quarta-feira, 21 de março de 2018

António Joaquim de Bastos Guimarães que viveu em Ansião

Para não se perderem as memórias do passado de pessoas que aportaram a Ansião onde trabalharam e viveram na premissa, uma coisa é nada se falar delas e outra coisa é o atrevimento de explanar informação, na esperança que mais se venha a acrescentar por investigadores e descendentes, sobretudo no Brasil pelo que toda e qualquer partilha seja bem vinda e de louvar .Falar deste homem que foi Exposto na Roda em Guimarães a razão de ter vindo aportar a Ansião?
Existiram em Figueiró dos Vinhos famílias com este apelido e ainda acrescidas de outros sobrenomes 
" Guimarães Cid das Neves e Castro" das quais desconheço se tem parentesco (?) ou da suposta adopção da criança na Roda dos Expostos em Guimarães  para esta região .
Desde a reconquista cristã que se movimentou gente que se acentuou na centúria de 500 oriunda do Minho e Trás os Montes para esta região centro para todos os seus concelhos limítrofes e se estenderam até ao alto Alentejo, havendo interligação de muitas famílias com nomes sonantes.

António Joaquim de Bastos Guimarães
Viria a ter ofício com muita certeza no Tribunal no cabechão da Cabeça do Bairro de Santo António em Ansião onde este poder se manteve até 1875.
Casou-se  com a Ana da Purificação, natural do Bairro de Santo António em Ansião, por isso o emprego.Teve pelo menos um filho José Joaquim Bastos Guimarães, graças a ele o pouco que se sabe da vida do pai é da sua autoria.

Citar excerto https://geneall.net/pt"Nasceu em 1808 natural da Freguesia de Fafe, Bispado da Cidade do Porto.O seu filho José Joaquim escreveu que o seu pai tinha mais ou menos 70 anos quando morreu, era natural da cidade de Guimarães, e ficou com um carimbo para toda a sua vida, por infelicidade dele, pois foi um ser exposto, ou seja, no momento do seu batismo, não se lhe conheciam os pais, e foi posto na roda, ou seja, foi abandonado com dias numa caixa rotativa que havia nas igrejas portuguesas para acolher os bebés abandonados.O seu casamento deve ter-se dado cerca dos 20 anos, 1828 em diante com Ana da Purificação natural do Bairro de Santo António, Freguesia de Ansião.
Teve 4 filhos, uma das quais Maria da Piedade (casada com Manuel Leal da Fonseca)
Minha bisavó era Ludovina de Jesus (1885-1963) casada com Adelino Lopes(1884-1968) ela de Ansião ele de Santiago da Guarda.
Os pais da Ludovina eram:Manuel Leal da Fonseca Júnior (1853 )e Maria da Piedade (ele Ansião ela Maças de D. Maria)
Maria da Piedade teve os seguintes irmãos: Adelina Augusta (provavelmente 1848?)
José Joaquim de Bastos Guimarães (?) e Maria das Dores (?) . 

Anna da Purificação e António Joaquim casaram-se antes de 1848, só não sei se em Ansião ou em Maças de D. Maria.
Pelo lado de Manuel Leal da Fonseca consegui achar três gerações acima, só não consegui a da Anna.
O apelido "Leal da Fonseca" existiu ao Cimo da Rua da família da D.Lucinda Leal Fonseca(esposa de Virgílio Rodrigues Valente do Fundo da Rua, sem saber se foi seu avô?)
Na imagem 193, do livro de óbitos de Ansião,  está o assento de óbito de António Joaquim de Bastos Guimarães . Foi oficial de diligências do Tribunal da Comarca de Leiria, ou seja, tinha como incumbência chamar à porta das salas de audiências os indivíduos que iam para julgamentos, testemunhas, etc, além de outras funções.O seu falecimento deu-se por volta de 1878 em Ansião.Tinha mais ou menos 70 anos quando morreu.
 
«O Manuel Leal da Fonseca deveria ter casado em 1879 com a Maria da Piedade que era de Maçãs, em cujos registos desta terra por volta dessa data, não encontrei o da Maria da Piedade, mas localizei um irmão dela, chamado José Joaquim Bastos Guimarães nasceu em Maçãs de Dona Maria cerca de 1855. Foi oficial de diligências em Ansião.Casou-se em Maças de D.Maria em 09.02.1880 com Genoveva Maria Ferreira da Cumeada, Maças de D.Maria, uma das testemunhas foi o escrivão do juízo de Direito de Ansião.»


"José Joaquim Bastos Guimarães  dá preciosas informações.Nasceu na "distinta Vila de Maçãs de Dona Maria" cerca de 1855, e era Oficial de Diligências na Vila de Ansião, onde residia. Era filho de António Joaquim de Bastos Guimarães natural da Freguesia de Fafe, Bispado da Cidade do Porto, e de Ana da Purificação natural do Bairro de Santo António, Freguesia de Ansião e em casou Maçãs D. Maria em 09.02-1880, com Genoveva Maria Ferreira natural da Cumeada, M. D. Maria. Uma das testemunhas era Escrivão do Juízo de Direito da Comarca de Ansião."

"Em Ansião aparece um filho do José Joaquim de nome José, em 1884, levando-me a crer que eles lá residiam."
Este filho é que me parece faleceu!


José Joaquim Bastos Guimarães ao ter nascido em Maçãs teria ligação aos Pimentéis Teixeira (?). Desconheço a sua descendência, contudo teria sido ele que veio morar para Ansião onde desempenhou serviço público, como antes já o seu pai.
Viveu um casal de apelido Bastos Guimarães numa casa a norte da Rua Políbio Gomes dos Santos. A esposa chamava-se Augusta Guimarães, ainda há pessoas que dela se recordam em Ansião.
A chave em deslindar este enigma
Francisco Maria Teixeira Pimentel
"Nasceu a 13 de Janeiro de 1797, em Maçãs de D. Maria. Casou a 27.04.1830, com Maria Rosa, filha do Capitão Manuel Bernardes de Faria e de Josefa Joaquina de Sousa Ribeiro nascida em Maçãs de D. Maria. Esta última, era filha de Manuel de Sousa (de Azevedo) Ribeiro, nascido em Ansião, Chão de Couce em 1741.
Maria Joaquina nascida na mesma localidade.
Manuel (de Azevedo) de Sousa Ribeiro, era sétimo filho de José de Sousa Azevedo e de Joana Ribeiro e neto paterno de Martim Borges de Azevedo, proprietário do Ofício dos Órfãos das Cinco Vilas, cavaleiro da Corte de D.João IV e c.c. Angela Miranda , uma dama de Dª Luísa de Gusmão."


Em Chão de Couce, nas Casas Novas à Pedra do Ouro, ao lado sul da capela de S. Jorge, ainda existem as casas que foram do Tenente Sousa Ribeiro que o avô do meu marido António Veríssimo muito trabalhou na poda do olival nas suas propriedades que tinha no Machial, no Camporês e ali nas Casas Novas.

"Manuel Maria de Pimentel Teixeira em 1864 é designado como Regedor da Freguesia de Maças de D. Maria e em 1877 foi padrinho de um casamento onde se diz que era " Juiz Ordinário no Julgado das Cinco Villas.
Martim Borges de Azevedo, cavaleiro da Corte de D.João IV o proprietário do Ofício dos Órfãos das Cinco Vilas."
 
Foi nesta casa onde viveram na Rua Políbio Gomes dos Santos, conheci a casa em ruína onde passava depois da meia noite com a minha mãe após o turno do PBX no correio velho,  e tinha medo.Ainda não havia o Bairro da Câmara, apenas a ruína da casa da quinta do Ti Parolo de Albarrol, em formato quadrado, grande, com 12 janelas, feita com dinheiro trazido do Brasil.
A casa onde viveu uma vida o Dr Melo e a esposa Prof D Otília
Possivelmente o casal Bastos Guimarães depois da morte do único filho José (?) se mudaram para esta  casa mais próxima da vila .
A senhora já viúva tinha por companhia nos anos 40 a Tina Parolo ou a irmã Lúcia que me confidenciaram se sentavam ao entardecer nos bancos namoradeiros das janelas da frente, as duas à vez vinham aqui dormir fazendo companhia à senhora por já a conheciam do tempo que morou na outra casa, mais perto do Ribeiro da Vide, defronte da quinta do avô delas, hoje o Bairro da Câmara.
Esta casa viria a ser doada a uma irmã da família"Namora"do Alvorge mulher do Sr. Pires, a Sra D. Deolinda que a alugou uma vida ao Dr. Melo e à Sra D.Otília. Outra irmã delas era a esposa do Sr Júlio José da Silva do Fundo da Rua.
Dr. Manuel de Melo Júnior
Aportou a Ansião como advogado e Conservador do Registo Civil, casado com a Prof. D. Otília natural do Casal Viegas, em Ansião. 
Segundo o testemunho do meu bom amigo Isidro Freire Leal 
" a Prof. Otília filha de uma amiga de minha Mãe do Casal Viegas viveu com sua mãe, seu avô e sua irmã. Seu pai foi para o Brasil muito cedo, por motivos que não escrevo. Sua mãe, avô e irmã foram ter com ele, por onde ficaram."
O Dr Melo e a esposa Prof Otília eram extremamente educados, afáveis com todos e de grande simpatia. Desconheço o apelido da Prof.Otília, vou tentar averiguar para a sua descendência cá e no Brasil saberem. O Dr. Melo fazia parte do orfeão académico de Coimbra, confidência nos anos e anos que nos cruzamos na frente da sua casa quando descia a linda escadaria de pedra em meia-lua a caminho do trabalho no Registo Civil e partilhávamos dois dedos de conversa. Um ano na década de 70 no peditório para a Liga contra o Cancro pôs na minha caixinha amarela uma nota de 50$00 num tempo que só moedas caiam, também a sua esposa Prof. Sra D. Otília, senhora distinta de alto porte e cabelo ripado tanta vez a vi a tirar o carro da garagem a caminho da escola para a Constantina. Na minha candidatura para o BPSM tinha de apresentar referências, o nome que dei foi precisamente o do Dr Melo. Lembranças ténues das suas duas lindas filhas que só conheci em pequenas, Manuela e Paula, desde que foram para Coimbra estudar onde tinham uma casa nunca mais as vi.Na última etapa da vida o casal perdeu-se na aventura de ter a sua própria vivenda na terra da esposa-,sendo ele da zona da Bairrada, apostaram no Moinho das Moitas depois do entroncamento para o Casal das Sousas na sua construção, em etapa já reformados, julgo pouco ou nada a gozaram, um casarão grande vestida em amarelinho... a fatalidade entrou nas suas vidas com a morte inesperada da filha mais velha, seguida da deles em galopante corrida!
Ainda cheguei a ver o Dr Melo na Figueira da Foz, perdido das ideias, nem nos reconheceu...
A casa foi vendida há poucos anos.
A grande amiga da minha irmã e minha a Maria de Fátima Fernandes da Constantina partilhou vivências que vem acrescentar mais valia à crónica. Obrigada pela cortesia.
"Conheci muito bem o Sr.Dr.Melo a esposa Professora Dra Otília (foi minha professora 4 anos e também explicadora , quando casei estiveram no meu casamento, passados 40 anos, as duas prendas que me deram utilizou-as  quase todos os dias,e recordo...as filhas que conheci e brinquei muitas vezes com elas nessa casa, mais com a Paula que fez a primária comigo e costumávamos ir assistir ás aulas de francês na TV da casa dos meus Pais,nessa altura a escola primária era das 9 ás 18h. A casa que conheci era uma casa linda e bem cuidada...acrescento que o Dr.Melo era um grande ser humano  e sabia muito de arte e conhecimento histórico..."
Perdeu-se a vivência do quotidiano deste casal, quantas histórias teriam ambos para contar sobre Ansião.
A casa foi vendida pelos herdeiros Pires .Requalificação em finais de 2015. Tenha sido a primeira vez que em Ansião, finalmente se começa a valorizar o património antigo na manutenção da traça antiga, mantendo a escadaria em meia lua, mas perdeu-se a linha chaminé e disso tenho pena.
Projecto de arquitectura modernista do Arqº Bruno Dias de Ansião. Segundo me confidenciaram a casa antiga mostra-se totalmente aberta com sala de recepção onde já não existem os bancos namoradeiros nas janelas da frente com o projecto de arquitectura modernista a desenvolver-se no terreno do tardoz  fechado em meio circulo numa aposta inovadora de vivência de fora para dentro, a nova viragem  de casa intimista e intemporal, totalmente vestida de branco a cor monocromática desta aposta .Confesso sofri um choque, até que alheada me esforcei, percebi e aceitei ao alargar o meu espírito de cariz conservador!
 
No cemitério de Ansião existem sepulturas onde é imperceptível decifrar o epitáfio, uma dela deve ser desta família Bastos Guimarães.

Fontes
https://geneall.net/pt
Memórias de Figueiró In: União Figueiroense, n.º 370 (1 de fevereiro de 1918), p. 2. D. Henriqueta Guimarães Cid das Neves e Castro.
Testemunho da Tina e Lúcia Parolo 
Testemunho de Maria de Fátima Fernandes

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