Segundo o Padre José Eduardo Reis Coutinho no seu Livro de 1986 "Outra obra que se deve à iniciativa do mesmo médico (Dr Domingos Botelho de Queiroz, e no sentido de responder a necessidades sanitárias da vila, foi a captação de águas numa mina no Carrascoso, da filtração natural das mesmas e da sua canalização para o depósito acastelado ao Cimo da Rua, de onde foram distribuídas para alguns fontanários, onde se podia ter água tratada e corrente."
O fontanário ao Fundo da Rua foi encastrado na fachada norte do prédio "Valente" a seguir ao portão de acesso do seu quintal. Viria a ser engrandecido com painel azulejar alusivo à Rainha Santa Isabel dando Esmola a um Ancião fechado com elegante moldura em pedra.
Virgílio Rodrigues Valente
Homem de negócio aberto com o seu Café era ainda fornecedor de todo o tipo de materiais para a câmara, tinha emigrado ao Brasil, de regresso veio a casar com a "Maria dos cacos" cujos pais exploravam uma pensão ao Fundo da Rua. Comprou um lote adoçado à pensão onde levantou um prédio em forma de L nascente/norte onde a fonte foi encastrada pela influência que teria na vila a escolha recaiu na sua parede por lhe ser favorável para abastecer a sua casa e pensão em prol de um marco fontanário mais central junto do Padrão, por isso o tenha imortalizado vaidosamente ao ter mandando executar o painel azulejar na Oficina em Coimbra em colaboração com a CMA em 1937, o pagante da factura que detém em arquivo.
O Padre José Eduardo Coutinho menciona no ponto 2.1.4.13, Cartaz Turístico na recolha de um testemunho com um familiar o induziu mal ao se referir que o painel azulejar era da família e não da câmara... Qualquer pessoa de bom senso entende o panorama que se vivia na altura com os interesses, ostentação e vaidade ...continua o Padre Coutinho « Sempre que um acontecimento marcante entra na memória pública, que interiormente o encarna e peremptoriamente o tipifica como seu,ele assume foros de imortalidade, porque aparece sempre carregado com um sentido particular que lhe é atribuído pelo significado que representa para quem o recebeu dos antepassados. O seu conteúdo torna-se sagrado, cristaliza na consciência e nunca desvanece em nada, pelo contrário, a sua lógica é factor explicativo de muitas situações e motivante de condicionantes em diversas formas exteriores.Para a vila de Ansião, e não só, esse conhecimento primodial tem por substrato conjunto a já referida lenda da Rainha Santa Isabel, circunstância que, em 1937, determinou Virgílio Rodrigues Valente (embora na parte superior do painel tenha C.M.A. 1937, é propriedade particular e pertença dos herdeiros de Virgílio Rodrigues Valente, e não da Câmara Municipal de Ansião, como à primeira vista parece). a encomendar um painel de azulejos representativo daquele "facto" medieval, referido pela legenda A Rainha Santa dando esmola a um ancião.Delimitado por cantarias, enquadra um dos mais antigos fontanários do município e situa-se no Fundo da Rua às portas da vila.»
O saudoso painel azulejar que se perdeu mote de tanta inspiração!
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Felizmente o fotografei na menção da Oficina de Coimbra de J.G.Porto & Irmão pelo pintor F Pereira 1937
O painel em evocação à Lenda da Rainha Santa dando Esmola a um Ancião
Em ditar a lenda da origem do nome da terra...Apenas e somente isso, uma lenda!
Depois do leite derramado a estória para virtuar no tempo as histórias deste painel!
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O que se ganhou com esta perda?
As redes sociais abriu olhos a muitos desconhecedores do que realmente é cultura patrimonial enquanto valia maior no dever em ser mantido e preservado para deixar de testemunho às gerações vindouras, e ainda forte reboliço da oposição ao aproveitar o erro crasso para brilhar, debalde ofuscada pelo histórico do seu passado e dos seus dirigentes igualmente sem qualquer prova real de substância melhor ...Antes alencar outras demais e graves perdas!
Ora aqui salvou-se a bela moldura em pedra!Afinal não se perdeu tudo!
O painel azulejar à Rainha Santa Isabel
Foi objecto de desafios, poesia, bordados, reproduções e,...
Desafio da Rainha lançado por Isabel Stilwell
Desafiou os seus leitores a partilhar uma fotografia ou fazer um pequeno vídeo de uma estátua, imagem ou quadro representando Isabel de Aragão, a protagonista do seu novo romance histórico.
Filipa Valente de Ansião
Excerto de https://www.presenca.pt/files/editorials/Desafio_IsabelAragao2.pdf
«Este painel de azulejo da Rainha Santa Isabel localiza-se em Ansião, num lugar conhecido como o “Fundo da Rua”. Foi encomendada por um senhor que aqui vivia, Virgílio Rodrigues Valente, em 1937. Retrata o momento em que, numa das inúmeras deslocações da rainha entre Leiria e Coimbra, ela dá a esmola ao ancião. É por isso que esta terra se chama Ansião.»


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