sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Cortejo alegórico das Festas do Povo em Ansião 2016

Lamentavelmente este ano, o calendário das Festas do Povo de Ansião mudou de calendário, adiantou-se uma semana, e ainda o mudou para sábado, quando sempre se primou no domingo, com isso além do terrível calor e de outras grandes festas a decorrer no mês de maior festividade popular, ditou o resulto de parca afluência no Cortejo alegórico, até eu, em afazeres com o batizado dos meus netos no dia seguinte, sai às pressas para  ir ao cabeleireiro de chinelo no pé , na sorte dos carros se perfilam quase à porta da casa da minha mãe. Durante o percurso fui tirando fotos, que  depois na Mata onde ficam em exposição, tirei as possíveis em vários momentos com o mesmo carro alegórico. 
Confesso que gostei imenso dos motivos, apesar de serem quase sempre os mesmos, senti  cuidado na estética, nos pormenores, nas tradições, nos utensilios, e no orgulho dos participantes.
O que faltou?Faltou gente, muita gente para os apoiar. Faltou moldura humana nos Paços do concelho, havia uma bancada deserta, sem toldo quem aguentava ali sob um calor castigante? Mas também falta publicidade e encorajamento para as gentes dos Lugares, e das vilas, que fazem os seus carros para os trazer em desfile à vila, sede de concelho, comungar a vaidade de se fazer mostrar, na mesma vaidade de gostar de ouvir falar da sua terra, também valorizar o empenho das pessoas que os mentalizam, e neles se empenham para os pôr de pé. Quando era pequena, participei umas duas vezes num motivo e nas outras vezes sempre acompanhei o carro, recordo que era um prazer sem explicação, porque participava a fazer flores, a coloca-las na rede, a trabalhar no que fosse preciso e por fim participar no desfile para ouvir o que se falava e sentir brio e vaidade na sua concretização. 
Fiquei fracamente assustada com a parca gente, perguntei à minha irmã como tinham decorrido os concertos, onde não pude ir- o do Mikael Carreira em grande, com muita gente, o outro com menos, começou depois da meia noite, ainda assim o ambiente à noite era de muita gente e na Mata os comes e bebes fizeram dinheiro!
Alvorge - O ciclo do azeite como era antigamente, com as ceras de sisal
Lagoa Parada - O Ferrador
Ferraram um burro na Mata, debalde não cheguei a ver .
Avelar - A arte do sapateiro, a menção do forno de Nossa Senhora da Guia, e as artes de antigamente;farrapeiro,gravateiro e,...
 Avelar -O ciclo da lã
Vale Florido - Da flor nasce o fruto, os produtos da terra
Ofereceram-me tremoços e eram bons, ainda os tinha na boca...
Santiago da Guarda - A arte de maldizer
Serrar a velha ou mandar Pulhas

Rancho Infantil das Serras de Ansião - Ponte da Cal e a Lenda da Rainha Santa e os tanques do Banho Santo

Liagra - Gramatinha - A arte do resineiro
" Resineiro engraçado, engraçado no falar
Resineiro engraçado, engraçado no falar
Ó I ó ai, eu hei-de ir à terra dele
Ó I ó ai, se ele lá me quiser levar

Já tenho papel e tinta, caneta e mata-borrão
Já tenho papel e tinta, caneta e mata-borrão
Ó I ó ai, pr'a escrever ao resineiro
Ó I ó ai, que trago no coração

Resineiro é casado, é casado e tem mulher
Resineiro é casado, é casado e tem mulher
Ó I ó ai, vou escrever ao resineiro
Ó I ó ai, quantas vezes eu quiser"
Torre de Vale de Todos - A mercearia tradicional e o posto público
Interessante a mala de cartão com o jornal de 4 de junho de 1974, na primeira página um título tão atual nos dias d'hoje
Concertinas e a bela Eulália, minha boa amiga do tempo de escola até hoje
 Amigos da Gaita - O tanoeiro
Lagarteira - O ciclo do vinho

Cadeiras vazias...
Netos - A fonte dos Netos


 Vista dos carros na Mata Municipal
 
Entrada do recinto da Mata Municipal em ambiente de festa
 Brinquedos...a alegria das crianças
 O pulmão verde dado à população de Ansião pelo Dr Rego
Ao sair de casa da minha mãe a caminho do cabeleireiro dei-me conta que o cortejo já desfilava,  afinal era sábado, os estabelecimentos comerciais trabalharam...e com movimento, apesar de hora marcada.
Gostei francamente da cabeleireira, julgo nunca encontrei nesta vida uma mulher com tanta arte na tesoura, nas mãos, uma destreza inabalável absolutamente louca em tempo record!
Outra curiosidade, fui ao mesmo sítio da minha primeira vez em criança, não sei a idade que tinha, era um barbeiro, o Ti Júlio de Albarrol, recordo-me anos mais tarde de ele me sentar em cima de listas telefónicas para dar altura. Volvidos mais de 50 anos, calhou ao meu neto Vicente aqui vir também cortar pela primeira vez o cabelo. Coincidências!

2 comentários:

  1. Muito bom dia,

    chamo-me Maria Castela Dias e frequento actualmente o Mestrado de Arte e Património na Universidade de Coimbra. Estou a realizar um trabalho para a cadeira de seminário de Espaços do Sagrado à volta da lenda da passagem da Rainha Santa Isabel por Ansião, passo a nomear alguns dos tópicos: a tradição oral, os banhos santos, as festas em honra da santa, o nome "Ancião" e o painel de azulejo comemorativo da lenda.
    A informação é realmente muito pouca, e no seu blog tenho encontrado algumas coisas, assim sendo se me pudesse ajudar mais dando informações sobre este assunto e aconselhar-me sobre livros ou pessoas como por exemplo moradores seniores, cuja experiência e histórias de vida com certeza me irão ajudar a descobrir melhor esta identidade cultural da vila de Ansião.
    Eu tenho família no concelho de Ansião, e do que pesquisei surgiu este interesse de haver algo escrito mais completo sobre estas tradições.

    Obrigada desde já,
    Maria Castela Dias

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  2. Cara Maria Castela Dias, obrigada pela cortesia da visita.Há pouca literatura escrita, o Livro do Padre José Coutinho, outros historiadores não tem encontrado nada de significativo. No mosteiro existia uma cama em pedra – a cama da Rainha.
    http://quintaisisa.blogspot.pt/2011/02/o-mosteiro-no-vale-mosteiro-em-ansiao.html
    A tradição oral fala da passagem da Rainha que se apeava ao Nabão para dar esmola a um ancião-. Há muitos anos num programa de televisão a Dra Edite Estrela num programa de português falou que a sua origem é germânica, o que se estranha sendo estas terras de mouros o mais lógico seria ter o prefixo “Al “, na verdade o trajeto da estrada medieval ou Coimbrã vinda da Constantina na direção das Lagoas para descer na direção do nó do IC 8 onde havia um grande fontanário revestido a lajes onde as mulheres lavavam nas laterias em formato retangular, que ainda me lembro dele, com uma bica a correr boa água, foi soterrado, abaixo corre o Nabão, em geral de fraco caudal, seja por isso nunca lhe fizeram ponte, no meu tempo de criança havia uma estreita em lajes onde hoje termina o jardim da requalificação do Nabão, ao pé das casas de banho. A estrada seguia na direção do cemitério e mais à frente é o sítio do mosteiro. A ponte da Cal não existia no tempo da Rainha Santa, foi feita na época medieval, pelo que pode no tempo ter acontecido a deturpação oral que se fidelizou pela pobreza das suas gentes ser atípica até aos meados do seculo XX (?). Ainda existem debaixo dos arcos da ponte dois tanques em pedra, um para homens outro para mulheres, e de facto as águas com poderes curativos (cujas águas dizem ser do mesmo algar que alimenta o afluente Agroal), a minha avó materna Maria da Luz da Moita Redonda, Pousaflores, aqui veio com o seu filho Alberto Lucas que sofria de equezemas na pele e se curou, conta a minha mãe, depois de terem andado em termas de Monfortinho. A tradição do banho santo mostra-se morta há décadas.
    https://quintaisisa.blogspot.pt/2010/02/falar-do-meu-tio-alberto-lucas-de.html
    O painel azulejar é dos anos 50 mandado pintar em Coimbra por um dos filhos do Café Valente ao Fundo da Rua mandado encastrar na sua fachada onde puseram uma fonte. Julgo o Eduardo que era empregado na camara, aferidor de balanças e…
    http://quintaisisa.blogspot.pt/2013/01/falar-do-fundo-da-rua-em-ansiao.html
    A festa em sua honra tem-se efetuado assiduamente nos últimos anos, a imagem está na capelinha do S. Pedro, precisamente junto da ponte da cal, de onde sai em procissão na véspera do S Pedro, para dormir na matriz e no dia seguinte regressa novamente em procissão. Portanto não tem uma festa em sua honra, e sim dividida com outro Santo. Quanto à imagem não sei a antiguidade, quiçá o Dr Vítor Faveiro que viveu de paredes meias com a capelinha, nem sei se foi ele que a mandou fazer e comprou as imagens. Em relação a este assunto pode entrar em contato com o Sr padre Manuel Ventura Pinho, tem página no facebook. Está para sair, não sei quando, um livro do padre José Eduardo Coutinho sobre as capelas.
    Na verdade é histórico que Ansião foi trilho importante no tempo da Rainha Santa, e aqui teve de passar a caminho de Coimbra e de Ourém, no entanto os relatos são escassos, só falam da agrura da pedra. Propriamente da Rainha julgo nada mais haver para contar (?), que lamento, bem gostaria. O que acho estranho é ela ter dinheiro, e não ter ajudado em nada o mosteiro, que seria o local onde pernoitava (?). Poderá algo encontrar se na Torre do Tombo ou no próprio Mosteiro de Coimbra que ela mandou fundar se encontra novas pistas.
    Bom trabalho. Se quiser que lhe empreste o livro do padre José Eduardo posso leva-lo no natal para Ansião.
    Pode usar o emailIsacoy @hotmail.com
    Um abraço
    Isabel

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