Último agosto em conversa no jardim do Ribeiro da Vide dois homens sentados num banco - um residente no Lar e outro vindo em visita à sua mãe ali residente, recordavam a família dos Andrés, do Pinheiro.

Família dos Marques André no Pinheiro
Família dos Marques André no Pinheiro
Fica por saber quando esta família se fixou no Pinheiro.Só encontrei este apelido em Almoster para se ter no tempo deslocado para norte para os lados do Pessegueiro e daqui para Ansião para casar com uma filha de apelido Reis da Ameixieira de onde daqui um ramo partiu para o Pinheiro e viveu na beira da estrada romana/medieval na entrada poente de Ansião. Família importante pelo poderio de terras com parentesco a Belchior dos Reis de Ansião, pai entre outros de Pascoal José de Mello Freire dos Reis.
Quanto à origem do nome e apelido - André
Trata-se de nome masculino com origem no grego Andreas, nome bíblico, mencionado no Novo Testamento como o primeiro discípulo de Jesus Cristo, e também era irmão de São Pedro. Por certo com ligação ao Convento do Lorvão, ao orago Santo André de Esgueira(?), teve a foro Almoster desde a margem norte da ribeira à imediação do Pessegueiro. Persistem hoje genes com indivíduos de alta silhueta, encorpados, claros e bonitos em indivíduos com este apelido .
Os primeiros povoadores na região vindos da Galiza, judeus, povo franco entre outros. Na centúria de 500 aportaram judeus vindos das Beiras que se espalharam por lugares do concelho de Ansião, pequenas comunidades no Vale Judeu em Santiago da Guarda, Escampado de Calados, Escampado da Costa, Lousal, Pinheiro, Sarzedela, Constantina e Almoster entre outras. Existiram famílias com genes gregos e italianos no Pinheiro, Constantina e Almoster. Também do litoral se encaminharam para o interior do Maciço de Sicó povos descendentes da colónia de mercadores fenícios que se instalou em Tavarede, e outros vindos da Galiza se fixaram em Buarcos para viver da pescaria. Plausível algumas famílias se encaminharam para o interior até chegar à nossa região, deixando testemunhos de moinhos de vento característicos desde a Gândara ao Maciço de Sicó, em formato irregular de madeira, rodam à força de um homem sobre eira de pedra, segundo a minha opinião também foram os introdutores da semente do pinhão para a plantar entre o Pinheiro, Constantina e Costa do Escampado, locais em Ansião onde hoje ainda se encontram as maiores manchas e num passado de mais de trezentos anos deu origem à Feira dos Pinhões na Constantina, onde aportavam vendedores das redondezas desde Condeixa, Soure e Tomar referenciados na Confraria de Nossa Senhora da Paz, com alugueres de terrado e de bancadas. Em Assamassa em Soure, a grande mancha de pinheiro manso evidencia a semente ter daqui sido levada na centúria de 800 dando origem ao Ramo de Pinhões ao Divino Espírito Santo, que ainda se mantém.
A toponímia devia fazer história para as gerações vindouras
O nome actual da rua - Pinheiras, já se encontra imortalizado no Lugar- Pinheiro
Urge a necessidade em dignificar o passado histórico que aqui existiu . O certo seria a alteração para o nome de João Marques André, em virtuar a sua família aqui se instalou e ele pelos filhos que teve no Pinheiro onde morou e faleceu
Quanto à origem do nome e apelido - André
Trata-se de nome masculino com origem no grego Andreas, nome bíblico, mencionado no Novo Testamento como o primeiro discípulo de Jesus Cristo, e também era irmão de São Pedro. Por certo com ligação ao Convento do Lorvão, ao orago Santo André de Esgueira(?), teve a foro Almoster desde a margem norte da ribeira à imediação do Pessegueiro. Persistem hoje genes com indivíduos de alta silhueta, encorpados, claros e bonitos em indivíduos com este apelido .
Os primeiros povoadores na região vindos da Galiza, judeus, povo franco entre outros. Na centúria de 500 aportaram judeus vindos das Beiras que se espalharam por lugares do concelho de Ansião, pequenas comunidades no Vale Judeu em Santiago da Guarda, Escampado de Calados, Escampado da Costa, Lousal, Pinheiro, Sarzedela, Constantina e Almoster entre outras. Existiram famílias com genes gregos e italianos no Pinheiro, Constantina e Almoster. Também do litoral se encaminharam para o interior do Maciço de Sicó povos descendentes da colónia de mercadores fenícios que se instalou em Tavarede, e outros vindos da Galiza se fixaram em Buarcos para viver da pescaria. Plausível algumas famílias se encaminharam para o interior até chegar à nossa região, deixando testemunhos de moinhos de vento característicos desde a Gândara ao Maciço de Sicó, em formato irregular de madeira, rodam à força de um homem sobre eira de pedra, segundo a minha opinião também foram os introdutores da semente do pinhão para a plantar entre o Pinheiro, Constantina e Costa do Escampado, locais em Ansião onde hoje ainda se encontram as maiores manchas e num passado de mais de trezentos anos deu origem à Feira dos Pinhões na Constantina, onde aportavam vendedores das redondezas desde Condeixa, Soure e Tomar referenciados na Confraria de Nossa Senhora da Paz, com alugueres de terrado e de bancadas. Em Assamassa em Soure, a grande mancha de pinheiro manso evidencia a semente ter daqui sido levada na centúria de 800 dando origem ao Ramo de Pinhões ao Divino Espírito Santo, que ainda se mantém.
O nome actual da rua - Pinheiras, já se encontra imortalizado no Lugar- Pinheiro
Urge a necessidade em dignificar o passado histórico que aqui existiu . O certo seria a alteração para o nome de João Marques André, em virtuar a sua família aqui se instalou e ele pelos filhos que teve no Pinheiro onde morou e faleceu
Sorte a dica do sacristão Sr João Dias
Cheguei ao local para de imediato distinguir num lintel a data de 1729 pelo tacto, porque os líquenes não permitem melhor visualizar. Seria da primeira casa da família dos Andrés quando aqui aportaram (?).Porque o muro que se perfilha na direita foi propriedade da família Marques André onde foi a casa dos avós da Ti Elvira, Virgínia e Zé Marques André que os vim a conhecer todos no Ribeiro da Vide.
Cheguei ao local para de imediato distinguir num lintel a data de 1729 pelo tacto, porque os líquenes não permitem melhor visualizar. Seria da primeira casa da família dos Andrés quando aqui aportaram (?).Porque o muro que se perfilha na direita foi propriedade da família Marques André onde foi a casa dos avós da Ti Elvira, Virgínia e Zé Marques André que os vim a conhecer todos no Ribeiro da Vide.
Porta da casa da família dos Andrés com data de 1729
No tardoz distingui portas para acesso ao terreno e entrada do átrio da nova casa.
A parede sul na correnteza da estrada romana apresenta-se com abertura, teria sido antes fechada? O que parece com as heranças foi aberta para na direita estarem lajes grandes...
Vista de sul da casa dos Andrés, no Pinheiro
Lamento a entrada em espaço privado, mas a história e os seus testemunhos obrigam a investigação antes que se percam as estórias que carregam que é dever de transmitir ás gerações vindouras!
Ao lado da entrada sul um tanque dando entrada para um átrio de ligação.
Nesta casa veio passar dias a sobrinha e afilhada da Ti Elvira, a D Elvira com casa no Ribeiro da Vide e Lisboa, a primeira a falar-me da casa, da sua grandiosidade, da sala no sobrado e da casa do forno...
Escadaria de pedra larga para o sobrado
No átrio de ligação
Não falta a pedra de buraco para se prenderem os animais, ao lado a casa do forno com o bocal em ruína, ao lado para sul corre um banco em pedra onde assentavam as masseiras.
O banco de pedra onde assentavam as masseiras
O forno por dentro
Saída da casa do forno para o átrio de entrada da casa
Tardoz do casario mais antigo a sul e de outros cómodos
Inertes de faiança coimbrã no terreno recentemente limpo
Vista da casa de nascente da nova estrada para o Vale de Boi onde veio a interceptar a estrada romana vinda de Vales
Vista da casa de norte
Não distingui janelas, apenas buracos minúsculos quadrados típicos de casario judaico
Casa de sobrado
Existe hoje a ruína de uma casa de sobrado dentro da propriedade que se limitava com a estrada romana a nascente, sem saber quem a mandou fazer.
A inicial família dos Andrés viveu na frente da estrada em casa baixa com lintel de 1729 . Os pais de José Marques André e João Marques André deviam viver na casa de sobrado, onde viveu ainda solteiro o João Marques André tendo vários filhos e mais tarde casou com a filha do irmão, a sua sobrinha Elvira Marques André.
Elvira Marques AndréA inicial família dos Andrés viveu na frente da estrada em casa baixa com lintel de 1729 . Os pais de José Marques André e João Marques André deviam viver na casa de sobrado, onde viveu ainda solteiro o João Marques André tendo vários filhos e mais tarde casou com a filha do irmão, a sua sobrinha Elvira Marques André.
A conheci já viúva e com idade a viver na casa que foi dos seus pais no Ribeiro da Vide, na companhia do seu irmão , solteiro o Ti Zé André. A sobrinha e afilhada da Ti Elvira, a Sra D Elvira André, confidenciou-me o que já sabia - a madrinha foi noiva de outro tio do Ribeirinho- José Marques dos Reis (parentesco com Belchior dos Reis) chegaram a ter as casas quase prontas no Bairro de Santo António em Ansião, ainda as conheci por acabar, segundo uma tradição familiar não gostou de uma atitude do futuro sogro que lhe ofereceu um copo de aguardente que recusou, para em acto irreflectido já entradote lho despeja no bolso do casaco, acto que não apreciou deixando de falar com a noiva uns 5 anos...Bem me lembro do Ti Zé Reis, velho, muito alto, seco de carnes e cariz reservado, nas vezes que vinha à sua grande propriedade defronte da casa dos meus pais, quinhão da Quinta do Bairro, que veio a deixar a outra sobrinha, a Ti Maria Marques dos Reis.
Casa atual da Sra D Emília André
O palco das casas para a sua tia Elvira Marques André casar com o tio Zé Reis do Ribeirinho
O cancelamento do noivado estiveram anos de portas e janelas entaipadas , ainda assim as conheci.
O palco das casas para a sua tia Elvira Marques André casar com o tio Zé Reis do Ribeirinho
O cancelamento do noivado estiveram anos de portas e janelas entaipadas , ainda assim as conheci.
A família dos Andrés é sabedora que os seus ascendentes de apelido Varzes viveram no Escampado de Calados e Belchior aqui aportados de Espanha, fugidos de guerras.O seu carisma de gente obstinada ao trabalho rural que ainda conheci bem vincado, o humanismo de proteger a família, o chamado amparo e ainda aos outros, bem me recordo nas peregrinações para Fátima, o Sr Zé André deixava sempre que ranchos de longe dormissem na casa da eira.Os casamentos obedeciam à regra da escolha de indivíduos da mesma descendência, só por ultimo houve cruzamentos com outras raças, sobretudo com árabes, ainda hoje se distinguem genes de cabelos encrespados, tez morena, olhar escuro e veia negocial. O conceito do casamento entre famílias da mesma raça tinha a finalidade da concentração da riqueza, por isso os laços com familiares directos , neste caso não aconteceu o casamento com o tio inicialmente acordado do lado materno, para vir a casar com outro tio, irmão do pai dela, então com 60 anos e ela metade, o João Marques André, do Pinheiro. Tio e sobrinha do casamento não tiveram descendência, preceito nas famílias judaicas jamais foi alvo de estudo, em muitas delas gente solteira e outros casados, sem descendência.
Os judeus aportados a Ansião eram letrados,os filhos dos mais abastados estudaram na Universidade e os outros em Seminários em Coimbra até abrirem os Seminários dos Jesuítas na Granja em Santiago da Guarda e o do Bispado de Coimbra no Couto de Torre de Vale de Todos. Após a extinção das Ordens Religiosas depois da Guerra liberal em 1834 e depois dos Morgadios surge a venda em haste pública das terras que foram adquiridas por quem tinha capacidade financeira e tenha sido uma das razões de terem tanta terra, com os filhos nas rédeas da agricultura; sementeiras e colheitas, perdendo-se a continuidade do ensino, para chegar alguns descendentes no século XX, sem ter frequentado a escola, e ainda houve noutras famílias progenitores perdidos em excessos de bebida, outros no jogo, perderam tudo - a fortuna e casa de família. Desvalorizou-se dar estudos aos filhos porque na realidade quem saiu para estudar raramente voltava à terra ficando as terras em abandono depois da morte dos progenitores e do primogénito, o herdeiro da terra, veio a ditar nesta família e noutras da época parentes analfabetos, somente o ganho e sábia mesca aos meandros obscuros em dar voltas à vida para sair vencedor nas contendas, um puro talento judaico.
Na oralidade João Marques André ainda solteiro teve filhos em mães diferentes
Depois de casado com a sobrinha, alegadamente tenha usado um estratagema de divórcio fictício com testamento para depois da sua morte deixar os bens somente à esposa, filha do seu irmão .
Quando João Marques André morre, os filhos dele de uma só mulher, contestaram uma acção à herança do pai em tribunal, contenda morosa de anos, resolvida ao que ouvi com acordo entre as partes. Os filhos vieram a herdar bens no Pinheiro com a casa de família e não sei outros que mais. A viúva Ti Elvira deixou a casa e foi morar para a casa dos pais ao Ribeiro da Vide, onde a conheci.Um desses filhos era a mãe da D Alda Gaspar . Recordo de ver na casa do Ribeiro da Vide grandes pias de pedra, uma até tinha incisa uma Cruz e talhas de extraordinária grandeza em cerâmica no tardoz da taberna do Ti Zé André, uma dessas talhas serviu de forno entulhada até ao meio a cozer a broa num carro alegórico do Bairro e Ribeiro da Vide, tinham vindo dessa casa do Pinheiro, o que se comentava.
A família dos Marques André no Pinheiro, em Ansião
Gente abastada com muita terra, abundância de vinho, azeite, cereais no Pinheiro, Sarzedela, Aljazede, Igreja Velha, Escampados, na que foi a Quinta do Bairro ao Ribeiro da Vide, com terra a perder de vista até ao ramal de Albarrol, etc...
Falava-se ainda que esta família tinha potes de libras de ouro enterrados...
Não há fumo sem fogo, o mito das libras teria vindo com a chegada de judeus a Ansião na centúria de 500, na minha opinião, onde também se diz apareceu uma panela de libras no Casal Galego, hoje Pinhal, numa casa de pedra que ainda conheci na beira da estrada real... Falava-se de outro tesouro enterrado na Lagoa do Castelo, ao Senhor do Bonfim, fora as moedas em ouro encontradas em sítios de estalagens e da estrada real que vieram a ser negociadas em Coimbra e a negociadores da terra à chucha calada...Recordo no Bairro de Santo António as moedas que encontrou o "António Trinta" e na Igreja Velha o "Mocho" deste se diz requalificou na altura a sua casa...O que me recordo de ver na casa dos Andrés ao Ribeiro da Vide num quarto sem janela a poente, pelo chão caixas brancas repletas de moedas pretas do tempo da Monarquia - Réis. Um dia destes ainda aparece um tesouro romano ou judeu para num virote Ansião ficar mundialmente conhecida!
Na oralidade João Marques André ainda solteiro teve filhos em mães diferentes
Depois de casado com a sobrinha, alegadamente tenha usado um estratagema de divórcio fictício com testamento para depois da sua morte deixar os bens somente à esposa, filha do seu irmão .
Quando João Marques André morre, os filhos dele de uma só mulher, contestaram uma acção à herança do pai em tribunal, contenda morosa de anos, resolvida ao que ouvi com acordo entre as partes. Os filhos vieram a herdar bens no Pinheiro com a casa de família e não sei outros que mais. A viúva Ti Elvira deixou a casa e foi morar para a casa dos pais ao Ribeiro da Vide, onde a conheci.Um desses filhos era a mãe da D Alda Gaspar . Recordo de ver na casa do Ribeiro da Vide grandes pias de pedra, uma até tinha incisa uma Cruz e talhas de extraordinária grandeza em cerâmica no tardoz da taberna do Ti Zé André, uma dessas talhas serviu de forno entulhada até ao meio a cozer a broa num carro alegórico do Bairro e Ribeiro da Vide, tinham vindo dessa casa do Pinheiro, o que se comentava.
Vista de sul da casa dos Andrés, no Pinheiro
Lamento a entrada em espaço privado, mas a história e os seus testemunhos obrigam a investigação antes que se percam as estórias que carregam que é dever de transmitir ás gerações vindouras!
Ao lado da entrada sul um tanque dando entrada para um átrio de ligação.
Nesta casa veio passar dias a sobrinha e afilhada da Ti Elvira, a D Elvira com casa no Ribeiro da Vide e Lisboa, a primeira a falar-me da casa, da sua grandiosidade, da sala no sobrado e da casa do forno...
No sobrado havia uma grande sala e quartos
Casa de sobrado com patamar e varandim Escadaria de pedra larga para o sobrado
No átrio de ligação
Não falta a pedra de buraco para se prenderem os animais, ao lado a casa do forno com o bocal em ruína, ao lado para sul corre um banco em pedra onde assentavam as masseiras.
O banco de pedra onde assentavam as masseiras
Saída da casa do forno para o átrio de entrada da casa
Tardoz do casario mais antigo a sul e de outros cómodos
Inertes de faiança coimbrã no terreno recentemente limpo
Vista da casa de nascente da nova estrada para o Vale de Boi onde veio a interceptar a estrada romana vinda de Vales
Vista da casa de norte
Não distingui janelas, apenas buracos minúsculos quadrados típicos de casario judaico
Da Grécia predomina outra característica na região na arquitectura que identifico nos muros de pedra seca e casario com paredes cegas com filas de buracos quadrados minúsculos nas paredes.
Outro exemplo dos buracos quadrados nas paredes cegas
Sem se saber a razão - colocação de barrotes ?Serviam para fazer sotãos ou para acrescentar o casario, como hoje se utilizam os andaimes?
O meu batizado em agosto de 1957Da esquerda para a direita o Sr Zé Marques André, o meu avô Zé do Bairro, José Rodrigues Valente, o padre Dr António Freire de Lisboinha, primo direito da minha mãe, que me batizou, o meu pai Fernando Rodrigues Valente, a criada do Alvorge comigo ao colo, a minha mãe Ricardina Ferreira Afonso e a minha avó paterna Piedade da Cruz
José Marques André
Casou com uma mulher de Aljazede e foram morar na antiga estalagem da Ti Maria da Torre no Bairro, ele era Oficial no Tribunal. Pese a família dele ter bens no Ribeiro da Vide havia algum empecilho que os veio a demover até a sua mulher por achar o aluguer caro pesar na decisão de ele conversar com a família para usar a casa herdada por parte dos Reis ao Largo do baldio do Ribeiro da Vide, que já não existe, uma típica casa tradicional judaica, sem janelas a poente, apenas com buracos quadrados minúsculos, na frente para o largo nascia um balcão telhado com varanda de sacada de janelas ao jus de casa de fresco, ao lado uma porta dava para a casa de dentro com quartos e uma sala virada a nascente com janela de avental e bancos namoradeiros onde tinham no meu tempo vasos com avencas. O acesso à cozinha fazia-se por outra grande escada em pedra com ligação por um corredor a norte com a casa. Por baixo do balcão uma porta pequena de acesso à cave.
Depois de muito reflectir teria sido com muita certeza esta a casa onde viveu Belchior dos Reis, onde vieram a nascer os seus filhos, e não na casa da Quinta do Bairro, também herança dos Andrés, mas antes na centúria de 600 foi de familiares do ramo "Freire" por parte da mulher de Belchior dos Reis, Faustina Freire de Mello. «Belchior dos Reis veio a participar como oficial nas Guerras da Sucessão de Espanha em 1704 , cuja guerra terminou em 1714. Casou em 1717 com Faustina Freire de Melo, tornando-se proprietário da sua Quinta do Bairro, construindo casa ao Largo do Ribeiro da Vide, onde nasceram os seus filhos.»Aqui reside um busílis se naquele tempo e é provável, a Quinta do Bairro nascesse mais a norte do baldio do Ribeiro da Vide e não a sul , na verdade é coisa pouca.
Existiu a casa que falei na beira do baldio a norte e outra que ainda existe a metros para sul junto da eira que ainda é da família. A então quinta do Bairro na centúria de 600 seria de João Freire, o que veio a instituir a capela de Santo António em 1603, mais tarde abriu na quinta uma nova variante do Largo do Bairro para a vila por volta de 1647 que a capela foi construída virada para nascente para a quinta, no promontório que ficou da expropriação, cuja porta ainda existe onde estão muitas sepulturas numeradas desta família Freire. As heranças no tempo se diluíram para em 1717 Belchior dos Reis ter adquirido a Quinta do Bairro a familiares da esposa do ramo Freire.E por isso ainda hoje seus descendentes com chão no que foi o palco dessa quinta do Bairro.Agora a casa onde teria vivido Belchior dos Reis?Numa ou noutra - as duas eram da mesma família, ambas ao limite a norte e outra a sul do Largo do baldio do Ribeiro da Vide, portanto difícil dizer, numa das duas foi!
A casa dos Andrés ao Ribeiro da Vide
Assisti a um filme de slides de África passado pelos irmãos Borracheiros, antes trabalhadores na faina agrícola da casa, cuja amizade depois de regressados quiseram partilhar os ambientes do Ultramar que viveram , onde também estive presente com a minha irmã.
Não esqueço o carinho da Ti Virgínia, sem filhos via em mim e noutros os filhos que gostaria de ter tido, o mesmo com a Ti Elvira e o Ti Zé André, deste também e falava o pai não o deixou casar com a rapariga pela qual se tinha apaixonado, por ser pobre, e assim ficou solteiro e desgostoso...
Dos quatro irmãos, só o que falta e lamento não saber o nome, nem o conheci, morreu cedo julgo atropelado ao Fundo da Rua, casou em Albarrol, a sua mulher bem me lembro dela cujos filhos e são alguns os herdeiros de José Marques André e dos três filhos sem descendência, de todos eles houve sempre um grande relacionamento de amizade com a minha família paterna. O meu bisavô Elias da Cruz veio a comprar uma propriedade que foi dele no Pinheiro. Os três manos Marques André do Ribeiro da Vide deixaram-me francas e boas recordações, passei horas a falar com todos eles, sobretudo a Ti Virgínia, mal sabia eu ou podia desconfiar das histórias da família...O Sr Zé André financiou o empréstimo de 500$00 para custear despesas do meu nascimento em Coimbra, os meus pais tinham casado há 2 meses, o meu fazia a casa, estreada, sem estar pronta, no dia do meu batizado.
Rua das Pinheiras
Descobri ainda a curiosa calçada com símbolos que não conheço em mais lado nenhum em Ansião.
Ansião, terra de calceteiros com o 1º conhecido António Pataca, morador no Bairro de Santo António quem ensinou a arte ao Manuel Murtinho nascido no mesmo lugar.
Segundo o Rui Portela a obra criativa de calceteiro foi do Joaquim , morador na quinta, seria um dos filhos de João André que viveu no seu quinhão da quinta (?).
Óbvio que os símbolos são actuais, indubitavelmente reflectem para mim o longínquo passado que as gentes transportam, o que instiga a sua leitura em mais se deslindar desta gente aportada ao Pinheiro.
Cruz de Cristo




FONTES
Testemunho da D Elvira André , João Dias e Rui Portela
Testemunho da D Elvira André , João Dias e Rui Portela

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