segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Adriano Carvalho, comerciante de Ansião enriquecido em Moçamedes

Devia lembrar-me do senhor Adriano Carvalho homem natural das Cotas, Pombalinho  do vizinho concelho de Soure, ali a dois passos de Santiago da Guarda, por certo com raízes familiares no concelho de Ansião, pelo apelido (?). Procurou riqueza em finais do séc. XIX em Moçâmbiques, antiga Namibe em Angola, na verdade onde estiveram também outros conterrâneos da região, como os avós da Dra Assunção Cristas de Pussos onde em 1930 mandou construir uma casa ao arquitecto Raul Lino, do terreiro da feira no Avelar emigrou Alberto Simões Figueiredo em 1897 com 17 anos, não sei se voltou e Abel Falcão dos lados de Miranda do Corvo, ao regressar rico apostou na compra em Ansião da Quinta de Além da Ponte que era dum nobre Dom João de Mascarenhas Vellasques Sarmento e de Alarcão por serem ambos com raízes no Espinhal, além da Quinta de Além da Ponte comprou também a Quinta da Fonte onde construiu um solar de fachada azulejada do inicio do séc. XX que ainda hoje marca a arquitetura em Ansião, em paralelo com outras casas no mesmo gosto dos novos ricos da emigração em Angola e no Brasil.
Um irmão de Abel Falcão o Dr. Rosa Falcão, casou com uma mulher do Castelo do Avelar, veio a ser presidente de Câmara de Ansião e Governador Civil em Leiria.
O Sr. Adriano Carvalho já casado aportou depois de emigrado em 1924 para se estabelecer e viver em Ansião. Comprou a quinta com casa forrada a azulejos ao Sr Abel Falcão, no tardoz da atual Biblioteca onde se veio instalar com a mulher Emília Carvalho e duas meninas mulatas, que o povo dizia as ter trazido por piedade, supostamente seriam filhas dele (?) porque do casamento não teve filhos...

Solar do início do séc. XX mandado construir por Abel Falcão
A quinta tinha uma fonte onde as pessoas se iam abastecer de água antes da rede de fontanários na vila.Nunca entrei na quinta, esqueci-me de perguntar se a fonte provém de uma mina ou de um poço de chafurdo...Na ladeira na frente havia uma  moagem, e essa a lembrança, mas posso estar enganada, na sua frente o sitio onde se deixavam os burros de gente dos Casais enquanto se aviavam na vila.
O terreno da quinta foi urbanizado-, a Urbanização da Fonte. Só com uma entrada e saída, sem outra alternativa de mais acessibilidades quer para sul para o Cimo da Rua e para nascente com a Rua da Gataria.
Actualmente a casa é dum primo meu Victor.Recordo que tinha belos estuques, os via quando as janelas estavam abertas e o passeio em lajeado, soberbo.
Moagem  casa branca na direita depois da casa
O Sr. Adriano Carvalho estabeleceu-se no r/c em regime de aluguer ao gaveto da Travessa da Misericórdia da família Monteiro, ao lado explorava uma pensão, neste complexo habitacional tinha sido o sitio da albergaria da Misericórdia. Desconhecendo se foi o Sr. Adriano que mandou abriu duas montras, uma na frontaria e outra lateral,  e o balcão para apetrechar a loja e taberna.

Citar excerto http://ansianensesilustres.blogs.sapo.pt/1791.html
"Em termos profissionais, Adriano de Carvalho era comerciante. O seu estabelecimento situava-se no Largo do Município, e, em 1924, a publicidade ao mesmo, no seu Anunciador d'Ancião, referia a venda de mercearia, ferragens, adubos e sêmeas.
Já em 1938, a parte timbrada do seu recibo, anunciava uma maior expansão comercial:
«Mercearias, ferragens, miudezas, vinhos, sulfato, enxofre e adubos.
Representante de grafonolas e discos "Columbia", "Odeon", "Brunswick" e aparelhos de rádio.
Sub-agente da Companhia de Cerveja "Estrela".
Correspondente dos Bancos Crédit- Franco-Portugais e Cupertino de Miranda & C.ª
Agente da Companhia de Seguros A Mundial
Depósito de fósforos
Depositário de A Tabaqueira.
Camionagem.
Ao longo dos 42 anos que permaneceu em Ansião, envolveu-se activamente na vida local, contribuindo também para a divulgação do que de mais importante aqui ia acontecendo, através das suas regulares “correspondências” no jornal “O Mensageiro” de Leiria.
Conservador convicto, travou grandes lutas contra o meio republicano local, que não lhe poupou críticas. Foi fundador, director e proprietário de um jornal ansianense, bastante original, mas de duração muito efémera (na Biblioteca Nacional de Lisboa só conseguimos encontrar quatro números, referentes aos meses de Novembro e Dezembro de 1924). Trata-se de O Anunciador d'Ancião, composto e impresso na Tipografia Silva, em Pombal, cujo 1.º número saiu a público no dia 19 de Novembro de 1924, tendo como Editor e Administrador outro comerciante ansianense, Francisco Narciso da Costa Leitão.
Era um periódico de distribuição gratuita, bi-semanário (com saída anunciada às Quartas e Sábados) e o seu conteúdo era constituído, sobretudo, por anúncios, daí a razão do seu nome. O Director explicando aos leitores a razão do seu aparecimento alude o desenvolvimento industrial, comercial e agrícola do concelho concluindo tornar-se «necessária a existência dum periódico desta natureza, completamente independente, onde todos possam anunciar os seus produtos, o género do seu comercio e a natureza da sua industria, bem como tudo o que interessar à vila ou concelho. Foi Presidente da Direcção da Filarmónica Ansianense entre 1940/8 e um dos fundadores e dirigentes do Clube de Caçadores de Ansião em 1951."
Não vejo referência à moagem na quinta onde vivia.Estarei enganada?
O Sr. Adriano Carvalho mudou-se em definitivo para Lisboa em 1966, mas antes, ofereceu a sua Quinta da Fonte a um comerciante muito seu amigo da vila, que rejeitou o negócio por não ter dinheiro que chegasse, tendo sido vendida a outro por 500 contos... 
A loja do Sr Adriano Carvalho

O portão da taberna






Emblemas na fachada seriam já do Sr Carlos Antunes a quem trespassou o negócio












Só conheci a loja quando a trespassou ao  Sr. Carlos Antunes que tinha uma serração de madeiras e era angariador de cortiça, a recordo grande sob o comprido, escura, só com a luz que entrava pelas portas da frontaria e do portão da taberna. Na quina do balcão havia um mosqueiro com guloseimas, pastilhas, cromos dos jogadores da bola, trajes típicos regionais, chocolates e rebuçados, mas o que me prendia o olhar ? O belo relógio de pé alto dentro de uma caixa de madeira em formato bojudo com enorme pêndulo redondo e correntes cor de oiro, nunca na vida vira nada tão bonito..
Ao fundo da loja subiam-se dois degraus para a taberna virada para a travessa da Misericórdia com pia cor de tijolo e grandes pipos encafuados num tabuado vermelho o teria sido restos da albergaria e das cavalariças (?) sitio onde fui muita vez chamar o meu pai, onde o dia e a noite se antevia pelo grande portão de madeira tendo pela frente o urinol público de cheiro fétido a urina ...
Mais tarde soube que o belo relógio deixado pelo Sr. Adriano Carvalho, o Sr.Carlos Antunes rapidamente vendeu nos poucos meses antes de a trespassar ao Sr Murtinho. Aqui começou como caixeiro o meu amigo Zé Júlio de Albarrol.
Resistiu até há pouco na frontaria o emblema  de Correspondente do Banco Português do Atlântico e de um refrigerante. Quando faleceu a casa foi de novo trespassada ao Sr. Manuel  Murtinho a viver no Alto, que a sua esposa explorou anos, tendo sido o imóvel adquirido recentemente, com a derrocada do telhado da cozinha da albergaria, e a sua bela e grande chaminé, apesar da cortina na janela, e a cisterna onde se abasteciam lá deve estar assim como a janela de avental finalmente à vista com uma racha, seja do terramoto, que a casa é anterior. Devia ter sido tapada com pó de pedra e não cimento...
Dignificaria Ansião que este imóvel fosse preservado no que foi no seu passado!
Albergaria da Misericórdia!

Rua da Fonte
Toponímia pela metade no mínimo se deveria chamar
Rua da fonte da quinta de Adriano Carvalho
Rua Adriano Carvalho

Dignificar o nome de um homem multifacetado na vida politica e social de Ansião seria em o ver atestado na toponímia , pelo que contribuiu para o bem de Ansião onde permaneceu 42 anos, tendo sido Administrador do Concelho entre outras actividades sociais e culturais.Mas como se na assembleia municipal a maioria nada sabe de Ansião, e quando sabe alguma coisa não sabem falar por falta de poder de argumentação e de voz na transmissão da palavra...

FONTES
http://ansianensesilustres.blogs.sapo.pt/1791.html

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Seguidores

Arquivo do blog