, por isso não pernoitou em Ansião (?), onde seria que perpetuou o pecado? Homem de lábia romântica na voz de  italiano, no momento que se viram não perdeu tempo em a enganar bem enganada com o fruto na barriga, enquanto Baldi fazia o desenho de Ansião...
Comungo consigo o nato gosto em apreciar o belo no seu máximo esplendor; seja no masculino, feminino ou abstrato, e na mesma o que diz  "em Ansião sempre houve bonitas mulheres"

Foto do cortejo alegórico anos 60
Ao tardoz da Praça do Peixe com o Dr. Alfredo Silveira e a esposa e as manas (Armanda e Mariazinha, irmãs do armeiro que conheceu), filhos do Sr. Oliveira, em cima do carro algumas das mais lindas mulheres de Ansião, suas contemporâneas, hoje na casa dos 60 e picos anos.
Sem falta de modéstia, euzinha em fotos tiradas na Casa de Fotografia Paz
Aqui com a minha irmã tirada num pequeno barracão junto da casa do seu tio Adolfo, no chão resquícios de palha que ficava sempre em rodapé nas fotos
Foto que o seu tio Jaime me tirou em 67 para o meu primeiro cartão de assistência do Ministério da Justiça, com o cabelo mal cortado na brincadeira com a minha irmã, no faz de conta a profissão de cabeleireira, logo me cortou mal a franja...
 -A Isabel disse-me que o Luís de Meneses nunca morou em Ansião?
Dizem os historiadores que nunca veio a Ansião, possivelmente só dormiu uma noite mas é difícil de acreditar...
- É mais uma visão possível.

O Conde da Ericeira Dom Luís de Menezes
Ao que parece o Conde da Ericeira, o nosso  Senhor de Ansião Luís de Menezes se suicidou, atirando-se da janela do seu palácio em Lisboa, morrendo de imediato, por causas de ataques de  melancolia, a depressão que o atormentava...
 -Afogado em saudade da sua querida amada Laureana (?). Provavelmente a menina Laureana adquiriu o apelido Paz que não veio, creio eu diretamente do pai, a menos que lhe tenham abreviado o nome, como era normal nos registos a essa época, no reinado de D. João IV se não estou em erro.Relembro que é nesse reinado a coroação de Santa Maria, Nossa Senhora da Conceição a 8 de Dezembro de 1640.
O Renato tem traços de aristocracia, quem sabe por parte dele (?).
 - Quem sabe. Os genes por vezes surgem à 10ª geração.
Isso é verdade.
 - Sei que a tia Ilda teve um desgosto grande de amor e que por esse motivo, não quis mais ninguém...
Capela de S. João na Sarzedela a antiga no contraste com a renovada pelo arquiteto da minha família Bruno Dias, filho duma prima minha, Manuela Lucas.

Capela de S. João na Sarzedela
 - Fui à Sarzedela pela primeira vez ao S. João. Comi a melhor feijoada de sempre. A minha prima Anabela mandou-lhe cumprimentos.

Gruta das Lagoas? Ou outra na Sarzedela?
Há pouco tempo aos passar nas Lagoas, por detrás do casario dei conta que o terreno tinha sido terraplanado com plantio de pinheiro (?), local onde havia uma gruta que conheci na década de 60 com a minha turma e a Prof. Mané, para recolha de pedras para uma aula de Mineralogia do Colégio, debalde sem material de suporte não passamos da entrada, recordo o buraco onde avistamos um grande abismo com estalactites que desciam do teto e outras que subiam do chão, uma ao longe nos pareceu formar uma Imagem de Nossa Senhora. Contentes na vinda em rota de passeio chegámos com atraso à vila para um dos colegas apanhar a camioneta para o Marquinho, sendo que apanhou boleia numa camioneta de caixa aberta para onde subiu, que se haveria de despistar em tanta curva e contracurva, vindo a falecer, no dia do seu funeral fomos todos a pé em romaria com flores nas mãos.
Cortesia da foto que retirei da página do Facebook da Sarzedela, não sei se será desta gruta que supostamente foi entupida(?), o que me arrepiou o pensar, acaso um ano destes pode acontecer o mesmo que em Porto de Espada, com a cratera que se abriu num terreno agrícola  "um grande buraco atribuído à "instabilidade geológica" daquela zona, admitindo que esta possa estar associada à existência de grutas no subsolo".

Arco de volta perfeita a norte do que resta do Mosteiro (?) no Vale Mosteiro
A minha mãe sentada numa pedra de Lagar (seria dos monges?)
- Sei que o meu tio Artur Paz tem um terreno no local do Vale Mosteiro, levou-me lá uma vez e disse-me que havia um túnel (dentro de um poço) onde tinha andado em garoto. Tenho andado atento no Vale Mosteiro. A Câmara vai pondo entulho e mais entulho, parece-me que já apanharam um pouco desse belo terreno (?) perto do Intermarché, que dele ainda sou herdeiro, da que foi a belíssima horta do meu avô, onde tinha um poço com picota e legumes sempre fresquinhos, com uma pequenina casa em pedra, e conduta também em pedra para passagem de águas que ainda lá está, confronta com a CUF para sul, neste agora cheia de silvas e mato.
Maria Isabel! Eram os olhos de criança e o pitoresco das vivências de Ansião.

Tardoz da Misericórdia
Arco quebrado em ogiva igual ao que vi e por onde entrei na Capela do Mosteiro ao Vale Mosteiro data provável do séc. XII, o mais antigo testemunho do passado em Ansião.
Neste momento surgiu-me outra curiosidade-, sobre o apelido PAZ. Sabia que a Igreja velha que existiu no local do atual cemitério, não se sabe o que lhe aconteceu para nela se ter acabado o culto. Anos mais tarde nos escombros reza a lenda que o povo da Constantina encontrou a Imagem de Nossa Senhora da Paz, e a levou em procissão para a capela da Constantina. A verdade,a Imagem  de Nossa Senhora da Paz depois da desativação da igreja ao culto, foi guardada na sacristia da nova Matriz julgo sem roupagem ( o que invoca a possibilidade de ter havido um incêndio), ocorrido o Milagre na Fonte Santa, o povo da Constantina ainda mais crente  mandou erigir uma capela maior sobre a que já existia, mas não tinham Imagem para nela colocar, desse modo arranjaram forma de levarem a Imagem da sacristia da matriz de Ansião de noite, para os Ansos, não se darem conta, por também serem muitos ligados aquela Senhora, "segundo a crónica de Severim Faria-, excerto do relato da viagem com saída e chegada a Évora em 1625, com o Chantre de Évora, para visita a três Santuários, passaram por Maças de D. Maria para visitar uma irmã de Severim, onde comeram e beberam do melhor, seguindo a caminho da Constantina, apenas dois anos depois de ocorrido o Milagre na Fonte Santa, passaram por Ansião com muito calor a caminho de Alvaiázere, para visitar o Santuário de Nossa Senhora dos Covões e finalmente foram ao da Nazaré. "
 - Agora fiquei de novo surpreso sobre a Imagem de Nossa Senhora da Paz estar relacionada com a Igreja a poente que desapareceu. Hoje mesmo vi um artigo sobre a origem de Nossa Senhora da Paz em Toledo 1085. Será essa a origem?
Caro Renato pois é muito estimulante e com perspicácia e inteligência especular sobre tal enredo. Quando fazia a cronica veio-me à ideia do que falou, numa pesquisa na internet descobri que o culto foi iniciado em Espanha, por terem conseguido afastar os mouros que profanavam as Igrejas cristãs, o que me deu o mote que por Ansião, onde estiveram imenso tempo teria acontecido o mesmo. Tema muito interessante para se indagar em Monografia. Outra curiosidade com a sua família é que me lembro de alguém oriundo da Constantina, a Titi, aquando do namoro com o nosso tio António, tiraram fotos na Fonte Santa e redondezas, o que pode atestar a origem do apelido PAZ na Constantina, o que era comum em muitas famílias, mas nesta em particular, que se ramificou, pois existem na Sarzedela outras famílias com o mesmo apelido.
 - Com o apelido Paz existem várias, mas "Freire da Paz" , o meu é que não. Foi muito lá para traz que veio da Constantina e arredores, por exemplo dos Netos. Do lado do meu avô, o Adriano Freire da Paz, veio o Paz com o Freire. Dizendo-me o meu pai que a tradição oral da família era que o Freire da Paz já vinha de muito longe. Vai daí dei comigo a pesquisar no arquivo distrital até onde ia o Freire da Paz e fui até à Laureana Freire da Paz baptizada a 5.06.1692, e falecida em 1722, muito jovem, com 33 anos, casada com Diogo Dias. Daí até hoje houve sete homens até ao meu pai na linha dos Freires da Paz, e por esse motivo não se perdeu o Paz. O seu pai era Manuel João que teve como testemunhos de casamento (9.9.1691) António de São Bento Freire irmão do Doutor Manuel Paz e João de Barros casado com Isabel da Paz.
Caro Renato continue a pesquisa porque me parece que a sua ascendencia será por aqui nesta gente que já era licenciada com um padre ambos devotos de Sto António ao Ribeiro da Vide , capela instituida em 1603, apesar de ter data de 1647, possivelmente quando foi alterada(?) por três pessoas todas de apelido Freire da vila todas mandavam rezar missas, e ainda na ligação à actual quinta das Lagoas que antes foi dum padre Domingos Alvres da Paz...
Huauuu ...Tenho de averiguar porque o meu ramo é Freire da Paz pode ser outra famiçia apenas de apelido Freire.

Solar aos Netos
Casa solarenga, castiça com inscrição na ombreira da porta a data de 1716, janelas de avental com alpendre de chão lajeado, seria de gente abastada, no seguimento da estrada  hoje principal mais à frente a caminho do Freixo(?) há vestígios de outra mas não fica na beira da estrada.Ainda lá quero ir.
Por falar na possível descendência nos Netos, lembrei-me que há poucos anos a fotografei , tendo frontaria para o tardoz da capela, de gaveto com um caminho vindo de nascente ( Constantina) bem pode ser o caminho romano, o tal que o seu tio Artur lhe falou, quem sabe esta casa também seria de descendência da sua família (?). Uma coisa parece bater certo ao tempo as casas solarengas na região todas implantadas à beira da estrada Coimbrã, que antes foi a via romana; sopé da Fonte no Alvorge, Granja, em Santiago da Guarda, este solar os Netos, a Quinta das Lagoas, a Quinta da Bica  nas Lameiras antes do Nabão e a Quinta de Além da Ponte depois da Ponte da Cal.
  - Locais que aflora, espero me venha a mostrar.
-Imagine Isabel, quem será esta criança vestida de anjinho? É a minha avó Maria da Conceição. Creio que aqui terá uns 4 ou 5 anitos.  Se não falhar esta foto é de 1889, a mais antiga que possuo. 
 - Para terminar vou-lhe enviar a minha reconstituição a partir de foto, a minha bisavó Carmita, mãe da Maria da Conceição, minha avó. Tenho fotos dela já idosa naquele tempo, próximo dos sessenta e piques com uns olhos esverdeados e uns cabelos de encantar .Maria do Carmo, a minha bisavó que casou com Manuel Freire dos Santos era uma mulher lindíssima.  
Glamorosa. Pode ter descendência dos invasores como a minha mãe e avô também de olhos verdes.
Pois o Renato tem a quem sair, tanto do lado do pai como do lado da mãe.
 -Ora, ora, a Isabel também. Não foi por acaso que o meu tio António se enamorou da sua tia Maria da Luz...
 Teto capela cistina de Michelangelo - Segredos do cérebro na criação de Adão.
  - O enredo graças a si começou a desenovelar. O mistério graças a si começou esta madrugada a desfazer-se. Eu não havia compreendido, mas agora fez-se luz esta minha investigação. E o poema continua em construção cara Isabel. Ei-lo!
 - Sobre o cinco do cálice: Avelar; Aguda; Chão de Couce; Maçãs de D. na Maria e Pousa Flores; abriu-se o oito da corola da rosa: Ansião. As oito séfiras do pelourinho as oito Freguesias de Ansião. Complete por favor os nomes das freguesias.
Renato, Ansião no momento tem 6 apenas freguesias, tendo sido suprimida uma-, a Lagarteira, não sei se no passado alguma vez foram oito. Não sei o que significa séfiras, julguei que fossem safiras...

 - Séfiras foi uma das minhas hipóteses que pode não corresponder à intenção do autor. Tem a ver com a árvore da vida dos judeus. Sefirot ou esferas, a árvore da vida tem dez séfiras ou sefirot. Acho eu que houve tempos em que os hebreus influenciaram muito a nossa cultura. Eu tento compreender o que está para trás, o que está presente (embora fugaz) e o que está no futuro.
Há uma História mítica da formação de Portugal que está ligada a D. Afonso Henriques. E não se pode descurar nada, incluindo a rosa sobre a Cruz. Uma rosa vermelha no centro e quatro amarelas em Cruz. Oito sobre cinco é algo muito subtil. E o botão da rosa que é Portugal se abriu para dar luz ao mundo!
Este é o poema.
Os frades crúzios eram muito avançados, passaram a sua grande biblioteca para Seiça,  ao pé do Paião, muito perto de onde houve um Milagre que se fez lenda ligado a Montemor o velho, onde também há a lenda de duas arcas enterradas, uma delas com ouro.
Tem de viajar os Mitos do tempo de D. Afonso Henriques, e ler as Lendas, para me ajudar a construir o grande Poema que é Portugal.

Euzinha no sopé do morro natural da Ateanha há uns anitos...
Renato saia também da Lenda que o local da Batalha de Ourique possa ter ocorrido entre a várzea de Aljazede  e Chã de Ourique, no limite do concelho de Ansião com  o de Penela, e que na noite antes da Batalha  apareceu ao Afonso Henriques um velho que já lhe aparecera em sonhos, e lhe falou da vitória, e que nessa noite devia sair sozinho logo que ouvisse a sineta onde ele vivia (morro da Ateanha, suposta torre defensiva natural? ). Ganha  a Batalha, conforme reza a lenda, D. Afonso Henriques decidiu que a bandeira portuguesa passaria a ter cinco escudos, ou quinas, em Cruz, representando os cinco Reis vencidos e as cinco chagas de Cristo. O Renato é Professor, qual a sua área, História ou biologia? 
 - Geografia. 
Também gosto muito de geografia.  Interessante o seu estudo familiar, a árvore genealógica, sempre ajuda desde que se tenha carolice para pesquisar os arquivos paroquiais, e paciência para decifrar letras de ortografia quase indecifrável, o que para mim não se revela tarefa fácil de abarcar, por isso admiro os que a fazem. Já percebi que a sua linhagem judaica entronca em parte com a minha,  por parte de pai com genes fenícios, e de mãe descendente dos desertores do Buçaco, os invasores franceses, e pelos olhos verdes do meu avô e da minha mãe, e da sua bisavó Maria do Carmo, devem ter genes da Rússia, do tempo que a invadiram, e com eles vieram muitos homens nas suas hostes...
 - Interessante. Acho que há ainda outra tradição. Os Valentes podem vir dos celtas.
Fonte Santa
Fiz uma cronica sobre a Fonte Santa na Constantina, por acaso não tem fotos antigas do local? Recordo que em casa do tio António haviam.
- Tenho um cartaz antigo com um texto grande a falar sobre o Milagre no sótão.Amanhã vou procurar.


 - A Confraria de Nossa Senhora da Paz tem pergaminhos antiquíssimos. Uma vez estive lá com o meu pai e mãe em casa de uma senhora que era filha de um senhor que tinha andado na Marinha de Guerra , sepultado no cemitério de Ansião. Ainda lhe pedi para me alistar na Confraria, mas depois como nunca mais me respondeu, deixei cair esse projecto. Mais tarde fui conduzido pelo meu tio  Artur Paz até ao local do Milagre, também me mostrou um troço de calçada romana entre Ansião e a Constantina, mas já não consigo lá chegar neste momento.Já perguntei onde é, e não me sabem dizer. Sei que se partia depois de Além da Ponte na direção da Constantina. Esqueci-me do local exatamente. Penso que seria na continuidade da estrada de Além da Ponte, direcção norte.
A calçada romana que refere ou caminho romano, na lógica será parte da ligação vinda da Constantina. Quando fui aos Netos fiquei a pensar no caminho que segue entre o solar em ruínas e o tardoz da capela, a norte,  pode muito bem ser este que fala, descia à Fonte Santa, parte já não deve existir por asfaltamento do piso (?) para depois seguir no contorno da Quinta das Lagoas a norte e poente para descer ao Nabão (?) .Se for este parte ainda existe, só o que foi asfaltado é que não, porque já está inventariada uma variante que se bifurcava na várzea de Aljazede, uma delas viria para Ansião ( este troço que conheceu credenciava esta variante) e a outra para Tomar, com troço catalogado na Tojeira, no Avelar. Sobre vestígios arqueológicos romanos em Aljazede, aldeia que pertence a Ansião no limite com Penela, encontrei um apontamento sobre poços com escada e muros soltos onde se pode caminhar, feita em 1957 pelo Dr. Arnaut historiador, forçosamente me lembrei do poço que o seu tio Artur chegou a brincar ao Vale Mosteiro, no quintal dos meus pais também existiu um. E de fato houve uma via romana que passou nas imediações , por isso a que viu em miúdo perto da Constantina, aos Netos (?)  seria aqui a sua continuação (?). Ao dar uma vista d'olhos numa dissertação de mestrado passo a citar "A Várzea de Aljazede é um longo vale de cultivo que se localiza perto da povoação de Aljazede e que apesar de pertencer na íntegra ao distrito de Leiria, faz fronteira com o de Coimbra. Neste vale existem diversos tipos de culturas, divididas em pequenas parcelas, que assumem predominantemente a forma rectangular. Em termos de largura, atinge cerca de 400 metros no sentido noroeste/sudeste e cerca de 2,5 quilómetros de comprimento, sentido sudoeste/nordeste. Sendo confrontada a sudoeste com a Várzea de Vale de Todos, a sul pela EM559, a este pelas povoações de Chão de Ourique e Póvoa, e a norte pelo cabeço da Ateanha. A abundância de água no subsolo é atestada pela existência de numerosos poços distribuídos pelas diversas parcelas. É praticada tanto a agricultura de regadio como a de sequeiro. É comum a plantação de trigo e milho e o plantio da vinha, entre outros. A oliveira é também constante ao longo do vale e em menor número a nogueira também está presente. Este local é já referido, em 1957, por Salvador Dias de Arnaut. É descrito como sendo “uma larga várzea muito agricultada”, semelhante ao que encontramos na atualidade. São relatados o aparecimento de vestígios, nomeadamente de período romano. Para além desta manta de superfície é salientada a presença da “Fonte dos Mouros da Ateanha” e do “Poço do Carril”. A importância dada por Arnaut a esta 45 estrutura prende-se com o facto, de este apresentar uma constituição robusta, “com uma escada de pedra até ao fundo” e por se encontrar no seguimento de uma estrada “entre muros de pedra solta”. O topônimo dado a este poço, segundo Arnaut, terá um significado de estrada, ou poderá também significar um caminho, onde só se poderia viajar a pé. Este vocábulo é bastante utilizado durante a Idade Média. Por fim é também referido “um algar aberto na rocha”, a oriente desta várzea, perto da localidade da Póvoa. Entre a Várzea e este último sítio existe um microtopónimo Algar (ARNAUT, 1957, V-VI). José Eduardo Coutinho faz referência ao carácter predominantemente agrícola deste vale e aos vestígios de dominação romana. Também faz alusão à “Fonte dos Mouros da Ateanha” e ao “Poço Carril”. (COUTINHO, 1986, 95).
Caricato nenhum dos historiadores se referiu ao nome correto deste tipo de poço com escadaria, carateristico na região de Sicó, herança dos mouros, no verão com a escassez de água a escada servia para se entrar nele para se chafurdar junto da mina da nascente- que lhe dita o nome - POÇO DE CHAFURDO!

Euzinha no Poço de chafurdo dos Mouros na Ateanha, como se vê na foto já não se distingue a escada, mas a mãe do Costa com 94 anos dela se lembra.
 - Muito interessante cara Isabel. O professor Salvador Arnaut foi meu professor em Coimbra numa cadeira de opção. Excelente Professor. Um dia perguntou-me se eu era da família Paz de Ansião e elogiou-me muito pois conhecia a família  com muitas boas referências dela. Fiquei muito orgulhoso é claro.
 - Hoje mais um diálogo histórico fantástico que me está a conduzir ou a intuir talvez já não digo nada, a conhecimentos e hipóteses verossímeis do passado dos anos 600 tão fortes em Ansião. Somos descendentes da sua cultura ainda muito próxima. Quando vejo os capacetes metálicos dos bombeiros a brilhar ao sol lembro-me de imediato dos romanos.Pois é pois, já era a sua decadência e os lusitanos não se deixaram dominar ou fazer desaparecer.Tiveram de aprender a conviver com os lusitanos."

Falar da propriedade expropriada para se fazer a rotunda e acessibilidades ao IC8
A propriedade era da família Freire da Paz.
 - Sim, foi paga há anos, ficaram à volta da rotunda três parcelas da propriedade. Um deles a norte com duas oliveiras já foi usurpado.
Na foto é bem visível o espaço sobrante que ia desde o caixote do lixo, usurpado a partir do sinal de estrada sem saída, depois da curva tem um anexo em quina viva, o primeiro a ser feito em  parte da antiga estrada real ou Coimbrã para depois alinhar como a foto documenta.
Dei conta do que fala, do "aproveitamento" dessa parcela, nada mais do que o descaramento brutal e premeditado, supostamente iniciado uns anos antes ao fazer um anexo, a caminho do parque de estacionamento. Comportamento alegadamente estranho pelo que solicitei explicação à câmara, exatamente quando se fazia novo anexo, desta vez na frente no gaveto, com a requalificação do Nabão, em resposta invocou que a propriedade foi comprada pela ICOR para fazer a rotunda em frente dos Bombeiros e acessos ao IC8.  Ora mas a ser como dizem, parece óbvio que os nesgos de terra sobrantes, deveriam ser pertença da empresa ICOR, que por não lhe fazerem falta os deveria ter entregue ou doasse à câmara, e afinal sendo a propriedade uma herança da vossa família, e expropriada, é porque assim ficou exarado ao tempo aquando da aquisição e escritura, o que forçosamente deixa transparecer,  por isso os herdeiros os reclamam com justo direito.
 - A  minha prima Anabela já protestou sobre uns cartazes que a Câmara expõe no local, também já fui obrigar um a tirar a roulotte de hambúrgueres,  e no outro pedaço a poente, também já me chateei uma vez com o mecânico que lá coloca as suas viaturas à venda.
 -O outro pedaço mais espaçoso com mais oliveiras já há gente interessada, nomeadamente o chinês que tem o armazém.

Via pública indevidamente sugada por terceiros...
Foto mostra na esquerda parte da propriedade que confina com o ribeiro seguida do caminho neste agora vedado, integrado no prédio urbano (?).
No limite da vossa propriedade a nascente, ainda lá existe o muro de pedra que a delimita em paralelo com o ribeiro(Vide) a confinar com um caminho público, sem saída entestava a norte na propriedade com o poço que faz hoje parte da requalificação do Nabão, pertença dos pais da minha amiga Lála da quelha da Atafona, pois tantas vezes nele passei a caminho das Lameiras. Neste momento o caminho público encontra-se absorvidopelos donos do armazém alugado aos chineses, delimitado com vedação. Desconheço se houve parceria camarária, ou foi abuso na usurpação? Se foi usurpado indevidamente (?), o deveria ser no imediato levantada a vedação e reposta na extrema da propriedade. Se o espaço do caminho foi vendido pela autarquia (?), os concidadãos deverão disso saber, tendo a mesma o dever e cuidado de dar nota nos boletins informativos, para não haver falsa especulação. Agora uma coisa é certa, o caminho faz falta a quem se dirija de carro na rotunda e se lembre que tem de voltar atrás, assim tem de ir dar a volta ao Fundo da Rua, quando o poderia aqui logo fazer. Os chineses ao se mostram interessados em adquirir essa parte sobrante de terreno supostamente será para juntar a propriedade há já existente (?), deste modo se perde o caminho de antanho de vez..Na verdade já perdido, sem qualquer intervenção camarária (?).
O mais estranho quem de direito parece não reage!
Ou reage, mas não tem força-, fala, mas não dão ouvidos, acaba no esquecimento (?), o tempo passa e coisas pertença do povo se perdem para beneficio apenas de alguns.O que não é certo!
Porque um dia destes pode apetecer-me fazer um estacionamento privativo defronte da minha casa na estrada pública e depois?

Casamento da Fernanda Dâmaso com o Gilberto, estou atrás do noivo de cabelos compridos
 - Isabel hoje vi por curiosidade uma amiga sua Fernanda Dâmaso, isto por que este ano tenho uma aluna Dâmaso. Os Dâmasos não são originários da Marinha Grande?
Foto com a estrada atual vinda do Largo do Bairro, do lado esquerdo o muro branco do quintal da minha mãe, o casebre onde a família morou era no sítio do muro que lhe ficava na frente.
A Fernanda Dâmaso nasceu em Ansião com as irmãs, a mãe Robertina  foi nascida no Bairro de Santo António, o pai é do rabaçal, viveram  na Quinta do Dr. Faria perto do cemitério, de lá saíram porque a mãe vivia atormentava com o lugar ermo e pelo enorme cedro do Líbano, ao se mudarem para o Bairro de Santo António, por morte dos avós construíram um casebre numa nesga de terreno onde a avó Olímpia, a primeira carteira de Ansião tinha um galinheiro, na rua da minha casa, sendo que o caminho veio mais tarde a ser alargado e a família que era pobre viu-se obrigada a abandonar o local para rumarem a Tomar, julgo depois de receberem indemnização. No tempo que aqui moraram, o pai dela foi a salto para França com o cunhado Pregueira, no inicio da década de 60, recordo nas primeiras "vacanses" o bom do Roberto trouxe chocolate preto para oferecer à cachopada-, supostamente por ser o mais barato, também mais amargo, que disso não saberia, mas que nos soube a ginjas. É muito boa gente. Fui ao casamento da Fernanda  tinha 12 anos, o Gilberto, se encantou com ela, uma bonita rapariga,  aportou a Ansião, homem do norte foi padeiro na padaria dos meus avós, quando esteve arrendada ao padeiro Rocha de Chão de Couce. A irmã mais nova  da Fernanda saiu de Ansião com 5 anos, se lhe perguntar por mim diz-lhe logo que ainda não se esqueceu da grande festa na loja (cave) da casa dos meus pais, com grande almoço na dupla da comemoração do meu aniversário de 12 primaveras e do ganho da causa judicial em Tribunal relativa ao assassinato do meu tio Carlos Lucas, na festa provou a primeira vez arroz doce, de seu nome Dália, mulher de muitas profissões, é colega do João Patrício, no Canto Firme em Tomar.
 - Obrigado Isabel pela informação. É sempre muito difícil determinar a origem dos apelidos e quando pensamos que se conhecem e são próximos chegamos à conclusão que não.

O seu estar aristocrata
  - No próximo fim do ano, se Deus quiser, penso ir passá-lo de novo a Ansião. Gostei imenso. Pena estar meio constipado. Fizeram um restaurante nos Olhos d'Água com uma pequena sala de dança. Comeu-se muitíssimo bem e pagou-se pouco.
 - A minha musa está a chamar-me à mesa. Obrigado Isabel, é realmente fantástica a sua maneira de ser e estar na vida. Quase entro de novo para a casa do meu tio António e da sua tia Maria da Luz, conversando consigo.
Somos os dois uns líricos, amantes destas coisas de antanho, das origens da família, e sem medo alvitramos e especulamos, até chegar mais perto do que queremos,  sendo que o Renato jamais deixa de consultar os seus apontamentos, porque não gosta de ficção, prefere a realidade, ainda que a tenha de vir a esconder com nomes fictícios num qualquer romance, sou eu a dizer...
 -Obrigado amiga e sensível quase prima presente no passado e no presente. 
Renato amei a expressão"amiga e sensível quase prima presente no passado e no presente". Pois os há de sangue que não se entendem, nem sentem cumplicidades, e nós de fato é um elo forte de amizade -, no amar Ansião e o seu passado, também da família Freire Paz, no meu caso pelo lado do seu tio António, que foi para mim como avô e a Titi avó, ele foi meu tutor, quando o meu pai faleceu . Somos amantes da história e das lendas, da gastronomia, da natureza, das motas, adoro as Harley Davidson, mas não seria capaz de uma conduzir, de viajar, de falar com as pessoas, de ouvir estórias com história, enfim, o que mais haverá como conversar partindo duma palavra, ou quase nada, para fluir conversa e mais conversa, se fossemos irmãos não seriamos tão parecidos, julgo neste falar acelerado, e com isto eu tenho, e o Renato também outros amigos no género, porque mais vale um punhado de fieis amigos, que muitos, e de valia nenhuma. Irresistível não partilhar um seu pensamento que encontrei na sua página do face...
"Quando deixar de te montar, montar-me-ás tu a mim e não estarei cá para te sentir dominada entre as brumas do sonho. São muitos anos de experiência. Comecei aos 8 ou 9 a dominá-las. Foi um tão grande número que já nem sei as marcas nem os modelos.
Amante de motas
 Foto com o seu tio Artur e prima Anabela sentada no primeiro carro dos bombeiros
 - Saiu-me agora um poema que irá ser publicado na VII Antologia dos poetas lusófonos. Talvez sirva de introito ao romance. Ansião em si é já um romance...

Ao jus da canção
Ai quem quiser passar seguro
Ai pelas Serras d'Ansião
Ai deixe fora o coração
Deixe fora o coração
Mas traga sempre consigo
Esta terra portuguesa
Tão bela que nem consigo
Descrever nesta Cancão
Ai...
  - Encontrei e cumprimentei há dias a tua (permite) irmã na esplanada.
Caro Renato segue o rascunho da cronica, esteja à vontade, retire o que lhe for inconveniente.Se acaso não gostar que publique, respeito a sua privacidade, esteja à vontade, a frontalidade é um dos melhores dons que cada um de nós deveria possuir.
 - Simplesmente fantástica a sua cronica. Grande contributo da sua parte cara Isabel Coimbra, para abrir caminhos e construir pontes que nos levam ao encontro da gloriosa História de Ansião. Os meus parabéns! Claro que pode publicar o belíssimo trabalho do diálogo entre nós, sem jamais me viciar em espaço algum de diálogo-, a máxima como nos disse São Paulo aos Coríntios. "Tudo me é permitido" , mas não me posso deixar dominar por coisa nenhuma.Renato Paulo C. Freire da Paz.
Como sempre atencioso, bem haja pelo carinho da partilha que ao longo do tempo me tem deferido, extensivo cumprimento à sua querida esposa, sem contudo teimar com a deixa da tentação em especular uma curiosidade-, quem teria sido o Rei que o encarnou na vida do passado? Mulher atrevida alvitro o Rei Sol, o que mais tempo governou França, Luís XIV, contra tudo e contra todos construiu o seu magnífico castelo dourado fora de Paris, em Versalhes-, julgo não foi por acaso que o Conde Médicis triste para esquecer a sua amada fugidia pelo encanto brilhante dos espelhos e dourados de Versalhes, decidiu na rota de passeio teimar passar por Ansião, e no mesmo a eleita Paris, a cidade da Luz-,  a eleita para o Renato estudar...Pois bem sei que se identifica mais com as lendas da dinastia Merovíngia, dessa História que se perde nos tempos, entre factos reais e lendários...
 - Envio-lhe os 16 reis da dinastia Merovíngia em francês.Nós não sabemos nada! Mas podemos e devemos sonhar. Arrisco a dizer que se pararmos de sonhar estamos mortos. Mas também adoro Versalhes.
Renato o meu francês lamentavelmente é nenhum por culpa de uma professora conservadora tipo percetora de Condeixa, que dava aulas no Externato de Ansião, não me soube cativar para a graciosidade da Língua, sendo que a minha mãe sempre foi barra em Línguas .. Irei demorar tempo a traduzir, estou mais limitada a cuidar dos netos...Em repto final seja este alto falar duma terra que amamos de paixão, na teima partilhar on line espólio fotográfico, que deveria ser pertença de uma ala de Museu, estando esta terra dele há muito deficitário, sabendo que as peças que outrora foram recolhidas não se saber do seu eventual paradeiro(?) . Lamento assistir neste século XXI à continuidade de perdas de valor significativo, sabendo que ainda assim possa ser oneroso, mas de útil fundamento, neste agora e na vida futura, bem poderia ser satisfeito esta concretização em prol da história desta terra, suas gentes e tradições. Assim haja vontade  tamanha em o fazer nascer, o Museu de Ansião!
Por acaso já tenho dado várias pistas, acaba de me saltar mais uma-, prédio de gaveto, herança de um filho desta terra, sem descendência, em fazer uma FUNDAÇÃO, no coração ao Fundo da Rua desta vila, a perpetuar o nome dos pais e do avô paterno, supostamente foram o maior alicerce da sua fortuna.


FONTES
O meu bem haja ao Renato pela partilha e autorização para partilhar

Página facebook das Cinco Vilas e de Chão de Couce
Pagina Facebook da Igreja de Ansião
Página do Facebook da Sarzedela
http://ansiaonews.blogs.sapo.pt/tag/diversidades
www.vidaslusofonas.pt/
http://dicionario.sensagent.com/grupo+do+le%C3%A3o/pt-pt/
https://pt.wikipedia.org/wiki/Henrique_Pinto#/media/File:Grupo_do_Le%C3%A3o_by_Columbano_Bordalo_Pinheiro.jpg
https://pt.wikipedia.org/wiki/Henrique_Pinto
http://joserosarioart.blogspot.pt/2012/09/manuel-henrique-pinto.html
http://divulgaralvaiazere.com/freguesias/almoster/
http://guitarracoimbra.blogspot.pt/2009_10_04_archive.html
http://arepublicano.blogspot.pt/2015/03/ate-sempre-dr-americo-caseiro-1947-2015.html
Serras de Ansião
http://www.ansiao.net/almoster-nomes01.html
http://anussim.org.br/a-presenca-dos-judeus-na-peninsula-iberica/

2 comentários:

  1. MUITO INTERESSANTE MESMO.
    PARABÉNS E OBRIGADO.

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  2. Caro Henrique Oliveira, bem haja pela cortesia da visita e pelo elogio tecido que me deixa vaidosa.

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