Lisboinha a serra da Ucha, outrora teve moinhos de vento
O termo Ucha deriva do latim ustula, "ucha"', no sentido de "queimada do mato em terrenos de pousio"'. Também se encontra na Galiza.E tenha vindo daqui com povoadores .Pousaflores
A tarde mostrava-se soalheira a lembrar a primavera para redescobrir Pousaflores e as Portelas.
O termo Ucha deriva do latim ustula, "ucha"', no sentido de "queimada do mato em terrenos de pousio"'. Também se encontra na Galiza.E tenha vindo daqui com povoadores .Pousaflores
A tarde mostrava-se soalheira a lembrar a primavera para redescobrir Pousaflores e as Portelas.
Vila de Pousaflores
O que não foi atestado na toponímia e devia?Ou foram e não sei?Nomes que o meu tio Alberto Lucas deixou testemunhados no seu Livro, e por isso o conhecimento.
Rainha Flor
Chousa
Monte dos Mestres
Vale do Forno
Boca da Fontinha
Monte das Canas
Pedra de Adega
Rei D Manuel I
Galileus
Portela de S Caetano
Aqui devia ser Boca da Fontinha? A relembrar o meu tio Alberto Afonso Lucas, um profundo conhecedor dos lugares, afinal não foi respeitada a tradição em Pousaflores...
Portela de S. Lourenço
Fotos captadas em movimento
A casa da Rosária Furtado
Recordo a sua construção para se casar e antes quando foram feitas as garagens que lhe estão ao lado.Sobrinha do meu tio "António Paredes" andou comigo no Colégio Salesiano do Monte Estoril.
Na frente da estrada a única casa que naquele tempo já fugia à traça tradicional de formato quadrado, ao género da dos meus pais em Ansião, dos pais do Delfim Ventura Dias , do irmão mais novo Carlos que estudou comigo no Externato em Ansião, e da irmã mais velha que não me recordo o nome.
Quem povoou este Lugar da Portela de S. Lourenço?
Este Lugar antes se chamou Portela de Pousaflores e mais tarde Portela de Cima para se diferenciar da outra ao meio do costado que foi designada Portela de Baixo, somente mais tarde para se distinguirem ao tomaram o nome do orago das suas capelas - Portela de S. Lourenço e Portela de S. Caetano.
Livro histórico sobre Pousaflores do meu tio Alberto Lucas Afonso antes de o ter lido já tinha a mesma correlação do que ele transcreveu ouvida da minha querida mãe, sua irmã «Cre-se que o concelho de Pousaflores tenha sido criado em
1270 com gente vinda de norte para sul oriundas do médio oriente que vieram auxiliar a Península Ibérica na luta dos cristãos contra os mouros.Desses
povos os Fariseus, fixaram-se em Maças de D.Maria com descendência em Chão de
Couce. Os Galileus fixaram-se na Portela
de Pousaflores. E outros povos aqui chegaram em cruzada na missão de expandir a cristandade da vida de Cristo
que tinha vivido na Palestina , contra os mouros e árabes que professavam uma religião diferente. Estes povos souberam tirar riqueza da terra desbravando
terras e costados, desenvolvendo a agricultura construindo
castelos, mosteiros e igrejas onde ministravam a instrução da religião de Cristo. Na Portela de Pousaflores
viveu um padre católico da Galileia que
se conta viveu com uma serviçal e dela teve um filho de onde descendem os que alcunham de galileus - Dias – no Monte das Canas.
O Arcipreste que devia ter paroquiado a freguesia até 1835 viveu na Portela de Cima numas casas da família das Ritas e mais tarde mandou fazer umas moradas na entrada para a serra ao lado do Sr Maximiano Mendes que vieram a ser dos Marretas dos Ariques. Onde veio a funcionar a escola primária.
O meu avô José Lucas Afonso nascido em Lisboinha em 1897 frequentou
esta escola- O Prof Varanda de Almofala de Cima , deslocando-se a pé 20 km por
dia e depois foi substituído por outro também de Almofala o Prof Boavida.
A capela de S. Caetano na Portela de Baixo foi mandava fazer por um padre
galileu que ali celebrava o culto cujas
imagens de Santos que foram o seu espolio se encontram em algumas casas perto da capela. Por
volta de 1900 o padre Abílio Sousa Ribeiro de Chão de Couce sobre essa ruína construiu outra capela em que numas ruínas de um forno existe uma pedra com a inscrição de 1695 que seria da
capela primitiva.»
No Livro Notícias e Memórias Paroquiais Setecentistas de Mário Rui Simões Rodrigues e Saul António Gomes "Pousaflores com o seu
padroado foi chão de Dom Fernando de Noronha que por seu falecimento a
sucessão ao seu filho Dom Pedro de Menezes, entre outras doações com a quinta de Chão de Couce, Maças de D. Maria, a quinta da Mouta de Bela, os casais da
Meixieira, a Aguda com o seu padroado, a Rapoula e o Avelar..."
O investigador Miguel Portela no 13º Cadernos de Estudos Leirienses "Na representação de Almoster e as suas terras a foro em 1598. A Portela pertenceu a Domingos Alveres."
Apelido Álvares, não o conheço em ninguém no concelho, acaso se perdeu? Mas pode haver. O apelido "Álvares"de facto provem do norte, da Casa de Mateus que foi dos Duques de Vila Real foram Senhores da Aguda e Pousaflores.
Citar excerto https://geneall.net/pt/forum/69180/familias-de-vila-pouca-de-aguiar/
" D. Maria Coelho era filha do Dr. António Álvares Coelho, Senhor da Quinta de Mateus em Vila Real, que instituiu em morgado no seu testamento feito em 1643, e de sua mulher e prima D. Helena Álvares Mourão, nasc. a 17.V.1587 na Casa da Cumieira ( nome igual a outro em Penela);
Neta pat. de Cristóvão Álvares Coelho e de s.m. D. Maria da Veiga de Figueiredo, cas. a 2.VI.1577 em S. Pedro de Vila Real; e neta mat. de Diogo Álvares Mourão, instituidor e Senhor da Casa da Cumieira, e de s.m. Maria Martins de Azevedo. S.g.
-----2(IV) Diogo Álvares Mourão (Dr.) – Cavaleiro Professo da Ordem de Cristo, Juíz do Fisco e Desembargador da Relação do Porto, Colegial e Reitor do Colégio de S. Pedro em Coimbra e Lente de Decretos. Casou com sua prima co-irmã D. Isabel Álvares Coelho, irmã de sua cunhada D. Maria Coelho, acima. Não teve descendência do casamento, mas de Maria Francisca da Fonseca, nat. de Coimbra, teve uma filha natural legitimada, em cuja descendência se continuou aquela sucessão e a representação da Casa, actualmente nos Condes de Vila Real, igualmente representantes, por posteriores casamentos, dos Condes de Melo e de Mangualde"
Neta pat. de Cristóvão Álvares Coelho e de s.m. D. Maria da Veiga de Figueiredo, cas. a 2.VI.1577 em S. Pedro de Vila Real; e neta mat. de Diogo Álvares Mourão, instituidor e Senhor da Casa da Cumieira, e de s.m. Maria Martins de Azevedo. S.g.
-----2(IV) Diogo Álvares Mourão (Dr.) – Cavaleiro Professo da Ordem de Cristo, Juíz do Fisco e Desembargador da Relação do Porto, Colegial e Reitor do Colégio de S. Pedro em Coimbra e Lente de Decretos. Casou com sua prima co-irmã D. Isabel Álvares Coelho, irmã de sua cunhada D. Maria Coelho, acima. Não teve descendência do casamento, mas de Maria Francisca da Fonseca, nat. de Coimbra, teve uma filha natural legitimada, em cuja descendência se continuou aquela sucessão e a representação da Casa, actualmente nos Condes de Vila Real, igualmente representantes, por posteriores casamentos, dos Condes de Melo e de Mangualde"
As gentes que povoaram a Portela de Pousaflores hoje de S . Lourenço e a de S. Caetano foram judeus de vários clãs vindos em Diáspora da Palestina, cujos genes ainda a prevalecer hoje com indivíduos e limítrofes - Ansião, Aguda, Chão de Couce, Almoster etc. Os primeiros povoadores aportaram à região pela estrada romana que a privilegiava, vindos da Galiza cujo sul veio a ser o Condado Portucalense, onde já se encontravam com outros povos- iberos, celtas, eslavos, povo franco, fenícios e gregos e ainda mouros,este também a ditar genes muito vivos ainda na região - tanta mescla de raças a ditar indivíduos de alta estatura, outros mediana e baixos, uns entroncados e outros franzinos secos de carnes, de pele clara e morena, olhos escuros, azuis e alguns verdes, cabelos lisos ou encaracolados, gente de bom feitio, outros de perfil atravessado, gente séria e outros golpistas ...
Nas serranias da Gramatinha e na Ameixieira foram encontrados vestígios em pedra afeiçoados pelo homem, como machados, desconheço se estão catalogados e onde se encontram guardados. Eu também encontrei alguns espécimes.
A minha coleção por calalogar que encontrei na serra da Ameixieira
Na verdade o homem de Neandertal andou pela Europa e foi na Península Ibérica onde foi extinto "autores consideram-no como uma sub espécie de Homo sapiens" segundo a Wikipédia .
Citar excerto de https://www.tsf.pt/
"Parte de um crânio foi encontrado numa gruta na Aroeira no complexo arqueológico do Almonda em Torres Novas em 2014 datado de 400 mil de anos, um dos poucos encontrados no mundo.O fóssil mais antigo encontrado em Portugal. Foi entregue ao Museu Nacional de Arqueologia, em Lisboa, pelo arqueólogo João Zilhão."Eram homens de corpo atarracado, as mulheres bem maiores e entroncadas, grande nariz, cabelo ruivo e pele branca.Na verdade faz-me crer que ainda existe descendência na região.
Quem teria sido o seu proprietário?
Pedra com inscrição do nome da casa cuja data emoldurada por "Cruzes".
Nitidamente casa de judeus convertidos em cristãos novos cuja simbologia cristã de Cruzes típica naquele tempo que muitos assim o atestavam.
Recentemente foi encontrada a pedra que assinala o estatuto de cristãos novos do solar em Figueiró dos Vinhos .
Julgo que esta casa tenha sido na década de 90 que foi vendida a estrangeiros.
Dum tempo menos remoto resta esta pedra com legenda a fidelizar um Lugar a que foi dado o nome "Portela"-,
a entrada para a serra com o mesmo nome.
Suposto afirmar o primeiro casal aportado a esta porta da serra construiu a sua casa a que deu o nome Portela, nome que já existia no norte, roteou terras entre pedras para tirar o seu sustento sabendo tirar proveito do vento da serra introduzindo moinhos de vento em madeira que rodam sobre eira em pedra à força de um homem, únicos em Portugal, só referenciados na região centro no Maciço de Sicó, cuja origem trazida da Diáspora, do Afeganistão, a que já dediquei uma crónica.
http://quintaisisa.blogspot.pt/2017/12/moinhos-ou-munhos-de-vento-e-de-agua-do.html
A cancela em madeira matem-se a tradição no Maciço de Sicó
Dentro de muros ao longe avista-se uma bela reconstrução à traça antiga
Varandim alpendrado
O típico balcão com telheiro e varandim com colunas e grade em madeira onde não faltam as pedras salientes na parede para os vasos de sardinheiras.
Outros habitantes na Portela
Citar excerto https://geneall.net/pt/forum/2096/teixeira-de-castro-de-chao-de-couce/
"Thereza Maria, casou em C. Couce a 16.09.1813 com Lucas Furtado Baptista filho de Manoel Furtado e de Anna Maria da Portella de São Lourenço, Pousaflores. Cuja origem paterna provem de Almoster."
Pertença do marido da irmã do meu tio António Rodrigues (Paredes).
Pelo menos duas filhas construíram na Portela sob ruínas de outras casas.
Boa reconstrução de casa a dizer adeus à Portela a caminho de Pousaflores da filha mais nova, possa ter sido antes do bisavô (?).
Não sei quem foi a "Castelhana" distinguida na toponímia na rua paralela à estrada.Suposto dizer que era de Castela, por isso chamada castelhana, aqui viveu algures. Houve uma comunidade que se refugiou em Ansião e outra significativa no Espinhal, mais ricos, tiveram do Rei muita regalia de terra e morgadios. Uns e outros através do casamento se espalharam nas antigas Cinco Vilas e nesta regiã, Almoster que noutro tempo pertencia a Ansião, e em; Ariques, Vale da Couda, Fojo, Gramatinha e Portela e,.... Até hoje nenhum historiador abordou esta temática tem-se centrado em comunidades junto da raia como a Guarda, Belmonte, Trancoso, mas na verdade foi à procura dos meus mortos que fui encontrando outros e movida pela curiosidade cheguei a esta conclusão pela ajuda da minha memória de 50 anos de histórias de lugares com história para hoje com alguma achega documental conseguir fazer a correlação, que os outros, os historiadores e investigadores nesta região, AINDA não fizeram por desconhecimento do terreno, dificuldade em correlacionar dados, e porque dificilmente saem da base de conforto.
Possivelmente a "Castelhana" foi a dona desta casa da Portela.Ou então veio do Lugar de Castelhanas do Louriçal, sendo notório a migração de pessoas pelas terras limítrofes.Na Mouta Redonda viveu uma mulher de alto porte, entroncada que usava tamancos tinha vindo do Agroal, quiçá uma descendente de Neandertal . Grutas no Agroal um alerta aos arqueólogos.
Recordo o tempo em meados de 60 que aqui vim várias vezes a casa de uns tios emigrados em Luanda- Os "Paredes" - a tia Rosária irmã da minha mãe e o tio António, julgo o ganho da alcunha por ter nascido num lugar com esse nome ao limite de Pousaflores com Alvaiázere, a Eira da Pedra. Grandes anfitriões, amáveis e amigos em ofertar, sabiam receber na sua casa da Portela, ou no barracão anexo dos pais "Ti Manel e da Ti Conceição".Quase todos os sobrinhos eram afilhados. Eu não.
Ficou a saudade de bons repastos em família, com os sobrinhos a rondar a casa por dentro e por fora, de paredes meias para nascente havia uma casa em ruína que os tios compraram sem fazer escritura e quando a quiseram legalizar lembro-me de ouvir dizer os donos com o dinheiro no bolso, se negaram...
Das Canárias trouxeram novidades, havia um bar chinês com incrustações a madre pérola que me prendia o olhar, e ainda o de bisbilhotar grandes álbuns de fotos que o tio António tirava à família em casamentos, festas em casa, na Chousa no 15 de agosto, na serra e em passeios como a Badajoz depois do 25 de abril. Havia muita alegria a rodos, também andei no antigo Mercedes branco que ocupava os caminhos de pedra encerrados por muros de pedra seca nem sempre direitos, apesar dos bons estofos sentia-se o rodado do carro aos altos e baixos...Até que fizeram uma garagem na beira da estrada.Nesse tempo apresentava-se a aldeia com muita ruína de casario em pedra em abandono e menos de uma mão de casas novas.
Também aqui vim a casa de uma criada a Ti Conceição, mulher de alto porte, entroncada, cujos irmãos julgo tinham apelido "Columbano" de origem Celta, um povo que também povoou a região, a sua casa térrea sita no começo do costado para o covão.
Ficou a saudade de bons repastos em família, com os sobrinhos a rondar a casa por dentro e por fora, de paredes meias para nascente havia uma casa em ruína que os tios compraram sem fazer escritura e quando a quiseram legalizar lembro-me de ouvir dizer os donos com o dinheiro no bolso, se negaram...
Das Canárias trouxeram novidades, havia um bar chinês com incrustações a madre pérola que me prendia o olhar, e ainda o de bisbilhotar grandes álbuns de fotos que o tio António tirava à família em casamentos, festas em casa, na Chousa no 15 de agosto, na serra e em passeios como a Badajoz depois do 25 de abril. Havia muita alegria a rodos, também andei no antigo Mercedes branco que ocupava os caminhos de pedra encerrados por muros de pedra seca nem sempre direitos, apesar dos bons estofos sentia-se o rodado do carro aos altos e baixos...Até que fizeram uma garagem na beira da estrada.Nesse tempo apresentava-se a aldeia com muita ruína de casario em pedra em abandono e menos de uma mão de casas novas.
Também aqui vim a casa de uma criada a Ti Conceição, mulher de alto porte, entroncada, cujos irmãos julgo tinham apelido "Columbano" de origem Celta, um povo que também povoou a região, a sua casa térrea sita no começo do costado para o covão.
Análise de 3 passaportes a emigrantes há mais de cem anos, desconheço se voltaram à Portela.
Passaporte de António Fernandes
1908-12-21 Idade: 21 anos
Filiação: Manuel Fernandes / Antónia Maria
Naturalidade: Portela de São Lourenço / Pousaflores / Ansião
Residência: Portela de São Lourenço / Pousaflores / Ansião
Destino: Santos / Brasil
Observações: Escreve
Passaporte de Manuel Brás
1906-06-11 Idade: 34 anos
Filiação: Domingos Brás / Maria Joaquina
Naturalidade: Portela de São Lourenço / Pousa Flores
Residência: Marzugueira / Alvaiázere
Destino: Santos / Brasil
Passaporte de Francisco Ventura
1906-01-31 Idade: 21 anos Filiação: Francisco Ventura / Maria de Jesus
Naturalidade: Portela / Pousaflores / Ansião
Residência: Portela / Pousaflores / Ansião
Destino: África
Será o avô de Delfim Ventura Dias ?
A crónica publicada na página das Cinco Vilas com o comentário do Dr. Miguel Simões de Pousaflores vem engrandecer a crónica, bem haja
"Sobre
os passaportes para o Brasil...o meu avô materno, Manuel Marques
Paulino, viajou para Santos, penso que na primeira ou segunda década de
1900. Por lá esteve cerca de 10 anos, tendo regressado à Portela de S.
Caetano (portela de Baixo, como lhe chamávamos,
para a distinguir da Portela de S. Lourenço, a Portela de Cima). Talvez
tenha viajado com os donos desses passaportes no mesmo vapor. Estive em
Santos o ano passado procurando os lugares por onde meu avô terá andado
a vender pão...hei-de voltar...quem sabe algum primo por lá tenha
ficado..."
Que rico testemunho carregado de emoção, adorei!
Antiga Escola Primária da Portela atestada na toponímia
A escola sita no caminho da serra da Portela para o Anjo da Guarda..Desconheço
a razão de aqui ter sido construída, em prol de Pousaflores, pois só
pode ter haver com as crianças, aqui as havia e em Pousaflores não, só
existia o Pelourinho sito entre a a Igreja e o Paço do Concelho , segundo as Notícias da vila de Pousaflores do Padre António Carvalho da Costa retirado do Livro das Memórias Paroquiais Setecentistas.
O comentário do Dr. Miguel Simões que engrandece a crónica
"Sobre a escola primária da Portela de S. Lourenço, a minha mãe, que se Deus quiser este ano fará 91 anos, foi lá aluna, tendo lá concluído a 3ª classe aos 8 anos, data a partir da qual começou a trabalhar em Figueiró dos Vinhos em casa senhorial, não podendo frequentar mais a escola... Talvez alguém queira escrever a(s) história(s) daquela escola..."
A querida mãe do Dr. Miguel Simões nasceu na Portela de S.Caetano de onde vinha a pé sempre a subir para ir à escola, cujo pai esteve emigrado 10 anos em Santos no Brasil. A média naquele tempo para se trazer dinheiro sendo que quase todos regressaram nessa altura, ela por certo provinha de uma família remediada, com algumas posses, porque naquele tempo eram poucas as raparigas que frequentavam a escola, o que se traduz na perda de mentes inteligentes e com talento,que felizmente vingaram nos filhos e assim já não se perdeu tudo, e ainda na vaidade da mãe ter estudado até à 3 ª classe, o mesmo que dizer hoje equivalente ao 5º ano. O factor impeditivo de continuar os estudos eram em geral dois; tomar conta dos irmãos mais novos, assim aconteceu com a minha sogra da Moita Redonda que também só fez o exame da 3ª classe para tomar conta dos irmãos, apesar da professora aconselhar a continuação porque era dotada, e ainda o é a caminho dos 87 anos. Ou então de servir numa casa rica como a mãe do Dr. Miguel Simões para aprender os rituais de uma boa dona de casa e ajuda na economia do lar até se casar.
Lugar das Portelas a Capela de S. Lourenço
Assim consta das Memórias Paroquiais de 1758 do Padre Silvestre Lopes.Só havia esta Capela.
A tonalidade azul da barra da Capela característica
igual à Igreja primitiva de Almoster desativada, o que referencia esta
cor primitiva usada pelo povo nas suas casas e capelas.
A Capela sita a nascente da estrada que divide a Portela virada a poente no entroncamento do caminho da serra. Quem teria sido a família que a mandou erigir? Faz sentido dizer tenha sido quem construiu o actual complexo ruinal, atendendo ao volume da construção de cariz antigo no tardoz da Capela, como sinal de afirmação da sua riqueza e aos demais da sua nova condição, a de cristãos novos.
E a razão deste orago? S.Lourenço, o Santo guardião dos tesouros da igreja e dos estalajadeiros como o Santo António, um dos primeiros ligados a Ordens Religiosas. Houve uma estalagem na Gramatinha e uma Capela de orago a Santo António e outra na Venda do Negro.
A Capela sita a nascente da estrada que divide a Portela virada a poente no entroncamento do caminho da serra. Quem teria sido a família que a mandou erigir? Faz sentido dizer tenha sido quem construiu o actual complexo ruinal, atendendo ao volume da construção de cariz antigo no tardoz da Capela, como sinal de afirmação da sua riqueza e aos demais da sua nova condição, a de cristãos novos.
E a razão deste orago? S.Lourenço, o Santo guardião dos tesouros da igreja e dos estalajadeiros como o Santo António, um dos primeiros ligados a Ordens Religiosas. Houve uma estalagem na Gramatinha e uma Capela de orago a Santo António e outra na Venda do Negro.
Ao Lugar inicial da Portela se veio acrescentar mais tarde o orago da Capela para se distinguir do Lugar da Portela de S.Caetano sita logo abaixo a caminho de Pousaflores, onde mais tarde o Padre Paulino Ferreira de Lemos mandou construir à sua custa também uma Capela com autorização do Sr. Bispo Dom João de Melo com invocação ao Senhor Jesus da Boa Hora, notícia retirada das Noticias ao Cabido de Coimbra do mesmo padre em 26 de maio de 1721.
Uma boa temática a explorar noutra crónica sobre a Portela de S.Caetano, a razão do orago ter sido mudado.
A título de curiosidade todos os apelidos dos Padres acima referenciados de origem judaica. Uma boa temática a explorar noutra crónica sobre a Portela de S.Caetano, a razão do orago ter sido mudado.
Casa da família que teria mandado erigir a Capela de S. Lourenço
No tardoz do complexo ruinal existe uma grande eira onde ainda em adolescente fui a um bailarico e dei um Não, a um Marques...Pois já estava de namoro com o meu marido, cuja avó Rosa da Moita Redonda, por ter falecido na véspera em Lisboa, o respeito de não dançar!
Complexo ruinal visto de poentePedras salientes na parede para que serviam?
Vista pela frente a casa apresenta-se grande e aventa antiguidade; lintel da porta larga em arco
Portela de S. Lourenço aldeia encravada no costado soalheiro por entre pedras alvas a fatal escolha para aqui se viver em plenitude, debalde as pessoas foram-se finando ou partiram para outros locais, sem jamais o deixar morrer, com menos população, tem sido no tempo renascida por novos, no júbilo da manutenção da pedra primitiva na construção. Se alguém quisesse bem podia ser uma aldeia de pedra, ex-libris de Pousaflores para fomentar o turismo.O que falta? Iniciativa, sentido de estética, conhecimento e valorização do passado e no querer levantar tradições, para claro se ganhar fortuna!
Desde os tempos de antanho que se assiste ao vaivém da Diáspora para habitar em aldeias remotas.
A sina do nosso Portugal sempre apetecível a novas culturas e novos povos do Mundo!
Revela fatalmente como em antanho, a superior cultura e leque de horizontes em relação aos nativos, aos dias d'hoje com a globalização, já não se devia fazer sentir!
Revela fatalmente como em antanho, a superior cultura e leque de horizontes em relação aos nativos, aos dias d'hoje com a globalização, já não se devia fazer sentir!
Deplorável reconstrução sem respeito pelas pedras e pelo passado arrematada a tijolo de cimento onde ainda se deslumbra a airosa e típica sacada de janelas sobre telha vã, abaixo alpendre com chapas de lata...
Outra visão do casario e ao fundo a escada em pedraAlminhas
Na parede deste casario estão encastradas umas Alminhas
Alminhas encimada por Cruz grega com data 1891 (?).
Alminhas em total abandono...Fechada por grade em ferro e flores ressequidas.Guarita em alvernaria suportada por cimalha de frisos.
Não sei como seria o painel primitivo das Alminhas, possivelmente em madeira pintado que apodreceu, o que faz sentido dizer...
Depois de 1875 precisamente a estrada vinda de Ansião foi retraçada com novo trajecto anulando praticamente o troço da estrada real onde na Escarramoa se bifurcava para poente e seguindo para a Barreira no Caminho de Santiago, foi descontinuada com alteração na Escarramoa para poente, Cavadas, e ao entroncamento ao limite do Pessegueiro, no Casal Novo, veio a mudar para S. João de Brito, nome mais recente orago escolhido pelo Padre Melo, o mentor da igreja que o povo passou a chamar ao local. e a estrada para a Portela foi roteada a norte da igreja onde no gaveto o Prof Carlos Reis veio a construir a Escola primária para dar aulas, segue-se a Ramalheira e a Gramatinha, Venda do Negro...
Estradas roteadas de ligação às várias freguesias incrementadas pelo Conselheiro da Regeneração, natural de Ansião, o eclesiástico António José da Silva.
Como conhecer a Portela a partir de Ansião ? Saindo de Ansião para Alvaiázere cortar ao cruzamento de S. João de Brito à esquerda , à antiga escola primária, Ramalheira a caminho da Gramatinha a recordar o tempo que a estrada era de terra batida na década de 60 e o alcatrão se finava rés vez à Venda do Negro, até se nota o local do troço para Pousaflores quando mais tarde foi asfaltado ficou ligeiramente mais largo, para logo entrar na bela Portela de S. Lourenço.
Martim Vaqueiro
Ameixeiros para fazer aguardente típicos de terrenos pobres
Salpicos de pequenas casas no meio dos campos na antiga quinta de Martim Vaqueiro, teriam sido de habitação
S. João de Brito
Gramatinha
Camélias vermelhas a desafiar a estrada...
Serra da Portela em Pousaflores A sequência de nomes mais antiga conhecida com Serra da Cabeça da Ovelha, fidelizou-se em Monte da Ovelha, Serra de Pousaflores e Serra da Portela e no final da década de 50 ao ter sido edificada por um benemérito uma capela ao Anjo da Guarda, Santo muito devoto nas gentes, recordo a minha avó materna Maria da Luz da Mouta Redonda me ensinar a oração, passar e mal a ser conotada por esta designação.
A designação de Portela com origem em porta para entrada da serra, os primeiros povoadores galileus e outros quem lhe apodou o topónimo, comum no norte de onde vieram, o acesso à serra fundamental para a sua rudimentar industria moageira em frágeis moinhos de madeira únicos no Mundo, caracteristicos de Sicó, herança de judeus vindos em Diáspora os tenham trazido do Afeganistão. No final da década de 50 a serra da Portela passou a ser chamada Serra do Anjo da Guarda pela capela e miradouro. O Padre Melo, a talhe de foice igualmente no S. João de Brito também o seu topónimo Casal Novo, se veio a alterar na mesma altura pela construção da igreja a este Santo.Afinal o padre Melo, que o povo adorou e imortalizou na toponímia em Pousaflores e bem, em termos históricos de manter a tradição da toponímia ancestral , a autentica de Pousaflores, desvalorizou pelo menos dois topónimos, a seu contento religioso... Apraz dizer se mostra negativo introduzir conceitos de religiosidade em alteração a conceitos toponímicos antigos, os verdadeiros testemunhos do povo que aqui viveu e deles somos descendentes. O tempo de beatização e analfabetismo é uma pertença do passado para em pleno século XXI ainda se mostrar deficiente o conhecimento cultural da região e teimosia bastante quando urge tempo de mudança em fomentar progresso no interior, este só sobrevive se o poder souber incrementar variantes turísticas, o meu opinar no meu direito de cidadania, depois de balanceado o passado histórico no respeito da integridade dos topónimos que deve ser preservada a todo o custo pela sua legitimidade, não podendo de forma alguma ser adulterada por modas tão pouco cariz religioso na regra maior de salvaguardar o nosso património, garantindo a sua continuidade , a nossa herança para as gerações vindouras, o nosso Compromisso Cultural!
A Serra da Portela desafia ao visitante mil horizontes em vários quadrantes pela sua infinita e magnífica paisagem de mil contrastes, ora verde e encrespada mediterrânica, ora quase desértica, salpicada de mil calhaus onde se passeou o homem do neolítico deixando testemunhos como os Machados de pedra encontrados na Gramatinha .Recentemente mudou a paisagem com a introdução de esbeltas eólicas e seu característico zumbido que esbarram com os frágeis moinhos de vento no ex libris ao Miradouro, a Casa do Ciclo do Pão, um grande parque de merendas com os seus fornos, os trilhos e salpicos de vegetação autóctone resistente em contraste com a nova plantada, outras variedades, muitos cedros e carvalhos raquíticos, semeada aqui e ali por tomilho, a caracteristica erva de Santa Maria, a que confere o travo especial ao queijo denominado Rabaçal, perdeu-se o alecrim, em risco as peôneas, outrora abundantes e hoje raras que chamamos cucas, de várias espécies, ramalhadas e singelas, como se fossem camélias. Aposta seria voltar a ver rebanhos e gente empreendedora para incrementar a industria de queijo, fomentando emprego e riqueza quando antes foi famosa com os melhores queijos da região.
Fulcral explorar a origem das pedras esburacadas que o Dr Leonor Morgado abordou picadas pelos corvos (?) e disso nunca ouvi falar, o que conheço são gaivotas que atiram os moluscos de casca do alto para no chão se partirem. O que existe em alguns locais, e sobretudo na Venda do Brasil são testemunhos de fósseis marinhos e pedras esburacadas deixadas do tempo que o mar cobriu a região, no meu tempo as pessoas as aproveitavam para fazer os muros dos canteiros, os meus pais não foram exceção. A Mata Municipal tem mesas e bancos feitos com estas pedras, revela bom gosto a aposta em material da região.
Fechar com deleite ao pôr do sol na ancestral Serra maior de Ansião ou na Serra pequena da Ameixieira, as Serras de Ansião, debalde esventrada pela exploração de pedra para calçadas na grande interrupção vertiginosa na paisagem, faz doer o coração para se voltar a engrandecer com o vale em deleite que a água da dolina cársica e o grande poço do Ribeirinho, chamado da Ameixieira nos ilumina naquela paisagem mítica e bela salpicada de balanços, azenha, ribanceiras vestidas de madressilva e outras plantas autóctones que desconheço o nome e o seu casario de pedra com balcão sem telheiro, pedras na fachada para os vasos de sardinheiras, o triângulo invertido acima do lintel das portas, tanta história deixado pelo homem, hoje a sua venda está a alterar a paisagem e não devia, o dever de se manter o património em ruína a ser edificado na mesma traça com aumento de área moderna sem desvirtuar o antigo, a ser exemplarmente cumprida e não o sendo por deficiente fiscalização, pior as Juntas de Freguesia não respeitam o Património Natural, os costados para nascente do Ribeirinho apresentam sulcados vincos profundos deixados pelo rasto das motas 4, sem piedade, devia ser proibido, a dolina cárisica quase assoreada pelo caminho e juncal e o poço chamado da Ameixieira, já devia ter sido inventariado e classificado, o único que prevalece do tempo ancestral, falta saber se romano ou árabe, um poço de chafurdo com escadaria, do tempo de outros dois poços aos Olhos d'Agua, antes de 1747 se desceu às suas grutas, e não podia ser por escadas de madeira nem cordas, pois são 50 metros, para se perder a sua identidade nos anos 40 quando foram requalificados e cimentados com escada em ferro.
A Serra da Portela foi famosa no passado pelo pasto e mãos de queijeiras na fama à produção de queijo denominado Rabaçal, no meu tempo de criança, os melhores de toda a região de Sicó, porque os comi de todas as terras circundantes.Os queijos produzidos na Portela de S. Lourenço eram muito bem prensados, de bom sabor dado pelo travo a erva de Sta Maria e de aspecto impecável. Os meus sogros durante anos os trouxeram para Almada para um Prof do meu marido que os adorava. Tivemos uma criada que os trazia a Conceição Columbano, um mulherão alto e encorpado possível descendente da sub espécie de Homo sapiens que antes foi citada .
No tempo perdeu-se essa riqueza que outros atentos souberam e bem explorar, embora de qualidade inferior, de "Rabaçal" apenas tem o nome! Vasta ter iniciativa e sentido de empreendedorismo para revitalizar o pastoreio na serra e abrir uma queijaria.Fica lançado o repto!
FONTES
https://www.academia.edu/34582463/A_Capela_de_S._Salvador_do_Mundo_de_Almoster_entre_os_s%C3%A9culos_XIII_a_XVI._Apontamentos_para_a_sua_Hist%C3%B3ria
Comentário do Dr Miguel Simões que acrescentei pela valia histórica que enriquece a crónica a quem agradeço a cortesia.
Cortesia do comentário do Dr. Miguel Simões
Livro do meu tio Alberto Lucas a Historia de Pousaflores


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