terça-feira, 6 de março de 2018

Belchior dos Reis cristão novo da comunidade judaica em Ansião

Voltar a prefaciar o pensamento
Não há nada mais prático do que uma boa teoria
Ribalta histórica em mim se havia de cimentar ao longo de 50 anos pela capacidade de armazenar em memória porquês, dúvidas, questões e conversas sobre os primórdios de Ansião, para se fazer luz no local improvável à partida-,o meu querido e amado Bairro de Santo António, na certeza de ter sido palco do primeiro poder político na vila de Ansião!
Mas que grande e sentida emoção!
Estranhava em miúda o complexo ruinal ao cimo do quintal dos meus pais que foi repartido no herança com a tia Maria onde a sul entestava com o casario onde morava o "Carlos Pêgo" com duas colunas em quadrado para o Largo do Bairro, mas também as grandes fazendas desde o Ribeiro da Vide até ao Pinhal na mão de gente dos lados da Ameixieira, em prol dos residentes do Bairro com pouco quintal. Por altura das sementeiras os via chegar; o "Ti Zé Reis" o "Ti João das notas" e outras famílias que nunca soube o nome, uma delas vinha amanhar a fazenda onde hoje é a casa e escritório do Dr. Delfim, advogado, seria ele e uma prima entretanto falecida, recordo que eram um casal de adolescentes bonitos abençoados de belos cabelos negros asa de corvo, e outras pessoas amanhavam fazendas junto da actual rotunda da Avª Comendador Américo Simões Santo onde foi construído um prédio. Demorei anos a entender a razão da herança deste património no salpico de outras famílias de apelido "André", "Serra" e "Nogueira" para enfim entender que todos tem laços familiares na herança do seu quinhão da Quinta do Bairro, que foi de Belchior dos Reis. Há dois anos na Lagoa da Ameixieira na casa da Sra. Helena Duarte Silva, gentilmente me convidou em dia de Natal onde na cozinha dei conta de dois objectos com mais de 180 anos da Vista Alegre que tinha numa cristaleira, facto que estranhei pela antiguidade, apenas acessível noutro tempo a gente endinheirada, pelo que mais quis saber. Disse-me que os herdou de uma tia casada com um "Manuel dos Reis" nascido numas casas junto do cemitério da Ameixieira, tendo aqui vivido na Lagoa numa casa de sobrado com sinais evidentes de ter sido abastada com recheio da Vista Alegre, depois de viúva ainda foi a Coimbra ver a Rainha Isabel II de Inglaterra quando veio a Portugal em 1957, por não deixar descendência, a D.Helena se habilitou a herdeira conjuntamente com os outros sobrinhos, contando episódio passado com o Sr. Raul Borges, então vizinho dos meus pais no Bairro, pelo que estranhei a sua ligação aqui, afinal a herança não era devida a ele e sim à sua esposa-, Maria do Carmo Marques dos Reis que sempre conheci e tratei por " Ti Maria", outra dificuldade de anos de não a ligar à Ameixieira, afinal de onde é oriundo o seu pai da família "Reis" que se foi casar na Quinta do Martim Vaqueiro, para assim entender finalmente as interligações e o seu encaixe histórico do que foram no passado estas terras onde ainda hoje alguns seus descendentes carregarem orgulhosamente o apelido - Reis, sem contudo saberem da ligação ao seu ascendente o ilustre de Ansião-, Pascoal José Mello Freire dos Reis e ainda , alguns  hoje a viver em chão do que foi a Quinta do Bairro que a avó do Carlos Cotrim do Escampado de S.Miguel chamava à propriedade que aqui tinha cota parte, hoje pertença dos pais dele - a quinta do Bairro.
Fechei a chave d'oiro esta ligação com a "Ti Maria Reis" e a sua filha a São Borges dos Reis, residentes no Bairro de Santo António, vizinhas da minha mãe. Ascendência familiar que em vaidade já lhes transmiti!
Ninguém sabia desta relação familiar, apenas salpicos de episódios que foram transmitidas oralmente na família, sem ter havido alguém a fazer correlação de ascendentes e concluir tão ilustre passado.

Em Ansião gente com apelido "Reis"
Na Sarzedela de onde é natural a mãe do Padre José Eduardo Reis Coutinho houve um ascendente que foi padre - Damião Freyre dos Reis nascido em 1695.


Passaporte de José dos Reis
1900-06-23 Idade: 38 anos
Filiação: Manuel dos Reis / Maria Rosa
Naturalidade: Bate Água / Ansião
Residência: Bate Água / Ansião
Destino: Santos / Brasil

Passaporte de Alberto dos Reis
1908-04-04 Idade: Não mencionada
Filiação: Francisco dos Reis / Florência de Jesus
Naturalidade: Fonte Galega / Ansião
Residência: Fonte Galega / Ansião
Destino: Santos / Brasil
Observações: Escreve

Passaporte de Adelino de Jesus
1901-05-13 Idade: 31 anos
Filiação: Pai incógnito / Maria da Conceição
Naturalidade: Ansião
Residência: Ansião
Destino: São Paulo / Brasil
Observações: Pai incógnito. Acompanhada de seus filhos, Manuel dos Reis, de 10 anos, Alfredo dos Reis, de 7 anos e Bonifácio dos Reis, de 4 anos. Filho de pai incógnito tendo dado aos filhos o apelido Reis. Suposto dizer que pai um descendente Reis da quinta do Bairro onde a mãe teria trabalhado?
Adelaide Mendes Simões nascida nos Matos com 5 anos partiu para Santos com os pais, lembra-se do Alfredo Simões que morreu no dia do seu pai.
Segundo excertos dos Cadernos  de Estudos Leirienses nº 9 "Para concretizar este intuito, El-Rei consultou a Câmara Municipal de Coimbra que , na vereação de 30 de setembro de 1665, emitiu parecer favorável à doação régia, sob protesto do seu procurador - geral que declarou que desta decisão receberia Sua Majestade "grande perda". Entretanto, tendo ocorrido a destituição do Monarca,interrompeu-se este processo, que só foi retomado já durante a regência do Infante D.Pedro, jurado herdeiro a 27 de janeiro de 1668"
"O Rei D.Pedro, por alvará de 15 de Julho de 1689, anuiu a que se anexassem a Ansião os lugares mais próximos, de modo a conformar uma população de, até, 100 moradores, conforme havia prometido a D. Luís de Menezes; e, para o efeito, incumbiu o corregedor da Comarca de Coimbra de assistir às demarcações.Em resultado desta determinação régia, em 1721 a «Villa de Ancião»".
" tinha «47 moradores», mais «hum cazal chamado Cazal de Pêras situado em hum outeiro com 2 moradores». Do seu termo fazia parte «o lugar do Escampado situado em hum outeiro alto, e fragoso de pedras todo cuberto de carvalhos, e olivais, com 44 moradores». No total, no ano de 1721, Ansião e seu termo possuíam 93 moradores (fogos), a que corresponderiam entre 325 e 372 indivíduos."

A razão de partir nesta aventura?
A propósito do que transcreveu o Dr. Manuel Augusto Dias , Ansianenses Ilustres 1, Ansião, 2002 referente a excertos do jurista natural de Ansião Júlio de Lemos Macedo dos finais do séc XIX  retirado «do paiz, notas e criticas d'um provinciano, Imprensa Civilização, Porto, 1892 Júlio de Lemos Macedo exerceu o cargo do primeiro notário em Ansião, sem conseguir ascender ao lugar de juiz saiu várias vezes prejudicado na sua vida profissional por força das suas convicções políticas, tendo sido várias vezes preso depois da implantação da República. A condição de monárquico convicto obrigou a que se exilasse no Brasil, em 1912 de onde julgo não voltou. "
"Nos finais do século XIX o jurista natural de Ansião (op. cit., p. 177) escrevia que em Ansião já não vivia qualquer parente conhecido de Melo Freire, apenas em Almofala de Cima, ainda pertencente à Comarca de Ansião, vivia um seu sobrinho. É ainda o mesmo autor que nos informa que «Pascoal José de Melo Freire mandou construir em Ansião um bom edifício de vivenda que não chegou a ver concluído. Esse edifício, em estado de ruína, foi vendido por José de Melo Freire, de Almofala de Cima, filho de Bernardo Freire de Melo, capitão-mor das extintas ordenanças, um primeiro e outro segundo sobrinho do eminente jurisconsulto, ao pai de quem escreve estas linhas, José Luís de Macedo, que o fez reconstruir, aproveitando-lhe as paredes e a cantaria, e que do mesmo faz sua casa de habitação». Segundo o que conseguimos averiguar, esta casa ainda hoje existe, precisamente na Rua da Vila que ostenta o seu nome».» Em abono da verdade nenhum dos dois alegadamente investigou esta família para infelizmente os contradizer e concluir ambos os relatos com fulcral engano, pese embora tanto tempo já passado demonstrar  que ainda existe descendência desta família ilustre em Ansião, em chão da que foi a sua Quinta do Bairro, Casal Galego (hoje Pinhal), Escampado Belchior e S.Miguel, Ameixieira, Martim Vaqueiro, Pombal, Barreiro, Lisboa e pelo Mundo!
O pai de Júlio de Lemos Macedo foi José Luís de Macedo sepultado no cemitério de Ansião onde já distingui a sua sepultura, comprou a vivenda  mandada construir por Pascoal José de Mello Freire dos Reis que não a viu concluída.

Continua o relato do magistrado «Numa simples louza, que no adro da egreja (de Aguda) cobre a sepultura d'aquelle magistrado, se lê o seguinte: - "Aqui jaz o Conselheiro José de Mello Freire, porfesso na Ordem de Cristo e na de Nossa Senhora da Conceição de Villa Viçosa, Comeendador da Torre Espada, e fidalgo da Casa de sua Magestade, etc.»

«Em nota de rodapé, diz ainda: O sr. Bernardo Freire de Mello, morreu em 25 de Setembro de 1852. O seu filho primogénito, o Sr. José de Mello Freire, dedicou-se à direcção dos trabalhos agrícolas de sua casa; e o filho imediato, o Sr. Abílio João de Mello Freire, frequenta os estudos preparatórios da Universidade (em 1859).»
Na visita que fiz à Aguda deslindei no adro pedras sepulcrais em calcário, a maioria o tempo e a erosão destruíram os seus caracteres, recentemente em duas delas foram retocadas a cinzel as suas inscrições, ficando as demais sem reparo, por não ser mais possível distinguir o que ali foi esculpido.Sendo estas uma delas pertença ao Conselheiro José de Mello Freire.

Adro da Igreja da Aguda
A crónica desenrola-se no papel de investigadora autodidata sem o rotulo de historiadora credenciada, mulher prática de teimosia bastante, umas vezes a avançar outras a recuar, fazendo fé no dito popular " nem tudo o que parece é" aqui seja verdade, sem medo a partilha e glória, por chegar a tanta certeza!
Agradavelmente tive ajuda nesta odisseia de documentação e achegas que imediatamente consegui deslindar na correlação e sobretudo em a colocar nos espaços. Aos que importunei tanta vez exaustivamente agradeço a tamanha ajuda que se mostra fulcral para finalmente decifrar questões do passado de Ansião, em particular da ascendente família com apelido "Reis" com raízes primitivas no Escampado dos Calados onde teria nascido Manuel Roriz Bicho, ascendente do povo judeu que aportou a Ansião, gente letrada convertida à força em cristãos novos. Houve várias pequenas comunidades judaicas na região de Ansião que se estenderam aos concelhos limítrofes que lamentavelmente até hoje nunca foi motivo de estudo, pelo fatal desconhecimento de gente do passado que nunca assumiu a sua herança, antes a quis "sacudir da pele", como se fosse estigma maligno, e de facto o foi esta  que foi na altura apelidada "impureza de sangue" quando detectada era impeditiva para não ascender ás artes que tanta fama os grangeou. Gente de cariz reservado, ainda hoje descendentes se notam as caracteristicas, apesar da globalização.O que ditou este substancial interesse foi a partilha do Renato Paz quando me confidenciou que os seus bisavós paternos de Ansião, eram judeus. Conheci toda a família, na sorte de um dos seus tios o António Freire da Paz , também ser meu tio por afinidade por ter casado com uma irmã da minha mãe, a que juntei memórias do meu tempo de criança da sua família, e ainda da estrela de David que via pintada nas casas e muros,da qual desconhecia o significado. Havia muitos anos mais tarde de aflorar numa conversa com o meu amigo Carlos Serra Cotrim do Escampado de S.Miguel, cujo temperamento alegre e descontraído se revela muito semelhante ao meu, onde me confidenciou que o seu apelido paterno provêm de Paio Mendes, Ferreira do Zêzere, outro lugar com história do passado ligada a judeus que ali se refugiaram, com origem no povo franco do lado alemão, as trivos saxónicas com apelido julgo Cochim (?) se fidelizar em "Cotrim". De facto o seu pai é um homem de alta e forte estatura, bem entroncado, uma carateristica deste povo saxónico, não nega essas raízes. Confidenciou-me ainda que na família da mãe de apelido "Serra" também de ascendentes judeus houve um que foi estudar para padre tendo sido denunciado pelo que não pode prosseguir , por nesse tempo até à 4ª geração eram considerados de sangue impuro.

Os Escampados
Desde que foram habitados depois da reconquista cristã por terem muitos moradores acabaram divididos em vários Lugares: Todos os Escampados foram refúgio de famílias ricas que na Diáspora de Israel na passagem pelas estepes russas os fatais cruzamentos vieram a ditar descendência de mulheres belas, como a Elvira André , a Lucinda Mendes, que viveu na casa com data de 16...a morar em Évora e outras belas mulheres como as primas do meu pai a Júlia e a Stella do Escampado de S.Miguel.
Esta casa antiga do Escampado de Santa Marta foi comprada e recuperada por ingleses.

Escampado da Lagoa
Bela foto da lagoa com a casa projectada na água de Leonel Antunes
Em 1730 aqui morava António Freyre na casa de sobrado, no meu tempo já se encontrava em abandono tinha lagares e julgo nesse tempo eram de uns "Simões" do Marquinho ou tinham lá outro lagar e hoje é do pai da Elvira André. Também aqui viviam duas irmãs, de apelido Moita, andaram comigo na escola cujos pais emigrados na antiga Rodésia, trouxeram-me um dia a casa da sua avó defronte da lagoa, na esquerda,

Escampado de Santa Marta
A primeira capela foi instituída por João Silueiro do Escampado; he possuidor della João Mendes do mesmo lugar; manda dizer 20 missas; será instituída há 50 anos = 1671.
Sendo alterada  de poente para nascente como se encontra 127 anos após em 1798.
A casa ao lado, agora de ingleses, julgo tenha a mesma data 1671, no meu tempo era da família "Mendes".

Aparece referência nas Memórias Paroquiais "Capella que instituiu a molher do dito Silueiro, ha os ditos annos he possuidor della Luis dos Santos do dito lugar; manda dizer 20 missas cada'hum anno"
Onde teria sido esta capela?
Na estrada para Albarrol que passa a nascente da capela de Santa Marta havia uma grande casa com janela de avental e tinham um balcão e varandim com colunas e telheiro, podia ter sido a capela aqui?
Escampado de S.Miguel
Capela ladeada por ruínas na esquerda seria de quem instituiu a capela.
Aqui viviam os avós do Carlos Cotrim e a Elvira André .

Segundo as Memórias Paroquiais "Capella que instituiu Martinho Saldanha do Escampado he administrador Manoel Rodrigues do dito lugar; manda dizer 20 missas cada'hum anno."
Só pode ser esta capela pelo apelido "Rodrigues" do qual descende a minha família e onde perto temos chão.
Escampado do Belchior
Casa que foi da última mulher de apelido "Varzes" viúva, cujo marido morreu emigrado no Brasil .
Interessante a casa é virada toda a poente.
Recente capela particular a Santo António feita na que foi a propriedade do primo da minha mãe Fernando Lucas, de Lisboinha. Obra do Sr. Coelho, cuja esposa herdou a propriedade.
Escampado de Calados ou do Belchior
Outra comunidade judaica viveu onde hoje é uma imensa ruína do que foi a sua aldeia de casario concentrado. Encontra-se sita ao alto do outeiro escarpado pedregoso-, o Escampados dos Calados ou do Belchior cercado de carvalhos e olivais e um poço de chafurdo de origem moura, típico numa região de pouca água no estio, sendo que noutros tempos haviam dolinas cársicas, que o povo chamava lagoas. Conheci esta aldeia de Calados pela mão da minha irmã em abril de 2015 sita a nascente do actual  Escampado Belchior, fiz uma crónica que a minha amiga Elvira André ao a ler viria a abordar-me encantada acrescentando que aquele lugar tinha sido do seu avô João Marques André. Mais tarde falei com a sua tia Elvira, que herdou Belchior, a família chamava-lhe assim e o primo Chico Serra chama -lhe Lugar de Calados, cujas últimas moradoras eram conhecidas pelas "Várzes que a sua avó lá ia levar comida a duas irmãs pobrezinhas" nome que estranhei, jamais o tinha ouvido dizendo-me" que tinha vindo de Espanha , de onde fugiram de guerras, o que corria no seio da família." 
Havia de encontrar este apelido e outros em pedidos de passaportes para o Brasil.
Euzinha sentada num banco namoradeiro numa casa que foi abastada por ter janela de avental, quem teria sido o seu dono?
Costa da fonte
A minha querida mãe a saborear medronhos...
Conheci bem todos os Escampados desde o meu tempo de criança quando na véspera do Dia de Ramos com a comandita de cachopos do Bairro íamos apanhar alecrim e louro, para os ramos, já naquele tempo havia imensa ruína, casas com janelas de avental, pedras a ladear janelas para as sardinheiras e numa laje grande no caminho havia uma pequena "Cruz" esculpida, junto à capela de Santa Marta, que representava ali viverem cristãos novos. Na Costa tenho chão com a minha irmã onde íamos apanhar pinhas para fazer saltar pinhões, onde descobrimos dois pés que suportaram munhos e ruínas de muros que foi de casario, possivelmente foi um aglomerado antigo que os administrava, foram de madeira que rodavam sobre eira de pedra, julga-se que tenha sido herança trazida por eles dos lados do Afeganistão, são exemplares únicos em Portugal, apenas se encontram na região centro e nas ilhas.Mas em Ansião só eu deles falei!

Na verdade (Calados) terá ganho o nome do facto das famílias não falarem para não ser reconhecidos da sua origem judaica a "impureza de sangue ditava não poderem exercer as artes que tanto gostavam e tinham especial talento como a medicina e boticário, se deixando ficar nas de barbeiro que fazia de dentista e de médico, sapateiro, alfaiate e agricultor".
Dessa comunidade viveu gente com apelidos espanhóis que vingaram até ao séc XX: Roiz, Rodrigues, Varzes, Mendez, Carualho, Sylva, Freyre, Mello, Gonsalvez , Velasquez, Serra, Ssa, Coutinhõ, Medeiros, Pays, Affonso, etc.
Adoptaram novos apelidos para despistar a Inquisição com referência à natureza; animais, plantas, árvores, legumes com que se edentificavam entre si da sua ascendência judaica: Bicho, Barata, Nogueira, Oliveira, Pereira, Coelho, Feijão, etc.
Nomes dos Reis Magos
Reis, Belchior, Gaspar e Benjamim
Nomes ligados à cristiandade
Cruz, Santos, Lucas, Matias , Ramos, etc
Nomes ganhos pelo perfil
Calado, Feyo, Ruivo etc
Na capela de Santa Marta realizavam-se casamentos, debalde não consigo decifrar a letra do pároco , Encontrei um registo em que o padrinho foi Belchior Reis do Escampado dos Calados ( seria a naturalidade dos avós e pai, porque ele já nasceu no Casal do Galego ).
A escassos metros para poente do Escampado dos Calados viria a nascer o actual Escampado do Belchior que também ainda guarda casario muito antigo.
A aldeia dos Calados ao Escampado
Situada em sítio altaneiro composta por casario concentrado a ladear o caminho largo coberto a grandes lajes que infelizmente alguém deixou lixo de obras que o tempo se encarregou em desvirtuar. Do complexo ruinal  resta uma coluna redonda de pedra miúda,  assim outra havia nuns barracões do meu bisavô ao Alto a metros do Vale Mosteiro junto da estrada real, uma janela de avental ladeada por bancos namoradeiros, um poço de chafurdo muito interessante por ser típico da região de Sicó, lamentavelmente em parte atulhado com telhas que o dono ali depositou quando mudou o telhado de sua casa, havia um forno isolado, seria comunitário, actualmente já nem se deslinda pela vegetação e a norte outro pequeno poço. O tardoz de todo o casario quer a norte quer e a sul se mantém cercado por correnteza mural apenas com uma porta de acesso. Rodeado de olival onde se cultivava o trigo para o pão e frondosos carvalhos para alimento dos porcos em local soalheiro, abrigado de bons ares, o senti mítico!
Mais abaixo junto da Fonte da Costa era a quinta do Sr. Calado, supostamente nome que advêm do lugar acima "Calados" hoje herança de um filho.
Manuel Roriz Bicho
Na minha opinião o apelido "Bicho" quiçá alcunha ganha ao perfil calado e fugidio, "bicho do mato que se diz de alguém calado", suposto já ter nascido no Escampado dos Calados, onde os seus ascendentes  fugidos de Espanha depois de 1492 ali aportaram . Depois de casado foi morar para o Casal do Galego, (indicia a sua origem da Galiza), lamentavelmente no séc XX a toponímia foi alterada e mal para Pinhal. Construiu a casa a poente acima da berma da estrada real. O local chegou aos meus dias como pinhal, cujo destino se revela impressionante, por um seu descendente o Nuno Borges dos Reis Costa ter  construído a sua vivenda no mesmo local onde a sua avó materna em nova chegou a encontrar fragmentos de alguidares em verde e a minha amiga de sempre a Tina Mendes Faveiro e a mãe Florinda, no tempo das pinhas se lembram das ruínas da casa ainda existirem.Local onde nasceu o filho Belchior dos Reis, a quem já não deu o seu apelido em prol de outro mais sonante alusivo aos Reis Magos, a pensar no seu futuro, uma ideia estratégica de status, ascensão profissional e despiste à Inquisição, porque era povo inteligente e de grande sabedoria para se defender.
Belchior dos Reis

Lembro-me em miúda ouvir falar que no Casal do Galego numa casa velha em chão de uma mulher dos lados da Ameixieira, junto da beira da estrada real a nascente, onde havia um grande castanheiro, se falava que tinha sido encontrada uma panela com libras em ouro. Naquele tempo os tesouros se escondiam em casa. Havia gente que dizia que estes judeus tinham trazido moedas em ouro...
Não sei se esta família de Manuel Roriz Bicho e do filho Belchior dos Reis tinham grandes posses, as casas eram de alguma volumetria, mas na verdade não há registo de terem instituído alguma capela, e contrastando naquele tempo ter havido muitos que as fundassem para mostrar que eram cristãos, seguidores da sua fé...
«Belchior dos Reis veio a participar como oficial nas Guerras da Sucessão de Espanha em 1704 , cuja guerra terminou em 1714. Casou em 1717 com Faustina Freire de Melo, tornando-se proprietário da sua Quinta do Bairro, construindo casa ao Largo do Ribeiro da Vide, onde nasceram os seus filhos.»

Segundo o Dr Vitor Faveiro ( cf.  op. cit., pp. 33 e 34) «Belchior dos Reis ao se ter destacado na participação militar portuguesa, nunca pediu qualquer remuneração pelos seus serviços militares, optando antes pela compensação no seu filho primogénito Marcos Freire de Melo e Reis, nascido por volta de 1730, formou-se em Leis pela Universidade de Coimbra com a atribuição do cargo Capitão-Mor das Cinco Vilas que, então, pertenciam à Casa do Infantado, e incluíam Chão de Couce (sede da Ouvidoria), Aguda, Avelar, Maçãs de D. Maria, Pousaflores e ainda as povoações de Mouta Bela e Ameixeira. Foi, também, Procurador, na mesma Comarca, da Casa e Estado do Infantado .»
Descendência de Belchior dos Reis
Marcos Freire Mello dos Reis 
«O seu primogénito foi nascido em 1730 , veio a ser Capitão-Mor das Cinco Vilas, tendo casado com  Ana Maria Joaquina da Graça natural da Aguda, onde ficaram a morar e tiveram descendência.
O seu assento de batismo diz de onde são naturais os avós: os maternos, José de Carvalho são de Vila Cã hoje no concelho de Pombal, e Luísa Freire, da Ribeira do Açor (Ansião); e os paternos do Casal do Galego (Ansião).»
Luís de Mello
Dele apenas reza a história que foi cónego na Sé de Coimbra.Contudo para o vir o ter vindo a ser, este  Beneficiado, unido a seus Companheiros, produz em juízo «hum extenso, e infadonho Libello contra o Cabido», em que formulava oito pedidos, que podem agrupar-se em dois fundamentais: um «commum com os mais Beneficiados», pretendendo o titulo de Cónegos e respectivos Direitos Canonicais ; e outro, que «dizia só respeito ao seu Benefício», em que exigia que os Capelães «fossem obrigados a subsidiar o seu Cura no impedimento da doença».
Numa pesquisa encontrei uma tese de mestrado de Carlos Godinho que li apaixonadamente. Óbvio é muito extensa com termos antigos ligados à Igreja. Contudo de muita importância conhecer o que foi o  cariz de Luiz de Mello, a sua inteligência e a forma como se debateu no Cabido para ser reconhecido como Cónego e não Meio - Cónego, não satisfeito foi a Lisboa falar com o rei para ascender nessa hierarquia e ganhar mais, torneando uma causa própria que se virai a transformar no colectivo dos colegas Meios - Cónegos.Não nega nem esconde em nada a sua ascendência judaica do seu carisma, perfil  e inteligência com tantos talentos, que ainda hoje os há em Ansião, de que tenho por simpatia um bocadinho, que me identifica nas atitudes e orgulha!

Em   https://estudogeral.sib.uc.pt/bitstream, encontrei por acaso uma tese de mestrado do Padre  Carlos Godinho da Diocese de Coimbra natural do concelho de Ferreira do Zêzere. Excerto longo que aborda as odisseias vividas por Luís de Mello, de quem apenas a ele se referiam antes historiadores, como tendo sido cónego da Sé de Coimbra «Pedido de informação feito pelo protonotário Apostólico de Sua Santidade, Doutor Manoel Moreyra Rebello, Cónego Penitenciário na Sé Catedral de Coimbra, na chamada «Carta de Segredo», nos termos do usual na época. Nela se pede informação «sobre o procedimento, vida, costumes» do candidato às ordens sacras, a sua idade, se é ou não bem procedido, bem como se é cristão velho ou se há impureza de sangue na sua família. Acrescentam-se ainda outras informações respeitantes à freguesia de proveniência do candidato." 
Luiz de Mello é natural de «Ancião», do Bispado de Coimbra, onde nasceu no ano de 1718.Ali foi baptizado a seis de Setembro do mesmo ano, pelo Vigário da Redinha, Frei André, tendo sido seu padrinho o Vigário de Ansião, o reverendo António Freire. É filho legítimo de Belchior dos Reys e de sua mulher Faustina Freire de Mello, residentes na vila de Ansião. Neto paterno de Manuel Roiz Bicho e de sua mulher Isabel Roiz, também eles da freguesia de Ansião, e materno de José Carvalho, natural da freguesia de Santiago de Litém, e de sua mulher, Luiza Freyre, igualmente de Ansião. Dos seus vários irmãos, sabemos que três são raparigas, uma das quais cega, e que um dos rapazes, o mais novo, viria a notabilizar-se como grande jurisconsulto, o conhecido Pascoal de Mello Freire. Aliás, este notável jurista português esteve inicialmente sob os cuidados de seu irmão Luiz de Mello,quando, aos doze anos, transita para Coimbra, onde inicia os seus estudos preparatórios, ingressando na Universidade com apenas treze anos e onde viria a doutorar-se em Direito Civil com apenas dezanove anos.Sabemos, também, com base na informação «a respectivo do procedimento, vida e costumes e limpeza de sangue», que Luiz de Mello é verdadeiro cristão-velho.

1- Analisando o excerto da tese de Mestrado salta à vista o nome incompleto de Pascoal de Mello Freire quando se chamava  - Pascoal José de Mello Freire dos Reis.
Em segundo lugar a carta de segredo referencia  nos costumes e limpeza de sangue, que Luiz de Mello é verdadeiro cristão - velho, não havendo qualquer indício em contrário relativamente aos seus ascendentes. O  que não é verdade. O autor a meu ver não analisou a origem dos apelidos ( Freire, Melo, Roriz , Reis)  por não ser de Ansião ou onde não foi (?), mas também não teve como saber da existência de uma comunidade judaica que ali se refugiou na região e na sua, pelo menos em Paio Mendo que se expandiu nos concelhos limítrofes até ao alto Alentejo, desde o tempo da reconquista cristã e depois de 1492 fugidos da Galiza ainda hoje nos seus descendentes corre na oralidade "vindos de Espanha fugidos de guerras com libras em oiro" a que se juntam os nomes que ficaram atribuídos na toponímia ligados à Galiza - Casal do Galego; Chã Galega; Galegas; Outeiro Galego, Fonte Galega e nomes de terras na Galiza em apelidos como Medeiros.Suposto dizer que o autor pretendia na sua tese falar das odisseias do eleito - Luis de Mello e não a pretensão de falar da sua origem judaica.Na verdade é outra temática que abrange outra odisseia, para se ir para padre era necessário demonstrar que a família tinha posses para ele se manter, e ainda era obrigatório uma declaração a atestar que não tinha sangue impuro, portanto um verdadeiro cristão velho, para enfim hoje se perceber que ao tempo por tantos, quase todos terem passado o "crivo da impureza" denota que recebiam dinheiro ou outras contrapartidas...
«"Além disso, é pessoa de «boa vida, costumes e procedimentos» e diligente no exercício dos seus estudos. Acerca do património familiar, as indicações são contraditórias: se por um lado nos é referido que os seus pais eram «abondantes de Bens», o que permitia a Luiz de Mello candidatar-se a Ordens Sacras, podendo usufruir do património necessário, sem prejuízo de terceiros; por outro, a indicação é a de que provém de uma família de parcos recursos, chegando mesmo a afirmar-se que Luiz de Mello era «muito pobre» e teve mesmo a seu encargo o sustento de seu «Pay já velho, a trez irmaãs e alguns irmãos».
«Certo é que provinha de uma família reconhecida pelo serviço militar que seu pai havia prestado à Coroa Portuguesa, aquando da Guerra da Sucessão de Espanha, com alguns benefícios que daí advieram, de que ele fez herdeiro o seu filho mais velho.»  

2 -  Sobre a sua riqueza ou falta dela apreciar no século XVI, concretamente o pensamento de Frei Heitor Pinto, célebre autor quinhentista o aforismo segundo o qual não é pobre o que tem pouco mas o que deseja muito e não é rico o que tem muito mas o que se contenta com pouco.
Trata-se de uma citação de Séneca. As concepções estoicas serão uma constante na ética da Igreja, o que se justifica facilmente pela similitude das duas morais. Para no século XVIII Frei João Tavares retomar a mesma ideia que expressamente atribui a Séneca.
«O rico naõ he o que possue, se naõ quem não deseja possuir. O pobre, naõ he quem naõ tem, senaõ quem deseja ter. De maneyra que o ter naõ faz ricos, nem o naõ ter pobres; porque a verdadeira pobreza està na arreia de possuir, e a verdadeira abundancia no desenteresse de lograr».
Esta família teria começado por ser agricultores em terrenos pobres com muita pedra, valendo-se da vantagem de serem letrados e do movimento da estrada real que passava a um escasso km do lugar altaneiro onde se concentrou pelo menos uma comunidade judaica, com ligação ao vale Cerejeiro por um caminho que se bifurcava em dois, um para a centralidade  onde estavam as estalagens, e outro onde Manuel Roriz Bicho veio a construir a casa para se casar a que deu o nome de Casal do Galego, a um km a sul da primeira . Naturalmente soube valer-se do movimento dos viandantes e das noticias que traziam onde explorou uma taberna (?), porque a sul de Ansião nada havia , e seria bem sucedida com viandantes que se deslocavam de sul para norte, a encontravam primeiro do que as estalagens no Bairro. Movimento de chegadas e partidas de forasteiros com notícias das quais soube tirar proveito para poder vir a alistar na guerra da sucessão espanhola o seu filho Belchior dos Reis, a quem já não deu o seu apelido nem o da esposa, a pensar quanto a mim em despistar a Inquisição para singrar na vida. Regressado a Portugal após a vitória os historiadores a ele se referem que não quis  receber favores em prol do filho mais velho, Marcos Freire dos Reis , o que levanta uma grande questão- na verdade após regressar é que se casa, ainda sem filhos , o que fez durante esse tempo? Se não tinha dinheiro como se explica a forma de ter adquirido a extensa quinta do Bairro em Ansião, antes teria feito parte da herdade do mosteiro, naquele tempo em abandono, aonde veio a construir a casa e nasceram os filhos? Óbvio teria sido recompensa pelos préstimos militares para se dedicar a ser agricultor! O seu primogénito veio a ser Capitão Mor das Cinco Vilas, casando na Aguda onde ficou a morar.
E ainda teorizo fosse o seu pai ou avô, um deles foi estalajadeiro ao Largo do Bairro onde na extrema da quinta com a estrada real houve uma primitiva estalagem.E por isso o interesse naquelas terras, porque a herdade do mosteiro era bem maior e só ficou com uma parte, a que lhe interessava(?).
De facto era costume os padres terem como criadas as irmãs solteiras, neste caso, uma delas a Ana, veio a casar no oratório da sua casa em Coimbra. Outra irmã a Joana, casou em Ansião, mas veio a enviuvar, pelo que veio a ingressar na Ordem Terceira de S.Francisco em Coimbra.
Belchior Reis casou duas vezes, com uma senhora de apelido "Serra" julgo veio a ter filhos deste casamento.
"Destinado à vida eclesiástica, Luiz de Mello inicia o seu processo, no sentido de receber Ordens Menores, com apenas dezanove anos, em 1738. Viria a receber as primeiras Ordens nesse mesmo ano. Em 1743, após o necessário exame de cantochão, de que é «considerado capaz, é ordenado Subdiácono.
Em 1745 é ordenado Diácono, após aprovação para esta ordem a 25 de Junho desse ano e depois de, a 6 de Setembro, ser, uma vez mais, examinado no cantochão. Ainda neste mesmo ano, a 2 de Dezembro, se inicia o «pedido de averiguações» para ascender à Ordem dos Presbíteros.Como indica o processo de Ordenação, Luiz de Mello foi ordenado,neste grau do Sacramento da Ordem, «nas temporas de Santa Luzia».Tendo sido nomeado para «Ministro da Meza Eclesiastica» do Reverendo Bispo Conde D. Miguel da Anunciação, por mediação do Tesoureiro Mor e Provisor do Bispado, Doutor Manoel Rodrigues Teixeira cargo que exerceu durante alguns anos, Luiz de Mello é provido numa Meia Conezia na Sé de Coimbra, a 19 de Maio de 1749 , altura em que vagou esta «Porcionaria da Cathedral», estando a ela anexa o «Curato da Freguezia» Esta provisão havia sido confirmada por D. Miguel da Anunciação,com data de 20 de Março desse mesmo ano , tendo em consideração as necessidades económicas a que Luiz de Mello estava sujeito e a que já nos referimos. Certo é que o provido, pese embora o cuidado e « contemplação» que mereceu por parte do Bispo Diocesano e do seu Provisor, logo que viu aumentadas as suas forças e diminuída a sua dependência, «não poz tanto cuidado em moderar o seu génio», iniciando um conjunto de perturbações na Sé, movendo o Ministério da Pastoral a favor das suas causas e partindo para a Corte, «afim de atear o incêndio a que tinha dado matéria». Neste contexto, não só dá início a um processo profundamente perturbador da paz da Catedral de Coimbra, como ainda se manifesta, de «viva voz» e por escrito contra o Prelado «seu Benfeitor» e contra o «dito Doutor Provizor, a cuja mediação devera tanto», facultando ao Marquês de Pombal «de sua mesma letra hum papel do qual se formaram os Interrogatórios» da devassa a que dava origem. Não admira, por isso, que alguns autores, como Fortunato de Almeida, denominem Luiz de Mello como «astuto e intriguista», «sem escrúpulos», não refreando os meios no sentido de atingir os seus fins. Ou ainda que o Cabido, nos seus escritos, o denomine como «mais ingrato do que Judas». O próprio Bispo Coadjutor, D. Francisco de Lemos de Faria Pereira Coutinho, na sequência da «Conta» que dá ao Marquês de Pombal, chega a denominar Luiz de Mello como «o Sacerdote mais miserável, que tem o Bispado», não tendo em mente outra coisa senão «o projecto de arruinar a Jerarquia da Cathedral» (...)
Este conflito, accionado por Luiz de Mello, inicia-se quando este Beneficiado, unido a seus Companheiros, produz em juízo «hum extenso, e infadonho Libello contra o Cabido», em que formulava oito pedidos, que podem agrupar-se em dois fundamentais: um «commum com os mais Beneficiados», pretendendo o titulo de Cónegos e respectivos Direitos Canonicais ; e outro, que «dizia só respeito ao seu Benefício», em que exigia que os Capelães «fossem obrigados a subsidiar o seu Cura no impedimento da doença». A causa correu no Juízo Eclesiástico durante dois anos demorando-a Luiz de Mello com um conjunto de «incidentes , após os quais foi avocada para a Cúria Metropolitana, para que esta fizesse juízo da primeira instância ex causa retardatae justitiae ». Deferida, em Braga, a causa a favor de Luiz de Mello, reacendeu-se de imediato «hum grande incêndio de discórdias na Cathedral» , nas palavras de D. Francisco de Lemos. Como se inovava uma causa já discutida e vendo o Cabido a desordem em que se entrava recorreu este para Sua Majestade para que fosse avocada a causa para a Secretaria de Estado, como veio a acontecer, por acção do Marquês de Pombal. Deste modo, pretendia o Cabido que se mantivesse a autoridade das sentenças anteriores, que Luiz de Mello queria anular; que se mantivessem os Direitos da Catedral; e que esta se conservasse em sossego. Avocada a causa, por Decreto Real, para a Secretaria de Estado, onde permaneceu por muito tempo, pareceu que Luiz de Mello ficaria «prezo para prosseguir na execução do projecto intentado». Por outro lado, via-se «restaurada a paz no Sanctuario; desterrada a discórdia da sua corporação; e os Officios Divinos restituidos á sua antiga ordem, e formosura». Todavia, o Meio Cónego, impossibilitado de seguir por este caminho, logo abriu outro, por onde pôde prosseguir os seus intentos. Não esperando pela «Resolução, e Providencias de Sua Magestade», na causa avocada, mudou de «acção»,de « Pessoas» e de « Juízo", movendo uma força aos Capelães, no juízo da Conservatória da Universidade, tratando agora exclusivamente do artigo que lhe dizia respeito, sem que deste modo iludisse o processo anterior. Nesta segunda causa, pretendia Luiz de Mello que os Capelães fossem obrigados «a subsidiar o Cura da See em todos os seus impedimentos» petitório que havia deduzido do primeiro Libelo. Resolvida a causa a favor dos Capelães, Luiz de Mello não desarma e recorre ao «Supprêmo ribunal da Supplicação».Nesta instância, por desconhecimento da fraude do Suplicante, uma vez que a causa estava entregue ao poder régio, foi decidida a questão a favor de Luiz de Mello com data de 18 de Janeiro de 1763. Entretanto, em todo o processo, Luiz de Mello sempre se denominou como Meio Cónego. Este Beneficiado, que ora estava em Coimbra, ora desaparecia da cidade,sem conhecimento do Bispo e do Cabido, «para effeito de poder ser contado como presente», logo que viu resolvida a causa a seu favor ali se apresentou de novo com a sua Sentença. Todavia, deixou de requerer a sua execução ao longo de vários meses. Foram os Capelães, apoiados pelo Cabido quem notificou Luiz de Mello para que exibisse em Juízo a Sentença, de modo a que, conhecendo o seu conteúdo, pudesse executar-se. Opôs-se o Meio Cónego, «tanto pelos seus Procuradores, como pela sua própria letra», respondendo que «não podia a isso ser obrigado, porque o Direito lhe dava o espaço de trinta annos», para que esta se executasse. Gerou-se novo litígio entre Luiz de Mello, os Capelães e o Cabido, exigindo os últimos a exibição da Sentença e recusando o primeiro a sua execução.Por fim, instado a que se lhe desse execução, declarou nos autos que «exhibia a Sentença». Porém, não só não a exibiu, como partiu para Lisboa, queixando-se a Sua Majestade de que «o Cabido lhe impedia a execução da Sentença, e não queria estar pela authoridade da causa julgada». Além disso, na petição que dirige ao Rei, passa a nomear-se Cónego Meio Prebendado, na esperança de que assim a decisão a tomar resolvesse a causa comum avocada à Secretaria de Estado, passando Luiz de Mello e seus companheiros não só a denominar-se com o título de Cónegos, mas a exigir, igualmente, os respectivos Direitos Canonicais. Certo é que o rei providencia para que a Sentença seja executada a favor de Luiz de Mello, mediante Decreto Régio, datado de 4 de Setembro de 1766, no qual, entre outros elementos, o denomina Cónego Meio Prebendado. Além disso, o rei censura a desobediência do Cabido, pelo facto de os Capelães não subsidiarem o Cura da Sé e de este ter sido multado nos dias em que esteve doente, exigindo que se proceda à devida liquidação dos direitos que lhe assistem. 
O Cabido, resignado, obedece à Carta Real e procura liquidar as multas bem como dispor a que os Capelães procedessem segundo a régia decisão.Todavia, na procuração do Cabido, em que se fazia «Termo deste ajuste» Luiz de Mello não era nomeado «Conego Meyo Prebendado», mas simplesmente «Meio Conego». Ora, não aceitando este que se lhe negasse o título que lhe havia dado Sua Majestade, «com summa industria gritou Luiz de Mello, que o Cabido desobedecia ao Decreto». Os Capitulares, aterrados, fizeram-lhe nova proposta, no sentido de se assinar nova procuração sem menção dos «Títulos dos seus respectivos Benefícios» .Todavia, Luiz de Mello não aceitou. O Cabido propõe fazer nova procuração, em que o nomearia Cónego Meio Prebendado, mas apenas em «reverencia ao Decreto». Resiste Luiz de Mello, exigindo ser tratado pelo Título que lhe havia dado Sua Majestade.
Percebendo o Cabido o intento de Luiz de Mello, que outro não era senão o de aceder aos direitos que advinham da denominação como Cónego, «não quizerão estar pela assignação pura e simples do dito Titulo», fazendo-se a liquidação na «forma do Decreto».
Luiz de Mello não desarma e faz petição ao Provedor para que mandasse vir à sua presença os Livros do Cabido, «não só os da Fazenda, mas do Governo Espiritual, e do mais expediente». Foram colocados os livros à sua disposição, para que averiguasse não só o que respeitava aos descontos feitos, mas igualmente o que se referia ao exercício dos últimos dez anos. Luiz de Mello, todavia, «com fingidos pretextos, e soffismas», não só embaraçava a liquidação, como de imediato começa a espalhar rumores de «haver nelles falsidades, e extravios de dinheiro». Efectivamente, achando nos livros «algumas aspas» e «huma folha cortada», pediu logo ao Provedor que mandasse fazer auto destes factos.
Na verdade, não interessava a Luiz de Mello que se desse por terminada a questão, já que a sua pretensão, bem como dos seus companheiros, era a de passar do nome de Cónego para o sufruto dos direitos Canonicais, usando, portanto, deste expediente; uma vez que lhe estava vedado outro caminho pela causa avocada. Ora, neste sentido, nada lhe era mais conveniente do que «metter as cousas em confusão». Assim, «fazendo correr que havia falsidades nos livros, e extravios do dinheiro da Massa», principiou também, com os seus companheiros, a espalhar pela cidade de Coimbra que o Cabido «estava contumaz em desobedecer ao Decreto»; que o «seu governo era o mais desordenado que podia haver»; «que falsificava livros»; e que «extraviava dinheiros da Massa Commua».Mas de todas as queixas, sobressaía, particularmente, a de desobediência «formal» dos Capitulares, ao não quererem nomeá-lo como o fazia Sua Majestade. Certo é que o Cabido, no desejo de ver restabelecida a paz no seu interior, havia estabelecido com Luiz de Mello a liquidação de «seis mil e quinhentos cruzados», que fez entregar em Casa do Ministro Provedor, através de dois Capitulares procuradores, com a obrigação de «assignar o termo da ditta composição». Todavia, como na procuração não se dava a Luiz de Mello o nome de Cónego Meio Prebendado, este «não quis receber o importe da ditta composição», ficando o dinheiro depositado «em juízo», nas mãos do mesmo Procurador. Entretanto, neste contexto da denúncia de falsificação dos livros, propalada por Luiz de Mello, o Provedor Pascoal de Abranches Madeira, que desconhecia os objectivos deste Meio Cónego, «adopta os seus sentimentos» e dá conta ao Rei de que o Cabido era realmente «rebelde», «falsificador de livros», e «Administrador infiel», propondo que os Meios Prebendados e Tercenários tomassem parte no governo Capitular. Se, neste ponto do conflito, o Provedor Pascoal de Abranches Madeira tivesse agido com «justiça», «quietação» e «socego» - nas palavras de D.Francisco de Lemos –, tudo se dissiparia. Mas não: persuadido de que Luiz de Mello era Cónego; vendo a repugnância do Cabido em nomeá-lo com este título; aceitando como verdadeiras as «falsidades suppostas, de que fez Auto; decidiu não apenas dar conta do sucedido a Sua Majestade, mas igualmente propor-lhe «hum arbítrio para terminar as questões, e obviar as fraudes do Cabido». Sugere que Luiz de Mello se continue a chamar Cónego Meio Prebendado, que um dos Beneficiados fosse «perpétuo Secretário do Cabido», e que na administração do Cacifo e do Celeiro «concorressem simultaneamente com os Conegos Capitulares». Ora, nada servia melhor os intentos de Luiz de Mello, já que estes elementos eram os que constavam da causa avocada à Secretaria de Estado. Expedida a conta do Provedor, eis de novo Luiz de Mello a caminho de Lisboa, com procuração dos seus companheiros, naturalmente interessados na causa, pois que ela entrevia o fácil acesso aos direitos Canonicais. À «contado Provedor» acrescentava Luiz de Mello queixas de «grande miséria», a que o Cabido o havia «reduzido», concluindo «todo este arrazoado, com lágrimas,para extorquir dos ouvintes a compaixão. A questão esteve sem ser decidida alguns anos, permanecendo Luiz de Mello em Lisboa, «para onde hia, sem dizer nada ao Cabido, continuar as mesmas lamentações de vexação, e de miséria» .Entretanto, em 1775, o Rei decide a causa, dando razão, uma vez mais, a Luiz de Mello, por Decreto Real datado de 23 de Setembro desse mesmo, ano.No Decreto, não eram simpáticas para com o Cabido as palavras e a atitude do monarca: se considerava os Capitulares, por um lado, temerários, obstinados e desobedientes no cumprimento das sentenças régia; por outro, exigiu ao Provedor da Comarca de Coimbra que, logo que recebesse o seu Decreto, intimasse o Deão António Xavier de Brito, o Cónego Nuno Pereira Coutinho e o Cónego mais antigo da Catedral e os desterrasse para uma distância de trinta léguas de Coimbra, sem que pudessem ficar a menos de vinte léguas uns dos outros. O Decreto Real, que fazia eco das queixas de Luiz de Mello e do Provedor, nomeadamente a falsificação dos Livros do Cabido, determinava, como elemento essencial, que se fizesse integral restituição ao «Espoliado» - as multas pretéritas na quantia de seis mil, e quinhentos cruzados» –; bem como se efectuasse o pagamento apenas com recurso à «Massa dos Capitulares vogais» e não da que pertencia ao conjunto dos Beneficiados da Sé, uma vez que – alegava-se ali – «os Conegos Meyos Prebendados, e Tercenarios, não tiverão culpa» alguma. Além destas determinações, estipulava ainda que de entre os «Conegos Meyos Prebendados» se fizesse a eleição de um para «Secretario do Cabido» e que concorressem sempre hum «Conego Prebendado, e outro Meyo Prebendado» para os ofícios de Cacifeiro e de Celeireiro. Mas de todas as decisões régias, aquela que mais servia os interesses de Luiz de Mello e seus companheiros era a denominação de Cónegos Meyos Prebendados, que o monarca assumia como legítimo nome destes Beneficiados. Efectivamente, declara em relação ao Suplicante: «E na questão do nome, se fique o Restituído denominando Conego Meyo Prebendado, como athé agora se denominou, pondo-se nesta questão hum perpetuo silencio» Dirigido o Decreto ao Provedor da Comarca de Coimbra, a quem chegou em Outubro de 1775, Luiz de Mello não tardou em regressar a esta cidade sendo recebido no meio de «acclamações, e vivas dos seus sequazes» . A Sentença foi logo executada, quer no que respeitava «ás perdas, damnos e multas», quer na denominação de Cónego Meio Prebendado dada a Luiz de Mello.
Por outro lado, três dos seus colegas foram investidos nos ofícios de Secretário, Cacifeiro e Celeireiro. (...) Mas Luiz de Mello, por outro lado, «trabalha por confundilla», elaborando agora um «extensíssimo Memorial», no qual «elle empenhou todas as suas forças, e com o qual a ppareceo terceira vez na presença de Sua Magestade»(...) Mas Luiz de Mello não desarma e assume já novas atitudes: enquanto decorrem as averiguações decorrentes dos processos, procura agora perturbar a disciplina da Catedral. É neste contexto que D. Francisco de Lemos, então Bispo Coadjutor de Coimbra, decide fazer a exposição da sua «Conta» ao Marquês de Pombal, com o objectivo de que enquanto não se decidisse qual era a intenção do rei no seu Decreto, «se conservasse tudo na ordem em que estava até ali», já que os Meios Cónegos tentavam, por todas as vias, apoderar-se dos direitos Canonicais, que reclamavam nos «Papeis, e Memoriaes». É precisamente na sequência destas atitudes que D. Francisco de Lemos justifica a sua exposição ao Marquês, desabafando: «depois de terem exaurido toda a minha paciência por mais de hum anno, ultimamente me vi precisado a fallar nellas a V. Excellencia para lhes dar o opportuno remedio» .Se é verdade que a Catedral viveu momentos conturbados durante todo o século XVII, particularmente após 1615, como referimos atrás, agudizados ao longo do século XVIII, nada se compara aos tumultos que opuseram Beneficiados e Capitulares no ano de 1775, ano em que a paz se «rompeo de todo». Não é de estranhar, portanto, que D. Francisco de Lemos denomine este período como aquele em que se vive um «scisma aberto na Cathedral»  (...)Sugestiva é a atitude de Luiz deMello, numa altura em que presidia ao Coro o Cónego João Leite Cabral Tavares. Tendo este Capitular mandado a um beneficiado que suprisse a falta de um hebdomadário, e tendo ele recusado, replicando-lhe «que o fizesseelle», foi multado por desobediência. Luiz de Mello, que estava no Coro, vem em defesa do beneficiado, disputando ao presidente o direito de multar. Ora, o Cónego João Leite, vendo tamanha desobediência em Luiz de Mello, multa-o também. Mas este não se conteve e declara « que também o multava»(...) Curiosamente, com a sua habilidade jurídica, tal foi o que Luiz de Mello conseguiu para si, com os Decretos Reais resolvidos a seu favor.Não admira, portanto, que, perante tal abuso e injustiça, D. Francisco de Lemos interpele, na sua missiva, o Marquês de Pombal sobre tamanha violação «á Disciplina da Igreja» e à própria obrigação de providenciar à cura da Sé. E de tal modo se adensava esta perturbação, que o próprio Prelado chegou a pôr a hipótese, caso se mantivesse esta desordem, de rever o estatuto dos Capelães.De resto, ele mesmo afirma que, após as sentenças proferidas, a atitude de Luiz de Mello não só vai aterrando os Capelães, agravando as suas obrigações, como vai «ampliando os Direitos dos Curas». Na verdade, com as exigências de Luiz de Mello, os Capelães deixavam o ofício de aumentar em as vozes no Coro e as missas dos Legados, para coadjuvarem o cura da Sé, nas suas obrigações paroquiais.Ora, tal exigiria essa revisão do estatuto, uma vez que se alteravam, na substância, as suas obrigações.Podemos concluir que o «apetite que tem os Beneficiados de serem Conegos»na expressão de D. Francisco de Lemos – suscitou ao longo de mais de quatro séculos vários conflitos na Sé Catedral de Coimbra.
Todavia ,nenhum período foi tão conturbado como este em que Luiz de Mello, provido na Cura da Sé e, consequentemente, numa Meia Conezia, se assumiu como principal cabeça de motim, tornando-se ele mesmo advogado desta causa, que se estende praticamente a todos os Beneficiados. Estava em causa um interesse preciso. As demandas ganham proporção na justa medida em que as decisões régias – como vimos – favorecem os Beneficiados. Em tal circunstância, atinge-se um ponto tal de ruptura que não era mais viável prolongar o conflito. Ele necessitava de uma outra intervenção do poder régio para que a paz se restabelecesse em definitivo na Catedral. É para aí que aponta D. Francisco de Lemos, na sua Conta dirigida ao Marquês de Pombal, justificando assim a sua intervenção: «Á vista de tudo, V. Excellencia dará as Providencias, que lhe parecerem convenientes para parar o curso de tantas,tão continuadas, e tão antigas desordens» .Efectivamente, as contendas viriam a resolver-se a favor do Cabido. Mas não já no tempo do Marquês. Seria D. Maria I, entretanto aclamada Rainha quem viria a restabelecer a ordem na Catedral, dando o seu beneplácito à Bula Papal que reviu o Estatuto dos beneficiários da Sé.Os Meios Cónegos, para justificarem a sua pretensa condição Canonical,começam por referir que o Provedor Pascoal Abranches Madeira defendeu, na representação que fez a Sua Majestade, que o Meio Prebendado Luiz de Mello se devia chamar Cónego, uma vez que, no Decreto Régio, «o mesmo Senhor [assim] o denominava». Todavia, a questão de Luiz de Mello é uma espécie de trampolim para o reconhecimento de todos os Meios Cónegos como pertencentes, de pleno direito, ao corpo Capitular. Aliás, referem mesmo que Sua Majestade os reconheceu como tal, ao decretar que não só Luiz de Mellose chamasse Cónego, mas também todos os outros.E, num tom de apologia, dizem que esta foi uma sábia decisão, depois de terem sido envolvidos em toda a questão não só as «Partes», mas também «o mayor Tribunal do Reino». Tão pouco o facto de o rei ter denominado, no Decreto, os demais Cónegos como «vogais» implicaria qualquer forma de diferenciação.Tal expressão advém da exclusiva necessidade de diferenciar quem devia, ou não, suportar as despesas com o pagamento das demandas em curso, particularmente a Luiz de Mello, o Meio Cónego Luiz de Mello, nos petitórios que dirige a Sua Majestade, abandona este nome e passa a denominar-se Cónego Meio Prebendado, «tomando porauthoridade própria aquele Titulo». Deste modo, manifesta o seu espírito contraditório, porquanto se queixa da desobediência do Cabido, na presença do rei, e toma para si um nome por livre iniciativa, contra as leis da Catedral, «que participão da Protecção de Sua Magestade».Ora, Luiz de Mello obteve esta denominação com base na sua mentira, pois que não seria presumível que algum vassalo se apresentasse na presença do rei com qualquer título que lhe não pertencesse, o que este Meio Cónego veio a fazer «com muita meditação» .
(...) O Cura da Sé, agora confiada a Luiz de Mello,o Cabido E he certo, que esta Freguezia está ainda hoje unida a huma Meia Prebenda, de que he Titular o Meio Prebendado Luiz de Mello». Sendo o objectivo singular dos Meios Cónegos e Tercenários o de ascender ao Canonicato e que desde cedo perturbou a corporação Capitular de Coimbra, certo é que tal desiderato, na segunda metade de setecentos, ganhou um fôlego nunca visto na sua intensidade e durabilidade, o que provocou um desassossego ímpar na história da Catedral – e mesmo da cidade –, pela subversão que operou na ordem e disciplina que organizava a vida de tal instituição da igreja Coimbrã. Tão pouco as demais Catedrais do Reino, que registaram conflitos internos de natureza similar, se confrontaram com processos de litigância de dimensão equivalente. Para tanto contribuiu a personalidade ímpar e determinada de Luiz de Mello, por certo caracterizada por uma maneira de ser exaltada e buliçosa, que D. Francisco de Lemos evidencia ao afirmar que se trata de um «animo naturalmente intrépido, para logo o considerar como o «Sacerdote mais miserável, que tem o Bispado». De facto, considerado o quadro mental, político e religioso que viemos a definir, a verdade é que o conflito não teria assumido as proporções que atingiu senão pela conjugação de tais factores com a personalidade deste Meio Cónego. Efectivamente, devem-se à sua intrepidez argumentativa os meandros que as diversas demandas vieram a percorrer. Também, neste sentido, podemos considerar, uma vez mais, as palavras de D. Francisco de Lemos ao referir que Luiz de Mello é «poderoso na Arte do Foro, e cheio de infinitos recursos», com o intuito de alongar as demandas e "confundir os Direitos mais certos». Certo é que este Meio Cónego, dotado de uma clara inteligência, de força de ânimo e possuindo um vasto conhecimento do direito eclesiástico e da prática jurídica da época, denota, de facto, uma profunda capacidade argumentativa, sabendo aproveitar a seu favor as minúcias processuais, o que lhe permite alcançar aquilo que reclama. A título de exemplo, constatamo-lo na questão dos Capelães e, muito especialmente, na particularidade da atribuição, que lhe é feita, do título de Cónego Meio Prebendado – sendo ele a denominar-se assim, vê legitimada pela autoridade régia a sua pretensão, partindo daí para a reivindicação da plena condição Canonical.
Luiz de Mello foi o grande protagonista de todas estas contendas que opõem os Meios Cónegos e Tercenários ao Cabido da Sé de Coimbra. Não apenas porque a sua casa foi o espaço de «assembleias diurnas, e nocturnas, em que se trata da ruína dos Capitulares", na expressão de D. Francisco de Lemos; mas sim, particularmente, porque foi o próprio Luiz de Mello quem tratou de formar o «façanhoso projecto de arruinar a differença das Ordens da Jerarquia da Cathedral». Ele, homem «dotado de um animo naturalmente intrépido, poderoso na arte do Foro, e cheio de infinitos recursos, que ella tem inventado para confundir os Direitos mais certos, e alongar as Demandas», na expressão do mesmo Prelado. Efectivamente, foi ele a «Cabeça» de todos os Beneficiados no desenvolvimento do conflito. Foi-o em Coimbra, onde reiniciou as demandas; e em Lisboa, onde se manteve por períodos diversos, e por vezes bem longo, como verdadeiro embaixador da causa dos Beneficiados, ocupando-se a fazer «papeis para as causas», e sob o auxílio dos seus companheiros, que em Coimbra lhe «fazião os gastos» de modo a que não fosse multado. Ainda que não isolado, pois que no desenvolvimento do conflito D. Francisco de Lemos se refere sempre à acção de Luiz de Mello e seus Companheiros, foi verdadeiramente o promotor e o rosto da grande perturbação que se prolongaria na Sé Catedral de Coimbra por mais de duas décadas.Em todo este processo não é de estranhar, contudo, que Luiz de Mello tenha contado com o apoio de algumas personalidades influentes. Ainda que as não conheçamos na totalidade, e tão pouco a natureza de algumas das suas possíveis intervenções, não podemos deixar de considerar a proximidade familiar deste Meio Cónego com o grande jurisconsulto Pascoal de Mello Freire, de quem é irmão. Isso não significa obrigatoriamente, é certo, qualquer participação directa deste grande legista no processo conflitual; todavia, estranhar-se-ia que Luiz de Mello o não tivesse consultado a propósito das demandas em que estava empenhado. A verdade é que Luís de Mello soube usar, no desenvolvimento do processo litigioso, a sua capacidade mobilizadora: iniciando as demandas com os Cónegos a partir de uma questão pessoal – a questão dos Capelães – rapidamente as abriu ao interesse colectivo, congregando as vontades e intervenção decidida de seus pares. Mas entendamos, todavia, que esta ordem de Beneficiados da Sé Catedral de Coimbra – Meios Cónegos e Tercenários – não agiu apenas por simpatia para com o Meio Prebendado Luiz de Mello. O seu interesse ia mais fundo. Mediante a acção deste «cabeça» de motim abria-se, como se compreendeu já, a possibilidade de ascender a uma nova posição hierárquica.E, neste sentido, de aceder a uma organização que proporcionava um claro desafogo económico aliado a um novo estatuto social Luiz de Mello, contudo, independentemente do modo como acedeu à hierarquia Catedralícia, encetou um percurso de auto afirmação que nos parece assentar num alto conceito que faz de si próprio. Realidade que nos permite compreender a forma como afrontou o Cabido da Catedral de Coimbra. Podemos concluir, portanto, que quer um quer outro destes Meios Prebendados reconheciam a existência de um profundo poder simbólico inerente à condição Capitular, que se transforma em força motivadora para lutarem pela posse do título de Cónego. Em certo sentido – reafirmemo-lo –essa titularidade constituía-se, no contexto do Antigo Regime, como cume de um percurso de valorização pessoal que se trilhou, ou como reconhecimento de um poder preexistente que, como dissemos, interessava agora complementar.
Luís de Mello privilegia-os, usufruindo de uma capacidade de organização interna dos Meios Prebendados e Tercenários, como acima se referiu, que suporta a sua contínua deslocação à capital do Reino. Ao mesmo tempo, este Meio Prebendado parece granjear aí apoios diversos, o que lhe permite permanecer em Lisboa por períodos de tempo mais ou menos longos. Todavia, também aqui não dispomos de elementos suficientes para determinar a natureza desses apoios, quem lhos podia prestar, ou ainda onde se recolhia Luiz de Mello aquando destas deslocações.
3 - Diz o autor que Luiz de Mello passou períodos mais ou menos longos em Lisboa, sem saber quem o recolhia e apoiava. Obviamente era visita da casa do seu irmão Pascoal José dos Reis, que antes em Coimbra o tinha apoiado nos estudos sendo hóspede na sua casa,  para agora a recompensa de irmão grato e lhe dar  luz e demais ensinamentos de retórica para se vir a defender como se fosse advogado. Pascoal  jurisconsulto afamado aos 19 anos bateu o martelo na sentença dos Távoras a mando do Marquês de Pombal. Por todos os créditos que teve na sua vida, de facto Pascoal dos Reis foi homem de mente brilhante, mas ninguém  abordou a razão jamais explorada dos meandros em que foi envolvido nesta sentença sendo juiz tão jovem para um julgamento com morticínio horroroso contra os nobres mais influentes do Reino e ainda do Duque de Aveiro com interesses em Abiul e Almoster na jurisdição de Coimbra a que Ansião estava então afecta, das duas uma, ou o Marquês de Pombal, seu amigo próximo em tantos actos ditatoriais contra vários nobres e até mesmo contra os jesuítas, lhe prometeu  e aguçou o apetite com "mundos e fundos", e ainda tinha lábia para o intimidar e encostar à parede com estas reclamações do irmão no Cabido de Coimbra, e  instigado sobre a ascendência da sua  família de não serem cristãos velhos, e antes novos. Ansião, a sua terra de onde era natural , afamada na arte da cantaria nunca lhe foi erigida estatuária!
O que faz pensar!
Por outro lado o Marquês era homem que não olhava a meios para atingir fins, sabendo ele próprio que tinha a mesma descendência judaica por parte de um avô de Pombal com apelidos "Carvalho e Melo", abençoado de talentos soube bem ludibriar todos com os demais encantos e sabedoria e assim angariar o  poder no cargo de ministro do Rei D.José,  a que juntou as valências de ser homem visionário, iluminado e muito ambicioso, que também o seria de maus instintos por ao longo da sua vida revelar o seu carácter continuadamente judeu em todas as suas atitudes de enorme e descontrolada ganância, ao jus do ditado popular "não olhava a meios para atingir os fins". Depois de destituído foi expulso para não voltar a pisar terra de Lisboa, obstinado e teimoso havia de voltar, ao ser instigado respondeu - "piso terra de Pombal" que tinha trazido no coche...tamanha audácia compatível com a actuação de  Luiz de Mello na contenda que travou  no Cabido para subir na hierarquia eclesiástica na ambição do poder e angariar mais dinheiro. O irmão Pascoal dos Reis na altura da sua morte na sua casa em Lisboa tinha familiares a viver com ele 10 pessoas, a que chamava criadas...
Fica por saber se tiveram outra irmã que era cega, e dela nada se sabe, não acredito que seja alguma das referenciadas, por terem casado.
Ana de Mello Freire 
"Foi criada do irmão o padre Luís Mello, onde se casou no oratório da sua casa na Rua de S.Cristóvão em Coimbra com o Dr. Bernardo Correia de Azevedo Morato.
Inácio Morato Freire de Mello, seja o filho deste casal , que veio a apadrinhar uma criança em Arganil a 2-8-1816. Não o faz pessoalmente, mas sim através de um procurador, Manuel Gomes Nogueira, e a madrinha é uma irmã deste, Maria Bárbara Gomes Nogueira, ambos de Cavaleiros de Baixo, Fajão. Estes são primos ou sobrinhos do Dr. José Acúrsio das Neves. Em Arganil, viviam então a futura Condessa das Canas e seus 6 irmãos que usavam «Melo Freire de Bulhões», mas neste caso o Melo vem-lhes do pai e o Freire da mãe e além disso não há possibilidade de serem Morato.Na freguesia da Sé Velha a 15-4-1798 morre na Rua de São Cristóvão o Dr. Bernardo Correia de Azevedo Morato."
Joana de Mello Freire 
" Outra irmã. Em 1807 esta filha de Belchior dos Reis e de Faustina Freire de Melo, viúva, veio a ingressar na Ordem Terceira de S.Francisco em Coimbra.
Pascoal José de Mello Freire dos Reis
 Citar excerto https://geneall.net/pt/forum/59276/pascoal-de-melo-ascendencia/
" Nasce a 6 de abril de 1738 em dia de Páscoa por isso lhe é dado o nome de Pascoal.Homem dotado, e que constitui a base do carácter sisudo e austero de um magistrado público destinado a representar o soberano no exercício das gravíssimas funções do poder judicial. A partir dos 12 anos vai para Coimbra, sendo entregue aos cuidados de seu irmão Luís que se responsabiliza pelos estudos preparatórios que antecedem a entrada na Universidade. Aos 13 anos de idade, inicia os seus estudos na Universidade onde se revela um estudante brilhante, e, no dia 13 de Maio de 1757, com apenas 19 anos de idade, doutorou-se na Faculdade de Leis, o que, naturalmente, foi considerado um feito notável e raro.«Cónego, jurisconsulto e professor. Foi um dos mais importantes jurisconsultos portugueses, fundador da Jurisprudência Pátria e da História do Direito Civil Português. Entre os importantes cargos e títulos.
1772-90 Professor de Direito Pátrio na Universidade de Coimbra
1783 É Deputado da Bula da Cruzada e da Assembleia da Ordem de Malta
1785 É Provisor do Grão Priorado do Crato e Desembargador da Casa da Suplicação
1787 É Deputado da Mesa da Comissão Geral do Exame e Censura dos Livros
1792 É Deputado da Casa do Infantado
1793 Deputado do Santo Ofício e Conselheiro de D. Maria I
Cónego Doutoral das Sés da Guarda, de Faro e de Braga; Sócio da Academia Real das Ciências de Lisboa; e Professor de Direito Pátrio na Universidade de Coimbra»
Em 1798 Morre em Lisboa, no dia 24 de Setembro, com 60 anos».

Segundo o Dr Vítor António Duarte Faveiro "Pascoal de Mello Freire e a Formação do Direito Público Nacional, Ansião, Publicações Ediliber, 1968, p. 39.  Também de seu nome completo Pascoal de Mello Freire dos Reys. (Cf. Manuel Lopes de Almeida, Documentos da Reforma Pombalina, vol. I (1771 – 1782), Coimbra, Universidade de Coimbra, 1937, pp. 322 – 323). 
Pascoal de Mello Freire dos Reys ocupou os mais elevados cargos da nação. Iniciando os seus estudos na Universidade de Coimbra aos treze anos, ali viria a doutorar-se na Faculdade de Leis, com apenas 19 anos, a 13 de Maio de 1757, feito «notável e raro». Em 1772 inicia, na mesma Universidade, «uma notável carreira de lente universitário». (Manuel Augusto Dias, Ansianenses Ilustres, vol. I, Ansião, 2002). Acedemos ao texto em páginas policopiadas. Nestas, vide p. 2. Pascoal de Mello Freire foi provido na Colegiada de São João Baptista, de Coruche,nas Conezias Doutorais das Sés da Guarda, Faro e Braga, professor da cadeira de Direito Pátrio, Desembargador da Casa da Suplicação, Deputado da Mesa da Censura, da Bula da Cruzada, da Mesa"
Por todos os créditos que teve na sua vida, de facto Pascoal dos Reis foi homem de mente brilhante, sendo certo que ninguém jamais abordou a razão de apenas com 19 anos ter sido o juiz a bater o martelo na sentença da família mais ilustre portuguesa - os nobres Távora, que lhes ditou uma morte horrível no cadafalso, a favor dos interesses do Marquês de Pombal. Enigma a deslindar, mostrando-se o Marquês visivelmente mais ambicioso o teria supostamente "forçado" por ser jovem juiz , aflorando a sua ascendente linha judaica que o intimidou para executar a sentença a seu contendo.
Na verdade Ansião sendo terra de canteiros nunca lhe foi erigida estatuária!
Pascoal dos Reis veio a incrementar uma medida na Lei vindo abolir o esquartejamento de corpos de bandidos e malfeitores depois de mortos no cadafalso .
Foto de Francisco Leite Pinto do Arquivo Municipal de Lisboa
Outra foto cortesia da Dra Teresa Ramos da Biblioteca de Ansião
Quadro datado de 1937 pode  ser o da pintura ou referente ao inventário depois do incêndio no Tribunal de Ansião onde ardeu a documentação do passado aqui arquivada após a separação da Igreja e do Estado com a implantação da República. 
Quiçá se perdeu o seu Foral entre outros demais papéis importantes!
O retrato evidencia o alongado nariz, lábios finos,farto cabelo e olhos meio claros.
Condecorado com uma Cruz ao peito .
Rua Pascoal de Melo em Lisboa com o nome pela metade!
  1. Em  https://toponimialisboa.wordpress.com/2017/07/18/numa-rua-de-arroios-esta-pascoal-de-melo-que-no-codigo-penal-usou-ideias-de-beccaria/ "As ideias iluministas  de Cesare Beccaria (Génova/1738- 1794/Milão), difundidas na Europa a partir de 1764 com a publicação do seu Dos Delitos e das Penas, tiveram eco em Pascoal de Melo e nas suas aulas em Coimbra, tendo sido chamado pela rainha D. Maria I que o encarregou em 1783 de fazer um Novo Código Penal, que ele apresentou em 1789 através de um Novo Código de Direito Público  e de um Ensaio do Código Criminal a que mandou proceder a Rainha fidelissima D. Maria I (embora só seja publicado em 24 de junho de 1823), citando na introdução deste último Beccaria, Locke e Montesquieu e preconizando no seu conteúdo leis menos severas, a fim de evitar maiores tormentos aos condenados, assim como atenua penas, embora mantenha algumas infamantes. Daqui se atribui a Pascoal de Melo a posição de precursor do moderno direito penal português, por fazer eco do pensamento iluminista e humanitário, mesmo que nenhum dos seus códigos tenha sido adotado. Aliás, no processo de revisão do Livro II das Ordenações, houve uma polémica famosa entre Pascoal de Melo e António Ribeiro Santos, em que primeiro apodou o segundo de republicano. Após 84 anos do seu falecimento e 15 após a abolição da pena de morte em Portugal este vulto maior do direito português teve honra de dar o seu nome a uma Rua de Lisboa onde morreu a 24.9.1798."
  2. Invalida aos lisboetas de apelido "Reis" de se questionarem da sua origem nesta suposta ligação familiar... E em Ansião...no mesmo!
Tive pelo menos três colegas com o apelido "Reis" no Banco em Lisboa em tempo que esta temática não gravitava na minha cabeça... Um deles de Grândola "Pereira dos Reis", cujos apelidos podem suscitar ligação num tempo que houve famílias da região de Ansião foram Senhores e Capitão mor em Arronches e Avis,  e mais tarde outros se deslocaram a ceifas tendo ficado por lá por casamento (?).
E outros pelo País e pelo Mundo!
Outros Reis célebres 
Rodolfo Reis Ferreira
Será o antigo jogador capitão do Futebol do Porto, sobrinho neto de Pascoal dos Reis?
A olhar as semelhanças no rosto e pelo apelidos ainda vincados na região de Ansião e Aguda...
Obviamente pode ser pura coincidência...

António Manuel Soares dos Reis
O mais famoso escultor nascido em Vila Nova de Gaia em 1847, iniciou estudos aos 13 anos na Academia de Belas Artes no Porto, seguiu para Paris e depois teve um atelier em Roma onde esculpiu o famoso "Desterrado" em 1872, onde teve um precalço quando regressou e mandou vir a escultura alvitraram a mesma não ser da sua autoria, quem lhe valeu foi o II Conde de Tomar, a famosa estátua de D.Afonso Henriques em Guimarães é da sua autoria entre outras. Casou-se em 1885 com  Amélia de Macedo, de quem teve dois filhos: Fernando e Raquel Soares dos Reis.Suicidou-se aos 41 anos no seu atelier de Vila Nova de Gaia.
Estive no Museu com o seu nome no Porto, depois  no programa sobre a sua vida, ao ver a sua sepultura de onde lhe foi roubada a escultura da campa, de ver a foto e ainda a coincidência dos apelidos Soares + Reis + Macedo da esposa, todos naquela época de Ansião entendi pertinente aqui deixar esta reflexão.
Foto tirada em Paris 
Citar excerto da autobiografia https://antoniosoaresdosreis.wordpress.com/autobiografia/
" Joaquim de Vasconcelos,  critico de arte e grande amigo de Soares dos Reis, enviou-lhe em 1879 um questionário ao  qual o Artista, não respondeu de imediato. A este respeito aponta Joaquim de Vasconcelos: «o questionário que apresentamos ao artista em meados de 1879 tinha um fim bem claro; mas Soares dos Reis, sempre um tanto desconfiado, deixou passar mezes, antes de responder. Venceu, afinal, o instincto do próprio interesse; e como ele não sabia mentir, e eu não soube nunca enganar ninguem com traiçoeiras lisonjas, redigiu e escreveu toda de seu próprio punho, com poucas ou nenhuma emendas, essa preciosa biographia, singela, sem atavios, sincera como o seu autor sempre foi."
Vasconcelos -, outro apelido que se acrescenta à região de Ansião, ao falar de Soares dos Reis "sempre um tanto desconfiado; e como ele não sabe mentir" alvitro a sua descendência dos Reis de Ansião,judeus oriundos da Galiza. Que seja muito fácil atestar, aqui apenas deixo a questão que a entendo curiosa por ser atenta nas Coisas que eu gosto, debalde posso estar enganada, por isso carece de alguém com empenho que lhe dê continuidade, sem esquecer que fui eu que levanto a  questão. 

José Pedro Amaro dos Santos Reis 
Conhecido como Zé Pedro dos Xutos e Pontapés, nascido em Lisboa a 14 de setembro de 1956  . O pai militar José Pedro Amaro dos Santos Reis. Apelidos da região a que se acresce o ar carismático, bonito, bem disposto e gosto musical, pode ter raízes na região (?).
Descendência de Marcos Freire Mello dos Reis

João de Mello Freire
"Nascido na Almofala de Cima em 05.12.1756 e baptizado na Aguda em 12 do mesmo mês. Sobrinho do famoso jurisconsulto Pascoal de Mello Freire dos Reis é neto paterno de Belchior dos Reis (aqui referido como Melchior) e de Faustina Freire de Mello da vila de Ansião, já defuntos nesta data, e maternos de Manuel Fernandes Themudo e de Maria da Graça moradores na Almofala de Cima, Aguda. Os padrinhos foram o Rev. Pe. Manuel Lopes de Chão de Couce e Dª. Anna mulher de João de Abreu Corte-Real da Rascoia, Avelar."

Joana Maria da Conceição
"Nascida em Almofala de Cima, em 08.12.1772, e baptizada em Aguda em 25.12 . O padrinho foi o próprio Dr. Pascoal de Mello "Colegial em Coimbra na ordem Militar" e Joana Maria de Lisboa que o foram por Procuração que deu ele a João de Mello, seria padre (?)."

Bernardo Freire de Mello Reis 
"Nascido em Almofala em  14.08.1778, batizado  em 22.08 na Aguda. Os Padrinhos foram um tal Bernardo Cezar ?) de Azevedo Moraes e sua mulher D. Joanna Freyre de Mello, moradores na cidade de Coimbra. Formou-se em Leis pela Universidade de Coimbra, e foi Capitão-Mor das Cinco Vilas (este cargo militar deve-o a seu pai, já que, quando da Guerra da Sucessão, Belchior dos Reis nunca pediu qualquer remuneração pelos seus serviços militares, optando antes pela compensação em seu filho, com a atribuição deste cargo), que, então, pertenciam à Casa do Infantado, e incluíam Chão de Couce (sede da Ouvidoria), Aguda, Avelar, Maçãs de D. Maria, Pousaflores e ainda as povoações de Mouta Bela e Ameixeira. Foi, também, Procurador, na mesma Comarca, da Casa e Estado do Infantado (cf. Vítor Faveiro, op. cit., pp. 33 e 34). Foi casado com Joaquina de Melo e Abreu morreu em 25 de Setembro de 1852 com 74 anos em Almofala de Cima, Aguda."
Maria Teodora 
"Nada se sabe ainda.
Por motivo de ausência de Almofala teve mais duas filhas uma nascida em Tavira e outra em Lisboa."
Ana Joaquina Freire de Melo 
"Filha do Bacharel Marcos Freire de Melo e Reis natural de Ansião da freguesia de N. Sra. da Conceição, e de Dª Anna Maria Joaquina da Graça natural da vila de Aguda da freguesia de N. Sra. da Graça, nasceu em Tavira a 25.11.1774, tendo sido baptizada no dia quatro do mês seguinte. Os padrinhos foram o Capitão Sebastião Coelho Xavier e sua mulher Joana Maria.Viveu com o irmão cónego em Coimbra Luís de Mello."

 Maria Freire de Mello 
"Foi baptizada em 28.11.1778 na Igreja de S. José em Lisboa onde nasceu a nove desse mês. Os padrinhos: Manuel José Mendes e Magdalena Violante da Silva mulher de Manuel Francisco da Cruz."
Descendência de Bernardo Freire de Mello

 José de Mello Freire 
"O seu filho primogénito foi Conselheiro.
Dedicou-se à direcção dos trabalhos agrícolas de sua casa
Faleceu em1836 em Almofala de Sima, Aguda."

Abílio João de Mello Freire 
"Frequentou em 1859 os estudos preparatórios da Universidade de Coimbra. 
Foi Padre na Freguesia de Aguda pelo menos no período de 1868 a 1906."

Joana Ermelinda Augusta de Melo
"Nascida em 1842 em Almofala de Cima, Aguda, casou em 25 de julho de 1879 com Manoel Mendes, nascido em 1856 na Salgueira em Maçãs D. Maria." 

Sobrinhos

Francisco Freire da Silva e Melo
«Nascido por volta de 1760/64 em Ansião , sobrinho de Pascoal José de Mello, e que se queixava de desleixo e incúria da parte da Academia da Ciências aquando da impressão das obras de seu tio. O Jornal do Comércio, n.º 4 626, de 3 de Abril de 1869, insere um artigo da autoria de José Maria António Nogueira, que se refere à morte e sepultura deste ilustre patrício de Ansião, a partir do Dicionário Bibliográfico, vol. XVII, p. 142 e seguintes (em português actual, excepto a certidão de óbito, para facilitar a sua leitura): «Melo Freire acabou os seus dias na freguesia de S. Jorge, de Lisboa, para onde viera morar em 1796, tendo em sua companhia seu sobrinho Francisco Freire da Silva e Melo, e mais dez pessoas de família, todas com a denominação de criadas, segundo consta do rol das desobrigas daquela freguesia e ano, que examinámos. Tendo falecido a 15.02.1838 em Lisboa. A contar de 1798 não há mais desobrigas desta família na freguesia de S. Jorge, o que leva a crer que mudou de residência, após o falecimento de Melo Freire, ocorrido a 24 de Setembro do dito ano. Não será de mais que ponhamos aqui a certidão de óbito do notável jurisconsulto, não só por ser documento que ainda não vimos publicado, mas porque precisa de uma rectificação que talvez possa aproveitar de futuro. “Aos 24 dias do mez de setembro de 1798 annos, falleceu da vida presente, n'esta freguezia de S. Jorge, o illustrissimo e reverendissimo desembargador Paschoal de Mello Freire dos Reis, filho de Belchior dos Reis e de D. Faustina Freire de Mello, natural da villa de Ancião, bispado de Coimbra; recebeu sómente os sacramentos da penitencia e extrema uncção, e não recebeu o Sagrado Viatico por não dar logar para isso a molestia. Foi sepultado sem testamento n'esta igreja de S. Jorge. De que fiz este assento, dito mez e era ut supra. = O prior, Antonio José Rodrigues (Livro III dos obitos a folhas 184 verso)». 

Em https://terrasdaribeirinha.wordpress.com  - Título: Discurso Anti-Académico Autor: Francisco Freire de Melo Ano: 1820 «Licenciou-se em Direito na Universidade de Coimbra no ano de 1786, desempenhando posteriormente vários cargos, nomeadamente Deputado da Inquisição de Lisboa e Arcediago da Sé de Leiria. Francisco de Melo, foi padre, doutor, latinista, polemista, Sócio da Academia Real das Ciências de Lisboa mas, acima de tudo, um grande impulsionador da publicação da Obra do seu tio, Pascoal de Melo, de quem era grande admirador. Pegou nos seus manuscritos, grande parte deles inéditos,  e procedeu à sua transcrição. Com o desenvolvimento deste trabalho foi-se apercebendo que alguma da Obra de Pascoal de Melo, já publicada, teria de ser revista, pois haveria muitas correcções a fazer. Assim, comunicou à Academia de Ciências, responsável pelas Obras já publicadas, a sua disponibilidade para colaborar numa nova edição, mas nunca recebeu resposta.O Discurso Anti-Académico é um folheto raro e fundamental para se perceber a polémica entre Francisco Freire de Melo e a Academia Real das Ciências de Lisboa por causa da reedição das Obras de Pascoal de Melo Freire pela Universidade de Coimbra, em 1815.»

Nos anos de 1797/98 também aparece vivendo em companhia do anterior outro seu sobrinho José de Melo Freire da Fonseca.

No Jornal do Comércio, n.º 4 626, de 3 de Abril de 1869 " um artigo da autoria de José Maria António Nogueira, que se refere à morte e sepultura do nosso ilustre patrício, e que transcrevemos, a partir do Dicionário Bibliográfico, vol. XVII, p. 142 e seguintes (em português actual, excepto a certidão de óbito, para facilitar a sua leitura): «Melo Freire acabou os seus dias na freguesia de S. Jorge, de Lisboa, para onde viera morar em 1796, tendo em sua companhia seu sobrinho Francisco Freire da Silva e Melo, e mais dez pessoas de família, todas com a denominação de criadas, segundo consta do rol das desobrigas daquela freguesia e ano, que examinámos. Nos anos de 1797 e 1798 também aparece vivendo em companhia de Melo Freire outro seu sobrinho, José de Melo Freire da Fonseca. A contar de 1798 não há mais desobrigas desta família na freguesia de S. Jorge, o que leva a crer que mudou de residência, após o falecimento de Melo Freire, ocorrido a 24 de Setembro do dito ano. Não será de mais que ponhamos aqui a certidão de óbito do notável jurisconsulto, não só por ser documento que ainda não vimos publicado, mas porque precisa de uma rectificação que talvez possa aproveitar de futuro. “Aos 24 dias do mez de setembro de 1798 annos, falleceu da vida presente, n'esta freguezia de S. Jorge, o illustrissimo e reverendissimo desembargador Paschoal de Mello Freire dos Reis, filho de Belchior dos Reis e de D. Faustina Freire de Mello, natural da villa de Ancião, bispado de Coimbra; recebeu sómente os sacramentos da penitencia e extrema uncção, e não recebeu o Sagrado Viatico por não dar logar para isso a molestia. Foi sepultado sem testamento n'esta igreja de S. Jorge. De que fiz este assento, dito mez e era ut supra. 
= O prior, Antonio José Rodrigues (Livro III dos obitos a folhas 184 verso)”.
"A Câmara Municipal de Ansião fez a entrega de 50.000$00 ao Arquivo Distrital de Leiria para a recuperação da obra Historiae Juris Civilis Lusitani, cujo autor, Pascoal José Melo Freire dos Reis, era natural de Ansião."
Desconheço onde se encontra a obra!
Deveria integrar o futuro Museu de Ansião tal como  A Grammatica Philosophica da Lingua Portugueza do padre Jeronymo Soares Barbosa.
Largo do Ribeiro da Vide
O "Ti Zé Reis" homem de alta estatura sem descendência direta veio a doar a sua propriedade à sobrinha Maria Marques dos Reis, ainda viva com 90 anos, vizinha dos meus pais.Chegou a estar noivo da prima direita Elvira André, com casas quase prontas depois do Largo do Bairro de Santo António em terreno dos pais dela -," segundo uma tradição familiar não gostou de uma atitude do futuro sogro que lhe ofereceu um copo de aguardente que recusou, gesto que o futuro sogro não abonou e por isso já com os copos, lho despeja no bolso do casaco, acto que não apreciou e por isso desfez o casório tendo os noivos ambos ficado solteiros..."
A casa de Emília André, antes não chegou a ser acabada para a tia Elvira André
Em virtude dessas substanciais alterações ao Largo do Ribeiro da Vide com o rasgo de novas estradas o muro da quinta chegou aos meus dias com o portelinho entaipado depois do rasgo da quelha aberta quando a Casa da Câmara foi sediada na Cabeça do Bairro por volta de 1679, deixando o que veio a ser um juncal aos pés do promontório onde estava a capela de Santo António.
Na requalificação do jardim público foi retirada a entrada da propriedade para o Largo do Ribeiro da Vide procedendo a nova abertura para a Rua do Ribeiro da Vide.Integrado no muro jaz uma pedra deitada reutilizada do portal que conheci.
Onde teria sido a casa de Belchior dos Reis?
Vamos recuar no tempo para entender o largo do Ribeiro da Vide sem o rasgo das estradas que aconteceram depois de 1875 com a ligação a Alvaiázere, Escampados e hospita com a construção da fonte com data de 1897 e o rasgo do quelho a nascente a delimitar a quinta do Bairro hoje Rua do Ribeiro da Vide, se chamava "Quelha da Atafona".Quando a Vintena na Cabeça do Bairro foi instalada em 1679 teria sido aberto um novo caminho na ligação à vila a nascente na direção ao Ribeiro da Vide seguindo hoje a Rua João de Deus para entroncar na estrada para a vila e sul para a Ameixieira.
Partindo do dado factual - a casa de Belchior dos Reis foi sediada ao largo do Ribeiro da Vide, com muita certeza só podia ter sido onde hoje se encontra uma casa mais recente reconstruida no que foi a dele.Casa de sobrado que sempre conheci a servir de palheiro que o Sr Zé André deixava os peregrinos para Fátima dormir. Pela frente ainda tem a grande eira para poente com uma grande nespereira.Hoje é pertença da minha grande amiga Elvira André, a quem não solicitei autorização para fotografar, ainda tentei encontrar o pai que de carro se desloca do Escampado todos os dias à vila, que a corri mas não o encontrei, só quando me vinha embora a "Mena trinta" me disse que ele tem o costume de parar no Bastiorra, por isso aqui me desculpo neste enxergar do passado de gente ilustre que muito a deve honrar, a mim me inveja por não ter na descendência rivalidade assim igual.
A Rua do Ribeiro da Vide
Nos anos 40 se chamava quelha da Atafona, teria sido rasgada em finais do século XIX, porque os terrenos de um e outro lado da actual estrada eram contíguos do chão da quinta do Bairro, a comprovar o terreno do advogado Dr Delfim que se encontra do outro lado cuja mãe julgo seja descendente dos Reis da Ameixieira. Um dos primeiros habitantes a instalar-se na quelha antes do Pinhal Tenreiro teria sido Bernardo Mendes.
 
Típica arquitectura da casa de judeus - Duas portas
 
 
 A grande nespereira e a eira que alcançava da casa dos meus pais e me fascinava...
O chão empedrado em pedra preta no r/c seja um enigma, não sei de onde veio, possivelmente dos lados da Lousã (?). Sabe-se que Belchior Reis casou duas vezes, facto que o filho Pascoal não tenha gostado e em represália tenha deixado de assinar o apelido do pai (?) e por isso lamentavelmente conhecido apenas pelos apelidos Mello Freire. Belchior dos Reis veio a casar com uma senhora chamada Josefa Maria da Serra que seria da Lousã (?), de onde era oriundo o apelido. E por isso a pedra negra (?), muito usual, como a vi no palácio da viscondessa do Espinhal e no Espinhal na entrada de um solar onde é habito fazerem o presépio. Carece por isso de investigação.
Naturalmente teve deste casamento mais descendência.
 
 
 Um lintel com inscrição dá a sensação que foi reutilizado e posto ao contrário D C ...
 Ao lado norte da casa restos de um muro, seria da casa primitiva a que foi de Belchior Reis (?).
 
 Vistas da casa sobre o Bairro de Santo António
A casa alta que se observa em primeira linha da São Borges Reis e na frente a quadrada a da minha mãe, ao cimo do quintal em pedra o que restam dos casões que pertenceram à primeira Casa da Câmara de Ansião.
Fora do muro da propriedade encontra-se um grande poço camarário que não se encontra referenciado nas Memórias Paroquiais. Até ao século XX o largo do Ribeiro da Vide era um baldio, foi à praça e retirado, consta em acta da câmara, sem ainda saber a razão da sua retirada, julgo por ali se fazer a feira do gado bem antes do que até há pouco tempo se pensava ...Julgo nos anos 40 houve obras noutros poços, para obviar a falta de água no verão - o poço dos Olhos d 'água e do Menchinho.
No meu tempo servia de suporte ao lavadouro público que havia no largo do Ribeiro da Vide.

FONTES
Livro de Noticias e Memórias Paroquiais Setecentistas de Mário Rui Simões Rodrigues e Saul António Gomes
Ansianenses Ilustres do Dr Manuel Augusto Dias
Cadernos e Estudos Leirienses nº 9
Dr Vítor Faveiro
https://geneall.net/pt/forum/59276/pascoal-de-melo-ascendencia/
Dr. António Augusto da Costa Simões, "Topografia Médica das Cinco Vilas e Arega
o Jornal do Comércio, n.º 4 626, de 3 de Abril de 1869
https://terrasdaribeirinha.wordpress.com/author/terrasdaribeirinha/page/6/Testemunho oral do Renato Freire da Paz, Chico Serra, D Emília Andre, Elvira André, Maria Marques dos Reis, São Borges dos Reis, Zé Maria dos Reis, Helena da Silva, Carlos Cotrim .

2 comentários:

  1. Olá
    Poderia citar a fonte para este texto:
    "comunidade judaica que ali se refugiou na região e se expandiu nos concelhos limítrofes depois de 1492 fugidos da Galiza, que nos seus descendentes ainda corre na oralidade vindos de Espanha fugidos de guerras a que se juntam os nomes que ficaram atribuídos na toponímia ligados à Galiza - Casal do Galego; Chã Galega; Galegas; Fonte Galega."

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  2. Cara Gisele Camacho muito obrigada pela cortesia da visita. A citação referida é da minha autoria, não foi retirada de nenhuma fonte. Trata-se da minha teoria fundamentada na citação da história referente ao êxodo de 1492, que originou a chegada de judeus a Portugal, que se converteram em cristãos novos, e nesta região alguns se refugiaram. Na verdade tenho outra crónica em rascunho sobre este fenómeno, a razão de aqui terem aportado, quanto a mim está associada ao Condado Portucalense onde já viviam judeus ricos que sabiam tirar sustento e riqueza das terras para na Reconquista Cristã na grande ajuda a Reis a enxotar os sarracenos haviam de receber regalias,terras E títulos. Por exemplo no Espinhal a escassos 10 km de Ansião, já no concelho de Penela existiu outro núcleo judaico, gente letrada que granjeou títulos e terras, pelo menos uma das famílias de apelido Velasquez e Alarcão veio com a corte de Filipe I .Comunidade judaica na região e circundantes que se estendeu até ao alto Alentejo pelos altos cargos de capitães mor e outros títulos de senhorios de terras, jamais abordada por nenhum historiador ou investigador, pelo menos nada conheço, apenas se fala e escreve das comunidades raianas. A que juntei a minha curiosidade de 50 anos a questionar porquês para em graça conseguir fazer correlação de dados retirados das Memórias paroquiais, sobretudo dos nomes com apelidos de origem judaica com relatos ouvidos da boca dos seus descendentes e ainda engenho e talento em conseguir colocar essa temática nos espaços, onde viveram , para com verdade dizer que aqui se refugiou e sobreviveu e ainda se difundiu pelos concelhos limítrofes, pois casavam entre si para manter os bens, hoje ainda é visível essa herança, assim como nomes focados na crónica que ficaram atestados na toponímia, e claro o carisma reservado do povo judaico, não falavam para não serem denunciados.
    Isabel

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