terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Feira dos Pinhões em Ansião na TVI

Risível o nascer da crónica ao sabor do programa televisivo que se apresentou renovado no elenco de reportagem com novo elemento masculino, homem galante, abençoado de olhar lânguido fatalmente me despertou o lembrar d'outro assim belo que conheci há mais de 40 anos nesta terra de Ansião, a chorar...Fosse pelo motivo Saudade, a mesma que sinto infelizmente por já não estar entre nós!
Quiçá o dia ditou maldição (?) atendendo à festa decorrer sob intensa chuva...
Estranhei a ausência da Pastelaria Diogo (?)...Deixei-me a matutar a suposta razão e de mente alucinante alvitrar que a causa tenha haver com o prémio patrocinado pelo Município para um novo doce de Ansião - pastel de pinhão, apresentaram-se a concurso nove concorrentes, sendo o vencedor os alunos da ETPSicó .
Imagens retiradas da net
Pastel agrada ao olhar pelo aspeto caramelizado(?) debalde em demasia atulhado!
Deixou-me sem palavras a propaganda de marketing comercial ao estilo agressivo (?) ...
Produto Tradicional de Ansião - Séculos de Tradição Num Pastel de Pinhão.
Seja pela metade verdade do slogan, ao se atender apenas à comercialização do pinhão, sem o saber se seria em bruto ou descascado (?) com mais de 300 anos transacionado na feira da Constantina pela Confraria (?), atendendo à ocorrência de muitos peregrinos ao local do Milagre da Fonte Santa e ao Santuário de Nossa Senhora da Paz . Naquele tempo havia grande a mancha de pinheiro manso, maior que a atual, nos últimos 50 anos encontra -se dispersa por salpicos, nos anos 40 do século XX uma grande ventania deitou ao chão muitas de elevado porte, sobretudo na Constantina, sendo que veio gente da zona de Aveiro para levar a madeira para ser usada na construção dos barcos, a arca de enxoval do meu pai foi feita com madeira de pinheiro manso, vulgo pinheira, e tenho uma vaga ideia que o "Sr.Júlio do 29" tinha uma propriedade de pinheiras para os lados do Pinheiro, falava que lhe roubavam as pinhas todos os anos, e por isso não havia incentivo ao seu plantio em detrimento de eucalipto... Desconheço a tradição da apanha das pinhas para descasque (?), como noutras localidades; Alcácer do Sal e Caparica onde todos os anos roubam pinhas para revenda... Em miúda com a minha irmã subíamos o costado da serra da Costa pelo carreiro do munho, a extrema com a propriedade dos nossos pais onde havia uma grande pinheira e outras em redor mais pequenas, apanhávamos pinhas verdes, pesadas, para de volta o tormento de as trazer na saca de serapilheira  à vez nas costas e a pregar com  a resina agarrada às mãos...Mal chegadas a casa eram postas junto do lume para se abrirem de onde saltavam pinhões logo ali no chão o pial com o martelo em pancada pesada, debalde de miolo frágil se partiam, o que evidencia perguntar se alguma vez houve tradição deste ritual nas noites de inverno à lareira com pial de batida certa, mas dele jamais ouvi falar...
Em 2009 lancei a dica para a utilização do pinhão na crónica da gastronomia e doçaria de Ansião.
"Incrível é a região ser abençoada por salpico de pinheiras, cujo fruto o pinhão, não teve no tempo apreciação para com ele se  fazer algum tipo de doçaria.Um dia destes vou inventar "Beijos de Pinhão", já comecei a idealizar a receita!"
Assim o pastel de pinhão nasceu há pouco mais de um mês ...
Confesso tomei conhecimento do concurso em dezembro pelo jornal em casa da minha mãe.Na minha opinião o nome atribuído (pastel) não seja o mais adequado (?) em prol do do meu opinar deveria ser queijada -, se atender à fartura de queijo fresco na região de Sicó, com o pinhão lhe pode vir a conferir um sabor aliciante e de novidade (?). Pensei  em  concorrer e apresentar a minha queijada (pastel) ao jus das famosas de Vila de Pereira,  que saboreava amiúde em  Coimbra, vendidas por mulheres chegadas à estação do comboio de canastra à cabeça coberta com pano de linho, cuja origem se perde em séculos  remotos da era medieval a privilegiar Ansião, onde acredito existiu um pequeno Mosteiro, dele não reza a história, por falta de prova factual, nem tão pouco do abandono dos frades (?) , sou levada em crer tenha sido masculino, pela adega abobadada de arcos em volta perfeita, alguns ainda de pé no local com a pedra de lagar, e a igreja que dela ainda conheci resquícios; pia de água benta, Cruz em pedra e o portal gótico. O Vale Mosteiro, deveria produzir boa casta vinícola deixada pela herança romana em tempos de afirmação do Reino de Portugal em luta acesa a escorraçar sarracenos do que fora o seu território, apesar de homens de carater destemido e guerreiro descendentes do lendário Al-Pal-Oma, nome que veio coroar Pombal, se reza dele homem belo, espadaudo, abençoado de olhos verdes, nato sedutor sempre de poiso em toda e qualquer  mulher, tenha ditado fatal desígnio das mouras queijeiras e de queijadas doces de almerce com ovos, a preferência de continuar nesta terra de Ansião, sem antes a confissão aos frades tendo como penitência a conversão da fé muçulmana em novas cristãs. Mulheres belas com hábitos de vida de harém, porém curiosas em descobrir enigmas do homem Lusitano, vestidos de burel grosso de corda  apertada à cinta, desprovidos de riqueza e de olhar lascivo, plausível acreditar nada as impediu do seu real intento de os fazer cair em tentação apesar da luta desigual de os ver de mãos erguidas penitentes em súplica e rezas , porém breve foram rendidos em resignação aos encantos femininos levados no encanto do esvoaçar da dança do ventre  por entre os arcos da adega, delicados movimentos do corpo e das mãos a inflamar pecado, perdição e ócio, os deixa loucos de brutal desejo, ainda assim tementes e crentes à sua fé de abstinência  e em último reduto o fatal combate de se afogarem em vinho e queijadas mouras... Haviam de ser mais tarde reinventadas pelas freiras de outras Ordens a escassas léguas pela represália de terem incitado ao pecado os frades e lhes roubaram a receita... (?)!
Jamais intenção de querer imitar as famosas queijadas de Tentúgal de 7 bicos de origem conventual das Carmelitas, ou as da Vila de Pereira em formato arredondado, do convento das Ursulinas. Ambas deliciosas, com sabores caracteristicos, sendo que as queijadas da Vila de Pereira apresentarem um sabor mais intenso a queijo.
Em vésperas de Natal no Mercado de Ourém comprei pinhão, e por não encontrar o tipo de massa que idealizei para as fazer, telefonei à minha irmã em Coimbra para a trazer. Grande vontade experiencial, a imaginar a receita de pastéis-, as minhas queijadas, na insónia da noite haviam de vingar  com o nome  "Beijos de Pinhão"... Tanto entusiasmo para cair derrotada ao dar razão ao bom senso, por saber de antemão que concursos em Ansião, vale o que o júri quiser (?), sendo que em alguns como eu já o vão sabendo o que vale, pelo que não se amofina mais ao se deixar ficar quedo!O que fiz!

Na realidade o pastel de pinhão em televisão revelou-se má amostra (?), desculpem a franqueza, diz o povo "os olhos também comem" ...Um dia também me pus a fazer uns pastéis de aguardente a lembrar os da minha avó Piedade, ficaram saborosos mas de aspeto semelhante aos que vi, cuja imagem não agrada (?) por não se mostrar apelativa  seja pela cor insípida creme e pela massa alta do rebordo  em relação ao recheio coberto de pinhões, o que vai encarecer o produto final ao ser colocado pinhão assim em quantidade,  em prol de poder ter sido ralado com enfeite 3 ou 4 pinhões, o tornar  agradável ao olhar com distinção...
Desconheço também a razão da minha vizinha pastelaria (do Adolfo) com sede em Maças de D. Maria, nunca estar presente neste evento, não a vi (?) em prol do convite camarário dirigido à Bastiorra, mulher sorridente em convalescença sujeita a operação recente, não deixou de transmitir ao mundo um bolo de história verídica passada na sua casa, herdada do pai, já vem do bisavô, homem   emigrante no Brasil. O que dizer? O bolo a meu ver não funciona pelo aspeto dado pelo prospeto chapado em tamanha hóstia, a pensar na história do padre, rodeada de  lesmas em feitio de balas, em sua salvação sejam os fios de ovos...Pelo que tenho visto gosta de inventar a cada ano, não deixa de ser um mérito, mas de suposta valia frágil (?)...Não sendo pasteleira de formação (?) apenas horas de aprendizado e conhecimento numa pastelaria da terra, o que me disseram (?), acresce a experiência do seu nato talento há anos, a tenho como mulher curiosa e decidida, o que pode alencar assim a continuar a supostas lacunas substanciais nesta arte da doçaria (?) onde praticamente já tudo foi inventado e reinventado. Supostamente mais vale dar continuidade ao mesmo e bem feito, que tentar variedade em prejuízo de credibilidade por se mostrar de cariz  ingénuo e duvidoso (?)...

Mantenho desde 2009 dois Blogs. Um temático sobre faiança e este onde vou escrevendo crónicas sobre várias memórias de Ansião, passeios, e de tudo o que me choque o pensar, cumulativamente já ultrapassam  mais de 1.320.000 visualizações numa panóplia de público mundial, o que me deixa maravilhada e curiosa, estranhamente  tenho tido vários pedidos de amizade no face,  homens do exercito dos EUA, graduados, o último em Alepo na Síria, entre outros,  fatalmente me deixa a pensar se porventura terão ascendência portuguesa (?), por não saber inglês o suficiente, os tenho rejeitado ...  Assiduamente recebo mensagens de apoio e incentivo, sobretudo nesta rubrica da gastronomia e doçaria que já ultrapassou os 3700 visitantes, é interessante constatar que no dia do programa cresce abismalmente...
Debalde como sinto haver gente a copiar dicas e ideias (?) exaradas aqui e o mesmo sejam de outros, porque este meio virtual, a internet, se mostra o meio mais rápido de pesquisa e de se  achar. Não me deixou alheia o suposto copianço (?) da cornucópia em hóstia que me lembrou a Alcoa, a famosa pastelaria de Alcobaça. Também da bola de carnes que a minha avó Piedade, padeira de profissão já a fazia, dela sempre falei e mostrei... Não me choca, sou mulher de partilha, choca o facto  de haver pessoas ao que parece abominam a partilha, tão pouco publicam o que fazem, seja por medo, ou  falta de talento para a escrita em redigir um texto onde expressem com transparência os seus saberes, emoções e segredos a que se juntam fotos, porque na verdade  seja suposto ser mais fácil copiar ficando com " trunfos nas mangas" em detrimento de passarem a usar coisa adquirida como ideia sua, e não o sendo, disso francamente não gosto, porque o certo é fazer referência à fonte de inspiração, gesto que só engrandece quem se inspira  para criar e recriar e claro o inspirador agradece.Faz parte das regras de copiar, enunciar a Fonte !
Na verdade  em 2012 quando escrevi a crónica sobre a gastronomia e doçaria de Ansião, o que havia até então escrito sobre Doçaria apenas  se referia a "lesmas, bolos de noiva e Pão de Ló " e  na Gastronomia "cabrito assado com grelos  e migas" ...Pelo que foi grande a minha vontade em transcrever receitas da casa dos meus avós, da minha mãe e de criadas a que dei continuidade -, porque cozinhar seja recordar MEMÓRIAS...Receitas ainda usadas em muita casa de antigos Ansos, que gostam de manter a tradição e na  minha casa no tempo sempre lhes dei continuidade, assim comecei por registar fotos para escrever e partilhar sobretudo os aferventados, cachola, chanfana, requentados (migas) que a minha avó Maria da Luz da Moita Redonda chamava fertungado, a sopa de carnes ( tradicional sopa de pedra) os grelos de couve nabo, o leitão que o meu avô Zé Lucas já o assava nos anos 20 na Moita Redonda , galinha de cabidela, galinha estufada com couves , o verde, guisado com sangue da minha avó Piedade a sua canja de galinha, o Pão de Ló, os Bolos de Noiva, bolos de erva doce, e as filhoses tendidas no joelho...Também invenções e a reeditar novas receitas, sobretudo com as sobras como aprendi no programa televisivo da Filipa Vacondeus, porque a criatividade também vive em mim...
Pelo que sou levada a pensar que seja a ânsia de estrelato, o facto de alguém para sobressair assim proceda  em suposta ingenuidade ou com segunda intenção (?) que se revela manifestamente errado ao não ser dado o real valor aos autores que tiveram o mérito de o iniciar, no meu caso sem medo, nem receio de me mostrar, ao me expor em público sujeita a mexericos, que em abono ninguém gosta .
Seja o facto de ter sido mostrado pouco relativo à tradição de Ansião, e sim à introdução de bolos e de comidas mais recentes pelo uso de ingredientes mais atuais em detrimento dos usados antigamente. Em repto dizer, lamentar como moeda de troca assistir ao fatal desprezo às fontes ( no meu caso  e de outras fontes ) aonde  bebem informação para brilhar deixando o meu nome e outros no anonimato, quando deveriam ser elogiados!
O restaurante do Ensaio ao mostrar a sopa de pedra afirmou não ser uma tradição da terra...A comida desta gente de Ansião em tempo de antanho era o mesmo de sempre-, feijão com couves ou couves com feijões; aferventado de chicharo ou feijão frade com carne gorda  e enchidos; sopa de ossos guisado de batatas com sangue coalhado e papas de milho.

A Sopa de carnes é feita com " feijão da velha" demolhado cozido ao lume com as carnes e enchidos a que se juntava esfarripado a couve galega, repolho, quadrados de abóbora, de nabo,batata, e uma mão de massa meada grossa. No verão este feijão seco era substituído por feijão de debulhar . Um hábito em todas as casas, por ser uma sopa de substância, também a faziam na safra das vindimas e da apanha da azeitona pelo Ribatejo, em especial em terras de Almeirim e Golegã, levando o rancho de mulheres na arca as carnes em salga, enchidos e o feijão, a que eles sim, os ribatejanos, tão bem a souberam reaproveitar para a reinventar com o nome de Sopa de Pedra. A chanfana em Ansião sempre se comeu mais com couves do que com grelos(?), estes sim no acompanhamento ao cabrito e borrego, ainda bem que introduziu a cachola, um prato antigo, sendo que a receita não estivesse a preceito-, a batata é guisada com as carnes e o fígado entalado na brasa a que se junta o sangue, e não inteiras e roliças como bem me lembro de assim as ter apresentado noutra receita ... Coincidência ou não, por não ser típica da gastronomia de Ansião falou do bife da vazia, prato que em casa dos meus pais foi refeição desde os primórdios dos anos 60, comprado no talho do Ti Tereso, também se comia muito goraz e pargo assado vendido pela Ti Zulmira e pelo Ti Amadeu...A  sobremesa Pavlova  disse ser a sobremesa que mais sai no restaurante, tal como o bife, ora também a dei neste meio a conhecer, quando a faço há mais de 30 anos, seja pelo prazer de saborear suspiros em detrimento do Molotof, não sei porquê, dificil me calhar bem!
A  trapologia arte artesanal deste povo em tempos de antanho renasceu como empresa (?) em Santiago da Guarda, ainda me lembro de as ver e os teares, pelo que vi  na mostra julgo se tem perdido alguma magia...Bem me lembro de ver casas de muita pessoa alindadas de belos tapetes , coberturas de máquinas de cozer, arcas, malas e ainda mantas, algumas  feitas a imitar botões, com o tecido  caseado em alinhavo fazendo fole, confere nesta arte de antanho uma beleza ímpar e ainda outra usada nos tapetes, tipo farripos,  não sei como os faziam...
Um exemplar de passadeira
Tapete na Casa dos Fósseis na Granja Santiago da Guarda
 Outro tipo de tapete
Tenha sido algum fatal exagero em afirmação e ostentação (?) que me enxovalhou o estar!
Em cúmulo enxerguei alcoberta da chuva ao lintel  suposta criatura andrógina...
Pasmei de olho arregalado ao jus do famoso quadro "O Grito" do norueguês Edvard Munch...

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