quinta-feira, 22 de novembro de 2018

Fontanário com painel azulejar à Rainha Santa Isabel ao Fundo da Rua em Ansião

Segundo o Padre José Eduardo Reis Coutinho no seu Livro de 1986 "Outra obra que se deve  à iniciativa do mesmo médico (Dr Domingos Botelho de Queiroz, e no sentido de responder a necessidades sanitárias da vila, foi a captação de águas numa mina no Carrascoso, da filtração natural das mesmas e da sua canalização para o depósito acastelado ao Cimo da Rua, de onde foram distribuídas para alguns fontanários, onde se podia ter água tratada e corrente."
O fontanário ao Fundo da Rua foi encastrado na fachada norte do prédio "Valente" a seguir ao portão de acesso do seu quintal. Viria a ser engrandecido com painel azulejar alusivo à Rainha Santa Isabel  dando Esmola a um Ancião fechado com elegante  moldura em pedra.
Virgílio Rodrigues Valente
Homem de negócio aberto com o seu Café era ainda fornecedor de todo o tipo de materiais para a câmara, tinha emigrado ao Brasil, de regresso veio a  casar com a "Maria dos cacos" cujos pais exploravam uma pensão ao Fundo da Rua. Comprou um lote adoçado à pensão onde levantou um prédio em forma de L nascente/norte onde a fonte foi encastrada pela influência que teria na vila a escolha recaiu na sua parede por  lhe ser favorável para abastecer a sua casa e pensão em prol de um marco fontanário mais central junto do Padrão, por isso o tenha imortalizado vaidosamente ao ter mandando executar o painel azulejar na Oficina  em Coimbra em colaboração com a CMA  em 1937, o pagante da factura que detém em arquivo.
O Padre José Eduardo Coutinho menciona no ponto 2.1.4.13, Cartaz Turístico  na recolha de um testemunho com um familiar o induziu mal ao se referir que o painel azulejar era da família e não da câmara... Qualquer pessoa de bom senso entende o panorama que se vivia na altura com os interesses, ostentação e vaidade  ...continua o Padre Coutinho « Sempre que um acontecimento marcante entra na memória pública, que interiormente o encarna e peremptoriamente o tipifica como seu,ele assume foros de imortalidade, porque aparece sempre carregado com um sentido particular que lhe é atribuído pelo significado que representa para quem o recebeu dos antepassados. O seu conteúdo torna-se sagrado, cristaliza na consciência e nunca desvanece em nada, pelo contrário, a sua lógica é factor explicativo de muitas situações e motivante de condicionantes em diversas formas exteriores.Para a vila de Ansião, e não só, esse conhecimento primodial tem por substrato conjunto a já referida lenda da Rainha Santa Isabel, circunstância que, em 1937, determinou Virgílio Rodrigues Valente (embora na parte superior do painel tenha C.M.A. 1937, é propriedade particular e pertença dos herdeiros de Virgílio Rodrigues Valente, e não da Câmara Municipal de Ansião, como à primeira vista parece). a encomendar um painel de azulejos representativo daquele "facto" medieval, referido pela legenda A Rainha Santa dando esmola a um ancião.Delimitado por cantarias, enquadra um dos mais antigos fontanários do município e situa-se no Fundo da Rua às portas da vila  
O saudoso painel azulejar que se perdeu mote de tanta inspiração!

Felizmente o fotografei na menção da Oficina de Coimbra de J.G.Porto & Irmão pelo pintor F Pereira 1937

O painel em evocação à Lenda da Rainha Santa dando Esmola a um Ancião 
Em  ditar a lenda da origem do nome da terra...Apenas e somente isso, uma lenda!
Depois do leite derramado a estória para virtuar no tempo as histórias deste painel!
O que se ganhou com esta perda? 
As redes sociais abriu olhos a muitos desconhecedores do que realmente é cultura patrimonial enquanto valia maior  no dever em ser mantido e preservado para  deixar de testemunho às gerações vindouras, e ainda forte reboliço da oposição ao aproveitar o erro crasso para brilhar, debalde ofuscada pelo histórico do seu passado e dos seus dirigentes igualmente sem qualquer prova real de substância melhor ...Antes alencar outras demais e graves perdas!
Ora aqui salvou-se a bela moldura em pedra!Afinal não se perdeu tudo!

O painel azulejar à Rainha Santa Isabel 
Foi objecto de desafios, poesia, bordados, reproduções e,...

Desafio da Rainha lançado por Isabel Stilwell
Desafiou os seus leitores a partilhar uma fotografia ou fazer um pequeno vídeo de uma estátua, imagem ou quadro representando Isabel de Aragão, a protagonista do seu novo romance histórico.
Excerto de https://www.presenca.pt/files/editorials/Desafio_IsabelAragao2.pdf

Filipa Valente de Ansião
«Este painel de azulejo da Rainha Santa Isabel localiza-se em Ansião, num lugar conhecido como o “Fundo da Rua”. Foi encomendada por um senhor  que aqui vivia, Virgílio Rodrigues Valente, em 1937. Retrata o momento em que, numa das inúmeras deslocações da rainha entre Leiria e Coimbra, ela dá a esmola ao ancião. É por isso que esta terra se chama Ansião.»
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Poesia
Em http://poesia-avulsa.blogspot.com/2010/03/introspeccao-do-estar.html 
Do escritor /poeta António MR Martins em se referir a Ansião , para ele mais uma "Terra Presente".

O poema demonstra quanto o autor se sente bem nesta terra e quanto é feliz. Não o conheço nem sei o local onde nasceu, tão pouco pelo apelido "Martins" ...Se alguém souber agradeço a partilha.
Manhã límpida…
O cheiro das terras,
com o chão húmido,
penetra pelas janelas abertas àquela hora.
O sol espreita
num horizonte
que reflecte sua beleza
em preâmbulo de um verde fortalecedor.
Ouvem-se as aves…
Saltam nestes campos
e esvoaçam neste infindo espaço,
recantos onde a natureza mora.
As árvores
se agitam suavemente,
ao som de um vento ténue
que valoriza aquela suprema cor.
Lá cima, no céu,
outro colorido germina em tons de azul,
onde o brando branco
faz definir um sublime traço naquela aurora.
Hoje não chove,
as flores começam a brotar nos campos…
Eu fui comprar o jornal
que alguém me guarda, por favor.
Em Ansião me detenho
nesta espera do futuro…
Aqui o ar reflecte a força
de um continuar pela vida fora.
Esses sons diferem
dos contextos das cidades,
sintonia que esmera a qualidade
de uma vivência com todo o seu valor.
Para todas as outras coisas,
resta aguardar!...

Bordado autoria do Dr Filipe Antunes na Biblioteca de Ansião
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Reprodução de um painel no carro alegórico do cortejo do povo

Substituição por novo  painel azulejar
Erro de projecção do olho esquerdo da Rainha cortado pelo rebordo do azulejo.
Infelizmente o primitivo painel azulejar perdeu-se em 2018 ao ter sido substituído por uma reprodução mal conseguida em azulejos padrão tipo WC.
Resultado de imagem para ansião painel azulejar da rainha santa isabel
O painel azulejar com antiguidade de 81 anos devia ter merecido mais respeito em terra de parco património urbano preservado, tão pouco alguma vez foi objecto de limpeza, nem qualquer manutenção para em golpe de escolhas a oportunidade ao seu engrandecimento sem pesar na balança o equilíbrio e bom senso da sua requalificação sendo aposta a sua substituição. Debalde mal conseguida pelo traço e qualidade inferior resulta em perda do seu real valor quando o certo teria sido agir com cautela para não lhe acontecer tão grave descuido!
Em resulto, equacionar com tristeza a cabal falha aos valores culturais afinal a herança do passado político no mesmo olhar sem reconhecer e salvaguardar património que só gente armada de talento é dele fervoroso amante e defensor!

Dr Salvador Dias Arnaut no seu Livro Ladeia e Ladera 
« Graças à solicitude do meu querido amigo Dr Vitor Faveiro, de Ansião - que já identificara Fazalamir com Soucide cerca dum quilometro a noroeste das ruínas de Façalamim e diziam as pessoas uma vez dirigindo-se a Rainha Santa Isabel para sul para Estremoz , para separar o pai e o filho preparados para enfrentar uma batalha ,e pelo facto de se encontrar extremamente cansada parou na margem da ribeira( a que hoje chamamos Nabão) mas a que o povo chama ribeira de Ansião, aonde refrescou os pés.De aí o considerar-se que as águas ficaram santas sobretudo para doenças da pele.» A Rainha Santa acredito tenha passado em Ansião na que chamamos estrada real, na centúria que viveu 200/300 ainda não existia a Ponte da Cal, este troço romano esteve desativado em abandono até pelo menos 1648, estando activo o troço vindo do Vale de Boi e outro das Lagoas descia às Lameiras onde hoje é o nó do IC 8 existiu um grande tanque de chafurdo com fontanário- Bica, seria suposto ter sido aqui na beira da estrada que alguma vez se apeou para se refrescar e jamais na margem do Nabão, sem quaisquer condições de acessibilidades, as carroças entravam ribeira adentro seca ou com pouca água.

Reflexão
O progresso de modernizar incorrectamente o que foi em 1937 edificado em património particular para no tempo se fidelizar público em contexto temático subjacente à lenda da Rainha Santa intrinsecamente ligada a Ansião cuja requalificação do prédio na divisão de heranças o veio a deixar enquadrado em nova arquitectura sem destoar, ainda o dignificando enquanto elemento historial de tantos olhares durante décadas a evocar na vaidade a contínua intenção e memória a Virgílio Rodrigues Valente, Ansião e alegadamente rivalizar com outro grande apaixonado na dupla evocar a lenda da Rainha Santa, o Dr Vitor Duarte Faveiro por essa altura melhorava a capelinha em Além da Ponte à sua custa .
Depois do mal feito o Sr. Presidente assumiu o erro na grande diferença em relação ao passado em tanto erro nunca ouvi falar que tenha algum Presidente  assumido em público culpa alguma perante a assembleia. Por isso é de valorizar a atitude de franqueza em reconhecer . 

Fontes
 Livro de 1986 do Padre José Eduardo Reis Coutinho
https://www.presenca.pt/files/editorials/Desafio_IsabelAragao2.pdf
http://poesia-avulsa.blogspot.com/2010/03/introspeccao-do-estar.html 

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