quarta-feira, 19 de outubro de 2016

À cata do suposto Forte do Pragal...

No domingo caminhada pela manhã no paredão da Costa de Caparica, para finalizar olhadela na feira de velharias, onde se encontram sempre peças bonitas e também o gosto de falar com amigos, fatalmente esta demora determinou atraso do almoço que aconteceu fora d'horas-, bacalhau com todos, nada faltou, tudo muito bem cozido e bem regado na nossa mesinha na marquise a ver o Tejo e o Metro de superfície...
O meu marido ainda se deleitava com o rolo de massa folhada de maça laminada, nozes, doce de ameixa e canela já eu tinha saboreado o meu e mais dois bombons...eis que me aguça o apetite para nova caminhada para abater calorias...saímos a vadear pelo Pragal velho, há procura de vestígios do suposto Forte do Pragal (?) dado por uns fortes muros,num deles com uma guarita e ainda uma rua com o nome de Forte.
Muro quinado na que foi a quinta da Horta ao Pragal
Um novo olhar ao entrar no passeio pedonal aberto pelo derrube deste muro  a norte, fiquei com a sensação nítida que pode ser resquício do Forte do Pragal (?) alvitrei para o meu marido para seguirmos em frente que por certo iria dar a casario com  muro adoçado onde está uma guarita(?).
 Guarita no muro
Se contornamos este casario pela rua do tardoz - Escadinhas da quinta da Horta, é visível que este muro de suporte da guarita faz a curva para cima na direção do alto para o Cristo Rei.
Pois será enigma a guarita e se de fato aqui houve algum Forte (?) ...
No Beco das Pimentas na Vila Lucília, tabelámos conversa com um homem de 87 anos, nascido na Vila Neto, nas Barrocas, Cova da Piedade, muito bem conservado e fluente de conversa , desatou em relatar a sua vida, o pai veio da Gafanha da Nazaré para aqui trabalhar na construção e reparação de barcos, nunca vestiu fato, nem para o casório dos filhos, andava sempre de macaco, só quando embarcado nos paquetes para o Ultramar era obrigado a entrar e a apresentar-se de fato e macaco só em trabalho, chegou a ser considerado o melhor carpinteiro de canoas, delicioso foi ouvir as suas estórias de vida, nesta casa vive há 67 anos, casou com uma costureira que num barracão no quintal  trabalhou com várias mulheres a fazer roupa para a tropa no Ultramar, por dia faziam 1300 camisas, no seu tempo ser carpinteiro era obrigatório andar com a sua caixa de ferramenta, teve vários patrões, foi assalariado de Marinha, trabalhou na Perry Son, em tanto lugar, e pelo mundo foram 47 anos, num tempo que não se faziam descontos, viúvo, vive sozinho, criou filhos adotivos e um filho a quem fez uma vivenda com o dinheiro ganho na comissão na Guiné, e o neto, deles disse de boa voz que só querem dinheiro e ouro, e este já o vendeu para se suprir porque lhe cortaram 200€ na reforma...
Vive no 1º andar de uma vivenda com 100 anos cujo r/c tem o dobro, onde houve uma  albugaria de vacas leiteiras, confesso que percebi albergaria, mas como não dava a bota com a perdigota, voltei a perguntar e de novo confirmou o nome, disse-lhe que andava à procura dum Forte, pelo que gostava de espreitar o tardoz da casa para ver os muros, com autorização segui em frente onde está ainda o poço que me pareceu entupido, mas depois disse-me que é para os cachopos não caírem nele, o quintal mostra-se fechado por muros grossos , um deles a norte também de pedra  acrescentado numa altura de um metro com ladrilho cerâmico e  lixo variado, sobretudo debaixo da escada de aceso ao 1º andar da casa. Voltei à conversa e disse-me que o Forte não era aqui mas sim junto da Igreja do Pragal, onde ainda estavam as baterias...
Disse-nos ainda que esteve durante 6 anos à frente da Cooperativa Piedense, no tempo que usava fato macaco, para depois dele vir gente que só usava fato e gravata que ditou o seu fecho, naquele tempo distribuíam os lucros pelos associados. Acrescentou que retiraram os azulejos com o nome que estava na frontaria  para colocar mais acima outro painel azulejar.
O painel constituído por 548 azulejos pintados a azul, da autoria do artista plástico Carlos Canhão, acompanhado de um poema de João Fernando, representa um local que há mais de 100 anos era conhecido como a Praia dos Tesos, situado entre a Arealva e a ponte sobre o Tejo, num tempo utilizado pelos pragalenses com fraco poder económico como lugar de lazer, tendo deixado boas recordações para muitas famílias.
 
Seguimos na direção da Igreja do Pragal e não vimos jeito nem maneira de aqui ter havido um Forte, muito menos visão de baterias, o que lá existe é uma faixa de terreno sobrante que dá para a encosta da Portagem da Ponte que ficou após a expropriação da quinta da Ermida. 
Julgo que o pobre homem se baralhou (?) quando lhe perguntei se acaso se lembrava da demolição da casa e capela da quinta de S.Pedro, para serem feitos os acessos da autoestrada de sul para norte, a que me responde essa é a quinta dos Fortes...aqui se levantam dúvidas. Será que esta quinta teve como últimos donos gente da família "Forte" ? E como eram vários  elementos o povo o dizia no plural (?).
No terreno lateral que acompanha o acesso à portagem está a nascer um jardim que vai ligar ao Parque da Paz , onde fizeram um Centro de Saúde e defronte o Hotel e o Tribunal. 
Na realidade a quinta de S.Pedro com entrada pelo Pragal para sul tem outro grande portão, sem acesso a estrada, o que evidencia o terreno adjacente pela frente em parte ter sido da mesma propriedade(?) .
Mais à frente numa urbanização perto da Escola Primária existe uma rua com o nome de Rua do Forte-, enigmas a deslindar, será a meu ver esta atribuição toponímica dada pela Câmara deficiente (?) e com isso se levantam as dúvidas-, supostamente o nome correto deveria ser Rua da Quinta do Forte, e dizendo apenas Rua do Forte, aventa aqui ter existido um forte de defesa, até pela guarita e pelos muros grossos (?), questões que só com investigação podem ser apuradas começando por saber a razão da atribuição deste nome na rua, se pode desbloquear este enigma.
Portal da quinta de S.Pedro antes do viaduto do Pragal
Chegados ao Cristo Rei  sempre em obras abismais, haja capital!
No meio do olival onde havia um parque de merendas fizeram um empreendimento que não sei a sua finalidade e novas estradas.
Também o parque de estacionamento foi reduzido para nascer um novo enquadramento bucólico com colunatas revestidas a cerâmica de forma quadrada onde na base gente se pode sentar, ornado com trepadeiras, depois de crescidas se pendurarem na pérgula de traves de madeira...
  Mudaram para sul o sítio do parque de merendas com nova cobertura e chão a mosaico de cimento.
A máquina é fraca, bem tentei captar o MAAT a sua vistosa onda ou boca de manta...imensamente branca!

 Arriba da encosta com aboboreiras de boas abóboras porqueiras

Ao meio da capela foi colocada uma Cruz esticada que me reportou para a Cruz de Cristo pintada nas velas das naus que partiam do Tejo para além mar, para naquele preciso momento ver a Sagres a surgir na frente de Palença, o fim da a praia dos tesos, só esta tem areal, antes do pilar da ponte é só pedra.
A Sagres  vinda da semana do mar em Setúbal, que na véspera a vi toda enfeitada, o Criola e a réplica da caravela Vera Cruz, e patrulhas com pessoas que se inscreveram para passeios.  
Quase no seu esplendor aperaltada des velas  quase todas hasteadas, menos as do topo...
 
 
O céu escuro com clareira branca deu-me a bidimensão desta bela foto

 
 
A porta principal foi alterada para escultura em cobre, belíssima, ladeada por outras em quadrado com mensagens dos pecados capitais .
Muitos espanhóis que me pareceram pelintras e pobretanas (?), ao entardecer chegou um táxi de Lisboa com "chinocas", um tuktuk, e um autocarro descapotável com partida do Marquês de Pombal com direito a bilhete para subir ao Cristo Rei apenas por 20€ por pessoa, e claro excursões e carros de particulares. 
O movimento no Santuário deu-me a sensação de estar no 13 de maio na Cova de Iria...
Plantio de eucaliptos- esta espécie mostra-se perigosa por os ramos se abrirem em vez de subirem em altura e com o vento partem com facilidade. Em Sintra há anos gente que fazia um piquenique morreu com uma pernada que caiu...
Na volta para casa é sempre agradável apreciar o que resta no Pragal velho das quintas de outrora
 
Casario que tem a guarita na outra frente a nascente
Na Rua Fernão Mendes Pinto num contentor de resíduos de obras na mudança de telhados ainda de origem em casas com 100 anos, a curiosidade em ver a sua origem - PALENÇA.A morada da empresa sediada em Lisboa, mas Palença na beira do Tejo, onde existiu um Fortim mandado construir por D.João III, que o terramoto de 1755 destruiu e mais tarde no mesmo sitio foi construída a fábrica de cerâmica, que ainda restam duas chaminés e o chão cerâmico do Fortim.
Chaminés da fábrica de Palença
 Praia dos tesos das gentes do Pragal noutros tempos

Fontes
http://www.m-almada.pt/xportal/

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