quinta-feira, 1 de junho de 2017

Ansião no Ribeirinho dando aula a céu aberto a falar de cultura !

Serra da Ameixieira-, Lugar antigo do termo de Ansião, abrigado ao vale no costado norte da serra do Casal Soeiro.
 
 A calçada portuguesa da sua rua principal encontra-se assim...entupida de ervas!
 
Quando percorria a calçada senti que ainda persiste a mística do seu casario em pedra, uma com balcão, carateristica da região do Maciço de Sicó  e o tradicional "V" invertido, herança deixada pelos árabes.
Porta aberta com ombreiras em calcário cujo lintel há muito caiu, ainda assim se mostra a ruína bela com marcas dum tempo de antanho,os líquenes alapados em branco e amarelo e o buraco onde a fechadura entrava.
Outra porta ainda resistente mostra-se florida onde a única papoila  se mostra rainha, por ser vermelha no meio do amarelo. Esta porta apresenta uma particularidade - Acima do lintel tem uma nesga e outro lintel, para que serviria? Julgo seja para entrada de ar, sem medo de cobras, ou para guardar a chave, sem medo de ladrões...
 Este uso na região porque já antes o tinha encontrado nesta casa  em Albarrol
 Mais portas abertas...onde as árvores nascem sem pedir licença, nem hesitei no registo da minha selfie...

 Bela casa tradicional com balcão e o "V" invertido acima do lintel da porta.
 
 Na lateral norte ainda visíveis os suportes em pedra que sustentavam um alpendre?
Outra bela casa pela riqueza da simplicidade com a janela na beira do telhado, a reportar a minha lembrança para a escola primária, as primeiras casas que desenhei eram assim...
 Uma janela na lateral com as tradicionais pedras, os piais para os vasos de sardinheiras
 O que resta de um alpendre já adulterado com o pilar em tijolo e ainda de telha mourisca
 
Encontrei este arbusto que não sei o nome, florido em cachos em lilás que me reportou para a sua antiguidade, noutros tempos havia poucas espécies de flores, não é como hoje que se compram. Havia assim um igual na antiga estalagem da Ti Maria da Torre no Bairro de Santo António.
Maravilhosa a sensação que a caminhada constantemente oferece em recordações da minha infância, que me fez sentir ainda mais jovem e feliz por as ter guardado na minha memória coletiva.
Esqueleto de uma árvore hirta de seca o poiso a balanço para tirar água dum poço?
Lamentavelmente hoje o Lugar encontra-se quase em total abandono, sendo objeto de cobiça de estrangeiros com uma visão e cultura diferente; se mostram mais amantes da natureza, dos seus silêncios, da paz que aqui irradia seja ao nascer ou pôr do sol, precisamente aqui onde se mostra de raios multifacetado, de cores quentes, estonteantes, e abrasador no rasto da profunda imagem em o ver a  fugir dos vales e dos costados crespos em salpicos de pedra branca pintada de líquenes com história, não sendo a deles, lhes dão o seu real valor em prol dos donos, por  não lhe conferirem o mesmo valor, ou outra razão, as vendem para aqui virem morar...Obviamente algo vai muda na paisagem, e disso francamente não aprecio. 
Se os donos dos imóveis em ruína se pretendem deles desfazer, cada um sabe por si e da sua vida, agora a Câmara e a JFCC deveria ter um papel predominante neste património em especial, em não o deixar alterar na sua traça original, muito menos ser caiado, o que não invalida no seu interior cada um possa fazer o que quiser, mas por fora a arquitetura devia para memória futura ser mantida, no meu opinar.
Porque este Lugar de termo, faz parte do que hoje chamamos Ansião, onde viveu gente de valor, quem sabe de famílias importantes daquele tempo, alguns emigraram para o Brasil, e hoje seus descendentes, supostamente os seus actuais donos nem disso o sabem, ao jus do ditado "quem não sabe de onde vem , não sabe para onde vai,  não sabe a sua identidade ".
 
 Casa com parede desmoronada

 Vista para sul ao longe uma eira em pedra
 
 O costado a sul na maioria com vegetação mediterrânica com salpico de eucaliptal...
 
 Vista sobre o vale e o costado onde aqui o pôr do sol  acontece de matar a respiração!
 Bom gosto nas suas gentes, num recanto um banco feito num tronco de oliveira

Numa pesquisa encontrei passaportes de gente que daqui saiu na procura de melhor vida, não sei se voltaram.

Passaporte de João Mendes Fajó - Apelido que me é desconhecido
1912-11-28 Idade: Não mencionada
Filiação: José Mendes Fajó / Emilia de Jesus
Naturalidade: Ribeirinho / Chão do Couce / Ansião
Residência: Ribeirinho / Chão do Couce / Ansião
Destino: Santos ( Brasil )

Passaporte de Manuel Simões 1908-09-21 Idade: 19 anos
Filiação: Bernardo Simões / Barbosa de Jesus
Naturalidade: Ribeirinho / Chão de Couce / Ansião
Residência: Ribeirinho / Chão de Couce / Ansião
Destino: Santos / Brasil
Observações: Escreve


Amei ter percorrido o Lugar do Ribeirinho dando aula a céu aberto a falar de cultura,  aos que me acompanharam; a minha comadre Odete, a sua irmã Arminda e ao meu marido. Não sei se gostaram, porque gostos não se discutem, senti  motivação a olharem  este passado importante do seu real valor.
Bem hajam pelo privilégio de me terem acompanhado.

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