quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Igreja da Orada a antiga matriz de Santiago da Guarda na Granja

O topónimo Santiago da Guarda nome que lhe advêm seguramente do Caminho de Santiago de Compostela que remonta ao século IX aqui com corredor de culto eleito em troço da antiga estrada romana, a que foi muito mais tarde acrescentado o topónimo "Guarda" nome de uma quinta quinta . 
Nas Memórias Paroquiais Setecentistas «Pero de Sousa Ribeiro, Senhor de Figueiró, recebeu carta de privilégio de couto e honra para a sua quinta da Guarda e feira da Moita Santa em 1476.»

Segundo as Memórias Paroquiais «A importante herdade de Façalamim, aparece na carta de testamento da herdade do Alvorge, feita por D.Afonso Henriques ao Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, em fevereiro de 1141, compreendia uma porção territorial sita no termo de Coimbra , compreendida entre os limites a sul do Alvorge ( será a atual Granja, ao que parece já se chamou Cabeça da Granja , Campo da Orada, ou Várzea ) passando longitudinalmente pela Junqueira, aos limites da Torre de Vale de Todos e Ansião, com ligeiras alterações a poente .  Em documentos de 1164 e 1166 aparece  o vocábulo "arracef" expressa - calçada caminho empedrado. Os restos da via romana que de Scallabis (Santarém) seguia para Sellium (Tomar) a Conímbriga, ladeando Façalamim».
Refere-se à via romana que passava pelo Vale Boi, Pinheiro, Santana e Ansião dela ainda existem troços.

Segundo as Memórias Paroquiais Setecentistas  « A dinamização da colonização do território de Façalamim pelos cónegos regrantes de Santo Agostinho na sua granja deu origem a casais em 1141 e, mais tarde, a lugares e aldeias, gerando a necessidade de se edificar uma ermida ou uma capela e, posteriormente no século seguinte é  fundada em 1259  uma pequena igreja ( hoje capela da Orada) que nesse tempo se chamava "Senhora da Hora" e foi matriz de Santiago da Guarda até ao século XIX»

«A 30 de abril de 1758, pelo cura da Freguesia de Nossa Senhora da Orada, Padre João Mendes Baptista, para orago da sua igreja:« Orago he de Nossa Senhora da Expectação (do Nascimento de Cristo) o que também se diz Senhora do Ó e vulgarmente se diz Senhora da Orada».

«Segundo Frei Nicolau de Santa Maria, cronista dos cónegos regrantes de Santo Agostinho, quando DAfonso III «lhes fezação do Padroado da Igreja da Magdalena de Portalegre no anno de 1259», ficou este mosteiro « sendo Padroeiro de sete Igrejas, que se lhe annexárão»:Santo Estevão de Castelo Viegas, «Nossa Senhora da Hora de Façalami...e»

«A igreja de Nossa Senhora da Hora ou da Orada não aparece no «Catalogo das Igrejas»de 1320-1321, nem nos vários censuais conhecidos da Diocese conimbricense do século XIV. E continua ausente do «Lyuro das igrejas que ha nesta correicam...»

Verossímil dizer que o primeiro culto aqui implantado na Granja  na pequena cumeada foi com muita certeza trazido pelos primeiros povoadores de ascendência judaica, vindos do Minho que o Mosteiro de Santa Cruz na intenção de povoar esta região ainda infestada de mouros por 30 povoadores para se instalarem com as suas famílias para desbravar e cultivar as terras e afastar de vez os sarracenos sendo então Coimbra a capital do reino, tendo ainda como apoio pequenas torres avançadas na defesa de Coimbra; Soucide, Santiago da Guarda, Alvorge e ainda um conjunto de praças militares como Montemor o Velho, Soure, Penela, Germanelo, Miranda do Corvo, Arouce e para sul Pombal, Ceras, Almourol e Tomar todas na defesa da cintura de Coimbra. As torres quase todas desapareceram e até os seus vestígios, algumas delas existe a toponímia - em Ansião a Lagoa do Castelo, em Santiago da Guarda - Castelo (em local diferente da torre medieval de Santiago da Guarda ) Alvorge em árabe designa pequena torre e a torre de Atianha. Esses primeiros povoadores seriam judeus que já viviam no  Condado Portucalense  que sabiam tratar da terra e dela retirar sustento e riqueza sendo natural a descida à capital -Coimbra seguindo a rota das estradas romanas e da medieval que passava por esta região. Com o êxodo de 1492 de Espanha outros judeus na região se refugiaram, entre muitos de apelido "Freire, Lopes, Carvalho, Duarte, Ferreira, Rodrigues, Mendes, Gomes, Bicho, e...".
Apesar dos primeiros judeus serem letrados, nos séculos seguintes a maioria perdeu a instrução por se dedicarem apenas à agricultura que a corruptela dos séculos tenha deturpado o nome de Senhora da Hora em Orada  quiçá trazida do norte do culto de Nossa Senhora da Orada do início da nossa nacionalidade. "Em Melgaço o senhorio de Orada foi doado em 1166 ao Mosteiro de Fiães pela condessa Froila e, em 1170, integrava o couto que Afonso Henriques outorgou ao mesmo Mosteiro".
Uma lenda do nascimento da Senhora da Orada
"Havia o costume de lançarem, para sítios ermos e bravios, as moças solteiras, quando estas aparecessem prenhas, o que se tornava uma desonra para a família. Certo dia, uma rapariga apareceu com uma grande barriga. Os pais, que não eram muito cultos, mas tinham uma honradez irrepreensível, pensando que esta se havia metido com algum homem, sendo ela donzela, foram deixá-la numa cumeada, bem longe da terra, para que os bichos a devorassem. A rapariga gritava que não podia estar grávida, porque não tinha estado com homem algum, mas os pais não acreditaram. Sentindo-se abandonada em sítio ermo, ajoelhou-se e começou a rezar a Nossa Senhora, rogando-lhe que a salvasse. Ainda antes de anoitecer, apareceu-lhe a Nossa Senhora, e lhe falou:
– "Filha, o que tu tens é uma cobra dentro da barriga, que te entrou pela boca, quando dormias a sesta num milheiral. Vai para casa e diz ao teu pai o que eu te disse. Manda-o ferver leite, numa caldeira e que te debrucem sobre ela; pois com o leite quente a cobra sai. Diz-lhe ainda que, como reconhecimento, quero ser adorada aqui".
A donzela, cheia de medo, lá foi para casa e contando tudo ao pai,  acabou por fazer o que a Senhora tinha ordenado. Quando a debruçaram por cima da caldeira, com o leite a ferver, a cobra saiu e os pais ficaram admirados sem palavra. Viram, então, o mal que iam fazendo e, com todo o povo, mandarem erigir uma capela,  no sítio da aparição da Senhora, que passou a ser invocada como a "Nossa Senhora da Orada". Depois deste milagre, muitos outros a Senhora da Orada fez, sempre para salvar pessoas que estavam em grande aflição."
E ainda se hoje quando falo a gente da Senhora do Ó dificilmente alguém a identifica  no estado de gravidez, na alusão do "O" fechado  a simbolizar o ventre. O que quer dizer que a incultura ainda é muito grande neste século XXI...
Esta Igreja da Senhora da Orada sofreu ao longo da sua vida alterações, disso é nota  pedras que deixaram isoladas. No século XVI foram daqui retiradas duas pianhas em pedra e duas Imagens quinhentistas - São Tiago e Nossa Senhora da Graça para a matriz de Santiago da Guarda.
O último grande restauro desta foi perpetuado pelo Padre Ramos em 1966. Hoje esta Igreja da Granja a que se chama capela  por ter dimensões diminutas, ainda assim grande com capela-mor e sacristia  foi no passado  a matriz de Santiago da Guarda, pelo que a meu ver o deveria voltar a ser chamada de Igreja pela riqueza do lajeado e das sepulturas, além da preservação do seu historial .Devia merecer incremento o que resta do seu fausto espolio mutilado a merecer restauro para exposição em ala museológica; Imagem de Jesus Cristo Crucificado; Santíssima Trindade; Apostolo Santiago; S.Sebastião, Santo Antão, Nossa Senhora do Rosário e,...Quanto à Imagem de Nossa Senhora da Hora encontra-se desaparecida há poucos anos, depois da década de 80, segundo o Padre José Eduardo Reis Coutinho.

Possivelmente mais tarde se veio a chamar Senhora da Boa Hora (?) - porque a Imagem é no estado de gravidez, e por isso boa hora no parto num tempo que muita mulher e crianças morriam por falta de cuidados quando se complicava o nascimento.
 A freguesia de Nossa Senhora da Orada compunha-se de duas vintenas pertencentes ao concelho de Coimbra: a de Façalamim e a de Matos de Façalamim. 
A vintena ou concelho de Façalamim em 1792 tinha 67 fogos assim distribuídos: Façalamim ou Granja, tenha sido aqui (com 8 fogos), Outeiro (10), Fazenda (3), Casais (20), Venda do Basílio (4), Cochel (1), Freixo (19) e Pedreira (2). A vintena de Matos de Façalamim no mesmo ano era composta pelas seguintes povoações: Matos de Façalamim (9 fogos), Matos de cima (5), Estrada de Matos (4), Vale Cortiço (3), Graminhal (7) e Casal de Raões (2 fogos)». 
O sitio de Façalamim até hoje ainda nenhum historiador o deu como certo o seu local, precisamente pela dificuldade em discernir o topónimo nas suas variadas derivações; Façalamim, Matos de Façalamim, Casais de Façalamim e Lomba de Façalamim sem saber se existe mais alguma designação. 
O Dr. Fernando Travassos disse-me que Façalamim foi onde hoje é o Lugar de Santana, a sul do Pinheiro, e convidou-me " quando quisesse íamos os três", debalde a sua falta de saúde ditou ter ido apenas com o meu marido, além do casario existente habitável descobri uma bifurcação do caminho um seguiria para o Caniço e o outro para sul onde deslindei em poucos metros algumas lajes, na grande probabilidade de ali ter corredor a via romana vinda de Vale Boi ao Pinheiro, onde já a descobri, para subir a Santana seguindo  em frente atravessando o Nabão para seguir pela encosta para os Escampados...Andei poucos metros para apreciar um amontoado de ruínas, de algo que no passado ali existiu e foi grande .Para nas Memórias Paroquiais se acabar de vez com as dúvidas sobre a designação Façalamim ou Granja. Sobre esta herdade que aparece referida durante o 1.º reinado na carta de doação do Alvorge ao Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra (1141) onde é mencionada a povoação “Façalamim que se localiza a sul do Alvorge. E D. Sancho I, em Abril de 1191, deu o dízimo que uma herdade local pagava à Coroa ao Mosteiro de São Jorge de Coimbra. Seja pertinente dizer que de facto Façalamim tenha sido onde hoje chamamos Granja, que foi em tempos passados também a Cabeça da Granja e teve uma igreja maior do que a actual da Orada.E que Santana tenha sido a extrema a sul da herdade com a margem norte do Nabão e se chamaria ou Lomba de Façalamim ou,...
O donatário da Freguesia de Nossa Senhora da Orada em 1758 era o Colégio do Espírito Santo da Cidade e Universidade de Évora com 71 vizinhos e 243 pessoas.

Excerto do Livro de 1986 do Padre José Eduardo Reis Coutinho " a partir de 1717, a Companhia de Jesus, aprovada pela bula Regimini militantis Ecclesiae, a 27 de setembro de 1540, de Paulo III, obteve mais seis residências, de que a segunda era a de Falsalamim, pelo facto do Colégio do Espírito Santo de Évora ter benefícios estabelecidos nesta terra."
" Seis anos antes da criação da Universidade de Évora, em 1559, pelo Cardeal-Arcebispo Infante D.Henrique, ele mesmo fundou o Colégio do Espírito Santo, em 1553 na mesma cidade. Um dos benefícios de que ficou dotado foi o território de Façalamim que transitou da posse do Mosteiro de S. Jorge para aquela instituição, que não tardou em demarcar a imensa propriedade com uma cruz grega centrada num círculo gravada, cuja maioria ainda hoje subsiste".

A Igreja da Orada 
A igreja era a atual capela da Senhora da Orada situada num alto da  pequena cumeada a uns 300 metros do Lugar da Granja e remonta ao século XVI,  sendo que antes já aqui existia desde os primeiros séculos da nacionalidade uma igreja maior do que a actual mandada fazer pelos frades Agostinianos do Mosteiro de S. Jorge de Coimbra, a quem pertenciam estas terras.
A extinção da freguesia de Nossa Senhora da Orada em 1850, o seu território foi anexado à freguesia de São Tiago da Guarda.

Atual igreja de Santiago da Guarda
Conheci neste sitio a velha Igreja de Santiago da Guarda cuja data da fundação seria de 1649 (?),  mas no início da década de 70 sofreu um brutal incêndio que bem me recordo, tendo sido reconstruída sob arquitectura moderna com espólio religioso; Santo António de Lisboa e de Santa Luzia a que juntaram duas Imagens quinhentistas do Apostolo São Tiago e de Nossa Senhora da Graça com as suas pianhas que eram pertença da capela da Orada, a meu ver chocam no ambiente de modernidade com vitrais em colunatas encravados de vidros em amálgama de tanto cimento armado.Supostamente trazidas pelo pároco que estava naquele tempo em exercício e também conheci, o Padre Ramos, que foi meu Professor de Português no Colégio de Ansião.

Segundo as Memórias Paroquiais Setecentistas «O  orago desta Igreja he o Apostolo  São Thiago da Guarda; he filial do vicariato d'Abiul, curato annual da aprezentação da Madre Abbadeça do Real Mosteiro do Lorvão.»

«a Imagem do Apóstolo São Tiago encontrava-se no meio do altar, no lado direito tinha a Senhora da Graça e no esquerdo o Divino Espírito Santo, todas em pedra, feito tudo à antiga.Noutros altares; Santíssimo Sacramento em hum Sacrário de madeira, na esquerda outro altar dedicado a Santo António com seo retabollo de pedra pintada com coatro collunas entre as quais tres pienhas, na do meyo está hum nicho com sua vidraça em que está uma perfeitissima Imagem de Nossa Senhora do Monte do Carmo que hum devoto há des ou onze annos mandou fazer para a mesma igreja (...) na pienh da parte direita esta a Imagem de São João Baptista feito de madeira, e na esquerda Santo António feito de pedra (...) abayxo destas colletraes na parede da parte direita está metido hum arco de pedra bem feito, e pintado com huma capella e seo retabollo de madeira pintada; no meyo está huma perfeita Imagem de Chistro em huma cruz; e ao lado direito sobre uma pienha está a Imagem de Santo Antão e da parte esquerda de São Sebastião ambas de pedra muito bem feitas (...) outro arco com a sua capela das Almas, e a hum lado em huma pienha está a Imagem de Nossa Senhora do Rozario feita de pedra, e noutra pienha com a Imagem do Menino Jesus» 

Capela -mor da igreja da Orada
Apresenta-se separada do corpo da igreja por um arco de volta perfeita, simples em abóbada com dois arcos cruzados de motivos  "Manuelinos"  pintados que se fecham em medalhão ao centro.
Desolada com o  pobre altar da igreja da Orada, imaginava-o eloquente, apresenta-se em retábulo de madeira com pintura  polícroma; azul e branco com filetes dourados, setecentista e o orago com a Imagem de Nossa Senhora com o Menino ao colo será a Imagem de Nossa Senhora do Monte do Carmo? fechada em oratório ladeada por duas tábuas que não distingui as Imagens, e em baixo ao centro o sacrário.

Excertos do Livro do padre José Eduardo Coutinho « a Cabeça da Granja de Façalamim, mais tarde chamado Campo da Orada, a igreja que hoje se conhece por capela da Orada teria sido fundada em 1259 , hoje a capela da Orada é uma construção quinhentista atarracada.»

 "uma capela na Granja dedicada a Santo António, de construção setencentista, com rico retábulo de talha dourada, ao gosto da época, com a mesa de altar, em alvenaria revestida de azulejos hispano-árabes do século XVI, provavelmente trazidos  da capela mor da Senhora da Orada aquando da sua reconstrução no século XVIII diz o Padre José Eduardo Coutinho."
Evidencia o excerto ter havido uma reconstrução na Senhora da Orada no século XVIII tendo sido reaproveitado a ara do altar, o retábulo em talha dourada, o excedente de azulejos da Orada para esta capela e ainda a Imagem do Santo António que faria parte do espolio da Orada. Não é por acaso que estranhei o retábulo da Senhora da Orada ser simples e pobre. Supostamente foi retirado o bonito e posto um novo simples, sem aparente riqueza (?).

O Inventário Artístico de Portugal de 1955
Referencia a Imagem de São Tiago no Livro das Memorias Paroquiais Setecentistas.
Frontaria da igreja
Apresenta-se empobrecida de simplicidade para tanta antiguidade!
Ao que parece a última remodelação ocorreu em 1966, conforme placa existente na capela .Nessa altura foram encontradas ossadas junto da parede lateral a sul da igreja, que o Padre Ramos mandou tapar. O que evidencia que as sepulturas dentro da capela respeitam a pessoas mais importantes (?), até o povo diz que os dois últimos bispos que morreram no Paço aqui foram sepultados junto do altar mor e no adro o povo e serviçais(?). Destaca-se acima da pardieira duas pedras soltas não se sabe o que foram, para que serviam. Sendo bem visível que existe outra pardieira aposta  abaixo, e entre as duas uma fresta estreita na horizontal, pode evidenciar resquícios de uma construção antiga, ou não (?).
Quanto ao óculo  ao centro será original (?), para dar claridade e arejamento era habitual em construções antigas. A "Cruz" muito simples parece ter sido feita aquando da última reconstrução (?).
Fachada a poente
O átrio da frontaria ladeado por mural e chão lajeado pode ter sido no passado coberto por telheiro ou não (?), o  que pode evidenciar uma construção ao estilo simples, mas ter sido ao estilo romântico/gótico na altura da reconquista cristã,  em que estavam no auge as pinturas em tábuas e na escultura, as Imagens quinhentistas e chão lajeado.Desconheço se a igreja sofreu com o terramoto de 1755, na verdade a maioria do que existe nesta igreja é dessa época setecentista.Acredito que esta  igreja com sacristia foi no tempo consequentemente restaurada que lhe deu a imagem hoje conhecida de fachada simples, mais baixa (?) e quase sem evidências, se mostrando o habitáculo do sino (lamentavelmente foi roubado há pouco tempo) grande, em relação à igreja. A existência de duas pias de água benta; uma na entrada como é habitual e outra na capela  mor dão a dimensão do que foi no seu passado, a primitiva matriz.
Existência de contrafortes no tardoz - Evidenciam a antiguidade.
Olhando à volta do seu exterior é bem visível marcas de alicerces em pedra, que se estendem ao longo da parede lateral e a sul , mais largos do que a atual parede e no tardoz a existência de contrafortes usados na época medieval.Pode evidenciar várias reconstruções sofridas ao longo dos tempos (?).
No tardoz visível os alicerces antigos de grande largura , cuja parede pode na reconstrução ter sido ou não adiantada (?).
 Arco sineiro, sem o sino
A igreja ostenta um belo duplo beirado português antigo, com o novo agora triplo.
A capela mor apresenta frestas antigas para iluminação
O interior da Igreja da Orada mostra-se belo de chão lajeado com lajes numeradas, esculpidas  na pedra e sequenciais de sepulturas, sem saber se existe documentação adjacente de quem aqui foi sepultado .
Excertos do Livro do Padre José Eduardo Coutinho " é uma construção quinhentista atarracada; no adro e no corpo da igreja, todo lajeado, são notórias bastantes pedras de sepulturas; tem dois altares colaterais, um do Espírito Santo, outro de Nossa Senhora do Rosário, ambos com os frontais e flancos revestidos de azulejos hispano-árabes, do século XVI, porém, somente nas ilhagens voltadas para o eixo mediano do monumento, dado que as outras não existem, por os ditos altares estarem, por falta de espaço,apostos às paredes laterais"
"E tem um altar lateral, das Almas do Purgatório , com tábuas alusivas polícromas setecentistas, com a Imagem de S. Miguel sob um arco de cantarias lavradas, setecentistas, e ornadas com motivos vegetalistas e geométricos pintados em tons cinzento e vermelhos, principalmente."
Altar lateral das Almas 
Púlpito
De formato quadrado encrostado em coluna de pedra com pinturas que não sei a razão, o seu significado, o que querem transmitir.Na lateral onde é o acesso ao púlpito a inscrição " P.E CVRA / M.EL MENDES. M / ANDOV. FAZER. / ESTE PULPITO. / A SVA CVSTA. NO / ANNO. DE. 1702"
O que me chamou logo a atenção foi a data esculpida, porque de latim não percebo nada, mas dá a perceber que foi um Manuel Mendes que mandou fazer este púlpito à sua custa no ano de 1702.
Términos do arco da coluna
Ao se abrir a portada de acesso ao tardoz do altar se repara na originalidade da coluna que evidencia ter sido pintada tal como o arco do altar das Almas (?).
Na capela mor a pequena pia de água benta com a data esculpida  de1729.
Possivelmente esta pia esteve antes encastarda na parede lateral a sul, visível numa foto  e com a alteração de mobiliário acabou sendo posta aqui na entrada da sacristia (?).
 Na entrada da capela outra pia de água benta
Fascinante o revestimento dos dois altares laterais do século XVI em azulejos hispano-árabes, relevados em tons de policromia; verde, azul, castanho escuro e castanho claro. Azulejos mouriscos  que outros assim iguais só na capela de Santo António na Granja daqui levados no dizer do Padre José Eduardo Coutinho e digo eu a Imagem de Santo António também.
Nas Memórias Paroquiais Setecentistas « em 1758, o pároco cura anual, apresentado pelo Reitor do Colégio da Companhia de Jesus, ao responder à solicitação feita pela Academia de História, historia a  freguesia de Nossa Senhora da Orada, diz que tinha 71 vizinhos e 243 pessoas; descreve a igreja, situada entre os Lugares da Granja, Moita Santa, e Casais de Taulamim, e da qual se avistava a de S. Tiago da Guarda». 

O Colégio dos Jesuítas de Évora - Foi o Cardeal D. Henrique que doou estas terras e muitas outras para proverem à sustentação do Colégio da Cidade de Évora que mais tarde passou a Universidade. Com Paço na Granja a escassos 300 metros da igreja da Orada, noutro tempo se chamava "Cabeça da Granja",a sede da vintena, julgo que funcionou na casa que foi comprada pela Igreja onde foi instalado o Museu dos fósseis, com janelas de avental . 
Na Granja ainda existem as ruínas do Paço, não lhe chamaria Solar ( dos Jesuítas), pelos arcos no gaveto norte/poente da frontaria mui semelhantes ao convento de Penela, e pelo interior no 1º andar com reentrâncias a imitar altares nas paredes, a capela era no r/c.O relógio de Sol, a linda chaminé e pela rede de casario no tardoz que servia o paço onde viviam os serviçais e seria também o Colégio onde se formavam os padres jesuítas.
A via romana vinda de Conímbriga nas imediações da Junqueira se dividia em duas variantes secundárias, uma seguia pela Granja, Santiago da Guarda, Vale de Boi, Pinheiro, Santana e Ansião a poente ( Lagoa do Castelo) havendo outra que seguia a direção de Alzajede, Constantina, Netos, Lagoas e Ansião.
  Resultado de imagem para santiago da guarda para paço jesuita
Contraste do adro da Igreja da Orada 
Calçada portuguesa envolta de muros de pedra seca onde outrora foram sepultadas pessoas...
Há que alterar a sinalética para Igreja da Orada.
Há que se investir. E a Granja está em franco crescimento turístico!
Por isso é necessário INVESTIR EM SEGURANÇA!


Os meus recados
O que deve ser feito para preservar o património?
Quero acreditar que o seu espólio esteja inventariado, estudado e fotografado.
Quero acreditar que a Igreja esteja protegida por sistema de alarme sofisticado, por estar implantada  na cabeça da cumeada em local quase ermo...
Quero acreditar que existe estudo para fechar todo o seu adro tendo a entrada portão devidamente eletrificado para evitar possíveis assaltos ou vandalismo.
Aos fins de semana e feriados deveria ter pessoal que se revezasse para a mostrar, sendo a entrada paga, para ajudar a suportar os honorários com quem se disponibiliza para prestar o serviço, e para ajudar a custear as despesas extras .
Porque  quem não sabe tomar conta daquilo que é seu toma bem conta do quê? 
Depois de casa arrombada trancas na porta?
Não vi afixado letreiro da proibição de fotos.
Cato que floresce apenas num dia se apresenta de belas flores, não seja motivo para o esquecimento da história deste local ancestral carregado de história com estórias para contar.Quem de direito tem a incumbência e dever de preservar para as gentes vindouras.

FONTES

Wikipédia

Livro Noticias e Memórias Paroquiais Setecentistas de Mário Rui Simões Rodrigues e Saul António Gomes
Livro da Monografia do concelho de Ansião ( Perspetiva Global da Arqueologia, História e Arte da Vila e do Concelho ) do Padre José Eduardo Reis Coutinho
http://digitarq.adlra.arquivos.pt/details?id=1021782
http://lelodemoncorvo.blogspot.pt/2014/03/igreja-de-santiago-maior-matriz-de.html
https://www.jornaldeleiria.pt/noticia/uma-rua-direita-torta-e-uma-carreta-cheia-de-terra-de-pombal-4823
http://webpages.fc.ul.pt/~ommartins/images/hfe/momentos/jesuitas/_private/hjp.htm http://www.faroldanossaterra.net/2015/08/11/lenda-da-aparicao-de-nossa-senhora-da-orada-sao-vicente-da-beira-castelo-branco/

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