quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Quinta das Sarzedas em Pousaflores no concelho de Ansião

Graças ao bom ansianense João Forte do Porto Largo aos Olhos d'Água a gentil disponibilização de excertos da Carta Militar n° 275 de Ansião que lhe solicitei para engrandecer a crónica dando realce à toponímia que se vai perdendo e não o devia!
Escarramoa
De Ansião para sul a uns 4 kms ao limite da Chã Galega sem placa toponímica encontra-se outra com o nome de CAVADAS quando devia ser ESCARRAMOA...
Como foi no passado e continua a toponímia em Ansião!
Em total falta de respeito pelos nomes ancestrais com substanciais dificuldades a quem se dedica a investigação histórica!
Excertos da década dos anos 40 da zona hoje conhecida entre a Chã Galega, Cavadas e Sarzeda.
 
 Excertos da Carta Militar da década de 1984
O nome é estranho e bem antigo para me lembrar que houve um malfeitor de seu nome Escarramona para os lados do Pessegueiro (Ansião) abordado na crónica http://quintaisisa.blogspot.com/2017/03/criminoso-morto-em-1679-da-carapinheira.html
Livro de Alberto Pimental
Alberto Pimentel na sua estadia em Ansião em 1903 escreveu: "...audaciosa quadrilha de salteadores, de que era capitão um preto, o famoso Escarramona, que foi decapitado no Valle do Judeu, sendo a sua cabeça espetada num pinheiro ..." Na sua estadia em Ansião em 1903 pode suscitar a hipótese ter ouvido mal a pronuncia do nome em tempo de linguarejar com poucos dentes, e de um português arcaico, se atender que hoje até que atinasse com o nome escrevi Escamorra, verossímil dizer tenha nascido ou foi morador na Escarramoa a lhe ditar a alcunha Escarramona. A ter sido decapitado em Valle do Judeu, nome que a Aurora Silveiro partilhou se lembrar de colegas que com ela trabalharam na CUF entre a estrada que vai para o Vale do Boi e a Venda do Brasil,  Santiago da Guarda.Mais um nome que na toponímia está esquecido e não devia!
Excertos das Memórias Paroquiais Setecentistas« fazem referência à estrada medieval vinda de Ansião que se bifurcava em duas variantes; uma para a Barreira e outra variante seguia para sul, Almoster»
«(...) na Escarramoa, em 1758 tinha 2 vizinhos» Instiga a dizer que nesta altura os dois vizinhos exploravam ali uma taberna na beira da estrada medieval.


O nome Escarramoa? Havia de voltar a confirmar este nome com uma velhota de 95 anos no local onde hoje se localiza o casario à esquerda, que os mais antigos ainda o testemunham e a prima Júlia Marques Silva veio a herdar do pai Manuel Marques da Silva uma fazenda que vendeu ao Sr. Abílio das Neves Rodrigues, de Albarrol. Em miúda cheguei a acompanhá-la com a carroça cheia de estrume para as duas terras; na Escarramoa e outra na quinta, só que naquele tempo ela falava que eram nas Cavadas...
Casario na Escarramoa  vindos de Ansião apresenta-se na esquerda
Defronte da Escarramoa a primeira entrada para a Sarzeda à direita.
À descoberta do palco da Quinta de Sarzedas  na freguesia de Pousaflores, no concelho de Ansião! 
Crónica dedicada ao Dr Américo Oliveira, a quem agradeço a oportunidade do desafio em mais descobrir sobre o passado rico de Ansião. Transcrevo a sua mensagem  «Não nos conhecemos pelo que lhe devo uma explicação para este contacto inesperado... Estive a falar hoje mesmo com a sua irmã, a Filomena, de quem fui colega nos Correios durante muitos anos, e foi ela quem me deu o seu contacto.A razão do meu contacto com a Filomena prendia-se com a procura da localização de uma "Quinta de Serzedas" onde teria residido uma minha antepassada em meados do séc XVIII. Tinha um nome pomposo com apelidos que possivelmente ainda por lá haverá: Mariana Josefa Pimentel de Almeida da Silva e Sequeira Ponde de Leão de Mendanha.» 
Aprecio a genealogia das famílias antigas do concelho de Ansião sem contudo talento para as correlacionar, solicitei ajuda ao amigo Henrique Dias que havia de me deixar surpresa com a partilha. Sobre a localização da quinta imediatamente supus se tratar onde hoje se chama - Sarzeda dada pela semelhança do nome e de ouvir falar " nos fidalgos da Sarzeda". Procurei mais saber com a D. Helena e o primo Adolfo Monteiro ali nascidos e criados debalde não me deram muita atenção, só me falaram da família dos "Caixeiros" e da existência de um grande poço. Desta família conheço familiares no Escampado S. Miguel em Ansião. Para a sorte me privilegiar num sábado ao sair do Mercado onde os encontrei a falar com as manas do Porfirio Monteiro internado em Coimbra, a quem depois de cumprimentar perguntei pelo seu estado de saúde e de imediato lançar a pergunta com atrevimento - aqui os vossos amigos nada me souberam dizer do passado da Sarzeda, se existem ainda ruínas de uma casa grande que pertenceu à quinta de Sarzedas há mais de 300 anos onde nasceu uma nobre com muitos apelidos sonantes, Ponce Leão Mendanha, será que do vosso tempo de crianças não se lembram de nada nem de ouvir falar? Para irromper em prontidão a mais velha " só se for onde é o lagar velho, na quinta". Hilariante com a resposta dada pelo mote do lagar a indiciar no passado o modo de vida e riqueza familiar e ainda o nome quinta. Depois do almoço fui a casa da prima Júlia par lhe perguntar o nome da fazenda que os pais tiveram nas Cavadas onde fui com ela em miúda tendo confirmado chamar-se - quinta, e ainda que pegava com outros familiares do seu lado paterno do Casal Soeiro, alcunha "os pardalocos" parentes do seu pai Manuel Marques da Silva nascido no Casal das Pêras que herdou esta fazenda, outra na Escarramoa e ainda um pinhal na Chã Galega.Conheci o pai dela casado com a tia do meu pai, homem alto e seco de carnes, se dizia ter ascendência inglesa, o tenha sido de origem franco/inglês?Em que as três filhas altas e fortes em contraste ao irmão muito mais baixo pelo cruzamento em ascendentes mouriscos que a mãe,a tia Maria irmã do meu avô paterno tinha fortes evidências nos cabelos, pele e no olhar grande e rasgado.
Informação valiosa na confirmação da existência do chão da quinta de Sarzedas.
Segundo a Wikipédia a palavra sarzeda provêm do latim vulgar saliceta, "salgueirais" com variantes; Salzeda e os derivados Salzedas, Salzedo, Salzeta, Salzido, Salzidos, Sarzedas, Sarzedela, Sarzedelo. Curiosamente a norte de Ansião existe o topónimo Sarzedela! 
Sem saber os seus limites de confrontação.Contudo atendendo à herança do tio Manuel Silva, pai da prima Júlia, a quinta estendia-se para norte ao limite da Chã Galega com a Escarramoa, para sul com a quinta de Martim Vaqueiro e a poente o certo entestar com o Nabão onde houve moinhos de água supostamente também desta família. Esta quinta  com capela veio a fazer parte da Casa de Pereira!
A chave para perceber como aparece a Casa de Sarzeda?
A instituição da casa de Sarzeda na minha teoria esteve ligada à Casa dos Duques de Aveiro na centúria de 500 com vários senhorios na região centro; Abiul, Penela, Condeixa, Montemor o Velho, Lousã e a Alcaidaria-mor de Coimbra pela proximidade destes Senhorios com Ansião, a vila de Abiul sita a escassos quilómetros para poente da quinta de Sarzedas onde os duques de Aveiro vieram a herdar um palácio que foi de André Silva Coutinho. Abiul goza de ter sido um dos primeiros locais em Portugal onde se toureou, a festa brava trazida por «D. Gabriel Ponce de León e Lencastre nascido em 1667 o 7º Duque de Aveiro em 1720. Morto solteiro, sem filhos, o Ducado de Aveiro passou para José de Mascarenhas Lencastre, seu primo afastado.» A extinção do Ducado de Aveiro em 1759, decorrente do Processo dos Távoras os bens da casa foram confiscados pela Casa Real. Verossímil os bens em Pereira - celeiro e Casa de Sarzeda e outras terras em Ansião foram compradas pelo bispo conde D.Francisco de Lemos de Faria Pereira Coutinho, que correlacionei na leitura  da troca de cartas dos dois irmãos Coutinho, onde é nítida a pretensa de mais adquirirem. A quinta de Martim Vaqueiro, uma delas e um Morgadio na Sarzedela com capela a Sta Luzia, já não existe . Estas duas últimas quintas foram compradas a nobres de Condeixa onde a família tinha casa senhorial, o palácio Sottomayor, com bens em  Pereira, Ega, Freixedo, Formoselha e Ansião.

«Mendanhas do Campo de Coimbra , de José de Lima, Oficinas da «Atlântida», Montemor-o-Velho, 1942, p. 38 (...) Pero de Covilhã e a sua descendência de José de Lima, Tipografia Porto Médico, Porto, 1954 p. 42. O 1º Marquês do Louriçal D. Luís Carlos Inácio Xavier de Menezes, nascido em 1689, faleceu em 1742 sem deixar descendência. Pelo que não se prevendo tão cedo a sua morte e ainda menos que não deixasse descendência ,o seu irmão D. Henrique de Menezes.»
«D Henrique de Menezes que tinha seguido a vida eclesiástica , cargo que renunciou, quando herdou os cargos nobiliárquicos de seu irmão, pedindo dispensa par se casar com a sobrinha e assegurar a legitima sucessão da sua importante e rica Casa Senhorial como 3º Marquês de Louriçal, 7º Conde de Ericeira, 5º Senhor de Ansião, 11º Senhor de Louriçal, Senhor do Morgado de Anunciada e dos da Casa de Sarzedas (Silveiras), e de todos os demais Vínculos e Comendas da sua Casa.»

O último Senhor de Ansião e da Casa de Sarzeda 
«D. Luís Eusébio Maria de Menezes Silveira nasceu em 1780, embora casado não teve descendência, à sua morte extinguiram-se os títulos; 4º Marquês do Louriçal; 8º Conde de Ericeira; 6º Senhor de Ansião ; 11º Senhor do Prazo de Louriçal; Sr do Morgado da Anunciada, e dos da Casa de Sarzeda que passaram a ser representados pelos Condes de Lumiares, herdeiros da sua Casa.»

Primeiro Conde de Lumiares
Titulo criado por D. José a favor de Carlos Carneiro de Sousa e Faro

A Caza de Pereira
«Com bens em Ansião  e solar de família em Condeixa a Nova no morgadio de Nossa Senhora da Piedade instituído em 1732, por José Rodrigues Ramalho e sua mulher D. Úrsula de Oliveira Cataná. Propriedade da família Ramalho, depois dos Lemos e, por fim, dos Sotto Maior, o nome pelo qual o conheço. A capela primitiva e a casa existente nesta época foram objecto de profundas remodelações, tendo sido edificado um novo templo em 1737, que corresponde ao que hoje conhecemos.As primeiras campanhas de remodelação do palácio remontam, muito possivelmente, a este período, devendo-se a intervenção mais significativa, responsável pela ampliação do imóvel, à iniciativa do bispo-conde D. Francisco de Lemos de Faria Pereira Coutinho, herdeiro da casa através do casamento do seu irmão com a filha dos instituidores do morgadio (Correia;Gonçalves 1993).»
O seu palco não me oferece qualquer dúvida, contempla hoje a aldeia de Sarzeda que se formou no tempo com casario disperso e outro agrupado a contornar a várzea em jeito de ferradura em que o actual topónimo Cavadas, tenha surgido por via da nova estrada roteada em finais do séc. XIX e se deslocou de nascente na beira da estrada para a Barreira e se chamava Cavados,  e o « Lugar da Sarzeda pertencia então cumulativamente à freguesia de Pousaflores e à de Almoster pelo que não aparece referenciada nas Memórias Paroquiais Setecentistas do concelho de Ansião, nomeadamente da instituição da sua capela em honra de Nossa Senhora da Esperança».Também não encontrei referência nas Memórias Paroquiais de Alvaiázere ,  (...) na centúria de 700 Alvaiázere situada na Província da Beira e a sua serra na Província da Estremadura com as circunscrições de Alvaiázere e de Almoster integrada na Beira, porque o território de Alvaiázere estar sujeito à correição de Tentugal e de o julgado de Almoster estar integrado no termo da cidade de Coimbra.»
Correlacionei o palco e o passado histórico com raiz nobre da quinta de Sarzedas em Ansião
Hoje Sarzeda.
Excerto da carta nº 6 datada de 14 de outubro de 1775
Escrita em Lisboa no tempo que desempenhou cargo como Desembargador da Casa da Suplicação no tempo do Marquês de Pombal - João Pereira Ramos de Azeredo Coutinho a seu irmão D Francisco de Lemos Faria Pereira Coutinho na altura que foi  Reitor da Universidade e Governador do Bispado de Coimbra, veio a ser  o 52.º Bispo de Coimbra e 17.º Conde de Arganil. «Mano muito do meu coração (...)A Sra. D. Teodora Higina Arnaut de Rivo, avó da mulher de João Pereira Ramos de Azeredo Coutinho me deu uma carta para por ella mandar eu tomar posse da quinta das Sarzedas, e de todos os foros de trigo, que a caza de Pereira tem, em Ancião, como taobem do azeite que lá tem (...) tomo o acordo de vos mandar essa folha com o meu nome escrito para que nella mandeis escrever hum alvará de procuração necessária para aquella pessoa, que vos parecer capaz de ser mandada logo a Ancião, para ahi tomar posse da dita quinta das Sarzedas, e de todos os foros, olivaes, e mais bens, que ali há pertencentes à caza de Pereira. Deve-se cobrar os foros de trigo vencidos,e os atrazados, que se deverem. Deve-se mandar fazer o azeite; para o que se devem por escritos para se arrendarem a quem por eles mais oferecer, sendo sempre afrontado (?) um homem chamado Manoel Ferreira que mora no dito lugar, o qual disse que daria oitenta alqueires não havendo quem mais dê. Pelo lagar, que ahi há, parece que dão (?) 20. Quem há-de dar notícias disso hé o Manoel Ferreira. O que correu até agora com isso hé hum Vital António, que ahi há no mesmo lugar; o qual hé quem há-de fazer a entrega das chaves da[s] cazas da quinta, que estão quaze perdidas pelo total dezamparo em que isso está. Elle há-de declarar os que pagaõ foros, etc., e deve-se lhe pedir o que deverem, abatendo os anos de que tiverem recibo. Hé necessário que me façais o favor de despedir logo para Ancião a pessoa que encarregares do referido, porque a azeitona veyo mais cedo este anno, e se se não lhe acode, logo, perde-se e esta hé a razão, porque escrevo já e com esta pressa. Creyo esses bens todos poderão render 20 ou 25 moedas conforme os anos(...) A Deus. Irmão muito amante do coração Azeredo Coutinho » 
O que se retira do  excerto da carta de 1775?
A  quinta de Sarzedas foi pertença da Casa de Pereira na mão da administradora Srª D Teodora Higina Arnault de Rivo

«(...) Em 14 de outubro de 1775 a Sra. D. Teodora tãobem está já reduzida a entregar-me a administração de toda a caza de Pereira com a obrigação porém de acomodar-lhe o sobrinho como tio de minha mulher, no que convenho, e lucro muito»

« hum Vital António, que ahi há no mesmo lugar; o qual hé quem há-de fazer a entrega das chaves da[s] cazas da quinta, que estão quaze perdidas pelo total dezamparo em que isso está.»

«A respeito do arrendamento da quinta, que por si só hé couza de muito pouco rendimento, e do lagar, hé necessário vêr cá os arrendamentos feitos pela Sra. D. Teodora a Vital António que me parece ainda não estão acabados neste anno, posto que ainda faltando algum se lhe pode tirar por ter deixado cahir parte das cazas da quinta, e nellas não ter rezidido

«A Sra. D. Teodora está de ânimo de me entregar toda a caza de Pereira, e todo o obstáculo que tem havido até agora hé o de não querer que fique dezacomodado o sobrinho, no que tem razão, e eu tenho tomado a rezolução de prover a isso inteiramente muito a seu contento, até que possa haver providência que seja para mim de mais alívio. A dita Sra. não quer, que meu sogro administre, nem ponha administrador em Ancião, nem em Pereira. Pelo que para mais a contentar lhe tenho segurado, que o administrador há-de ser posto por vosso mandado, e na certeza de que assim se há-de executar hide lançando as linhas a quem há-de ser, porque pelo Amaral espero mandar as ordens necessárias para a entrega de toda a caza. Todas as terras do Campo, e Monte se devem arrendar. A quinta deve-se conservar em administração por conta da caza para se não perder; mas o administrador ou feitor, deve ser hum homem de botas, que trabalhe, para o que não faltaõ capazes; e sobretudo hum inspector que vigie sobre elle, e veja de quando, em quando, o que elle faz.

Quem aqui morou?
Excertos de https://www.geni.com/people/Mariana-Josefa-Silva-e-Sequeira-Ponce-Le%C3%A3o-e-Mendanha 
«A nobre Mariana Josefa Pimentel de Almeida da Silva e Sequeira Ponce de Leão de Mendanha nasceu nesta quinta de Sarzedas em 1738 .
Filha de Gaspar Godinho de Nisa e Reis Capitão Mor de Ansião e de Josefa Silva e Sequeira Ponce Leão e Mendanha. 
Casou com Suplício José Pimentel de Almeida nascido em Montemor-o-Velho, Santo Varão, sendo batizado a 11.03.1725
Filho de António Pimentel Raposo e Luiza Coelho Pimentel
Foi mãe de Perpétua Máxima Silva e Sequeira Ponce de Leão e Mendanha nascida em 1768. 
Casou com António Pereira de Almeida Sequeiro nascido no Porto em 1764, foi Desembargador da Relação e faleceu a 23 Janeiro 1828 .
Tiveram um filho Fiel Pereira de Almeida, batizado em Coimbra em 1805 onde tirou o Bacharelato em Direito.»

A última moradora na quinta de Sarzedas?
A nobre Mariana Josefa aqui nascida pelo apelido "Ponce Leão" seja oriundo do reino de Leão de Espanha com  parentesco na família dos Duques de Aveiro com bens em Abiul. Teria sido a última moradora na quinta de Sarzedas em virtude da filha Perpétua Máxima ter casado em 1764 com o Desembargador da Relação António Pereira de Almeida Sequeiro,o seu filho Fiel Pereira Almeida  foi batizado em Coimbra onde veio a tirar o curdo de direito . Encontrei a sua inscrição na Faculdade de Direito de Coimbra a Matrícula de Fiel Pereira Almeida: 08.10.1822 Exames: 3º: 09.06.1825, Aprovado , Atos nº 15, fl. 5 4º e Grau de Bacharel: 19.06.1826. Estabeleceu-se  na terra do pai, o Porto, para onde a sua mãe viúva  vai para sua companhia onde vem a falecer.

Na carta nº 46 dos irmãos Coutinho, Conde de Arganil , tiveram a Caza de Pereira e outras como esta quinta de Sarzedas, falam da quinta de João Pedro Pimentel desse lugar de Fermozelhe.  

Ascendência da nobre Mariana Josefa enviado por Henrique Dias
A partir do seu bisavô Luís da Silva e Sequeira nascido em 1637 e Ana Feo 1657 de Coimbra na árvore facultada gentilmente por Henrique Dias, grande apaixonado em genealogia com raízes em Maças de D. Maria elaborada por vários onde segundo me informou pode haver algum dado incorrecto (?)

Os apelidos do pai da nobre " Godinho de Nisa e Reis"
Hoje ainda existem em Ansião os apelidos "Godinho e Reis".
Em verdade a capela actual em nada no exterior nos reporta para se atribuir antiguidade. Falei com uma filha do Sr Abílio Rodrigues informou-me que a capela era defronte da casa da quinta, mais pequena e nos finais do séc. XX foi arredada para nascente para favorecer um adro amplo no terreiro para a festa. Vim a encontrar disponível na internet a Imagem do nicho de pedra do seu altar de Nossa Senhora com o Menino a que dão o nome de Nossa Senhora da Esperança, atesta a sua antiguidade como pertença à quinta de Sarzedas à sua primitiva capela, cuja remodelação no tempo se perdeu a traça ancestral.Falta averiguar se o seu chão seria em pedra e se tinha carneiro perpétuo familiar.

Como a quinta chegou aos nossos dias?
No século XX quem viveu numa casa para norte ao casario da quinta foi o "Augusto da capela" de apelido "Freire" deixou os bens ao Manuel Diogo de Albarrol e ao Leopoldino, que me disseram (?). Em que ainda hoje parte da família dos "Caixeiros" intrinsecamente interligados a Manuel Roriz Bicho nascido no Escampado dos Calados (Ansião) o seu filho Belchior dos Reis, participou na guerra da sucessão em Espanha para voltar e casar em Ansião com Faustina Freire de Melo tendo morado na quinta do Bairro ao limite do baldio do Ribeiro da Vide em Ansião, e se estendia para sul, sem saber o seu términos, olhando aos dias d'hoje seus familiares ainda detém chão e o acrescentaram com compras em finais do século XIX como a quinta de Martim Vaqueiro que veio a ser da  Casa de Pereira. O Prof Carlos Reis viveu no Pessegueiro, ao S. João de Brito e em Almoster também houve gente com este apelido que encontrei atestado em campas no cemitério.
Belchior dos Reis veio a casar pela 2ª vez com Josefa Maria Serra, cujo apelido aparece associado à família "Reis" na Ameixieira e Casal Soeiro, e os casamentos dispersou, uns ficaram na Ameixieira, um voltou ao Escampado Belchior, outro comprou a quinta de Martim Vaqueiro onde ainda hoje mora um neto José Maria Marques dos Reis. Investiguei com este proprietário ainda morador na que foi a quinta de Martim Vaqueiro que me informou ter sido adquirida a uns nobres de Condeixa pelo seu bisavô da Ameixieira.Olhando à idade da irmã mais velha com 91 anos se lhe deduzir em média (20 anos x 3 pai + avô + bisavô) em apurar a idade do bisavô quando a adquiriu +-1867. Se a extinção dos Morgadios definitiva ocorreu em 1863, dita aqui tenha sido a razão da venda . A desencadear a possibilidade  o destino da quinta de Sarzedas tenha também por este mesmo motivo sido vendida à família "Serra" da Ameixeira/Casal Soeiro, parentes dos "Reis" e por isso ainda chão em mão de familiares.Além dos apelidos "Serra" e "Reis" aparecem outros associados aos maridos das mulheres por estas não receberem o apelido do pai; "André","Marques","Neves", Caixeiro","Simões", "Silva", "Freire"e outros que em comum tem o mesmo parentesco .
A que acresce a simbiose do cargo de Capitão-Mor, em que o primogénito do 1º casamento de Belchior dos Reis - Marcos, foi Capitão Mor de Figueiró dos Vinhos tendo casado em Almofala, onde morou. Explica ainda no século XX e ainda hoje uma maioria de lotes da várzea que foi pertença da quinta de Sarzedas tenha sido herdada por esta gente oriunda da Ameixieira, Casal Soeiro, Casal das Pêras e,... 
A várzea da quinta de Sarzedas ainda existe como o tenha sido no passado, apenas foi esquartejada em courelas de minifúndio por descendência de familiares de apelido "Serra","Silva","Marques" "Caixeiro", "Neves", "Freire , Simões e,...
Dirigi-me à Sarzeda na companhia do meu marido onde teimei apalpar o terreno em caminhada para sentir a planura da quinta encravada pelos costados norte/sul e nascente onde se avista grande várzea e o que teria sido o seu rico passado na riqueza da vinha, pela existência do lagar com as duas pedras de fuso e parte da pia da prensa.Consegui abstrair-me para imaginar a várzea outrora verdejante, e fértil como ainda a conheci em miúda a perder de vista vestida de milheiral, para em verdade acordar e reparar que se encontra em desmesurado pousio...

Fotos da várzea da quinta das Sarzedas
Registada do chão que foi a estrada medieval sita a sul da várzea da quinta de Sarzedas. A maioria dos poços tenham sido abertos após a partilha em courelas pelos herdeiros .

A aldeia da Sarzeda sita na freguesia de Pousaflores com acessibilidade pela estrada principal na ligação a Ansião em duas variantes a nascente que se juntam a jeito de ferradura a poente para a Macieira, ribeira do Nabão e Suímo. Apesar de volvidos mais de 300 anos e da abertura da nova acessibilidade em finais do século XIX de Ansião para a Barreira ter cortado a quinta de Serzedas a nascente, ainda assim nas Cavadas, ao se olhar para poente consegui perceber a malha da várzea na sua planura e extensão, delimitada a norte pelo ribeiro da Boxa ou Bocha, sem saber a grafia correcta, a ditar um jogo espanhol de bolas de madeira com derivados como Bouxinhas, este ainda existe na toponímia de Almoster. E a sul pela estrada que foi medieval a delimitar a várzea no passado de vinha e conheci verdejante na produção de milho, hoje se apresente com olival disperso com muitas courelas em pousio...

Cavadas
No passado "Cavados" terra roteada dos costados a mãos, teria sido mais a nascente junto do costado com a estrada medieval para a Barreira. A nova estrada ditou deslocalizar moradores para a sua beira para hoje se chamar Cavadas. Resiste na beira da antiga estrada medieval a fonte com a sombra de uma glícinia de cachos roxos ou cachos da Índia, no meu tempo de miúda só existiam assim iguais em Ansião de troncos grossos na que foi a estalagem da Ti Maria da Torre no Bairro de Santo António sacrificada com o alargamento da estrada depois do 25 de abril, outra a ornar a escadaria onde foi o primeiro hospital da Misericórdia de Ansião igualmente destruída quando a casa foi vendida para ser construída a CGD, e claro existe ainda outra no jardim da casa que foi do Dr Adriano Rego.
Os grossos troncos atestam a sua antiguidade centenária.Quantos viandantes aqui saciaram a sede e se acoitaram da sua sombra...
Um tanque de água
Uma tradição na região de Sicó. Este por acaso é em tijolo que se encontra uns metros acima na estrada nova, mas existe outro tanque junto da fonte em pedra como manda a tradição que não registei em foto porque lhe puseram uma rede em frente por precaução.
Tanque em pedra da minha mãe encontra-se na Moita Redonda em Pousaflores
O plantio de eucaliptos na serra de Nexebra secou as minas esventradas no xisto com a mina da Cavada que abastecia a casa dos meus avós através deste tanque.
Encontrei a antiga placa em cimento da paragem da carreira 
Prostrada no chão em total abandono, se um dia tivesse um comércio a ia buscar para lhe pôr defronte!
Vista da várzea contornada com o ribeiro da Boxa a norte
Nas Cavadas a curva contra curva que veio cortar a antiga quinta de Sarzedas a nascente
O ribeiro da Boxa só corre no inverno quando rebenta o olho d'água no Vale do Bicho.
O primeiro a rebentar é o olho da Lagoinha ao alto da Ameixeira/Casal Soeiro, segue-se os Olhos d'Água em Ansião e na mesma direção para sul no grande poço no costado do lameiro nasce a fontinha de Almoster que dá caudal à ribeira de Almoster, e para lá das Bouxinhas noutro poço rebenta o "Olho do Tordo" . Já no concelho de Ourém rebenta a ressurgência nos Formigais para no Agroal se mostrar de todos o de maior caudal todo o ano e ser considerado o maior afluente do Nabão nasce nos Olhos d'água em Ansião, mas seca no verão, integrados no mesmo sistema aquífero subterrâneo que armazena as águas das chuvas para depois do algar cheio as fazer brotar. Apenas a Ribeira de Almoster e o Agroal correm todo o ano, com caudais diferentes.O Ribeiro da Boxa usa parte do leito pelo caminho que antes foi estrada medieval como outros no concelho na mesma serventia; Ribeirinho no Carril até a autarquia o canalizar e passar ao lado da estrada, o Ribeiro de Albarrol e o próprio Nabão em Ansião por onde passava a estrada medieval nunca teve ponte, apenas uma pedonal. Na foto seguinte as águas correm pelo caminho para passar debaixo desta casa que foi do Sr Adriano Marques e depois pelo aqueduto debaixo da estrada seguindo para poente.Um inverno destes volto para ver as águas a correr do ribeiro da Boxa.

Caminho medieval e leito do ribeiro da Boxa
O casario novo que se concentrou na Escarramoa ditou às Cavadas uma nova ligação, em que o caminho não é ladeado por muros de pedra seca, dita que é recente e não a encruzilhada dos caminhos ancestrais.
Leito do ribeiro da Boxa a passar por debaixo da casa
Nova visão da encruzilhada com o caminho medieval 
O mais recente aberto para o casario. O da direita o caminho antigo. A possibilidade de aqui ter sido o primitivo encruzilhar das duas variantes? Não. Sem calçado apropriado segui no caminho da direita na procura da bifurcação a protestar raios e coriscos com as malvadas ervas secas a picar os pés e as pernas impeditivo de avançar para auscultar a encruzilhada na Escarramoa. A merecer outro desafio na sua procura de percorrer o caminho mais uns metros para tirar a limpo esta certeza. O caminho outrora medieval em dias de chuva serve de leito ao Ribeiro da Boxa onde se desvia para a esquerda para seguir para poente.
O caudal do ribeiro da Boxa após passar debaixo da casa dirige-se a caminho do aqueduto da estrada.
 Vista do ribeiro da Boxa do lado poente
Vista sobre a várzea com o ribeiro da Boxa a delimitar a norte
Panorama do que foi o caminho medieval 
Vindo de sul da Macieira pela quinta das Sarzedas no local (Cavadas) onde foi cortado pela nova estrada Ansião/Barreira.
Foto tirada de nascente. Junto ao poste que se encontra à direita localiza-se a fonte na continuação da estrada medieval na segunda entrada para a Sarzeda, depois da primeira sita a metros a norte para quem venha de Ansião.

Caminho medieval a nascente nas Cavadas
Na procura da encruzilhada da Escarramoa para a Barreira e para Almoster na parte que o percorri.
 
Vistas da antiga estrada medieval a sul para a várzea
Apresenta-se em maioria de courelas a jazer em pousio com canavial infestante...
Em paralelo existem courelas onde ainda existe vinha e hortas
A casa de um padre?
No seguimento da estrada para poente encontra-se hoje um barracão onde ainda se distingue uma parede antiga e o que resta de outra que se desmoronou, sendo no tempo acrescentado, aqui foi a casa de um padre, mas dele nada sei, segundo me confidenciou o António Freire, vizinho da minha mãe que nasceu nas Cavadas.
Uma pedra! O que pode revelar? Um marco senhorial?! 
Na minha visita à Sarzeda em caminhada para sentir a várzea e o que foi no passado. Muito sol e sem óculos não lhe detectei nenhuma inscrição, nem cruz . Encontrei-a a limitar um terreno com a estrada que foi outrora medieval .
As pedras quem as salva? O passado de Ansião rico em marcos de propriedades , lagares e moinhos de água que hoje quase ninguém valoriza cujos testemunhos deviam merecer atenção da autarquia.
Reti na primeira impressão o aspecto do talhe e da altura do marco de pedra que me reportou para outra mui semelhante que se encontra na Moita Santa em Santiago da Guarda, pese embora esteja escrita onde atesta a sua feira. Pedra que não oferece dúvidas que se trata de um marco antigo ou de termo da Freguesia de Pousaflores , segundo as Memórias Paroquiais de 1758 englobava ainda « com o Lugar das Sarzedas e a parte de São Satornino (Albarrol), e o da Barreyra freguesia de Almoster».
Este marco não sei se aqui é primitivo ou aqui foi posto para marcar a extrema.
Desperta para um alerta de outro marco mais à frente na cozinha do "Manel barbeiro" da divisão da freguesia de Pousaflores com Ansião, hoje julgo na casa moram ingleses.

E algures a poente onde foi o termo da herdade de Ansião em OSUMÍO
Palavra difícil e estranha que não se conhece hoje onde tenha sido o seu palco.Na minha teoria alvitro tenha sido a poente da Sarzeda onde hoje é uma aldeia com um nome também estranho - SUÍMO pela semelhança tenha no tempo deixado cair a vogal "o" e a inversão do "m" pelo "i" para historiadores nos Cadernos de Estudos Leirienses escreverem SUMO e hoje se chamar SUÍMO vir a comprovar que a herdade de Ansião do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra entestava a poente com a Casa ducal de Aveiro sediada em Abiul. Segundo o Padre José Eduardo Reis Coutinho « quantas vezes a usurparem os melhores dos poucos terrenos pertencentes aos crúzios.» Para aqui ter acontecido com a várzea plana a perder de vista em contraste com os costados dos arrabaldes.
 
Parede do lagar velho desmoronada parcialmente para nascente

Olhando à terra remexida com o poço novo ou requalificado com manilhas em cimento, sem saber se aqui existiu outro antes em pedra, o tal poço grande que me falaram? Seria um poço de chafurdo? Pois não sei, incita dizer que tanta pedra miúda no terreno seja em parte da parede desmoronada do que foi o lagar pelo cascalho de pedras em redor .
Sobrevive na frontaria com a estrada um frondoso carvalho com um pé de grande diâmetro e duas valentes pernadas com uns séculos quantas histórias com estória aqui assistiu dos que por  aqui passaram na quinta de Sarzedas...
              
A entrada do lagar a poente onde se encontram ainda duas pedras de fuso.Uma visível e a outra semi escondida pela laje à esquerda.
 
 
 
Ao proprietário peço desculpa de ter invadido a sua propriedade particular, apenas o fiz no intuito de registar memórias do passado da que foi a Quinta de Sarzedas para  mais se saber do passado rico e das gentes do concelho de Ansião.Acaso tivesse vindo um mês antes mais teria registado a nascente.
Outra visão do lagar velho da quinta de Sarzedas dada a poente abordado nas  Cartas de João Pereira Ramos de Azeredo Coutinho em Lisboa a seu irmão D. Francisco de Lemos em Coimbra

A parede em pedra termina para norte com parede a adobe de barro com calhaus rolados encastrados em filas de telhos cerâmicos (romanos?). A existência deste passado ancestral de construção em Ansião jamais antes encontrei, apenas conheço restos de paredes ao Arneiro em Almoster e no concelho de Ourém, sem saber a sua origem.
Parede em adobe
A merecer investigação arqueológica para mais se deslindar do passado, o que aqui antes existiu neste lagar? Do tempo romano, visigótico, árabe ? Reutilizado pelos árabes e depois por esta família nobre?
 Outra vista com a parede poente do lagar velho  em pedra, adobe e a tijolos de cimento...
 Vista sobre a várzea para norte
O que realmente me motivou a entrar aqui  por este corredor de porta aberta?
Avistei um tronco da estrada a julgar ter sido em madeira e se teria feito parte do lagar
Deu-me o mote para entrar na propriedade a correr mas na mesma permaneceu a dúvida se é um tronco de madeira antigo que fez parte do suporte do telhado ou um tronco secular de hera, que ainda resiste a norte do lagar, a terra fofa enterrei os chinelos...Junto a metade da prensa  em pedra partida ao meio  e outras pedras.
A escassos metros para poente encontrei atestado na toponímia um nome curioso
Carapota
Palavra com origem no dialeto mirandês significa a ponta de cima;cume!
Para quem gosta de aprofundar o conhecimento em saber discernir a importância correcta que a toponímia deve merecer, para mais dela se descobrir o passado vamos falar da Rua da Carapota . Quem mais souber que se chegue à frente.De facto a rua vem de cima para entroncar na que foi a estrada real, faz sentido, para a associar a gente do Minho e Trás os Montes que se deslocou por vários motivos para esta região , para a atribuição do topónimo pode ser disso demonstrativo (?).
Relembrar os ideais socialistas cujos valores se exaltam para melhorias para o povo, lembrei-me do sofrimento que as gentes do norte viveu e lutou em Ilhas no Porto, com teares em casa para os patrões não os terem nas fabricas para pagarem menos impostos. As crianças ajudavam, porque não haviam ordenados, eram pagos à peça. Até que em finais do século XIX operários letrados começaram a ler Piotr Kropotkin, o revolucionário pensador politico que falava das minorias que viviam e trabalhavam em condições sub humanas para ganhar o pão para comer, valores que transmitiam a outros colegas analfabetos e se espalhava. Grande a adesão ao conhecimento da evolução socialista para numa dessas Ilhas o apelido Kropotkin se fideliza em carapota e no plural Carapotas. O topónimo é disso demonstrativo.
No gaveto existe a ruína de casario.
Casario em ruína da família com alcunha"Pirões"
A alcunha "Pirões"tenha sido supostamente trazida por ascendentes emigrados em finais do séc. XIX  a S. Tomé e Príncipe como capatazes nas rossas de café, oriundos do Casal de S.Brás e Fonte Galega em Ansião, em que um deles aqui se fidelizou. Emigrantes no regresso com o ganho da alcunha deturpada de "pirão" alusivo ao pilão usado para bater a mandioca, ao  risco a coisa relativa a sexo no meu entender.  A família que conheço com apelido"Rodrigues" do Casal de S. Brás o teria vindo a juntar ao seu apelido por ser muito usual ao tempo e assim se distinguir dos demais acrescentou " Tomé"(alusivo à ilha onde emigrou)  mas não o viria a dar a todos os filhos, em que um deles por não gostar da alcunha  não sei as razões veio a dar aos filhos o apelido da mulher "Moreira".

Aqui na Carapota tenha regressado com dinheiro para construir uma boa casa
Em S. Brás a casa também de um Tomé também é de sobrado com escadaria. 
Confesso quando encontrei as ruínas da família dos "Pirões"( o soube mais tarde) julguei tinha sido a casa da quinta de Sarzedas... 
 
 
Entroncamento da Rua da Carapota com a estrada desfrutando da várzea
Seguindo a estrada para a esquerda logo a uns escassos metros à esquerda temos a capela de Nossa Senhora da Boa Esperança
Lado  norte entre as janelas com um encaixe em foram de duas meias luas para entrada de ar.
A reportar para simbologia judaica(?).
Da primeira vez deixei a Sarzeda sem ver a capela.Tinha deixado o carro estacionado no novo parque de merendas para os peregrinos .Parei a olhar a casa que foi do Ti Freire que bem me lembro dele homem bem alto, seco de carnes e olhos azuis pai do António Freire casado com a minha prima São, quando me surge da casa de frente uma velhota de 95 anos, cujo nome me esqueci, mas recordo o apelido "Pires" nascida na Fonte Galega para aqui veio com 10 anos, não perguntei se veio servir ou por outra razão. Confirmou o lagar velho e a quinta que foi de gente do Casal Soeiro e Ameixeira da família dos "Serras". Falou-me ainda do ribeiro que rebenta com as primeiras águas de inverno no Vale do Bicho e toma o nome Boxa, a julgar seja esta a grafia porque existe Bouxinhas em Almoster, corre de nascente para poente, desaguando no Nabão, percorrendo a várzea do que foi a quinta de Sarzedas e ainda me falou que as tais ruínas depois do lagar ao alto era casa dos "Pirões".

Voltei no dia seguinte...
Desta vez trouxe a minha mãe para lhe mostrar o que resta do velho lagar tendo estacionado no adro da capela virada para poente como era tradição até ao século XVII.
Constatei que defronte da capela resiste ruína de casario de sobrado a que foi supostamente adoçado ou requalificado ao longo do tempo outro casario onde habitou ou habita ainda gente, não enxerguei viv'alma. O sitio certo para ter existido a casa onde nasceu a nobre Mariana Josefa e nasceu a filha  Perpétua Máxima Silva e Sequeira Ponce de Leão e Mendanha, na frente do terreiro, agora adro da capela com o lagar a uns 100 metros para nascente. Ainda distingui para poente ao adro da capela o que foi um barracão em pedra restaurado, supostamente fez parte dos arrumos da quinta.Nos linteis da parte em ruína não distingui datas esculpidas, mas também não me demorei...Carece de uma melhor visão esta parte da quinta até ao entroncamento para a Macieira.
Complexo ruinal na minha teoria tenha sido a casa da nobre da quinta de Sarzedas
Sita na beira da estrada medieval a poente para sul, Lisboa .
Em frente farto terreiro e a capela 
As duas  fotos complementam-se na extensão do casario para norte defronte do adro da capela
Capela de Nossa Senhora da Boa Esperança
Esta capela é nova. A primitiva foi edificada ao meio do adro com frontaria para poente para a casa dos donos da quinta de Serzedas. As pedras do altar foram na nova recolocadas com uma nova por se ter perdido, confidenciou-me uma filha do Sr Abílio Rodrigues.
Confidenciou-me a minha querida mãe que aqui veio à festa comigo ainda bebe de colo onde perdi um sapatinho e o meu pai ao reparar a perca lhe infringiu culpa com uma bofetada...apesar de ter estudos não teve educação em casa, porque a mãe dele foi obrigada a casar com um homem que não gostava e claro em tempo que os homens mal, pouco ou nada respeitavam as mulheres...episódio que facilmente a minha mãe esqueceu até que anos mais tarde uma moradora daqui nos correios a voltou a recordou...
Fotos retiradas da Página do Facebook
Capela de Nossa Senhora da Boa Esperança na Sarzeda
Imagem na foto em pedra  no nicho  a primitiva ermida.
Vista do adro sobre a várzea cultivada de milho e casario a norte em fila ao longo da estrada e do ribeiro
O mais relevante que descobri associado à quinta de Sarzedas?
  1. O palco da quinta de Sarzedas com a sua várzea, o lagar e a ruína da casa defronte do adro da capela na beira da estrada medieval.
  2. Descobri nas cartas de João Pereira Ramos de Azeredo Coutinho a seu irmão D. Francisco de Lemos de 1775 que veio a ser pertença da Caza de Pereira em Montemor o Velho e outras em Ansião.
  3. Descobri o traçado da estrada medieval vinda de Ansião referenciada nas Memórias Paroquiais e da sua bifurcação na Escamarroa com  variante para a Barreira, Venda do Negro e Alvaiázere no Caminho de Santiago de Compostela e outra pela quinta de Sarzedas, Macieira e Venda da Gaita em Almoster, na antiga estrada romana.
  4. A existência dos topónimos Escarramoa atestado na Carta Militar e Carapota com origem no Minho, trazido por povoadores.
  5. E do malfeitor Escarramona abordado no Livro de Alberto Pimentel com forte evidência de ter sido ali nascido ou morador.
  6. Quinta de Sarzedas esteve arrendada, assim reza nas Cartas dos irmãos acima já citados, sem especificação do arrendatário para entroncar os últimos residentes nobres D Mariana e o marido de Montemor o Velho.
  7. O abandono do arrendatário se deva ao falecimento do marido em que a viúva decide ir para o Porto para a companhia do filho onde devia exercer a sua profissão de bacharel de direito.
  8. Descoberta de um marco em pedra teria feito parte dos limites da antiga freguesia de Pousaflores na parte interligada a Almoster ou da Sesmaria da Macieira?
  9. Pedra "broesa" aqui abundante perto da Macieira, segundo o vizinho da minha mãe o Freitas, disse-me que as compridas eram no seu tempo usadas na soleira da boca do forno para manter o calor mais tempo. E de fato a pedra parece ter grãos de granito e de xisto e os buraquinhos parecem esculpidos a escopro e martelo, serão naturais aquando da sua formação geológica em terra de calcário (?).
  10. Capela do Santo Cristo na Matriz de Ansião pertencia à família , excerto do Livro Notícias e Memórias Paroquiais Setecentistas 1769 Relação do estado das Igrejas, confrarias e capelas de Ansião do Padre José Fernandes Serra « Depois desta segue-se a Capela em que está um Santo Cristo, feita de abóbada sem algum ornato, e tem mais as Imagens da Senhora do Ó e S. Roque feitas em pedra bem esculpidas, e a de Santo André feita em pau necessitam de ser incarnadas; esta Capela é particular; é seu administrador atual Gaspar Godinho da Silva e Sequeira Mendanhatodas as Imagens nela colocadas lhe pertencem excepto o Santo Cristo que dizem é da Igreja; tem uma toalha, dois frontais de ostentação já muito usados, umas cortinas em damasco encarnado em bom uso, e não tem mais ornamentos alguns; já ficou prevista que o administrador mandasse fazer um retábulo quando lhe o noticiei respondeu que quando os Padres Cruzios fizeram também a tribuna que na mesma se lhe mandava, que então faria ele o retábulo.»
Capela particular  com a imagem do Santo Cristo na Igreja de Ansião
Relata ainda que tem um lagar e fazendas para a sua manutenção e celebração de 14 Missas anuais. Se em 1769 o padre diz que o administrador desta capela é Gaspar Godinho da Silva e Sequeira Mendanha reporta para a família que viveu na Quinta de Sarzedas, hoje Sarzeda, a sul da vila de Ansião com lagar, hoje ainda existe em ruína.Explicar a razão do seu donatário nobre ter sido influente exercendo cargo de poder em Ansião com costado familiar da família "Feio" dos lados do Maxial, na intenção de posse de uma capela particular na matriz .
A escultura de Nossa Senhora d'Ó  que existe em reservas na matriz foi espólio desta capela particular, na ligação dos nobres a Montemor o Velho onde existe ainda hoje outra Imagem da Senhora d'Ó.
O que falta?
Ser alvo de estudo para a vir atribuir ao Mestre Pêro, o mesmo que esculpiu a Imagem de Montemor o Velho, pela riqueza da escultura.
A minha investigação sem parar prefaciando um pensamento de Bento de Jesus Caraça "e se não receio o erro é porque estou sempre pronto a corrigi-lo".
Em 1775 
Em repto agradecer ao Dr Américo Oliveira pelo pedido solicitado que muito me enalteceu na oportunidade em mais descobrir sobre esta quinta onde senti novo orgasmo intelectual que as pedras, o adobe e a nobreza nesta terra me inspiraram em fatal  descoberta do rico passado sobre Ansião!

FONTES
Carta Militar da década de 1984 e de 40
Mensagem do Dr Américo Oliveira
Livro de Alberto Pimental
https://geneall.net/pt/forum/165903/abiul-pombal-andre-da-silva-ou-sousa-coutinho/
Livro Notícias e Memórias Paroquiais de Mário Rui Simões Rodrigues e Saul António Gomes
Esquema da árvore genealogica da nobre facultada por Henrique Dias, amigo das Cinco Vilas 

2 comentários:

  1. Parabéns pela investigação!! Fiquei encantadas com os todos pormenores da sua investigação. Sou descendente de Sulpício José Pimentel e de Mariana Josefa da Silva Sequeira. Posso partilhar o que descobri sobre eles. Deixo o meu email para futuro contacto ana.ferreira@cm-coimbra.pt. Mais uma vez Parabéns. Ana Ferreira

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  2. Caros Nuno e Ana Almeida agradeço a cortesia da leitura, do elogio e da vontade da partilha. Bem hajam. Já enviei email para troca de correspondência. Tido aconteceu com um pedido de ajuda do Dr Américo Oliveira de Coimbra, com quem terão suposto costado, que descobri onde foi a quinta (possível morgadio)para a dar a conhecer, grande feito, porque em Ansião ninguém sabia de nada, com a vossa achega mais se deslindará para se por em livro mais tarde onde os nomes serão ressalvados nessa glorificação, bem merecida , em que apenas ajudei com o meu olhar perspicaz, teimosia e vontade de mais deslindar do passado. Mais uma vez o meu bem hajam pelo carinho. Um abraço
    Isabel Coimbra

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