sexta-feira, 24 de março de 2017

Criminoso morto em 1679 da Carapinheira ou Ansião?

Hoje numa pesquisa deparei com o site "Memórias do Tempo"onde reti atenção ao falar de atrocidades das Invasões francesas e outros crimes perpetuados na região de Coimbra, interrompi para almoçar para voltar na cegueira de encontrar o famoso ladrão Ruy Mendes de Abreu, dele tomei conhecimento no Livro do Padre José Eduardo Coutinho.

Excerto do Livro do Padre José Eduardo Coutinho de 1986 - Chaga Atroz
"...Na década seguinte (1667) uma angustiante onda de terror é implantada, quer nos domínios da vila, quer nos de Coimbra, com vários crimes cometidos desde o Pessegueiro até Tentugal e Montemor o Velho pelas selváticas ações de Rui Mendes de Abreu, cuja loucura e coisas do mundo vilmente o arrastaram ao cadafalso, para tal expressamente levantado na Praça da Ribeira - em Lisboa-onde foi morto à ordem do Regente Dom Pedro (II), devido aos cruentes procedimentos contidos num denso processo de crime que lhe foi instaurado depois de várias tentativas de prisão, a que sempre se furtou, acrescentando novas culpas ao somatório final. A sentença foi-lhe lida, vindo a saber, antes de ser degolado, a 6 de novembro de 1679, que o seu corpo seria esquartejado e dividido por Tentugal, Carapinheira, Montemor o Velho e Ansião, para onde veio a parte do braço direito;as suas casas foram arruinadas, os criados "despedidos", e indemnizados os prejudicados (No códice 1161 da Livraria, existe um traslado do processo do crime, cujas informações se conjugam com os dados colhidos nas escavações realizadas no Senhor do Bonfim, lugar onde - segundo uma antiga tradição - morava um criminoso do mais alto grau, e que, certamente, era mesmo aquele)"


Deixou-me perplexa o facto nas duas leituras existir disparidade;
O Padre José Eduardo Coutinho alvitra o malfeitor Rui Mendes de Abreu de Ansião
O site de Memórias do tempo o menciona da Carapinheira onde lhe arrasaram as casas...

Citar excerto
https://archive.org/stream/memoriasdotempop01henr/memoriasdotempop01henr_djvu.txt
"Anno de 1679  Nov. 4 53 Ruy Mendes de Abreu, por antonomazia (S.) o Rei Mendes. Malfeitor, vivendo acastellado com outros malfeitores, fazendo se senhor das honras, vidas e fazendas de diversos.
Enforcado na Ptibeira, em Lisboa (5).
Sentença da Relação de Lisboa.
(a) Sendo-lhes depois restituídos bens e fama, pode controverter- se a justiça da condemnaçào.
do (b) O Diccionario Bihlirgraphido, e o Be.latorio da Commtssão
Proj. do Cod. Pen. dizem que fora degolado; mas é equivoco, por quanto a sentença condemna-o a ser enforcado, e depois a cabeça posta no logar da Carapinheira, no sitio em que se lhe arrazem as
casas, cm poste alto, e os quatro quartos em Ançâ, Montemór, Tentúgal e Cantanhede.
A biographia criminosa d'este rei, constante da sentença respectiva, apresenta multiplicidade de crimes de diversa Índole e natureza como nunca se viu, e que, se depòem da sua perversidade, não menos demonstram a criminosa tolerância ou indiíierença das auctoridades do tempo.
A sentença foi ultimamente impressa em o Conimbricense, n." 2217. " 

Primitiva Quinta da Boavista em Ansião 
Capela do Senhor do Bonfim privativa atribuída a Ruy Mendes de Abreu (?)
 O que resta da casa da Quinta da Boavista de Rui Mendes de Abreu (?)
Assumo de facto escrever sobre o passado seja importante o vínculo escrito!
Contudo o facto em constatar que há muito registo de escrituras que se apresentam com os nomes dos donos entestantes referidos erradamente-, o do norte aparece a sul e a nascente com o poente e vice versa, também no início do séc. XX no governo civil de Leiria no pedido de passaportes o chefe preenchia o nome e outro oficial  os restantes dados, disso é nota as diferenças de letra nos impressos, num familiar o seu apelido "Coimbra" foi escrito "Santos" que não existe na família, seja por isso credível em manuscritos mais antigos podem também ser alvo de passível engano crasso (?) motivados por cunho pessoal do escrivão, descritivo ou de parcas palavras, rígido nos assuntos a tratar ou despreocupado aflorando pela rama em certeza dúbia  ofício diário a rotina a fazer o mesmo passível ser madrasta credetícia (?). 
Pelo que hoje se revele ainda aliciante para atingir metas sobre assuntos passados há séculos no tempo afloradas, se revele com margem para dissecar por nova interpretação, no caso se mostrem em parte contraditórios-, creio que o Padre José Eduardo Coutinho ao abordar este caso se apoiou na oralidade do povo pelo facto de dizer que em Ansião houve um grande criminoso (?), até no Pessegueiro fez estragos... mencionado em rodapé "(No códice 1161 da Livraria, existe um traslado do processo do crime, cujas informações se conjugam com os dados colhidos nas escavações realizadas no Senhor do Bonfim, lugar onde - segundo uma antiga tradição - morava um criminoso do mais alto grau, e que, certamente, era mesmo aquele)"
Hajam duas interpretações do processo crime (?) na normal e salutar atitude em correlacionar factos,  em abono da verdade teria o mesmo pensar a especular, se escrito por mim! 
Interessante saber quem será o dono da razão!
A suposta dedução narrada pelo Padre José Eduardo Coutinho verossímil de estar em parte certa pelo conhecimento de parte desta Quinta a seguir ao 25 de abril foi doada pelo "Sr. Júlio29 " em partes iguais à Igreja matriz e Bombeiros Voluntários de Ansião, pelo que carece ser encontrada descendência deste proprietário da Quinta da Boavista, gente abastada pelos fragmentos de porcelana chinesa encontrados nas escavações, para poder entender que Ançã foi escrito por deturpação de Ansião, atendendo à época 1679 as gentes de parca dentição e linguarejar em português medieval, apesar das outras terras focadas serem de proximidade e Ansião mais longe no contraponto  aconteceu relato verídico ocorrido em 1957 quando deflagrou grande incêndio na casa de Alice Veiga no tardoz da Praça do Peixe  em Ansião, tendo sido chamados telefonicamente os Bombeiros de Pombal que enviaram um carro para acudir, não para Ansião, mas  Ancã...grave incidente originado pela má interpretação via telefone, viria a dar azo naquele ano à Associação dos Bombeiros Voluntários de Ansião.
Livro de Alberto Pimentel
O Alberto Pimental viajante pela Extremadura quando esteve em Ansião em 1903 escreveu:
"...audaciosa quadrilha  de salteadores, de que era capitão um preto, o famoso Escarramona, que foi decapitado no Valle do Judeu, sendo a sua cabeça espetada num pinheiro..."
A presença das populações moçárabes ainda assinalada na toponímia portuguesa sem contudo saber onde seria este Vale Judeu - no Algarve em Loulé , existe o Vale Judeu e na região de Sicó existe o Porto Judeu, em Penela.
Citar excerto
https://archive.org/stream/memoriasdotempop01henr/memoriasdotempop01henr_djvu.txt

"Anno de 1803 - Salteadores (a) ImpresBE em Lisboa na Megia offictna typographtoas .
a) K já boje fugitiva em Coimbra a tradição de que nos princípios d'c8to século houvera nas suas vizinhauçaa uma grande qua- drilha de malfcitorcfj, que, alem de outros crimes, perpetrara um assalto de casa e roubo (e até morte se accrescentava, mas não é verdade) no sitio do Calhabé a 2 kilometros na actual estrada do Alva ou da Murcella), e que, sendo por tal motivo muitos d'eliea Junho 25 152 José de Campos, de 31 annos, do Espinhal, juncto de Penella, solteiro, sa- pateiro, chefe da quadrilha. 153 Manuel Fernandes Figueirinhas, 30 annos, de Pousafolles, termo de Miranda do Corvo, casado, almocreve. 154 Martinho Soares da Costa, de 26 annos, de Escarigo, juncto de Castello Ro- drigo, solteiro, cigano. 155 António Gomes (pae), 54 annos, natural de Constantina, concelho de Sarzadella, comarca de Coimbra, casado, trabalhador. 156 Manuel Rodrigues Monteiro, de 35 annos, natural dos Palhões, termo de Montemór-o-Velho, viuvo, tanoeiro. 157 José dos Sanctos Carvalhinho, de 40 annos, do Espinhal, casado, alfaiate. 158 Francisco António Guedes, de 29 annos, íilho de um cirurgião, de Socaes, termo da villa de Lamas de Orelhão, desertor da brigada de marinha. 159 José Joaquim de Sousa, por outro nome José Cardoso, de 27 annos, de S. João da Pesqueira, desertor do regimento de Penamacor."
 
"SERIE DE DELICTOS 
Mortes 4 
Assaltos e roubos de casa 6 
Assaltos para roubo de casa, frustrados 2 
Roubos de estrada 5 Roubos em feiras 3 Roubo com arrombamento em loja dcshabitada 1 Roubos sein ser em estrada 2 Roubos em adecras 2 Roubos de bezerros e éguas no curral, e nos campos de Coimbra, Formozelhe e Sancto Varào 4 Espera sem effeito para roubo de estrada ao norte de Coimbra, depois realizado ao sul 1 Furto simples 1 Resistência 1 Tirada de presos 2 Ferimentos em nove victimas 9 Estupro violento 1 Tentativa de estupro violento 1 Ataque ao pudor 1 Lobo defronte da estalagem de Francisco Nunes, logar em que elle per^ petrou a morte de António Correia do   Offensas corporaes com chicote e espancamento em diversas victimas 5 Injurias ás victimas, porte e vso de arinas defesas e pequenas cousas uào merecem conta, nem menção. LOGABES Foram estes crimes perpetrados nos sítios ou togares seguintes: Adega no sitio da Cheira, aros de Coimbra. Aluialaguez, teimo de Coimbra. Braçal, termo do Rabaçal. Calhabé, subúrbios de Coimbra. Casal de Sancto António da Ribeira, termo de Revelles. Campos de Coimbra a Montemor (diversos sítios). Constantina (Feira da Senhora da Paz), termo de Sarzedella, comarca de Coimbra. Copeira, subúrbios de Coimbra. Estrada real, juncto a Alcabideque. Feira de IS. Bartholomeu, de Coimbra. Fonte Gallega, termo de Sarzedella, comarca de Coimbra. Lameira das Poldras, limite da Viila de Cabra. Lapa do Lobo. Loja juncto á egreja de S. Bartholomeu (Coimbra). Nabainhos, termo de Gouveia. Nazareth {Feira)^ termo da Villa da Pederneira. Patòes, concelho de Legação, comarca de Coimbra. Rebolhinos, concelho de Alva. Sancto António do Cântaro. Sitio da Vinha, juncto da Anobra, concelho de Coimbra. Sitio da Ponte do Curro, na estrada de Louçaiuha, termo de Penella. Sitio das Calçadas de Coimbra (estrada de Lisboa). Sitio fronteiro a Villa Secca, na estrada de Coimbra para Chão de Lamas. S. João de Tarouca. Venda do Peste (na Charneca de Pombal). Venda do Atalho. DATAS Quanto ás datas dos crimes, estas constam da sentença. 1799 — Dia incerto de janeiro.
Amaral; a de Figuelrinhas no sitio da Cruz dos Mourouços, como centro da união doesta infame quadrilha^ a 
1799 — 23, 23 para 24 (assim, intenda- se sempre pela noite) e 24 para 25 de abril. 1800 — 16 de fevereiro. » — 25 de outubro. 1801 — 1 de fevereiro. » — 11 p;ira 12 de abril. . — 27 e 29 de junho. » — 24 para 25 de agosto. » — 6 para 7 de setembro, » » — 13 de novembro. » — 18 para 19 e 30 de dezembro. » — Dia incerto de dezembro, 1802 — 4, 14 para 15, 20 (dois crimes neste dia), 23 e 31 de janeiro. D — Noite de inverno,
n — 2 e 2 para 3 de fevereiro. 
E cinco datas totalmente incertas,isto é, sem dia, nem mez, nem amio designado.
Nào se creia porém que está tudo dicto acerca das maldades da quadrilha.  A sentença depõe 1." de que alguns crimes foram descobertos ao acaso, isto é, por occasião de se investigar do outros que eram conhecidos; 2.° e de que por esses mesmos de que ella se occupa, e porventura por outros
mais não houve em tempo competente o menor procediínent o judicial 1  
Todas estas maldades se practicava á vista das auctoridades publicas, cuja inércia somente pode explicar a existência e
persistência do bando. A sentença dá testemunhode que uma pistola havida pelo crime a tinha adquirido o escrivão da caudelaria, 
por compra, termo talvez empregado adrede para o salvar do crime de receptação e acoitador. Com effeito, apsim como nas quadrilhas hailavtes ha pares dos dois sexos, também nas quadrilhas que se
cevam nos direitos do cidadâo ou do estado, com ofiPensa da lei e da moral, ha pares de duas ordens, os milifantes e os auxiliares ou officiaes e officiosns, sem que, dada a essência, importe a forma, ou se tracto de saltear ou de construir a estrada publica, ou de assaltar o domicilio, ou a urna eleitoral, ou de impor o jugo do tributo de sangue ao que o nâo deve, ou de eximir d'elle o devedor, ou de metter a mão nas algibei ras do cidadão, ou nos cofres do estado, ou dos bancos das companhias, ou ainda dos estabelecimentos de piedade, ou de administrar a fazenda publica, egualando-a a roupa de francezes ou a pao do nosso compadre, ou de a converter em ganância individual, e assim ..."
" de Soares do sitio da Feira da Paz, concelho de Sarzadella, onde a mesma quadrilha practicou os escandalosos insultos, que ficam recontados, diz a sentença, de certo no intuito do estupro violento, practicado ahi pelo réo. Foram alem d*Í8so condemnados em penas pecuniárias desde 20;5000 a 200;)000 réis para 08 despezas da Relação, já se sabe, e junctamente cora os cúmplices de menores penas também nas custas do processo (a). "
Outro episódio no mesmo site perpetuado na Constantina por altura da FEIRA dos PINHÕES

" 1802 — 4, 14 para 15, 20 (dois crimes neste dia), 23 e 31 de janeiro.
D — Noite de inverno,
n — 2 e 2 para 3 de fevereiro.
E cinco datas totalmente incertas, isto é, sem dia, nem mez, nem amio designado.
Nào se creia porém que está tudo dicto acerca das maldades da quadrilha.
A sentença depõe 1." de que alguns crimes foram descobertos ao acaso, isto é, por occasião de se investigar do outros que eram conhecidos
2.° e de que por esses mesmos de que ella se occupa, e porventura por outros mais não houve em tempo competente o menor procediínent o judicial .
Todas estas maldades se practicavam á vista das auctoridades publicas, cuja inércia somente pode explicar a existência e persistência do bando.
A sentença dá testemunho de que uma pistola havida pelo crime a tinha adquirido o escrivão da caudelaria, por compra, termo talvez empregado adrede para o salvar do crime de receptação e acoitador.
Ladrões não se encobrem de graça, é formula nova do antigo adagio muito portuguez: Tão ladrão é o que vai á vinha como o que 
fica ao portal;

Portanto o Ruy Mendes de Abreu não era natural de Ansião, e sim um preto, arábe, de seu nome Escarramona.Interessante saber onde viveu e no mesmo saber de quem foi a quinta da Boa Vista.

FONTES
Livro do Padre José Eduardo Coutinho
https://archive.org/stream/memoriasdotempop01henr/memoriasdotempop01henr_djvu.txt

3 comentários:

  1. Isabel,parabéns por mais um texto sem duvida muito interessante,para o conhecimento das lendas e narrativas das terras de Ansião.No princípio do texto,aparece uma data de 1979 ,como sendo a da morte do criminoso.
    Julgo que foi erro de escrita,pois mais abaixo,aparece a data de1679 ,como sendo a data da época em que isto aconteceu.Julgo que esta ultima é que é a verdadeira!!Cumprimentos

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  2. Peço desculpa ,esqueci-me do nome Graciete

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  3. Caríssima Graciete, sublime maravilhosa em saber o tempo assídua leitora das minhas divagações.Muito obrigada pela leitura atenta e pelo erro detetado a teclar.Agradecida.
    Um abraço
    Isabel

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