terça-feira, 6 de setembro de 2016

A Quinta das Lagoas em Ansião

No batizado dos meus netos, tabelei conversa com o Jorge que ao entardecer descansava junto dum lago artificial do Hotel do Espinhal.
Fluída a conversa sobre a Quinta das Lagoas em Ansião, cujo pai durante anos a cultivou quando foi vendida ao Sr. Branquinho-, homem nascido em  S.João de Brito, segundo me informou já conta 100 anos. Aguçou-me o espírito ao dizer que se lembra de ver os Santos da ermida no sótão, em mau estado -, ora aqui reside um enigma-, à partida, as Imagens seriam de pedra, com a passagem na região dos desertores da Batalha do Buçaco em setembro de 1810, deixando um rasto de atrocidades, nomeadamente esta ermida a incendiaram, o que levanta a questão pertinente, teriam os seus donos guardado as Imagens no sótão, para as salvar deles, por isso ao verem a ermida despida raivosos a incendiaram ?A ermida ficou em abandono até ser restaurada pela autarquia na década de 90 (?) do séc. XX, quando adquire a quinta, e aqui reside outro enigma -será que as Imagens voltaram à ermida? Voltou a Imagem "de Nossa Senhora da Boa Morte, segundo o padre Manuel Ventura Pinho de Ansião lá celebrou missa, sem contudo ter registado foto da mesma, com grande pena , segundo as suas palavras."
E as outras  foram vendidas?
Encontrei a Carmita que tinha feito na véspera 60 anos, andámos na escola juntas,  disse-me que os Santos tinham sido roubados...Ora se existiam as Imagens no tempo do Sr. Branquinho, só se perdeu o seu rasto quando este vendeu a quinta ao Sr.Ângelo da Sarzedela (?), ou não (?). Sabendo que este último proprietário quem mais alterou para sempre a fisionomia desta quinta, anulando a bela entrada de fausto portão de onde nascia uma alameda em caramachão fresco dado por trepadeiras que conduzia ao solar (+-350 a 400 mts) e outras alterações no campo agrícola que seria em plano inferior circundado por levada encrostada em muro de pedra que trazia a água da mina e,...
Tanto me falou a minha mãe desta quinta nas Lagoas em criança nos longos serões do turno da meia noite no PBX do Correio velho...
Um ano destes a convidei para conhecer a casa onde esteve hospedada, naquele tempo alugada pelo primo Zé Lucas, quando andou com ele a estudar. Revemos o caminho da fonte que nunca esqueceu ladeado por muitos poços, na volta deles morangueiros, já no lado inverso casas cheias de hortenses azuis e rosa. Defraudada fiquei com o rio, que não existe, mas que assim é conhecido pelas suas gentes com este nome de eleição…supostamente dado pela abundância de águas do grande poço que se junta no inverno e alastra em aluvião pelos terrenos baixios e alagadiços formando pequenas lagoas-, fato que viria a consagrar na toponímia a aldeia (?)-,  inserida no maciço de Sicó onde ainda existem muitas dolinas cársicas, que o povo também lhes chama lagoas. O excedente da água do poço era canalizado para um lavadouro público coberto a zinco onde mulheres lavavam as roupas das senhoras de Ansião-, do Sr. Advogado, do Sr. Juiz, do Médico, no mesmo preceito fosse o mesmo trabalho que se fazia em Caneças, seja no carrego, no vai e vem de trouxas  atadas em lençóis nas carroças ou à cabeça, que depois de lavadas e coradas na relva ao sol junto à fonte eram para de novo entregar ao freguês, sendo que a fonte era de boa água para saciar a sede. Ainda me falou de gente que morreu muito nova com a doença dos pezinhos, muito centrada neste Lugar, de seu nome “Polineuropatia Amiloidótica Familiar ou Paramiloidoses” com sintomas: formigueiro e falta de sensibilidade térmica e dolorosa nos membros inferiores, dificuldade na marcha, diarreias, perda acentuada de peso e perturbações nos membros superiores semelhantes às dos membros inferiores. Destaque na aldeia das Lagoas a casa solarenga que foi dum padre, na beira do muro uma grande videira a fazer de parreiral, um dia a minha mãe encantou-se na visita com o jardim repleto de belas roseiras, o chão coberto de lajes que viu iguais também no patamar do sobrado, cujo muro do varandim tinha em suspensão potes de barro com morangueiros.
No largo das Lagoas, havia uma amoreira que dava amoras pretas, grandes e saborosas, o caminho era delimitado pela Quinta das Lagoas, quando a minha mãe vinha de Ansião passava ao lado do grande portão de acesso ao solar do século XVIII implantado em quase 12.000m2 de extensão com capela ao estilo barroco, ladeada por duas pequenas torres sineiras, de coruchéus acachapados, ao primeiro olhar assemelha-e a uma igreja em miniatura.
Esta Capela das Lagoas foi do padre Domingos Alvres Paz, suposto homem rico com presunção de fidalgo, a quinta que hoje conhecemos pelo nome de Lagoas foi a dele, que podia ter tido antes outro nome- provável Segonheira.
Suposto após a sua morte os seus bens foram herdados por irmãos (?) e solar da quinta das Lagoas chega até nós como propriedade particular, com penúltimo herdeiros de Fructuoso Veiga uma das últimas famílias de linhagem de Ansião, supostamente este senhor foi o pai da D.Alice Veiga que cheguei a conhecer  o seu filho, o Sr. Armando Veiga Cardoso, que foi escrivão em Ansião, colega do meu pai. Também conheci o Sr. Chiquinho Veiga-, não deixa de ser curioso o trato como era hábito em famílias de origem burguesa e rica ser comum este uso pelos senhores, e assim chamado pelas criadas e na vida por os demais..."Chiquinho" como é que se pode crescer e se tornar homem para a vida, sobretudo para tomar comando de heranças e da linhagem da família, se não aprenderam a acautelar estes e outros valores -, quase impossível!
O Sr Chiquinho trabalhou na Câmara, a esposa  D. Ana que o povo apelidada  ( D.Anita Chiquinho) era natural da Sarzedela, no solar das Lagoas foi criada de servir, abençoada mulher pelo alto porte, altar, e olhar fulminante,  gostava de se vaidosar vestida de grande chapéu de aba larga, e saia rodada, ao que se consta fácil foi se enrolar em paixão ardente...Mais tarde por volta de 50 fizeram uma casa em cor de rosa velho do outro lado do solar, talvez terreno herdado por ela (?), de paredes meias a um complexo ruinal, a casa destacava-se por ser um ninho airoso.Na minha adolescência recordo ouvir um boato julgo passado com esta senhora -, supostamente por não ter descendência deixaria a casa em herança a uma rapariga-, sobrinha ou afilhada (?) já não me recordo, na condição dela casar com quem ela queria-, ora coisa que não abonei ao tempo por achar tal pedido deprimente, mas agora sabendo do seu passado que não teve pejo de escolher o filho do senhor do solar com quem se enrolou e viveu amantizada anos ( termo vulgar naquele tempo), nem sei se ele alguma vez chegou a casar com ela...isto leva-me a pensar como é fácil abominar este tipo de carater, porque ninguém devia interceder nos afetos dos demais, cada um deveria ter cabeça por si para pensar , lutar e decidir!
Casa na vila que foi do irmão do Sr. Chiquinho com a chaminé antiga
O Sr Chiquinho tinha um irmão que foi tesoureiro da Fazenda Pública em Ansião, casado com uma senhora chamada Julieta, viviam na casa por cima da loja do Sr Adriano Marques na vila, julgo teve pouca ventura, supostamente viciado no jogo onde supostamente perdeu o que tinha e não tinha , débil recordação de quando andei no Colégio  ouvia dele falar " no Casino da Figueira da Foz quando se viu sem dinheiro diziam as más línguas alegadamente sem escrúpulos, na verdade por não ter mais nada para pagar, só lhe restava a mulher para vender ..."
Casa de Matilde Veiga ao Fundo da Rua em Ansião
Interessante analisar em contraste a Quinta das Lagoas, o solar onde nasceram os irmãos "Veiga" com data na porta do jardim de 1874, sendo que o solar é bem mais antigo, teria sido uma requalificação ou acrescento nessa data. Porque a casa da irmã Matilde Veiga ao Fundo da Rua inserida noutra quinta em Ansião da família, a que chamo Mata, por desconhecer o seu nome primitivo, ostenta no lintel a data de 1852.O apelido "Veiga" julgo não perdura no tempo, por os varões não terem tido filhos a quem o podiam transmitir (?).Além do Sr Chiquinho e do seu irmão haviam irmãs, das quais desconheço a sua vida, nem sei se na foto abaixo não serão elas a fingir que lavam roupa no Nabão, sem pudor do acto assim se prostraram à foto(?).
Foto aos Olhos d'Água com o Sr Chiquinho Veiga
...de mãos abertas e a esposa atrás, na frente o meu pai Fernando Rodrigues Valente com o irmão o Francisco, os únicos na foto que conheci.
Foto na frente do Tribunal antigo, aos Paços do Concelho, o Sr de gabardina e cigarro na mão, o Sr Armando Cardoso filho da D. Alice Veiga . O meu pai o último da direita, junto do Dr Arnaut
No regresso de Santiago da Guarda neste agosto de 2016 apesar do forte calor teimei de novo parar. Demos conta que a norte da quinta resta a casa em ruínas onde a minha mãe viveu, de paredes meias com a casa do talhante que foi o Sr. Joaquim Tereso, pessoa que bem recordo e da sua esposa.
Junto da ermida a Carmita nos pergunta se nos lembrávamos do barracão onde ele guardava o touchinho em sal,  pouco lhe punha, por causa disso vivia cheio de larvas brancas e muito mau cheiro?Assim mal guardado em salmoura só de tempos a tempos o vinham buscar para fazer manteiga...logo eu que adorava Primor!
Tanta vez aqui passei a caminho de Coimbra na carreira do Pereira Marques e me deixava a contemplar  infinitamente a quinta com as suas duas belas palmeiras, nesse tempo raras e o pomar raquítico que não vingou como o da quinta de Cima em Chão de Couce... para só acordar deste sonho brasonado na Venda do Brasil, porque "raio" lhe chamavam assim, e do carteiro que se chamava Ferrete... 
No anos 90 a quinta foi adquirida pela autarquia de Ansião que nela investiu para a dar à exploração hoteleira. Nesse tempo aqui vim jantar um bom  bacalhau servido dentro de um pão armado, que ao ser destapado se sentia o aroma do bom repasto, na mesa ao lado refastelavam-se outros de Ansião-, o ajudante do notário o Sr. Coelho, e amigos. Nessa noite pedi para entrar no solar, gostei de ver o corredor com uma passadeira em laje, idêntica à que vira um dia no aceso à Igreja do Mosteiro ao Vale Mosteiro, só que diferentes , apesar de ambas em pedra e quadradas, esta do solar feita em pedra comum acinzentada (iguais vi também numa casita do Sr. Adelino no Fundo da Rua entre a casa dele e do seu prédio) sendo a passadeira da Igreja do Mosteiro onde um dia entrei com a minha irmã ser totalmente branca, da cor da cal, alva de branca, lindíssima. 
Ao que parece o negócio da restauração não floresceu, quando tinha tudo para o sucesso, supostamente faltou força, trabalho e talento... depois de 10 anos de exploração em 2007, de novo posta à venda, por a autarquia ter concluído que não é sua vocação ser promotor hoteleiro e turístico...
Por isso neste agora não sei quem é o dono! 
Assim sendo porque invadi propriedade particular, as minhas desculpas. 
Portão da escadaria a sul. Na frente do solar virado a sul, um pequeno jardim que se alonga em patamar dos lados da escadaria central, onde haviam duas belas palmeiras e coníferas nórdicas, e ainda um tanque de pedra, davam sombra à varanda alpendrada suportada por colunas octogonais assentes num murete que dá acesso a uma escadaria lateral para poente.
Vista a nascente
Senti-me uma descendente brasonada ao entrar nesta porta aberta encimada pela data  de 1874
Vista a sul com varanda em pedra sob telheiro. Curiosamente este tipo de varanda é igual ou muito semelhante à que existe no tardoz da antiga casa das Sousas, nada mais que o solar onde funciona em parte o Clube dos Caçadores e a outra parte é particular em Ansião.
Esta porta deve dar acesso a uma cave(?), é comum este tipo existir em quintas.
A minha mãe
Escadatório da entrada principal ladeado por par de palmeiras que jazem mortas ainda de pé
Total abandono do jardim na entrada principal
Ainda assim fascinada por estar finalmente de novo neste local
Visão registada na varanda
Na escadaria de pedra de acesso ao primeiro andar a curiosidade de os degraus estarem marcados com "traços" para quando foram aqui encrostados não se enganarem a colocar.
Portal a norte virado para dentro, para o jardim
O mesmo portal virado para fora, para a rua que vai para as Lagoas
Vista de poente, visível a degradação do telhado com as intempéries

Portão a poente, a partir da ermida não existe vedação...
Ermida com frontaria a poente, em estilo barroco com duas torres pequenas, fechada e vazia(?).
"No Livro do Padre José Eduardo Coutinho refere que a capela teve na frontaria uma Cruz recortada, um nicho entre dois óculos tetralobados e, sobreposto à pardieira da porta e entre motivos vegetalistas estilizados , o brasão com as armas dos Noronha e dos Mendes de Tânger, o escudo era coberto por um chapéu pontifical com dois núcleos laterais de cordões e três ordens de borlas pendentes.
Havia um Bispo na família, ou habitou aqui um eclesiástico de outra ordem sacra?Talvez este!
A capela despojada do fausto que outrora teve, o lavor das cantarias e o ouro que ainda a reveste nos florões do arco cruzeiro continuam a atestar a riqueza da capela profanada pelos desertores da batalha do Buçaco e mais tarde derrubada da sua traça e decoração inicial.Tudo vai atrás de quem o deixa!"

"Segundo o testemunho do Sr padre Manuel Ventura Pinho que aqui já celebrou missa existe uma Imagem de Nossa Senhora da Boa Morte, que não tirou foto e por isso lamenta a perda."

O brasão em 1955  teria sido supostamente vendido (?) pelos herdeiros da família Veiga (?).
A pardieira da porta com a erosão está a desfazer-se, não se consegue a meu ver perceber se nela houve alguma inscrição com a sigla jesuíta (?)
Poucos foram os dias depois daqui ter estado para me deparar com um brutal dilema.Passei pela Granja de Santiago da Guarda e noutro dia fui ao Alvorge. Para hoje se fazer luz  e turbulência na minha cabeça, cheia de perguntas sem resposta, pois não sou historiadora, limito-me a dar os meus palpites  sustentados em hipóteses a que junto coisas e loisas coincidentes. A meu acho estranho a ermida ter sido de fausta riqueza de brasão encimado pelo chapéu de um bispo e ainda dos oragos já falados anteriormente,  ao Espírito Santo, símbolo amado dos jesuítas, o 1º colégio em Évora fundado é com este nome e ao orago de Santa Luzia, os mesmos da capela do Alvorge, na diferença é que lá vi pedras reutilizadas com a sigla dos jesuítas e outras duas que provavelmente foram uma só e depois cortada ao meio com inscrição em latim(?) e aqui nas Lagoas no edificado do solar nem na capela não distingui nada, mas não ia nessa perspetiva de observar bem as cantarias...e houve obras e, claro importante a árvore genealógica desta família para se ver se de fato existiu algum bispo.
Merecem ser matéria de estudo as três variantes: Granja, Alvorge e Lagoas! 
Casa da D.Alice Veiga na vila de Ansião
Quando ia a casa do Sr. Armando Cardoso provar fatos na modista D.Lurdes, um dia a brincar com os filhos, Américo e Milú reparei numa pedra pequena esculpida, um brasão prostrado no chão encoberto pela relva, junto dos barracões ao lado da casa...Supostamente a mãe do Sr. Cardoso, não tendo sorte no quinhão da quinta, fez questão de trazer  o brasão (?)  ou então seria outro (?), lamentavelmente não me recordo do chapéu do bispo, sou observadora, mas nesse tempo nem conhecia esses chapéus, só me recordo que era uma pedra pequena tipo retangular esculpida...
Esta casa tinha uma grande quinta, hoje urbanizada que fazia extrema com outra quinta, a do Dr Rego, hoje com a Mata Municipal onde havia um recanto bucólico em tabuinhas encanastradas coberto por trepadeiras, fresco, chamado caramachão, alusivo quiçá ao da quinta das Lagoas onde a D.Alice nascera.Recordo em minha casa andar uma foto tirada na sua frente com o pessoal do Tribunal onde também estava o meu pai, mas infelizmente desapareceu.

Citar o Padre Manuel Pinho Ventura de Ansião  "In “Notícias e Memórias Paroquiais Setecentistas - Ansião” de Mário Rui Simões Rodrigues e Saul António Gomes
" em 1627, o pároco da altura  refere duas capelas na Sarzedela: a ermida do Espírito Santo, e a de S. Silvestre pegada ao dito lugar.Ainda hoje as imagens destes Santos se guardam na agora única Capela, e dedicada presentemente a S. João Baptista."
Para mais tarde em 1721 dizer que apenas havia uma ermida e de orago a Santa Luzia.
Já em 1769 fala-se também numa única capela, dedicada a Santa Luzia, à Santíssima Trindade, S. Silvestre, S. Martinho e S. João"

No Alvorge existe uma pequena capelinha com data de 1565, dedicada ao Espírito Santo e a Santa Luzia, sem se saber se estes oragos foram os dois dados inicialmente ou em espaços diferenciados, ainda se existem provas que nos conduza aos Jesuítas que estiveram na Granja de Santiago e uma grande possibilidade no Alvorge junto à tal capelinha, sendo que por aqui nas Lagoas, ao que eu saiba não haverá indícios de nenhuma pedra gravada com a sigla jesuíta (?).
Por isso a dúvida sem saber a que ermida o padre se referia, na coincidência dos mesmos oragos do Alvorge, por volta de 1565 (?).
Neste mês de agosto a quinta do Dr. Faria junto do mercado em Ansião foi limpa. Há anos que era impossível pelo silvedo ver a sua ruína. A única coisa que resta além de algumas partes de paredes é o forno na cozinha, a sua abertura é exatamente como as guaritas revestidas a cerâmica como se veem na ermida nas torres.Comparação da guarnição da guarita da ermida e da boca do forno, sendo que conheço muito forno e nenhum é assim debruado, e sim só em pedra
Como é possível e permitido que a EDP, empresa que ganha milhões, colocar a escassos metros em propriedade privada  um poste terminal, sem qualquer estética, junto de um monumento catalogado como de interesse público? Os postes sejam da EDP ou de telecomunicações, devem seguir as ruas e estradas e jamais atalhar propriedade privada a torto e a direito para lhes resolver a vida, em custos e tempo e ainda meterem dinheiro no bolso.
Porque razão não há governo que lhes comesse a imputar coimas!

 
No tardoz da tenda a área dos grelhadores e do forno

 Tardoz das tendas
 O que se consegue ver dentro da tenda
 
Vista do terreno agrícola com a mina d'água que ostentava pedra a data de 1779, que dela me falou a Fernanda, que bem pode estar mais abaixo e com a vegetação não ser visível (?).
 
Ou então espero que a tenham guardado para ser exposta no Museu-, sim, porque Ansião merece também o seu, onde abrigue o espólio da nossa terra tão disperso por casas alheias, outro espoliado, vendido, roubado, vandalizado e,...Procura-se a pedra datada de 1779!
O solar ostenta a data de 1874 e a mina a de 1779, sendo que a ermida será mais antiga da era do início de 1600 (?), data das primeiras capelas no concelho (?) 1623 Constantina, 1647 Sto António ao Ribeiro da Vide e,...o que levanta a questão de se estudar a origem da quinta e se a ermida nela foi incorporada.

Ao longe distingui gente na Casa Erbach feita por iniciativa da Câmara de Ansião na entrada da quinta onde foi o portão- Casa da Amizade pela geminação de Ansião com a localidade alemã. Trata-se de um equipamento de apoio a iniciativas municipais ou associativas, destacando-se desde a sua inauguração, em 2002, o seu papel de apoio a inúmeros estágios desportivos de equipas e modalidades diversas, o equipamento pode ser requisitado e utilizado por grupos, mediante a aceitação e cumprimento do respetivo regulamento interno. Funciona o ano todo com gastronomia e dormidas.
No que foi o território da Quinta das Lagoas no momento só se mantém vivo o Campus Desportivo Municipal de Ansião, onde se joga futebol com a equipa do Clube dos Caçadores de Ansião e a Casa Erbach.
Deixei o local triste ao apreciar património do séc. XVIII a desfalecer a cada dia. Apesar das obras encetadas pela autarquia, o abandono e as intempéries deram cabo dos telhados, na casa e na capela barroca, as palmeiras morreram de pé, a erva daninha rebenta sem pedir licença a calçada grossa dos terrados, a parte hoteleira se mostra em total tristeza, sem limpeza, por estar aberta de fácil acesso, apenas foi cortada a erva no terreno outrora de cultivo. Acho o local excecional e altaneiro com grande potencial para eventos, além da casa, tem as tendas, os churrascos, o forno, a capela, além de muito espaço envolvente com bordadura de pinhal ,o Estádio Municipal e a Casa Erbach, a nascente. Haja criatividade bastante para o voltar a converter em local idílico de cariz bucólico fazendo renascer um cenário verdejante explorando a mina e com água à vista em seu redor fazer nascer um campo de golfe, com lagos, campo de ténis e trilhos para caminhadas devidamente sinalizados nas imediações, e claro devidamente vedada, bem publicitada e com serviço de excelsa qualidade, a meu ver tem potencial  bastante para arrancar o sucesso seja para um bom restaurante com dormidas, festas religiosas ou outras -, enfim de novo uma casa cheia que dê trabalho e orgulhe as Lagoas e a vila e concelho de Ansião, que deste tipo de serviço está deficitária!

Gente das Lagoas do meu tempo que me ficaram na memória: Carmita, a Fernanda e a irmã Lurdes, lindas moçoilas, altas a vender melões com o pai na Praça do Município em frente à taberna do Alexandre, da Sarzedela é sempre bom lembrar a Isabel Manguinhas; Lurdes Carvalho; Lúcia; Jaime de lindos olhos azuis; Fernanda Carvalho muito bonita, e as irmãs, a Filomena e Natália; João e Júlio Bernardino; Silvina; Assunção; Mena, Celeste Marques e, …
Saudades do Sr. Vinagre do Grémio da Lavoura, da Maria Nena a contínua do Colégio, e da sua filha Celeste, do varredor camarário homem castiço e simpático sempre de carrinho pelas mãos, jamais esquecia de me cumprimentar fosse a caminho do vazadoiro público ao Ribeiro da Vide ou a caminho da vila, avô da minha amiga Fernanda Carvalho e, …

FONTES
Livro Ansião do Padre José Eduardo Reis Coutinho

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