Os lenços são bordados pela poesia ditada pelo amor em
quadras populares que expressam o sentir do coração da bordadeira, e claro também do dono do seu coração a quem ela o oferece.
As quadras traduzem: amor, ternura, desejo, apreço, ansiedade, entrega, sinceridade, saudade, ciúme e desgosto.
Raros são os lenços que não apresentam um ou dois dizeres.
As raparigas ouviam o coração -, escreviam com a sabedoria popular, onde os erros de ortografia reinam, pois lembremos que a maioria das bordadeiras não sabiam ler nem escrever, limitavam-se a copiar letras e palavras.
Aqui não se pode procurar concordância ou respeito pelas regras de ortografia, há letras invertidas, letras que faltam ou que sobram, outras indecifráveis, daí que seja necessário interpretar estes dizeres tão próprios do nosso povo.
No entanto as quadras têm um elo em comum - o Amor - , temática subjacente à própria natureza dos Lenços de Namorados, onde é, na maioria das vezes, expressa por uma promessa de amor, como se pode constatar na quadra seguinte: “A carta que eu te escrevo sai-me da palma da mão a tinta sai dos meus olhos e a pena do coração” ...

As quadras traduzem: amor, ternura, desejo, apreço, ansiedade, entrega, sinceridade, saudade, ciúme e desgosto.
Raros são os lenços que não apresentam um ou dois dizeres.
As raparigas ouviam o coração -, escreviam com a sabedoria popular, onde os erros de ortografia reinam, pois lembremos que a maioria das bordadeiras não sabiam ler nem escrever, limitavam-se a copiar letras e palavras.
Aqui não se pode procurar concordância ou respeito pelas regras de ortografia, há letras invertidas, letras que faltam ou que sobram, outras indecifráveis, daí que seja necessário interpretar estes dizeres tão próprios do nosso povo.
No entanto as quadras têm um elo em comum - o Amor - , temática subjacente à própria natureza dos Lenços de Namorados, onde é, na maioria das vezes, expressa por uma promessa de amor, como se pode constatar na quadra seguinte: “A carta que eu te escrevo sai-me da palma da mão a tinta sai dos meus olhos e a pena do coração” ...
Alguém escreveu um dia “Quando um homem, ou mulher se encontra fortemente apaixonado, tudo
neles é poesia”…
Desobedeceu ao ritual de boas maneiras. Casou com a minha avó, outra mulher da Moita Redonda, em 1910 ano da implantação da Republica, sendo que a minha mãe nasceu em 35, e do lenço bonito se lembrar de o ver em casa, e dele me falar em miúda -, é surreal a durabilidade do pano e do ponto, ora bordado antes do casamento, sendo em 35 que nasce a minha mãe, se acrescentar mais 8 anos para dele se lembrar, ronda os 40 anos de vida!
- O que me dá motejo para recordar um ritual de antigamente -, em que a mulher é que pedia namoro ao rapaz -, parece motejo neste agora renascido...
Desobedeceu ao ritual de boas maneiras. Casou com a minha avó, outra mulher da Moita Redonda, em 1910 ano da implantação da Republica, sendo que a minha mãe nasceu em 35, e do lenço bonito se lembrar de o ver em casa, e dele me falar em miúda -, é surreal a durabilidade do pano e do ponto, ora bordado antes do casamento, sendo em 35 que nasce a minha mãe, se acrescentar mais 8 anos para dele se lembrar, ronda os 40 anos de vida!
- Os lenços continuam a ser bordados para venda de artesanato no Minho em Vila Verde .
- Grande lamentação no concelho de Ansião inserida no Maciço de Siçó esta arte popular ter ficado perdida no tempo, ora meninas sem emprego reinventem esta tradição!
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| foto de cortesia de um blog |
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| foto de cortesia de um blog |
Alguns versos
A carta que eu te escrevo
Sai-me da palma da mão
A tinta sai dos meus olhos
E a pena do coração.
............
Escrevia-te uma carta
Se tu a soubesses ler,
Mas tu dá-la a ler a outrem,
Tudo se vem a saber.
.........
A carta que me escreveste
Inda não ia acabada
Faltava-le pôr no meio
Uma rosa encarnada.
...............
Cartas de amor são mentiras
E amores mentiras são;
Mentira foi teu amor
Que enganou meu coração.
....................
Escreve-me, amor, escreve.
Lá do meio do caminho;
Se não achares papel,
Nas asas de um passarinho.
.....................
E tan certo eu amarte
Como o lenço branco ser
Só deixarei de te amar
Cuando o lenço a cor perder
..................
O meu coracaO/
so a ti adora
So por ti suspiRa/
So por ti chora
Outra das representações encontradas em algumas quadras são as declarações de amor por parte da rapariga:
Ot eu lado satisfeita
Paco o ano uteiudia
Sotus u m e u e ncanto
Am i nhadoce.alegria
.........
(Ao teu lado satisfeita
Passo a noite e o dia
Só tu és o meu encanto
A minha doce alegria)
Não tão comuns mas que ainda se pode presenciar são as iniciativas das bordadeiras em oferecer o seu coração solitário.
Nestas quadras podemos ver duas maneiras de o fazer:
A primeira a bordadeira manda o lenço dar provas das suas aptidões a toda a freguesia para arranjar partido; na segunda mostra a sua lealdade a quem a quiser amar:
Bai lenco da minha mao
Bai currer a freguesia
Bai dar em formações
Da minha sabeduria
...............
Méu curação lial
Quem Mo qizér amar
Merserá gárndeCastigo
Quem no cizér falsiar.
Os Lenços são também formas de as moças expressarem as suas saudades e promessas de amor aos rapazes que se ausentam das suas terras.Podemos ver por exemplo nas seguintes inscrições:
Aqui tens meu coração
E a chabe pró abrir
Num tenho mais que te dar
Nem tu mais que me pedir.
...........
Bai carta feliz buando
Nas asas dum passarinho
Cando bires o meu amor
Dále um abraço e um veijinho
............
Meu Manel bai pró Brasil
Eu tamen bou no bapor
Guardada no coração
Daquele qué meu amor
...........
Evidentemente que nesta preciosidade artesanal podemos encontrar além destes, outros estilos de quadras bordados nos lenços.O certo é que os lenços de namorados pelos dizeres que contêm, pelo seu simbolismo e o seu significado sentimental se apresentam como a mais genuína forma de poesia popular utilizada pelas moças do Minho e da Beira Litoral em idade de casar.
O cravo depois de sêco
Senefica amôr perdido
Ainda creira não posso
Tirar de ti osentido
........
A rosa do meu peito
A flor do meu jardim
Deicha de amar a quemAmas
Se me queres amarAmim.
..........
AmorAmor tu es a estrela que a
De guiar o meu sêr pois
Sem ti meu queridoAnjo
eme impocivel viver
...........
Para Lisboa te mandei
Um jenchinho quasi novo
Em cada ponta seu sospiro
No meio dos ais que eu morro
...........
Coração por coração
Amor num troques ó meu
Olha que o meu coração
Sempre foi lial ao teu
...........
Aqui tens meu o meu coração
E a chabe pró abrir
Num tenho mais que te dar
Nem tu mais que me pedir
..........
Bai carta felis buando
Nas asas dum pasarinho
Cando bires o meu amor
Dále um abraço e um veijinho
.........
Meu Luís bai pró mar
Eu tamen bou no bapor
Guardada no coração
Daquele qué meu amor.
...........
O amor dá-nos asas
Para nos fazer voar
Rir alto para o além
E para mim de amor rir tamen.
.........
Gosto de ti curação
Porque sim doce mel
E tu com tes medos
Partes ome curação
.........
Pergunta a quem saiba ama
Qual e mais para sentir
Se amar e viver ausente
Se ver i não possuir.
.........
No centro deste lencinho
O teu nome está garbado
Dentro em meu coração
O teu rosto retratado.
.........
Coração, relogio tonto!
Tuas horas sempre são
Desejos das que hão-de vir,
Saudades das que lá vão!
.......
- Paródias…ao jeito do bordado dos Lenços dos Namorados
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| Azulejo alusivo ao tema que tenho numa das casas de banho |
| Paródia bordada ao jeito dos lenços dos namorados |
Desde sempre algumas ladainhas ainda vivem presentes na minha
memória. Enredos vividos com a minha avó e a sua comadre Rosa -, avó do meu marido contadas pela minha mãe.Reproduzi
uma delas numa cortina velha comprada na feira da ladra - bordei ao jeito dos
típicos Lenços dos Namorados -, não me cuidei no ponto a fazer alusão ao
preceito da tradição...com erros e tudo!
"I’nha madrinha olhe lá o toque da corneta no Fojo, trará notícias de Insião?
Não, os belozes calharam mal no natal , antes que o pernas aranhão de mina matirasse com a sertã, abalei de cabanejos abarrotar de galinhas que enfeirei no Ovelale, mas ao alto de Lusboinha logo uma me fugiu às alminhas..."
"Ó afilhada Rosa, centa i’nha mensa, ceia mais eu, oremos as duas Padre-nosso e Avé maria, benza a nós mais um bom dia, benza Deus, Amén…"
"N’ho madrinha, u mê cão
morreo, morreo…matastese-u…!"
"Ó i’nha filha pouca sorte a tua, arranjaste um home filho má piçalho, um pernas aranhão de mina, não tem inducação nenhuma"
"Ó mãe se eu viesse do
estrangeiro e aparecesse com as minhas meninas, você tirava-as pela pinta? Ai, não,
tu eras muito branquinha…"





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