domingo, 16 de julho de 2017

António Coimbra da Mó em Chão de Couce, Ansião

Ouvi pela primeira vez falar do apelido "Coimbra" da boca da minha mãe nos serões do correio velho quando me contava histórias do Externato de Ansião, a propósito de uma colega do Avelar, de seu nome Isabel Coimbra Mendes, no tempo namorada do meu pai-, Fernando Rodrigues Valente, com a particularidade de ser a minha mãe amiga de ambos, lhe escrevia as cartas e fazia de corteiro, o que fatalmente veio a originar aos próprios no intercâmbio se terem apaixonado...A minha mãe nunca mais dela soube por os pais se terem mudado para outra terra.
Assim muita pessoa oriunda de uma determinada terra importante ao se fixar  noutra localidade passava a ser conhecido pelo nome próprio, seguido do nome da terras de onde provinha que assim o acrescentava ao nome e alcunhas também seja verdade.
Desconheço o seja relativo ao apelido do meu marido Luís Alberto de Jesus Coimbra ter sido tomada do topónimo da cidade dos doutores que na crónica  se pretende desmontar com pesquisas e dicas dadas pelos amigos das Cinco Vilas, Raul Manuel Coelho e Henrique Dias.
Há anos numa viagem ao Alentejo a Sousel onde almocei com a minha mãe, perguntei ao empregado, homem de farta idade se lembrar nos finais de 40 de um vendedor na rota de paneiro chamado José Lucas, de cabelo russo e olhos verdes, para nossa surpresa outro homem da idade da minha mãe que também almoçava nos dizer- ele tinha o hábito de deixar a carroça com o macho ali numa estalagem que já não existe, trazia uma mala com as amostras, eu era pequenito já andava com o meu pai  também vendedor, aqui era conhecido por "Zé de Coimbra"...tendo apelido Lucas-, Coimbra, a terra onde comprava a mercadoria, a mais sonante da região em detrimento da aldeia de onde vinha; Moita Redonda, Pousaflores ou  Ansião.
Quando trabalhava no Banco Pinto e Sotto Mayor na Rua do Ouro tinha uma colega, a Celeste Coimbra oriunda de Tondela, onde me apercebi havia muita família com o mesmo apelido "Coimbra" alegadamente oriundas do "Capitão de Ordenanças António Marques de Paula Coimbra, baptizado em Molelos no dia 03.11.1713,onde casou no dia 18.05.1734, com Eufémia Ribeiro, natural de Castelões (Tondela) , segundo excerto http://geneall.net/pt/forum/70011/familia-coimbra/."

Há outras famílias de apelido "Coimbra" na  Figueira da Foz, julgo provenientes de Tondela (?).
Tomar, alegadamente da família do "Capitão Constantino Freire Mascarenhas, nascido em Alqueidão (Olalhas) e de sua segunda mulher D. Josefa Maria Teresa de Moura (também já casada anteriormente), nascida no Marmeleiro (Madalena, Tomar), batizada a 19.01.1678, casados por procuração (da noiva) em Olalhas a 26.01.1713; neto paterno de Carlos Freire Coimbra e de Marcelina de Coimbra- segundo Rui Pereira http://geneall.net/pt/forum/2096/teixeira-de-castro-de-chao-de-couce/"

Santarém - Quinta da Comenda , e claro em S.João do Souto em Braga, o palacete dos Coimbras erguido no séc. XVI para residência de eclesiásticos, adquirido por D.João de Coimbra, provisor da Mitra de Braga que em 1525 mandou construir uma capela e tinham brasão.

Outeiro da Mó - Chão de Couce, Ansião.
No curso para os Correios da região centro a irmã mais velha da minha mãe  nascida em 1911 foi do tempo do Sr.Moisés Coimbra e da esposa, também colegas dos Correios, começaram por trabalhar em Ansião para se radicar no Avelar onde tinham casa.

Citar Raul Manuel Coelho das Cinco Vilas  "Moisés José Coimbra casou no Avelar em 1926 com Maria da Conceição Duarte Moreira.  Ele era natural da Portela do Brás, parte pertencente à freguesia do Beco, Ferreira do Zêzere tendo nascido em 1897, e falecido no Avelar em 1963, é filho de Amâncio José Coimbra, natural de Ventoso, freguesia do Beco, referido como proprietário, e de Rosa Maria Mendes, natural da Portela do Brás, parte pertencente à freguesia de Rego da Murta. Os seus avós paternos são José António Coimbra e Maria Moura, moradores no dito Ventoso. Os avós maternos são Bernardino Mendes e Maria Rosa, moradores na dita Portela. A mulher, Maria da Conceição nasceu no Terreiro da Guia, Avelar, e é filha de Manuel Duarte Moreira e de Carolina Nazaré, naturais da Abrunheira, na Aguda"
Na entrada do cemitério do Avelar vi pelo menos uma campa com este apelido - de Maria de Jesus Coimbra, nascida em 1932.
Obviamente  nesta crónica pretendo abordar as gentes de linhagem com apelido "Coimbra" do ramo do meu marido que imperou gerações em escala dispare; quer seja em liberdade e aventura, mas também pela paixão pelas raízes, todos com talento e força para o trabalho, o condão do brasão fiel ao meu marido a que se junta o conservadorismo e a honestidade integra, cujos ascendentes se vieram a fixar por causa de melhores condições de vida e casamento em ; Lisboa, Almada, Povoa de Santa Iria, Cascais, Linha do Estoril, e os que ficaram na região; Chão de Couce, Moita Redonda, Avelar, Vale Tábuas, Pardinheira na Nexebra, Cerejeiras no Espinhal, Palheiros, Vendas de Maria em Maças de D.Maria e,...

CHÃO DE COUCE CONCELHO DE ANSIÃO
Despertei com pesquisas no Arquivo Distrital de Leiria de dois passaportes de apelido Coimbra, um oriundo de Abiul e outro Campelo, e ainda um registo de inventário orfanológico em Chão de Couce.
Sem presunção nem  árvore  genealógica, ainda assim a teimosia em tentar descodificar o apelido do meu marido que o passei a usar após o casamento, em detrimento do meu de solteira "Valente", além de sonante  também por ser natural da Sé Nova em Coimbra , por isso apelido na dupla que gosto de ostentar, apesar de em Ansião haver muita gente que não me identifica com este apelido ...
Os familiares paternos do meu marido viveram no Outeiro da Mó, hoje apenas Mó, em Chão de Couce, no concelho de Ansião. 

Lançada nesta odisseia  luz ao fundo do túnel graças ao Bom Amigo das Cinco Vilas - Henrique Dias. Amante ferveroso da genealogia, e das suas gentes, ao ler a crónica gratuitamente partilhou comigo mais saber, que eu desconhecia pelo que aqui lhe dirijo um enorme BEM HAJA, com gente desta estirpe o passado das Cinco Vilas e Ansião, jamais se perderá tal como o passado das suas gentes graças aos talentos de personalidade a que se juntam  dons de pesquisa, persistência e partilha dos saberes.

Família Coimbra do Outeiro da Mó
Excerto da árvore genealógica "Coimbra" enviada por Henrique Dias " Apelido Coimbra" - a sua pesquisa com origem nos Casais Maduros em Pousaflores, no inicio do Séc. XIX. 
Até à presente data, não encontrei, ainda, qualquer referência anterior, ao Apelido Coimbra, nos ascendentes imediatos de Manuel da Serra Coimbra, todos do Murtal, Almoster. Daí para trás ainda tenho mais duas gerações, mas o apelido Coimbra já não aparece mencionado. Mas não que dizer que se tenha extinguido, pois por vezes recuando um pouco mais, acontece o mesmo ser recuperado.
O mais antigo ascendente conhecido  - Manuel da Serra
Manuel da Serra nasceu nos Casais Maduros onde faleceu tendo casado com Mónica Maria, também de Casais Maduros natural e ali falecida ."
Nas minhas pesquisas tenho encontrado o apelido "da Serra" que se perdeu e hoje apenas "Serra" julgo a sua proveniência tenha vindo do norte da região de Trás os Montes, de algum criado ou vassalo dos Marqueses de Vila Real donos da Quinta de Cima e da Aguda que também tiveram Ameixieira.

Página do Facebook "Genealogias Avelarenses" por Raul Manuel Coelho . O Apelido Coimbra
"De acordo com o estado atual das nossas pesquisas, Este apelido, por certo de natureza toponímica, aparece-nos no Avelar, pela primeira vez, aquando do casamento, em 1885, de José Coimbra de Almeida, natural de Portulanos, Chão de Couce, carpinteiro, com Rosa da Conceição, esta natural da vila de Avelar, filha de Joaquim Mendes Peitudo, de Viavai e de Luísa de Jesus, do Avelar.
Aqui viveram e tiveram diversos filhos, nomeadamente:
- Albertina de Jesus, que viria a casar com Abílio Henriques, da família dos Henriques Percebo, da qual, também, já falámos um pouco.
- António Coimbra, que casou, em 1920, no Avelar, com Emília de Figueiredo,
O apelido Almeida chegou-lhe do pai, António de Almeida, natural de São Martinho, Seia.

Em 1898, casou no Avelar, um seu primo: José Firmino Coimbra, natural da Mó, Chão de Couce, com Adelaide de Jesus, esta natural do Avelar, filha de José Rosa Pudenciano, este natural da Rapoula. Foram viver para Chão de Couce. Tanto José Firmino, em 1901, como o seu filho Augusto Firmino Coimbra, em 1925, emigraram para Santos, Brasil.
Ambos eram primos, dado terem avós comuns, o primeiro por parte da mãe, o segundo por parte do pai; estes, portanto, irmãos, filhos de José António Coimbra e de Maria Rosa, moradores em Chão de Couce. De notar que Maria Rosa tem: ascendência Fidalga na linha dos Sousa / Borges de Azevedo; diversa ascendência Avelarense, nomeadamente nos Manso; sendo, também, descendente dos França, de quem aqui falámos noutra ocasião.
O Apelido Coimbra foi, assim, transmitido por José António Coimbra, natural de Casais Maduros, Pousaflores, filho de Pedro António, dali, e neto de Manuel da Serra Coimbra. Este nascido em 1732 no lugar da Barreira, Almoster, posteriormente residente nos Casais Maduros, pelo casamento com Mónica Maria.
Até à presente data, não encontrei, ainda, qualquer referência anterior, ao Apelido Coimbra, nos ascendentes imediatos de Manuel da Serra Coimbra, todos do Murtal, Almoster.
Pode-se pôr a hipótese de o apelido ter surgido em resultado de alguma ligação, contacto frequente ou facto relevante que algum destes ascendentes tenha tido com a cidade de Coimbra; tal não seria de admirar, dado que grande parte dos lugares do que é hoje a freguesia de Almoster pertenciam, havia já séculos, ao Concelho de Coimbra.
Mas, possivelmente, os Avelarenses atuais que ainda ostentam este Apelido Coimbra têm-no com uma outra origem genealógica, sem ligação conhecida à supra referida: em 1926, casou no Avelar Moisés José Coimbra com Maria da Conceição Duarte Moreira, esta natural do Terreiro da Guia, Avelar.
Moisés Coimbra nasceu em 1897 na Portela do Brás, parte da freguesia do Beco, do atual Concelho com sede em Ferreira do Zêzere, filho de Amâncio José Coimbra, natural, em 1850, do lugar do Ventoso, Beco. Este, filho de José António Coimbra, da Carvalheira, Janafonso, Beco e de Maria Moura, da Foz d´Alge, Arega.
António José Coimbra, pai do supra referido José António Coimbra, nasceu em 1792 na freguesia dos Santos Reis Magos do Campo Grande, em Lisboa. No entanto, os respetivos ascendentes eram oriundos da freguesia do Beco, não constando, nos registos consultados, que qualquer deles tivesse tido o apelido Coimbra.
No ponto atual das pesquisas, terá sido este o primeiro desta família a usar o apelido Coimbra. Como hipótese da respetiva origem temos, como mera possibilidade, o facto de, em Lisboa, quase ninguém saber onde era o BECO, razão para o diferenciarem de outros António José, talvez, pela referência geográfica seguinte, mais comum à época, o Bispado. Lisboa, a capital, pertencia ao Patriarcado, que ía apenas até Tomar. O Beco pertencia já ao Bispado de Coimbra. Mas, pode muito bem a explicação ser outra."
ANSIÃO E AGUDA
Nas minhas pesquisas já tinha constatado que no século XIX e XX o uso e hábito em algumas famílias o apelido do pai nem sempre era dado aos filhos, para aqui ainda apreciar a particularidade "Manuel da Serra" pode alvitrar que nasceu na serra ou de onde era natural, para dela ter recebido o apelido, no futuro a ser continuado o seu estudo na genealogia pode levar a sua origem à serra da Ameixieira, de onde são oriundos também descendentes de Belchior Reis, cujo primogénito Marcos Freire Mello dos Reis foi Capitão Mor das Cinco Vilas, tendo casado na Aguda. Os outros irmãos foram padres, tendo estudado mais o Pascoal José Freire Mello e Reis, jurisconsulto aos 19 anos, até hoje o mais ilustre ansianense. Na Ameixieira há descendência com apelidos "Reis"e "Serra" por via do casamento foram morar para outros locais. Houve um destes "Reis" nascido na Ameixieira foi casar para o Martim Vaqueiro, onde hoje ainda mora na casa um filho solteiro, o Zé Maria Marques dos Reis com 82 anos.
O tio da minha mãe, António Afonso Lucas da Moita Redonda, Pousaflores, chegou a dizer-lhe que os primeiros habitantes da Moita Redonda vieram de Almofala, para situar uma família  da Ribeira Velha o José da Serra  ou José Serra teve vários filhos, uma filha ficou a morar na Ribeira Velha e um irmão que conheci o  Ti Bernardino Serra ou da Serra, era de estatura baixa, solteiro, de belo olhar azul uma paz de homem, e outra irmã veio a ser a avó Albertina de Jesus do meu marido casada com António Joaquim Veríssimo, vieram a fazer casa acima no mesmo quintal, hoje pertença do meu marido, e ainda outra irmã casou com o Ti João do Outeiro que também moraram na Moita Redonda.
Gente que roteou os sopés dos outeiros para ter terra de amanho, escavaram no xisto poços, fizeram canais em pedra debaixo dos terrenos para encanar as várias regateiras e assim ter mais chão para o cultivo do milho, uma tradição de Belchior Reis já na sua quinta do Bairro em Ansião. Os tratores, incultura dos terrenos e as raízes das árvores vieram no tempo a destruir alguns, quando chove mostra-se em  avalanche a água em aluvião pelos terrenos, por os canais terem abalroado, em Ansião o Ribeiro da Vide ao Carvalhal, e na Moita Redonda no quintal do meu marido.
Esta família "Serra" pela via materna do meu marido foi herdeira do Padre Antunes da Ribeira Velha onde tinha uma casa com Capela, uma azenha na margem da ribeira pertença de muitos e outras propriedades. Do espólio dessa casa abastada dividido pelos herdeiros herdou o Ti Bernardino faiança de Coimbra ; bule de caldo, escarradeira, penicos, pratos, um relógio e,...
Faz sentido dizer que sempre houve casórios de primos uns mais afastados do que outros entroncados ao longo do tempo nesta mesma família "Serra", cujos genes familiares viesse a ditar a alguns o gosto pelo celibato em ficar solteiros, outros o foram mulherengos, e ainda os que o vinho deixava de mau génio, de cariz aventureiro, conflituosos e também gente normal, na maioria de olhos azuis, uns altos e corpulentos e outros atarracados de estatura.

1- O descendente em estudo Manuel da Serra foi Pedro António
Pedro António, nasceu e faleceu em Casais dos Maduros, Pousaflores, casou com Maria de Jesus do Martim Vaqueiro, Pousaflores.

2 - O descendente de Pedro António foi José António Coimbra
José António Coimbra, nasceu em Casais Maduros, Pousaflores, casou com Maria Rosa nascida e falecida em Chão de Couce onde ele também faleceu .

Aqui acontece o entroncamento com Chão de Couce!

3 - José António Coimbra, ficou viúvo pelo menos com um filho - Manuel Coimbra
Que entronca na pesquisa do Processo de inventário orfanológico de 1891
Inventariado: Maria Rosa (que faleceu)
Inventariante: José António Coimbra (pessoa responsável pela administração do espólio do inventário)
Freguesia: Quinta Cima - Chão de Couce. Surge a dúvida pela discrepância das datas do registo orfanológico de 1891 e a data de nascimento de Manuel Coimbra em 1840.

4 - O descendente de José António Coimbra foi Manuel Coimbra
Manuel Coimbra, nasceu em 6 julho 1840 em Outeiro da Mó, Chão de Couce, foi batizado em 14 julho desse ano em Chão de Couce, onde se casou em 22 agosto de 1876 com Carolina Augusta nascida em 1846,  Exposta.Ambos faleceram no Outeiro da Mó, Chão de Couce.

Manuel Coimbra, casado com uma mulher  exposta na roda, portanto filha de pais incógnitos;  num tempo de senhores de quintas e seus filhos - os Meninos, assim chamados por todos que usavam e abusavam das serviçais da casa, sem quaisquer regalias, desonradas e despedidas. Filhos de pais incógnitos de pai, mas também de mãe rica e de religiosas, eram deixadas na roda dos expostos. Em pesquisas que tenho feito a filhos incógnitos no concelho de Ansião, encontrei mães que deram os apelidos dos progenitores aos filhos, apesar deles não os terem aperfilhado, revela terem sido mulheres de grande inteligência e ousadia, em prol de lhe darem o seu apelido ou apelidos de "Santos relacionados com a igreja. Mas também reza a história que alguns bebés deixados na roda eram deixados com uma carta ou fio, para mais tarde serem reconhecidos para possivelmente lhes darem a mão orientarem na vida ou parte da herança, o que pode aqui ter acontecido na Mó (?).

Exemplos de filhos de pai incógnito em Chão de Couce
Encontrei nos pedidos de passaportes para emigrarem, com a particularidade dos rapazes terem suposto apelido do progenitor e foram à escola em detrimento da rapariga que não.

Passaporte de Manuel Mendes de 1897-12-14 Idade: 29 anos
Filiação: Paternidade não mencionada / Mariana de Jesus
Naturalidade: Ramalha / Chão de Couce / Ansião
Residência: Ramalha / Chão de Couce / Ansião
Destino: Santos / Brasil
Observações: Escreve


Passaporte de Manuel Simões Rosa de 1909-02-25 Idade: 34 anos
Filiação: Paternidade não mencionada / Maria de Jesus
Naturalidade: Fonte / Chão do Couce / Ansião
Residência: Fonte / Chão do Couce / Ansião
Destino: Santos / Brasil
Observações: Escreve
 
Passaporte de Manuel Marques Ventura de 1908-05-29 Idade: 37 anos
Filiação: Paternidade não mencionada / Margarida de Jesus
Naturalidade: Cabecinho / Chão de Couce / Ansião
Residência: Cabecinho / Chão de Couce / Ansião
Destino: Santos / Brasil
Observações: Escreve
 


Passaporte de António Teixeira de 1908-05-20 Idade: 40 anos
Filiação: Paternidade não mencionada / Cecília Maria
Naturalidade: Amieira / Chão de Couce / Ansião
Residência: Amieira / Chão de Couce / Ansião
Destino: Santos / Brasil
Observações: Escreve



Passaporte de Maria Augusta 1909-03-02 Idade: 18 anos
Filiação: Paternidade não mencionada / Maria Gracinda
Naturalidade: Vila Pouca / Chão de Couce / Ansião
Residência: Chão do Couce / Ansião
Destino: Santos / Brasil
Observações: Não Escreve

5 - O descendente de Manuel Coimbra foi Alfredo António Coimbra
Alfredo António Coimbra, nasceu em 31 janeiro 1884 em Outeiro da Mó, Chão de Couce .Batizado em 26 fevereiro do mesmo ano em Chão de Couce.Casou em 3 maio 1905 em Pousaflores com Maria Augusta Ferreira nascida em 27 de novembro de 1883 da Moita Redonda, irmã da minha avó materna Maria da Luz Ferreira. 

Outro passaporte de mais um filho de Manuel Coimbra e de Carolina Augusta
Mais novo que o primogénito 7 anos - José Firmino, não recebeu o apelido "Coimbra", ou foi esquecimento no pedido de passaporte?
Passaporte de José Firmino de 1901-06-11 Idade: 22 anos
Filiação: Manuel Coimbra / Carolina Augusta
Naturalidade: Outeiro da Mó / Chão de Couce / Ansião
Residência: Chão de Couce / Ansião
Destino: Santos / Brasil
Regressou, segundo o seu primo, o meu sogro Fernando Coimbra, viveu em Lisboa ao cimo de umas Escadinhas, ao Martim Moniz, não sei se tem descendência.

6 - O descendente de Alfredo António Coimbra foi António Coimbra + Artur +Alberto+Júlio
António Coimbra , filho de Alfredo Coimbra e Maria Augusta, natural do Outeiro da Mó
Casou com Rosa Marques da Moita Redonda, faleceu na ilha de Fernando Pó.

O descendente de António Coimbra foi Fernando Coimbra
Fernando Coimbra, filho  de António Coimbra e Rosa Marques natural da Moita Redonda, nascido a 26 de novembro de 1929.Casou com Ermelinda de Jesus da Moita Redonda em 26 de janeiro, dia da feira dos Pinhões em Ansião do ano de 1953

7 - O descendente de Fernando Coimbra foi Luís Alberto de Jesus Coimbra +irmã
Luís Alberto de Jesus Coimbra Valente nasceu em Lisboa precisamente 9 meses depois do casamento a 28 de outubro de 1953 . Casou em Ansião com Maria Isabel Afonso Rodrigues Valente nascida a 05.05.57 em Coimbra , ambos trocaram os apelidos que passaram a usar.
 
8 - O descendente de Luís Alberto Jesus Coimbra Valente é Dina Isabel Coimbra Valente
Dina Isabel Coimbra Valente, nasceu a 21 de maio de 1982 em Lisboa onde vive com o companheiro Samuel Filipe da Silva Moreira, pai dos filhos.

9 - Os descendentes de Dina Isabel Coimbra Valente são até ao momento:
Vicente Coimbra Valente da Silva Moreira 
Laura Coimbra Valente da Silva Moreira
Os meus adorados netos na vida adulta com panóplia de tanto apelido para escolha predileta !

 
Em conclusão
Com a ajuda gratuita do Henrique Dias consegui a partir dos meus netos recuar nove gerações da família "COIMBRA" tomando o dado até agora conhecido - Casais Maduros, Pousaflores, onde um descendente posterior em finais do séc. XIX José António Coimbra se deslocou possivelmente a trabalho para a Quinta de Cima, onde conheceu a mulher natural de Chão de Couce que também devia trabalhar na mesma quinta , se casaram  e foram morar para a Mó junto da estrada, possivelmente trabalhariam nas quintas da família Rego- Eiras e Outeiro da Mó. Ocorrido o falecimento da mulher atestado pelo registo de inventário orfanológico que encontrei, seria interessante dele mais saber, se tinham bens, descendência, um ou mais filho(s), ou se morreu de parto.O que se conhece dessa descendência é Manuel Coimbra, nascido no Outeiro da Mó.

Graças ao Raul Coelho  " outra achega relativa aos Coimbra, na fregª de Avelar no século XIX, é a seguinte: José Coimbra de Almeida, natural de Portulanos, Chão de Couce, casou no Avelar em 1885 com Rosa da Conceição,  viveu no Avelar onde teve vários filhos, nomeadamente um António Coimbra, outro que não o seu, este casou com Emília Figueiredo em 1922, no Avelar e morreu em 1982 em Odivelas. 
O referido José Coimbra de Almeida era carpinteiro filho de um António de Almeida natural de São Martinho, Coimbra (?) e de Ana Rosa, da Mó, num assento de um filho de José Coimbra de Almeida, no entanto, por avó é dado José Coimbra, da Mó. Aqui parece estar deslindado a origem do apelido Coimbra.
António de Almeida veio possivelmente de S.Martinho do Bispo em Coimbra para  trabalhar para as minas ou nas quintas (?). Aqui chegada passou a ser conhecido pelo "Coimbra" a terra de onde tinha vindo, e a alcunha passou a apelido ao filho José Coimbra de Almeida, o mais provável (?).

No Avelar em 1898 casou, também, José Firmino Coimbra, natural da Mó, aquele que refere ter ido para o Brasil, com Adelaide de Jesus, do Avelar, filha de José Rosa. O dito José Firmino é dado como filho de Manuel Coimbra, da Mó e Carolina Augusta, exposta da roda de Chão de Couce, moradores na Mó, jornaleiros."
Por fim se os trisavós do meu marido Manuel Coimbra e Carolina Augusta eram jornaleiros  e tiveram dois filhos, um deles foi ao Brasil e o outro o Ti Carolino, bisavô do meu marido, como angariou tanto chão na Mó e Portelanos?
Na verdade até meados do século XX Chão de Couce ainda estava na mão de grandes senhores e ricos proprietários, pelo que me seja estranho entender o património do bisavô do meu marido (Alfredo António Coimbra) com chão de grandes vinhedos na Mó de grande qualidade as cepas altas de várias castas desde Fernão Pires, as mais doces, e outras que se chamavam de mesa, por se mostrarem em cachos grandes de bons bagos desenxovalhados, cuja ínfima quota parte foi herança do meu marido para jazerem em abandono há anos, hirtas a morrer lentamente de pé, mas que em anos sem moléstia se enchem sem cultivo de boas uvas...
Era um vinho distinto de sabor único, um palheto escorregadio sempre a pedir mais um copo...quiçá a  rivalizar qualquer outro de chão francês!
As nossa uvas da Mó quando as há, são biológicas.
Desconheço como aconteceu a aquisição deste património.
No século XIX os trabalhadores rurais das quintas por não terem chão e pouco dinheiro acabavam por os donos das mesmas os deixarem morar em casas pequenas ou pátios anexos, onde casavam e formavam família, em geral na beira do caminho.Pode ter aqui acontecido na Mó,  vindo viver na frente do caminho na extrema da quinta que seria pertença da família Rego da Quinta de Cima, herança de Augusto Lopes do Rego que faleceu em 1892 em Chão de Couce tendo sido dividida na altura  pelos três filhos: Eduardo+Palmira e Adriano Rego.
Apenas interessa para este estudo saber o património da família Rego sito a sul, na Mó, onde havia a quinta de Eiras que foi do Dr. Adriano Rego, podendo a  nascente da estrada ter sido pertença do seu irmão mais velho-, Eduardo Rego (?), sendo o primogénito alegadamente não soube ou não quis dar continuidade às quintas herdadas  para sustento da família, na verdade não tomou conta da educação do irmão  menor com 15 anos, teve de ser um tio, irmão do pai falecido, então juiz na comarca da Nazaré que  o fez, porque Eduardo Rego, decide emigrar para Angola em 1900 aos 26 anos.
O que me dita esta teoria?
Para emigrar precisava de dinheiro, o pai já tinha falecido há 8 anos, por isso alegadamente vendeu a sua herança que tinha na Mó a José António Coimbra (?), quando viúvo  emigrou ao Brasil  para voltar no início do século XX com dinheiro (?).
Contudo encontrei um processo orfanológico de Teodora Augusta Costa Rego, que ao ficar viúva poderia ter vendido para sobreviver (?).
Teorias baseadas nos dados abaixo descriminados:
Passaporte de Eduardo Augusto de Barros e Rego 1900-12-31.Idade: 26 anos
Filiação: Augusto Lopes do Rego / Hermínia Cândida de Barros Machado
Naturalidade: Chão de Couce / Ansião
Residência: Chão de Couce / Ansião
Destino: Angola / África

Processo de inventário orfanológico
1891
Inventariado: José António Lopes da Costa Feia (Feio?)
Inventariante: Teodora Augusta Costa Rego
Freguesia: Chão de Couce - Chão de Couce.

A pobreza das gentes nos finais do século XIX e inicio de XX no concelho de Ansião deu mote à emigração para Moçâmedes e outros para o Brasil, para o ouro verde-, o café, como carregadores de sacas de 30 kg, chegavam a carregar 6 nas costas-  300 kg em apostas, das carroças para os porões dos vapores no porto de Santos, outros com destino para Minas Gerais e Pará, para capatazes de fazendas.
Obviamente que a emigração originava a transação da venda de património para se ter dinheiro para a viagem e se instalarem até começar a receber salário, por outro lado os que regressavam com bolso cheio ao fim de 10/15 anos compravam fazendas para fazer casa e alguns montar negócios. Poucos foram os que neste período emigraram com a família já com a ideia de não voltar. Outros mandaram carta de chamada, mas neste tempo a maioria voltou a Portugal.

Curiosidade em passaportes com apelido "Coimbra"
Há partida nenhum tem ligação familiar ao ramo que aqui pretendi aflorar  ou tem (?).

Manuel Francisco Coimbra
1897-07-30 Idade: 26 anos
Filiação: Manuel Francisco Coimbra / Maria dos Santos
Naturalidade: Campelo / Figueiró dos Vinhos
Residência: Campelo / Figueiró dos Vinhos
Destino: Santos / Brasil
Observações: Escreve

Passaporte de António Coimbra
Pedido em 1896-03-16 na idade: 28 anos
Filiação: Joaquim Coimbra / Florinda de Jesus
Naturalidade: Vale das Velhas / Abiul / Pombal
Residência: Vale das Velhas / Abiul / Pombal
Destino: S.Paulo ( Brasil )
Observações: Não escreve

Na pesquisa do Henrique Dias no nº 130 aparece um Joaquim António nasceu em Montoro ? Abiul, casou-se com Josefa Maria do Martim Vaqueiro. Apesar de não ter encontrado o nome de "Montoro" na toponímia de Abiul, mas pode existir. E também não saber a relação familiar com os visados da lista. Dantes Abiul pertencia ao Duque de Aveiro, Távora com interesses até à Ribeira do Nabão, por isso a ligação de trabalhadores das quintas e casamento entre eles. O Marquim Vaqueiro nome que ficou na toponímia do vaqueiro  que trabalhava na quinta, nome ainda hoje lá existe.
Segundo o testemunho que me foi facultado por Américo Oliveira a "Quinta de Serzedas", digo eu seja hoje a aldeia de Sarzeda " onde teria residido uma minha antepassada em meados do séc XVIII. Tinha um nome pomposo com apelidos que possivelmente ainda por lá haverá: Mariana Josefa Pimentel de Almeida da Silva e Sequeira Ponde de Leão de Mendanha" .A que respondi Nesta região viveram famílias importantes, a sua com raiz em Espanha pelo apelido Ponde Leão, ou sera Ponce Leão -  da família da esposa do Duque de Aveiro, um nobre Távora com vários senhorios, e aqui na zona muito perto tinha o da vila de Abiul onde tiveram um solar, naquele tempo Abiul era concelho e depois da morte do duque com os bens a passar para a coroa o concelho passou para Pombal. Aliás as touradas em Portugal foram trazidas pela esposa Ponce Leão com redondel na frente do solar deles em Abiul que tinham um varandim de onde assistiam, esta terra em paralelo com Sousel no Alentejo, são hoje consideradas as duas localidades onde pela primeira vez se tourearam touros, que nesta região o povo lhes chama bois. Não sei o que aconteceu à sua ascendente nobre, se perdeu a quinta por arrastamento dos Távoras, ou com a guerra liberal em que muitos nobres ao tomar partido dos Miguelistas haviam de as vender às pressas e fugir. Foi o caso mais acima da quinta de Martim Vaqueiro que era de nobres de Condeixa, também de ascendência espanhola- Mascarenhas Sarmento Velasques e Alarcão com cruzamento dos Colaços de Condeixa.
Contudo, o que interessa ressaltar é que houve alguém de Abiul que se deslocou para nascente para a região de Casais Maduros e Martim Vaqueiro para se casar, o que pode não ser inédito, antes outros já terem vindo, no caso ascendente deste passaporte com apelido "Coimbra"natural de Vale das Velhas em Abiul (?) na hipotética ideia que uma filha "Serra" tenha vindo a casar com um "Coimbra" (?).
Falta continuar o estudo nesta genealogia para perceber se houve ramificação de Vale das Velhas, Abiul para Casais Maduros, porque Cancelinha outra terra de Abiul, se fidelizou em apelido na Ameixieira, por casamento foi para Albarrol onde ainda existe e na Sarzedela.
Quem mais souber, agradeço a partilha.
Não me envergonho de alterar para melhorar, em prol de alguns que editam Livros sobre a região com dados errados, e isso sim é lamentável! 

Alfredo António Coimbra, o bisavô do meu marido, conhecido pela alcunha "Ti Carolino"-, graças aos dados facultados pelo Henrique Dias se percebe foi ganha do nome da mãe - Carolina.
Conta a minha mãe que o chegou a conhecer - homem de estatura atarracado, andava sempre com o casaco pelas costas, no dizer das bocas do povo não fazia nada, vivia à conta dos pais, mulherengo , cobiçado por mulheres para casarem com ele as filhas, pela fama de ser rico...Parava no Furadouro na beira da estrada numa casa de uma costureira baixa mas jeitosa, solteira, vivia com a mãe doente, acamada que o pai  queria para genro...Um dia o presenteou com uma omelete, a mulher na cama cheirou-lhe a comida fazendo estridente ruído com o nariz... a que o marido lhe respondeu de má voz - não tem nada que cheirar, o petisco aqui é para mim e mé compadre Carolino para os três vinténs da minha Marquitas entre as pernas deste homem..."
Diz a minha mãe que esta mulher se casou com outro, um "cornabancas", ao lhe perguntar o que queria dizer- refere-se a má conduta que ele aceitava...chegou a ir a casa dos meus avós costurar para um dia a minha avó deu com ela e o meu avô enrolados, no recato o chamou à razão logo ali se desculpou - "atão andas com uma roda de filhos, foi para te poupar..."
Num tempo de extrema pobreza e muita fome, não me choca, também se lembra a minha mãe de outro da Moita Redonda recém chegado emigrado da América com uma grafonola e dinheiro nos finais de 30, havendo mulheres que se deslocavam a sua casa se oferecer para ele lhes matar a fome...

Excertos http://www.numismatas.com/ "Era habitual, sobretudo no Norte de Portugal as mães ofereceram às filhas adolescentes uma moeda de três vinténs suspensa num fio, com a recomendação simbólica de que a deviam guardar e nunca mostrar até à noite do casamento. Esta tradição aparece em quadras e autos antigos.Mas também existem documentos de atestados de virgindade feito por parteiras com a moeda dos três vinténs,  seria para o colocar junto ao himéns, se caia para dentro, já não estava pura e claro era depois o pagamento à parteira:
Arquivo distrital de Viseu, sem data:
" Eu, Bárbara Emília, parteira que sou de Coira, atesto e certufico pula minha onra, que Maria de Jesus tem as partes fudengas tal e qual como nasceu, insceto umas pequenas noidas negras junto dos montes da crica, que a não serem de nascença, serão porvenientes de marradas de pissa."
Outra
"Eu Maria da Conceição parteira diplomada no concelho de Almada, declaro por minha Onrra ao serviço do meu trabalho que Maria das Dores está séria e onrrada têm uns defeitos na coisa mas iso não quer dizer nada são defeitos feitos pelo trabalho "

Teria sido uma Mó  a ditar o nome, desconheço se originária (?), o que dita aqui houve moinhos de vento, arte trazida pelos judeus.  A casa onde viveram os bisavós do meu marido na Mó encontra-se há anos adoçada com uma casita de família aqui aportada do norte a trabalho e passou a residir.A poente há vestígios de ruína de outra casa que poderia ter sido a primitiva do trisavó Manuel Coimbra.
 Vista da casa do lado norte no tardoz com vinhedos
O "Ti Carolino" veio a casar com a irmã da minha avó materna- ,a Maria Augusta Ferreira da Moita Redonda, pesar dos avisos de que não seria bom partido para ela pela má fama de mulherengo -, mulher robusta, alta e prendada, aprendeu costura na Quinta de Cima. Apaixonada, não deu ouvidos à família, vieram a construir a sua casa de sobrado na Mó,  ao entroncamento dos Outeiros para a serra e para os vales, onde havia pela frente um grande tanque de água. Alegadamente não foi tratada como bem o merecia, ele bebia muito,  os excessos da bebida fora e em casa, o transformava em demónio...
O seu filho primogénito, António Coimbra veio a casar com uma mulher mais velha na altura se dizia passada da idade da Moita Redonda, a terra da sua mãe, conhecida por "Ti Rosa da quelha", se conta que o casório aconteceu no julgar dos pais para ele assentar, por ser mais velha e madura, na cabeça dele para ter dinheiro para emigrar para  África, o mesmo destino de outros, um de Lisboinha e também do Avelar para a ilha de Fernando Pó, cujos passaportes encontrei:

Passaporte nº 490 de 15.03.1929 António dos Santos (Coimbra), o suposto lapso do apelido era usual se  encontrar em muita documentação, por exemplo nas conservatórias há extremas do norte corresponde ao sul e vice versa, num tempo que tudo era escrito à mão e nada se conferia...
Filho de Alfredo Coimbra e Maria Augusta 
Casado. Carpinteiro de 22 anos.
Altura 1,66. Sabe escrever e contar.
Naturalidade - Outeiro da Mó
Residência - Moita Redonda.
Destino - Fernando Pó


Passaporte para Fernando Pó - África
6.3.1929 de António Xavier dos Santos 33 anos – Lisboinha 

António Coimbra
Pela foto da caderneta militar era um homem atarracado como o pai, dele se falava ser um homem de perfil instável, sempre armado nas mãos com o seu pau que era uso naquele tempo, temperamento fogo, violento, conflituoso, nutria o gosto de aventura e liberdade, sem compromissos.Deixou a mulher grávida sem ainda o saber, quando ela lhe escreve a contar a notícia, ficou surpreso, ao que parece nem queria acreditar...
O pai do meu marido nasce a 26 de novembro de 1929.
Foto da "Ti Rosa da quelha"(Rosa Marques) com o seu filho Fernando Coimbra, tirada na Casa de Fotografia Paz em Ansião da mulher com o filho para lhe enviar para  não se esquecer deles...
O padrinho de batismo do meu sogro Fernando Coimbra foi Alberto Mendes Rosa, o mestre de marceneiro que tinha sido colega do seu pai António Coimbra, também emigrou para os Estados Unidos, onde foi bafejado pela fortuna, quando vinha a Portugal ficava hospedado no Hotel Tivoli onde sempre presenteava os meus sogros com um jantar, trazia roupa usada em bom estado que se distribuía em Chão de Couce a famílias mais pobres. O avô do meu marido António Coimbra, foi acometido de uma doença venérea tendo disso morrido. Muitos anos mais tarde um vizinho dos lados do Avelar que também esteve emigrado em Fernando Pó, ao encontrar na camioneta a minha sogra com o casal de filhos, os olhando, lhes achou muita semelhança do seu olhar azul forte travando conversa com ela, chegando ambos a consenso que a sua intuição de meter conversa estava certa - eram de facto os netos de António Coimbra que esteve com ele em Fernando Pó. Graças a este homem atento se conseguiu a certidão de óbito, pois até aí, uma vida , a avô do meu marido, a "Ti Rosa da quelha" foi casada e na verdade o era há muito viúva...
Encontrei há muitos anos numa gaveta o que restava da sua Caderneta Militar de 1927, já sem capa e de lombada descolada, pela humidade...
 

Pertenceu ao Batalhão de Pontoneiros
 Notas: Multas, dia de detenção
Autorização de Licença temporária para Fernando Pó desde 24 de março de 1929
Porventura deixou descendência na Ilha de Fernando Pó!

Vivemos mais em Almada, nesta minha última estadia em Ansião  em junho, andei com o meu marido duas manhãs em limpezas sob um calor abrasador; em Ansião, e na Mó em Chão de Couce, só vimos outros com tratores  a cortar erva na Mó, com enxada nas mãos apenas nós...
Mó em Chão de Couce
Herança do meu marido que foi do seu avô António Coimbra  na beira da estrada um lote com cepas, olival e a casita que foi em xisto, mas com o alargamento da estrada a fizeram em tijolo. Este ano aqui andamos a roçar a frente da propriedade e a sua lateral onde havia muita silva de silvão e das normais enroladas nas videiras onde deixámos um monstruoso monte ovalado para queimar ...
Já é a segunda vez que o presidente da JF de Chão de Couce, o Sr. João Medeiros se chega até nós e nos distingue com um cumprimento na conversa a circunstância do costume - limpeza e prevenção! 
Ainda apanhámos o lixo, plásticos e garrafas que alguém deliberadamente deixa ficar nos terrenos rurais, que como é óbvio recolhemos para deixar no contentor!


Salgueiro em Ansião da minha herança
Ao passar pela propriedade que foi do meu avô paterno demos conta que tinha sido cortada a erva, logo me lembrei que tinha sido o Paulo Rato, que ainda nos fez o favor de pôr veneno nas silvas que progrediam junto dos muros a entestar com a estrada e no rebordo do poço, e se eram grandes, na entrada uma vigorosa se mostrava verde a invadir a oliveira...Odisseia de trabalho em manhã de muito calor com blocos de cimento do muro caídos enrolados com pedras e  lixo entranhado no silvedo que as pessoas e alunos, sem educação nem respeito pelos outros atiram para terreno rural em prol de o deixar no próximo contentor de lixo; garrafas de plástico, latas, vidros, plásticos e... Um balde de lata dos grandes cheio que fui despejar no caixote do lixo, e já não é a primeira vez!
Ansião, gente que aqui passa sem conceito de cidadania nem tão pouco educação!
 Só fotografei a propriedade depois de limpa
 O meu marido de volta do tanque de pedra onde havia um emaranhado de silvas secas, aqui já no final...
Transpirei tanto que os olhos ardiam com o sal na mistura com a poeira que me deixou a cara mascarada como se fosse maquilhagem...Não vejo gente da nossa mocidade a sujar as mãos, a ficar com os braços e pernas arranhadas a trabalhar em limpezas rurais sob calor, antes os vejo a andar de carro para trás e para a frente, sentados em esplanadas dos cafés a exibir  unhas tratadas e de gel ornadas de  penteados oxigenados e outros à militar, todos  a esfumaçar, a beber com telemóvel nas mãos...igualmente donos de courelas como nós que delas não tratam!
 Os montes de silvas
Picoto da Nexebra 
Ao alto do picoto da serra de Nexebra onde neste mês de junho andei com a minha mãe de 83 anos e o meu marido a encontrar marcos de courelas que sofreram um grande incêndio pela Páscoa, o fogo não seguiu a direito porque a morfologia do terreno de costados  ingrímes deixou um emaranhado de clareiras que não se queimaram em contraponto o azar de outras dizimadas pelo fogo como as minhas...

Afloramentos rochosos que se encontram ao longo do cume longitudinal da Nexebra

Vista dos afloramentos rochosos da Nexebra que se alongam  numa extensão grande
Grande ousadia levar a minha mãe que subiu a serra e a desceu ao Santainho pela nossa propriedade pelo meio de chão queimado e não se desorientou, mas antes no Pinhal do Sérgio ia-se perdendo ao julgar que a mina de S.João era logo ali e na realidade tinha ainda dois grandes costados para a alcançar...Tive de lhe explicar que com a idade a desorientação é normal, pelo que se tem de parar e pensar!
Dizer adeus ao picoto, a minha mãe nos seus 83 anos e o meu marido admirados como aqui não ardeu...

Dó d'alma perceber, entender os donos das pequenas courelas são na escala de valores da floresta os que ganham menos com a madeira, para a sorte ser dos madeireiros, celuloses e das parcerias para paletes e, ...
Para ainda haver alguns proprietários vendem o que não é seu, seja por falta de conhecimento das extremas ou não (?) e outros por o IMI ser irrisório nem se dão a esse trabalho e deixam a floresta ao Deus dará porque tudo nesta vida dá trabalho de acertar a disponibilidade com o madeireiro para ir mostrar as courelas sendo certo que tem de saber as extremas em cenários loucos enegrecidos...
Vista da Nexebra para poente no contraste do incêndio com o verde na Páscoa
 Vista para sul
Depois do inferno do fogo a vida renasce com flores na beira da estrada, que não sei o nome, mas delas me lembro na primavera ver em Ansião e aqui na Nexebra se mostram lindas!
Quer queiramos quer não muitos nesta região das Cinco Vilas e Ansião estamos definitivamente ligados a estas terras por raízes familiares de primos casados com primos-, o meu marido na escala é meu 4º primo, emoções, saudade, mas também admiração!
Mas ainda os nossos ascendentes judeus que se cruzaram com mouros e francos.
Apelidos Afonso e Ferreira são judeus e Almeida veio de Trás os Montes da Casa de Mateus do tempo dos Marqueses de Vila Real que tinham bens nestas terras como a Quinta de Cima, Aguda e Ameixieira.

Excerto do Caderno n9 de Estudos Leirienses "Para falar de uns pobres franciscanos que, de jornada, no primeiro quartel do século XVIII, foram muito bem recebidos por uma família no Rabaçal. Fazia parte dela um pequeno, chamado Manuel, que ficou profundamente tocado, pelo que viu e ouviu, com essa visita. Mais tarde será monge na Arrábida. É Frei Manuel da Madre de Deus, conhecido pelo "Coimbra", sobre quem Frei Maurício da Cruz escreveu um livro penegírico publicado em 1759."
Livro que também devia merecer estudo!

FONTES
Henrique Dias  e Raul Coelho sobre a genealogia da família Coimbra
http://geneall.net/pt/forum/70011/familia-coimbra/
http://geneall.net/pt/forum/2096/teixeira-de-castro-de-chao-de-couce/
Wikipédia


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