sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Teria o Alvorge albergado a primeira Casa de Jesuítas no concelho de Ansião (?)

Uma tarde acalorada na teima vadiar por Santiago da Guarda onde não vi ninguém ...
 O solar do Visconde da Várzea agoniza...
Defronte do solar supostamente propriedade que era do Visconde consegui deslindar uma prensa em pedra quiçá "romana"(?) e outras pedras...foto em andamento
Tomei uma das estradas que mais gosto...na placa sinalética todos os nomes sonantes!
Carvalhal, tanto calor abrasador e as sardinheiras continuam belas...
Moita Santa
Prestes a chegar ao Alvorge disse ao meu marido para abrandar a marcha, ia de olhos bem abertos à procura do monumento "Alminhas" em pedra que, ou foi o ano passado, ou há dois, quando por aqui passava dei conta estar no meio da estrada por terem aberto uma nova variante julgo na direção de Vale Florido.Debalde agora não a vi, o que constatei foi uma construção nova semi circular, moderna, a imitar um oratório de "Alminhas" sediada no gaveto do antigo hospital onde labora um lar de cuidados continuados .
Pergunto? O que foi feito ao monumento antigo das "Alminhas"?
Se estava a estorvar nas novas acessibilidades só deveria ser trasladado pedra por pedra, afinal era de tamanho reduzido, mas de alto valor patrimonial e histórico.
Há anos na estrada no entroncamento de Lisboinha com o Pereiro, na freguesia de Pousaflores,  havia umas "Alminhas" que por motivo de alargamento da estrada a mesma foi trasladada para a outra berma e lá continua na sua antiguidade...para pensar!
Cruzeiro do Alvorge
Escola
Nesta casa de gaveto vivia a primeira criada que tomou conta de mim, a Helena(?)
Um olhar a estrada na direita agora vive um prédio novo que colide a meu ver com o património histórico da vila do Alvorge que deveria ser mantido...
A placa toponímica pequena para um nome grande do Alvorge
Uma antiga aldraba
Um exemplar de uma bela chaminé
Das ruas e becos avistam-se os outeiros e cumeadas
Um telheiro abrigado por encanastrado de tabuinhas
Espaço etnográfico do Alvorge
Uma boa aposta!
"Desde 1984, data da fundação do Centro Social, Cultural e Recreativo de Alvorge, tem a sua secção cultural vindo a fazer uma recolha do património etnográfico da freguesia do Alvorge com vista à sua preservação. O espaço, na sede da associação, reservado para a conservação do material recolhido, tornou-se insuficiente a ponto de já não ser possível comportar mais peças. Colocou-se então a necessidade de encontrar um local, com condições dignas e espaço suficiente, para colocar o espólio existente e proceder a uma exposição permanente do mesmo.
Essa oportunidade surgiu quando se encontrou para venda um edifício em ruínas, situado no centro histórico do Alvorge, com interessante historial, do ponto de vista cultural, merecedor de uma reconstrução, pois, embora sem dados documentais que o comprovem, é voz corrente que o mesmo edifício serviu como prisão e como celeiro da Universidade de Coimbra.
Ora, se recordarmos que o Alvorge foi julgado da Comarca de Coimbra, nos princípios do séc. XVI, com juízo próprio e que em finais desse mesmo século, as terras do Alvorge, que pertenciam ao convento de Sta Cruz, passaram para a Universidade de Coimbra, será fácil acreditar que essa convicção popular, relativamente à antiga utilização desse edifício, seja real.
Perante estes factos, foi decidido, em 2010, adquirir o citado imóvel, procedendo-se agora à instalação do Centro Etnográfico do Alvorge, cuja exposição permanente abrangerá variados aspetos da vida quotidiana das gentes Alvorgenses ao longo dos anos.
Um projeto, um sonho, um caminho de muitos, preconizado pela paixão e dedicação de um Homem Grande, mas que será certamente de todos, e para todos!
Venham visitar, vão ver que vale a pena! 
Quando passei estava fechado. Deram-me o contato de uma senhora que mora defronte, chamei, chamei, debalde só o cão ladrou...vim embora sem ver, apenas espreitei pelas janelas!
Recriando essencialmente a vida rural do Alvorge até à década de 70 este espaço está organizado em ambientes que retratam os ofícios e as lavouras bem como os espaços das casas rurais e instituições. Pretendeu-se proporcionar aos visitantes uma viagem no tempo com recriações do modo de vida quotidiano.
Grades da antiga cadeia do Alvorge do século XVI
Espólio visto da rua
Encontrei este gato no beco, dando-me conta do comedouro, um prato de plástico, mas sem comida, por isso miava...
A Misericórdia do Alvorge de 1764
A estalagem com data de 1709
Casario de fachada simples, chamam a atenção as pedras de suporte das varandas, e a parte inferior das ombreiras com inscrições, e ainda uma outra coma sigla da Companhia de Jesus-, dos jesuítas que habitaram na Granja, Santiago da Guarda. Tudo indicia que as pedras foram reutilizadas aqui trazidas da Granja ou seriam do Alvorge duma sucursal, a pergunta pertinente ?
                                "ODEVS"   (?)                                                          "QVEM0"(?)
Apesar da inscrição se encontrar semi escondida pelo remate da pedra da varanda e da grade trata-se da sigla da Companhia de Jesus IHS e é grande, supostamente fez parte duma pardieira de casa grande.

Capelinha Se não me falha a memória dedicada ao Espírito Santo (?) ostenta na frontaria três datas sendo a mais antiga de 1565 - 1830 - 1953
Remate de um telhado com a pomba símbolo do Espírito Santo-, coincidência ou não, os jesuítas criaram o Colégio do Espírito Santo em Évora e tinham direitos em Façalamim a sul do Alvorge. 
O que levanta a probabilidade desta  capela datada de 1565 , " teve sacristia e há anos foi demolida, para fazrem uma variante(?), na oralidade do povo ainda dizem que aqui foi a primitiva igreja. Segundo o padre José Eduardo Coutinho". Ao longo dos séculos com as sucessivas remodelações, e não sabendo a antiguidade da pomba (?), uma possibilidade é ter sido reaproveitada da casa contígua  à capela que seria uma sucursal dos jesuítas da Granja (?), cujas pedras com as inscrições já as mostrei acima(?) .Ou então aqui tudo começou, nesse tempo Alvorge era mais importante que a Granja que apenas tinha a igreja da Senhora da Orada, e daqui,  mais tarde passaram para a Granja(?).
Pertinente esta alusão que merece ser estudada!
Vistas
Igreja do Alvorge
Casario em pedra antigo
Solar que foi de gente abastada, grande mas ao que parece mal dividido(?) no século XX a suposta avó a deixou a uma neta,  que não a queria e só pensava em se livrar dela depois de ter vendido todo o espólio e com ele ter comprado um andar-, o que se comenta...um dia descuidou-se em desabafo, que já a vendia por qualquer preço...e assim foi.
Em 1810 aqui vivia um juiz. Por altura da passagem dos desertores da guerra do Buçaco,  foi feito um cofre subterrâneo no r/c  tendo o povo confiança no juiz aqui depositaram todos os seus valores...que deveria voltar a entregar aos seus donos...senão ainda corria o boato...
Sob um calor abrasador seguiam o trilho do caminho de Santiago de Compostela dois homens
Janela antiga de casa pobre, o rebate em xisto
Disse-me a D Clementina que as colunas do seu alpendre vieram do solar brasonado da Torre da Ladeia e aqui reutilizadas.
A típica argola de prender os animais, burros e cavalos
Deixei o Alvorge com vontade de ficar...tabelei conversa com a D.Clementina que estava à janela, bela senhora no alto dos seus 83 anos, de voz escorreita, raciocínio rápido e cultura bastante sobre a terra e as suas gentes. Dizia-me-  pela tardinha vou sentar-me na rua onde gosto de sentir o anoitecer a conversar, já consegui que outros se juntem, e todos conversam. Dormimos muito melhor.Como a conversa seguia o ritmo acelerado mas apaixonante sobre as coisas que também gosto, curiosa com esta senhora pela alta desenvoltura, perguntei-lhe quando tinha nascido-, diz-me em maio, respondi, pois eu também...desculpe ter-lhe feito a pergunta, mas de fato senti muita empatia e cumplicidade nas mesmas coisas...
Fotos tiradas em movimento no adeus ao Alvorge a caminho da Junqueira e claro Ansião!

FONTES 
Página do Facebook do Centro Etenográfico
Testemunho da D. Clementina

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