Não sei como era feito o primitivo pão de rolão feito com mistura de cereais - trigo e centeio amassado com água morna, sal e o crescente - massa de pão da cozedura de pão ou de broa que passava de mão em mão na vizinhança entregue a massa em taça e assim sucessivamente o fermento caseiro de massa azeda passava de mão em mão em várias vizinhas na combinação do dia da cozedura do seu pão ou broa.Ainda vi este ritual no Bairro de Santo António com a minha tia Maria de taça do crescente na mão no adro a caminho da casa da Ti Maria do Raul.
Taça do crescente

A massa leva o fermento até se despegar das mãos para depois de amassado se cobre -se com um pouco de farinha, faz-se uma cruz com a mão ao alto e entoa-se a reza "São Vicente te acrescente, Santa Inês te dê boa vez. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo", Pai-Nosso ou uma Ave-maria por fim tapa-se com o pano branco, abafada fica a levedar, até dobrar de volume.
Massa levedada
Taça do crescente

A massa leva o fermento até se despegar das mãos para depois de amassado se cobre -se com um pouco de farinha, faz-se uma cruz com a mão ao alto e entoa-se a reza "São Vicente te acrescente, Santa Inês te dê boa vez. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo", Pai-Nosso ou uma Ave-maria por fim tapa-se com o pano branco, abafada fica a levedar, até dobrar de volume.
Massa levedada
Pão a levedar antes de entrar no forno


O momento do ponto da levedura é dado pela farinha a desprender-se da cruz que deve dobrar de volume para tender os pães ou bolinhas dispostas no pano branco do tabuleiro enfarinhado que se levanta sempre um bocadinho para não pegarem umas às outras. O forno tem de estar quente, mais de uma hora a arder com fartura de ramos de carvalho, oliveira, urze e carrascos, o sinal é dado com a cúpula esbranquiçada hora de roldão na mão a puxar o brasido para a boca do forno onde fica - se for caso limpa-se o terreiro com o rolão de panos.Pronta a pá na mão para enformar o lastro de pães sempre do fundo para a boca do forno. Fornada cozida em menos de uma hora sem lugar à poia a jorna de uma broa ao forneiro de serviço que se dava em muita terra. Grande era a vontade de comer o pão acabadinho de cozer, tantas vezes trincado e logo cuspido, por certo a queimadura na boca, apesar dos avisos que comer pão quente faz mal, agarra-se ao esófago. O forneiro quando tira o pão tem o preceito de o bater por baixo com a mão, ao sinal de leveza, sinal de cozidinho. No meu tempo de criança em casa dos meus pais a nossa pá foi adaptada pelo nosso pai de uma gasta que tinha sido da sua mãe Piedade e as demais alfaias como um alguidar, tabuleiro de madeira e o pano de estoupa branco. Atrás da casa o meu pai construiu um pequeno forno com o barro branco saído do buraco para se fazer o poço no quintal e telhos mouriscos dum barracão desabado, o telheiro do fornito era de estrutura fraca - a ciência de cúpulas, demorou a dar certo no Mosteiro de Aljubarrota e o nosso pai afinal, tinha-se ficado pela matrícula no curso em Coimbra, assim o nosso fornito foi sol de pouca dura!
Em Ansião a arte de cozer pão começou na Vintena da Cabeça do Bairro
Provavelmente na família dos pais da minha trisavó Ana da Purificação das Dores , natural de Maças de D Maria, dita que o pai tinha uma função importante na Cabeça do Bairro e era de Maças. Casou com António Joaquim de Bastos Guimarães. Um dos seus filhos deixou escrito que o pai tinha sido exposto na Roda de Guimarães, aportando a Ansião para trabalhar no Tribunal da Vintena - recente descoberta. Na minha investigação só vejo duas hipóteses , sendo à prior um filho bastardo que não foi assumido porque o pai seria casado, mas não o descuidou na educação, pagando estudos pese o ter posto na Roda - 1ª o pai seria de apelido Pimentel de Maças de D Maria com ligação ao norte onde o deixou na Roda de Guimarães para lhe dar este apelido a 2ª mais provável ou não se prenda com alguém de Guimarães que vinha às feiras francas da Constantina, pelo menos o nome de dois estão mencionados nos manuscritos da Confraria, vinham vender peles curtidas para se fazer calçada na centúria de 800, um deles teria numa mulher de Ansião o seu filho, homem, que quis proteger e o levou para a sua terra- Guimarães, o pondo na Roda dos expostos mas salvaguardado no pagamento de estudos, uma vez feito homem para aprender um oficio, como tinha estudos o pai lhe tenha dito a sua origem decidindo partir onde veio trabalhar- o que me parece plausível afirmar. Na verdade teria dinheiro com que adquiriu muita propriedade de chão que foi do Mosteiro em haste pública para ter chegado dividida por tantos filhos, inclusive o meu bisavô.
Em finais de 800 aporta vindo de Tornado- Almoster - Manuel Cruz, ferrador que se casa com uma filha dele - Adelina Augusta, vai continuar a arte de cozer pão. Instalaram-se no tardoz do que foi a casa da Roda na Cabeça do Bairro.No actual barracão da Mavilde ainda existe a masseira do pão.
A receita das suas broas de azeite com mel

O momento do ponto da levedura é dado pela farinha a desprender-se da cruz que deve dobrar de volume para tender os pães ou bolinhas dispostas no pano branco do tabuleiro enfarinhado que se levanta sempre um bocadinho para não pegarem umas às outras. O forno tem de estar quente, mais de uma hora a arder com fartura de ramos de carvalho, oliveira, urze e carrascos, o sinal é dado com a cúpula esbranquiçada hora de roldão na mão a puxar o brasido para a boca do forno onde fica - se for caso limpa-se o terreiro com o rolão de panos.Pronta a pá na mão para enformar o lastro de pães sempre do fundo para a boca do forno. Fornada cozida em menos de uma hora sem lugar à poia a jorna de uma broa ao forneiro de serviço que se dava em muita terra. Grande era a vontade de comer o pão acabadinho de cozer, tantas vezes trincado e logo cuspido, por certo a queimadura na boca, apesar dos avisos que comer pão quente faz mal, agarra-se ao esófago. O forneiro quando tira o pão tem o preceito de o bater por baixo com a mão, ao sinal de leveza, sinal de cozidinho. No meu tempo de criança em casa dos meus pais a nossa pá foi adaptada pelo nosso pai de uma gasta que tinha sido da sua mãe Piedade e as demais alfaias como um alguidar, tabuleiro de madeira e o pano de estoupa branco. Atrás da casa o meu pai construiu um pequeno forno com o barro branco saído do buraco para se fazer o poço no quintal e telhos mouriscos dum barracão desabado, o telheiro do fornito era de estrutura fraca - a ciência de cúpulas, demorou a dar certo no Mosteiro de Aljubarrota e o nosso pai afinal, tinha-se ficado pela matrícula no curso em Coimbra, assim o nosso fornito foi sol de pouca dura!
Em Ansião a arte de cozer pão começou na Vintena da Cabeça do Bairro
Provavelmente na família dos pais da minha trisavó Ana da Purificação das Dores , natural de Maças de D Maria, dita que o pai tinha uma função importante na Cabeça do Bairro e era de Maças. Casou com António Joaquim de Bastos Guimarães. Um dos seus filhos deixou escrito que o pai tinha sido exposto na Roda de Guimarães, aportando a Ansião para trabalhar no Tribunal da Vintena - recente descoberta. Na minha investigação só vejo duas hipóteses , sendo à prior um filho bastardo que não foi assumido porque o pai seria casado, mas não o descuidou na educação, pagando estudos pese o ter posto na Roda - 1ª o pai seria de apelido Pimentel de Maças de D Maria com ligação ao norte onde o deixou na Roda de Guimarães para lhe dar este apelido a 2ª mais provável ou não se prenda com alguém de Guimarães que vinha às feiras francas da Constantina, pelo menos o nome de dois estão mencionados nos manuscritos da Confraria, vinham vender peles curtidas para se fazer calçada na centúria de 800, um deles teria numa mulher de Ansião o seu filho, homem, que quis proteger e o levou para a sua terra- Guimarães, o pondo na Roda dos expostos mas salvaguardado no pagamento de estudos, uma vez feito homem para aprender um oficio, como tinha estudos o pai lhe tenha dito a sua origem decidindo partir onde veio trabalhar- o que me parece plausível afirmar. Na verdade teria dinheiro com que adquiriu muita propriedade de chão que foi do Mosteiro em haste pública para ter chegado dividida por tantos filhos, inclusive o meu bisavô.
Em finais de 800 aporta vindo de Tornado- Almoster - Manuel Cruz, ferrador que se casa com uma filha dele - Adelina Augusta, vai continuar a arte de cozer pão. Instalaram-se no tardoz do que foi a casa da Roda na Cabeça do Bairro.No actual barracão da Mavilde ainda existe a masseira do pão.
Manuel Cruz tinha a oficina de ferrador onde hoje é a casa da Mavilde, com frente para a estrada real. A mulher era conhecida por Ti Maria Zé da Adelina.
Pais
Do meu bisavô Elias da Cruz
Pai dos Murtinhos (Abílio, Manuel e Conceição)
Do marido da Ti Maria (Moreira) apelido do 2º marido (Julgo tiveram dois filhos, o "Cara" e uma irmã)
Maria José, viveu no gaveto da propriedade do Alto, a sul com o caminho para a Fonte da Costa, teve 3 filhos, o "Zé carates", e os outros vivem no Brasil.
José, conhecido por Zé Ferrador, viveu em Além da Ponte.Este sem a certeza dos seus filhos - a Conceição Capelo, casou com o Terceiro e foram pais da Isaura Terceiro, pelo laço familiar.E o Zito Coutinho, o pai era ferrador e a mãe devia ser filha também. A Beatriz e,...
A arte de cozer pão foi continuada pelo meu bisavô Elias Cruz no Alto, ao Vale Mosteiro
Depois de casado foi viver numa grande casa, pelo tardoz fechava num pátio com telheiro corrido a poente, cavalariças com colunas redondas, casa do azeite, onde antes se guardavam outros viveres, eira e poço - para mim foi antes uma estalagem. Montou uma padaria de gaveto com o portão seguida da casa para sul. O negócio familiar foi continuado pelas filhas - a minha avó Piedade da Cruz, a Ti Luz do Canhoto do Carvalhal, a Ti Amélia Cruz , Beatriz e Conceição, em Além da Ponte.
Ao tempo da minha avó Piedade da Cruz era obrigatório alvará e o boletim de sanidade.
Tempo que se fazia bom pão artesanal no negócio familiar de gerações: avós, pais, irmão, tios e primos do meu pai.
Na boca da minha avó Piedade "Qualquer coisa se pode pôr entalar na massa, chouriça, bacalhau, sardinha até açúcar"… Pais
Do meu bisavô Elias da Cruz
Pai dos Murtinhos (Abílio, Manuel e Conceição)
Do marido da Ti Maria (Moreira) apelido do 2º marido (Julgo tiveram dois filhos, o "Cara" e uma irmã)
Maria José, viveu no gaveto da propriedade do Alto, a sul com o caminho para a Fonte da Costa, teve 3 filhos, o "Zé carates", e os outros vivem no Brasil.
José, conhecido por Zé Ferrador, viveu em Além da Ponte.Este sem a certeza dos seus filhos - a Conceição Capelo, casou com o Terceiro e foram pais da Isaura Terceiro, pelo laço familiar.E o Zito Coutinho, o pai era ferrador e a mãe devia ser filha também. A Beatriz e,...
A arte de cozer pão foi continuada pelo meu bisavô Elias Cruz no Alto, ao Vale Mosteiro
Depois de casado foi viver numa grande casa, pelo tardoz fechava num pátio com telheiro corrido a poente, cavalariças com colunas redondas, casa do azeite, onde antes se guardavam outros viveres, eira e poço - para mim foi antes uma estalagem. Montou uma padaria de gaveto com o portão seguida da casa para sul. O negócio familiar foi continuado pelas filhas - a minha avó Piedade da Cruz, a Ti Luz do Canhoto do Carvalhal, a Ti Amélia Cruz , Beatriz e Conceição, em Além da Ponte.
Ao tempo da minha avó Piedade da Cruz era obrigatório alvará e o boletim de sanidade.
Tempo que se fazia bom pão artesanal no negócio familiar de gerações: avós, pais, irmão, tios e primos do meu pai.
A receita das suas broas de azeite com mel
Ingredientes: 0,5l de água + 0,25 l de mel+ 0,25 l de azeite+ 125 g de açúcar amarelo +0,5 kg de farinha de trigo + 50 g de erva-doce + 1/2 c de chá + de sal + 1/2 c de chá de canela em pó + 1 c de sopa de nozes ou pinhões (tal a fartura da casa nestes ingredientes) + raspa de limão.
Preparação: Num tacho deita-se: água, mel, açúcar, erva-doce, canela, sal e nozes ou pinhões. Leva-se ao lume e deixa-se ferver durante 15 minutos. Retira-se, junta-se a farinha e vai novamente a ferver, mexendo-se sempre, até que a massa despegue do fundo do tacho. Deixa-se a massa repousar até arrefecer. Tendem-se broinhas longitudinais num tabuleiro, golpeiam-se com uma faca à superfície, podem ser pinceladas com um ovo batido, vão a cozer no forno quente em tabuleiro untado de azeite ou manteiga até que fiquem de cor dourada e fofas por dentro. A avó dizia que não se deviam deixar cozer muito, ficavam nos dias seguintes muito rijas, calhaus no dizer dela...
Receita das merendeiras dos Santos
Ingredientes: um quilo de farinha, outro de açúcar, meio quilo de puré de batata, outro de nozes igual de passas, canela, erva-doce, oito ovos, uma colher de sopa de aguardente e fermento. No alguidar amassa-se a farinha, açúcar, puré de batata e os ovos, tudo bem misturado. No fim juntam-se: miolo das nozes, passas de uva, erva-doce e algumas gotas de aguardente. Tendem-se redondas, levam-se a cozer no forno de lenha, nunca mais de trinta minutos para não ficarem muito secas.Receita das merendeiras dos Santos
As minhas
Bom pão, o dito fino chamado Coroa - tinha o preceito de se pôr em cima uma folha de couve para não queimar o olho repenicado cortado em quatro a tesourada que levava a massa, era fofo, branco, macio, uma maravilha...Carcaça grande e pequena, papos-secos com maminhas, e pão de mistura, grande e pequeno de 17 tostões. Debalde sem foto... Bom foi o Pão coroa e o Pão de Ló, de Ansião noutros tempos…
Outras padarias
Com a abertura da Rua Dr Domingos Botelho de Queiroz no principio do século XX cortou uma propriedade de família onde também se cozia pão na casa da Maria do Carmo Lopes, por detrás da minha casa, tanto pão vendeu no tempo da guerra com o racionamento, a minha mãe a estudar em Ansião esperava em fila com o livrinho das senhas, continuou o negócio a filha Piedade Lopes com uma nova padaria construída na parte de baixo da estrada.
Com a abertura da Rua Dr Domingos Botelho de Queiroz no principio do século XX cortou uma propriedade de família onde também se cozia pão na casa da Maria do Carmo Lopes, por detrás da minha casa, tanto pão vendeu no tempo da guerra com o racionamento, a minha mãe a estudar em Ansião esperava em fila com o livrinho das senhas, continuou o negócio a filha Piedade Lopes com uma nova padaria construída na parte de baixo da estrada.
A Padaria da minha avó Piedade, com o mesmo nome da prima era de paredes meias logo duas padarias na frontaria da estrada.
A padaria das Porteladas não seria da família, assim o julgo...
Julgo não houve mais …Havia gente que cozia o pão e o vendia ao sábado e domingo em tabernas com sardinha assada- Taberna do Ti Ruivo na vila, Dorinda entre outras.
Julgo não houve mais …Havia gente que cozia o pão e o vendia ao sábado e domingo em tabernas com sardinha assada- Taberna do Ti Ruivo na vila, Dorinda entre outras.
A padaria da minha avó Piedade
De todas as padarias a mais emblemática para mim, a da minha avó Piedade da Cruz padeira de papel passado, diplomada. Aqui parava a cada dia a caminho da escola para dar os bons dias aos avós, certo e sabido ser enxovalhada pelo avô "Zé do Bairro" para não adormecer enquanto o pão cozia, se entretinha a ler os livros do meu pai e pela manhã delirante gostava de testar conhecimentos adquiridos comigo, mas esquecia-se que eu ainda andava na primária, sendo que lia livros do 5 e 7º ano de história e geografia...Pois era matéria que ainda não abonava, recordo de o ouvir por entre dentes a balbuciar amofinado " o teu pai era melhor de cabeça..."Recordo em miúda as obras de remodelação da padaria velha, que lhe fizeram um reforço de placa metendo tijolos de vidro para dar claridade, de um forno passou a dois, ainda a construção da nova chaminé, vestiário e casas de banho. A água era tirada a pulso com a barrica de madeira pesada do poço que ficava ao endireito da segunda porta, ao lado havia uma pia em laje vermelha (barro).Grande era naquele tempo o tráfego de homens e mulheres naquela casa no vaivém dos rituais fosse na padaria, a cada dia ao fim da tarde pelas cinco, até ao meio dia, quando a venda estivesse acabada e em trabalhos nas propriedades, e ainda apanhar carrascos para os fornos que se acendiam os fornos com tábuas sobrantes da serração.
Na padaria a cada dia abriam-se as guitas dos sacos de farinha que se despejavam na amassadeira, uma rodada de mão certa de sal, água quente que vinha da panela de ferro na beira do lume depois era ver gente debruçada de braços nus enfiados na amassadeira de madeira onde amassavam a massa até ficar elástica, enquanto o forneiro acendia os fornos, os via arder em labaredas brutais e estridentes com os carrascos com bolotas da Costa da Fonte, e pelo meio aparas de pinho ...A fachada da padaria tinha apenas duas portas para a frente, uma atulhada de pilhas de sacos de farinha até ao teto e outros sacos de sal e ainda barras de fermento holandês, no outro quarto de paredes meias era onde se atendia a freguesia e se vendia o pão, com balcão e balança de ferro azul com pratos em latão.As fardas e boinas dos padeiros eram de algodão brancas, as bicicletas eram armadas de cestos de verga debruados a panos iguais às fatiotas e se fechavam em rodada com fitas de nastro que se compravam nas manas Lucrécias. A venda era feita por mulheres com cestas de pão à cabeça - a Ti Angelina de Albarrol, do Cimo da Rua ou as filhas do "Pau preto" trabalhadoras diárias da lida das fazendas, da casa e da padaria.Via chegar da fazenda cestas abarrotar de folhas de couve crespa e galegas para cobrir os bolos de noiva e o pão de coroa , para não se crestarem, ficarem só coradinhas e estaladiças.No corpo da padaria havia filas de tabuleiros de madeira enfarinhados, pás de encosto nas paredes de tijolo burro dos fornos de portas em ferro, com ferrolhos que faziam barulho a abrir, roldões de trapos para limpar o lastro da fornalha, vassouras de urse grandes para barrer o chão e latas para aparar cinzas...A padaria deixou de laborar por morte do meu tio Chico, seguida da minha avó Piedade. Ainda foi alugada ao Sr Rocha do Avelar que ao meter dois aprendizes sem tutor, claro deu em frosques...Tantas vezes assisti ao trabalho árduo de fazer o bom pão de Ansião de outros tempos!
A padaria da D. Piedade Lopes
Laborou durante anos sob a sua orientação. Recordo depois de se retirar que a alugou, no dia a dia a via entrar portas dentro, escolhia o seu pão diretamente no tabuleiro, já o filho Necas de vozeirão, chegava-se e o pedia ao balcão, ao sábado o prazer de ouvir a conversa solta da Ti Maria e Albarrol, mãe do Fernando Freire, mulher despachada de passo rápido e conversa certeira, a "São do Mocho" essa ia à procura das sobras de véspera, levava um saco de papel da farinha cheio para engordar as galinhas, ao passar por mim dizia "então cachopa estás por cá?" a paixão que tinha pelas netas, sempre em alto patamar, já do neto não tinha a mesma satisfação por não ter queda para os estudos. Pena no coração a que sinto de a não voltar a ver -, sei que foi internada num lar fora de portas!
Lembranças do tempo do último inquilino
Isaura dos Empiados e o Júlio Godinho do Casal.
Um costume pelos Santos, Natal e Páscoa, reunir-se aqui uma meia dúzia de mulheres para fazerem bolos. Portas dentro, acotovelavam-se tabuleiros de madeira para os tender, na bancada grandes alguidares, cestas de ovos e formas de lata escuras de tanto irem ao forno cozer o Pão-de-ló, ou bolinhos de Todos os Santos, tendidos à mão. Há coisa de 6 anos, o tempo passa a correr, por altura dos "Santos" estive nesta padaria em alegre cavaqueira com a Amélia Serra, cachopa de 60 anos a todos deixou consternados a notícia da sua morte, boa mulher muito trabalhadora, aquela ganhou o Céu e merecia melhor sorte no dizer dos demais e no meu também, a visitei quando nasceu a filha, vivia então ainda numa casa alugada. Quem também estava na azáfama de bater os ovos, a Emília da Sarzedela, na altura vivia num apartamento na rua, a Ausenda do Mouco e outras mulheres do Casal. Daqui saíram bons e ricos assados de cabrito, galo, ou borrego nas assadeiras de barro que aos poucos se foram substituindo pelas de inox para não deixar rasto de gordura no lastro dos fornos, tanta gente aproveitou a quentura para os fazer à borla, a minha vizinha da frente a Emília do Porfírio, a Helena do Alexandre, eu, e outras que vi chegar, as manas Matias da rua do cemitério de carro com tabuleiros logo pela manhã de domingo, a minha Titi que vi sair bem vestida de assado nas mãos em vésperas do tour até França que havia de vitimar a sua querida filha e marido...Tantas vezes vi os assados saírem tostadinhos e de cheiro "arremedar leitão fingido". Incontestável a afabilidade da padeira Isaura, nessas alturas tanto subia e descia a escadaria da sua casa para olhar pela assadura, até chegar uma cavaca de sobro na fornalha para o calor não abrandar, o marido Júlio, um "paz de alma" com os copitos falava demais, fazia e dizia disparates -, boas as lesmas gordas para bons dentes que a Isaura fazia como ninguém.Grande o vaivém de gente a comprar pão, broa, bolo de noivos, lesmas...
Laborou durante anos sob a sua orientação. Recordo depois de se retirar que a alugou, no dia a dia a via entrar portas dentro, escolhia o seu pão diretamente no tabuleiro, já o filho Necas de vozeirão, chegava-se e o pedia ao balcão, ao sábado o prazer de ouvir a conversa solta da Ti Maria e Albarrol, mãe do Fernando Freire, mulher despachada de passo rápido e conversa certeira, a "São do Mocho" essa ia à procura das sobras de véspera, levava um saco de papel da farinha cheio para engordar as galinhas, ao passar por mim dizia "então cachopa estás por cá?" a paixão que tinha pelas netas, sempre em alto patamar, já do neto não tinha a mesma satisfação por não ter queda para os estudos. Pena no coração a que sinto de a não voltar a ver -, sei que foi internada num lar fora de portas!
Lembranças do tempo do último inquilino
Isaura dos Empiados e o Júlio Godinho do Casal.
Um costume pelos Santos, Natal e Páscoa, reunir-se aqui uma meia dúzia de mulheres para fazerem bolos. Portas dentro, acotovelavam-se tabuleiros de madeira para os tender, na bancada grandes alguidares, cestas de ovos e formas de lata escuras de tanto irem ao forno cozer o Pão-de-ló, ou bolinhos de Todos os Santos, tendidos à mão. Há coisa de 6 anos, o tempo passa a correr, por altura dos "Santos" estive nesta padaria em alegre cavaqueira com a Amélia Serra, cachopa de 60 anos a todos deixou consternados a notícia da sua morte, boa mulher muito trabalhadora, aquela ganhou o Céu e merecia melhor sorte no dizer dos demais e no meu também, a visitei quando nasceu a filha, vivia então ainda numa casa alugada. Quem também estava na azáfama de bater os ovos, a Emília da Sarzedela, na altura vivia num apartamento na rua, a Ausenda do Mouco e outras mulheres do Casal. Daqui saíram bons e ricos assados de cabrito, galo, ou borrego nas assadeiras de barro que aos poucos se foram substituindo pelas de inox para não deixar rasto de gordura no lastro dos fornos, tanta gente aproveitou a quentura para os fazer à borla, a minha vizinha da frente a Emília do Porfírio, a Helena do Alexandre, eu, e outras que vi chegar, as manas Matias da rua do cemitério de carro com tabuleiros logo pela manhã de domingo, a minha Titi que vi sair bem vestida de assado nas mãos em vésperas do tour até França que havia de vitimar a sua querida filha e marido...Tantas vezes vi os assados saírem tostadinhos e de cheiro "arremedar leitão fingido". Incontestável a afabilidade da padeira Isaura, nessas alturas tanto subia e descia a escadaria da sua casa para olhar pela assadura, até chegar uma cavaca de sobro na fornalha para o calor não abrandar, o marido Júlio, um "paz de alma" com os copitos falava demais, fazia e dizia disparates -, boas as lesmas gordas para bons dentes que a Isaura fazia como ninguém.Grande o vaivém de gente a comprar pão, broa, bolo de noivos, lesmas...
Pão de Ló
Adorava, ainda adoro comer ferraduras penduradas em andores de fogaças em Pousaflores e Dornes.
Boas eram as Cavacas da Ti Matilde do Cimo da Rua, tão bem as sabia fazer e Pão-de-ló que qualquer boa doceira sabe fazer em terras de Ansião. No galinheiro da minha casa o ninho era e ainda continua de palha, raro o dia que as galinhas não o enchessem de ovos de gema amarelinha para as gemadas com açúcar amarelo.O melhor Pão-de-ló, esplêndido, húmido a fazer inveja à alta confeitaria das mãos da minha mãe saem altos e húmidos.

Também baixos tipo Ovar, com creme por dentro, uma loucura de fofos, os da
minha comadre Odete que imitei!

A imitar as Fatias de Resende
Também baixos tipo Ovar, com creme por dentro, uma loucura de fofos, os da
minha comadre Odete que imitei!
A imitar as Fatias de Resende
Cavacas
Bolos de noiva

Lesmas
Sinto falta do buliço e sobretudo do cheiro a pão fresco acabadinho de cozer .
Hoje em Ansião não há pão de qualidade . Usam muito pão congelado.Abusam de fermentos e outros aditivos.
O que falta em Ansião?
Uma Panificadora!
A laborar no Camporês para pão e bolos tradicionais da região com distribuição pelo concelho.
O retalho em cada esquina de venda de pão sem se saber a proveniência devia acabar, pelo mal que faz a quem o come!
O pão é para ser feito como deve ser- Bem Feito


































