sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Falar do Pinhal antes foi Casal do Galego e do Carvalhal em Ansião

Casa da Ti Alzira Aureliano
Boa mulher acabou cega, a minha primeira vez que senti a cegueira e seus efeitos tanta aflição me fazia vê-la naquela casa jamais concluída na beira da estrada ao Carvalhal, sem luz, não enxergava nada. A casa ainda resiste de encosto à parede norte a roseira de pétalas pálidas, tantas vezes colhi as suas belas rosas de conversa com ela a caminho das Cavadas e de outras fazendas na carroça puxada pela mula "Gerica" na companhia da prima Júlia do Bairro sempre com tempo para dois dedos de conversa com a pobre mulher …"atão Ti Alzira como está vossemecê hoje?" com tempo de me abeirar da roseira para sufragar em cheiro apressado rosas!

Falar do Carvalhal do Bairro , antes se chamou Casal do Galego e hoje Pinhal
O Ti Narciso conhecido pelo "Lavrante" com o genro trabalhavam a pedra. Ainda vive na minha memória as lembranças de os ver a partir pedra na eira atrás da casa quando ia à minha fazenda da Barroca do Bairro na extrema com o ribeiro e o quintal dele, e o dia quando trouxeram uma nova pia para o azeite, dizia-lhe a minha mãe "espero que esta não lhe ponha ranço como a outra...", retorquiu o pobre homem ”tire-lhe a senhora a borra do fundo que mau sabor a pedra não lhe dá”. Enquanto isso, o genro agradecia o gelo que os filhos tinham vindo buscar a nossa casa em  tabuleiros de gelo que se partia  com o martelo para encher a botija redonda que traziam e levavam em corrida para a mãe que tinha sido operada ao estômago… 
Casa da "Maria entrevada"

Mãe das minhas amigas: Idalina, Helena e Júlio. Vítima de um aparatoso acidente doméstico quando trabalhava como mulher-a-dias na casa do Sr. Oliveira na vila. Grávida quando subia a escada de madeira com um cântaro de água desequilibrou-se e caiu desamparada, fraturando a coluna. Entrevada ficou para sempre, assim se dizia num tempo que não se faziam seguros de acidentes pessoais, porque existir até existiam. Não se compreende em gente abonada, tal sabedoria não abonar, nem tão pouco entender reparar o acidente de outra forma. As poucas vezes que conversei com ela na cozinha junto ao lume a vi rastejar para o atiçar… Afetuosa era demais a mãe das minhas amigas, mulher de poucos recursos teve brio de obsequiar a oferta do pasto da Ferranha para as ovelhas, as filhas a minha casa vieram trazer a oferenda, açúcar, arroz e, ...Mulher bondosa, sofrida, não merecia tanto azar nesta vida!...
O marido Abílio Carvalho era do Bairro, costumava ir ao Alentejo à ceifa. Um ano a camioneta deixou-o ao Ribeiro da Vide quando eu ia a passar, orgulhoso com as oferendas que trazia logo ali me mostrou - oh cachopa olha o chapéu que trouxe do Alentejo - ali o abre, enorme, em pano azul...e um grande pão- dura 7 dias...

"Ti Ana Sapateira" 
Gostava da pinguita, abastecia-se na adega do vizinho Augusto Lopes e Ti Eufrofina, a quem chamávamos Porfina, os filhos malandros misturavam água, ela não notava, ainda lhe faziam outras tropelias, sim porque a Emília era levada da breca…
Reminiscências romana/visigóticas da sua casa
Sita na berma da que foi a estrada medieval
 
Já não me lembro como se chamava a mulher que aqui viveu e tinha a filha em Lisboa
Casa da prima Ermelinda já falecida
O Ti Augusto Lopes e Ti Eufrofina
Tinham no quintal um poço de chafurdo
Casa da irmã da minha avó paterna a tia  Maria da Luz Canhoto
A Ti Jezulinda era uma mulher alta do Casal Soeiro, carismática no meandro das crendices e das poções mágicas…Tirou-me o cobranto.
A Ti Ermelinda e o Ti Neco quando tinham os netos de férias estes perdiam-se nas brincadeiras no Largo do Bairro, mal a noite caia punha-lhes o candeeiro a petróleo na janela, assim o Zé Manel e a Cristina não perdiam o caminho de casa…
Mais gente do Carvalhal: Arlindo e Helena; Celeste, Emília, António e Lídia Lopes; Prima Luzita do "Canhoto" e irmãos; António, Filipe e Mário e,
No Pinhal: Helena e Fernando, altos e bonitos; Henrique, Joaquim, Mário, Gracinda, Maria, do Ti " Borracheiro", muito dados; Adelaide e,

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