terça-feira, 17 de outubro de 2017

Falar da Igreja Matriz de Ansião de 1593

Desconheço outra foto mais antiga com a Matriz de Ansião, supostamente esta seja reportada a 1908, data que existe outra do Avelar com a mesma menção da legenda no postal.
A revelar esse tempo o traje comprido das mulheres, a carroça estacionada na Praça do Município e o marco fontanário que havia logo a seguir à última  árvore para poente.
A Igreja sofreu uma grande requalificação por volta de 1942.
 Alberto Pimentel esteve em Ansião em 1903, portanto esta foto na Praça do Município  com o povo junto do marco fontanário, seja a foto um pouco anterior à outra
Partilha do saudoso Américo Antunes do Moinho das Moitas
Uma reprodução da foto acima -, quadro do seu cunhado conhecido por João Ferreiro, ao que parece tem mais obras de Ansião, e o desconhecia.
Excerto do Padre José Fernandes Serra  de 1769 ao Cabido e Mitra da Sé de Coimbra retirado das Memórias Paroquiais Setecentistas « (...) Nam tem esta Igreja fábrica serta mais que trezentos reis que lhe dão por um talho de terra que lhe foi doado antigamente, e incerta o que rendem as covas dos defuntos, que é cada um de maior idade trezentos reis, e os de menor idade de sete anos sento, e cinquenta reis; não tem casas de residência, nem passais, nem outro algum legado; tem obrigação de cinco missas pelo dito legado acima, de que se dá conta em vezita».
Retira-se desta notícia a existência de um talho de terra doado com a obrigação de cinco missas por alma do benemérito, embora não mencione o seu nome, se questiona se hoje ainda existe o talho de terra, e onde se localiza?Menção importante nas Memórias Paroquiais  a  não "existência de casas de residência, nem passais, nem outro algum legado", estranho este padre tão descritivo não fazer menção  ao primitivo burgo no actual cemitério da ruína da primitiva igreja adoçada à casa de residência do padre ao tempo também procurador do Mosteiro de Santa Cruz em zelar pelos seus interesses nas quintas de Ansião sua pertença com foreiros, serviçais  e sacristão. 

Terramoto de 1755
Excerto do Livro Notícias e Memórias Paroquiais Setecentistas de Mário Rui Simões Rodrigues e Saul António Gomes « (...) 1756 maio, 1, Ansião da freguesia de Nossa Senhora da Conceição de Ansião ao inquérito sobre os efeitos do terramoto de 1755 do Padre Cura João Correa de Azambujal
Informando me com pessoas inteligentes , e antigas a respeito dos interrogatórios da ordem de Vossa Excelência achei que o terramoto do dia de Todos os Santos ao ano próximo passado de 1755, principiou pelas 9 horas e meia do mesmo dia e pelas 11 horas do mesmo dia tornou a repetir, mas não com a mesma vehemencia do 1º o que eu também presenciei estando em hum confessionário,e a Igreja desta vila de Ancião teve hum grande balanço do sul para o norte de tal sorte que abriu a torre;com tanta força para a parte do nascente e poente, que se estendeu de todo se arruinava mas tornando-se abrir lhe caiu uma simalha para a parte norte; e caiu sobre o telhado da igreja que o levou abaixo; em a direita;e as naves da mesma igreja se levantarão; e tornarão a por-se em seu lugar, mas sempre lhe cairão no fundo muitos pedaços;e estando a igreja cheia de gente não morreu criatura alguma;arruinaram-se três moradas de casas nesta vila, e em quase todas houve a sua ruína; e não morreu em esta freguesia pessoa alguma com o terramoto;e depois deste dia de Todos os Santos, todos ou quase todos os dias se percebe tremor de terra;e no dia 40, depois do de Todos os Santos, se percebeu um tremor que causou muito grande susto mas não houve perigo algum; e logo no dito dia de Todos os Santos de tarde principiamos a fazer preces nesta igreja e por toda a freguesia que durou e ainda dura a devoção com admiração dos passageiros que passam por esta vila e tem havido sessenta sermões de missão em todo este tempo;e também se fizeram as preces que Vossa Excelência, e se fizeram várias procissões fora desta vila á Senhora da Paz e ao Senhor do Bonfim que está numa capela junto da vila e se trouxe o dito Senhor do Bom Fim em procissão solene para uma capela que está no meio desta vila que é de Nossa Senhora da Conceição e ali esteve a Senhora exposta no lado do mesmo Senhor com sermão de manhã e tarde, e para o efeito se pediu licença ao Dr Provisor; e pelo rol dos confessados acho haver nesta freguesia o numero de pessoas de hum, e outro sexo mil e duzentas e oitenta e três;sendo destas quinhentos e cinquenta e nove homens; e sete centas e vinte e quatro mulheres e não há mais de que dé notícia.»
O que mudou desde então na fachada da Matriz?
 
Apenas permaneceu no tempo da sua origem, o austero portal.Melhorou francamente a frontaria ficando o templo mais airoso com a alteração da janela alta noutra em formato hexagonal com moldura relevada, acima dela nasceu um nicho com a Imagem pétrea da padroeira Nossa Senhora da Conceição envolta igualmente em moldura relevada pintada em azul clarinho, com espirais ao jus de caracol, traça da arquitectura ancestral com a inscrição em latim " I ANVA CLAVSA/ MANT.DIVINO./ PERVIA.SOL" Na minha tradução diz mais ou menos isto - Eu sou claramente divino (a) perante o sol (?)... O telhado de duas águas foi alterado para seis, suportados por mísulas assentes em pedra que emolduram a Cruz, encimada ao centro. A ladear o portal existiam duas placas em pedra (?) que desapareceram...O que diriam?
E quem teria sido o Mestre de obras? Se estas obras aconteceram na década de 40 uma das hipóteses tenha sido o tio do meu pai António Rodrigues Valente natural do Bairro de Santo António, morador no Escampado de S.Miguel que ampliou os Paços de Concelho em 1937.
Pertinentes perguntas, por certo contempladas assim como outras novidades no Livro há muito esperado sobre a Religiosidade de Ansião da sua Igreja e Capelas depois do séc. XV, gentilmente o Sr. Padre Manuel Ventura Pinho solicitou ao Padre José Eduardo Coutinho, e tarda a sua publicação!

Torre do campanário e o atual relógio 
Sofreu remodelação por altura do terramoto no seu términus, alterada de dois para apenas um campanário, sendo a ultima em meados do séc. XX . Apresenta um relógio de quatro mostradores, um por cada fachada, substituto de outro mais antigo em 24 de fevereiro de 1957.Portanto é da minha idade, apenas 3 meses mais novo...Se os meus pais tivessem casado nesta Igreja teria por certo a foto do antigo, debalde casaram em Pousaflores. Os sinos em ferro fundido.Desconheço a sua origem onde foram fundidos.Teriam sido fundidos no Engenho da Machuca na Foz d'Alge do mestre francês, José Levache ou José Linhares, na ferraria da Boca da Mata em Alvaiázere ou ...
Notícia retirada do Jornal A Regeneração de Figueiró dos Vinhos de 15 de julho de 1958
«Para aquisição deste relógio muito contribuiu a acção benemérita avultada de um conterrâneo industrial conceituado em S. Paulo no Brasil, natural da Fonte Galega, Manuel Luís Nogueira .»
Relógio fabrico da Fábrica Coisinha de Almada
Lamentavelmente fechou a fábrica encontrando-se o edifício em venda.
 

O portal da Igreja 
De verga recta encimado por arco de frisos em pedra calcária da região. Na cornija a inscrição da data de 1593. A ladear o portal duas colunas jónicas, não lhe contei os frisos verticais, devem ser 24 (?) com a base esculpida de grandes flores. Os capitéis das colunas apresentam-se simples ao género bizantino pela base circular que sustenta a cimalha quadrada que por sua vez sustenta um fuste encimado por outro capitel quadrado maior, sustentado por um pináculo ao género floral .
 
Adro
Todo o adro era no meu tempo de criança em saibro com uma sepultura antes do portal, sem dizeres, se diz que era de um padre...Julgo que seja do padre José Portela , cujas ossadas foram trasladadas para o corredor principal do cemitério.
O adro foi calcetado no início de 70, o saibro foi doado pelo meu pai do pinhal da vinha ( do que foi chão da vinha dos frades), onde veio a construir a sua casa, a minha irmã .A calçada foi feita por calceteiros de Ansião, Manuel Mortinho, filhos e outros.
O portal principal com lanço de vários degraus de acesso ao adro corre-lhe pela frente um muro de sustentação com resistente gradeamento em ferro forjado teria sido obra do inicio do século XX, atendendo ao portal do segundo Hospital, ao Ribeiro da Vide semelhante pese de porte mais pequeno construído em  1903. O adro com acesso por dois portões para a Rua Dr. Pascoal José de Melo (Freire dos Reis), quando o deveria ser na toponímia e na Escola C+S escrito com o nome completo, porque em Ansião ainda existe sua descendência a viver em chão que foi da Quinta do pai (Belchior dos Reis) e não se lhe associa e o devia, além de muitos outros. , ainda resiste a sul do adro a última árvore que outras iguais foram as primeiras a ser plantadas em espaços públicos no inicio do século XX, atendendo a que no final da década de 40, o meu pai tinha na frente da padaria dos pais uma igual que dela fazia uso para descer e subir de noite sem eles se darem conta, em meados da década de 60 foram removidas sendo substituídas por outras que não vingaram em mais de 20 anos, a lenha das antigas foi comprada pelo meu pai e ardeu na nossa lareira, ficando esta e outra que foi removida este ano na Igreja velha, já hirta de seca!
Pia de água benta
Depois do guarda vento a Matriz apresenta duas pias de água benta em forma de cálice.
A da esquerda deve ser a original, a outra parece-me que foi mandada fazer à sua semelhança em data posterior (?)...Existe uma pequena cravada na parede junto da porta do sol.
Excerto do Padre Manuel Ventura Pinho « Com a extinção das Ordens Religiosas, os bens dos conventos e dos mosteiros foram dados a amigos ou correligionários, ou vendidos ao desbarato, pelo que acho verosímil afirmar que muitas peças de culto religioso da residência dos párocos/frades que servia a paróquia de Ansião pertença do Mosteiro de Santa Cruz. E devem ter tido o mesmo destino outras da Igreja de Ansião.»
Excerto da crónica de Severim Faria de 1625«A Imagem de Nossa Senhora da Paz foi levada numa noite da Matriz de Ansião onde estava guardada para a Constantina, para os ansos não se darem conta, pois eram muito ligados a esta Senhora, estando a Imagem desnudada e escura , a pintaram e vestiram que a colocaram no altar da ampliada Capela após o Milagre da Fonte Santa, pois ali aportavam muitos peregrinos que deixavam esmolas.»
Interessante constatar nesta terra de Ansião a existência de pelo menos três Imagens com devoção Mariana
Nossa Senhora do Rosário
Nossa Senhora d'Ó
Nossa Senhora da Paz
Sendo as duas últimas com origem em Toledo (Espanha).
Excerto da Wikipédia «Em 25 de Março de 1646 o Rei D. João IV para agradecer a restauração da independência do domínio espanhol em Vila Viçosa na Igreja de Nossa Senhora da Conceição, ofereceu a coroa portuguesa a Nossa Senhora, colocando-a a seus pés proclamou-a Padroeira Portugal. O acto da proclamação alargou-se a todo o País, com o povo a celebrar, pelas ruas, entoando cânticos de júbilo.»
O primitivo orago da Matriz de Santa Maria continuou depois de 1593.
A primitiva Igreja de Santa Maria em Ansião culto nascido nos primórdios da nacionalidade, segundo historiadores já existia na década de 1250 a poente no chão do actual cemitério novo que fez parte da fazenda do meu bisavô Elias Cruz, na escritura diz chamar-se Ribeiro da Igreja. Este primitivo burgo de Ansião depois de 1593 ficou desativado com a construção de uma igreja nova, a actual Matriz sita a 200 metros para nascente onde se formou o segundo burgo de Ansião.O  orago da Matriz possivelmente só foi substituído aquando da ampliação da pequena ermida de Nossa Senhora da Conceição  para ser alterada em Capela da Misericórdia em 1702 tendo na altura esta recebido orago Nossa Senhora da Graça.Depois de 1646 pelo agradecimento da Independência de Portugal, foi proclamada Nossa Senhora da Conceição como Padroeira Portugal, e também aqui em Ansião.

«Em 1763 a resposta ao bispado de Coimbra do Prior Leonardo Gonçalves de Carvalho 
o orago desta freguesia é de Nossa Senhora da Conceição, ainda que o padroeiro lhe chama Santa Maria de Ançião»

Em 1769  - Relação do estado das Igrejas, confrarias e capelas de Ansião do padre José Fernandes da Serra ( ...) «o edifício da Igreja é bastante grande; as paredes são em pedra e cal;tem três naves; o tecto é de madeira; foi forrado de tábuas em forma de guarda pó; uma torre com dois sinos, e esta ameaçando total ruína, como também o tecto da Igreja; uma sacristia muito pequena, e nela um caixão já bem usado; púlpito; fonte baptismal e duas pias de água benta, em bom uso, excepto a pia de água benta da porta do sol que não veda, por estar rota. O altar mor este se vê em forma, e na maior consternação a que podia chegar, pois tem um retábulo muito velho, e sem camarim para se expor o Santíssimo nas festividades; uma urna posta em cima de uns degraus de pedra sem outro algum ornato, e está muito usada, ocupara os ditos degraus a maior parte da dita Capela da parte do Evangelho;tem um retábulo suposto antigo bem regulado pela arquitetura da ordem dórica, e nele colocado um Sacrário da mesma ordem, tudo muito bem dourado, e seguro no qual está o Santíssimo Sacramento com toda a decência;no interior do dito Sacrário está muito bem forrado de cetim de seda incarnado; tem suas cortinas de tela, e galão de fio de prata a pixide tem sua capa da mesma matéria, a qual é só de prata sem ser dourada; da parte de fora da porta tem outras cortinas também de tela, com galões, e franjas de fio de ouro; tem outras de damasco roxo para o tempo da paixão; sua banqueta, e cruz a romana, de estanho fino; cinco toalhas em bom uso duas com renda, e três sem ela; um Missal, em bom uso; uma custódia muito moderna, feita à romana; umas cortinas em damasco encarnado com galões, e franja de tardoz amarelo guarnecendo o arco da dita Capela em bom uso; dois frontais em damasco branco usados, e todos os mais trastes que tinha de prata muito preciosos lhe roubarão... nesta Capela Mor está uma Imagem de Maria Santíssima feita em pedra muito bem esculpida e incarnada;no altar uma banueta, e cruz de estanho a romana, pedra de ara, oito toalhas para o Altar, e para a sagrada comunhão; duas do lavatório todas em bom uso, um cálice, e patena de prata dourado muito antigo, e colher de prata; vestimentas com tudo o necessário, a saber duas brancas uma nova, e a outra já usada, duas incarnadas em bom uso, uma verde, e outra roxa, outra preta todas de damasco em bom uso, excepto uma das encarnadas que é de veludo, cinco capas de asperges de todas as cores de damasco, e muito bom uso, sanguinhos doze em bom uso, cinco mesas de corporais singelas, e três palas em bom uso, três alvas uma quase nova, e as duas muito usadas, e já com algumas roturas, quatro amitos, em bom uso, quatro cordões dois novos, e dois usados, um vaso de estanho muito usado, uma caldeira de latão para água benta muito disforme, um relicário de prata para levar o Santíssimo aos enfermos, um palio de damasco branco; não tem humbella, nem véu de ombros, nem tribulo, e naveta; três ambullas para os santos óleos muito mal seguras, e o cofre aonde estão da mesma sorte, e sem ornato algum, e sem o devido asseio.
Altares da Igreja são sete por todos.
Depois a da Capela do Santíssimo para baixo da mesma parte do Evangelho está a Capela das Almas; nesta se vê uma moldura larga guarnecida de entalhe servido de retábulo a um painel das ditas Almas em que se percebem já muito pouco as figuras, e diante de uma pianha está uma Imagem de S. Nicolau Tolentino feita em pedra muito bem esculpida, e incarnada, e o dourado da dita moldura está todo ressaltado; tem pedra de ara, toalhas quatro, frontais pintados em tábua, um de damasco roxo, e vestimenta do mesmo, tudo em bom uso...»

De grande valia este relato à época  pormenorizado com os Santos da Igreja
Interessante falar do caixão muito usado, pois devia servir para todos os defuntos...
Sendo na altura sete altares, hoje conto com o altar mor apenas seis.

Excertos do Livro Notícias e Memórias Paroquiais Setecentistas Extraída do Dicionário Geográfico do Padre Luís Cardoso em 1747 Anciam «...A Igreja paroquial, de três naves, está no meio da vila:o seu orago é Nossa Senhora da Conceição: tem seis altares, o maior, o da Senhora do Rosário, o da Senhora da Conceição, o do Santíssimo Sacramento, o das Almas, e o do Espírito Santo; todos com suas Irmandades, excepto o primeiro.»

Retábulo da Capela Mor da Matriz
Nossa Senhora da Conceição
Obra a rivalizar o retábulo do Mestre Malhoa de Chão de Couce de 1968 executada por um pintor que trabalhava na CUF, o Sr.Inácio, funcionário deslocalizado do Barreiro e aqui radicado conta 87 anos e vive em Águeda.Ainda me recordo deste altar mor em escadinhas...
A Capela Mor separada da nave central por um arco triunfal de volta perfeita com cobertura em abobada de caixotões em cantaria com molduras em gesso e ao centro flores.
O chão da Capela Mor em lajeado, na frente no meu tempo de criança tinha uma platibanda em balaústre de madeira com portinhola. Foi retirada quando foi colocado um novo altar mais à frente.Também me lembro da missa ser dita em latim e de ver o pároco a fazer uso do altar mor.
No meu tempo de miúda havia um belo reposteiro em veludo vermelho com folhos a cobrir o arco, mais tarde retirado.Ainda são visíveis as roldanas de suporte.
Duas belas Telas na Capela Mor
Graças à partilha da Página do Facebook da Igreja de Ansião, do Padre Manuel Manuel Pinho feita à posterior da crónica acrescento.
«Pertencem à igreja de Ansião e estiveram já muito sujos, rotos e estragados. Pelo ano 1986, encontrei-os, um na arrecadação por detrás do altar-mor da igreja de Ansião e outro numa arrecadação da casa onde hoje é o Centro Paroquial.
O da Virgem parece-me seiscentista e o da Anunciação, setecentista. Mas não tenho formação para o afirmar. Um e outro em muito mau estado! Mas felizmente não foram parar ao lixo.
Mandei-os restaurar e hoje são preciosidades da nossa igreja! 

O da Anunciação do Anjo a Nossa Senhora esteve mesmo em exposição em Coimbra, creio que no ano 2000, levado pelas mãos do Padre José Eduardo, um conhecedor e admirador das coisas antigas, que quando os viu na Igreja ficou admirado e me perguntou onde é que eu os tinha adquirido!
Uma lição todos podemos tirar deste facto:
Não atiremos para o lixo coisas antigas - cerâmicas, fotos, quadros, imagens, vestes, etc. - pois podem ser preciosidades!

Na relação do então pároco José Fernandes da Serra, refere que a igreja tem 5 painéis da vida de Nossa Senhora atribuídos ao pintor Grão Vasco.
Quem sabe se os dois quadros que achei arrecadados e mandei restaurar não pertenciam a este conjunto de pinturas?!»

Vista do interior da igreja matriz de Ansião
O interior da Matriz de Ansião ostenta três naves, divididas entre si por cinco arcos em alvenaria que assentam sobre colunas toscanas sob pavimento em madeira renovado.
Do lado esquerdo uma Capela do Santíssimo Sacramento, tenho a impressão de no meu tempo estar desativada (?).
 O  lustre em cristal
Partilha da foto da Página do Facebook da Igreja de Ansião.
Ao centro a Helena que ofereceu o lustre
Citar mensagem de cortesia do Padre Manuel Ventura Pinho «A senhora de idade e mãe das três raparigas chamava-se Maria da Conceição M. Vaz com as suas filhas: a do centro chamava-se Helena e ofereceu o candeeiro de cristal que está na igreja de Ansião, assim como várias outras coisas de valor à mesma igreja; a da esquerda chamava-se Carlota e a da direita, Sofia. Viveram na rua dos Bombeiros Voluntários, em frente ao sr. Antero Morgado e junto à barbearia, até casarem. Uma casou com um rapaz da Sarzedela, outra com um jovem de Além da Ponte, e outra com um tio de Ansião que tinha o Café do Corvo em Coimbra, nome dado a essa rua, por via da imagem dum corvo que estava na frontaria desse café. Segundo me dizem, era uma família muito religiosa e que deram bom testemunho de Fé por onde passaram.»
O marido desta senhora Maria da Conceição Vaz
Professor José Maria Vaz
Fez o exame de admissão em 1923 entre outros, ao poeta Políbio Gomes dos Santos e ao sobrinho o Dr. Alfredo Simões Lopes Silveira que viveu na casa que julgo foi dele e também o jazigo.
Todos carregam apelidos de origem judaica.
Altares tardios
Ao cimo do corpo da Igreja em cada uma das naves laterais existem dois altares tardios em talha dourada
Segundo o relato do Padre Luís Cardoso em 1747 já existiam e possivelmente existam desde a origem, embora mais tarde alterados como hoje se encontram (?).

ALTAR DE NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO
Imagem de roca vestida.
Excerto do Livro Notícias e Memórias Paroquiais Setecentistas de 1769 Relação do estado das Igrejas, confrarias e capelas de Ansião do Padre José Fernandes da Serra «Da parte da Epistola depois do Arco Cruzeiro segue uma Capela da Senhora da Conceição, com seu retábulo metido num arco com suficiente altura, e proporção, e já tem algumas faltas de dourado, e nela uma Imagem da dita Senhora em vulto feita em pau e esta inculcando toda a devoção, muito bem esculpida, e incarnada; tem cinco painéis da vida de Nossa Senhora tão antigos que dizem é obra do insigne pintor o Grande Vasco; tem cortinas de damasco encarnado com galões, e franjas de tardoz amarelo guarnecendo o arco da dita Capela, pedra de ara, cinco toalhas em bom uso, um frontal em damasco branco, e outro roxo usados, uma banqueta, e Cruz de estanho fino, cálices, e patena de prata tudo dourado...»
Nossa Senhora da Conceição
ALTAR DE NOSSA SENHORA DE FÁTIMA
Excerto do Livro Notícias e Memórias Paroquiais Setecentistas de 1769 Relação do estado das Igrejas, confrarias e capelas de Ansião do Padre José Fernandes da Serra « Depois do Arco do Cruzeiro a par do Evangelho está uma Capela da Nossa Senhora do Rosário com seu retábulo metido em um arco com suficiente altura, e proporção; está muito bem pintado e dourado a Imagem da dita Senhora, em vulto feita em pau, que pelo peso parece de pedra muito bem esculpida, e incarnada; neste Altar necessita de uma banqueta para por castiçais; tem dois de estanho a romana, Cruz de pau, pedra de ara, cálice, e patena de prata, a copa do cálice dourada, toalhas três em bom uso, dois frontais de damasco, um branco, e outro incarnado quase novos um roxo em bom uso, umas cortinas do mesmo incarnadas com galão e franjas guarnecendo o Arco da dita capela...»
Actualmente o altar está dedicado a Nossa Senhora de Fátima, antes foi de Nossa Senhora do Rosário. Em 1769 era uma capela com um retábulo metido num arco com suficiente altura e proporção. Seria um arco de pedra com uma reentrância na parede, onde estaria esse retábulo com uma imagem e um altar. Tudo bem pintado e dourado, a Nossa Senhora do Rosário muito bem esculpida e incarnada  feita de madeira mas que parece de pedra, refere esse documento retirado das Memórias paroquiais.
«Tinha algumas oliveiras dispersas e uma terra que lhe davam alguns poucos rendimentos para pagar a um capelão que celebrasse as missas a que estava obrigada.
Estávamos numa altura em que havia fartura de padres, pois naqueles tempos mesmo o pároco não podia celebrar cada dia mais que uma Missa. Por isso é que Ansião ainda tinha nas primeiras décadas do século vinte um padre para celebrar a Missa das Almas ao domingo na Igreja da Misericórdia, para além do pároco que celebra 
as missas a que estava obrigada. »
CAPELA DO SANTÍSSIMO SACRAMENTO
Segundo o Sr Padre Manuel Ventura Pinho «Onde hoje é o altar do Sagrado Coração de Jesus estava outrora a Capela do Santíssimo.Tinha um altar e um retábulo com colunas dóricas com um sacrário, tudo muito bem dourado e asseado.Conserva-se ainda na igreja de Ansião um sacrário antigo, que serve para a adoração da quinta-feira santa. Presumo que seja esse mesmo que fazia parte daquele conjunto. Agora está nesse sítio o retábulo e altar que vemos na foto que junto e que não tem lugar para sacrário. A seguir a essa capela havia no século dezoito uma Capela das Almas com um altar e um painel com uma pintura alusiva já muito esbatida.
Do lado direito de quem entra – de frente do batistério – haveria outrora uma sala ou capela, pois dentro da torre vê-se um arco de cantaria tapado – mas não encontrei menção da mesma em lado nenhum.
»

Vista da Igreja com o púlpito escondido com as colunas na esquerda, mas mostra junto da porta do sol a pequena pia de água benta.
No lado direito destacam-se uma estela pétrea
Escrita e português arcaico, cuja tradução :
Tem esta Confraria duas missas de obrigação para sempre pela alma de Domingas Freire

Senhora ascendente da família "Freire da Paz", de origem judaica, viveram na Praça do Município e muitos conheceram seus descendentes, os irmãos Paz -, António, Adolfo, Artur, Ilídio e Jaime.
Segundo um comentário de um descendente Filipe Rosado
" João Freire filho de João Rodrigues cc Domingas Freire casaram em 1665 Ansiao"
Portanto não se deve a ela a construção da igreja como já houve historiadores a alvitrar.

CAPELA DO CAPELA DO SANTO CRISTO
Excerto do Livro Notícias e Memórias Paroquiais Setecentistas 1769 Relação do estado das Igrejas, confrarias e capelas de Ansião do Padre José Fernandes Serra « Depois desta segue-se a Capela em que está um Santo Cristo, feita de abóbada sem algum ornato, e tem mais as Imagens da Senhora do Ó e S. Roque feitas em pedra bem esculpidas, e a de Santo André feita em pau necessitam de ser incarnadas; esta Capela é particular; é seu administrador atual Gaspar Godinho da Silva e Sequeira Mendanhatodas as Imagens nela colocadas lhe pertencem excepto o Santo Cristo que dizem é da Igreja; tem uma toalha, dois frontais de ostentação já muito usados, umas cortinas em damasco encarnado em bom uso, e não tem mais ornamentos alguns; já ficou prevista que o administrador mandasse fazer um retábulo quando lhe o noticiei respondeu que quando os Padres Cruzios fizeram também a tribuna que na mesma se lhe mandava, que então faria ele o retábulo.»
Capela particular  com a imagem do Santo Cristo que pertenceu à Igreja de Ansião. Relata  que tem um lagar e fazendas para a sua manutenção e celebração de 14 Missas anuais. Se em 1769 o padre diz que o administrador desta capela é Gaspar Godinho da Silva e Sequeira Mendanha reporta para a família que viveu na Quinta de Serzedas, hoje Sarzeda, a sul da vila de Ansião com lagar que hoje ainda existe em ruína.  esta quinta de Serzedas nasceu em 1738 a nobre Mariana Josefa Pimentel de Almeida da Silva e Sequeira Ponce de Leão de Mendanha , filha de Gaspar Godinho de Nisa e Reis Capitão Mor de Ansião e de Josefa Silva e Sequeira Ponce Leão e MendanhaCasou com Suplício José Pimentel de Almeida nascido em Montemor-o-Velho. 
E ainda explicar a razão do Santo Cristo e da escultura de Nossa Senhora d'Ó que existe em reservas na matriz erem sido da primitiva igreja de Ansião e na mudança para a nova matriz fizeram parte desta capela particular, na ligação aos nobres de Montemor o Velho onde existe na igreja do castelo outra Imagem da Senhora dÓ, e na sua quinta tinham uma capela que em meados do séc. XX foi mudada de local com a Imagem de Nossa Senhora da Esperança, também em pedra. A denotar os seus donatários seriam influentes, por serem nobres e com cargo de poder na vila para as terem usado na decoração da sua capela particular.
O que falta? Serem alvo de estudo para as vir atribuir ao Mestre Pero, o mesmo que esculpiu a imagem de Montemor o Velho. A crónica sobre esta família em https://quintaisisa.blogspot.com/2018/09/quinta-de-sarzeda-em-pousaflores-no.html
CALVÁRIO
Escultura  em baixo-relevo em pedra, pintado em policromia dizem ser da Renascença Coimbrã , mas pode ser anterior do Mestre Pero, do barroco (?) .
A merecer estudo pela forte possibilidade de ser obra do Mestre Pêro assim como a Imagem de Nossa Senhora d´ Ó ?
Segundo um testemunho do Sr Padre Manuel Ventura Pinho « Lembro-me, como se fosse hoje, do Padre José Eduardo ter estado a olhar durante uns 10 minutos muito de perto esta escultura, dias antes de ser ordenado padre. E no fim disse-me mais ou menos isto: «Esta escultura não era daqui! Deve ter sido trazida para aqui da igreja velha. Veja como ao retirá-la donde estava, partiram a cabeça aos anjos!... Quem foi o desastrado que fez tal serviço e nem ao menos se lembrou de trazer as cabeças partidas e de as colocar onde sempre deviam ter estado?!...» 
Corroboro inteiramente o que o Padre José Eduardo um dia lhe confidenciou sobre não terem guardado as cabeças dos anjos, o que qualquer um de nós o teria feito...Há grande probabilidade de se tratar da igreja primitiva,  tenha sido seu espólio, o que faz sentido na reutilização dos materiais. Em repto se o Padre José Eduardo Coutinho um historiador e arqueólogo de nomeada sobretudo na interpretação dos documentos antigos, um grande especialidade que nem todos se podem gabar, acaso se juntasse a outros com outras visões sobre o passado de Ansião, o que sempre afirmei gostaria de ver acontecer, havia de haver muita descoberta apaixonante. Infelizmente o costado judaico que nos une a revelar lacunas diferentes em todos nós apesar de todos terem muitos talentos individualizados, ainda assim se deviam unir em prol de mais se saber do passado desta terra de Ansião e do seu património e gentes! 

Um olhar muito atento à posterior
Capela que serve de palco ao coro quando em exercício do canto se mostra iluminada por forte lâmpada. Em dia de Pascoa assisti à missa ao seu endireito a julgar que os meus netos me presenteavam com a sua presença para verem o avô paterno no coro. Debalde com ligeiro atraso ficaram mais abaixo. Consegui graças à luz distinguir a policromia da beleza da escultura e descortinei na base à direita esculpida uma pequena igreja com a torre do campanário do sino ladeada por duas árvores, sendo eu amante da faiança portuguesa logo me reportou para esta pintura tão vastamente pintada em Coimbra e em Gaia nas muitas fábricas desde o séc. XIX e claro muitos pintores foram acrescentado outros pormenores da sua criatividade.
Calvário


Mal a missa terminou a iluminação foi desligada tendo perguntado onde era o interruptor, de novo com luz apreciei outras maravilhas como o remate do Calvário na parte inferior duas belas esculturas de rostos na esquerda de um patrício romano e na direita de uma bela romana, na parte superior  é encimado por anjos nus a que já faltam as cabeças e ainda nas laterais o Calvário é esculpido por caras de anjos assentes em 
capitéis.
CAPELA DO DIVINO ESPÍRITO SANTO
Excerto do Livro Notícias e Memórias Paroquiais Setecentistas de 1769 Relação do estado das Igrejas, confrarias e capelas de Ansião do Padre José Fernandes Serra «Depois segue uma Capela do Divino Espírito, com seu retábulo bem dourado nele colocada uma Imagem da Santíssima Trindade feita em pedra, mais um Santo Cristo, Nossa Senhora ao pé da Cruz, o Evangelista, tudo feito numa pedra, e no mesmo Altar as Imagens de S. Sebastião e Santo António ( pode ser Aniano) todas feitas em vulto de pedra muito bem esculpidas, e tem alguma coisa a incarnação desbotada; tem pedra de ara, toalhas quatro, um frontal com parte de damasco branco, e outras de veludo encarnado, um de damasco roxo tudo com bom uso; tem mais dois pintados em pau, dois castiçais, e cruz de estanho à romana, cáliz, e patena de prata, um pontifical de seda, e veludo roxo muito bom, três alvas, amitos e cordões...»
Capela particular mandada construir por André Fernandes e sua esposa, que aí se encontram sepultados.  Apresenta-se a capela com arco de cantaria lavrado e tecto também de pedra, decorada com uma Imagem pétrea de Santo Aniano, do século XVII, em nicho ao lado da Cruz, e outra imagem de Santa Teresinha do Menino Jesus, mas no século XVIII tinha as imagens de Nossa Senhora do Ó e S. Roque, as duas em pedra e muito antigas, sobretudo a primeira. E tinha também uma de Santo André feita em madeira.
A pedra esculpida da cúpula e a Cruz
A escultura das ombreiras laterais das duas Capelas
Sacrário engalanado em dia de Pascoa
Azulejaria
Nas Informações ao Bispado de Coimbra e nas Memórias Paroquiais não encontrei referência ao revestimento da Capela Mor com azulejos hispano árabes em azul e branco, atribuídos ao séc. XVI, aquando da sua origem. O que se estranha. Pelo que seja pertinente afirmar ou foi lapso do padre , que era parto em descrições, mas também porque se perdeu uma carta de 1758, e assim os mesmos não serem originalmente desta Matriz, e o tenham sido da primitiva, que os tenham recolhido pela valia (?), porque Imagens é sabido que sim.
Nas grandes obras ocorridas na Matriz em 1942 se diz que foram removidos ficando décadas arrumados, o que é verdade para nos anos 70, ao tempo do pároco Filipe Antunes dos Santos supostamente os vendeu...
Azulejos de Lisboa
Descobri atrás da porta este azulejo partido a evidenciar um barro amarelado, caracteristico de Lisboa.Desconheço se a Igreja detem em arquivo factura do pagamento ou da encomenda à fabrica.
 Esmoliadouro para as Confrarias
Confrarias
Citar excerto do Livro Notícias e Memórias Paroquiais Setecentistas
"1769 Relação do estado das Igrejas, confrarias e capelas de Ansião do Padre José Fernandes Serra" Tem esta Igreja quatro Confrarias; Almas; Nossa Senhora da Conceição; Divino Espírito Santo e Sagrado Coração de Jesus... A do Santíssimo desde o seu principio sempre deu contas não no juízo da provedoria como as demais, sempre as deu na visita ao Reverendo Doutor visitador, e só do ano de 1766 para cá a obrigaram a da-la no juízo da provedoria, e para esta causa tem havido algumas discussões, e menos fervor nos Irmãos, e Confrades, as mais, e esta também não sei, se lhe oculta alguma coisa na sua administração...Nesta Igreja não há mais obrigação de Missas mais que as declaradas nas Confrarias... "
Confraria do Santíssimo Sacramento, a única ainda activa...
Nasceu em 1584 segundo um documento do arquivo distrital de Leiria.
Foi efectuado pedido ao Governo Civil de Leiria o seu Registo em 21.12.1872.
A propósito desta Confraria uma nota do Bispado de Coimbra

Citar excerto da Revista Portuguesa de História Vol 2 pág 237
"Em 1834, na véspera da entrada vitoriosa do exército liberal de D.Pedro, o bispo D. Fr. Joaquim de Nossa Senhora de Nazaré por ser partidário miguelista fugiu da cidade de Coimbra provocando uma divisão na Igreja diocesana entre as duas facções - foi o chamado "cisma de Coimbra" ... o bispo ausente mandou entregar a administração diocesana ao doutor o padre José Rodrigues Feio que fora escrivão da Misericórdia outra sede nevrálgica do poder, seu seguidor durante o exílio ..."
Obviamente para mim quase indecifrável, por isso o deveria ser traduzida!

Registo da Confraria do Santíssimo Sacramento da Vila de Ansião 
Pedido ao Governo Civil de Leiria em 21.12.1872
Assina em 1831 o Fr Joaquim da Nazaré , Bispo Conde
Bispo José Rodrigues Feio
Suposto dizer pelos apelidos que tenha raízes no Maxial (?) ou arrabaldes, onde o apelido foi no passado pertença e ainda hoje de gente abastada.
Assinado José Rodrigues Feio em 1831
 
 
No final do Livro da Confraria por as páginas não terem linhas a sua linhagem foi feita sem preceito algum para mencionar os dados dos confrades e a sua assinatura...
O horror das linhas feitas sem estética nem rigor...
 
Interessante o conhecimento de apelidos que se perderam no tempo em Ansião
Assinam pela Confraria
Em 1831
António de Freire Reis, do Casal das Peras
Em 1838 
José Verissimo Mendes Lima, de Ansião
Francisco António D'Edra
Em 1839
 Belchior José Joaquim Filho, do Bairro de Santo António
Francisco António d'Edra, de Ansião
Manuel Moreira, Casal de Viegas
Em 1842 
João dos Reis-Matos
António Joaquim Bastos Guimarães, solteiro do Bairro de Santo António
Em 1865 
Francisco Roiz da Paz, casado Constantina
Francisco Roiz Maneira, casado da Fonte Galega
Pedro Tenreiro, do Bairro de Santo António
Em 1866
Dom João de Mascarenhas Vellasquez Sarmento e d'Alarcão, solteiro de Além da Ponte
Em 1871
Albino Roiz Chisostovão, casado das Lagoas
Maria Serralheira , do  Escampado de Santa Marta
José Francisco , do Escampado Belchior


Os Compromissos da Confraria 
Foram passados a papel selado em português da altura a 25.05.1924.
O notário Pedro Augusto Figueiredo Veiga então morador na casa de paredes meias com o adro a sul, hoje do Porfírio.
Assinaram os Confrades
José Gomes da Silva
Casimiro Mateus
António dos Santos
Domingos Mendes Calado
Miguel Gomes das Neves
Guilherme Mendes da Silva 
Manuel Bernardino Pires Serra
António Gomes da Silva
Manuel Rodrigues das Neves
António Rodrigues Maneira
António Maneira da Silva
José Duarte
João Rodrigues
Vogal - António Rodrigues
Vogal - Alfredo Duarte da Paz
Vogal - Casimiro Mateus
Tesoureiro - António dos Santos
Padre - Manuel Maria Gaspar Furtado

Os Estatutos da Confraria foram transcritos a 25.01.1928 no tempo do Padre Manuel Maria Gaspar Furtado
Livro da Confraria do Santíssimo Sacramento
Relíquia que a meu ver deveria estar na posse do Arquivo Distrital de Leiria para digitalizar e não se perder.
Foi há anos que soube da sua existência que na altura o fotografei .
 
 
 
O público Notário Thomé da Cruz
Apelido " Cruz" do meu bisavô paterno Elias da Cruz de Ansião, sem saber se há ligação na ascendência...
A pia do baptistério
No lado esquerdo do templo, logo à entrada, o baptistério encerrado em Capela de arco alteado, com pia baptismal seiscentista de 6 lados cada uma esculpida com uma cara de anjo assente em coluna facetada.Coberta por uma bela toalha com bordado Richelieu.
A Casa Paroquial para os párocos
Citar noticia no Jornal Cinco Vilas em março de 1970 « obra notável que o espírito empreendedor  e dinamismo  tendo recebido do povo perto de 300 contos para a aquisição do lote e da sua construção com jantar no ginásio do Externato António Soares Barbosa, com cerca de 100 confraternizantes (...)»
Recordo a inauguração e o jantar onde fui, suposto os azulejos serviram para custear a decoração da Residência Paroquial (?)...
Ganho património com perda de espólio antigo e valioso!
Também em 1942 o corpo da Igreja foi revestido por azulejos em cor monocromática azul e branco, sendo para mim estes mais interessantes que os da Capela Mor, que me parecem mais recentes (?) . Sendo também de 42 o painel com a padroeira Nossa Senhora da Conceição encastrado no arco triunfal da Capela Mor. Pela cor do barro amarelado, visível atrás da porta da entrada num que se encontra partido, a sua produção pode ser atribuída a Lisboa (?).

A Praça do Município
Nesta foto calcetada a calhaus, a primitiva calçada de Ansião pela mão do mestre natural do Bairro de Santo António, cujo pai foi juiz António Freire da Paz, por andar com uma moeda de pataco no bolso foi alcunhado de "António Pataco" de seu nome António Freire da Paz.
Outra transformação da Praça do Município
Panorâmica em 2008
Presentemente foi de novo requalificada a Praça do Município
Vista da Travessa da Misericórdia
Natal de 2015
Missa vespertina, o Menino Jesus foi o meu neto Vicente ainda não tinha dois meses.
O presépio da paróquia de Ansião
A menina que fez o papel de Nossa Senhora de beleza e candura excelsa, bem merecia ser distinguida por pintor que no pincel a deixasse retratada em retábulo ou Imagem sacra ao jus do retábulo de Ansião e de Chão de Couce.
Doçura de menina

A manjedoura onde esteve deitado  o meu neto Vicente durante a homilia
 A família paterna e materna presentes, não fosse a chegada de uma criança uma riqueza!
A foto com os figurantes - Nossa Senhora, S.José e o Anjo anunciador
O coro na missa cantou e encantou, parabéns a todos.
Recital na igreja
Em noite de Reis pela Filarmónica de Santa Cecília de Ansião.
Interessante a Igreja abrir portas para a orquestra brilhar. Foto retirada da página facebook da igreja
Sacristia
Um Crucifixo centrado com Nossa Senhora de Fátima ,vários castiçais e outras duas belas Imagens
Imagens
Santa Filomena mutilada, falta-lhe uma mão e Nossa Senhora do Carmo com os escapulários numa das mãos e noutra o Menino, também a necessitar de restauro.
Nossa Senhora do Rosário com o escapulário
A fonte da sacristia em pedra
Porta do sol
Sita a nascente . No meu tempo de criança os homens saiam pela porta do sol, raros os que saiam pelo portal da frente, só os namorados ás escondidas dos pais é que trocavam cartas nessa altura, mas antes davam sinal da missiva elevando a mão à face e mexendo na orelha ou no cabelo...
 
Janela com gradeamento igual há que existem na Capela da Misericórdia e outra no que resta do mosteiro
O tardoz da Igreja Matriz de Ansião com vista para a Mata Municipal com as suas belas pinheiras e prédios
 A norte de paredes meias com a Igreja o Centro Paroquial, na casa que foi de Georgina Veiga
A sul a casa do relojoeiro Porfírio que foi de Pedro Veiga.
No tardoz da Igreja apenas um pequeno espaço e sanitários.
Reconheço que por viver há 40 anos fora de Ansião, não eduquei a minha filha nos preceitos da religião católica, a que professo, sem o ser praticante, embora jamais adormeça sem rezar as minhas orações e ser visita frequente dos seus templos, o seja por outros motivos vividos no passado que não apreciei, ao me lembrar do padre Ramos de Santiago da Guarda e padre Filipe Antunes de Ansião, mas também do Papa não alterar a via do casamento, pois ainda hoje se fala de filhos de padres...
Assim, não a eduquei na frequência da catequese e até no acto de rezar.
Porém ela própria fez a sua escolha, aprendeu as rezas e nos fins de semana que vai em deslocação a Ansião, apesar do tempo escasso e com dois filhos muito pequenos, 2 e 3 anos, tem ido à Missa com eles para irem ver o Jesus...Só posso e devo ficar grata!
Fez uma boa escolha!
Mas ela, a minha única filha querida, mulher de bom senso e virtudes, só pode ser filha de Deus!
O Vicente com 3 anos e a Laura com 2 já este ano na minha casa de Almada onde tenho uma foto da mãe deles com um ano de idade, junto a uma imagem da Rainha Santa Isabel, que me foi oferecida quando fiz 50 anos  e ainda um Menino Jesus deitado numa almofadinha,  à pergunta - sabem que é esta menina linda que só tem um ano, posso ajudar, vocês gostam muito dela  - Resposta prazenteira em uníssono - é o Jesus!

Conheci o Sr Arcipestre que dava ainda a missa em latim no altar mor .
As Memórias Paroquiais Setecentistas «A resposta do pároco da Freguesia de Nossa Senhora da Conceição de Ansião de 1758, perdeu-se...»Pode estar arquivada na Torre do Tombo junto a outra terra como Ança, não é a primeira vez que tal erro crasso se verifica. O mesmo aconteceu com o Foral de Ansião, recentemente encontrado, apesar de não conter todos os fólios.
Por certo aquando da passagem dos desertores do Buçaco em outubro de 1810 nesta Igreja Matriz fizerem estragos e a saquearam, mas não tenho conhecimento. Na Capela da Misericórdia fizeram fogueira, disso resiste a marca no lajeado, quem lá for tem de levantar a carpete vermelha. Sendo a possibilidade de roubo de instrumentos em prata peremptória.
Em 1911 deu-se a separação da Igreja e do Estado, em Ansião a documentação foi entregue ao Estado que a arquivou no Tribunal, em 1937 sofreu um incêndio e perdeu-se.
É muita infelicidade para Ansião tanta perca do património do seu passado!
Ainda assim a Igreja Matriz de Ansião guarda tesouros, além das Imagens renascentistas de São Gregório e São Sebastião, também existe uma Imagem de Nossa Senhora d'Ó que pode ser atribuída ao Mestre Pêro como o Calvário, escultor que fez o túmulo da Rainha Santa Isabel e Virgens, como a que se encontra na igreja do castelo de Montemor o Velho e a de Podentes no Museu Nacional Machado de Castro em Coimbra  descoberta pela semelhança a merecer estudo por técnicos, ontem já era tarde!
Não tenho imagem da Senhora d´Ó de Ansião, é muito parecida em altura e estar com esta de Montemor com os dedos abertos sobre o ventre e o rosto angélico o cinto de pedrarias e a fivela a prender o manto.
Nossa Senhora d´Ó da Igreja do castelo de Montemor o Velho 
 Virgem da Igreja de Podentes actualmente exposta no Museu Machado de Castro em Coimbra
Espaço Museológico de arte sacra em Ansião
Merece atenção nesta altura de mudança partidária a autarquia ter um olhar sobre o que faz falta em Ansião!
Um Museu!
Em que a Autarquia e a Igreja deviam dar as mãos para ser dedicado uma ala à religiosidade do seu povo, à sua arte sacra, desde sempre apanágio marcante desta região, assim como outras alas; Fotografia antiga das suas gentes, costumes e tradições. Em lugar seguro, porque ladrões andam sempre na mira do alheio, mas sobretudo para serem conhecidas e valorizadas!
Se para isso houver forte vontade, da paróquia acredito que sim, e do Sr. Bispo de Coimbra também, bem se poderiam candidatar no âmbito da Regeneração Urbana, estabelecendo para isso protocolo a Igreja com o Município de Ansião e o Instituto Politécnico de Tomar para recuperar Imagens a de Nossa Senhora d'Ó; Nossa Senhora do Rosário; S. Nicolau Tolentino; S. Roque e outras ...

FONTES
Livro de Mário Rui Simões Rodrigues e Saul António Gomes Notícias e Memórias Paroquiais Setecentistas
Jornal A Regeneração de Figueiró dos Vinhos de 15 de julho de 1958.
Mensagens do Padre Manuel Ventura Pinho

Livro do Padre José Eduardo Coutinho 

http://viajandonotempo.blogs.sapo.pt/8494.html
Wikipédia
https://student.dei.uc.pt/~bmelo/noronha.html
http://ansianensesilustres.blogs.sapo.pt/1791.html 
https://estudogeral.sib.uc.pt/bitstream/10316/14444
/1/A%20hierarquia%20da%20Igreja%20e%20o%20liberalismo.pdf
Revista Portuguesa de História Vol 2 pág 237
Livro da Confraria do Santíssimo Sacramento 
Uma foto goole 
Uma foto Memórias de Ansião de Américo Antunes

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