segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Feira de velharias em Almeirim

Há muito que não relatava as emoções sentidas em Feiras de Velharias acontece que ontem me estreei  em Almeirim, certame que acontece no calendário ao 3º domingo do mês no parque sito no tardoz da Praça de Touros da cidade.Não seja para mim o local eleito por se mostrar parovela desabrigada do frio e do vento, vestida de poucas árvores e franzinas.A manhãzinha acordou com o enregelar das extremidades para depois do sol abrir se mostrar calor quase insuportável...O melhor local seria no jardim na frente da Praça de Touros, em que cada feirante teria um espaço pequeno como o deve ser para eventos deste cariz, organizado, a chamar o turismo e não a esmo como uma feira da ladra desorganizada que desprestigia a cidade, apesar de na capital ser chamariz, mas isso tem haver com outros factores.Almeirim cidade essencialmente de cariz rural, implantada em planura de charneca aberta sem investimento em qualquer publicidade ao evento, tão pouco música ambiente no recinto, com WC em contentores, quando deveria ter sido aposta a implantação de módulos em cimento armado que se introduz uma moeda para depois de cada utilização o serem automaticamente desinfectados. Uma feira de velharias, artesanato, produtos da terra e da ladra no mesmo certame não se mostra tarefa fácil de administrar, por isso deve obedecer a um conceito pré estabelecido de normas e condutas com direitos e deveres onde impere a ordem fiscal com fiscalidade presente.Vinda de Lisboa na rotunda dei conta de uma nova variante para Coruche, só conhecia mais à frente depois dos semáforos, existe precariedade na sinalética para desvio de transito.Não distingui publicidade ao evento cultural das várias feiras integradas com o rótulo de Feira de Velharias em Almeirim!
Na Adega Cooperativa não enxerguei feirantes.Contornei o Circo no momento em Almeirim para estacionar no parque na frente da Praça de Touros, de imediato telefonei a uma amiga que estava a chegar. Gentilmente veio ao meu encontro com o marido, a Ilda e o Sr Flaviano, a quem agradeço tamanha gentileza informando-me que a senhora da feira " a organizadora (?) estaria a chegar. Efectivamente chegou com o marido, a ouvi falar da intenção de aplicar a mudança ditada no mês passado de se ocupar os lugares da  praça de chão pavimentada, o novo espaço para as feiras seguintes. Indubitavelmente muitos feirantes não lhe deram ouvidos e abancaram no terrado de sempre sem respeitar as ordens que tentava determinar, tendo quase todos acabado por ficar no espaço à sua escolha como quiseram, uma realidade de pouco respeito, e ainda interrompida por um dos feirantes "...não senhora..."olhe aqui o meu nome no poste deixado o mês passado e ali o nome do colega que ainda não chegou..."se afirmando que aqueles lugares estavam já ocupados desde o mês passado e ponto final, a deixando sem mais palavras...Nos espaços de passeios com pedra miúda do rio vi feirantes a colocar carpetes que pregaram no chão para em cima colocar a mercadoria ...  O organizador sem os conseguir mover decide abancar num lugar estrela, no topo da praça, o melhor de todos com um estaminé grande e ainda nos cantos pelo chão...Ouvi de um colega da terra falar muito bem do presidente da câmara, além de jovem, dinâmico.Admito que sim, cuja missão não lhe seja fácil em impor ordenamento e civismo aos feirantes e seus estaminés de bancas ou de chão-, o que os meus olhos viram foi uma  feira da ladra, sem rei nem roque, o que revela a feira a ser regulamentada tem de ter pelo menos duas pessoas fiscais para impor a ordem e fazer cumprir o normativo da mesma, com organograma , delimitação dos espaços e  seus corredores para o interior do recinto  para a passagem dos visitantes. O uso de chapéus, deve ter regras, não se deve esburacar o cimento da praça para espetar o ferro onde encaixa o chapéu de sol.  Na verdade desconheço a estratégia do departamento das  feiras e mercados tem determinado para o que efetivamente  se pode vender nesta feira em Almeirim .Estreante, nada impus, resignada, sem estratégia ardilosa, que a senti noutros...A organizadora não falou comigo, supostamente por saber que era amiga da D Ilda ,  falta em si desculpável, já o mesmo não se aplica durante a feira sem jamais ter tabelado conversa nem perguntou se tinha gostado ou se insatisfeita, que o devia, ditam as boas regras  auscultar o grau de satisfação do estreante, por isso a feira tem um organizador, já o marido com quem conversei, se mostrou agradável e simpático, não que ela também não o seja, o que falta num organizador? Polimento, cultura e perfil de cariz autoritário em agilizar o diálogo com as pessoas, mas sobretudo impor a ordem e o respeito do espírito associativo que rege o normativo de uma feira de bom ambiente entre todos, em  reparo senti " uma maioria se desenrasca sem dar cavaco a ninguém, e se safam enquanto outros ficam à porta..."
Sendo claro que o contacto humano é imprescindível para passar a mensagem da terra, da feira, e do bom relacionamento com a organização e colegas. A pessoa que mais saiu da banca e percorreu as outras e conversou fui eu, na maioria ninguém o fez, estão na feira na missão de venda e falar pouco, quando deveria ser também ambiente de diálogo e de festa. As feiras de velharias chegaram a este ponto de desorganização com os feirantes emergentes resulto da situação que se vive há anos pelo desemprego e carências financeiras, na maioria trazem produtos a custo zero que os vendem por qualquer preço, estragando o carisma das Velharias, pior, estragam o negócio do colega ao lado que não factura o mesmo artigo ao preço justo. Impuseram nestas feiras a lei do desenrasca, só pensam em facturar, do negócio pouco ou nada sabem, e o que sabem acham que aprendem na internet, alguns ainda me agradecem, menos mal...Ninguém tem o direito em desvirtuar a essência do que é uma feira deste carisma, para vingar e mal  numa feira da ladra em que genericamente tudo é regateado e muito barato...O cliente se apercebe e por isso não paga a mercadoria de qualidade, porque se habituou a "mama"...Por iniciativa da Ilda tanto eu como outra amiga dela a D.Benvinda montamos seguidas à sua banca, ao meio da praça, no meu julgar em alinhamento por ser ainda muito cedo e outros colegas a chegar viriam no mesmo modo ocupar o espaço remanescente junto a nós, debalde o que apreciei foi cada um escolheu o melhor sitio ao limite nascente da praça Praça de Touros, outros houve  com artigos de artesanato, produtos da terra, ferramentaria e uma banca de jogos, brinquedos e livros deliberadamente abancaram na extremidade da praça a norte seguidos sem intercalar espaço para corredores de passagem, tão pouco preocupação com os demais colegas, afinal os sortudos da clientela das excursões que pararam para comprar, sendo poucos ou nenhuns os que decidiram entrar dentro da praça onde estava localizada. Em lamento a semelhança com outras terras que Almeirim não é exceção se mostrou de pouca ou nenhuma moldura humana do seu povo o seja imputado à falta de conhecimento do certame, da sua deficiente divulgação que não chega ao público alvo para apreciar cultura do que foram objectos do passado, tão pouco caminhar ou passear, sair de casa para conhecer as novidades da feira. Os poucos que apareceram, em geral pouco ou nenhum conhecimento de velharias...Não que isso me incomode, o que me incomoda é a incultura em não acatar a explicação em prol de desprestigiar o real valor dos objetos para poupar 5 € e de seguida os gastar na pastelaria...
Almeirim, cidade privilegiada na rota da gastronomia com a sopa da pedra, do vinho, com as adegas de nomeada além de outros produtos a que se acrescenta a oferta da panóplia cultural tem de se mostrar mais aberta a novas iniciativas. As excursões começam a chegar por volta das 11 horas, merece atenção redobrada para os acolher e deles captar mais riqueza com parceria dos restaurantes e do seu organizador para antes do almoço as pessoas terem tempo de percorrer a feira sem pressa, estando os lugares previamente marcados no restaurante, ao invés da escolha arbitrária das pessoas, porque dá azo a filas nos mais afamados, mas cuja fama pode não ser assim tão verdade (?) quando podiam desfrutar da feira a deixando para depois do almoço já em cima da hora de regresso com tempo mínimo para ida ao certame...A realidade é que esta feira é de exceção atendendo ao potencial da sua actual clientela pelo que devia privilegiar norma do que é permitido para venda em sectores diferenciados:Uma coisa são antiguidades e velharias com  ferro velho e afins, e outra coisa são velharias e artesanato.Pior, é a mistura do velho com o novo seja loiça, vidros, livros, mobiliário, usados como roupa, malas, sapatos com produtos comestíveis da época; mel , azeitona para retalhar, abóboras, fruta, batatas, flores etc.E na linha da frente não deviam estar artigos que não são rotulados como velharias, o nome da feira.Aguarda-se a regulamentação do certame com todos os feirantes no espaço central e não a esmo como hoje os distingui, e disso francamente não apreciei. Os feirantes tem de entender que tem obrigações e direitos e claro se respeitarem todos como o deve ser. E ainda o metro quadrado devia ser taxado pela valia estratégica porque a feira vive essencialmente das excursões, cujas pessoas ao saírem  dos autocarros maioritariamente só apreciam as bancas perfiladas nas extremidades da praça, sendo raras as que entram no recinto, onde estive, ainda sem regras nem  marcações dos lugares, tão pouco corredores para a passagem dos visitantes, pelo que os lugares da frente deviam merecer atenção redobrada, com marcação do espaço em metros quadrados taxada de franquia mais elevada por serem os melhores, por no resulto serem os que de facto facturam mais.Implica o feirante  previamente fazer contas aos metros que precisa em detrimento de montar um estandarte enorme sem estética,  mais parece uma mostra de armazém, revela atitude de puro egoísmo, desculpem a franqueza. Em alternativa à aplicação da taxa superior seja  a aplicação em reduzir as bancas nos melhores locais para poder contemplar mais feirantes e no interior da praça o ferro velho, mobiliário, livros e eventualmente se houver feira da ladra, as hipóteses. Ficando as velharias no rebordo da praça, porque na realidade é que dão o nome à feira.A única banca que se mostrava condigna de um certame de velharias era a da Ilda, pelo toldo branco com as mesas alinhadas esteticamente e o mesmo da mercadoria, um bom exemplo como um vendedor se deve apresentar. O Joaquim morador na terra, não mo confidenciou, julgo o sinta, ao jus do ditado popular" Santos de casa não fazem milagres", por isso não faz esta feira tal como outros que sobejamente conheço. Disse-me "leva umas coisinhas boas e vai comer a sopa de pedra ao..." Bem mandada levei artigos bons e não os vendi...Lacuna imensurável a falta cultural sobre o que são antiguidades e velharias em pessoas bem vestidas de arcadas em oiro e homens igualmente bem trajados, mas de bolso curto que não distinguem o que é uma feira da ladra de uma banca com artigos de qualidade, com sorte de encontrarem  boas peças de facto abaixo do preço por o vendedor desconhecer o artigo, o que rotula a feira de  uma mão cheia de  "coitadinhos, desempregados" o que mais querem é faturar com vendas ao desbarato a 1 € e pouco mais...Francamente entristeceu-me. Os feirantes merecem respeito e nem todos sinónimo de pobreza e dividas. Pessoalmente, sinto as feiras uma libertação depois de uma semana a escrever, o que mais gosto, para vender o que já amei  no anseio de outra pessoa a namorar e comprar para passar a contemplar  na história de vida que cada peça ao passar de mãos conta, para outros também as poderem admirar. Gosto de feiras também para conversar e partilhar informação, o contacto anónimo tem sido muito estimulante, amante do fabrico de antanho em Portugal da faiança , vidros, pedras esculpidas, ferro forjado , azulejaria, linhos e rendas. A titulo de exemplo - tinha na minha banca um prato com estampa cavalinho que foi virado seguramente mais de 20 vezes com os mais variadíssimos reparos..."fui virar porque está amarelo para ver se é mesmo antigo"...Na verdade todos o viraram a pensar que seria Sacavém, debalde é um exemplar mais raro da Fábrica de Alcântara, nem sabiam que existiu, igualmente havia outro desta fábrica com motivo Eden, raro, quando lhes disse o preço arrepiaram...Outro com  uma reprodução "ratinho" da OAL, fabrico da década de 30 com uma figura feminina, para todos a valia de míseros euros, apesar de encantados com os candeeiros a petróleo; azul e outro verde  bem mais caros os desvirtuaram no preço pelas imitações dos chineses, desconhecem o preço de uma chaminé, tão pouco a peça de latão de encaixe, é mesmo ignorância total, uma coisa são candeeiros brancos, outra coisa são exemplares antigos da Marinha Grande de fundo aberto, em cores,  impecáveis e graciosos pela raridade, por isso não se podem vender baratos!
Mas o pior é não estarem habituados a preços marcados, em que o vendedor faz o preço na hora conforme o cliente, e foi isso que senti, aos meus preços tiravam sempre o algarismo à direita, se era 25€, diziam 2,5€...Chocou-me imensamente uma senhora ter pedido o preço de uma malga da Real Fábrica de Sacavém, rara, com pintura a preto por fora e no rebordo por dentro, cuja altura não se mostra igual às habituais, e sim pela elegante elevação para a aba com duas ondas sendo ao meio estrangulamento, e a aba recortada, achou caro o preço pedido e da  atenção para 20€ , ao deixar a banca parou noutra para comprar uma terrina de Sacavém redonda baixa, com uma asa partida e sem tampa, com pintura floral singela por 10€. Que ilação se pode retirar? A malga impecável e antiga quando a quisesse vender vale sempre o que pagou ou até mais, já a terrina dão-lhe pouco mais de um euro...Contudo são opções!
Não é só a carteira!
Muita gente compra "lixo" e com ele entope as casas...Desculpem a minha frontalidade.O respeito é devido e as pessoas são livres de comprar o que quiserem, mas francamente com televisão em casa depois do 25 de abril, sendo ingénua acreditava que uma maioria  angariou cultura , debalde o aprendizado é quase nulo, ainda esta semana a noticia da venda de um quadro de Leonardo da Vinci  de 1500 para o Rei Luís XII de França  passou por Inglaterra, tendo sido de outros dois Reis de onde depois desapareceu por algum serviçal que o vendeu por 50 dólares ou libras para de novo ser vendido a um colecionador por 100 milhões e agora por mais de 450 milhões...Lamentavelmente neste País há muita gente que apenas só conhece cêntimos e uma mão cheia de euros!
Nesta liberdade que todos temos cada um compra o que quiser da mesma forma que sou livre de falar do que sinto em relação a muita compra, mesmo que não agrade a todos, temos pena!
O contacto que o Joaquim me deu do restaurante o facultei a três amigas depois de enfeirarem na minha banca ao me questionarem se lhes sabia dar indicação onde almoçar bem e barato, para depois de refasteladas de volta à banca no agradecimento e adeus. O meu marido comprou uma garrafa de vinho rosé fresquinho para eu acompanhar a minha sopa de pedra tendo trazido as sobras de 3 fatias diferentes de pão; pão saloio, broa , (quem faz as broas nas grandes superfícies devia ser  avisado para não porem açúcar na massa) e uma fatia de pão com passas.A sopa estava saborosa. Mas apenas e somente isso, tinha batata a mais, enchidos baratos, sobretudo o chouriço corrente e carne gorda de porco com "cabelos" , inadmissível a falta de fiscalização e de higiene, a carne de porco tem de ser bem chamuscada e não trazer a barba por fazer...Tive de respirar fundo e fingir que não via os cabelos no toucinho para comer a sopa!
A  famosa sopa da pedra para mim é uma herança do povo das Beiras alcunhado "ratinhos" que aqui aportaram em tempo de antanho para as vindimas e apanha da azeitona, como os meus antepassados, as mulheres traziam uma pequena arca dividida em dois compartimentos, uma maior e outra mais pequena, além da parca roupa, traziam a bacia para dela comer a sopa de carnes, o garfo e faca de ferro, os feijões secos,  batatas, toucinho, farinheira e morcela se ainda as houvesse nos paus do fumeiro de casa, ou guardadas por boa mãe para as filhas as levarem para a safra .
Comer desse tempo com vários nomes-, "sopa da panela, sopa de carnes e comer à moda da terra" nada mais do que o feijão da velha cozido ao lume com a carne de porco e os enchidos, por fim junta-se couve galega fanicada da horta da herdade onde estavam alojados, e se houvesse abóbora a punham aos quadrados para poupar a batata até ao fim da safra, alguns ainda punham massa meada.Muitos comiam a carne depois de tragada a sopa.O hábito de a juntar na sopa é mais moderno como o nome - sopa da pedra.O termo pedra refere-se a ser uma sopa substancial, forte, que tira a barriga de misérias...Não levava refogado nem coentros.Esta sopa era e ainda é a tranca da barriga !
A sopa de pedra de Almeirim é hoje uma variante dessa primitiva sopa herança do povo "ratinho" bem mais rica do que esta de hoje, porque antigamente e assim ainda a faço, tinha duas variantes, de verão não é feita com feijão seco e sim com feijão de debulhar, porque na verdade esta sopa se comia o ano todo com as novidades da época, a que pelo natal se juntava a couve lombarda, além da couve galega e outras valias como a cenoura e o nabo cortado como a batata e a abóbora. O seu a seu dono, e nada de desvirtuar.
Ganhar dinheiro sim, mas respeitar a herança do passado em que cozinheira que se preza além de limpa é dedicada a fazer bem feito!
Só tem de mudar de talho ou antes de cortar a carne a chamuscar devidamente!

Foto de "Zé Braz do Bau das Relíquias"
Gentilmente a MARÍLIA MARQUES, mui grande amiga do coração me enviou retirada de um site de vendas de ambos.
Euzinha de costas com traje de feirante e claro a boina!
Quando lhe perguntei quem foi o autor da foto, disse-me é o Zé Braz do Baú das Relíquias, é muito reservado...Tinha peças lindas na banca, conversámos, tendo-me logo traçado o ritmo desta feira.
Apenas ele e a minha banca as únicas da feira com mais quantidade de artigos de antiguidade.
Adoro fotografia e não registei nem uma... Foi de me ter levantado muito cedo.
Graças à Marília que tem um excelente telemóvel, pena não fazer fotoshop ...
O melhor da feira a visita de dois amigos, de manhã o Joaquim e de tarde a Marília.

Gostei das senhoras que na minha banca me deram atenção e compraram artigos em que se gerou empatia extraordinária com todas elas,  ainda há gente maravilhosa que sabe ouvir e gosta de aprender. Pois partilhei bastante sobre faiança.Um senhor de Almeirim de manhã comprou pratos Sacavém por uns míseros euros, parou na minha banca e achava que os meus pratos deviam ser de igual preço aos que tinha adquirido sem entender que os artigos eram bem diferenciados.Expliquei as substancias diferenças. Gostou da aula  foi-se embora para voltar com a esposa para lhe mostrar a banca sendo já ele a explicar o que tinha de manhã recebido de mim. Ora aqui está um bom exemplo de uma pessoa nesta matéria de antiguidades e velharias que  nada sabia, apenas dizia conhecer Sacavém pela tradição familiar do que havia no seu tempo de criança em casa e mais nada, mas gostou de aprender, não só desta fábrica, como de Alcântara, Massarelos, OAL e faiança de Coimbra e Gaia, o que mais abordei.Só por isso valeu a pena!
A esposa uma senhora amorosa partilhou ainda que para o mês que vem vai levar uma peça que era do avó que trabalhou na Vista Alegre para eu ver e ainda a história do avô quando se casou mudou para ferroviário tendo morado numa carruagem da CP. Devia ter sido lindo, em ambiente muito hipie!
Um colega de idade com miscelânea de brinquedos, livros, jogos e,...ao final da tarde ofereceu-me o jornal depois do ter lido com a retórica "vendi umas coisitas, segundo disse o organizador por ter ocupado este lugar hoje fico com ele para as próximas feiras"...Podia ter sido pior o resulto financeiro desta feira de Almeirim longe da "pombinha" a saltar na carteira, ainda assim uma "codorniz, periquito e uns piscos", despedi-me dos colegas que estavam na minha beira com os pés inchados e doridos que me apetecia arrancá-los e pô-los à cabeça, já de manhã com o calor por não aguentar as botas tive de comprar uns sapatos na feira por 1€...Um bem haja a todos os que estabeleceram contacto comigo, em especial à Ilda, Flaviano, Benvinda e Rui.E claro à minha mui amiga Marília que me prestigiou por duas vezes e ainda fizemos um negócio na troca de um prato de faiança de Gaia, com que ela se encantou pelo vidrado branco, craquelê exuberante do motivo floral a trespassar no tardoz, a minha escolha a tinha visto na sua banca, um prato que Sacavém produziu com motivos de Portugal e Ultramar para a Exposição Mundial de 1940. Forte foi o sentido abraço. Tão amorosa trouxe o Santiago, lindo e muito bem educado a quem comprei um carro dos bombeiros por 1€, debalde já lhe faltava um rodado que a mãe apressada lhe diz- "tenho lá em casa outros velhos  tiro de um deles para arranjar este"... Atitude coerente que se deve assim proceder com as crianças e não dar brinquedos caros, de pequeninos tem de perceber o significado do dinheiro e sobretudo a razão de não se poder comprar tudo, reutilizar e poupar. Presenteou-me com um garrafão de água pé. Amei. Ofertei-lhe um pratinho de Aveiro em cantão popular, porque também ela uma mulher com gosto acha a pequenez uma gracinha.Deixei Almeirim ao deitar do pôr do sol  radiante envolto em bola de fogo vestido de cores fortes a raiar vermelhos incandescentes a beijar a planície de mansinho em sussurro baixinho, até amanhã...Momentos em segundos que encadeei e me senti a sonhar!

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