segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Paço Jesuíta ou do Bispado de Coimbra na Granja, Santiago da Guarda

Carvalhal, Várzea , Granja , Outeiro, lugares semeados por chão de Santiago da Guarda, onde o encanto é sempre novo!
Muros de pedra seca caraterísticos na região salpicada de olival


A primeira referência que havia de ler sobre a ruína do Paço dos Jesuítas foi no Livro "Perspetiva Global da Arqueologia, História e Arte da vila e do Concelho de Ansião" do Padre José Eduardo Reis Coutinho, visitou o local em 1984, tendo sido o Livro editado em 1986-,  teve a gentileza de me oferecer um exemplar há três anos.
Excerto do Livro " a partir de 1717, a Companhia de Jesus, aprovada pela bula Regimini militantis Ecclesiae, a 27 de setembro de 1540, de Paulo III, obteve mais seis residências, de que a segunda era a de Falsalamim, pelo facto do Colégio do Espírito Santo de Évora ter benefícios estabelecidos nesta terra."
No meu papel de curiosa sobre as coisas antigas desta região do concelho de Ansião apesar de não ser a minha terra de nascimento e sim Coimbra, nela vivi desde os primeiros dias até aos meus 20 anos e sempre continuei a visitar e me apaixona de sobremaneira sem explicação onde tenho uma habitação secundária. Dou voz a este gosto curioso e especulativo na probabilidade de haverem outras hipóteses (?), porque a história está em constante mutação, e ainda bem que não é uma ciência totalmente exata, por falta de provas fatuais.Por isso a especulação acontece, sendo certo que deve ser encarada e jamais negligenciada, porque da discussão nasce a luz!

O Padre José Eduardo Coutinho " Seis anos antes da criação da Universidade de Évora, em 1559, pelo Cardeal-Arcebispo Infante D.Henrique, ele mesmo fundou o Colégio do Espírito Santo, em 1553 na mesma cidade. Um dos benefícios de que ficou dotado foi o território de Façalamim que transitou da posse do Mosteiro de S. Jorge para aquela instituição, que não tardou em demarcar a imensa propriedade com uma cruz grega centrada num círculo gravada, cuja maioria ainda hoje subsiste".

Olhando às interpretações dos textos exarados "se obteve mais residências, de que a segunda era, a de Façalamim, por já ter benefícios nesta terra" -, alvitra que os Jesuítas já aqui estariam instalados antes desta data de 1717 (?). Sendo quase seguro alvitrar que estando muito perto de Coimbra onde foi fundado um colégio jesuíta em 1553, aqui se tenham instalado entre finais de 1500 e a era de meados de 1600 (?), depois da morte do seu fundador Inácio de Loyola em 1556 suposto o ensino seria o motivo maior, exploração da granja e receber rendas de foreiros (?).
"Esta ordem religiosa nasce dum pequeno embrião criado em 1534 por Inácio de Loyola em Paris, e é constituído por um grupo de estudantes (de entre os quais o português Simão Rodrigues) que se preparavam para realizar um trabalho missionário na Palestina. A 21 de Julho de 1550, Júlio III confirma de novo a Companhia de Jesus com a bula Exposcit debitum a qual aprova a Formula Instituti de Inácio, já corrigida e enviada às diversas comunidades da Companhia. “Todo aquele que nesta nossa Companhia, que desejamos seja assinalada com o nome de Jesus, quiser militar como soldado de Deus debaixo da bandeira da cruz e servir ao único Senhor e ao Romano Pontífice, Vigário seu na terra, depois de fazer voto solene de castidade perpétua, assente consigo que é membro de uma Companhia, sobretudo fundada para de um modo principal procurar o proveito das almas na vida e doutrina cristã, propagar a fé pela pública pregação e ministério da palavra de Deus, pelos exercícios espirituais e obras de caridade, e nomeadamente ensinar aos meninos e rudes as verdades do cristianismo, e consolar espiritualmente os fiéis no tribunal da confissão.”
(cf. Rodrigues, F., 1931: 111).
"Estava, assim, dado o tom ao ensino a ministrar. É esta ambiência que chegará ao Reino de Portugal. Ao princípio, as casas dos Jesuítas, ou sejam, os Colégios, eram locais de residência para os jovens Jesuítas em formação. Mais tarde, a decisão de alargar o ensino aos estudantes não religiosos contribuiu de maneira decisiva para o crescimento extraordinário dos Colégios da Companhia de Jesus por Portugal e Europa fora. É afirmação dos próprios Jesuítas que Portugal - foi o país onde encontraram melhores condições de prosperidade, embora os discípulos de Santo Inácio fossem iguais a si mesmos em qualquer lugar. (cf. Carvalho, R., 1986: 359 360)."

" É hoje indiscutível que a Companhia de Jesus foi essencial para o desenvolvimento do ensino científico na Europa entre os séculos XVI e XVIII. Apesar do ensino não ter sido uma das atividades à qual inicialmente Santo Inácio de Loyola e os seus companheiros se pretendiam dedicar quando fundaram a Companhia de Jesus em 1540, cedo se tornou uma prioridade. Em 1548 foi fundado o primeiro colégio a cargo dos Jesuítas, em Messina, ao qual se seguiu a fundação de importantes instituições de ensino em Portugal, como o antigo mosteiro de Santo Antão, na Mouraria, é a primeira Casa que os Jesuítas possuem no mundo inteiro em janeiro de 1542, o Colégio das Artes em Coimbra, 1553 e a Universidade de Évora, 1559. Em 1580 a rede de ensino dos Jesuítas contava com 144 colégios e, à data da supressão, em 1773, a Companhia dirigia mais de 800 estabelecimentos de ensino É estabelecido que os estudos realizados nos Colégios da Companhia deveriam ter como fim ajudar o próximo “a conhecer e amar a Deus, e a salvar a sua alma."
O fundador Inácio de Loyola morreu por alturas de 1556."

Segundo o Livro do Padre José Eduardo Coutinho  "A importante herdade de Façalamim, aparece na carta de testamento da herdade do Alvorge, feita por D.Afonso Henriques ao Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, em fevereiro de 1141, compreendia uma porção territorial sita no termo de Coimbra , compreendida entre os limites a sul do Alvorge ( será a atual Granja, ao que parece já se chamou Cabeça da Granja , Campo da Orada, ou Várzea ?) passando longitudinalmente pela Junqueira, aos limites da Torre de Vale de Todos, e Ansião, com ligeiras alterações a poente .  Em documentos de 1164 e 1166 aparece  o vocábulo "arracef" expressa - calçada caminho empedrado. Os restos da via romana que de Scallabis (Santarém) seguia para Sellium (Tomar) a Conímbriga, ladeando Façalamim"

No meu tempo de adolescente ouvia falar de umas ruínas grandes para os lados do Pinheiro onde o meu bisavô Elias da Cruz tinha uma grande propriedade comprada a João Andre que daqui era natural e depois de casado foi morar para o Ribeiro da Vide. Há anos numa conversa com o Dr. Fernando Travassos me ter confidenciado que há mais de 50 anos lá ter ido atender uma paciente, ao tempo só habitada por duas mulheres, no Lugar de Façalamim ou Façalamir,  junto à aldeia de Santana, no trilho da via romana do Vale de Boi (catalogada, mas infelizmente abandonada) seguia na direção do Pinheiro, descia ao Lousal para subir a Santa Ana havia de se fidelizar nos nossos dias em Santana, onde fui há uns 3 anos e distingui essas ruínas e  algumas lajes no caminho para sul da via romana que depois passava pelo Nabão, para subir com muita certeza à Lagoa do Castelo na encosta do Senhor do Bonfim.
Refere ainda o Padre José Eduardo que  a Cabeça da Granja de Façalamim, mais tarde chamado Campo da Orada, a igreja que hoje se conhece por capela da Orada teria sido fundada em 1259 , hoje a capela da Orada é uma construção quinhentista atarracada.
Nestas terras da Granja onde os Jesuítas implantaram um paço para  residência e colégio com uma população de jesuítas e serviçais  explorando a granja e quiçá recebendo rendas. Hoje o complexo  encontra-se em quase total ruína a sul,  onde teria sido a parte dos cómodos as celas, dado o mote pelas janelas quase minúsculas, apenas ainda revela o aspeto  de uma residência, a que se chama paço, tendo o gaveto norte/poente uma dupla de altos arcos na frontaria de muita semelhança aos do mosteiro de Santo António de Penela fundado em 1578.
Suscita fascinação pensar que tudo possa ter começado no Alvorge com a capela do Espírito Santo que tinha sacristia, tendo sido demolida cujo arco da porta ostenta a data de 1565 , sendo que logo a seguir há uma casa com pedras nas ombreiras reaproveitadas supostamente da casa que lhe estaria junto com sigla em latim e outra com a sigla dos Jesuítas, mais à frente mostro em fotos, o que pode evidenciar aqui tudo ter começado e por qualquer motivo à posterior se terem mudado para a Granja, outra  hipótese é aqui no Alvorge  ter sido uma  sucursal? Atendendo à data que se instalaram na região na centúria de 1500 e  não na centúria de 1700 Segundo o Padre José Eduardo, se teriam instalado depois de 1717, junto da estrada Coimbrã, de sólida construção setecentista, em dois pisos, de inúmeras divisões, portas, janelas de avental e corredores."
Já estive umas cinco vezes em visita ao que resta do paço,  logo na primeira vez, depois da aquisição e remodelação da Casa dos Fósseis, há uns 8 anos  reparei que nas imediações do paço existiram casas em abandono que supostamente foram de serviçais, e havia a Casa da Roda, quando aqui esteve instalada a Cabeça da Granja do concelho de Façalamim , algum desse casario com datas esculpidas  da era de 1600, que as vi  em algumas padieiras, por isso  é pronúncio dizer  com muita claridade que aqui viveram nesta década. O que não inviabiliza que o paço não tivesse sido construído ou reconstruído na época de setecentos . Hoje, em 2016, essas casas de serviçais com o símbolo dos Jesuítas e datas esculpidas foram vendidas, mantendo a traça antiga. Pertinente indagar mais sobre a sua provável fundação. Não deixa de ser curioso a Imagem de Santo Antão patrono da vida monástica com um livro e uma caveira, ter existido na igreja da Orada com culto na matriz de Ansião, e outra Imagem  na igreja de Chão de Couce, julgo ambas do século XVI (?).
Recordo uma família descendente de judeus na vila de Ansião cujo bisavô era natural de algures das terras de Santiago da Guarda, emigrou e voltou para se instalar com um estabelecimento comercial,  neles era uso na casa a expressão "valha-se Santo Antão"  comiam à base de sopa, bacalhau com arroz de tomate e legumes , quando havia dinheiro, um bocado de cabrito. Porém criavam num saguão o porco com a lavagem dos resíduos domésticos, mas não sei se o comiam (?), ou seria para venda na feira do gado.
A expressão "valha-me Santo Antão" veem acalentar que no concelho de Ansião se refugiaram famílias de judeus, que se ajudavam entre si acolhendo pessoas em casa, ainda com medo do tempo que foram perseguidos pela Inquisição, alguns se salvaram, tendo chegado felizmente até aos nossos dias descendência do cabelo crespo e o nariz comprido e arredondado na ponta típico da população judaica, e cariz  forreta  e temperamento calado.
Pasmo a mirar este complexo ruinal, mas desta vez, seria do brutal calor que em mim fez desencadear a extraordinária sensação que se houvesse empenho e talento para dialogar com os proprietários ainda haveria tempo para acudir a esta beleza patrimonial, singular e única, desta região-, que só acrescentaria mais valia à Granja, ao que já existe, para de de novo ser o ex-libris de Santiago da Guarda, apesar de rivalizar com o seu Complexo Monumental, a Casa do Conde Melhor, porque uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa, assim o dizia uma ilustre Ansianense-, a D. Amélia Rego, cujo pai Dr Rego, foi o maior benemérito de sempre na vila de Ansião, doando a parte da herança da sua segunda mulher, de quem não teve filhos para usufruto do povo e um campo para se jogar à bola, espaços que a câmara viria mais tarde a dinamizar em espaço lúdico e de lazer mantendo a mancha de carvalhal, o pulmão verde, a transformando na atual Mata Municipal.
Santiago da Guarda  e a Granja, são espaços emblemáticos diferenciados e únicos pela singularidade que encerram, na vantagem da aldeia da Granja ainda conservar a traça antiga ao género concentrado, em pedra preservada, rodeada pela várzea, outrora a granja jesuíta, abrigada a norte pelos outeiros ou cumeadas, e o Monte Alvão de beleza imensurável e pela conexidade, aridez a simbiosidade de contrastes que aliciam ao excelente convite para percursos pedestres, ou simplesmente de contemplar a cercania dos miradouros, esvoaçar de parapente, para no pior a circulação de motars, fazendo do costado dos outeiros rampas esventradas profundas na argila, que uma mota a vi a subir, e lhe sulcam rasgos quando chove que a descaracterizam, e devia ser proibido) porque é uma bênção contemplar uma paisagem única com rebanhos a pastar de cujo leite se confeciona o queijo tradicional denominado "Rabaçal", para em deleite conhecer outros atributos de valor na aldeia da Junqueira, também de belo casario, algum ainda conserva belas janelas, uma delas com uma bela flor esculpida, a sua capela airosa, e as vistas e pedras de buraquinhos deixadas pelo mar que servem para ornamentar jardins, ainda todo o património da vila do Alvorge quase preservado e a capelinha  da Ribeira de Alcalamouque, o forno da cal, num circuito de poucos quilómetros, o da romanização (Conímbriga, Rabaçal, Santiago da Guarda) mas também os vestígios deixados pelos visigodos ou judeus  (?) na construção do tradicional "V" invertido e,...
Bela paisagem cársica quase desértica, contudo imensamente bela porque irradia silêncios, paz e paixão!
Desconheço se os proprietários estão na disponibilidade de se tornarem beneméritos na suposta pretensão da doação deste espaço ruinal à comunidade da Freguesia, que o seria na glória em perpetuar para sempre os seus nomes na história  desta terra e na memória das suas gentes, por tão nobre dádiva-, acredito sejam gente do povo abençoados de valores maiores que os demonstrados em vida pelo Visconde da Várzea, sem herdeiros diretos e abastado, nunca doou a torre medieval, e se hoje é um ex-libris, é porque teve a  autarquia da adquirir e bem endividada ficou... e aqui reside a grande diferença dos valores das gentes!
Sendo a vida terrena uma passagem, o maior prazer será dar, ato que deve ser gratuito, sem esperar nada em troca.Sendo esta Freguesia de Santiago da Guarda a de maior população concelhia e sobejamente conhecida na dupla , a de saber angariar poupança, assim desde sempre conhecida, seria interessante lançar um apelo à recolha de fundos local e aos emigrantes, para a sua recuperação. Acredito no êxito, porque estas gentes são descendentes de gente de valor, que nestas terras passou a caminho de outras paragens, mas por algum motivo aqui deixou descendência de alto valor, que prevalece ainda nos dias d'hoje. 
Foto de Nuno António Jesus do Relógio de sol
Aqui na pedra saliente na parede

Já falei deste paço há anos, e o voltei a dar a conhecer em fevereiro de 2011. 
 http://quintaisisa.blogspot.pt/2011/02/ruinas-do-solar-do-bispado-de-coimbra
"IGNCIO DE LOYOLA DA COMP.A DE JESUÍTAS ROGAI POR (NOS)"

Neste agosto de 2016 o terreno que o circunda estava limpo, mas a ruína continua, a inscrição acima que fotografei na entrada há anos agora está coberta por hera, e a pequena escadaria com patamar e lanços de degraus para norte e para sul que  havia na frontaria, nem me recordo de a ter visto mais...
Porta lateral a norte de aceso à cave
 
Acima da pardieira uma pequena janela, encimada com o monograma da Companhia de Jesus  I H S.
O paço em ruína tinha uma grande cozinha no gaveto norte/ poente, sediada na semi cave.
A nascente uma pequena escadaria de poucos lanços de degraus de acesso a uma  grande capela com pelo menos uns seis altares recuados nas paredes, que os vi e fotografei, "acrescenta o Padre José Eduardo, que seria revestida a azulejos em azul e branco da época, que ainda deslindou fragmentos." Mas também já ouvi dizer que a capela era sita no r/c, onde fui impossibilitada de ir pelas silvas, mas então a razão dos altares escavaos nas paredes em cima?
Ouvindo o povo soube que havia ao meio da residência uma sala de tortura (?) onde supostamente se teriam praticado atos de cariz inquisitório com  violações corporais até à morte , a forca (?) que o povo fala de aqui ter existido estreita, entre duas paredes de pedra...
Em 1910 com a queda da Monarquia,  a Companhia de Jesus voltou a ser expulsa e espoliada dos seus bens de Portugal, e por isso é inteligível que o paço e a granja que exploravam passou para o Bispado de Coimbra e depois para a mão de particulares. No século XX o nome de granja viria a dar novo nome à aldeia em detrimento do nome inicial " Cabeça" ?
Hipóteses que deveriam ser estudadas e clarificadas.
No meio da vegetação na parede  deslindam-se as reentrâncias nas paredes, seriam dos altares
Na lateral a sul ainda se consegue ver um altar recuado na parede, a primeira vez que aqui vim havia vários-, falei com duas moradoras da Granja, que em miúdas aqui andaram a brincar, e a quem os pais atormentavam com histórias do passado aqui vividas, ainda se lembram da capela do paço ser no primeiro andar, onde efetivamente distingui as cavidades dos altares na parede a sul, onde dizem também existiu a Forca, entre duas paredes estreitas, além do Relógio de Sol. Também me disseram que os foragidos à justiça em Ansião, que aqui chegavam e pediam abrigo, ficavam libertos da justiça a troco de trabalho na granja...
Onde estarão as Imagens desta capela do Paço? Supostamente uma Imagem de Santo Antão  faria parte do espólio?
O que resta de uma janela de avental a nascente, da capela
O primeiro andar além da capela e da forca tinha no gaveto uma linda varanda de arcos a poente/sul  onde estava o Relógio de Sol.
De paredes meias com a capela para sul vislumbram-se paredes em ruínas supostamente onde teriam sido os cómodos das alcovas dos jesuítas, as suas celas do pequeno mosteiro(?), atendendo a janelas minúsculas, abrigados com a animosidade do sul.
Foto de fevereiro de 2014
Foto agosto de  2016
 
A norte ainda se vislumbra um monte de pedras que fariam parte do complexo do paço, mas não sei a real função, estando perto da cozinha, que ainda ostenta a sua bela chaminé, podia ter sido o matadouro de carnes, onde se procedia ao seu desmanche e salgadeira, pois faziam grandes banquetes, porque ainda vive na memória do povo resquícios desse tempo de ver gente do Carvalhal que trazia garrafões de vinho...

Pombal em alvenaria, cilíndrico, a imitar um moinho, desta vez haviam menos silvas para o rever por dentro, os buracos para os pombos se aninharem e os piais em pedra alva para estarem no poleiro.
Na foto abaixo o pombal coberto de verde pela hera e silvas junto ao poste-, este não deveria estar aqui no meio do terreno. Os postes devem seguir as estradas e jamais entrar em propriedade particular criando aberrações estéticas e descontextualizadas .Para pensar!

Junto ao paço jesuíta ainda resistem as casas dos seus serviçais, entre outros serviços recebiam as rendas das terras, distinguem-se por na padieira das portas ostentar a sigla da Companhia Jesuíta, ainda existe muito casario com datas esculpidas, outros dizem que algumas já foram roubadas...

Uma curiosidade
No Alvorge na antiga estrada Coimbrã, encontrei uma casa onde me parece ser bem visível a reutilização de pedras antigas que não foram supostamente feitas para a casa , os pés das ombreiras laterais das portas da fachada, numa delas, apesar da grade ofuscar, vi que tinha esculpida a sigla jesuíta.
E na mesma casa, noutra porta, encontrei outras pedras com palavras esculpidas, supostamente reutilizadas.
Faz pensar que parece ter havido uma pedra com uma inscrição que ao ser reaproveitada para esta porta foi cortada em partes iguais, sendo que na esquerda apresenta as letras(?) ODEVS e na direita QVEMO (?).
Enquanto que a sigla jesuíta não deixa margem para dúvidas, já as outras duas, não sei se teriam pertencido à Companhia jesuíta, na mesma se teriam sido retiradas do paço jesuíta da Granja (?), ou eventualmente pertenciam a uma filial aqui sediada no Alvorge(?).
Solar brasonado da Torre da Ladeia no Alvorge.
Nesta casa no Alvorge, o seu varandim de colunas veio do solar da Torre da Ladeia, cuja dona atual, a D. Clementina me informou.
Por isso a história de Ansião e do seu concelho a acho tão fascinante, ao longo dos anos tenho vindo a alimentar este blog, seja com fotos, visitas, emoções, na mostra variada do concelho que muitos o desconheciam, e por isso seja agradável receber elogios- "levaste-me à Granja para conhecer o paço" 
"adoro seus conhecimentos dos meus locais de infância, tenho gosto em saber que a Freguesia de Santiago da Guarda é falada agora, pois durante a minha vivência maior esteve encarcerada naquela morbidez de costumes fechados de posse e austeridade !!!!"
" já fui a Chão de Couve ver as ruínas da casa da Câmara"
" fui ver o portal gótico no tardoz da Misericórdia",
Também os há outros que não me dizendo nada, por não terem essa verticalidade franca em comunicar e prazer em partilhar emoções, ficam de apetite aguçado e vão...porque o acabo por saber muitas vezes... 
Tenho este frenético sentido em falar de coisas que até muitos desconheciam, por no tempo de adolescência não terem deles ouvido falar, sendo que despertados pelas minhas crónicas, fatalmente alguns acabam por ser matéria de pesquisa e estudo para outros se evidenciarem, quando na origem a ideia, o despertar, foi meu, seguramente. O que não gosto é de plágio. Aconteceu com o teor de uma crónica para impresso de um folheto publicitário, mas disso  farei uma crónica.
Haja alguém que saiba olhar pelo futuro da ruína do Paço da Granja!
Um comentário de Elisabete Lopes na página do facebook que passo a citar
"Pena estar esquecido... brinquei lá muita vez, era pequena, mas lembro-me bem da minha bisavó contar que os peregrinos a caminho de Santiago de Compostela, pernoitavam na "casa dos bispos" (era assim que era conhecida) e ela dava-lhes sempre um caldo quente. Sempre me lembro de passarem os peregrinos na Várzea vindos de Santiago da Guarda e indo em direção a Granja. Quase todos os dias passavam. Até a cavalo chegaram a passar. Só há meia dúzia de anos é que deixaram de passar. Foi desde que andaram a marcar os novos caminhos de Santiago de Compostela que marcaram por outros lados. Mas pelo que eu tenho ouvido dos mais antigos o Caminho de Santiago passava em Santiago da Guarda em direção a Granja. No Complexo da Casa Conde Castelo Melhor existe a vieira esculpida na pardieira, muito antiga, que indica o caminho de Santiago, por isso não consigo entender como marcaram os caminhos sem seguir as vieiras, um dos símbolos do peregrino. No entanto ainda há alguns que passam aqui por Santiago da Guarda."
Pois.
Não estou em condições de no momento poder afirmar que o caminho de Santiago de Compostela, que vem de Ansião, não passe por Santiago da Guarda e por aqui na Granja, na direção ao Alvorge, onde vi passar dois em plena vila neste agosto, na antiga estrada romana, pois este caminho de Compostela coincide em muitos  troços com a via romana. A não ser  como diz, foi mal catalogado por quem andou a pôr as marcas nos muros e postes sinaléticos para indicação aos peregrinos.Mas isso a acontecer será incúria cultural, que infelizmente ainda acontece e não devia!
Como sempre deixo o meu contributo, ao mostra-lo ao Mundo fazendo as minhas exaltações no falar!
Gostaria de ver a Granja preservada, valorizando o que resta do seu alto património!

Fontes
Livro da Monografia de Ansião do Padre José Eduardo Reis Coutinho
http://www.snpcultura.org/jesuitas_e_investigacao_cientifica_em_portugal_factos_e_enganos.html
http://www3.uma.pt/jesussousa/Publicacoes/31OsJesuitaseaRatioStudiorum.PDF
Testemunho oral de duas moradoras na Granja, lamentavelmente esqueci os nomes...uma dona da Casa da Roda e a outra moradora em frente numa casa nova.
Testemunho oral da D Clementina no Alvorge
Testemunho de Elisabete Lopes

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