sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Médico de Vila Pouca de Aguiar aportado a Ansião Dr Domingos Botelho de Queiroz

Nos finais do século XIX a meados do primeiro quartel do Séc. XX Ansião viveu um período áureo de ricas individualidades umas nascidas e outras aqui aportadas merecedoras de reconhecida menção pública pela panóplia de funções sociais que tiveram no desenvolvimento do concelho a nível da politica, medicina, farmácia, empresarial e outras em destaque no " Livro Ansianenses Ilustres do Dr. Manuel Dias".
Não o li, mas visualizei o Blog do mesmo autor onde distingui dois apontamentos sobre o Dr. Domingos Botelho de Queiroz o eleito desta crónica no compromisso de fechar um círculo trazido da infância em apurar a razão do seu nome constar na placa toponímica na Rua onde todos os dias passava a caminho da escola ou da casa e padaria dos meus avós paternos, tão pouco houve alguém que me ajudasse, apenas me diziam que tinha sido médico e nada mais, debalde não conhecia ninguém na vila com os seus apelidos, embora houvesse o "Botelho" em geração adiante da minha, com quem já não convivi, venha a ditar morosidade de mais saber desta personagem que afinal também é minha morada da casa que mantenho com orgulho em Ansião. Num hiato de 50 anos, de teimosia bastante e com alguma ajuda documental aconteceu facilmente fazer a correlação de factos para entender como seria Ansião no tempo que aqui viveu e ainda levantar o véu em deslindar a razão da construção do novo hospital fora da vila, em detrimento do local do velho hospital sediado junto da Casa da Misericórdia e da sua Igreja se mostrar de grande extensão. Em abono da verdade aqui afloro em primeira mão a minha teoria, que até hoje não houve ninguém nesta temática que a tenha abordado, e a partir de agora mais valia lhe acrescenta no passado de Ansião, abrindo espaço a novas descobertas. Em repto final também comandou esta paixão de mais querer saber sobre esta individualidade que se destacou no passado em Ansião, na nata razão de aqui ter vindo aportar e constituído família, e no mesmo de outras, sendo Coisa importante, em que me permito questionar apesar de não ter qualquer parentesco nem costado com ninguém que foi no passado considerado ilustre, mas que em nada invalida os meus queridos ascendentes não tenham tido também um passado meritório por honrar o trabalho, os seus e os outros, que me dignifica, mas o ser outra Coisa, ao jus do pensamento da neta do Dr. Domingos Botelho de Queiroz, a Sra D. Maria Amélia Botelho Rego, que conheci e de quem se gostava fosse pelo seu altivo porte e estar de senhora de estirpe e sabedoria - Uma Coisa é uma Coisa e outra Coisa é outra Coisa!

Excerto de https://geneall.net/pt/forum/2096/teixeira-de-castro-de-chao-de-couce/ "Em relação ao Dr. Botelho de Queirós, a primeira obra referida dedica-lhe cerca de dez páginas com a fotografia e biografia, onde se confirma aquilo que disse em relação a Vila Real e à Filoxera. Só não confirma a ligação ao Eça de Queiroz, mas também não estamos a falar de uma obra genealógica. Diz ainda que viuvou bastante cedo, tendo voltado a casar em segundas núpcias com a D. Matilde da Veiga Botelho. Creio que o "N" (desconhecido) do Geneall se aplicaria melhor ao primeiro casamento, pelo menos até ser conhecido o nome do cônjuge, pois não há dúvida nenhuma que esta Matilde que o livro fala, é a sogra do Dr. Adriano."

O relato menciona  a sua biografia, debalde não encontrei na internet a data do seu nascimento. O que encontrei foram duas datas sobre o falecimento uma com referência a 1918 e outra em 25 março 1920...

Origens do Dr.Domingos Botelho de Queiroz
Citar excerto de  https://geneall.net/pt/forum/110561/vila-real-de-tras-os-montes/
Na ressalva, a dificuldade de analise do site, pela forma como se desenrola, o que pode originar lapsos, a que sou alheia.
"Fidalgos e Morgados de Vila Real e seu Termo do Dr Júlio A.Teixeira, Vol.I e pág.377, o título Ferreira Botelho da Casa do Condado em Vila Pouca de Aguiar.
1-D.Ana Luísa Ferreira Botelho,nascida em 13 de Fevereiro de 1770, filha de Bento José Ferreira, de Constantim (Vila Real) e de sua mulher D.Luísa Fernandes, casou com Miguel José Botelho Gomes, Senhor da Casa do Condado em Vila Pouca de Aguiar e tiveram:

2-Dr.Henrique Manuel Ferreira Botelho, Bacharel em Direito, que casou em S.Pedro em 7 de Dezembro de 1845, com D.Maria Leopoldina Botelho Feio de Figueiredo Correia, filha de Francisco Botelho Correia Machado, F.C.R.,Senhor da Casa de S.Pedro em Vila Real e de sua mulher D.Ana Amália Cândida Feio de Figueiredo,não lhe dá descendência.Deve ser lapso, porque de facto foram os seus pais."
2-D.Maria Joaquina Ferreira Botelho, que casou em Soutelo (Vila Pouca de Aguiar),com Bernardino da Conceição Martins Ferreira, filho de António José Martins e sua mulher D.Teresa Bernarda Ferreira com dois filhos.
3-Dr.Henrique Manuel Ferreira Botelho, Médico, Arqueólogo, Professor do Liceu, Director da Escola Normal de Vila Real,Cirurgião do Hospital da Divina Providência e Presidente da Junta Geral do Distrito de Vila Real,que faleceu solteiro,deixando descendência.

3-Dr. Martiniano Ferreira Botelho, Médico e Senhor da Casa do Condado, casou duas vezes com descendência de ambos casamentos.

2-José Ferreira Botelho, que casou duas vezes. A primeira com D.Luísa Alexandrina da Mesquita,de Valnogueiras; a segunda em Mateus em 13 de Fevereiro de 1837,com D.Leonor Ana de S Payo Pereira Cabral, não lhe dá descendência de qualquer dos casamentos.

2-Padre Francisco Manuel Ferreira Botelho.Abade de Constantim, que deixou descendência em duas mulheres da freguesia."

Partilha do amigo das Cinco Vilas Henrique Dias
Agradeço a partilha se algum dado esteja incorrecto e ainda as datas do seu N/F

Excerto de https://digitalis-dsp.uc.pt/html/10316.2/22956/Preview.pdf "No ano de 1870/71 matrículas em Medicina na Universidade de Coimbra
1º ano
Domingos Botelho de Queiroz, filho de Henrique Manuel Ferreira Botelho,
Natural de Villa Pouca de Aguiar, districto de Villa Real, morador na rua de S. João,n.°12."
3º ano
"Augusto José da Silva, filho de António José da Silva, natural de Ancião, districto de Leiria morador no Bairro de Sant'Anna."
"Augusto Lopes da Costa Rego, filho de Francisco Lopes do Rego, natural do Chão do Couce, districto de Leiria, morador na Rua da Ilha, n.°2."

O Domingos Botelho de Queiroz chega a Coimbra para estudar Medicina num tempo de poucos alunos, por certo encontrou os colegas do 3º ano -, um natural de Ansião e outro de Chão de Couce.
O que levanta duas pertinentes questões:

 Augusto José da Silva 
Filho de António José da Silva, natural de Ancião, quem foi esta individualidade?
Se a sua matricula reporta ao ano de 1870, seria filho de pessoa rica, jamais ouvi falar de um médico natural de Ansião com este nome.

Segundo o Henrique Dias amigo das Cinco Vilas
"Augusto José da Silva, foi um ilustre Ansianense. Médico por formação académica mas que no entanto se notabilizou ao mais alto nível como funcionário superior da Alfândega de Lisboa.
Ele era filho de
António José da Silva e de Margarida Rosa de Maced
o, e irmão do Conselheiro António José da Silva (Sacerdote, professor e político).
Deixo aqui a ascendência deste último (naturalmente, igual à de seu irmão)."

O eclesiástico Conselheiro António José da Silva, nascido em 17.01.1837, depois de 1875 criou a comarca de Ansião e devia ter sido Administrador do Concelho até 1896 quando é substituído pelo Visconde de Santiago da Guarda. A foto no esquema acima é  um óleo do seu retrato no Arquivo Municipal de Ansião, se apresenta homem encorpado de olhos azuis e cabelo preto encrespado.

Augusto Lopes da Costa Rego
Filho de Francisco Lopes do Rego, natural do Chão de Couce, da Quinta de Cima seria ainda parente afastado na ligação ancestral dos Duques de Vila Real  ao tempo também seus donatários.
Para enfim explicar as fortes influências que tenha recebido por parte do primeiro colega cujo tio desempenhou um alto cargo como Conselheiro na Regeneração de onde granjeou dividendos para criar substanciais alterações como a criação da Comarca em Ansião, a pedido de um gripo de patrícios além de apostar no desenvolvimento do concelho e do alargamento da sua rede viária. Enquanto o segundo colega tenha sido o motivo do costado familiar, para depois de formado vir aportar a Ansião, e ainda a migração de norte entre o Minho e Trás os Montes para esta região, sendo verdade que desde sempre aqui aportaram pessoas vindas de norte para se fixarem pela via do casamento ou a trabalho. Por isso não tenha sido apenas a filoxera o motivo maior para o Dr Domingos Botelho de Queiroz em deixar a sua amada terra, tenha também contribuído o facto de ter enviuvado, sem mais nada se saber como faleceu a esposa, e sem filhos apenas com a sua arte, a medicina, porque o seu  pai  bacharel em direito também não teria tempo para  tratar dos vinhedos da Quinta do condado de S.Pedro em Vila Pouca de Aguiar de Vila Real, cuja praga teria dizimado a sua maioria e refazer as plantações só mesmo para agricultores de gema como a D Antónia, a Ferreirinha, alegadamente também de ascendência judaica. A agricultura e dela tirar riqueza pelos cristãos novos radicados no norte de Portugal, não sendo por acaso a primeira região demarcada no Mundo pelo Marquês de Pombal. 

Excertos de  http://viajandonotempo.blogs.sapo.pt/20338.html " (...) Tendo o cidadão Doutor Domingos Botelho de Queiróz pedido a palavra e concedida disse, que saudava o partido Republicano Portuguez pelo brilho com que tornou verdadeiramente livre a nossa Pátria fazendo votos por que todos agora cooperem para seu progresso, como elle fará com as poucas forças de que dispõe (...) três novas adesões ao Partido Republicano, de Abílio da Costa Duarte, e dos médicos Domingos Botelho de Queirós e Alberto Simões da Costa Rego. "

"Tenha tomado a iniciativa do empreendedorismo (Hospital) no papel de Presidente, coadjuvado por outro médico Alberto Mendes Lima, seu cunhado, o  Secretário da comissão, e António Narciso da Costa Leitão como Tesoureiro entre outros demais concidadãos conceituados da vila. "

Foto do Dr. Domingos Botelho de Queiroz
Retirada https://www.geni.com/people/Domingos-Botelho-de-Queiroz

Cortesia de Renato Paz
Foto de 1902 em dia da festa da Padroeira Nossa Senhora da Conceição de Ansião do espólio do seu bisavô dono da primeira Casa de fotografia de Ansião-, Casa Santos de Manuel Freire dos Santos  descendente de  Florêncio Freire dos Santos, Governador do Concelho de Ansião  e o seu bisavô ilustre Juiz de Paz, em tempo da Monarquia. Com descendência de judeus vindos de Espanha, cristãos novos vieram a adoptar nas gerações seguintes o ramo "Freire da Paz".

Até hoje sem se deslindar  na foto a quem atribuir identificação à personagem distinta pelo porte e vestir abastado junto do irmão do seu bisavô com o estandarte na mão.Pesquisas sobre o passado aventam hipotéticos personagens para agora se fazer claro (?), embora tirar semelhanças não seja a minha melhor arte...Eventualmente possa ser o Dr. Domingos Botelho de Queiroz no papel de mordomo da festa ou como irmão da Irmandade, além de prestigiado médico, um fervoroso motivador e angariador de donativos para a construção do novo Hospital da Misericórdia que estava a acontecer, na vila de Ansião?! 

Toponímia em Ansião
Médico distinguido pelas iniciativas tomadas na construção do novo Hospital da Misericórdia de Ansião tenha sido o reconhecimento em ver catalogada na toponímia uma Rua com o seu nome nasce ao entroncamento com a  CGD,  para terminar ao inicio sul do Largo do Ribeiro da Vide.

Rua Dr. Domingos Botelho de Queiroz
Na manhã de natal de 2017 com elementos da GNR a cavalo em patrulha.
A foto dá ainda a indicação aonde segue o quelho do Canto a poente de pé direito entre as duas casas, a baixa da D.Piedade Lopes e a alta do seu filho Nécas.
A Rua quando foi traçada era em alcatrão até à fonte do Ribeiro da Vide, com continuação para as Cavadas em maquedame.Ainda foram abertas outras Ruas todas em terra ao Largo do Ribeiro da Vide; uma de acesso ao Hospital com entrada ao cimo da colina, recordo o portão ao estilo do portal da igreja, de pilares em pedra embora mais magros, outro caminho para os Escampados, hoje Rua Cidade de Santos, e o caminho para o Canto, hoje a Rua Polibio Gomes dos Santos.
Em baixo a primitiva placa toponímica, nítida  a falta  de estética, sem cuidado na passagem dos cabos ...
A segunda placa mais recente foi aposta quando foi intervencionado ao Ribeiro da Vide o prédio de gaveto que foi do Sr. Zé André tendo sido retirado a placa antiga igual à primeira apresentada para terem feito duas novas estando a outra afixada na casa da D.Piedade Lopes.
O Dr. Domingos Botelho de Queiroz viveu desde o último quartel do século XIX  até  falecer em 1920  em Ansião tendo vivido uma época de grandes alterações políticas e de empreendedorismo nesta vila que até então para sul terminava com a quinta de Maria Francisca (hoje conhecida pela quinta do Dr Faria) . Por força da abertura de novas acessibilidades acedeu à sua expropriação a nascente para abertura da rua a que lhe foi dada o seu nome, ficando uma parte remanescente do terreno delimitada pelo quelho do Canto (o canto da quinta) em cujo gaveto a poente fica a minha casa , antes, contornava o caminho de pé direito a casa da "Ti Albertina pau preto"  passando-lhe pela frente, seguindo para poente a norte da casa da D.Piedade Lopes na direção do ribeiro (Vide)  para se lavar a roupa. O rasgo da nova variante para as Cavadas estrangulou o quelho, tendo no tempo  sido aberta uma nova serventia franca pelo Sr. Diamantino Lopes, para acesso à parte da herança dos sogros. Comprova-se no terreno o corte a que as propriedades foram sujeitas, a casa do Sr Casimiro Martins conhecido por " Casimiro do Canto"  viria a ser comprada pelos meus tios António e Maria da Luz Paz, a minha casa  encontra-se sita a nascente e a casa dos meus avós a poente, e as restantes da família "Lopes" e de familiares, foram na mesma divididas pela abertura da nova Rua. A primeira casa aqui construída depois do quelho do Canto na primeira década do século XX foi a do Sr. Lopes, tendo a filha a Sra D.Piedade a bonita idade de mais de 90 anos.
A poente do Canto nasceu o meu bisavô paterno Francisco Rodrigues Valente.
Após o abandono da herdade do Vale do Mosteiro depois de 1577 tenha sido em parte surripiada  ou vendida ficando mais tarde uma parte em posse da Misericórdia - terreno no Vale Mosteiro de Cima ao de Baixo até à vila onde estava a Casa, Albergaria e Hospital  da Misericórdia no enfiamento onde fizeram depois a sua Capela, ampliando uma pequena ermida que ali já existia. Após a extinção das Ordens Religiosas foi vendida pelo menos a dois indivíduos ; apelido Simões e Monteiro e o Dr Domingos Botelho de Queiroz comprou a quinta chamada "da Maria Francisca" ao marido José Maria Pereira de Carvalho, ainda hoje o que dela resta se chama quinta do Dr Faria, herdada pela neta do Dr Domingos Botelho a Dra Isabel Faria.
O Dr Domingos Botelho de Queiroz aportou a Ansião num tempo de grandes mudanças graças à extinção das Ordens Religiosas e dos amigos com poder politico, há quem o tenha na altura inter ligado a correlegionários (?) .Consta em actas da câmara que se tornou um grande proprietário na vila e fora dela ao comprar a particulares e também à Câmara que colocou em haste publica lotes de baldios e outros. Por volta dos finais do séc XIX a quinta em Aquém da Ponte, desconheço o nome primitivo onde o cesteiro "Ti Zé Mau" trabalhou uma vida sob um telheiro. Houve um barbeiro descontente com tamanha astúcia em proveito próprio e atrocidade que lhe levantou um processo judicial, debalde não foi afortunado na sentença tendo sido desterrado para Setúbal...segundo informação retirada de uma acta que consta no Arquivo Municipal de Ansião.
Entrada do quelho do Canto a poente
 O quelho do Canto ao meio, estreito de pé direito
Entrada do quelho do Canto a nascente
Mostra-se larga para atrofiar depois da curva do casario antigo

Livro de Alberto Pimentel que esteve em Ansião em 1903
" No momento que vos escrevo, está-se construindo o Hospital  da Misericórdia junto ao Ribeiro da Vide, sob a  invocação a Nossa Senhora do Pranto."
O inicio das obras do novo Hospital da Misericórdia ao Alto do Ribeiro da Vide acontece entre 1902/3 conforme a menção no livro acima. Certo já estariam roteadas as novas vias de comunicação de alargamento da vila.

Excerto das notícias do Bispado de Coimbra de 1721 Memórias Paroquiais Setecentistas redigida pelo juiz Manuel Rodrigues "(...) fez o Dr António dos Santos(Coutinho) huma Igreja de Misericórdia que não tem rendas à qual se anexou huma Albergaria de Nossa Senhora da Conceição."
"A Casa da Misericórdia, e Hospital foram fundados pello povo haverá sincoenta annos"
Se quem escreveu a breve mensagem se cingiu a 50 anos certos ou os arredondou por excesso ou defeito, no caso pouco interessa, vem aclarar a existência da Casa da Misericórdia:
Funcionou como Albergaria ( a existência da grande cozinha cuja ruína ainda existe, perdeu-se a grande chaminé, e a cisterna de água quiçá entulhada com a derrocada do telhado servia em paralelo as duas valências- Casa da Misericórdia e Hospital, construídos em 1671, dados retirados das Memórias Paroquiais, a que historiadores jamais por falta de correlação chegaram a esta conclusão, apenas se referem à fundação da Capela da Misericórdia ao invocar a estela de 1702 que nela existe, por nada mais existir de documentação ... 
Casa da Misericórdia seguida do Hospital
A Casa da Misericórdia ainda conserva a janela de avental seguida do que foi a cozinha e o Hospital , hoje a CGD, no meu tempo era a casa do Sr. Alfredo Simões.Faziam uso da mesma cisterna de água.

Em repto a minha correlação de dados documentais nos seus espaços,  até hoje outros, não o  fizeram!

A Casa da Misericórdia e o seu humilde Hospital de Ansião
Sou a PRIMEIRA que durante anos andei no seu encalço e os descobri!
A pequena ermida dedicada a Nossa Senhora da Conceição atribuída sem favor ao século XII dado pelo vestígio desse tempo ainda conservado, o portal gótico que seria a entrada da mesma e hoje se encontra no seu tardoz, havia de merecer aposta de requalificação em finais de setecentos com epilogo em 1702 onde foi posta estela com referência ao jesuíta, o Mestre António dos Santos Coutinho que a ampliou para vir a ser a Capela da Misericórdia de Ansião.

Médico do Hospital da Misericórdia de Ansião
O Dr. Domingos Botelho de Queiroz enquanto médico deste Hospital na vila de Ansião, sendo cunhado  por parte da esposa Veiga do Dr. Alberto Mendes Lima apelido desaparecido em Ansião, apenas encontrei no cemitério o jazigo de família, seriam também oriundos do norte, ambos sobejamente conhecedores da precariedade das instalações do pobre Hospital da Misericórdia de Ansião, onde dariam consultas, por ser muito antigo, sem  as fulcrais condições no apoio à população enferma doentes viandantes pelo que teriam sido os grandes impulsionadores na construção ao Ribeiro da Vide de um Novo Hospital, tendo procedido à angariação de donativos.

O Padre José Eduardo Reis Coutinho no seu Livro de Ansião de 1986 acrescenta: " Segundo a noticia O Concelho de Ancião  de 1 de janeiro de 1896, e por iniciativa do Dr Domingos Botelho de Queiroz, comecou-se naquela ocasião a angariação de fundos para a construção de um hospital em Ansião, o que se conseguiu graças aos contributos de particulares e aos muitos auxilios recebidos que, ao declinar do séc XIX, já tinham concretizado tal aspiração.
Construiu-se ao Ribeiro da Vide, no alto de uma elevação natural do terreno, em local tranquilo e de puros ares de pinheiros, e desde logo contou com a assistência médica do seu fundador, o qual lhe prestou todo o cuidado e dedicação.Foi o Hospital da Misericórdia.  
Outra obra que se deve  à iniciativa do mesmo médico, e no sentido de responder a necessidades sanitárias da vila, foi a captação de águas numa mina no Carrascoso, da filtração natural das mesmas e da sua canalização para o depósito acastelado ao Cimo da Rua, de onde foram distribuidas para alguns fontanários, onde se podia ter água tratada e corrente."

Foto de 1908 (?)
Provavelmente uma das fotos mais antigas, a haver outra, quiçá do Renato Paz do espólio do avô.
Defendo que a Capela da Misericórdia foi ampliada na que foi uma pequena ermida que fazia parte da Cerca da Quinta do Mosteiro a nascente e se alongaria para sul ao limite do Ribeiro da Vide onde veio a ser construído no alto da Cerca, o Hospital da Misericórdia.

A foto menciona ainda  em rodapé o Administrador do Concelho no período de 1896 a 1926, falta saber quem foi no período anterior (21 anos) quando este poder saiu da Cabeça do Bairro depois de 1875, tenha sido o Conselheiro António José da Silva, que tinha nesta data 38 anos.

Senhor de Ansião Dom Luís de Menezes
A foto documenta o pequeno solar que  mandou erigir sem se saber se inicialmente ficou adoçado à pequena ermida, na verdade lhe ficou certamente junto na junção do útil ao agradável o status naquele tempo de possuir uma Capela privada, cuja entrada era naquele tempo no tardoz que dava para o jardim do solar que ainda o conheci, e hoje não existe,  e assim poupou nos gastos. Por sofrer de melancolia veio a suicidar-se em 1690 em Lisboa.
Estando todas as vilas a ser dotadas de Casas, Albergarias e Capelas com Irmandades da Misericórdia , e Ansião não tendo ainda a sua foi chamado o Mestre jesuíta António dos Santos (Coutinho), então cónego na Sé de Lamego para proceder à ampliação desta Ermida em Capela  da Misericórdia por isso atendendo à sua volumetria encontra-se mal adoçada ao solar, tendo a mesma para sul duas portas e janelas e uma travessa que já existia do antigo caminho vindo do burgo primitivo sito ao Vale do Mosteiro onde defronte no gaveto já estava construida a Casa seguida da Albergaria e do seu  Hospital em 1671. 

O Mestre Jesuíta António dos Santos Coutinho por esta obra recebeu antecipadamente um Morgadio "que parte dele estava na vila, sendo seu administrador Manoel dos Santos da Guarda, termo da villa do Rabaçal, que auera 25annos que foi instituído" .

O Morgadio foi instituído em 1696, cuja data pode ser a da construção da Ponte da Cal (?).

Qual a razão em mudar de lugar o novo hospital?
Para mim foi opção de contexto politico e de comuns interesses. Depois de 1875 Ansião assiste a um grande incremento de desenvolvimento pela mão do eclesiástico Conselheiro António José da Silva que formou a Comarca de Ansião levando a Casa da Câmara sediada na Cabeça do Bairro de Santo António ao Ribeiro da Vide para o que foi o solar do Senhor de Ansião Dom Luís de Menezes por o edifício oferecer outras condições e abarcar mais serviços, também as cadeias na Cabeça do Bairro ficaram desativadas com uma nova na vila, cujo edifício ainda existe no gaveto da Rua Polibio Gomes dos Santos com a Rua Pascoal de Mello Freire dos Reis.
A razão do primitivo Hospital de Ansião inserido em propriedade de grande extensão de terreno pelo tardoz que se estendia ao Vale do Mosteiro de Baixo e de Cima  onde a volumetria de uma nova construção seria perfeitamente comportável em detrimento da aposta em o situar naquele tempo fora do centro da vila. Julgo não falhar ao invocar que foram mentes oportunistas ao jus do ditado popular " matar dois coelhos de uma só cajadada "uma vez perdido o poder politico de Ansião sediado ao Largo do Bairro de Santo António, ficando apenas a Estalagem a funcionar em contrapartida o ganho do novo Hospital. Indicia também a venda da Quinta , Casa, Albergaria e Hospital da Misericórdia dentro da vila para fazer face aos encargos do novo hospital  e favorecer interesses de amigos. No entanto levanta outra questão, quem teria doado o terreno para o novo hospital? 
Infelizmente a documentação da Misericórdia por estar guardada no Tribunal e do incêndio ocorrido em 1937, acabou perdida.
Desmistificar a ideia que não foi aposta transferir o Hospital para fora da vila para local altaneiro de bons ares e vistas circundantes desafogadas em detrimento do primitivo chão na vila se mostrar vezes maior a perder de vista e mais direito e ainda com duas cisternas, em tempo de grande falta de água na vila. Foi um jogo de supostos interesses em que esteve envolvido o Dr Domingos Botelho de Queiroz, o Conselheiro António José da Silva e o correligionário (assim aparece em acta da câmara) o Visconde de Santiago da Guarda.
Comprou a quinta  que antes fizera parte do mosteiro englobava o cemitério  e se estendia ao Ribeiro da Vide com extrema da estrada real. Hoje resta parte desta quinta que naquele tempo se chamava da "Maria Francisca" com a casa em ruínas e um grande cedro herança da neta Dra Isabel Faria.

Excertos do Livro Ansianenses Ilustres  
«O sr Dr Domingos Botelho de Queiroz foi pela imprensa accusado de usurpar terrenos públicos e profanar sepulturas»

«Em 1895  o padre José Rodrigues Portela relata «que a parte do dito terreno com que, ha annos, foi ampliado o cemitério, foi comprada pela Juncta da Parochia d'esta freguezia ao fallecido  José Maria Pereira de Carvalho , que esse terreno é considerado profanado há mais de 40 annos.»

«Designação da propriedade - Um olival chamado O S.Lourenço. Antes tinha Foros e outros encargos . Foreiro em dois alqueires de azeite a Senhora da Conceição, computado em dois mil e trezentos e cincoenta réis.»

Solar do "Zé Piloto" e de Virgílio Courela
Abandonada a Cabeça do Bairro com a Casa da Câmara, a Casa do Administrador do Concelho e outras valências os magistrados vindos de fora desde os finais do séc. XIX a 1935 passaram a viver em regime de aluguer neste solar até que o Estado Novo veio a construir duas vivendas geminadas na frente do Pelourinho.
Este solar encontra-se hoje em reestruturação para um Lar de Luxo.
A Cerca da Misericórdia
A Cerca pode aventar o  nome ancestral da herdade ou quinta do Mosteiro delimitada pelo menos no que veio a ser a vila desde a ermida de Nossa Senhora da Conceição ao limite do Ribeiro da Vide onde veio a ser construído o Hospital com um barracão no sopé da encosta virado para o Largo do Ribeiro da Vide de chão em terra, já o conheci sem portões. Tão pouco sei se já existia ou foi construído na altura do hospital, que não faz sentido, por se mostrar em chão de terra sem razão do seu existir ali. Aparece referenciada na «obra do Hospital e a sua Cerca».
Já conheci o Hospital fechado, em abandono, tinha pela frente um grande terreiro onde pela Quaresma se faziam jogos da cantarinha até se partir ... No sótão cheio de teias de aranha, havia ninhos de andorinhas, durante anos se guardavam as flores de papel para o carro alegórico das festas de agosto, de alta escada. No tardoz a norte logo na encosta havia um alfobre de pinheiros onde durante anos cortava um para fazer a árvore de Natal. O que eu brinquei na Cerca do Hospital!
Em dia de casamento 63/64, euzinha, a menina de chapéu!
No local do hospital é hoje a Creche da Santa Casa da Misericórdia de Ansião
Lar da Santa Casa da Misericórdia de Ansião
Foto antiga do Lar aquando da 2ª requalificação do jardim do Ribeiro da Vide com a ponte de ligação sobre o ribeiro para o parque geriátrico que pertencia à Cerca, portanto da Misericórdia.
Explicar num tempo a rondar 70 anos do esquecimento do remanescente chão a norte que lhe pertencia, por ser de barro, estéril e improdutivo em que Provedores se descuidaram sendo perdido há poucos anos pela lei de usucapião, ganho pela câmara pelo uso do chão com a feira do gado quinzenal mais de 40 anos, plantio dos plátanos e da primeira lixeira da Câmara de Ansião.
Antigo Lar e em baixo o actual
O Ribeiro da Vide ganhou muito com a polivalência  social tão desejada para a população
O Largo do Ribeiro da Vide
Em virtude da Fonte ao Ribeiro da Vide só há poucos anos ostentar placa com a data (1897) indicia que deve existir documentação nos arquivos da câmara da grande intervenção ocorrida aqui ao Largo do Ribeiro da Vide nos finais do séc. XIX que era baldio esteve em praça para venda e foi retirado para ser público com a construção dos quatro viadutos de pedra sob o ribeiro na estrada de Alvaiázere, acesso à Capela, ao Hospital e do caminho para os Escampados, também foi executado o escadatório da Capela. O poço que alimenta a fonte infelizmente o deixaram tapado na primeira intervenção do jardim, e ainda não o redescobriram, coberto com lajes em pedra fechadas por tiras de ferro tal como a fonte.Uma das minhas brincadeiras de verão era percorrer os quatro viadutos brancos como a cal ...Nos anos 60 houve um levantamento urbanístico para Ansião muito interessante, já contemplava este Largo para jardim, o que veio muito mais tarde a ser concretizado. Nesse plano existem fotos a preto e branco, uma da Capela que já estava englobada no plano urbanístico, outra do Hospital novo e outra tirada do seu terreiro sobre o Largo do Ribeiro da Vide com os plátanos e o barracão da Cerca e o do Ti Parolo, onde havia uma grande adega, seguida da casa de balcão em pedra e janela a nascente com bancos namoradeiros do Sr. Zé André e o prédio que mandou construir no gaveto no terreno que comprou a uma irmã do Ti Parolo, entretanto ambos deram lugar a novos prédios.E nada mais, se mostrando interessante o grande contraste de evolução nos 60 anos. Pedi as fotos, debalde pelo tardio em ser facultadas sem saber a razão... 
Capela de Santo António
Os degraus estão descarrilados, há falta de manutenção, nas podas nem todas as árvores são contempladas, falta sentido de estética no jardim. Entretanto andava no adro um jovem de organograma da vila nas mãos a identificar os espaços públicos, suposto vai sofrer remodelação. Espero que se apresente útil com sentido de presente e futuro e não obra como no passado feita pela metade.
O Dr.Domingos Botelho de Queiroz aportou a Ansião viúvo, vindo a casar em segundas núpcias com a senhora D. Matilde Veiga, filha de Frutuoso da Veiga da Quinta das Lagoas tendo vivido na casa solarenga no gaveto com a Mata ao Fundo da Rua, abençoada de janelas de avental a norte, de cariz solarengo sem capela, e desconheço se teve oratório, por isso no meu entender não lhe chamaria palacete, como alguém à mesma se referiu .
Casa com lintel datado 1852 emoldurado ao centro
A filha primogénita do Dr. Domingos Botelho de Queiroz recebeu o mesmo nome da mãe-, Matilde Veiga Botelho viria a casar com o Dr. Adriano Augusto de Barros e Rego, de Chão de Couce, médico que aporta a Ansião por volta de 1908, sendo construída outra casa adoçada à dos sogros.
A foto abaixo mostra a diferença da casa primitiva mais baixa e a mais alta do Dr. Adriano Rego com a parede revestida a placas de ardósia.
Julgo que os restos mortais do Dr. Domingos Botelho de Queiroz estejam em jazigo no cemitério de Ansião. A existência de jazigos sem nome de Família na frontaria , invalida a minha certeza dos seus restos mortais estarem depositados num jazigo antigo que existe ao lado esquerdo da Capela, que o tenho como sendo da família Veiga/ Rego.
Como último reparo por certo nos sótãos dos solares herança da família, por certo haverá documentação antiga que ateste as falhas da bibliografia desta individualidade e que seria interessante averiguar e repor na veracidade.
Ao subtrair a data da sua matricula em Coimbra e a subtrair à data do solar quando se casou em Ansião 1870 - 1852 = 18 anos
Se subtrair a data do solar à data da morte 1920 = 68 anos
No resulto 18+68= 86 anos, faltam ainda os anos (10, até à faculdade?...96
O que dita a probabilidade de ter nascido por volta de 1824 (?).
E ainda que o tempo em Coimbra a tirar o curso, seguido do 1º casamento, viuvez para chegar a Ansião e construir o solar para se voltar a casar mediaram 18 anos.Há mais de um ano distingui as casas solarengas onde viveu e o genro com avisos de venda. Depois foram retiradas.Desconheço se foram vendidas.
Ansião a sentir-se mais pobre cada vez a ficar com menos descendentes destas duas famílias ilustres VEIGA/REGO, apenas restando primos a viver atrás da Biblioteca; Américo, Milú e Jorge Cardoso.

Parentesco ou não com o escritor Eça de Queiroz
Eça de Queiroz finalizou o curso de direito em 1866 em Coimbra antes de Domingos Botelho de Queiroz ter iniciado medicina em 1870, ou não o conheceria, simpatizaria, ou não queria rivalizar estrelato, por ser de cariz humilde, na verdade o apelido não se revela em nenhum dos seus ascendentes, possivelmente seja do padrinho (?) justifica o facto de não ter dado o seu apelido "Queiroz" às filhas, em prol de "Botelho", mas também porque em geral o último apelido era naquele tempo dado aos filhos homens, no meu opinar.

Os pais do Eça de Queiroz retirado da Wikipédia
"Carolina Augusta Pereira de Eça de Queiroz (1826-1918) 
José Maria de Almeida Teixeira de Queiroz " 


FONTES
Dois esquemas e informação de Henrique Dias amigo das Cinco Vilas, a quem agradeço a extrema amabilidade

https://digitalis-dsp.uc.pt/html/10316.2/22956/Preview.pdf 
Livro Topografia Médica das Cinco Vilas e Arega do Dr. António Augusto Costa Simões 
Livro a Extremadura Portuguesa de Alberto Pimentel
http://viajandonotempo.blogs.sapo.pt/20338.html

https://books.google.pt
http://geneall.net/pt/forum/2096/teixeira-de-castro-de-chao-de-couce/
Livro do  Padre José Eduardo Reis Coutinho no seu Livro de Ansião de 1986
Livro Ansianenses Ilustres do Dr. Manuel Dias

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