quarta-feira, 20 de junho de 2018

A Expansão Portuguesa sem aparente gente de Ansião...

Prefaciando um pensamento que infelizmente não tomei nota do seu autor e não consigo localizar, apesar de ter tentado «Porque a história não é um deposito de coisas conhecidas, mas uma recriação contínua, a hermenêutica possivel de algo que nos procedeu. Não há certezas na história, como não as há em qualquer outra ciência.Somente aproximações.» Despertei para esta rica temática na leitura de um trabalho sobre a expansão portuguesa em África, Oriente e Brasil do investigador com raízes em Ansião da família dos "Soares Barbosa" o Engº Ricardo Charters d'Azevedo - Leirienses na Expansão Portuguesa https://www.academia.edu/36551509/Leirienses_na_Expans%C3%A3o_Portuguesa. Prefaciando o autor «Fomos desafiados para que referíssemos as gentes de Leiria e da região que tivessem participado no período da expansão portuguesa que estas notas cobrem inicia-se com a tomada de Ceuta e termina em 1580 com a batalha de Alcácer-Quibir. (...) O que se encontrará abaixo é o resultado da pesquisa que efetuamos sobre quem ,naquele período, foi ao norte de África e participou na carreira da Índia, pois não tivemos sucesso quando procuramos a indicação de leirienses que foram a outros pontos que a expansão portuguesa tocou,como por exemplo o Brasil. (...) Devemos referir que muitos dos nomes que encontramos apontavam para pessoas de condição e neste caso fácil foi determinar a sua naturalidade.No entanto,os documentos mal referem os homens de menor estado, e quando o faz não indicam a naturalidade.Igualmente os padres e os membros das Ordens que acompanharam a expansão raramente tem a indicação da naturalidade, pelo que só com o cruzamento de informação constante das crónicas das respetivas Ordens nos permitirá saber de onde são naturais, mas não o fizemos porque a existência de inúmeros nomes semelhantes levou-nos a concluir que não seria credível a informação assim obtida. Mesmo com estas limitações, publicamos estas notas porque poderão motivar a que se venham melhorar, pois a escrita da história deve conservar o gosto do inacabado.» Parti desenfreada no papel de autodidata a dissecar informação e em lançar o primeiro enigma de não se ter identificado nenhum registo de participante natural desta terra de  Ansião estrategicamente inserida ao meio do distrito de Leiria, tendo participantes dos concelhos limítrofes; Ourém, Pombal (Abiul e Redinha ), Figueiró dos Vinhos e Pedrogão, no período de 1400 e depois de 1500 em que partiam na aventura em naus cascas de noz com parcas condições no convívio com animais e viveres no sonho em conquistar novas terras para proclamar a fé católica onde ainda tinham de participar na construção para sua defesa de baluartes levantados no norte de África, Índia, e Brasil, pese embora não tenha sido improvável  a hipótese de algum participante oriundo do concelho de Ansião de "estado menor" tenha participado ou com vínculo de nobreza, dado pela brutal matriz dos apelidos desta terra em uso na mesma época num tempo como hoje de migração no País pela via do casamento, trabalho, aventura ou como serviçais dos nobres que detinham Senhorios na região: Condes e Duques de Vila Real Senhores da Aguda, Chão de Couce e da Ameixieira, mais tarde pertença da Casa do Infantado. O Conde da Ericeira Dom Luís de Menezes Senhor de Ansião.Dom Afonso Vasconcelos e Meneses agraciado com o título de 1.° conde de Penela em 1471. O Conde de Tentugal em 1504 foi Senhor do Rabaçal - Dom Rodrigo de Melo de origem espanhola e 1º Marquês de Ferreira no excerto de http://www.fcsh.unl.pt «Desconhece-se se D. Rodrigo de Melo esteve ligado ao comércio da Carreira da Índia, tal como acontecera com o seu pai D. Álvaro, que desempenhara um papel activo na organização das primeiras armadas da Índia e fora um dos seus maiores investidores privados. É de supor que D. Rodrigo não se tenha alheado completamente dos negócios do pai, muito embora com uma intervenção muito menor. Não existem, igualmente, referências a servidores ou agentes seus na Índia durante o período manuelino, nem o conde é citado a propósito da definição da política oriental e da nomeação dos principais oficiais da Coroa no Estado da Índia. Pode-se afirmar que D. Rodrigo pouco se interessou pela Índia, independentemente dos negócios que aí possa ter realizado. Contudo, o principal centro de interesses do conde de Tentúgal seria Marrocos. Quando atingiu a maioridade, D. Rodrigo procurou honrar o seu nome no campo de batalha e repetir os feitos dos seus avós, viajando por duas vezes até ao Norte de África. Em 1508, participou na expedição que visava a conquista de Azamor, que fracassou, sendo depois ferido por um pelouro de bombarda aquando do socorro a Arzila por parte da frota onde seguia. Em 1513, regressou a Marrocos acompanhando o seu primo D. Jaime, duque de Bragança, na tomada de Azamor. São várias as referências a criados e escudeiros de D. Rodrigo que se distinguiram pela sua bravura em Marrocos, recebendo cartas de confirmação de privilégio de cavaleiro.» O Duque de Aveiro teve o Senhorio de Abiul até 1759.

Apelidos que existiram nesse tempo e alguns ainda persistem; Abreu, Afonso (Afonso como nome próprio e apelido, Alarcão, Andrade, Eanes, Enes, Anes ou Annes, Castro, Carvalho, Coutinho, Curado, Dias, Duarte, Estevão, Esteves, Fernandes, Ferreira, Franco, Furtado, Galvão, Godinho, Gomes, Gonçalves, Lobo, Lopes, Macedo, Medeiros, Mendes, Mota, Noronha, Pais, Pestana, Pereira, Pires, Ribeiro, Rocha, Rodrigues, Roriz, Rêgo, Saldanha, Silva, Soares, Sousa, Vaz, Vide.
Num tempo de poucas vias de comunicação... 
A região centro foi privilegiada pelo cruzamento de estradas medievais de norte para sul e do nascente para o litoral a contornar serras e vales usando muitos troços da via romana na ligação a grandes cidades como Coimbra, Tomar e Leiria com passagem por mosteiros referenciados em https://digitalis-dsp.uc.pt de Maria Alegria Fernandes Marques no Arcediagado de Penela « mosteiros de Pera, Alge e Murta -  
Alge situado em local onde a ribeira de Alge confluía com o rio Zêzere, tornava-se marco no domínio que o primeiro rei de Portugal doava, em 17 de Maio de 1135, ao citado franco Uzberto e seus companheiros (O mosteiro de Alge é referido por Kalidás Barreto, Monografia do concelho de Castanheira de Pera). Ainda existia em 1204, quando D. Pedro Afonso deu foral a Figueiró e lhe traçou os termos (O Autor indica que ele se situaria “em algum lugar próximo da actual povoação”, mas não valoriza a informação.» A actual povoação de Alge sita acima no mapa na encosta poente de Figueiró dos Vinhos onde foi implantado algures o referido mosteiro na margem da ribeira de Pera  onde já estive a banhos na praia pluvial, contudo o texto acima menciona "Alge situado em local onde a ribeira de Alge confluía com o rio Zêzere" indicia outra hipótese em ter sido erigido onde vieram a ser feitas séculos mais tarde na centúria de 700 as Ferrarias da Foz d'Alge (?). Lamentavelmente dele se perdeu o rasto com o reaproveitamento da pedra e seja hoje dificil apurar onde tenha sido o seu palco, só quem conheça bem os locais e tenha memórias de mais de 70 anos.
Foz d'Alge eas ruínas das ferrarias
Já o mosteiro de Pera teria sido implantado na margem da ribeira de Pera possivelmente onde hoje ainda existe o topónimo Mosteiro, já pertença ao limite poente de Pedrogão Grande requalificado com uma bela praia fluvial onde o antigo lagar ou moinho ficou inserido. E o mosteiro de Murta, no concelho de Alvaiázere onde recentemente foram descobertas antas e ainda resta a  ruína da torre de defesa medieval conhecida também por Castelo de D. Gaião ou Torre do Langalhão .No excerto de http://www.zezerepedia.com/pagina-inicial/wiki/torre-da-murta-areias «Eu, Afonso I de Portugal por Graça de Deus, Rei dos Portugueses, filho do Conde D. Henrique e da Rainha D.Teresa, neto do Grande Rei D. Afonso (…) Dou e concedo a Deus e aos cavaleiros do Templo no concelho de Ferreira do Zêzere aquele castelo que se chama Ceras (…) como parte pelo Rio Zêzere aonde se chama Porto de Caíns e daí vai pelo meio da estrada até ao Mosteiro da Murta, dali pelo Ribeiro da Murta como desce à Freixineta, e dali vem ao Porto de Tomar que é na estrada de Coimbra que vai para Santarém; e daí pelo meio da estrada como vai pelas alturas da Beselga, e daí lomba de contra Santarém, como verte água na Beselga, e como desce ao Tomar, e daí desce ao Zêzere, e daí ao Porto de CaínsNão sei se a toponímia d'hoje Pé de Cão antes foi de Porto de Caíns, aponta para essa probabilidade.Curiosamente desse passado longínquo  permanece este topónimo comum em Portugal e na Galiza  - do latim portus, "porto" que  muitas vezes se encontra formado no composto: Porto Covo, Porto de Mós, Porto Salvo, e em Ansião Porto Largo, sem se enxergar águas para atracagem e fundear...
  Ruínas do Castelo de D. Gaião,  Torre do Langalhão ou Torre da Murta, particular
Quem em rota de viagem nos primórdios da nacionalidade se dirigisse do nascente para o litoral em acheganças ao mosteiro de Pera depois de descanso seguiam a caminho do mosteiro de Alge, acaso tenha sido implantado na Foz de Alge seguiam pela Ribeira do Brás na Arega para entroncar na estrada romana/medieval para Tomar que dista poucos quilómetros onde foi o mosteiro da Murta. Contudo se o mosteiro de Alge foi implantado junto da actual povoação de Alge, a rota a seguir depois dos costados algures ao vale entre o Espinhal e Almofala onde se bifurcaria para o litoral  tomando uma via na direção do reguengo do Camporês, Maxial e Ansião, ou em alternativa a subida da Serra da Ameixieira para entre o Suímo e a Sarzeda se dirigiam a caminho de Abiul, tomando a estrada real  para Pombal e dai para Leiria.
Estranha-se num espaço restrito o epílogo de três mosteiros (Pera, Alge e Murta) para constatar que em Ansião, apenas existe a toponímia Vale do Mosteiro, onde houve um portal gótico a poente do que foi a entrada para a capela com largo corredor lajeado de passadeira ao meio e terra dos lados, uma pia de água benta e uma Cruz alta em pedra fechados num quartito, para não os profanar quando o corpo da capela foi requalificado em casa para nela se habitar que um incêndio levou os moradores (Miguel e miguela) a vender e a emigrar para o Brasil onde já estavam outros vizinhos e quiçá familiares. Foi na década de 60 quando conheci o espaço com resquícios de arcos ao cimo das paredes cujo portal gótico não estranhei por já conhecer outro muito mais pequeno no tardoz da Misericórdia que observava quando brincava no jardim dos Paços do Concelho. Debalde o mosteiro até hoje sem se conhecer dele alguma referencia documental, aqui pioneira em dizer que existiu dado pelo enquadramento da sua localização na beira da estrada Coimbrã sito em ligeiro promontório sustentado com muro em "L" ao jus de forte, poente/sul ladeado por duas entradas francas; a norte e a sul com adega adoçada à capela de que ainda existem arcos de volta perfeita e a pedra de lagar, para no espaço lateral da capela a poente onde teriam sido as celas e a cozinha conheci o espaço rectangular ornado na frente por sapata em pedra esculpida de ligeiro friso e chão a erva cujas paredes já tinham desmoronado e delas não se enxergavam ruínas, aventa terem sido reaproveitadas após a extinção das Ordens Religiosas e foram usadas na reconstrução de novo casario a que a sapata não escapou ao ser reaproveitada para degraus, postos ao contrário, ainda visíveis numa casa azul. O orago seria o S.Lourenço, o protector dos tesouros da Igreja que na centúria de 600 é referido nas Memórias Paroquiais num relato de um padre que aborda a existência de uma capela para poente com este Santo que hoje se encontra na Capela do actual cemitério que data dos finais da centúria de 800, quando foi neste espaço pela segunda vez para este fim reutilizado, precisamente por altura da venda da quinta ao Dr Domingos Botelho de Queiroz, em que o antigo cemitério se encontrava encravado, havendo nessa altura profanação de ossadas a poente, entre a estrada real e o actual muro do cemitério que mais tarde veio a entestar a estrada. Evidencia que o Esmoliadouro referido numa escritura de uma herdade afecta ao Mosteiro de Santa Cruz que o tinha ao limite poente  de Ansião , seja verossímel dizer que o seria na parede do mosteiro para a proteção do Santo e dos frades que viviam das esmolas deixadas pelos viandantes que ali também se socorriam em abrigo e sustento porque vinho havia concerteza a julgar pela adega e vinhas nas imediações que ainda hoje uma propriedade dos meus pais tem essa designação "Vinha", e ainda corre na boca do povo que ali existiu a cama da Rainha Santa Isabel em pedra onde ficava nas suas viagens quando por aqui passava, teria sido destruída precisamente quando o espaço foi vendido a vários e convertido em casas para famílias o habitarem, por isso ainda corrente na oralidade.
Um arco de volta perfeita e a pedar de lagar
 O espaço onde foi o palco do pequeno mosteiro em Ansião
Visto de sul , a actual avenida foi outrora o chão da estrada medieval.
A que se acrescenta outra casa onde se formavam padres pertença ao Bispado de Coimbra, segundo o testemunho de Silvina Gomes da Ribeira do Açor "a casa da qual restam as paredes em ruína fica situada no lugar de Crucial de S Bento, que está completamente abandonado , não mora lá ninguém apenas tem a capela de S Bento, essas ruínas ficam por trás das poucas casas que lá existem tem muita vegetação em volta será difícil o acesso, esse terreno pertence à família do meu marido, pois os meus sogros moravam numa dessas casas já em ruínas ,eu me lembro de ouvir a minha sogra falar dessa casa onde se formaram alguns padres" , faria parte do Couto de Torre de Vale Todos, no concelho de Ansião que se chamava Paço, referenciado como topónimo nas Memórias Paroquiais, que hoje o topónimo julgo já não existe. Estando Ansião inserida na rota principal da estrada medieval Coimbra/Santarém e das vias secundárias romanas que depois de Conímbriga se bifurcavam à imediação da Ribeira de Alcalamouque seguindo uma para poente que passava pelo Paço dos Jesuítas na Granja de Façalamim na direção de Santiago da Guarda, Vale do Boi onde foi catalogado um troço, seguindo pelo Pinheiro e Ansião e outra via seguia para nascente pela várzea de Aljazede  e na Lagarteira ao Paço junto ao Crucial de S.Bento para enfim se estranhar que nenhum membro das duas casas, uma  dos Jesuítas, e a outra do bispado de Coimbra tenham vindo a participar na expansão marítima, tão pouco os desocupados, porque os nobres apesar de aqui na região deter Senhorios, Morgadios , Reguengos e um Couto onde não viviam, apenas recebiam os foros anuais em prol da boa vida em solares e palácios nas cidades como Coimbra, Leiria e Tomar, entre outras.,
Paço dos Jesuítas na Granja de Façalamim

Segundo excertos das Memórias Paroquiais «O padroado da igreja de Nosas Senhora da Orada, nos inícios do terceiro quartel do século XVI passou do Mosteiro de São Jorge, de Coimbra, para o Colégio do Espirito Santo, de Évora, fundado em 1553 pelo Cardeal D.Henrique, instituição a partir da qual se estruturou a universidade desta urbe alentejana cuja actividade lectiva, a cargo da Companhia de Jesus, se iniciou em 1559. O pároco era Cura.No século XVIII existia na Granja de Falalamim uma residência dos padres da Companhia de Jesus. Na sequência da confiscação dos bens e da expulsão dos membros desta Ordem D José I decretou em 1759, a quinta, com os seus edifícios e propriedades terá sido incorporada nos bens da Coroa. Mais tarde vendida sendo hoje de particulares, ostenta na ruína, garbosamente, a sua grandeza e encanto»
Testemunho do padre Cura Manoel Mendes de 1515 na pág 362 a 365 « (...) Affonsecca Prior do Collegio de Euora pintar a sua casa a Capela mor (...)em quinze dias de mes de janeiro de 1701, dia de Santo Amaro entrou meu irmão Thome Mendes na Companhia; e em dia de São Matheus de 1712 dice Missa na Capelinha dos Padres da mesma Companhia que tem na Granja; foi padrinho o Reverendo Padre Prior Matheus de Affoncequa e eu o Padre Manoel Mendes que de presente era Cura. E em dia de Reis de 1718 dice meu sobrinho o Padre João Teixeira dos Casais Missa noua na Igreja de Nossa Senhora da Orada e por assim ser ueverdade fiz estesacentos que assinei, e declaro que fui padrinho, e o Licenciado Padre João Simões do Outeiro etc. Em os cete dias do mes de agosto de 1719, emtrou meu sobrinho António Mendes no Collgio da Companhia de Jesus em Coimbra...»

Leirienses na Expansão Portuguesa 
Excertos de https://www.academia.edu « Não se sabe o numero de intervenientes exploradores e povoadores em todas estas expedições»
Quem participou nesta expedição
 «A nobreza portuguesa só se interessou verdadeiramente pelos descobrimentos depois das campanhas marroquinas e da morte do infante D.Henrique, em1460.Cremo poder afirmar que o serviço prestado em Marrocos-militar ou administrativo foi encarado,como tempo,com o uma obrigação para a nobreza,tendo em conta o cursus honorum da cavalaria, a que obviamente não era alheia a fonte de receitas que daí podia retirar.Se nos primeiros anos de ocupação portuguesa do Magrebe os nobres se mostravam ainda receosos em passar a África, concretamente a partir da concessão da capitania de Ceuta a D.Pedro,e a este do título de conde de Vila Real,alterou-se a perceção que os nobres tinham das vantagens que poderiam obter no norte de África .»

«(...) Verifica-se que o fluxo migratório passou a integrar, além dos homens em armas,outros estratos socioprofissionais com especial incidência em comerciantes,e sacerdotes.Abordo das embarcações iam os soldados para  a peleja, os funcionários que defendem os interesses da coroa e os missionários como arautos da fé.A estes juntam-se naturalmente outros grupos como os degredados,ou aventureiros e ainda os homiziados, que eram criminosos que serviam no exército,beneficiando assim do perdão posterior do rei?A missão dos religiosos,que chegam a ter uma maioria de estrangeiros sob a égide da coroa portuguesa,não se resumia apenas a assegurar a actividade de culto,abordo e nos locais onde se fixavam ou à conversão dos gentios,mas eram verdadeiros embaixadores de uma nova forma de viver .A missão dos religiosos como embaixadores fundando casas; franciscanos, dominicanos e mais tarde os jesuítas. Os judeus em 1497 fundem a sua Diáspora com a dos portugueses no norte de África, costa da Guiné, ilhas e Brasil . »

De que região provinham
«(...) as gentes do distrito de Leiria fizeram parte da expansão dos descobrimentos.Pescadores e calafates da Pederneira e Peniche, Pilotos da Atouguia, homens de armas do Bombarral e Missionários de Pedrogão cruzaram mares no serviço da Fé com os cavaleiros fidalgos de Pombal ou do Bombarral e sábios diplomatas e administradores de Leiria.Arquitectos e seus artificies envolvidos na construção do Mosteiro da Batalha e no Mosteiro de Alcobaça participaram na construção de fortalezas em Arzila, Mehdia, Mamora e Mazagão.»
Quem foram os da região de Leiria
«(...)  Pelos serviços prestados na expansão estiveram os nobiliários Menezes de Vila Real que construíram o seu paço em Leiria onde foram os seus alcaides -mor.»

«Um dos que participaram na expansão apesar de estarem no Reino lhe deram grande apoio logístico, por exemplo Diogo Gil Preto trisavô de D.Pedro Vieira da Silva bispo de Leiria , foi tesoureiro da Casa de Ceuta,o organismo no Reino que cordenava o abastecimento das cidades portuguesas em Marrocos.Veio a ter problemas involuntários com contas prestadas e retirando-se para Leiria prometeu "edificar uma ermida no monte mais alto no termo daquela cidade" se, julgado o seu processo" as contas se acertassem",como se ajustaram mandou edificar a ermida da Senhora do Monte no termo da cidade com a legenda sobrepuja na porta do seu fundador Diogo Gil, sem referir o apelido Preto. » Indicia a possibilidade forte de ser descendente do cruzamento com mouros em que a cor da pele tenha ditado a alcunha "preto" ao pai que nele se fidelizou em apelido e por dela não gostar quiçá pela via de (impureza de sangue) tenha sido afrontado nas contas de que era detentor e uma vez ganha a contenda não mencionar o apelido na legenda da capela que mandou erigir de que não gostava e o denegria...


Da igreja participaram muitos missionários, padres e bispos
«Um dos mais relevantes foi o bispo Dom João Galvão irmão primogénito do do cronista mor , embaixador e alcaide mor de Leiria Duarte Galvão. Bispo de Coimbra era um misto de sacerdote e guerreiro participou nas batalhas de Argila e Tanger.Como o bispo se mostrou tão pontífice como soldado foi-lhe concedido como paga destes serviços pelo rei D Afonso V em 1472 o titulo de Conde de Arganil, para si e seus sucessores bispos de Coimbra.» O apelido "Galvão" ainda vivo em Ansião.
Na fatal jornada de Alcácer Quibir
«Encontramos Estêvão Curado e Rui da Vide, ambos oriundos de Figueiró dos Vinhos, e foram feitos prisioneiros, tendo Rui da Vide sido companheiro de Miguel Leitão de Andrade e, depois de resgatado viveu em Lisboa onde faleceu em 1620 .» Ambos os apelidos "Curado e Vide" o 1º usado como apelido e o 2º usado como topónimo (Ribeiro da Vide e Vale da Vide ).
« O escritor e fidalgo pedroguense Miguel Leitão de Andrade partiu para Alcácer Quibir com D Sebastião que ficou cativo em Fez tendo-se evadido e chegado a Lisboa em 1580. Antes de fugir escreveu uma carta ao seu irmão dando conhecimento sobre a 1ª noticia em Portugal relativa ao desastre .Com fundamento no seu testemunho se pôde asseverar que D Sebastião morreu em combate.» O apelido "Andrade" muito usual no concelho limítrofe de Penela e no de Pedrogão.
Participação no resto do Mundo
«O século XVI viu Portugal avançar para o Mundo .Foi uma gloriosa época de navegações e de conquistas que se desenrolaram em três mares e se difundiram em todos os continentes.Leiria viu imprimir-se, em 1496, o livro de oiro dos pilotos e dos astrónomos e ofereceu madeira das suas florestas para com elas se construírem navios.
Em 1624 construiu-se em Peniche o galeão Santo António com carpinteiros da zona de Óbidos
«Também exerceu vida apostólica no Extremo oriente o missionário pedroguense o Padre jesuíta Gabriel de Magalhães.Aportado à Índia onde em Goa deu retórica e depois foi para a China e em Macau deu filosofia.Percorreu em serviço apostólico a província de Chequião ,e, aqui, perseguido pelos Bonzos, padeceu terríveis martírios me- tido num cárcere,de mãos e pés algemados e três cadeias no pescoço tendo falecido em Pequim em 6 de maio de1677.»
 

«O missionário pedroguense o bem-aventurado Diogo de Andrade foi mártir com mais 40 noviços que seguiam com o padre Inácio de Azevedo da Companhia de Jesus na nau Santiago com destino ao Brasil tendo sido atacados por corsários calvinistas ao largo das ilhas Canárias tendo sido martirizados e mortos todos os religiosos em 15 de julho de 1570, ficaram conhecidos como "os 40 mártires do Brasil" que vieram a ser beatificados pelo Papa Pio IV em 1854.»
«Malaca foi o mais influente centro de afluência de naturais de Leiria ou da sua região.Por volta de 1511 o boticário Tome Pires de Leiria partiu para a Índia onde se estabeleceu em Malaca tendo enviado para o Reino a descrição sumária de varias plantas medicinais. Depois foi enviado como embaixador à China e em Cochim enviou uma carta a D Manuel em que dava conta da observação sobre as drogas e plantas medicinais na Índia. Em 1543 Fernão Mendes Pinto seguia sobre prisão de Nanquim para Pequim encontrou em Sampitai uma filha de Tomé Pires chamada Inês de Leiria, que apenas sabia de português o padre nosso e algumas palavras em português.» O apelido "Pires" e "Mendes" ainda usual em Ansião.
 

«O pombalense Jorge Botelho que em 1551 instituiu o morgadio da capela de Nossa Senhora da Piedade, na igreja da matriz de Pombal que no dizer de João de Barros "foi muito conhecido nos sítios do Oriente" onde permaneceu 20 anos na Índia, falava várias línguas e salvou da morte Afonso de Albuquerque na expedição a Calecute quando foi ferido no ombro esquerdo.»
 
«Outro pombalense Gaspar Fernandes na batalha de Achem em 1529 foi apanhado pela tromba de um elefante armado que o atirou ao ar e espezinhou.» O apelido "Fernandes" ainda usual em Ansião.
«Já no segundo quartel do séc. XVI Fabião da Mota, do Bombarral, irmão do poeta Henrique da Mota, da corte manuelina, descendente de família nobre tomou o rumo da índia na lustrosa armada do 3.°vice-rei da índia, Dom Garcia Noronha,a qual se fez a largo em 6 de abril de 1538. Ao chegar a Goa, seis meses depois, Fabião da Mota viu-se investido no cargo de juiz da Alfândega ». O apelido "Mota" ainda vivo em Pombal, mas também existiu em Santiago da Guarda no concelho de Ansião.

Listagem com notas de Figueiroa Rego baseado num manuscrito atribuído ao cónego D Flamínio de quem foi para a Índia
«(...) Álvaro da Rocha, de Torres Vedras, filho de Gomes da Rocha e de Inês Trigueiros, foi como escrivão na nau Espírito Santo, em 1538, comandada pelo vice-rei D.Garcia de Noronha.» O apelido "Rocha" ainda vivo em Ansião. «António de Barros, escudeiro, de 24 anos, de Torre Vedras, filho de Jerónimo de Sampaio e de Branca de Barros, foi em1563 na nau Algarvia.Esta nau quebrou o mastro e voltou a Portugal.» Apelido "Barros" ainda vivo em Ansião no séc XX, não sei se ainda persiste. «António Cardoso, do Turcifal, filho de Francisco Fernandes e de Helena Cardoso, foi 1598» Apelido "Cardoso" ainda vivo em Ansião. «António Galvão fidalgo, filho de Duarte Galvão, foi para capitão nas Molucas em 1533.Foi aí missionário».
«António Lopes, escudeiro, de 16 anos, do Carrascal, termo de Ourém, filho de Paulo Pires e de Brites de Figueiredo, foi em 1553 na nau Ascensão.» Apelido "Lopes" ainda vivo em Ansião «António Pestana, escudeiro, de 18 anos, da Lourinhã, filho de Diogo Pestana, foi em1546.» Apelido "Pestana" foi vivo na Aguda (Figueiró dos Vinhos), não sei se ainda persiste. «Baltazar do Rêgo, escudeiro, de 20anos, de Leiria, filho de Simão do Rêgo e de Barbara de Carvalho, foi em 1538.»Apelido "Rego" ainda vivo em Ansião. « Cristóvão Ferreira Lobo, de 20 anos, filho de Cristóvão Álvares e de Ana Ferreira, todos do Bombarral, foi em1586 na nau S.Francisco.» Apelidos "Ferreira " e "Lobo" ainda persistem em Ansião. « Diogo Pais Henriques ,escudeiro, com 1.600rs. de moradia, de Torres Vedras, filho de Charles Henriques, cavaleiro da Casa de el-Rei, foi em1554.» Só conheço ainda vivo o apelido "Pais", o apelido "Henriques" não sei se existiu em Ansião. « Duarte Vaz Henriques escudeiro com 1.600rs.de moradia, da Vermoeira, termo de Torres Vedras, filho de Charles Henriques,camareiro do Infante D.Fernando, foi em 1554 e morreu a19 de março do mesmo ano. O nome "Duarte" existe em Ansião como apelido. « Fernão do Rêgo, escudeiro,de Caldas, filho de João do Rêgo e de Violante Dias, foi 1535.»«Gaspar da Silva, moço da câmara, filho de Diogo Lopes Barradas e de Beatriz Henriques, senhores da quinta do Calveiro, termo de Torres Vedras, foi 1574 .» O apelido "Silva" muito usual em Ansião. «Jerónimo Ferreira de 26 anos, casado com Maria Silva filho, de Cristóvão Álvares e de Ana Ferreira, todos moradores no Bombarral,foi em 1587,na nau S.Francisco.»
«Jerónimo de Sousa, fidalgo, filho de Rui Mendes de Vasconcelos, 4º Senhor de Figueiró e de Isabel Galvão, e tetraneto de D Pedro de Menezes, 1º conde de Vila Real foi em 1511 .»
«João Mendes Botelho,de Torres Vedras, foi feitor de Malaca,em 1525.»«Lançarote Gomes Godinho Cabreira, fidalgo, Alferes da Bandeira Real na índia, filho de Estevão Gomes Godinho,que foi pajem de lança de el-Rei D.Manuel, e de sua mulher Maria de Soutomaior.Foi casado com Maria do Avelar, filha de Dionísio Esteves ,cavaleiro da Casa Real, e de sua mulher Leonordo Avelar, todos de Torres Vedras,de quem houve geração.Foi para a índia em1527.» Os apelidos "Gomes" e "Godinho" ainda vivos em Ansião.
«Lourenço de Carvalho,escudeiro, de 25anos, filho de António de Carvalho e de Isabel Fernandes,de Peniche ,foi em1561 na nau S. Filipe » O apelido "Carvalho" ainda vivo em Ansião.
«Mateus de Aguiar, escudeiro, de15anos, filho de Gonçalo Fernandes e de Maria Lopes,todos de Leiria, foi em 1558 na nau Graça, capitaneada por D.Constatino. »
Apelido "Aguiar" oriundo do norte dos Condes e marqueses de Vila Real que aqui se implantaram, mas não encontro na Aguda onde tiveram solar.
«Manuel Soares, moço de câmara com 800rs. de moradia, filho de Bartolomeu Henriques e de
Guiomar Soares, do Bombarral, foi em 1585 na nau S.Francisco.»
«Mendo Henriques, filho de Frutos ou Frutuoso Henriques e primo de João Soares, todos do Bombarral, foi em 1561 e morreu em 1588.»
«Nicolau de Almeida, escudeiro , filho de Acácio Botado de Almeida e de Maria Trigueiros,todos de Torres Vedras, foi em 1593 e morreu em 1594 no cerco de Chaul. Era irmão de João Botado de Almeida.» 
«Nuno Fróis, filho de Álvaro Fróis e de Violante Vaz, todos de Torres Vedras, foi em 1530.»«Pedro Varela, moço da câmara, filho de Heitor Varela,cavaleiro-fidalgo,de Torres Vedras,e de Antónia de Magalhães, foi em1591.»
«Pero Lopes, moço da câmara, filho de Pero Gonçalves Pimenta e de Catarina Pimentel, todos de Torres Novas, foi em 1574 na nau Santa Bárbara. »
«Rui Dias de Avelar, Juiz dos Órfãos da vila de Atouguia, foi em 1598,na armada do vice-rei D.Luís de Ataíde.» Interessante este apelido não sei se alcunha da vila de Avelar no concelho de Ansião ou de família (?). «Salvador do Rêgo, escudeiro, de 26 anos, filho de Simão do Rêgo e de Bárbara de Carvalho, de Leiria, foi em1537 .»
«Simão Franco, moço de câmara, filho de João Torres,moradores em Torres Vedras, foi em1597 » Apelido "Franco" ainda vivo em Ansião. «Simão de Sousa, cavaleiro-fidalgo,com 1920 reis.de moradia, filho de Duarte Galvão,alcaide-mor de Leiria antes de D.Pedro de Menezes, marquês de Vila Real e 3ºconde de Vila Real, foi em1525.»
 Entre outros que foram na expedição a África
«(...) Na tomada de Ceuta esteve o besteiro de cavalo João Afonso, caldeireiro ao qual D.Afonso V deu carta de aposentado em 1441 ».
« Diogo Afonso, fidalgo, da Casa de D. Afonso V, morador em Leiria, que recebe perdão régio em 15 de Novembro de 1456 pela morte de João Pires,contra três anos de serviço em Ceuta». Apelido "Afonso" ainda vivo no concelho de Ansião e me honra pela via materna.
«Da vila de Atouguia um besteiro a cavalo Afonso Enes que valorosa mente se bateu em Ceuta em 1442 e em 1443 como capelão do conde de Vila Real »
« Gil Eanes, monteiro e guardador da mata de Vaibom, morador em Capelães termo de Leiria» .
Pedro Eanes ou Anes, que em 1519 conduziu do Oriente a Lisboa a nau Nazaré, trazendo 400 dobras em ouro e 110 escravos para os oficiais da Casa da Mina.» . Nos primórdios na região existiu o apelido "Annes" escrito em várias grafias.
«Pedro Gonçalves camareiro mor do conde de Vila Real» .Apelido ainda usual em Ansião.
«Diogo Esteves de Moimenta, termo de Leiria». No séc XX existiu o apelido, sem saber se ainda existe.

« (...) e através de cartas de perdão real, nas quais se comutam penas pesadas,encontramos referências a alguns leirienses como, em 1435, Estevão Fernandes, morador em Abiul, que tinha sido preso por testemunho falso,dizendo-se ainda que vendera corpo de Cristo, foi açoitado nas costas, no ventre e nos pés com 35 chibatadas, ficando podre e manco , foi ainda depois de13 meses de prisão degredado para Ceuta por quatro anos,implorava o perdão régio. »
«Na participação de Ceuta algumas cartas de aposentação foram redigidas em Leiria em 1438 por Martim Gil , escrivão do Rei, herdeiro de Rodrigo Afonso, recebedor do reguengo de Aranhas.Ou ainda pelo tabelião de Leiria João Eanes Cutelinho.» O apelido "Fernandes" ainda perdura em Ansião e nunca encontrei o apelido "Cutelinho" pode ser "Coutinho" se escrevia com grafia espanhola e ainda existe em Ansião.
«Pero Vaz Henriques, moço de câmara com 405rs. de moradia, filho de Duarte Vaz de Torres Vedras, foi em1544 por feitor de Achem.»
Apelido "Vaz" existiu em Ansião até ao séc XX, sem saber se ainda perdura.
«Fernão de Sousa escudeiro e Alcaide-mor de Leiria e da Casa do Infante D.Pedro».
Apelido "Sousa" existiu em Ansião até ao séc XX, sem saber se ainda perdura.
«Vasco Martins de Sousa Chichorro, fidalgo da casa de D.Afonso V, capitão-mor dos ginetes, serviço real da judiaria de Leiria .»
« Alváro Dias , escudeiro e criado, almoxarife de Viseu e escrivão das sisas e portagem de Leiria.»Apelido "Dias" ainda persiste em Ansião na família do autor de um dos artigos.
«Dom Fernando de Noronha casado com D Beatriz de Menezes, fidalgo, camareiro mor, 2º conde de Vila Real foi capitão em Ceuta onde vem a morrer em 1455» O apelido "Noronha" ainda existe em descendência de Ansião .
João Rodrigues de Vasconcelos e Ribeiro , fidalgo, 3º senhor de Figueiró e Pedrogão, expedicionário a Tanger em 1464, substituiu D Pedro de Menezes, 3º Conde de Vila Real e 1º Marquês de Vila Real, no cargo de capitão de Ceuta de 1464 a 1475»Os apelidos "Rodrigues, Vasconcelos e Ribeiro" o 1º ainda muito usual que carrego pela via paterna, julgo que apenas o "Ribeiro" na zona de Chão de Couce.
« Dom Pedro de Menezes, 3º conde de Vila Real e 1º marquês de Vila Real e Senhor de Alcoentre e Almeida , alcaide mor do castelo de Almeida e de Leiria, capitão de Ceuta de 1460 a 1464» Apesar do Senhorio de Ansião ter sido sua pertença, não o reconheço na região,apenas no avô de um amigo da serra de S.Mamede em Fátima que emigrou para o Brasil.
«Gil d'Abreu, escudeiro e morador em Leiria,sendo aí alcaide-pequeno,deixou fugir dois presos confiados à sua guarda,tendo sido perdoado na pena em que foi condenado se passasse um ano em Ceuta .»Apelido "Abreu" ainda muito usual no concelho de Ansião e na Aguda(Figueiró dos Vinhos).
«Diogo Soares Castelo Branco cavaleiro da casa real do infante D Henrique , foi tesoureiro da moeda da cidade de Lisboa, esteve na tomada de Ceuta e viveu em Leiria onde casou com Catarina da Fonseca.Teve um filho António Vaz de Castelo Branco que lhe sucedeu no titulo de 2º senhor do prazo do Lagar d'El Rei, hoje a prisão escola.» Aparece referenciado no texto como Diogo Soares Castelo Branco e Diogo Gonçalves Castelo Branco...Os dois apelidos existiram em Ansião, apenas prevalece o Gonçalves. O apelido "Soares" em Ansião pertence à ascendência do investigador Engº Ricardo Chaters d'Azevedo .

Obra do Visconde de Lagoa "Grandes e humildes na epopeia portuguesa no oriente"
«(...) Amaro Estevão de Abreu natural de Torres Vedras filho de Estevão Vidal, escudeiro e cavaleiro-fidalgo com 900rs.de moradia. Passou à índia em 1645.»
«Baltasar de Abreu, natural de Ourém, filho de António de Abreu de Faria que foi moço da câmara de número, escudeiro e cavaleiro fidalgo com 1000rs. de moradia. Deve ter partido em 1663.»
«Cosme de Abreu, natural de Ourém, filho de Luís de Abreu, moço da câmara com moradia e condição de ir para a índia.Desconhece-se quando partiu.»
«Diogo Lobo de Abreu, natural de Pombal, filho de Diogo Jorge de Medeiros Lobo, moço da câmara do Infante D.Duarte,e de sua mulher Catarina de Carvalho e Oliveira,neto paterno de Jorge Gonçalves Ribeiro e de sua esposa Catarina Luís do Rego de Carvalho e materno de Manuel de Abreu do Quental e Macedo e de sua mulher Maria de Carvalho e Oliveira. Casou com Maria de Morais de quem teve descendência e em segundas núpcias com Brites Boinha,viúva de João Rodrigues.Diogo Lobo de Abreu, por ser autor de um crime de homicídio na vila de Pombal, refugiou-se em Madrid,tendo embarcado em 1614 na embaixada de Garcia da Silva Figueiroa para o Oriente. »
«Domingos da Fonseca de Abreu, natural de Pombal, filho de Domingos da Fonseca, moço da câmara com moradia, desconhece-se a data de partida. »

«Francisco Terras de Abreu, natural de Leiria, filho de Manuel de Abreu.Em1662 foi-lhe feita mercê dos foros de escudeiro e cavaleiro fidalgo com 1.000rs.de moradia sob condição de ir à índia onde seria armado cavaleiro.Desconhece-se a data em que demandou o Oriente.»
«Gaspar de Abreu, natural do Cadaval,escudeiro, filho de António de Abreu e de Genebra Fernandes.Partiu para a índia em1591. »
«João Mendes de Abreu, natural de Leiria, filho bastardo de Bartolomeu Mendes de Abreu, escudeiro e fidalgo-cavaleiro com1.000rs. de moradia,s ob condição de ir à índia onde seria armado cavaleiro. Largo de Lisboa em 1650 no galeão S.Francisco que por deficiência de construção não conseguiu passar a linha e,metendo muita água, chegou a varar em terra firme tendo antes que travar alguns combates com piratas e com ingleses junto a Lisboa.Morreu com muitos tripulantes nessa altura. »

«José Mendes de Abreu, natural de Leiria, filho bastardo de Bartolomeu Mendes de Abreu,casou na índia com Úrsula de Castro.Recebeu em 1648 foros de escudeiro e fidalgo-cavaleiro com1.000rs.de moradia,sob condição de ir à índia onde seria armado cavaleiro.Partiu em 1648 na nau S.Roque.»
«Carlos de Abreu de Andrade, natural do termo da Redinha, filho de Luís do Quintal de Abreu.Em 1652 escudeiro e fidalgo-cavaleiro com1.000rs.de moradia,sob condição de ir à índia onde seria armado cavaleiro.Largou para o Oriente em 1652.»
«José de Aires Saldanha, natural de Torres Vedras, filho de Jerónimo Aires Cão. Em 1657 escudeiro e fidalgo-cavaleiro com 800rs.de moradia, sob condição de ir à índia onde seria armado cavaleiro.Largou para o Oriente em 1657.» Apelido "Saldanha" foi usual em Ansião, não sei se ainda alguém o use. 

«Dom Filipe de Alarcão, supõe-se que natural de Torres Vedras, filho de D.Martinho Soares de Alarcão, alcaide-mor de Torres Vedras, senhor do morgado de Vila de Rei e de sua mulher D.Cecília de Mendonça,neto paterno de D.João Soares de Alarcão ,alcaide-mor de Torres Vedras e senhor do morgado de Vila de Rei,e de sua esposa D.Isabel de Castro, filha de D.Rodrigo Lobo, barão do Alvito,e materno de Filipe de Aguilar, mestre-sala de el-Rei D.Sebastião,comendador de Torres Vedras na ordem de Cristo,e de sua mulher Ana do Lago, filha única e herdeira de Fernão Lago, fidalgo galego que acompanhou a Portugal a rainha D.Isabel, mulher de D.Manuel I. Embarcou para a Índia em1601,tendo perecido em Socotorá onde se perdeu o galeão Santo António.»
«Dom Fernando de Alarcão, cavaleiro fidalgo da Casa Real, filho de D.Martinho Soares de Alarcão ,alcaide-mor de Torres Vedras e de sua mulher D.Violante Henriques ou Coutinho,neto paterno de D.João de Alarcão, das Casas de Valverde e dos duques do Infantado, que foi caçador-mor do reino de Portugal e alcaide-mor de Torres Vedras, c jo castelo restaurou à sua custa,e de sua primeira mulher D.Margarida Soares de Alvarenga,e materno de D.João de Mascarenhas,capitão de ginetes,e de sua mulher D.Margarida Coutinho.Por alvará de 561 obteve de D.Fernando a moradia de moço fidalgo da Casa Real,acrescentada a fidalgo escudeiro,com 4.600rs.e logo a fidalgo cavaleiro com 5.000rs em 1562 e1563, respetivamente. Levando 30.000rs. mensais partiu para a Índia em 1564.Faleceu em Damão sem ter chegado a combater.» O apelido "Alarcão" existiu em Ansião, hoje já não existe .


A consulta a um manuscrito de 1837 de Frei Domingos Vieira(OESA)
«Dicionário dos vários varões ilustres em letras e virtudes que floresceram nesta Província de Portugal dos Ermitas Calçados de Santo Agostinho onde na maioria dos casos não é indicada a naturalidade, permitiu-nos encontrar um dominicano da região de Leiria que passou à índia:  Jerónimo da Cruz (OESA), natural de Pombal e filho de Jerónimo Valadares e Branca de Magalhães,pessoas nobres,professou na Graça a1.5.1557 ,tendo passado para a índia « maior de 60 anos» ,tendo estado na Pérsia e depois em Ormuz onde faleceu a 5 de maio de 1609. » O apelido "Cruz" ainda persiste em Ansião, foi do meu bisavô Elias Cruz e da sua filha minha avó Piedade da Cruz.
A família Menezes /Vila Real
«Pedro de Meneses, governador de Ceuta (1415-1437), filho do primeiro conde de Viana do Alentejo, tomou parte na conquista de Ceuta,onde foi armado cavaleiro.Perante a escusa de outros fidalgos,ofereceu-se para governador desta praça,que defendeu dos sucessivos ataques dos muçulmanos.Pouco tempo depois da tomada daquela importante praça, o rei D.João I fê-lo conde de Vila Rea1 embora a carta do título apenas tivesse sido passada por D.Duarte,em18 de abril de 1434.O seu governo em Ceuta, interrompido pelo menos duas vezes para vir ao reino,não foi nada fácil, pois os marroquinos nunca desistiram de a retomar.Em 1424 D Pedro esteve em Lisboa,onde ficou cerca de um ano, no cargo de alferes-mor do reino,tendo deixado,primeiramente, Rui Gomes da Silva como capitão interino (1424)e, depois. D.Duarte de Meneses, seu filho legitimado, no governo interino de Ceuta (1430-1434). Colocou-se então o problema da sucessão no governo da praça.Sua filha legítima, D.Brites de Meneses,queria o cargo para o marido, D.Fernando de Noronha, fidalgo, camareiro mor, 2º conde de Vila Real o que de facto veio a suceder após a morte de D.Pedro. Foi capitão de Ceuta onde veio a falecer. D.Fernando de Noronha foi o segundo conde e governador de Ceuta desde 1437 até à morte em1445. Seu filho, D.Pedro de Meneses, que faleceu em1499, foi o terceiro conde e o primeiro marquês.Foi também governador de Ceuta (1460-1464) e 34º alcaide-mor de Leiria onde mandou construiu um palácio que foi sendo ampliado e que se conservou até finais do século XIX.Recebeu o título de conde por carta do infante D.Pedro, regente na menoridade de D.Afonso V, datada de 3 de junho de1445,e elevado a marquês por carta de D.João11de 1de março de 1489.Os seus sucessores foram igualmente capitães de Ceuta. Foi sétimo conde,quinto marquês e primeiro duque D.Manuel de Meneses, igualmente capitão-general de Ceuta (1567-1574). Na crise da independência que se seguiu à morte de D.Sebastião, foi partidário de Filipe I,que o fez duque, por carta de 28 de fevereiro de 1585.
O 33º Alcaide-mor de Leiria foi Duarte Galvão, que talvez, atendendo aos seus afazeres emissões para que estava sendo incumbido pelo Rei,vende em 1486 a alcaidaria-mor a D Pedro de Menezes conde de Vila Real e futuro 1º marquês de Vila Real.
Assim, 034 Alcaide-mor de Leiria foi o marquês de Vila Real, D.Pedro de Menezes.Não podendo exercer as funções de alcaide- mor ,terá nomeado como alcaide-menor Rui Barba Correia Alardo, filho primogénito de Fernão Rodrigues Barba Alardo e de Isabel Correia .
Segundo Pousão-Smith, no Livro dos Bens, provindo do cartório da Casa Vila Real, no seu capítulo12,dedicado à alcaidaria-mor da cidade de Leiria (p.48e49)escreve-se que D.Afonso V concedera a alcaidaria-mor de Leiria e seu castelo com todas as suas pertenças a D.Pedro de Menezes para ele e seu filho sucessor por carta de 16 de julho de1467.Pode, pois, com legitimidade propor-se que a alcaidaria mor de Leiria pertenceu a titulo de mercê pessoal a D Pedro de Menezes para ele e seu filho para ele e seu herdeiro desde 1467a1475 depois de novo,em data posterior a1476, nomeadamente1486,como interpreta Sousa Viterbo.A 3 de agosto de 1476, em resultado de várias permutas e avenças, D.Afonso V, «faz mercê ao conde de Vila Real de vinte e cinco mil reais detença do janeiro que passou em diante nas sisas do corpo da villa de Leiria sem lhe daly poder em ser mudadas nem tiradas ate e vagar per renuncia çom ou per qualquer guisa que seja alcaidarya mor .»
No entanto D.João I por carta de22.10.1487,concede ao conde de Vila Real alcaidaria-mor de Leiria.»

A ligação à família Galvão de Leiria
Duarte Galvão casa-se em primeiras núpcias com Catarina de Sousa,filha do alcaide-mor de Leiria Fernão de Sousa,32.°alcaide-morde Leiria por mercê de D.Afonso V, de 20 de setembro de 1445,e recebe a alcaidaria de Leiria como dote de casamento, passando por algum tempo a ser o alcaide- -mor de Leiria, o33.°. A alcaidaria de Leiria é comprada em 1486 pelo1.°marquês de Vila Real,então ainda conde, ao cronista Duarte Galvão.
O irmão primogénito de Duarte Galvão foi D.João Galvão, já referido no início deste documento,que se armou,e acompanhado por alguns homens de Coimbra onde ele era bispo titular combateu junto com o rei no Norte de África. A sua irmã Isabel vem a casar-se com Rui Mendes de Vasconcelos, futuro 4.°senhor de Figueiró,que foi capitão de Ceuta de1475a 1481. Em 1476, quando Ceuta se encontra cercada pelas forças marroquina e castelhanas,Isabel está grávida e a lado do seu marido acarretava os recipientes com azeite a ferver. Duarte Galvão casa Isabel filha do seu primeiro casamento, com Jorge Garcês, filho de um secretário de D.Afonso V,e secretário de D.Manuel .A filha deles, Antónia de Albuquerque,vem a casar-se,em1512, com Duarte Pacheco Pereira,cosmógrafo e autor de «Esmeraldo de situ orbís» .Mais do que um roteiro de viagem é Uma Obra de Erudição e uma sintece de todos os conhecimentos de navegação acumulados pelos portugueses nos séc XIV E XV.Casa em 1512 com Antónia de Albuquerque neta de Duarte Galvão e outros familiares deste firam para a Índia como os seus sobrinhos Filipe de Castro, que em 1514 é capitão de um navio da esquadra de Lopo Soares de Albergaria e volta à Índia em 1507 com o seu irmão Jorge de Castro.
Rui Galvão filho de Duarte Galvão chega à Índia em 1509, distingue-se nos combates em que participa e tal como os outros seus três irmãos;Jorge, Francisco e Manel ai morrem. Simão e Sousa, filho do primeiro casamento de Duarte Galvão,vai para a índia em 1525.Guiomar de Menezes, filha de Duarte Galvão ,casa-se em 1512 com Simão Fogaça d'Eça, que tinha estado na Índia em 1505 com D.Francisco de Almeida, e era filho de João Fogaça, um dos poetas do Cancioneiro Geral de Garcia de Resende, e de Maria d'Eça.

Um outro poeta do Cancioneiro Geral  Jorge de Aguiar, comandava a esquadra do mar da Arábia e da Pérsia, que se afunda com corpos e bens em 1508, era um dos cunhados de Duarte Galvão, casado com a irmã de suas e segunda mulher, Violante de Menezes » 
Não seja por acaso que Ansião foi cantada no Cancioneiro de Garcia de Resende.  
A canção «indo-se polas serras dansin» em que se inspirou Artur Ribeiro na canção intitulada Ansião que ouvi cantar pela Lurdes de Resende nas festas da vila em agosto na década de 60 . 
Foi inspirada no Cancioneiro Geral de Garcia de Resende, em que o poeta e viajante Fernão Cardoso, passando pelas nossas serras de Ansião, as achou muito ásperas, resolvendo avisar os viajantes vindos do Porto ou de Lisboa, com a graciosa cantiga; Quem quiser passar seguro, pelas serras de Ansião deixe fora o coração.

Excerto de http://z3950.crb.ucp.pt/biblioteca/Mathesis/Mat15/Mathesis15_169.pdf « Garcia de Resende no seu cancioneiro tem versos onde menciona apelidos ainda vivos em Ansião -Melo; Freire; Silveira; Sousa; Ribeiro; Abreu; Saldanha.

Excertos de dois versos com apelidos ainda vivos em Ansião - Melo e Freire « (...) trova dirigida a Diogo de Melo pedindo-lhe que, já que ia a Alcobaça, lhe trouxesse «de laa hũ cançioneyro d’ ũ abade que chamam Frey Martynho»
 

«Do macho Ruço de Luys Freyre, estando para morrer» (II,132,nº607), em forma de testamento burlesco,(...) .Apelido Freire ainda vivo em Ansião.


Excerto de http://z3950.crb.ucp.pt/biblioteca/Mathesis/Mat15/Mathesis15_169.pdf «trovas» que D'Afonso Valente «fez em Tomar a Garcia de Resende», sem as mandar ao visado; a segunda é de Garcia de Resende, que responde «polos consoantes a todas estas trouas d’ Afonso Valente» (II,324,326). A epígrafe que encabeça a resposta acrescenta: «E vam fora da ordem por conseguyr as suas» Ou seja, as trovas de Resende foram inscritas naquele local porque as de Afonso Valente demoraram muito tempo a chegar às suas mãos.»Apelido Valente muito vivo em Ansião que me orgulho de carregar.
O Visconde de Souzel foi o último Comendador de Vila Nova de Pussos (Cabaços em Alvaiázere).
O 1.° Visconde de Souzel foi o Sr. António José de Miranda Henriques da Silveira e Albuquerque Mexia Leitão Pina e Melo, nascido em Lisboa na Pena em 1761 teve a mercê em 1782. Na curiosa interpretação dos comuns apelidos que perduraram na região entre a Lousã, Ansião e Alvaiázere.

Excerto de https://www.literaturabrasileira.ufsc.br/_documents/0006-02950.html

TROVA SUA QUE MANDOU A LUIS
DA SILVEIRA, QUE PARTIA
DE LIXBOA AO CERCO
DE TANJER.
«Co estes ventos d' agora
perigoso é navegar,
que se mudam cada hora,
e quem vai de foz em fora
nunca mais poode tornar.
O navio pend' à banda,
a rezam nam é ouvida,
a vontade tudo manda,
e quem ha-d' andar desanda,
quem tem alma nam tem vida.»
DOM JOAM DE MENESES E DOM
JOAM MANUEL A PERO DE SOUSA
RIBEIRO, PORQUE ENTRANDO
NA CAMARA DO PRINCIPE
LHE PROMETEO DE
DIZER DELES E
NAM DISSE.

«Se vós laa dizeis de nós
o que cá de vós dizemos,
rezam é que nam entremos.
E direis que por medrar
sabemos mui bem fazer
cos de dentro: nam dizer,
cos de fora: mormurar.
Se taes somos com' a vós,
confessamos, conhecemos
qu' ee rezam que nam entremos.»
ALVARO DE BRITO
A MECIA D' ABREU.

«Vossa vergonha m' apressa,
fremosa prima d' Abreu,
estas cinco da promessa
nam digaes que as fiz eu.
Louvarei vossa figura
em todas tee derradeira,
digo logo na primeira
que vossa firam fremosura
das damas é cobertura.
Na segunda que direi?
Ca por muito que vos gabe,
acabar nam poderei
quanto louvor em vós cabe.
Do que muito soes louvada
todos o dizem de praça,
que vossa comprida graça
é cousa nam comparada
que per Deos foi ordenada.
Na terceira se requere
decrarar vossa vertude,
a lembrança me refere
aqueste que sobre acude.
Vossa bem aventurança
naquesta presente vida
vos deu fora de medida
acabada temperança,
nom de fengida mostrança.
Nam posso louvor dizer
na copra presente quarta
que possa satisfazer
ao mais qu' em vós s' aparta.
O Senhor Deos vos quis dar
vertude de castidade
com tanta honestidade,
que por tam curto falar
se nam pode decrarar.
Fim.
E também na copra quinta
ũu louvor tratar vos quero,
queira Deos que vos nam minta
em quanto dizer espero:
sobre mui grande bondade
sempre jamais vos atura
continuada mesura
e tambem leda vontade
de sempre falar verdade.»
CANTIGA DE DIOGO
DE SALDANHA.

«Ojos tristes, ojos tristes,
triste coraçon pensoso,
estando ya de reposo
nuevo cuidado me distes.
De mi vida trabajosa
¿quien halharé que se duela?
Mi anima querelhosa
em pena mal se consuela.
Vos fezistes, vos fezistes
a mi de vos querelhoso,
ojos tristes, yo no oso
dezir de quien vos vencistes.»
DE DOM MARTINHO DA SILVEI
RA, ESTANDO EM ARZILA, A
SIMÃAO CORREA, EM RE‑
POSTA DOUTRAS QUE
LHE MANDOU

D' ALCACER.
«Estando neste lugar
onde muita guerra achei,
sem com mouros pelejar,
sem corrermos, sem entrar,
depois que nele entrei,
vossa trovas recebi.
Gabá-las é escusado,
qu' elas o fazem per si,
mas direi novas de mi
como per vós m' ee mandado.
O dia qu' aqui chegámos
fez tormenta tam desfeita
qu' outro tanto nos molhámos
como laa, quando passámos,
a gram vereda de Ceita.
E pois dizeis e contaes
que fareis mui crua guerra
cos fronteiros qu' esperaes,
tambem quero que saibais
a qu' achei cá nesta terra.
Achei em gram devisam
os cristãos contr' os judeus:
o que tem mais sotil mãao,
mais maneiras d' apressãao,
mais ha dos benesses seus.
Doutro cabo por proveito
os deixam estar na vila,
julgai vós laa, s' ee bem feito,
qu' o povo pede dereito,
porque lhe comem Arzila.
Nisto mais nam falarei
porqu' alguem dano faria,
mas antes me calarei,
ca se dissesse o que sei
muito papel gastaria
à custa de ũu senhor
que nam quer bem òs que gastam.
E nam queirais mais penhor,
porqu' a bom entendedor
poucas palavras abastam.
Deos aqui nam n' O conhecem,
os melhores menos valem,
os piores permanecem,
mas calam-s' os que padecem,
porque lhes compre que calem.
Nam presta nem val rezam,
posto que seja bem vista,
dana-nos boa naçam,
estas guerras mortais sam
para quem nelas conquista.
Na mesa onde comemos,
ninguem nam diz o que sabe,
o que per siso sofremos
é tanto que nam sabemos
como jaa dentro nos cabe.
Pomolo bico no peito,
d' aprefiar nos guardamos,
porqu' à concrusam do feito
ou por força ou per geito
o que nom é outorgamos.
Sam-nos mil vezes mostradas
arreos, cousas defezes,
compre-nos serem gabadas
e dizermos qu' em tres gradas
nam se viram tais jaezes.
Ca se mostrar afiçam,
outro serviço nam prende,
que faraa, dai-me rezam,
quem nam tem de condiçam
contrafazer o qu' entende.
Fim.
Se nestas bem decrarado
nom vai o que mais entendo,
nom me deis graças nem grado,
o que nelas vai calado
co vosso saber enmendo.»


A expansão da fé no Brasil

Que acrescento por a achar muito interessante na odisseia dos jesuítas, que tiveram um paço na Granja de Façalamim na freguesia de Santiago da Guarda no concelho de Ansião.

Excertos de um estudo em https://dspace.uevora.pt/rdpc/bitstream/10174/14128/5/Vers%C3%A3o_impress%C3%A3o_final.pdf « Os jesuítas no Espírito Santo 1549–1759. Referencia aos jesuítas a ligação a Inácio de Loyola na expansão no Brasil e Oriente e ainda na formação de colégios em Portugal. Que me despertou para o colégio que existiu na Granja de Façalamim no concelho de Ansião. « (...) Sob a pressão da presença constante de embarcações francesas no litoral para escambo do pau-brasil e tentativas de estabelecimento de feitorias em concorrência com os portugueses a que se somavam os reveses económicos na política asiática e africanista,D. João III informava a Martim Afonso de Sousa, em missão nas terras do Brasil, da urgência que tivera em deliberar sobre a divisão do litoral brasileiro em parcelas de cinquenta léguas de costa cada, com reserva das cem melhores para ele, Martim Afonso de Sousa, e um lote de cinquenta para o irmão deste, Pero Lopes de Sousa, antes que regressassem a Lisboa ao final da missão que lhes fora confiada. Tratava esta medida de introduzir no Brasil o sistema de colonização por capitanias vigente nos arquipélagos atlânticos portugueses, sob a forma de iniciativa privada, com o propósito de ocupar a colónia seguindo o protótipo utilizado após a Reconquista Cristã nas regiões do Alentejo e do Algarve, e que gerara bons resultados nos referidos arquipélagos. Posteriormente, no seguimento desta medida, Vasco Fernandes Coutinho, o primeiro capitão donatário, chegara no dia 23 de Maio de 1535 – dia de Pentecostes ou do Espírito Santo -acompanhado do primeiro grupo de colonos e, tendo escolhido uma enseada próxima à entrada da barra do que consideraram ser um rio, aí desembarcaram para dar início à posse da donataria. Catorze anos depois a experiência revelara-se, para o conjunto da colónia, ineficaz à qual se seguiu a introdução de um outro modelo igualmente ligado ao quadro de competição mais vasta de comércio e construção de impérios no Atlântico. Este, mais centralizador, denominado governo-geral e que pretendia ser resposta à concorrência e pressão francesa, seguida pela inglesa e holandesa na costa.Com Tomé de Sousa, o primeiro governador-geral, investido das funções supremas em toda a América portuguesa, chegaram a 29 de Março de 1549 os primeiros seis jesuítas, cinco portugueses: Manuel da Nóbrega, Leonardo Nunes, António Pires, Vicente Rodrigues, Diogo Jácome e João de Azpilcueta Navarro, do reino da Espanha. Nesse mesmo final de ano, por espaço de trinta dias,esteve em Vila Velha, então Vila do Espírito Santo, o padre Leonardo Nunes na companhia do Irmão Diogo Jácome, porém a instalação definitiva deu-se na vila de Nossa Senhora da Vitória em 1551 onde construíram a primeira residência na capitania e daí evoluíram, ainda no século XVI, para a assistência em dez aldeamentos, sendo dois fixos e oito de visita a um ritmo intenso até 1581, data do início do generalato de Acquaviva que marca um contraponto e reflexão ao sentido original da missão e da espiritualidade inaciana, resultante do que foi o sucesso de expansionismo e proeminência dos jesuítas em quase cinquenta anos de existência. Perfilam-se nas reflexões a busca da redenção das almas, sejam as dos gentios ou dos cristãos e, no desempenho da atividade apostólica, ao serviço da propagação da fé, o termo missão adquire nos escritos da primeira geração dimensões inovadoras que as aproximam do sentido actual. Assim, por missão passam a entender-se as componentes: individual (o jesuíta recebe a missão ou chamado pessoal), funcional (cumprimento da tarefa que lhe é atribuída) e territorial (realizada num determinado espaço geográfico).»  


«(...) Bem assim como da existência da Vila de Vitória, surgida pela necessidade de defesa contra ataques dos índios - dada a sua edificação em ilha -, ao invés da posição no continente do primeiro assentamento construído por Vasco Fernandes Coutinho, o primeiro donatário, aquando da chegada dos portugueses; mais frágil às investidas por terra ou pelo mar que passou à denominação de Vila Velha. É, porém, omisso relativamente à presença dos missionários jesuítas na vila de Vitória que, à data, perfaziam trinta e seis anos de presença ininterrupta. Sobre a capitania, em si, dedica pouco espaço descritivo, talvez por desconhecimento pessoal, remetendo-se praticamente a discorrer sobre as desventuras económico-financeiras de seu primeiro donatário, Vasco Coutinho, antigo e bem-sucedido militar na Ásia por quem nutria pouca estima. Os tratados do Pe.Fernão Cardim, S. J. que escreveu “Do Clima e Terra do Brasil”, “Do Princípio e Origem dos Indios do Brazil e de Seus Costumes, Adoração e Cerimónias” e duas cartas dirigidas ao Padre Provincial de Portugal que receberam o título de “Narrativa Epistolar de uma Viagem e Missão Jesuítica pela Baía, Ilhéus, Porto-Seguro, Pernambuco, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Vicente, desde o ano de 1583 ao de 1590, indo por Visitador o Padre Christóvão de Gouvêa”.

«(...)Mas é a partir da fixação do padre Afonso Brás e do irmão Simão Gonçalves, no ano de 1551, quando a vila de Vitória já havia sido principiada, que faz uma descrição enaltecida, quer da nova vila, quer da generosidade e fertilidade da natureza do seu entrono.» 


«(...) no dia 29 de Março de 1549 fundeou em São Salvador da Baía de Todos os Santos a esquadra que levava Tomé de Sousa, primeiro governador-geral e, com ele, os primeiros jesuítas que naquele mesmo ano haveriam de aportar na vila do Espírito Santo. Coutinho manteve-se na capitania, conhecendo-se-lhe três saídas, uma entre 1540 a 1547-48, a segunda de 1550 a 1555 e outra de 1558 a 1560, para a qual solicitou a Mem de Sá transporte para o reino. O governador Duarte da Costa após encontro com Vasco Fernandes na Baía, refere-se-lhe como sendo uma pessoa idosa, pouco endinheirada, esgotada e ressentida com o insulto público do bispo D. Pero Fernandes que acabaria por o excomungar devido ao hábito de fumar, prática indígena, a vários títulos condenada aos europeus que o adquiriam, e lhe negara o tratamento inerente à sua condição social de fidalgo “ negando-lhe cadeira despaldar na igreja » 

«(...) Moldar a fé, a moral, as estruturas comerciais e a dministrativas faziam parte da política. Por outro lado, a hierarquia católica enfrentando a Reforma, manteve o domínio sobre os fiéis e a procura de novos prosélitos através da catequese e dum sólido ensino nas instituições suas dependentes. Neste campo, os membros da recém-fundada Companhia de Jesus eram, no entender de alguns próximos de D. João III, os clérigos melhor preparados para a acção. Inácio de Loyola não previra nem assistiu ao papel influente que a Ordem viria a ter na Idade Moderna tanto no desenvolvimento religioso, quanto no político. Embora não possuíssem um corpo doutrinário ideológico único,tinham uma predisposição para a hierarquia e a monarquia. Os jesuítas destacaram-se por serem mais proficientes em independência, disciplina e eficácia. Por norma, doutrinariamente mais instruídos, dispunham de linhas próprias de controlo interno, desenvolveram formas de gerar receita própria, dentro
das prorrogativas que lhes foram permitidas pela Coroa, e foram, entre os institutos religiosos, os mais numerosos a operar no Brasil. Apoiados pelo rei, governadores e vice-versa constituíram-se na espinha dorsal do poder institucional numa colónia pouco desenvolvida; com ela cresceram e se desenvolveram. »

«(...) No Brasil colónia trabalharam regularmente além do clero secular nas paróquias, os franciscanos (1585), os jesuítas (1549), os beneditinos (1581), os capuchinhos (1612),os oratorianos (1660) e os carmelitas (1580). Cronologicamente, ainda que de forma dispersa e quase que individual, os primeiros a chegar foram os Franciscanos, não como Ordem Religiosa, isto é, com missões e conventos , já que essa primazia coube à Companhia de Jesus.»

«(...) Aguardavam em Itália, ao serviço e disposição papal, os companheiros da recém-criada Companhia de Jesus a oportunidade de poderem passar à Palestina em cumprimento do voto feito na igreja de Montmartre de se dedicarem à conversão dos infiéis, quando o padre Simão Rodrigues de Azevedo (português) e Francisco Xavier (espanhol, em substituição de Nicolau Bobadilha, indigitado por Loyola, mas impossibilitado por razões de saúde) receberam do Papa Paulo III a disposição para se dirigirem a Lisboa. »

«D. João III, avisado e aconselhado, por carta de Paris, pelo principal do Colégio de Santa Bárbara, o Dr. Diogo de Gouveia, aceitara a sugestão de endereçar um convite, através do seu embaixador em Roma, a fim de que alguns membros da nova congregação religiosa pudessem passar a Portugal com destino à evangelização da Índia. O conhecimento pessoal com alguns dos elementos do grupo fundador ocorrera naquela cidade quando no colégio foram estudantes de Artes Inácio de Loyola, Pierre Fabre, Francisco Xavier, Simão Rodrigues, Diego Laynez, Alfonso Salmeron e Nicolas Alonso y Perez (Bobadilha. »

«(...) Simão Rodrigues e Francisco Xavier foram bem acolhidos em Portugal. D. João III acabaria por alterar o destino dos dois jesuítas;ao final de alguns meses, Francisco Xavier embarcou na armada da Índia que zarpou do Tejo a 7 de Abril de 1541, integrado no grupo que acompanhava o vice-rei D. Martinho de Sousa, enquanto Simão Rodrigues permaneceu em Portugal para organizar as primeiras casas da Companhia, os colégios, com destaque para o de Jesus em Coimbra e o do Espírito Santo, em Évora, depois convertido em centro universitário, e a preparação dos novos membros destinados tanto às missões internas, quanto às do Oriente, do Norte de África (Congo,Ceuta, Tetuan e estimulou a da Etiópia), do Brasil e acompanhou, desde Portugal, os companheiros Fabre e Araóz a instalação da Companhia em Espanha.Sob a sua responsabilidade estiveram, portanto, o recrutamento e preparação dos jesuítas das primeiras missões brasileiras.

« (...) Sob a pressão da presença constante de embarcações francesas no litoral para escambo do pau-brasil e tentativas de estabelecimento de feitorias em concorrência com os portugueses a que se somavam os reveses económicos na política asiática e africanista,D. João III informava a Martim Afonso de Sousa, em missão nas terras do Brasil, da urgência que tivera em deliberar sobre a divisão do litoral brasileiro em parcelas de cinquenta léguas de costa cada, com reserva das cem melhores para ele, Martim Afonso de Sousa, e um lote de cinquenta para o irmão deste, Pero Lopes de Sousa, antes que regressassem a Lisboa ao final da missão que lhes fora confiada. Tratava esta medida de introduzir no Brasil o sistema de colonização por capitanias vigente nos arquipélagos atlânticos portugueses, sob a forma de iniciativa privada, com o propósito de ocupar a colónia seguindo o protótipo utilizado após a Reconquista Cristã nas regiões do Alentejo e do Algarve, e que gerara bons resultados nos referidos arquipélagos. Posteriormente, no seguimento desta medida, Vasco Fernandes Coutinho, o primeiro capitão donatário, chegara no dia 23 de Maio de 1535 – dia de Pentecostes ou do Espírito Santo -acompanhado do primeiro grupo de colonos e, tendo escolhido uma enseada próxima à entrada da barra do que consideraram ser um rio, aí desembarcaram para dar início à posse da donataria. Catorze anos depois a experiência revelara-se, para o conjunto da colónia, ineficaz à qual se seguiu a introdução de um outro modelo igualmente ligado ao quadro de competição mais vasta de comércio e construção de impérios no Atlântico. Este, mais centralizador, denominado governo-geral e que pretendia ser resposta à concorrência e pressão francesa, seguida pela inglesa e holandesa na costa.Com Tomé de Sousa, o primeiro governador-geral, investido das funções supremas em toda a América portuguesa, chegaram a 29 de Março de 1549 os primeiros seis jesuítas, cinco portugueses: Manuel da Nóbrega, Leonardo Nunes, António Pires, Vicente Rodrigues, Diogo Jácome e João de Azpilcueta Navarro, do reino da Espanha. Nesse mesmo final de ano, por espaço de trinta dias,esteve em Vila Velha, então Vila do Espírito Santo, o padre Leonardo Nunes na companhia do Irmão Diogo Jácome, porém a instalação definitiva deu-se na vila de Nossa Senhora da Vitória em 1551 onde construíram a primeira residência na capitania e daí evoluíram, ainda no século XVI, para a assistência em dez aldeamentos, sendo dois fixos e oito de visita a um ritmo intenso até 1581, data do início do generalato de Acquaviva que marca um contraponto e reflexão ao sentido original da missão e da espiritualidade inaciana, resultante do que foi o sucesso de expansionismo e proeminência dos jesuítas em quase cinquenta anos de existência. Perfilam-se nas reflexões a busca da redenção das almas, sejam as dos gentios ou dos cristãos e, no desempenho da atividade apostólica, ao serviço da propagação da fé, o termo missão adquire nos escritos da primeira geração dimensões inovadoras que as aproximam do sentido actual. Assim, por missão passam a entender-se as componentes: individual (o jesuíta recebe a missão ou chamado pessoal), funcional (cumprimento da tarefa que lhe é atribuída) e territorial (realizada num determinado espaço geográfico).»

«(...) Bem assim como da existência da Vila de Vitória, surgida pela necessidade de defesa contra ataques dos índios - dada a sua edificação em ilha -, ao invés da posição no continente do primeiro assentamento construído por Vasco Fernandes Coutinho, o primeiro donatário, aquando da chegada dos portugueses; mais frágil às investidas por terra ou pelo mar que passou à denominação de Vila Velha. É, porém, omisso relativamente à presença dos missionários jesuítas na vila de Vitória que, à data, perfaziam trinta e seis anos de presença ininterrupta. Sobre a capitania, em si, dedica pouco espaço descritivo, talvez por desconhecimento pessoal, remetendo-se praticamente a discorrer sobre as desventuras económico-financeiras de seu primeiro donatário, Vasco Coutinho, antigo e bem-sucedido militar na Ásia por quem nutria pouca estima. Os tratados do Pe.Fernão Cardim, S. J. que escreveu “Do Clima e Terra do Brasil”, “Do Princípio e Origem dos Indios do Brazil e de Seus Costumes, Adoração e Cerimónias” e duas cartas dirigidas ao Padre Provincial de Portugal que receberam o título de “Narrativa Epistolar de uma Viagem e Missão Jesuítica pela Baía, Ilhéus, Porto-Seguro, Pernambuco, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Vicente, desde o ano de 1583 ao de 1590, indo por Visitador o Padre Christóvão de Gouvêa”.

«(...)Mas é a partir da fixação do padre Afonso Brás e do irmão Simão Gonçalves, no ano de 1551, quando a vila de Vitória já havia sido principiada, que faz uma descrição enaltecida, quer da nova vila, quer da generosidade e fertilidade da natureza do seu entrono.»

«(...) no dia 29 de Março de 1549 fundeou em São Salvador da Baía de Todos os Santos a esquadra que levava Tomé de Sousa, primeiro governador-geral e, com ele, os primeiros jesuítas que naquele mesmo ano haveriam de aportar na vila do Espírito Santo. Coutinho manteve-se na capitania, conhecendo-se-lhe três saídas, uma entre 1540 a 1547-48, a segunda de 1550 a 1555 e outra de 1558 a 1560, para a qual solicitou a Mem de Sá transporte para o reino. O governador Duarte da Costa após encontro com Vasco Fernandes na Baía, refere-se-lhe como sendo uma pessoa idosa, pouco endinheirada, esgotada e ressentida com o insulto público do bispo D. Pero Fernandes que acabaria por o excomungar devido ao hábito de fumar, prática indígena, a vários títulos condenada aos europeus que o adquiriam, e lhe negara o tratamento inerente à sua condição social de fidalgo “ negando-lhe cadeira despaldar na igreja”»

«(...) Moldar a fé, a moral, as estruturas comerciais e a dministrativas faziam parte da política. Por outro lado, a hierarquia católica enfrentando a Reforma, manteve o domínio sobre os fiéis e a procura de novos prosélitos através da catequese e dum sólido ensino nas instituições suas dependentes. Neste campo, os membros da recém-fundada Companhia de Jesus eram, no entender de alguns próximos de D. João III, os clérigos melhor preparados para a acção. Inácio de Loyola não previra nem assistiu ao papel influente que a Ordem viria a ter na Idade Moderna tanto no desenvolvimento religioso, quanto no político. Embora não possuíssem um corpo doutrinário ideológico único,tinham uma predisposição para a hierarquiae a monarquia. Os jesuítas destacaram-se por serem mais proficientes em independência, disciplina e eficácia. Por norma, doutrinariamente mais instruídos, dispunham de linhas próprias de controlo interno, desenvolveram formas de gerar receita própria, dentro das prorrogativas que lhes foram permitidas pela Coroa, e foram, entre os institutos religiosos, os mais numerosos a operar no Brasil. Apoiados pelo rei, governadores e vice-versa constituíram-se na espinha dorsal do poder institucional numa colónia pouco desenvolvida; com ela cresceram e se desenvolveram.»

«(...) No Brasil colónia trabalharam regularmente além do clero secular nas paróquias, os franciscanos (1585), os jesuítas (1549), os beneditinos (1581), os capuchinhos (1612),os oratorianos (1660) e os carmelitas (1580). Cronologicamente, ainda que de forma dispersa e quase que individual, os primeiros a chegar foram os Franciscanos, não como Ordem Religiosa, isto é, com missões e conventos , já que essa primazia coube à Companhia de Jesus.»
Inácio de Loyola, Francisco Xavier, Pedro Fabro, Diogo Laínez, Simão Rodrigues, Afonso Salmerón, Nicolau Bobadilla em http://www.manresa-sj.org/stamps/1_FirstCompanions.htm
Gravura: O voto de Montmartre, pintura de Konrad Baumeister (1881)

« (...) Aguardavam em Itália, ao serviço e disposição papal, os companheiros da recém-criada Companhia de Jesus a oportunidade de poderem passar à Palestina em cumprimento do voto feito na igreja de Montmartre de se dedicarem à conversão dos infiéis, quando o padre Simão Rodrigues de Azevedo (português) e Francisco Xavier (espanhol, em substituição de Nicolau Bobadilha, indigitado por Loyola, mas impossibilitado por razões de saúde) receberam do Papa Paulo III a disposição para se dirigirem a Lisboa.»
« (...) D. João III, avisado e aconselhado, por carta de Paris, pelo principal do Colégio de Santa Bárbara, o Dr. Diogo de Gouveia, aceitara a sugestão de endereçar um convite, através do seu embaixador em Roma, a fim de que alguns membros da nova congregação religiosa pudessem passar a Portugal com destino à evangelização da Índia. O conhecimento pessoal com alguns dos elementos do grupo fundador ocorrera naquela cidade quando no colégio foram estudantes de Artes Inácio de Loyola, Pierre Fabre, Francisco Xavier, Simão Rodrigues, Diego Laynez, Alfonso Salmeron e Nicolas Alonso y Perez (Bobadilha.»
« (...) Simão Rodrigues e Francisco Xavier foram bem acolhidos em Portugal. D. João III acabaria por alterar o destino dos dois jesuítas;ao final de alguns meses, Francisco Xavier embarcou na armada da Índia que zarpou do Tejo a 7 de Abril de 1541, integrado no grupo que acompanhava o vice-rei D. Martinho de Sousa, enquanto Simão Rodrigues permaneceu em Portugal para organizar as primeiras casas da Companhia, os colégios, com destaque para o de Jesus em Coimbra e o do Espírito Santo, em Évora, depois convertido em centro universitário, e a preparação dos novos membros destinados tanto às missões internas, quanto às do Oriente, do Norte de África (Congo,Ceuta, Tetuan e estimulou a da Etiópia), do Brasil e acompanhou, desde Portugal, os companheiros Fabre e Araóz a instalação da Companhia em Espanha.Sob a sua responsabilidade estiveram, portanto, o recrutamento e preparação dos jesuítas das primeiras missões brasileiras.»
«Nascida como “missão” em consequência do voto de Montmartre, em 15 de Agosto de 1534 quando Inácio de Loyola e companheiros se consagraram a Deus empobreza e virgindade, fazendo voto de se dedicarem à salvação das almas e, como instituição, cinco anos mais tarde, na Deliberação de 1539. De início, em Montmartre,a missão de buscarem Jerusalém, depois abandonada e alargada a todas as terras (...).»

Lintel de casa com símbolo dos Jesuítas na Granja de Façalamim

 Alvorge as pedras que aventam ter sido reaproveitadas na porta de sacada
Resultado de imagem para granja em ansião o paço dos jesuitas
o simbolo na pedra da ombreira
Esta crónica mostra-se muito importante por focar a Companhia de Jesus, cujos jesuitas seguidores de Inácio de Loyola estiveram presentes no concelho de Ansião, na Granja de Façalamim, onde ainda existem ruínas do paço.Também no Alvorge a escassos Km encontrei numas ombreiras de uma porta de varanda a mesma inscrição da sua simbologia, o que aventa possa inicialmente aqui se ter instalado e mais tarde se transferir para sul na Granja, com reaproveitamento das pedras. Possa vir a ditar a possibilidade de algum deles ter participado na expansão e consequente evangelização. Se foi o jesuíta Simão Rodrigues que em Portugal organizou as primeiras casas da Companhia, os colégios, com destaque para o de Jesus, em Coimbra, e o do Espírito Santo, em Évora, ( a que este da Granja de Façalamim esteve sujeito e ainda pelo apelido "Rodrigues" muito vulgar em Ansião, dita uma grande probabilidade, a que se acresce o Paço do Crucial de S.Bento no Couto de Torre de Vale de Todos, no concelho de Ansião.
Segundo a Silvina Gomes" houve um seminário onde foram ordenados alguns padres, cujas  ruínas ainda existem no quintal da minha sogra, e na frontal da casa hoje abandonada, está uma data salvo, erro, 1763, hoje apenas existe a capela de S Bento."
Em resulto no concelho de Ansião existiram duas casas afectas a seminários (Jesuítas na Granja de Façalamim e do Bispado de Coimbra no Couto de Vale de Todos) com sede nas cidades que tinham ao tempo as primeiras Universidades - Évora e Coimbra. Tema aberto a outras pesquisas para mais se saber sobre o passado de Ansião na expansão portuguesa.


FONTES
https://www.academia.edu/36551509/Leirienses_na_Expansao_Portuguesa do Engº Ricardo Chaters d'Azevedo .
https://digitalis-dsp.uc.pt/bitstream/10316.2/39669/1/O%20arcediagado%20de%20Penela%20na%20Idade%20Media.pdf
http://www.zezerepedia.com/pagina-inicial/wiki/torre-da-murta-areias
https://dspace.uevora.pt/rdpc/bitstream/10174/14128/5/Vers%C3%A3o_impress%C3%A3o_final.pdf
Testemunho de Silvina Gomes 

Livro de Noticias e Memorias Paroquiais Setecentistas de Mário Rui Simões Rodrigues e Saul António Gomes

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