domingo, 18 de setembro de 2016

Viver a sentir Ansião e os seus aromas por Lisboa

Gratificante é respirar e sentir em Lisboa a terra que gostamos, mesmo que não seja a nossa de nascimento...a 190 km de distância descobri na Praça Sá Carneiro, ao Areeiro, um estabelecimento com o nome de ANSIÃO.
Amei sentir Ansião tão bem situado. 
Falei com o Sr Júlio, o dono do estabelecimento-, homem que começou a trabalhar na taberna da "Gracinda dos cachopos", que conheci, depois no estabelecimento do Sr Domingos, a tasca que vendia copos de vinho que os homens engoliam com carapaus fritos e iscas, que a filha Preciosa, as fazia como ninguém, saborosíssimas, ao jus do seu gracioso nome. O Sr Júlio daqui veio para Lisboa onde ainda se mantém, com casa em Ansião para gozar a reforma, aqui se desloca amiúde.  
Ainda nos rimos quando lhe disse- se calhar alguma vez foi à montra cortar bananas do cacho que lá fui muita vez para as comprar...
Ambiente acolhedor decorado com o painel azulejar do Milagre da Rainha Santa Isabel , dando esmola a um ancião e ,...
Sendo certo que houve um tempo que passava mais na Rua Pascoal de Melo-, o "nosso" Pascoal José de Melo, homem que nasceu em Ansião em 1738. Desde cedo se começou a manifestar de superior inteligência para a cultura das letras.Teve uma carreira de notabilíssimo jurisconsulto, no tempo do Marquês de Pombal, supostamente foi por este aliciado (?)em conluio para dizimar a família dos Távoras...ainda bem que não o conseguiram, no entanto por ter dado esta terrível sentença ninguém com dois dedos de testa lhe perdoa na sua terra...seja essa a razão que em Ansião, apenas teve direito a nome de rua, um retrato em tela  que a Câmara ostenta no salão nobre, mas estátua numa terra de tanta pedra e canteiros de primeira qualidade,  nem viste-la!

A escassos metros da Almirante Reis com a Pascoal de Melo, na varanda da minha filha há um vaso com cheiros de Ansião, apanhado nas suas serras da Costa e da Ameixeira, por ambas nos serem imensamente queridas -, erva de Santa Maria, um tomilho que deixa um aroma fresco e forte quando lhe passamos com a mão, e no pasto alimento de ovelhas e cabras confere um travo especial ao leite e ao queijo carateristico do Maciço de Sicó, denominado "Rabaçal".
Há falta de queijo curado, mostro o queijo fresco, o primeiro feito pelas mãos da minha filha, arte que jamais fiz, já me leva a dianteira, muito bem cinchado ( espremido no cincho) ao invés dos que compramos que vem cheios de soro, o almerce... e para finalizar dois os açucareiros do almerce da minha coleção, onde se punha o leite a coalhar para fazer o queijo. Um deles tem queimbos - atados a cordas puxavam ramos ...
Já ensinei os meus netos a ir à varanda cheirar a erva de Santa Maria, porque é de pequenino que se aprendem as tradições e a distinguir os cheiros.

Agora vamos saborear a sericaia, só faltaram mesmo as ameixas d'Elvas!
Apesar de enraizada na doçaria alentejana, é um doce que muita gente da nossa terra "os ratinhos" quando iam fazer as safras das ceifas, comiam todos do baranhão, um prato de grande diâmetro, mais de 50 cm,  no último dia da safra, em celebração e festa, ou outros como o meu avô iam vender pelos montes tecidos  comprados em Coimbra, acabaram por as trazer e dinamizar .Esta é uma delas na minha casa!

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