quarta-feira, 21 de março de 2018

A Casa da Roda dos Expostos na Cabeça do Bairro em Ansião

Será que nunca ninguém se questionou de haver pessoas sem paternidade atestada?
Recordo o preconceito e a vergonha de gente que não tinha o nome do pai no bilhete de identidade. Enquanto bancária no pouco tempo que fui polivalente na caixa a pagar cheques dei conta que haviam pessoas desta região que não tinham o nome do pai, nos rostos sentia-lhes uma vergonha escondida por não terem o nome do pai como a maioria, e afinal tal como os demais igualmente bem o mereciam!
Lamentavelmente sempre houve órfãos de vária natureza!
As Casas da Roda foram criadas no século XII em plena Idade Média, serviam para salvar recém-nascidos que ressurgem em países europeus para depois também terem sido instituídas no Brasil no século XVIII, haviam de funcionar durante muito tempo, tendo sido felizmente desativadas.

Selfie com o meu neto Vicente a conhecer este passado de Lisboa
Entrámos na Casa do Amparo na Mouraria sem pedir licença, pela porta entreaberta sem medo, na vontade de conhecer este espaço onde nos deleitámos com uma alta escadaria revestida a belos silhares de azulejaria setecentista de tal ordem o pasmo que até o Vicente com dois meses se deixou ficar de olhar regalado...
Foi a 8 de junho de 2015 em Lisboa que despertei para esta realidade na antiga Casa dos Órfãos que mereceu uma crónica temática, onde por segundos idealizei uma falsa felicidade naquele momento de passeio sem jamais deixar de pensar nos órfãos  aqui tantos foram deixados na Roda durante séculos, impossível não imaginar tanta criança a gatinhar nas mesmas pedras e degraus que subimos até ao 4º andar...arrepiei ao sentir gemidos, choros, gritos e tristeza, embora de olhos arregalados pensei, não ! Por certo essas crianças se deliciaram sem o saber com a beleza dos azulejos, em os mirar encantados pelo brilho de tanta luz, sobretudo pela macieza quando lhe passavam com as maozitas, sem jamais conseguir apanhar as imagens que neles viam, que os deixaria naturalmente apreensivos, ainda assim entretidos, por isso acredito foram ainda assim felizes, porque fome não deviam ter passado...Debalde caí em mim afinal são azulejos setecentistas, como teria sido a vida aqui vivida nos séculos antecedentes? De paredes frias onde a vida decorria gélida sem qualquer gesto de carinho, salvando-se os que conseguiam ganhar a sobrevivência...Para não se perder a história com estórias deste local, sobretudo do sofrer de todos os órfãos aqui depositados com o rótudo de protegidos, desprotegidos e abusados...
Prefaciando o pecado nefando de João de Távora (1555-1556) de Pedro Miguel Barbosa Moreira da Faculdade de Letras da Universidade do Porto "No início da segunda metade do século XVI, num momento em que o tribunal do Santo Ofício português procurava junto da Santa Sé a permissão para perseguir e julgar o pecado nefando de sodomia, um mourisco forro, batizado em Ceuta com o nome de João de Távora, que no momento aprendia no Colégio dos Meninos Órfãos da Mouraria, é acusado de assédio a duas crianças da instituição. A atenção dada ao pecado de sodomia pela justiça civil e eclesiástica dos reinos católicos era crescente desde o final do período medieval, acompanhando muitas das considerações que a sociedade da época tecia acerca das relações hétero e homoeróticas. O caso apresentado reflete algumas dessas questões, integrando também aspetos relacionados com a violência sexual juvenil."

Excerto de https://archive.org/stream/gri «A roda dos expostos é casa excellente, e offerece grandes commodidades para o seu destmo.
Os infelizes innocentes, victimas do crime de mães desnaturadas, alli encontram um caridoso acolhimento. No dia 8 de maio, anniversario da entrada dos constitucionaes era Coimbra, é costume patentear todos os annos ao publico o estabelecimento dos expostos, e o então grande a concorrência a ver os filhos queridos de S. Vicente de Paulo.
As janellas da roda lançam sobre um espaçoso terreiro, mais comprido que largo, hoje de dommio publico dando communicação para o bairro alto e outros pontos. Era antigamente uma excellente liorta, que no tempo dos frades oíferecia grande recreio pelas suas bellas ruas bordadas de paredes de buxo, pelas frondosas laranjeiras, limoeiros, e pelos canos que a retalhavam, espalhando per toda a parte a agua e com cUa a fresquidão e fertilidade. Muito diverso ó o estado em que hoje vemos a Horta de Sanda Cruz. Não resta o menor vestigio da sua passada belleza. Pouco depois que os frades sahiram, tudo se destruiu por uma maneira que muito depõe em descrédito das municipalidades daquelle tempo. Enchemo-nos de indignação e de pezar ao lembrarmo-nos de que, se não fora tanto abandono, tanta incúria pelas cousas publicas? »

 

Coitado daquele que teve um nascer tão triste!
Segundo Maria Antónia Lopes em https://estudogeral.sib.uc.pt - Testemunhos sobre o dar esmola
« Desde o início dos tempos, os adultos têm maltratado as crianças. Nas antigas civilizações, foram vistas como meros objectos. Religiões pagãs aceitavam, e até estimulavam, a prática de brutalidades contra elas. Por serem consideradas propriedades, podiam ser escravizadas, vendidas, ou mesmo assassinadas. Até homens tidos como sábios lhes manifestaram desprezo. Muitas foram submetidas a situações degradantes, como a prostituição e a prática de bruxaria. Na antiga Esparta, se a criança fosse considerada defeituosa, era levada ao pai ou ao conselho dos anciãos, que decidiam pelo seu destino. Os Espartanos como outras sociedades do mesmo período, tinham o costume de "expor recém-nascidos as interperies" (ao tempo) , prática que atingia qualquer recém-nascido que fosse fisicamente defeituoso, condenadas à morte e lançadas do alto da montanha até que morressem (de frio, ou comido por animais selvagens). Prática usada também noutras situações quando, por exemplo na tradição Romana, o "Pai-de-Família" tinha o poder de repudiar o recém-nascido e mandar que este fosse "exposto", abandonado. Naturalmente, a bondade e caridade humana interferia, e os recém-nascidos com mais sorte eram então salvos por instituicoes ou indivíduos. Após o período da Contra-Reforma, a Coroa ou o Estado tomou as rédeas e iniciativa de tomar conta destes expostos, como uma medida civilisante.»
Citar excertos de https://geneall.net/pt - 
Os expostos «O nome "exposto" e a tradição de "expor" a um recém-nascido tem uma origem antiga e, de uma certa forma, bem sinistra...Em geral, as igrejas e conventos funcionavam na altura análoga aos dias hoje como se fosse a Segurança Social, atribuindo aos expostos uma madrinha (provavelmente profissionais, com algumas almas caridosas à mistura - todos pagos pelas câmaras). As mães saberiam que as crianças seriam assim cuidadas e talvez, na mente de algumas. Muitas crianças tornam-se adultos com o apelido "Exposto" (José Exposto, etc.) e nunca passam das mais baixas camadas sociais, mais não seja pelo autêntico "carimbo" que lhes era posto. Ainda que as crianças tenham sido abandonadas nos solares dos ricos e poderosos, acabava sempre nas mãos da Igreja e poderes locais que lhes davam o destino que podiam. »
 

O que levava ao abandono de uma criança recém-nascida ?
«Alencar razões: O facto de não ter sido uma criança desejada pelo pai, mãe ou ambos.
De qualquer relação ilícita incestuosa por parte de um irmão, tio, cunhada, pai, padrasto, ou senhor para quem trabalhava, que abusavam das criadas e os filhos destes na iniciação da vida sexual .
Adultério
Acto sexual de uma jovem fora do casamento
Relação com homem da igreja
Mal formação ao nascer com a consequente rejeição familiar
Incapacidade económica dos pais para a criação da criança
Os locais onde faziam a entrega destas crianças:Roda, se a houvesse na terra onde vivia (por total desejo de anonimato e vontade de fazer um corte total com o recém nascido)
Igreja (por razões de acalmia de consciência, certeza de ser amparada, crença na protecção da divindade).
Casa de familiar da criança (pais, tios, etc, por necessidade de não perder o contacto com essa criança e conseguir acompanhar o seu desenvolvimento, dentro de um quadro de anonimato)
Casa de uma qualquer personalidade abastada da região, como garantia de ser bem "criada" e nada lhe faltar, podendo acompanhar o seu crescimento à distância.»

A minha bisavó materna de apelido "Ferreira" foi exposta em Chão de Couce.
Citar excerto de https://aviagemdosargonautas.net/2011/11/16/ de Clara Castilho "Expostos, meninos de ninguém, desespero, vergonha, pobreza, incapacidade parental, nomes associados a esta existência de miséria, irresponsabilidade e preconceito, que levavam crianças abandonadas ao pior dos mundos, cujas perversidades não tiveram fim, e infelizmente ainda continuam por toda parte e em número assustador..."

Citar excerto de Aquilino Ribeiro – “Príncipes de Portugal, suas grandezas e misérias "Nas sombras da alba, os vultos de túnica e cogula, ou embocados em largos capotes, que se viam deslizar pelas vielas que vinham desembocar ao Rossio, levavam contrabando: os infalíveis naciturnos para a Roda. (...) Espreitavam-se das esquinas para evitar encontros molestos, pois que na cidade, dizimada pela peste e as aventuras ultramarinas, todos se conheciam. O aparelho fazia certo restolhadeiro a girar, se não era o vagido da criança que avisava. E logo uns braços profissionais, e no entanto os melhores braços caritativos daquele século, pegavam no recém-nascido.”
"Em 1768, o Marquês de Pombal institui esta modalidade – a RODA – com o objectivo de diminuir os infanticídios, ficando adstritas a hospitais ou albergarias de cada cidade (em Lisboa o Hospital de Todos os Santos). Num mecanismo cilíndrico, composto por duas partes, uma côncava e outra convexa, que giravam sobre si mesmas, eram depositadas as crianças cujos pais não podiam ou não queriam com elas ficar.Muitas vezes iam acompanhados de “sinais” que mais tarde poderiam possibilitar o reconhecimento da criança. Era registada à entrada, assim como tudo o que a acompanhava. Se trazia nome, esse ficava. Caso contrário recebia o do santo do dia. Mas muitas das crianças já chegavam cheias de maleitas, as condições de vida eram precárias, os cuidados com elas reduzidos… e a mortalidade rondavam os 80%! As crianças até aos 3 anos eram entregues a amas a viver no campo, até aos 7 permaneciam em asilos e a partir daí iam aprender um ofício."

Falar da pobreza que dita as Rodas
« (...) já em 1827 escreve José Agostinho de Macedo - como a agua extingue o fogo, a esmola extingue a culpa. Com isto a Religião alcança hum triunfo. »
« no sec XVII Luís Mendes de Vasconcelos, Manuel Severim de Faria e Duarte Ribeiro de Macedo, de acordo com as ideias económicas mercantilistas, procuravam encontrar remédios para a falta de gente e para a vadiagem e ociosidade das populações. As causas encontram-nas eles nas conquistas ultramarinas, na falta de ofícios e de terras de cultivo. 
“Todos acusam (…) a viciosa estrutura duma vida económica!. Sendo assim os remédios seriam a fixação das populações com a reorganização da agricultura e o fomento da indústria. Além disso, Severim Faria. Na linha do pensamento europeu, propunha em 1624 o internamento dos órfãos pobres dos dois sexos visando a aprendizagem de um ofício aos rapazes e a dotação para casamento às raparigas. Assim se remediava a vadiagem e falta de gentes. 
Meio século depois Rineiro de Macedo aponta o exemplo de vários países onde a ociocidade é um crime punível por lei e o “hospital” de Paris onde todos os mendigos são encerrados e obrigados a trabalhar.”Este é um crime da ociosidade, o qual não tem entre nós pena especial.»
«Um anónimo na Figueira da Foz em 1846 diz-se que há «rigurosa obrigaçaõ» de socorrermos quem necessita e isto porque é ordem da Providência, porque é a lei que Cristo veio estabelecer e porque o nosso próprio interesse o reclama.»
«A esmola é prejudicial porque fomenta a ociosidade é outro topus da época.

«Assim se afirma numa memória anónima lida na Academia Real das Ciências em 1796 .»
«Os hospitais são para José Silvestre Ribeiro “santos estabelecimentos, que em todos os tempos são elles necessários para alivio da humanidade desvalida»
«É bem verdade que (os frades) todos os dias dão uma esmola de pão a quem vai à portaria, porém esta mesma esmola é prejudicial à agricultura porque os homens uma vez perdido o seu bem, e que se podem estabelecer em outra parte, como ali acham aquele pão ficam o resto da vida mendigando por levarem boa comida»

«Nas duas memórias de José António de Sá, este, assim como António da Silveira invocam as antigas leis portuguesas que deverão ser repostas em vigor.
Valorizam sobretudo o carácter nefasto da esmola indiscriminada, a necessidade de criação de postos de trabalho e de abertura de casas de correção/educação para pobres, órfãos, ociosos e vagabundos. O interesse por uma profunda reforma da assistência em finais do século XVIII é pois uma realidade.»
«Uma memória anónima lida na Academia Real das Ciências propunha: « vigiará o intendente os trabalhos de agricultura em geral, evitando toda a ociosidade para o que fará castigar pelos lavradores subinspetores, com o trabalho de alguns dias sem jornal, em benefício da caixa: cuja pena se irá exacerbando aos ociosos, à proporção das reincidências. [ ... ) e sempre que haja ociosos recaia sobre eles todo o peso do trabalho público»

«Finalmente os órfãos, e expostos das freguesias ficarão também ao cuidado dos intendentes fazendo assoldadar os primeiros a lavradores que os eduquem nos trabalhos dos campos, e os segundos a mestres de ofícios que tiverem mais analogia com o se1viço da lavoura: tendo em vista saiam sempre dos ditos expostos as recrutas para o serviço da tropa, e do mar: observando a respeito das raparigas a regra inviolável de fazer que aprendam os ofícios de albardeiro, sapateiro, e alfaiate»
«Em 1783 muitos municípios sem recursos enviavam os enjeitados para a roda dos municípios vizinhos.»
«Em 1815 Castro, concluiu que estando encarregue de inspeccionar a criação dos expostos nas províncias , em 1813 concluiu que "morriam três um quarto da totalidade de expostos»
«Em 1836 foi fundamental na questão da administração dos expostos. Os problemas económicos das Misericórdias , a falta de amas, os seus baixos e incertos salários , a ausência da falta de rodas em muitas regiões , o abandono em rodas vizinhas...foram alguns dos motivos que levaram Passos Manuel a uniformizar o serviço de expostos pelo decreto de 19 de setembro de 1836 "Em cada concelho há uma Casa de recepção de Expostos com uma mulher incumbida de receber e cuidar dos Expostos, fazendo-os batizar e transportar para a Roda do círculo.
E acrescenta que a despesa da Rodas, e criação dos Expostos será feita por Distritos Administrativos à custa de todas as Municipalidades de que cada um se compõe, anulando a competência em algumas terras do Reino estava incumbida ás Santas Casas de Misericórdias.»
«Passos Manuel em 1836, esclarece que as atribuições do juiz dos órfãos passavam aos juízes da paz, entretanto criados. Com a promulgação do Código Civil em 1867, determina-se a entrega dos menores abandonado com sete anos ao “conselho de beneficencia pupillar, ou de qualquer outra magistratura a quem a lei administrativa incumbir desse mister” (art.º 285º). Na realidade, tudo permanecia inalterado porque tais conselhos de beneficência não existiam ou não funcionavam e, como veremos de imediato, ninguém sabia ao certo a quem competia tutelar essas crianças. A novidade respeitou apenas à maioridade legal dos jovens abandonados,que baixava agora para os 18 anos (art.º 291º), prevendo-se ainda a possibilidade de emancipação aos 15(art.º 289º).»

«(...) na sua essência, a religião cristã é uma mensagem de conforto, de consolação, dirigida preferencialmente aos pobres. O cerne da doutrina, contido nas Bem-Aventuranças, não é mais do que isso: bem aventurados os pobres, os famintos, os injustiçados, os que choram. Deu, que é pai, ama-os e acolhe-los-à. A apologia da pobreza como forma de vida mais perfeita e segura para a salvação, o alerta para os perigos das riquezas que quase inevitavelmente conduzem à perdição estão no amâgo da doutrina cristã, que assenta no elogio da pobreza e do desapego dos bens temporais, mantendo sempre esse desprendimento de riquezas perecíveis e vãs como meio de alcançar a posse do tesouro único e autêntico. Movendo-nos exclusivamente no plano ético, é indiscutível, penso eu, a validade de tal filosofia de vida. Só desprendimento, o desprezo dos bens materiais e das convenções humanas permitem atingir a “santidade”, a “filosofia”, a “sabedoria”, ou a “sagueza” (chamemos-lhe como quisermos), seja ela compreendida como a realização superior e excepcional do humano, como a identificação/união com o divino ou com a diluição do individuo no Cosmos.A Igreja Católica, nunca negando este ideal que sempre propôs, não podia, como religião de massas, exigir de todos que distribuíssem os seus bens e vivessem como as aves do céu e os lírios do campo. Sem deixar de enaltecer a pobreza – que espiritualizou passando da simples exaltação do pobre ao elogio da pobreza de espirito – e olhando sempre com reservas a posse de riquezas e de poder,produziu, todavia, ao longo dos tempos, argumentos legitimadores da riqueza num esforço de compreensão da condição humana que dificilmente se liberta da força atractiva dos bens terrenos, num esforço para encontrar uma forma de vida não demasiadamente exigente mas aconselhável como menos perigosa à salvação. E assim, muitos dos seus arautos defendem não o estado de pobreza como condição ideal para a santidade, mas a mediana, a “mediocridade”, estado no qual a fraqueza humana seria menos vulnerável à sua natureza voraz.Se a riqueza se desculpabiliza em boa parte, se por outro lado a pobreza extrema é apontada também como fonte de vícios e perdição, se os dois estados coexistem neste mundo – imperfeito por acção do homem ou porque a vontade de Deus assim o deseja para elevação de todos -, então havia que impor normas de comportamento tanto para ricos como para os pobres, porque tanto uns como os outros são passiveis de pecar e de se salvar. »
Definição de Séneca sobre o pobre e o rico « o rico não he o que possui, se não quem não deseja possuir. O pobre, não he quem não tem, senão quem deseja ter. De maneira que o ter não faz ricos, nem o não ter pobres: porque a verdadeira pobreza está na ansia de possuir, e a verdadeira abundancia no desinteresse de lograr»
Conceito de Manuel Bernardes «há uns pecados que nascem de engordarmos muito (…) ; e na outros que procedem de estarmos magros. Soberbas, insolências, animosidades, desprezos do próximo, etc, saºo pecados de quem tem a bundante substancia nos cofres. Furto, fraudelência, inveja, pusilanimidade, etc, são pecados de quem os cordões da bolsa lhe dão muitas voltas á roda e as suas arcas escusam chave. Se bem não é esta regra tão universal que às vezes os famintos e pobres não sejam os mais insolentes e soberbos, e os fartos os maiores ladrões.»

 António Soares Barbosa, natural de Ansião 
«Em 1792 publica um Tratado elementar de Filosofia Moral. Este autor, presbítero, lente da Faculdade de Filosofia, escolhido pelo Marquês de Pombal para a novel Faculdade, sócio efectivo da Academia Real das Ciências é um iluminista católico que procura conciliar Religião e Razão, Crença e Luzes. Segundo ele, o dever do socorro provém da «lei moral da ordem, ou vontade do Creador», lei que distribuiu as propriedades e direitos .Dever de socorro é o mesmo que dever de beneficência e dever de humanidade mas inferior a caridade do próximo «A beneficencia para ser huma virtude moral, deve ser regulada pela lei moral da ordem» , caso contrário degenera em vício . A lei moral da ordem impõe regras: 1.ª -todos devem trabalhar pois se assim não fosse o ocioso teria direito ao socorro sem obrigação de o prestar; 2.ª -o socorro da beneficência deve ser pronto, afável e com intenção de fazer bem; 3.ª -o beneficio deve ser tal que não prejudique o visado, a outrem e à sociedade. “por esta razão será desordenada a beneficência, quando der ocasião ao luxo, cobiça, intemperança, e outros vícios. Como também aquele que diminuir a industria extinguir o espirito de trabalho, e promover a ociosidade – que ao socorrer os outros não fique eu necessitado da beneficência porque os meus direitos estão à frente dos alheios(com um aunica excepção:salvar o Estado); 5º - deve preferir-se beneficiar muitos em vez de poucos e optar por beneficuis cujos efeitos se prolongam como, por exemplo, a elaboração de boas leis ou a reforma das que já o não saõ, o ensino das artes, a invenção de instrumentos úteis, e praticas, a construção de estradas, pontes, portos, etc.
Mas para que a beneficência seja uma verdadeira virtude, deve virar-se para a vida eterna onde encontra o objeto mais sublime. “Esta contemplação/da vida futura) e esperança faz, com que se não procure a recompensa dos socorros na admiração, ou aplauso dos homens, mas na aprovação do Supremo Remunerador: que os sentimentos moraes recebão huma nova força, e as virtudes sociaes tenhão huma base mais solida. Deste modo he, que a moral, enobrecida e apoiada pela Religião, nos inspira huma beneficiência sincera para com os nossos semelhantes” . Soares Barbosa esforça-se por manter o conceito de beneficência na órbita religiosa, por lhe atribuir uma orientação divina, reaproximando-a da caridade.
«José Agostinho de Macedo diz em 1817 “ a Beneficência faz honra à Natureza: a Caridade, virtude sobrenatural, faz honra à Religião, he o seu fundamento, porque he a summa, ou o resumo da Lei”
Em 1785 Frei Manuel do Cenáculo (1724-1814) numa Pastoral refere.se aos muitos vícios dos pobres que lhes fazem desmerecer melhor sorte “ Lágrimas terníssimas derrama a pobreza lastimosa, e desprovida; mas ella tambem desmerece a abundância, enfadando por seus vícios o Senhor que espera clamores inocentes”. E disse anteriormente que “ a fome, e sede não saõ fados invariáveis; o trabalho he meio seguro de os mudar para boa sorte.Este conceito he o que tem formado os estabelecimentos de acudir a miseráveis. Este pensamento há promovido árbitros de cansar a preguiça e de levar força ao cérebro dos homens”  
Quando a Roda passou para as Misericórdias 
«O volume dos expostos aumentou consideravelmente. A extinção das pequenas rodas concelhias aumenta a pressão na roda coimbrã.  Em 1708, quando a administração dos expostos transitou para a Santa Casa  foram-lhe aplicados 400$000 réis anuais aos cabeções da cidade e do seu termo. São 12 os concelhos compreendidos nesse termo Depreende-se assim que essa localidades não tinham rodas, estendendo-se a área de influencia obrigatória da Roda de Coimbra a Almalaguês, Ansião, Botão, Cantanhede, Castelo Viegas, Cernache, Condeixa, Eiras, Pereira, Poiares, Tentugal e Vacariça. Não corresponde este ao verdadeiro termo do município de Coimbra, do qual há muito já não faziam parte as vilas de Cernache, Tentugal, Cantanhede e Ansião. Nos finais de setecentos já os cabeções de Ansião,Cantanhede, Pereira e Tentugal já nada se remetia para a Roda de Coimbra, porque se aplicava esse rendimento a outras Rodas, certamente instaladas nas próprias vilas. Trata-se por certo das Rodas mandadas criar pela ordem circular da Intendência Geral da Policia de 24 de maio de 1783.
« (...) há nomes que se distinguem pela sua distinção que, alguns mesmo com foros de fidalguia, sobretudo os rapazes. Numa vã tentativa de os proteger, fazendo pairar de facto que eram filhos de gente grada. (...) merecem destaque José Joaquim da Encarnação, Correia Picanço, Antónia Maria de Abreu e Coutinho, Manuel José de Araújo Miranda de Aguiar, Josefa Antónia Henriques de Sampaio, Félix da Cunha e Brito, Júlio de Noronha e Melo, Carolina Augusta Gonçalves Freire da Cunha, António Joaquim Mendanba, Joaquim de Meneses Ataíde Vasconcelos e Gaudêncio da Cunha e Vasconcelos Nogueira. Pode conjecturar-se se alguns não seriam irmãos. Parece, aliás, ser essa a mensagem que está por trás de certos nomes. Para já não se falar de Acácio António Pereira e Vasconcelos e Angino António Pereira e Vasconcelos, ambos expostos a 6 de maio de 1810, e manifestamente gémeos, que pensar de Vicente Maximiniano Guedes da Silva exposto no dia 18.02.1808 e de Jesuína Máxima Guedes da Silva enjeitada a 23.06-1809? Que concluir também da seguinte sucessão? Felisberto do Vale Sotomaior foi exposto a 2 de setembro de 1817 e 20 dias mais tarde entra na Roda um menino com dias de vida chamado Joaquim do Vale Sotomaior. Morrem ambos. A 8 de março de 1817 é abandonado um recém-nascido com nome de Joaquim do Vale Sotomaior e a 4 de abril de 1825 foi enjeitada uma menina a quem se chamou Maria do Vale Sotomaior. Batizada a criança e não estando enferma, encontrava-se pronta para sair. Restava esperar que uma ama externa a levasse.»

(...) a distribuição das crianças 
O mais rapidamente possível, os expostos deixavam a cidade e seguiam para os campos nos braços de uma ama-de-leite. A sobrevivência, afinal o objectivo da Roda, dependia, acima de tudo, da rapidez do escoamento, mas as amas nem sempre se sentiam atraídas. Como já foi salientado, este movimento nunca se precisou com a rapidez desejada e por isso grande parte dos expostos sucumbia na Roda. Muito sofreram os enjeitados com as amas-de-leite, porque teriam pouco leite para amamentar mais do que um, porque eram pobres, porque tinham de trabalhar no campo e com falta de disponibilidade para deles tomar conta e sem leite davam-lhes por vezes comida que ainda não era própria para a idade o que fez aumentar drasticamente a mortalidade, além de muitos eram entregues na Roda e dados a outras amas e no total conheceram umas 5 ou 6, E por outro lado as amas externas com salários muito atrasados e a viveram a léguas de Coimbra em nada contribui para o sucesso destas pobres crianças. 
(...)  José Feliciano de Castilho em 1821 que “são poucas as amas que agora concorrem a pedir crianças na Roda, porque anda horrivelmente atrasado o seu pagamento; assim mesmas as crianças não se acumulam naquela casa, mas é porque morrem das aftas em poucos dias de entrada”. O estado em que se encontram os expostos “ é o pior de todos, pior até do que não haver Roda, porque ainda que alguma mãe matasse o seu filho, as mortes seriam menos do que na Roda Actual”.
«Em 1809 o bacharel Manuel de Sousa Correia Feio testou a favor do Colégio dos Orfãos (para que se acrescentasse o número de colegiais) o produto da venda da 4ª parte dos seus bens de raiz, o que faz reverter à instituição 2,2214780 Réis. De facto, com estes réditos a Mesa da Misericórdia admitiu mais um menino, mas apenas em 1814. Os juros deste capital deixaram, contudo, de conseguir suportar tal despesa em 1832. O Colégio de S Caetano de Coimbra beneficiou de um outro importante legado: a quantia do Arieiro, além de umas casas situadas na rua dos Estudos, testadas em 1825 pelo vice reitor Dr Francisco Montanha. A quinta foi inicialmente explorada pela Misericórdia servindo esporadicamente de local de recreio para os órfãos, depois arrendada, mais tarde aforada e finalmente vendida. »
(…) Assim, a Misericórdia de Coimbra estabelece a seguinte ordenação: entre os órfãos de legitimo matrimónio (que são sempre os primeiros, a 1ª classe) e em iguais circunstâncias de “qualidade, pobreza e idoneidade” -, preferem os filhos e netos dos Irmãos da Misericórdia e antes de todos os filhos e netos de Irmãos que tenham servido na Mesa ou nos empregos da Santa Casa.  De Ansião só se conhece a entrada de um órfão neste colégio. Os alunos não seguiam nem teologia nem os cursos superiores (…) Há neste estabelecimento uma tendência que repugna à minha consciência, aos meus princípios, e à minha convicção, e hé, que muitos dos Alumnos se querem dedicar às Sciencias superiores, e talvez esta tendência venha a ser prejudicial a eles e ao Estabelecimento. Com tudo não quero eu que se deixe de aproveitar algum talento transcendente, e nisto também um grande serviço fazemos à Pátria, mas estes talentos são raros (…) O principal fim de tais Institutos são tirar da miséria e orfandade, meninos que adquirindo certo hábito e força se apliquem aos officios mecânicos”. (...) iam aprender a arte de latoeiro, sapateiro, correeiro, pintor de loiça, serralheiro, carpinteiro, caixeiro, sangrador, livreiro, serigueiro, relojoeiro, boticário, encadernador, merceeiro e alfaiate.
Curiosamente em 1787- 1799 a residência das amas externas de Ansião
não há referência de nenhuma, e as havendo uma no Espinhal, outra em Penela,  em Abiul e no Pombalinho. Em 1750- 1754 Alvorge e Ansião sobressaem nos escalões seguintes como as mais “longínquas” com naturalidade de doentes nascidos no bispado de coimbra, que chegam ao hospital real pelas vicissitudes da guerra que assolaram a região explicam tal grande afluência. »

Imagem de uma Roda
A mulher a tocar a sineta para chamar a rodeira, ao lado a carta deixada para mais tarde o identificar.
"Em Lisboa, a Santa Casa de Misericórdia de Lisboa, por mão do Conde de Rio Maior, extinguiu este “Serviço” em 1870, atribuindo pequenos subsídios a mães “indigentes”. E muitas das crianças passaram de “expostas” a “encobertas” – aquelas cujas mães as não queriam registar. E as que as registavam, era sem nome de pai, o que as autoridades consideravam melhor do que a situação anterior. Por essa altura, essas mães podiam ficar com seus filhos até um ano, a expensas da SCML, como que a servir de “amas de leite” dos próprios filhos. E são fornecidos os seguintes dados:
Em 1870, altura da extinção da Roda, havia 2 879 crianças “expostas”; em 1871 havia 1692 crianças “encobertas”; em 1972, 449. E dizem-nos que em 1938 só havia 5 crianças na rua!
Em 1977, decorrentes do Dec.-Lei nº 496/77 foram criados Serviços de Adopções, tendo a legislação já sofrido várias alterações.

(...) Até ao séc. XVI a assistência aos expostos estava entregue às Câmaras dos respectivos concelhos mas, a partir desta data, foi passando para as Misericórdias, sem que as Câmaras sejam dispensadas das contribuições financeiras. Assim se manteriam as disposições que colocam os expostos a cargo das Misericórdias, hospitais, albergarias e Câmaras Municipais até ao séc. XVIII.  Foi D. Maria I que reconheceu oficialmente a problemática dos expostos. Através da Ordem Circular da Intendência Geral da Polícia de 24 de Maio de 1783, da autoria do seu ministro Pina Manique, determina-se a obrigatoriedade do estabelecimento de uma Casa da Roda em todas as vilas do reino. Ficam aí estabelecidas as bases da administração dos expostos. Como esta ordem não foi totalmente cumprida há novas alterações significativas com Passos Manuel. Este impõe essas alterações pelo Decreto de 19 de Setembro de 1836 (três meses depois são reafirmadas pelo primeiro código administrativo português). Desde este momento os enjeitados serão acolhidos somente pela autoridade civil. Cessam as competências das Misericórdias e de qualquer outro instituto religioso. As despesas efectuadas com os expostos serão geridas pelas Juntas Gerais de Distrito e cada concelho da sua área administrativa terá de pagar uma determinada quantia. A administração da Roda passar á para a exclusiva responsabilidade das Câmaras Municipais, sob fiscalização das autoridades do distrito. O comportamento também é alvo de fiscalização pelo Regedor de Paróquia. Após esta data, apenas a Misericórdia de Lisboa continuou a prestar assistência aos expostos. A extinção gradual das Rodas, em Portugal, deu-se com o Decreto de 21 de Novembro de 1867, substituindo-as por hospícios.Há muito que os debates das elites intelectuais a favor e contra o sistema das Rodas faziam prever este desfecho. Criaram-se outras opções para evitar o abandono anónimo de crianças como subsídios de lactação para mães pobres, enfermarias de parto nos hospícios, creches, asilos, etc. Contudo, a exposição não acabou de um momento para o outro. “(...) em 1910, as câmaras ainda se ocupavam de expostos, embora fosse um fenómeno de reduzida escala comparado com o século anterior.”

Citar excerto de https://sumidoiro.wordpress.com Abandonados.Uma história feita de lágrimas  em prefaciar o pensamento de J.W.Goethe "Se estamos no alto, Deus é tudo. Se estamos em baixo, Deus é uma compensação para a nossa miséria."

Pintura de Rubens , Saturno devorando o próprio filho
"Para lidar com essas pobres criaturas, os adultos precisavam de lhes colocar um rótulo, criando nuances para acomodar a desgraça no contexto social. Foi assim que inventaram o ilegítimo ou bastardo, o enjeitado, o exposto − aquele sofria um abandono piedoso − e, também, o órfão.
Um nome para cada tipo de abandono mas, nas suas santas inocências, as crianças não tinham como perceber o peso da discriminação, que só iriam descobrir quando adquirissem o domínio da razão.
Percorrendo as trilhas dessa cruel história, depara-se também com os filósofos da antiguidade, que encaravam as crianças com desdém. Os gregos Sólon, Platão e Aristóteles, aprovavam o infanticídio. O romano Sêneca não deixava por menos, admitia o afogamento dos nascituros malformados como um procedimento normal. As suas posturas deixaram claro que sabedoria e sensibilidade são coisas diferentes.
Os romanos assimilaram as ideias dos gregos, consubstanciando-as na Lei das Doze Tábuas, que passaram a fazer parte do Direito Romano. Na Tábua IV, foi escrito:
1 – É permitido ao pai matar o filho que nasceu disforme, mediante o julgamento de cinco vizinhos.
2 – O pai terá, sobre os filhos nascidos de casamento legítimo, o direito de vida e de morte, e o poder de vendê-los.
3 – Se o pai vender o filho três vezes, que esse filho não recaia mais sob o poder paterno.
4 – Se um filho póstumo nascer até o décimo mês após a dissolução do matrimônio, que esse filho seja reputado legítimo.


O abandonado Moisés sendo recolhido pela filha do faraó.
Pintura de K.D. Flavitsky
" Reza a história que, no antigo Egito, havia o costume de abandonar os filhos dentro de cestos lançados no rio Nilo. A Bíblia citou um desses desafortunados, Moisés, cuja mãe era Jocabede e o pai Amram. Diz o Velho Testamento que, “Nesse tempo nasceu Moisés, e era mui formoso, e foi criado três meses em casa de seu pai.” Naquela época, o anúncio de uma profecia sobre o nascimento de um menino, que viria cobrir o país de desgraças, motivou o faraó a ordenar que todos os bebês varões israelitas fossem mortos. Sentindo o iminente perigo, Jocabede, com a intenção de salvar o filho recém nascido, abandonou-o, exposto dentro de um cesto de vime, junto aos juncos do rio Nilo. Por sorte, o bebé foi encontrado e recolhido. O texto sagrado diz ter sido “repelido pela mãe”, pois está escrito: “E, sendo enjeitado, tomou-o a filha do Faraó, e o criou como seu filho.” O inocente recebeu o rótulo errado, sem correspondência com o fato real, mas ficou escrito Havia justificativa para o ato de Jocabede, ocorrido em uma situação de desespero, por isso, a mãe achou aquela a melhor alternativa. O traumático início de vida do profeta Moisés mostra como a decisão de abandonar o filho é cercada de imprevisibilidades. As razões são inúmeras e as consequências dolorosas, para ambas as partes.
A frouxidão dos costumes contribuiu para o surgimento de fortes candidatos ao abandono, os bastardos. Nesse aspecto, não faltaram palavras de alerta da Bíblia, para quem infringisse as regras, gerando filhos fora do casamento. No Deuteronômio está dito que “Nenhum bastardo entrará na congregação do Senhor; nem ainda a sua décima geração entrará na congregação do Senhor.” Assim é que, embora todos filhos do mundo sejam concebidos da mesma maneira, o nascer fora da lei divina lhes agregava uma condenação definitiva. Soa absurdo terem sua mácula repassada aos descendentes mas, dizendo que falam em nome de Deus, os religiosos se utilizam desses métodos para coibir os maus comportamentos."


David venceu o bastardo Golias cortando-lhe a cabeça.
Pintura de Caravaggio
"Nos tempos em que os israelitas viviam em guerra contra os filisteus, havia um gigante que ficou famoso. Ele usava capacete de bronze e couraça escamada, e lhe chamavam Golias. Sua figura inspirava terror, não só pela aparência, mas também porque era um espúrio, ou em outra palavra, um bastardo. Quando lutou contra o pequeno Davi, para alívio e felicidade geral da multidão, aquele que era a personificação do mal foi derrotado. Coitado do bastardo!
Outro caso, é o de um bastardo bem sucedido que, de certa forma, aliviou-se do preconceito. Chamava-se Jefté, filho – fora do casamento – de Galaad com uma prostituta. Quando cresceu, expulsaram-no da casa paterna e lhe disseram: “Tu não herdarás nada na casa de nosso pai, porque és um bastardo.” Porém, o menino cresceu e apareceu, tornando-se juiz e general vitorioso do exército de Israel e, dessa maneira, o que fora mal nascido tornou-se um líder amado pelo povo. Viva o bastardo!"


Os Expostos
"Foi na antiguidade greco-romana que implementaram o abandono denominado “exposição”, no qual a vítima era “exposta” ou colocada à disposição de quem pudesse recolhê-la. Em Atenas, eles eram expostos junto a um edifício público, chamado Cinosarges(1). Em Roma, eram despejados junto a uma coluna, chamada Lactária, perto do mercado de legumes. Tanto os atenienses, quanto os romanos, tinham estabelecimentos públicos que acolhiam os expostos, mas, se ninguém viesse reclamá-los, passavam a ser propriedades do estado. A consequência é que podiam ser vendidos. De modo geral, no mundo antigo, os filhos abandonados eram a melhor fonte dos mercadores de escravos. "

Coluna Lactária de Roma e São Justino, defensor dos inocentes.
"No século II, São Justino de Roma(2), na primeira Apologia, manifestou-se contra aquelas maldades, tão corriqueiras no mundo pagão: “… a fim de não cometer pecado ou impiedade, professamos a doutrina de que expor os recém-nascidos é obra de perversos. Primeiro, porque vemos que quase todos vão acabar na dissolução, não só as meninas, mas também os meninos. Do mesmo modo como se conta que os antigos mantinham rebanhos de bois, cabras, ovelhas ou cavalos de pasto, assim se reúnem agora rebanhos de crianças com a única finalidade de usar torpemente delas, e toda uma multidão, tanto de mulheres como de andróginos e pervertidos, está preparada em cada província para semelhante abominação.”

A “Roda dos Enjeitados”
Criada em Marselha, França, em 1188. Chocado com bebés mortos no rio.Faziam a entrega dos enjeitados a amas de leite de famílias pobres, a quem confiavam a criação e educação.
Torre do Abandono, séc. XVIII em França
"Com o avanço do cristianismo, a criança deixou de ser mero objeto, nascia livre − exclui-se aquelas de pais escravos − e passou a ser vista como pessoa. A igreja e almas caridosas, condoídas com a situação daquelas criaturas, trataram de encontrar remédios para o desamparo. No ano de 529, o imperador bizantino Justiniano(3) criou abrigos denominados brefotrófio. Mais tarde, as ordens religiosas, foram encarregadas, pelos bispos, de criar casas de acolhimento. Uma delas foi o Hospício do Espírito Santo, instalado em Paris, no ano de 1362, que acolhia indistintamente todas as crianças negligenciadas. Mais tarde, limitou-se a receber os filhos legítimos, menores de nove anos de idade (4).
Na Alemanha do século VI, existiu em Trier(5), o costume das mulheres desafortunadas entregarem − ou exporem − seus filhos recém-nascidos na igreja, em uma concha de mármore ali colocada para essa finalidade. Os responsáveis pela concha recolhiam os bebés e cuidavam de conseguir alguém que pudesse acolhê-los. Esse procedimento foi precursor daqueles que, mais tarde, se espalharam pela Europa, utilizando as denominadas Rodas dos Expostos ou Torres do Abandono (Tour d’Abandon). Em Marselha, no ano de 1188, existiu, no Hospital dos Cânones de Marselha(6), uma Torre do Abandono. As rodas eram um recipiente giratório, instalado em uma parede externa da casa de recolhimento, de tal forma que, de fora, não se via o interior do edifício. Junto ao aparato, havia uma corda que, ao ser puxada, acionava uma sineta de alerta, para se recolher a criança. As Torres tinham a forma de uma caixa alta e estreita, contendo uma pequena câmara receptora, que poderia ser giratória, mas eram apenas uma sofisticação da roda. De modo geral, as instituições que recebiam órfãos e enjeitados eram denominadas “hospícios” e várias disponibilizavam a roda."


São Vicente de Paulo e as Filhas da Caridade.
Abandono à Portuguesa
«É certo que Portugal esteve entre os países pioneiros no socorro aos necessitados. Quanto aos enjeitados, é conhecido o alvará(10) de Filipe III, em 19.05.1618, determinando que todas as Casas de Misericórdia tivessem um regulamento, que contemplasse o acolhimento de crianças desamparadas. No capítulo 33, parágrafo 2º, se lê:Achando-se* (*encontrando-se) alguns meninos desta qualidade e constando do seu desamparo, o provedor e demais irmãos da mesa os mandarão acabar de criá-los, tomando-lhe amas enquanto forem de pouca idade e, depois de crescidos, lhes darão ordem conveniente de modo que, por falta de criação venham a ser prejudiciais à República, nem que por falta de ocupação fiquem expostos aos males que a ociosidade costuma causar.»
No parágrafo 3º: “Havendo alguma pessoa virtuosa, que queira se encarregar da criação e amparo de algum desses meninos, a casa lho largará, porque não deve tomar a seu cargo senão aqueles que não tiverem outro remédio ou sustento.»
(..) "Ao atingir a metade do século XIX, quase todas as comunidades mais populosas de Portugal contavam com uma Roda dos Expostos, instaladas sob o amparo das câmaras municipais. As boas intenções, geralmente, não produziam os esperados benefícios e os enjeitados eram tratados com displicência. Até os sete anos de idade, as crianças ficariam sob a tutela e às expensas do poder municipal. Findo esse período, se submeteriam “à lei geral dos órfãos” que, no intuito de protegê-las, acabou por lançá-las no mais completo desamparo.
Pelas ordenações do reino e pelas leis orfanológicas, poderiam ser adjudicados em hasta pública, por quem tivesse interesse pelos seus serviços. Nesses casos, os que pagassem mais levariam os coitadinhos. Felizmente, parece que a lei não vingou, porque poucos se interessaram nesse comércio. A consequência da regulamentação absurda é que, quando atingiam a idade fatal dos sete anos, eram baixados do chamado “livro negro”, mas o poder judicial não os inscrevia no seu e, desse modo, retornavam à condição de abandono.»

Uma mulher a deixar a criança no cilindro da roda
Citar excertos https://estudogeral.sib.uc.pt de Maria Antónia Lopes Assistência publica à infância
«O sistema legal português de assistência aos expostos já desde o século XVI, pelas Ordenações Manuelinas (1521), era clara a responsabilidade de criar as crianças que competia primeiro aos pais, depois aos parentes e, na impossibilidade destes assumirem essas responsabilidades deveriam ser os hospitais e hospícios e finalmente numa cadeia clara, os municípios .
A criação dos enjeitados fora em Portugal entregue às autoridades municipais sempre que na área do concelho não existissem hospitais ou albergarias que deles se encarregassem.
A criação das Misericórdias originou que nos grandes centros urbanos se estabelecesse acordos de principio entre as instituições de modo que, passando a administração dos expostos para a responsabilidade das Misericórdias, as Câmaras deveriam contribuir financeiramente para este serviço.Na ausência de qualquer politica assistencial, este apoio começou por ser de cariz caritativo e religioso, que depois passaram para as Câmaras municipais.O código administrativo de 1836 estabelece como obrigação das câmaras cuidar na criação, e educação dos Expostos, e estabelecer o regime que nas respectivas Rodas, e Casas que se deva cuidar. Por esse facto existia o Juiz de Órfãos , ao qual incumbia todos os assuntos relativo quer aos órfãos quer à tutela dos Expostos. Aos sete anos de idade o exposto deixava de estar a cargo da Roda e passava para a administração desse juiz , tendo de aprender um oficio. Os juízes nomeavam-lhe tutores e acomodavam-nos como criados a troco de alimentação, vestuário e dormida.A partir dos doze anos passavam a receber salário e atingidos os 20 anos eram livres e emancipados.
Diz Pereira que o flagelo dos Expostos "era uma realidade transversal no território nacional", desde o período oitocentista referindo que "no período de 1863-1864, estariam entregues a estas instituições 37414 expostos tendo entrado nesse ano 15417.Não há palavras que possam justificar os números tão realistas quanto assustadores.
O código civil de 1867 veio definir um novo estatuto jurídico para os Expostos, aclarando simultaneamente questões relacionadas com o poder paternal , a legitimação e tutela de filhos perfilhados e a paternidade ilegítima.O artigo nº 290 determinava que os Expostos ou abandonados teriam direito à propriedade e usufruto o que tudo adquirissem durante a sua menoridade .De fora do processo de perfilhação ficavam os filhos concebidos de relações adúlteras ou incestuosas , considerados filhos espúrios, cuja condição jurídica não lhes permitia aceder a tal circunstância.
Os concelhos à custa das suas rendas , passariam a ter a obrigação de criar, alimentar e educar até à idade em que pudessem ganhar para o seu próprio sustento , também os filhos menores de pessoas miseráveis , alargando consideravelmente a abrangência assistencial dos municípios.
O código administrativo de 1878, apesar de designar como atribuição da Junta Geral do Distrito
"as despesas com os expostos e crianças desvalidas e abandonadas" atribua de igual modo ao Administrador do Concelho a competência de " fiscalizar o modo porque são cumpridos os regulamentos acerca da administração dos expostos . A crescente taxa de mortalidade nos Expostos nas Rodas suscita "enormes preocupações e protestos de vários quadrantes; os médicos apelam vigorosamente ao fim destas e os parlamentares dão voz às queixas dos municípios, sempre confrontados com a falta de verbas para a manutenção deste serviço, com a má vontade das populações e com as queixas das amas. (...) os médicos e os jornalistas os maiores críticos considerando a Roda um símbolo de miséria . Os dinheiros gastos com as crianças saíam das contribuições públicas.
As ordenações Filipinas /1603) mantiveram este clausulado em que as câmaras tinham de suportar os gastos com a criação de crianças enjeitadas nascidas sob a sua jurisdição até completarem sete anos de idade se não houvesse Casa dos Expostos ou Roda. Era competência das câmaras pagar a amas para criarem os enjeitados. Mas, com a difusão das Misericórdias, o socorro aos expostos foi assegurado por várias delas, a título facultativo, ao longo dos séculos XVII e XVIII. Em muitos concelhos continuaram a cargo das câmaras, sendo, provavelmente, a situação mais generalizada durante todo o século XVII, se não mesmo no XVIII. Distribuição por ora ainda desconhecida. Quando as Misericórdias assumiram a assistência aos enjeitados, não arcavam com as despesas, que continuavam a ser suportadas por tributos arrecadados pelos órgãos concelhios. Saliente-se que era só para os expostos (e, teoricamente, para os órfãos pobres) que a lei geral do reino previa o financiamento retirado do produto das tributações públicas.
O Marquês de Pombal, ministro do rei D. José (1714-1750) reformou a assistência prestada aos expostos de Lisboa ( a cargo da Misericórdia) em 1775. Mas foi durante o reinado de D.Maria I (1777 a 1816 que o socorro a estas crianças foi reorganizado a nível nacional por ordem de 24 de maio de 1783, emanada da Intendência Geral da Policia dirigida por Pina Manique.
Todas as vilas (em número muito superior aos atuais concelhos) que possuíssem instituições destinadas ao acolhimento dos expostos, dotar-se-iam com uma casa munida de uma roda. Proibiam-se as indagações sobre a identidade do expositor, pretendendo-se com esta atitude facilitar a exposição para obviar ao mal maior do infantícidio, que, supostamente grassava pelo reino provocando a rarefacção das gentes. Interessava que os enjeitados sobrevivessem «por consistirem as riquezas de um Estado na multidão de habitantes».
Os meninos seriam criados por amas externas nos seus domicílios, geralmente até aos sete anos, recebendo as criadoras salários pagos pelas Câmaras. Em todas as povoações onde a criação dos expostos era assumida pelas misericórdias, a organização assentava também na entrega a amas externas.Os provedores das comarcas passavam a ter por obrigação elaborar e remeter à Intendência Geral da Polícia tabelas anuais das entradas e óbitos dos expostos.Ao alcançarem os sete anos de idade, as crianças passavam para a alçada dos juízes dos órfãos tendo de trabalhar para o seu sustento. Os juízes deveriam nomear-lhe tutor e acomodá-los como criados a troco de alimentos, vestuário e dormida, passando os meninos e meninas a receber salário a partir dos doze anos. Atingidos os 20 anos de idade, eram livres e emancipados. Este sistema estruturado pela Ordem de 1783 e que não contraria o que se estipulava nas Ordenações, sofreu apenas algumas remodelações de pormenor em 1800, 1806, 1812 e 1814 e irá vigorar até 1836.
A partir desta data consta como obrigação das câmaras a criação e educação dos expostos, e estabelecer o regime que nas Rodas e Casas se deva guardar". Por esse facto existia nos concelhos um juiz dos Órfãos ao qual incumbia todos só assuntos quer aos órfãos quer à tutela dos expostos.
O abandono de crianças foi um comportamento que cresceu continuadamente de meados do século XVIII à década de 1870, o que sucedeu por toda a Europa, mas foi mais acentuado em Portugal.Face à expansão do fenómeno e ao constante subfinanciamneto do sistema,os resultados eram catastróficos. Encarregado de inspecionar a criação dos expostos nas províncias, em 1813, Filipe de Araújo e Castro concluiu que morriam "três quartos da totalidade de crianças expostas».
O Liberalismo foi definitivamente implantado em Portugal em 1834 e, logo dois anos depois, o decreto de 19 de setembro de 1836, pretendendo combater os altíssimos níveis de mortalidade registados entre os expostos, retirou às misericórdias que deles se encarregavam, atribuindo esta modalidade assistencial exclusivamente às autoridades administrativas».


Roda dos Expostos e desvalidos com 7 a 17 anos em Coimbra
 1887                                             1888                                              1889
Alvaiázere 4                            Alvaiázere 5                                  Alvaiázere 3
Ansião 16                                Ansião 6                                         Ansião 2
Figueiró dos Vinhos 50        Figueiró dos Vinhos 46               Figueiró dos Vinhos 11
Pedrogão 63                            Pedrogão 41                                   Pedrogão 24
Pombal 13                                Pombal 8                                         Pombal 3
Montemor o Velho 84             Montemor o Velho 80                   Montemor o Velho 71 

Citar excerto da cercadecoimbra.blogs.sapo.pt «Nos termos das Ordenações Filipinas (1603) os filhos ilegítimos deviam ser criados à custa dos pais... Não o querendo estes fazer, ou sendo filhos de religiosos ou de mulheres casadas, mandar-se-iam criar à custa dos hospitais ou albergarias que houvesse, com bens ordenados para a criação de enjeitados. Na falta de tais hospitais e albergarias, criar-se-iam à custa das rendas do concelho. Quando as não houvesse, lançar-se-iam fintas pelas pessoas que tinham obrigação de pagar nas fintas e encargos do concelho. Competindo esse encargo inicialmente à Câmara, que com grandes dificuldades o ia suportando, pouco depois já a Misericórdia de Coimbra, no seu compromisso de 1620, inseria o capítulo intitulado «De como se há-de acudir aos meninos desamparados»... Mais adiante, por provisão régia de 7-V-1708, foi a Câmara aliviada da administração dos expostos e atribuída à Santa Casa da Misericórdia, entregando-se a esta, para a criação dos mesmos, as rendas da imposição, fintando-se ainda 400.000 réis anuais nos lançamentos das sisas da cidade de Coimbra e seu termo.
(...) Na primeira metade do século XVIII, surgiu, de importação estrangeira, a prática das ‘rodas’ dos expostos favorecendo e de algum modo oficializando a exposição clandestina, com o benéfico propósito de suprimir ou pelo menos reduzir a proporções mínimas o crime de infanticídio.
(...) Num documento, datado de 15-III-1712, vê-se que o provedor e demais irmãos da Misericórdia de Coimbra compraram... umas casas sitas em Montarroio ... «para nela se fazer uma roda de enjeitados».
(... )do referido Compromisso da Misericórdia de Coimbra de 1629, edição de 1830, vem inserto, sem data, o «Regulamento da Real Casa dos Expostos da cidade de Coimbra» ... lê-se que o edifício da Roda se acha muito mal situado, por ser húmido e abafadiço, no inverno, exposto a calores extraordinários no verão, e privado pela sua posição dos ventos de norte e dos outros que possam arejá-lo e refrescá-lo ... O cemitério, em que ao tempo eram sepultados os expostos, imediato às paredes das casas da Roda, que ficava ao norte, em risco de infecionar e corromper os ares, devia em todo o caso mudar-se para sítio mais distante e retirado. Em 1836, sendo lastimoso o estado em que se achavam reduzidas as diversas rodas de expostos em todo o país... o decreto de 19 de Setembro dispôs... 3.º que a administração de cada um dos estabelecimentos de expostos competia às Câmaras Municipais...; 4.º que assim cessava a competência que em algumas terras estava incumbida às Misericórdias.
(...)recebeu a Câmara (20-I-1838), do provedor da Misericórdia a relação dos tributos que se cobravam para a manutenção dos expostos .
(...) nomeou escrivão dos expostos e fez imprimir ... «Regulamento e instrução para a administração dos expostos do distrito de Coimbra»... só a partir de então se pôde considerar a Câmara investida na administração dos expostos, iniciada em 3-V-1839 ... assentou (4-IX-1839) em não mudar a Casa da Roda antes de fazer na então existente as reparações indispensáveis.
(...) Essa Casa da Roda devia ser situada na Travessa de Montarroio, onde mais tarde... se instalou o Asilo da Mendicidade...

A abertura do Hospício dos Abandonados (...) uma proposta ... sobre a supressão da Roda dos Expostos ... veio a ser votada em 21-III-1872, criando-se então o Hospício dos Abandonados ... continuando a sua administração a cargo da Câmara Municipal.
(...) o decreto de 22-II-1911 extinguiu o hospício do distrito de Coimbra ... e criou uma Maternidade anexa à Faculdade de Medicina ... onde fossem recebidos até poderem ser colocados em criação externa os expostos e as crianças desvalidas de abandonadas.
Às 7h da manhã do dia 2 de julho de 1872 a Roda dos Expostos de Coimbra fechou para sempre. 
«Que substituía a roda dos Expostos, vinha finalmente concretizar a proposta de extinção da Roda apresentada à junta geral do distrito a 25 de abril de 1870 pelo Doutor Manuel Emídio Garcia (1838 - 1904)».

 A continuada abertura de Misericórdias
" Entre 1640 e 1750 surgiram mais 77 misericórdias, sobretudo “nas Beiras, Estremadura e Alentejo.
Foi o Marquês de Pombal, como é sabido, que pela lei de 25 de Maio de 1773 proibiu a discriminação dos cristãos-novos. As misericórdias subsistiram inicialmente de esmolas (recolhidas por mamposteiros, a quem se concediam privilégios para os atrair, podendo ser contratados por processos de arrematação de renda) e doações régias de dinheiro, géneros (entregas anuais de açúcar, incenso...) e de certos rendimentos. Com D. João III, começaram a adquirir padrões de juros e, por lei de 1593, as misericórdias receberam o monopólio dos enterros, constituindo-se o aluguer do mobiliário fúnebre importante fonte de réditos (no século XVIII as ordens terceiras irão minar este exclusivo). De salientar, que nenhuma destas modalidades de receita assentava em bens imóveis. Mas, sabe- se agora que as misericórdias adquiriram os seus primeiros bens de raiz, provenientes da incorporação de confrarias, capelas e hospitais, num processo que se iniciou logo no reinado de D. Manuel e que se intensificou na segunda metade do século. A transformação de confrarias pré-existentes em misericórdias ou a sua incorporação, as doações particulares por testamento em prol da alma, isto é, de propriedades encapeladas cujo rendimento se destinava a custear os sufrágios, e a integração dos hospitais camarários ou régios com as suas rendas, transformaram as misericórdias em instituições economicamente poderosas. A incorporação dos hospitais era já uma tendência anterior ao concílio de Trento, mas foi a seguir ao seu desfecho “que os hospitais locais se incorporaram em grande número nas misericórdias, entre os quais o maior hospital do reino, o Hospital Real de Todos os Santos. As misericórdias se  implantavam nos locais  centrais das povoações, sempre muito próximos da igreja Matriz e/ou da Câmara Municipal. Além dos expostos, cujo socorro nunca era previsto nos compromissos das misericórdias, estas asseguravam o serviço dos “meninos desamparados”, ou “lactados”, isto é, o pagamento de criações ou “meias-criações” a lactantes cujas mães os não podiam aleitar porque falecidas, doentes ou mães de gémeos.O socorro aos viandantes com as “cartas de guia” era intensamente praticado pelas misericórdias que instalaram um serviço em rede, simples e eficaz, abrangendo todo o território nacional. Os viajantes, ainda muito associados a peregrinos e por isso de certa forma sacralizados, dirigiam-se à misericórdia mais próxima a quem solicitavam carta de guia, isto é, um documento com a chancela da instituição onde se identificava o viajante, o local de onde partia e a localidade de destino. Recebiam com a carta, que era na realidade um certificado de pobreza e do merecimento da esmola, a ajuda monetária que lhes permitia sustentar-se até chegar à misericórdia seguinte. Aqui apresentavam a carta de guia. O mordomo desse mês pagava-lhes nova jornada e assim, de misericórdia em misericórdia, estes pobres completavam os percursos. Quando doentes e impossibilitados de caminhar, recebiam carta de guia de cavalgadura, isto é, a Santa Casa fornecia ou pagava o transporte a cavalo. As cartas de guia (ordinárias ou de cavalgaduras) andavam nas mãos dos pobres. Por isso estes documentos, que possibilitariam traçar os percursos dos caminhantes, são difíceis de encontrar nos arquivos. O que se conserva são os registos de pagamento dessas cartas que nos elucidam sobre a proveniência e o destino final, sendo, pois, possível estabelecer-se o sentido geral da mobilidade destas gentes . O registo dos providos com cartas de guia pelas misericórdias são, pois, óptimas fontes para o estudo das migrações pendulares . Nos espaços urbanos as misericórdias podiam ainda proporcionar um serviço de transporte assimilável às nossas ambulâncias: a condução dos doentes ao hospital numa espécie de liteira, a cadeirinha. Mantinham ainda pequenos albergues ou “casas de peregrinos” que proporcionavam, pelo menos, abrigo, luz e aquecimento aos passantes. A Igreja tridentina incentivou as que invocavam o Santíssimo Sacramento, o Rosário e as Almas. "
Frei António Cartaxo em finais de setecentos diz que a pobreza real é gritante e aponta os casos em que os ricos devem o socorro refere-se à pobreza material no verdadeiro sentido da palavra: os que pedem de porta em porta, «tantos officiaes sem trabalho, tantos estrangeiros sem domicilio, tantos caminhantes sem abrigo», «tantos filhos sem pai, e tantas viúvas sem remedia», «tantos doentes sem cama, tantos órfãos sem sustento, e tantas donzelas sem vestido». «Entrai por esses Hospitais, e la vereis tantos enfermos, e tantas necessidades dignas todas da nossa compaixão». «Quantos miseráveis se achaõ nesses cárceres, carregados de ferros, perseguidos de fome, e cercados de misérias, ou por suas culpas, ou por alguns falsos testemunhos, como não poucas vezes acontece »


Citar excerto de https://run.unl.pt As Casas da Câmara dos Concelhos Portugueses e a Monumentalização do Poder Local (Séculos XIV a XVIII) Volume I de Carlos Manuel Ferreira


(...) Caetano «Nos concelhos Pedrogão e de Figueiró dos Vinhos, ambos do distrito de Leiria, mas cujos territórios penetram no coimbrão, viviam muitos jovens oriundos da Roda e do Hospício de Coimbra. Havia ainda alguns em três outros municípios leirienses, todos próximos(...) Ansião, um deles. Sem conduta régia, varia a tramitação nos municípios.»

Citar excerto https://estudogeral.sib.uc.pt/ Maria Antónia Lopes  « Os órfãos eram entregues nas igrejas em geral tinham casas que funcionavam como depósitos para os reencaminhar para a Roda distrital. Em 1708, quando a administração dos expostos transitou para a Santa Casa de Coimbra , foram-lhe aplicados 400$000 réis anuais aos cabeções da cidade e do seu termo. São 12 os concelhos compreendidos nesse termo Depreende-se assim que essas localidades não tinham rodas, estendendo-se a área de influencia obrigatória da Roda de Coimbra a Almalaguês, Ansião, Botão, Cantanhede, Castelo Viegas, Cernache, Condeixa, Eiras, Pereira, Poiares, Tentugal e Vacariça. Não corresponde este ao verdadeiro termo do município de Coimbra, do qual há muito já não faziam parte as vilas de Cernache, Tentugal, Cantanhede e Ansião. Nos finais de setecentos já os cabeções de Ansião, Cantanhede, Pereira e Tentugal já nada se remetia para a Roda de Coimbra, porque se aplicava esse rendimento a outras Rodas, certamente instaladas nas próprias vilas. »



Casa dos órfãos e a Rodeira dos Expostos

Trata-se por certo das Rodas mandadas criar pela ordem circular da Intendência Geral da Policia de 24 de maio de 1783.

«Frente ao terreiro como um espaço aberto mas circunscrito, rodeado de casas ou muros de vedação, muitas vezes na confluência de vias de comunicação e perto da Casa da Câmara.»


«A instituição da Roda foi criada por Pina Manique em 1781, essencialmente com o motivo humanitário de prevenir e combater as altíssimas taxas de infanticídio que, em Portugal como por toda a Europa, atingiam as crianças de tenra idade e sobretudo os recém-nascidos indesejados. Pelos motivos expostos atrás, as Rodas localizavam-se normalmente em espaços periféricos e o mais isolados possível, a fim de se prevenir o anonimato do acto de expor.»
                                                                           Ansião

Suposto afirmar que em Ansião os expostos seriam inicialmente deixados na igreja na mesma sorte que noutras terras, mas nada se sabe , ainda não é clara se a documentação entregue aquando da separação do Estado e da Igreja depois da implantação da Republica em parte destruída num incêndio no Tribunal onde estava arquivada em 1937, acaso se salvou em parte, ou não. 
Depois de 1671 aconteceu a criação da Casa da Misericórdia e da sua albergaria na vila junto da Igreja da Misericórdia. Pelo que se possa estranhar a razão de ter sido escolhido para Cabeção do concelho de Ansião o Bairro aonde se manteve até à extinção em 1872 com a elevação de Ansião a Comarca em 1875.Para mim o local foi escolhido por interesses de algum donatário mas também pela passagem da estrada real onde haviam as estalagens sendo necessário manter a ordem com a diversidade de viandantes com os presos de mãos nas grades a suplicar esmolas.
Após a extinção da Casa da Roda por decreto a Câmara pagava a amas externas o subsidio de aleitação, conforme descriminação do registo em Livrode lombada fina no Arquivo Municipal que escapou ao incêndio de 1937 apesar de apresentar a capa parcialmente ardida, merece ser investigado e decifrada a letra com paciência, para mais se saber, merece ser digitalizado antes que se perca para sempre!


Editada a crónica havia numa visita a Ansião ter a sorte e ajuda da Dra Leonor Falcão, a quem desde já mui grata agradeço tamanha dedicação e gentileza, leu-se na  « acta nº1 de 1897 a deliberação da câmara pagar ás amas externas o subsidio de aleitamento dos expostos.»


No Inventário do Município de Ansião de 2013 
Encontram-se 12 Livros com correspondência emitida para a 1ª e 2ª repartições do governo civil, repartição de obras públicas e repartição dos Expostos.
                                                                       
Um Livro de 1871-1912 com o Título: Termos de responsabilidade das mulheres grávidas, solteiras ou viuvas a darem conta dos seus partos. Á Administração do Concelho competia o registo das mulheres grávidas carenciadas que se encontravam no Concelho, onde, as suas crianças eram entregues a amas e os custos suportados eram da responsabilidade da Câmara. De entre várias mulheres apenas a referência a uma que viveu no meu Bairro «Ana Freire, natural do Bairro de Santo António, filha de Manuel Sousa, em 1871 estando gravida de sete meses por não ter dado conhecimento do seu estado foi alvo de chamada à Casa da Administração do Concelho (Manuel Mendes Feio) para se explicar o que pretendia fazer com a criança, respondeu - ia tomar conta dela.»
Uma roda portuguesa no exterior e interior
A Casa da Roda na Cabeça do Bairro em Ansião
Apesar das requalificações no tempo as três casas sediadas a norte do Largo do Bairro não sofreram alterações arquitectónicas.Com muita certeza teria sido a Casa da Roda a da esquerda, porque a Casa da Câmara foi a que se encontra no outro gaveto com data de 1679, a do meio com lintel  de 1680.
Na aguarela de Pier Baldi esta casa aparece baixa, teria sido alterada a partir de 1783 segundo a ordem do Intendente da Policia Pina Manique «todas as vilas tinham de ter uma casa da roda de arquitectura semelhante à casa da câmara.»
Na verdade quem se situar no Largo a sul e olhar o casario verifica a simbiótica semelhança arquitectónica de ambas - Casa da Roda e a Casa da Câmara.
A casa que se apresenta na esquerda na beira da estrada real no meu tempo apenas tinha uma porta e uma janela pequena na frontaria. Teria sido a janela onde deixavam as crianças ou no beco noutra janela mais resguardada dos olhares alheios.
Os pais do Adriano Valente compraram ao tio Ti Moreira que explorava uma taberna mais abaixo um curral onde este guardava a burra ou mula para fazer uma cozinha e currais, mais tarde haviam de lhe comprar a casa alta adoçada à deles a pensar no filho. Sempre a conheci vazia, ao que parece o seu último inquilino de apelido (Sousa) emigrou para África, o Adriano e a esposa disseram-me que há 30 anos quando foram feitas as obras encontraram um papel enroscado numa parede com o pedido de um passaporte para África, mas já não se recordavam do nome...Nas minhas pesquisas encontrei dois passaportes que podem aventar este penúltimo morador desta casa  da família Sousa, suposto para ter dinheiro teria vendido a casa ao Ti Moreira e o quintal a norte ao meu bisavô Francisco Rodrigues Valente, prática usual a venda para fazer dinheiro para a viagem e para se instalar até arranjar trabalho.
Hoje a casa do Adriano Valente conhecido pela alcunha dada ao pai "mocho" pelo Sr. Oliveira Prudente comerciante que foi na vila oriundo de uma aldeia perto de Gouveia, quando o chamava moço, soava na sua pronuncia serrana a mocho,  e assim nasceu a alcunha.
A requalificação da velha casa  de pedra tomou a mesma forma geométrica, alta, comprida e estreita, o que mudou? A fachada tinha uma porta e ao lado uma pequena janela, evidencia à partida seria nessa janela onde se deixavam as crianças como na Casa da Roda da Granja, em Santiago da Guarda. Ou talvez não e tenha sido no beco onde o Adriano abriu uma janela maior por se mostrar mais reservada para deixar as crianças dos olhares  alheios quer da estrada real quer do terreiro do Largo.

Janela da Casa da Roda na Granja em Santiago da Guarda
Local onde existiu um paço episcopal de Coimbra, antes foi dos Jesuítas de Évora com diversas casas de apoio para serviçais, numa delas ainda é visível a janela da Roda na frontaria para a estrada.
Interessante mais saber desta Casa da Roda, de quem seriam os expostos?Alguns de padres? 


A Cruz aparece noutras casa de serviçais
Gente sem paternidade natural do Bairro com apelidos ou carente delesQuando Ansião foi elevada a vila teve um juiz de Órfãos e Casa da Roda onde as crianças eram expostas por as mães não terem forma de sustento. Na maioria eram filhos de pai incógnito cujas mães ao fazer o seu registo lhes davam como apelido em geral o seu, ou ligados a Imagens da Igreja, para nos finais do século XIX reconhecer que houve mulheres abençoadas de inteligência pela ousadia de os registarem com o apelido do pai, embora este não os perfilhasse. Disso é notória visão em pedidos de passaportes com mais de cem anos onde não é mencionada a paternidade, contudo alguns de apelidos sonantes de gente abastada num tempo de extrema pobreza em que os senhores e os seus filhos usavam e abusavam das criadas domésticas, as "sopeiras" e das operárias para trabalho rural ou fabril . Quantas pobres mulheres foram engravidadas pelos "meninos" filhos dos senhores, pelos senhores e por padres? O que lhes acontecia quando a gravidez, acontecia? Ninguém até hoje julgo tenha investigado este fenómeno de uma escravatura legal, conhecida e aceite em períodos históricos da nossa sociedade em que estas aberrações eram aceites. Hoje ainda nos esquecemos que ainda existem "sopeiras" vivas...Reformulei o que alguém escreveu " É preciso que sejam entrevistadas e estudadas para o registo histórico de memória futura a sua história nesta sociedade vergonhosa ainda tão recente nas nossas memórias. Como as sopeiras provam, não se acabou a escravatura por decreto"...
Pela honra da família e dos bens, homens casados não perfilhavam os filhos fora do casamento em geral. Casos raros mesmo sem o apelido as mãe recebiam dinheiro para os criar e até seguiam os estudos. Descobri um caso em Figueiró dos Vinhos, lamentavelmente perdi essa nota,matriculado na Universidade de Coimbra, sem paternidade.  Também houve enganos em registos de nascimento pela transmissão oral do linguarejar e ainda houve expostos que viram o nome alterado de batismo pelo padre por achar que os nomes próprios para ele os considerava apelidos como "Ventura" entre outros.  

O sítio da Casa da Roda de Ansião?


Beco no gaveto da  casa do Adriano Valente e da tia Mavilde
Notório os resquícios de um muro grosso primitivo em formato de "L"a delimitar o quelho que no passado encerrava este bloco habitacional com outro, o da Casa da Câmara e a Casa do Administrador .
O beco entesta com a casa do Adriano e ao fundo a um barracão com uma porta e uma janela da Mavilde Murtinho.
Teria sido aqui a Casa da Roda?
O cabeção do concelho também teve a casa do pão e das farinhas. No meu tempo já aqui no barracão não se cozia o pão, era a adega de Abílio Murtinho. A última padeira a"Ti Maria Zé da Adelina" mulher com arte de fazer e cozer o pão que os seus ascendentes levarem por gerações, o caso do seu irmão o meu bisavô Elias da Cruz , da sua filha a minha avó Piedade da Cruz e outras suas irmãs.
Na berma da estrada onde hoje é a casa da Mavilde Murtinho fala-se que houve uma oficina de ferrador, daqui teria saído quando esta via de comunicação deixou de ter frequência no principio do século XX para se instalar em Além da Ponte onde também  uma irmã (Beatriz?) do meu bisavô Elias Cruz se casou e também cozia  pão.
Barracão da Mavilde Murtinho
Deslindei em pedidos de passaportes dos inícios do séc. XX pessoas sem paternidade daqui naturais do Bairro, podem ter sido os últimos órfãos da Casa da Roda (?).
Pedidos de passaportes sem paternidade de gente da Cabeça do Bairro onde esteve sediada a Casa da Roda de Ansião
 
Passaporte de Luís Marques 1909-03-06 Idade: Não mencionada
Filiação: Paternidade não mencionada / Clara da Conceição
Naturalidade: Quinta do Bairro ? / Ansião / Pombal
Residência: Quinta do Bairro ? / Ansião / Pombal
Destino: Santos / Brasil
Observações: Quinta do Bairro não consta como pertencendo a Abiúl e sim Ansião, óbvio que ou foi mal transcrito do documento ou esteja no mesmo o equivoco no seu preenchimento.
Observações: Escreve

Passaporte de Abílio de Sousa 1905-04-01 Idade: 28 anos
Filiação: Paternidade não mencionada / Maria da Conceição
Naturalidade: Bairro / Ansião
Residência: Torre de Vale de Todos / Ansião
Destino: Santos / Brasil

O passaporte do Abílio Sousa sem paternidade mencionada, filho de pai incógnito, contudo recebeu o apelido "Sousa" que seria do pai , gente abonada com origem no Couto da Torre de Vale Todos, que se deslocou para a Cabeça do Bairro para exercer cargo adstrito ao poder da vila, porque até a dona da última estalagem era da Torre de Vale Todos.

Passaporte de Justina da Conceição 1905-10-24 Idade: 31 anos
Filiação: Manuel José de Sousa / Joaquina da Conceição
Naturalidade: Cabeça do Bairro / Ansião
Residência: Rascoia / Avelar / Ansião
Destino: Moçâmedes / África
Observações: Acompanhada de sua filha Amélia, de 1 ano.
Passaporte de Adelino de Jesus 1901-05-13 Idade: 31 anos
Filiação: Pai incógnito / Maria da Conceição
Naturalidade: Ansião
Residência: Ansião
Destino: São Paulo / Brasil
Observações: Pai incógnito. Acompanhada de seus filhos, Manuel dos Reis, de 10 anos, Alfredo dos Reis, de 7 anos e Bonifácio dos Reis, de 4 anos. Este Adelino de Jesus veio a baptizar os filhos com o apelido "Reis" então forte na quinta do Bairro ao Ribeiro da Vide, em Ansião, à partida seria o seu pai um "Reis"...

O Conselheiro António José da Silva natural de Ansião, padre, faleceu em 1905. No testamento deixa ao Hospital da sua terra - Ancião - além de uma casa que vale mais de três contos de réis, mais 500$000 réis; 100$000 para serem distribuídos pelos pobres das 4 freguesias da cidade de Coimbra; 30$000 réis para os pobres da sua terra; 1 contos de réis para auxilio das despesas de um alumno pobre do Seminário; 30$000 réis  ao Asylo da Infancia Desvalida; igual quantia ao Asylo da Mendicidade (...)

Conclusão
A crónica foca a temática na sua génese para dar a conhecer que também existiu em Ansião a Casa da Roda, sem que tenha alguma vez sido objeto de estudo por historiador ou investigador.Parti em dissertação sem qualquer dado referente a prova documental sobre esta vila, porque uma coisa é nada se falar e outra coisa é falar do que se sabe, se ouve e se teoriza, pese embora passível de erros diminutos sobre a história deste passado a que dei voz, havendo espaço para mais se vir a saber!
Para encontrar alguma informação sobre a actividade da Roda em Ansião foi fulcral a leitura de monografias e demais documentação disponibilizada na internet.
Depois de ter publicado a crónica tive conhecimento que se encontra alguém a investigar os Livros sobre a roda dos expostos de Ansião. Foi num acaso numa visita à Biblioteca ao falar da crónica onde fui informada tendo aproveitado para retirar dois excertos que à posterior acrescentei. Em concreto desconhecia a existência de qualquer documentação afecta e ainda se existe o oficio da Junta Geral do Distrito de Leiria a informar a CÂMARA DE ANSIÃO sobre a sua extinção em 1860 .
Na região apenas encontrei esta temática referente a um trabalho sobre a vila de Ferreira do Zêzere.
Depois da publicação apreciei um comentário da minha amiga Maria de Fátima Fernandes 
 " O trabalho está muito rico e retrata uma realidade que existiu, foi havendo alterações, mas continua a existir, só que nascem e são vendidos ou outras vezes mortos...
Esse menino vai aprender muito com a avó..."



FONTES
https://aviagemdosargonautas.net/2011/11/16/ de Clara Castilho
Aquilino Ribeiro – “Príncipes de Portugal, suas grandezas e misérias
https://sumidoiro.wordpress.comAbandonados
https://geneall.net/pt
https://estudogeral.sib.uc.pt de Maria Antónia Lopes
cercadecoimbra.blogs.sapo.pt
https://run.unl.pt
Arquivo distrital de Leiria
Acta nº 1 de 1897 do Arquivo Municipal de Ansião e Livro de Registo de mulheres solteiras e viúvas  grávidas 
Jornal de Leiria  de 12 de outubro de 2017
 Excerto de https://archive.org/stream/gri

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Seguidores

Arquivo do blog