domingo, 10 de julho de 2016

Morreu a prima Elsa Caseiro de Ansião

A minha selfie na Lagoa do Pito na Lagarteira...
Quase em total secura em pleno estio 15 de agosto de 2015!
Relatei noutra crónica que Alfredo Marques, já falecido e na sua terra a Lagarteira sepultado, casou nos anos 50, com uma prima do meu pai, a Elsa Caseiro de Ansião-, dele recordo ser um homem de excelente e alta silhueta, bonito e muito simpático, recordo quando regressaram em meados da década de 60 da Venezuela, da camioneta do sogro, o tio António, saiam malas de cânfora armadas de grandes fechaduras douradas para depois as ver a serem arrumadas no barracão no tardoz da taberna da tia Carma. Os filhos do casal; a Lila e o Carlitos, muito educados, brincavam com brinquedos de madeira de dar corda, que nunca tinha visto,  alegremente os partilharam comigo nos degraus ao cimo das escadas de madeira da casa dos avós. Nesse tempo de chegada, a Lila e o Carlitos estiveram doentes, julgo com sarampo para meu espanto se restabeleceram no quarto a poente da casa dos avós, julgo tenha sido da mãe, e não na casa dos pais mais moderna e de paredes meias, possivelmente por nesta casa haver um grande cilindro eléctrico de água quente na casa de banho,electrodoméstico por mim jamais assim admirado...
Um dia acompanhei o meu pai numa visita aos enfermos e mal entrei no quarto reparei que ao meio a separar as camas havia um belo biombo. Após a visita  logo à saída da porta o meu pai ditava atazanar-me a cabeça " não tens vergonha dos teus primos serem da tua idade e já saberem ler o 1º de janeiro..."
Quando brincava no pátio da casa da Ti Carma via a Elsa mandar por entre o alto parreiral, a lembrar a vinha de enforcado, uma cestinha segura por guita quando lhe faltava alguma coisa na cozinha, da janela dizia o que queria para as criadas logo em pressas encherem para em ânsia logo a fazer subir, o que achava estranho, porque a casa tem ligação por dentro com poucos degraus...
Recordo outras alturas de festas que vinham a Ansião e o primo Alfredo nos tirava fotos.Era um homem extremoso, afável e dedicado.
Foto com a minha irmã na travessa de ligação à casa da Ti Carma
Em miúda ouvia o meu pai falar que a prima Elsa gostava dele e até tinha feito uma promessa de ir a Fátima...verdade ou mentira, quem não sofreu de amores inocentes na adolescência? Sempre fui muito frontal e com a Elsa que tratava por "tu" apesar de ser da idade do meu pai, 80 anos, o ano passado na minha rua disse-lhe "Elsa o meu pai dizia que gostavas dele, mas olha que tiveste melhor sorte com o Alfredo que foi homem  bem mais formoso..." - ah pois era, se era homem bonito!
De todas as tias maternas do meu pai, a que mais admirei e gostava francamente era a da mãe da Elsa-, a Ti Carma. Mulher alta a reivindicar genes fenícios, manca, não sei a razão, sem tabus nem preconceitos, conselheira, era uma mulher inigualável.Chegou a confidenciar com a minha mãe assuntos de cariz íntimo e como dava volta a situações incríveis. Foi sempre grande amiga dos meus pais, de mim e da minha irmã de quem gostava tanto como nós o mesmo afeto dela. A Ti Carma era uma mulher de força para o trabalho, tomava conta da mercearia e da taberna e ainda dava ordens para a fazenda( sementeiras e afins) sempre na  mira de aferrolhar haveres e poupança.
Felizmente ainda conversei bastante com ela já na bonita idade na casa dos 90 anos.
A filha Elsa supostamente de feitio mais recatado e tímido teria mais genes do pai que foi homem mais reservado, pacato e de pouca conversa. 
Após a vinda da Venezuela e da pequena estada em Ansião, a prima Elsa assentou arraiais na Avª Almirante Reis, em Lisboa. A famosa Pastelaria na Praça de Londres -, A MEXICANA inserida num prédio dos anos 40, ao estilo Português Suave, abriu portas inicialmente como confeitaria e leitaria em 46 com dois empresários da construção civil lisboeta e mais outros dois, todos do concelho de Tomar, tendo sido remodelada em 61/62-, a década que os primos entraram como sócios.Mais tarde tiveram sociedade noutra, julgo a Chaimite(?) na Penha de França.
A crónica desenvolveu-se a ver o jogo da final da seleção-, Portugal França, para não me enervar. Incrível no dia seguinte em frente da casa da Elsa neste prédio verde uma banda de instrumentos tocava para os transeuntes que se dirigiam ou vinham da Alameda de ver os Campeões!
Nos últimos anos a prima Elsa tinha o hábito de passar temporadas em Ansião, geralmente de Março a Outubro.Mulher empreendedora em manter o zelo no património herdado, ainda o ano passado mandou mudar as madeiras dos tetos da casa da mãe e no ano anterior foram os telhados das duas casas.Mandava limpar olivais, era preocupada, herança dos genes da mãe em manter e preservar o património.
Em meados do mês passado no Pingo Doce da Morais Soares estava no átrio com a minha neta que dormia à espera do meu marido que tinha ido fazer compras com o Vicente, quando a Elsa me aparece de frente...as suas palavras "estou muito magra, vou fazer um TAC..." perguntei-lhe se este ano não ia a Ansião a que me responde  "sim vou em agosto..." ainda lhe dirigi convite para o batizado dos meus netos...que depois falaríamos ao telefone, despedimo-nos, sentia-a sem fôlego com dificuldade em respirar...
Fiquei visivelmente triste de a ver tão abatida e frágil, e nesse dia à tarde telefonei à minha mãe a dar-lhe conhecimento, para ela lhe telefonar, que o fez por duas vezes mas nunca atendeu... Na semana seguinte estive uma semana em Ansião,e fui ao último dia do terço-, a  trezena, dedicada ao Santo António, na saída à sacristia na troca de afetos a quem já não via a algum tempo veio à baila falar da Elsa, para logo uma alma empertigada se alevantar em salvação a ditar imposturice, forma de estar na vida que abomino e detesto em absoluto em paralelo com a hipocrisia, por me soar a tamanha falsidade!
A prima Elsa estaria bastante enferma, já o ano passado disso se queixou à minha mãe.Não durou um mês depois da nossa conversa. Faleceu, o seu funeral realizou-se para o jazigo de família no cemitério de Ansião no dia 6, quarta feira da parte de tarde-, mais uma boa alma que subiu aos céus, no mesmo dia de outro grande vulto das artes, o grande Camilo de Oliveira.
Adeus Elsa, afinal podíamos ter sido mais próximas, tanta vez te convidei e nunca foste à minha casa de Ansião-, foi a Lila e disso tu me deste feedback muito abonatório, que me deixou radiante. Afinal moravas em Lisboa a escassos 200 metros da casa da minha Dina, as traseiras do teu prédio em cor de rosa dão para uma quinta camarária, que dela já aqui neste Blog escrevi em crítica acutilante, rápida foi a intervenção na limpeza com a saída de toneladas de escombros, atendendo às perfurações no terreno se espera venha a ser um parque de estacionamento com jardim e novas acessibilidades à Almirante Reis, a quinta a sul extrema com o quintal da Dina, por isso é uma imagem que revejo quase diariamente da varanda em ferro forjado, seja ao estendal ou a regar os canteiros-, a horta que fiz para o Vicente; um tomateiro que nasceu num vaso da minha varanda, outro que descobri na escadaria da Rua Cidade de Liverpool , e ainda outro que a outra avó, a Odete de Ansião, lhe quis enviar, um tomateiro cherry.Porque a abóbora que roubei de um canteiro nascido na rua com o vento forte não se aguentou e parece está a morrer...entretanto semeei 6 feijões roubados( preto, branco, catarino, manteiga, riscado,e...) de uma grande superfície e meloas que crescem bonitas!
O bule inglês que trouxeste da Venezuela e tiveste a gentileza de me oferecer é a partir de agora uma memória viva de TI, na minha casa.
Partiste muito cedo, ainda havia tanta coisa para conversar sobre a família e para nos rirmos.
Paz à tua alma!
Rosinhas de Portugal da minha Moita Redonda-, silvado centenário em rosa pálido que aguenta todas as agruras do tempo seja o desígnio de fé em emanação de LUZ para os céus para todos os meus entes queridos.
Grande a saudade que sinto já de ti Elsa querida.
Até um dia prima Elsa!

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