sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Arrábida até aos confins do Moinho da Mourisca

20 de maio de 2006 - Era domingo, decidimos sair logo pela manhãzinha em direcção à serra da Arrábida. Passámos por Azeitão logo na entrada do lado direito nasceu vasta urbanização de luxo, vivendas de todos os estilos, algumas enormes, com lindos telhados e com muitos espaços em redor, ajardinados a denotar muito bom gosto com piscinas, relvados e arbustos, noutras mais o meu género antigo , apreciei objectos em barro como talhas, de todos os tamanhos, que me parece inserida em condomínio fechado  com becos, pracetas e estradas sem saída, pouca sinalética, debalde perdemos o tino da entrada, vimos-nos gregos para a encontrar, mas por fim lá nos orientámos e saímos pela estrada que vai dar à aldeia de Dois Irmãos , finalmente. De seguida tomámos a estrada da serra, logo na entrada uma grande Quinta onde está instalada uma oficina de azulejaria e pintura com venda directa ao público, mais à frente mesmo na ribanceira, julgo a Quinta do Bispo, não sei se nasce ou renasce casarão que pela vegetação luxuriante não deixava enxergar ou vislumbrar nada durante anos.Adiante algum casario isolado e quintas salpicam o espaço até começarmos finalmente a subir a serra, do lado esquerdo podemos ver o azulejo a dar o mote " El Carmen" à enorme Quinta na encosta da serra, defronte do mar....Muita vegetação exuberante típica mediterrânica de 1 a 2 metros de altura, entrelaçada quase impenetrável, ao longe ....podem ver-se os pastos verdejantes a lembrar a paisagem "Bocage", aqui tão perto em plena serra da Arrábida.Continuámos caminho por entre brechas da serra podemos observar rasgos de mar, resplandecente com o brilho do sol em tão grande calmaria. Cenário muito lindo apesar de persistirem névoas a encobrir a sua beleza.Tomámos a direcção do Portinho da Arrábida, descemos a longa estrada em declive, a vegetação nesta zona é um pouco diferente com pequenas árvores enroladas nos arbustos criando no observador uma vontade nata de desejo em tomar os trilhos e partir à descoberta de rotas no meio da serra, que se podem tornar perigosas se não forem acautelados todos os meios de orientação. A talhe de foice em frente ao Convento dos Capuchos estava um grupo de escuteiros junto a um trilho pedonal, no dia seguinte vi na televisão já na parte final da reportagem os bombeiros tiveram de ir em seu auxílio e resgatá-los.Voltando atrás, chegados ao Portinho, ainda persiste continuar a garganta apertada da estrada que contorna o Forte e nos dá acesso mesmo à água, quiçá um quadro pintado por Rembrandt, muito pela simbiose das cores, tonalidades de verdes contrastes do branco do casario , verde, azul do mar e o céu, tudo místico, quem dera ser poetisa e soltar a voz em versos de eloquência para descrever este sítio de tamanha beleza indiscritivel, incomensuravelmente bela.Caminhámos sobranceiro ao mar, desci à praia, a água calma em ondas minúsculas a rebentar devagarinho....as conchas, as pedras, de todos os tamanhos, trouxe uma e um pequeno caracol por este apresentar pingos de madrepérola.De regresso vimos casal com filhote de 4 anitos , o pai levava o saco do piquenique, gostei de ver e recordar o passado quando eu fazia o mesmo com a nossa filha. Subimos novamente a serra, a estrada para a Figueirinha ainda interdita pelas obras de requalificação das falésias é magnífica, os morros de pedras sublimes em calcário , apresentam esculturas de rara beleza que o tempo pela erosão, vento e a chuva esculpiu tão majestosamente, que a vontade é de percorrer a serra e trazer todas......a paisagem é uniforme, grande vastidão tem indícios de incêndio do último ano, deixando as pedras mais descarnadas, fazendo lembrar meandros ondulados , paisagem única...........descemos e por curiosidade fomos ver se a estrada para a Figueirinha estava mesmo fechada, depois de passada a fábrica do cimento, deparámos efectivamente com obras na falésia, gruas e um carrinho pendurado por cordas a fazer lembrar paisagem lunar na primeira ida à Lua, na colocação de redes de protecção para as pedras não caírem, bem, assim no verão já se poder ir em segurança à praia. Rumámos em seguida até Setúbal, quando passámos no parque de merendas na Quinta da Comenda já cheirava a sardinha, e de repente lembrei-me, vamos até à Mitrena, há anos que não vamos lá. Usei a minha forte dose de convencimento. Tomámos a estrada, lindo foi saborear as margens do rio ali junto a nós ao longo da estrada , também as grandes indústrias que se perfilham como cogumelos, de repente o sapal à nossa frente, vestígios de moinho de maré junto ao estaleiro que agora é da Lisnave. Estava um paquete e vários navios para reparação, mais à frente a estrada termina, tudo em redor é sapal menos do lado esquerdo que é um morro, subimos pela 1ª vez esta estrada e só vimos fábricas e uma grande quinta com uma vinha invejável.Deu no entanto para observar como era bonito todo o cenário água por todo o lado menos por um, afinal a península de Setúbal! Linda a paisagem, soberba. Fazia-se a hora do almoço, de regresso tomámos a estrada para Praias do Sado e fomos almoçar ao sítio das Pontes, nunca lá tínhamos comido. A comida era muito caseira, javali no tacho, o tempero era espectacular parecia o tempero do frango na púcara da minha mãe, divinal, a amarelinda macia , encorpada, doce, picou na glote, gostei muito , o vinho de Fernando Pó, pois claro não estivéssemos nós em terras de bons vinhos, uma pomada e o o pão alentejano, muito bem confeccionado.Bem ressoados como se diz na minha terra, o mais sensato foi tomar o caminho de regresso a casa, mas antes ainda quisemos ir ali tão perto à Gâmbia . Grande o seu parque de campismo, andavam a fazer a rede de esgotos, muitos buracos no maquedame. Apreciámos os Esteiros onde se pratica piscicultura. Nem de propósito tinha na semana antes visto num programa de televisão uma reportagem sobre este tema, para o efeito tinham levado exemplares das várias espécies cultivadas em viveiros, corvina, robalo, eiró, safio, dourada, alguns servem para confeccionar as famosas caldeiradas que exemplificaram e com o caldo desta fazem uma sopa de peixe com massinha de cotovelo para no final confortar o estômago, com sabor a coentros. Fiquei com água na boca. A atestar pelos imensos e desafogados viveiros orlados pelos altos carreiros cobertos pelo manto de água, acredito que o seu paladar nada deve deixar aos pescados no mar.

Ainda visitámos o moinho de Maré da Mourisca, restaurado com o seu passadiço de madeira a cair de velho e o barco ancorado de cor azul forte.Até exclamei, ai se tivesse outra vida, era aqui que comprava uma casita .Local muito idílico e apetecível ainda mui selvagem, onde não falta muita água, sobreiros, ricas paisagens, bom peixe vinho e pão, tão perto da capital, um cantinho feito por Deus sobranceiro ao rio, lindo vasto para sonhar, amar e morrer a sorrir.....de regresso seguimos pela auto estrada e chegámos sãos e salvos.

Foram horas de lazer e de gozo de prazeres indescritíveis para REPETIR...Havemos de voltar, disso tenho a certeza!

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

O Alvorge no concelho de Ansião!


Se os antepassados da vila de Ansião fossem da mesma têmpera dos da vila do Alvorge, todos no concelho nos poderíamos orgulhar também de ter mais património de pé e não temos! 
Na vila de Ansião menosprezaram as Pedras, e aqui lembrar as gentes do Alvorge no orgulho na sua conservação e preservação, em dizer " gostaria muito de aqui ter nascido "
Parabéns às gentes que tão brilhantemente tem sabido reconstruir as casas dos seus antepassados.
"Casa dos Avós"
 
Desafio todos os conterrâneos a fazerem um passeio até ao Alvorge e percorrer as ruas em jeito de caminhada, como fiz com a minha mãe, deleitem-se com o bom gosto dum Povo que nem parece pertencer ao concelho de Ansião. As pessoas do Alvorge denotam além de serem amantes das Pedras, das cortinas de linho com rendas, das floreiras nas janelas e sobretudo muito asseadas, na visita à igreja, das mais limpas do concelho, a cheirar a lavado onde falei com as senhoras que procediam à rotina de limpeza, explicaram-me tudo o que queria saber sobre as Imagens e a talha dourada, até à sacristia fui, nos pormenores é que se vê a grandeza deste Povo, pois os meus olhos poisaram numa lindíssima toalha de rosto, em linho, com mais de cem anos, com uma das rendas e monograma mais bonitas que jamais descansei o olhar, e olhem que a minha avó paterna Piedade da Cruz, tinha um enxoval de rainha, executado por ela na sua máquina de costura e à mão.

Albergaria da Misericórdia do Alvorge de 1709 
Sobrado com balcão na tradição de antanho na região 
O tradicional banco na frontaria para descanso de quem chega
 
Capela da Misericórdia de 1674 sem se saber se o hospital  da mesma data ou de 1764 (?)
Segundo Jaime Tomás no seu Livro Alvorge Terra Alta de 2012 vim a acrescentar  «O sino tinha a data de 1708 e foi partido pelos desertores das invasões francesas em 1810, no tímpano, assente em cornija, em destaque o escudo real de 1696 com a inscrição - VIVA A FÉ /DE CHRISTO. Em 1764 tinha um padre ao seu serviço. 
Existe um EX-VOTO  - um pequeno quadro com a aparição de Nossa Senhora e numa cama estaria o doente que o ofereceu a Nossa Senhora da Misericórdia o fidalgo Pedro José de Salazar Jordão da Cunha de Eça de Sousa de Azambuja, filho de Luís  Figueiredo da Guerra da Quinta da Ladeia, em finais do século XIX. 
A origem dos EX-VOTO seja uma prática a partir da absorção de antigas práticas pagãs de povos que no século XVII e XIX chega ao interior da Europa, onde a tábua votiva foi predominante, até regredir no século XX.»
Talvez seja o único EX-Voto no concelho, não conheço mais nenhum.
Falta placa informativa defronte da Casa da Misericórdia explicando a sua origem, do brasão, do sino e até das palmeiras das primeiras a virem para Portugal.

«Na frente o  gradeamento de ferro data de 1908.»
Apreciei com grande emoção várias janelas de avental, algumas com inscrições -com a data de 1707, esta decorei, nem a casa amarela, muito bonita por sinal, mas de cor exageradamente forte, destoa no conjunto, mas se fosse retirado o reboco mostrando a pedra firme a brilhar ao sol seria ainda mais bonita, nem a dezena de outras habitações que apesar de pedra, ainda não sofreram remodelações.Tudo em prol de mostrar a traça tradicional que foi rainha no Alvorge.
 Choca o meu olhar a mistura do antigo com o moderno nem sempre feliz nas escolhas...
Contudo um belo exemplar de chaminé, na proporção maior que a casa térrea!
Pedras a ladear janelas para os vasos de sardinheiras

 Solar que foi de um juiz na centúria de 800
Tem um alçapão subterrâneo feito no tempo das invasões francesas para o povo guardar os seus valores
A actual proprietária  D. Clementina confidenciou-me que o seu varandim de colunas a sul veio do solar da Torre da Ladeia dos Carneiro Figueiredo.E de facto o lavrado de riscas rectilíneo é igual à porta da capela do solar.

 Pela frente bela caçada antiga de calhaus em preto e branco
Grande descoberta!
Na antiga estrada real, antes foi romana
Existem livros sobre o Alvorge. Em nenhum é focado esta descoberta.
E foi por mero acaso, graças ao meu olhar peculiar que  descobri nesta casa a reutilização de pedras antigas.O pedestal das ombreiras laterais das portas da fachada, numa delas, apesar da grade ofuscar distingui esculpida a sigla jesuíta.E o varandim também é antigo, nada tem a ver com a arquitectura da casa simples.
Na mesma casa noutra porta encontrei outras pedras com palavras esculpidas, igualmente reutilizadas.Induz a pensar ter havido uma pedra com uma inscrição e ao ser reaproveitada para esta porta foi cortada em partes iguais, sendo que na esquerda apresenta as letras(?) ODEVS e na direita QVEMO (?). Enquanto que a sigla jesuíta não deixa margem para dúvidas, já as outras duas não sei se teriam pertencido à Companhia jesuíta.

Capelinha do Espírito Santo
Construída no século XVI - No arco a data de 1565
No século XX foi decidido alargar o caminho que lhe corre pelo tardoz   sul sendo demolida a sua sacristia. O que me parece verossímil afirmar é que esta pequena igreja/capela com sacristia foi feita pelos jesuítas em meados da centúria de 500,  quando aqui se instalaram adoçando para sul  uma das suas primeiras Residências, fora de Coimbra - a casa a seguir onde encontrei as pedras reutilizadas - curiosamente o telhado fecha a norte com uma pomba- o símbolo do orago da capela - O Divino Espírito Santo .Sendo pertinente questionar - as pedras com as inscrições pertenceram à  Granja ao Paço dos jesuítas de onde teriam vindo, ou não, são originárias daqui, da pioneira Casa dos Jesuítas,  e só depois se instalou na Granja aquando da Vintena da Cabeça de Façalamim? Tudo aventa que a primeira residência jesuíta  tenha sido no Alvorge (?).A investigação  histórica de real interesse que se me abriu sem antes jamais aflorada por nenhum historiador nem investigador...
 Casa requalificada de sobrado  com belo balão telhado e janelas de avental
 Alminhas
Parede de casario antigo curioso
Parede em redondo encimada por dois conjuntos de frestas estreitas e ao fundo termina com as Alminhas
  A tradição do uso do duplo beirado português e janela de avental
 Acima do lintel vestígios da meia lua em pedra ao estilo da arquitectura romana
O passeio corrido coberto a lajeado
As cantarias, o ferro forjado, as cimalhas 
Os candeeiros de ferro em braço- como devem ser num centro histórico. 
Gostava de ver esta casa toda descascada e a escadaria do balcão,  por certo ainda mais graciosa
Solar brasonado dos Carneiro Figueiredo da Torre da Ladeia no Alvorge.
Mereceu crónica individual
No adeus à breve visita ao Alvorge...a absorver Cultura!
Deixo em 2010 um desafio à Junta de Freguesia
Falta tão pouco para conseguirem que o centro histórico seja totalmente reabilitado - eu que sou teimosa e chata não me cansaria de  falar até demover aos que ainda faltam para  tirar o reboco às suas casas no sentido de lhe voltar a dar o prestigio que tiveram no passado e desse modo todos no mesmo âmbito virem a reportar a vila nos roteiros turísticos - apelidada " Vila de Pedra" conjugando esta beleza com a Cruz também  em pedra, sediada no centro da praça e antes esteve junto da igreja e de lá foi deslocada para abertura de acessibilidade, ao jus de Pelourinho incrustado em bloco aparelhado a lembrar ondinhas, devia estar inserido em redondel ajardinado.
Cruzeiro de Alvorge
Se juntar o artesanato, a gastronomia com o famoso queijo denominado"  Rabaçal", a broa e as nozes às vistas desimpedidas sobre os outeiros envolventes, de bons ares onde em cada uma se descobre mais do que foi o seu passado histórico, com tanto ainda por descobrir, como os marcos de pedra das extremas da que foi a Herdade do Mosteiro de S Jorge de Coimbra. Os estrangeiros viram os que os donos não quiseram enxergar para terem comprado casas e feito novas, e aqui fica um lamento, todo o património em ruína e antigo devia ser reabilitado na mesma traça e o moderno adequado ao antigo, claro que estamos no século XXI, sabendo que a nossa identidade não se deve jamais  perder, por ser genuína, quem ainda manda cá, somos nós, os portugueses.Sendo contudo bem vindos quando são educados, respeitadores em fazer as coisas  com estética e mestria no respeito da nossa história, amadores hipies são dispensados, por não saberem respeitar regras!
Aposta no progresso passa por requalificar toda a encosta da Fonte da Torre da Ladeia em dar nova vida ao antigo lavadouro retirando o telheiro - fazer uma piscina, com furo artesiano para captar a água de verão. Já o  solar com brasão dos Carneiros Figueiredo com capela levantada em 1693, onde há 60 anos ainda se rezava missa , espaço ruinal que conheci aos 9 anos com o meu pai pela altura das festas de agosto, sendo particular , se os actuais proprietários não denotar interesse o deviam  vender para ser reconvertido em  unidade hoteleira para festas, casamentos e outros eventos, como o Hotel do Espinhal, mantendo a traça antiga, ainda a vantagem de parte da quinta do solar que esteve sem produtividade foi há anos reabilitada com olival e estufas a ganhar espaço o alinhamento para visitas no tempo das culturas, trazendo gente na rota de romanização na antiga estrada romana na ligação a Conímbriga a muito prestigiar o Alvorge e as suas gentes.
Deixo rol de alertas à Junta de Freguesia e Câmara com a deficiente sinalética por terras de Santiago da Guarda, em muitos casos falta da mesma que me deparei neste passeio.
Seria pertinente a organização de fóruns com a população para debate de ideias quando pretendem alterar centros históricos.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Ginjal à Quinta de Arialva no Olho de Boi

Passeio em família 
Ginjal, Quinta do Arealva e  falésia do Cristo Rei
A MINHA PRINCESA.
 A foto revela o contraste da destruição da porta vandalizada sem aldraba -,com a beleza doce dela...
Em pose do guindaste usado para puxar barcos do Clube de vela
Linda a paisagem do rio vista da escadaria do Miradouro da Boca do Vento, magnífica, soberba sobre Lisboa com o cais para barcos particulares atracarem vindos de Lisboa.

No cimo da escadaria que liga o miradouro da Boca do Vento ao Cais do Ponto Final, deixei-me fotografar, o que adoro. Triste por reparar que ainda há muita falta de conhecimento que deu na cobertura tosca a cimento da parede de sustentação do Miradouro -, ostentava uma enorme concentração de fósseis com milhões de anos, parecia um quadro.

As arribas foram estancadas com redes, preservadas, para não haver derrocadas. Mostra-se mais agradável o grande atalho que daqui parte na direção do rio ou dele a caminho de Almada velha.
Para encantar o visitante na descoberta de belezas ainda selvagens deixo o convite à laia de escapadela até à  margem sul para degustar uma mariscada no Miradouro da Boca do Vento, ou no Miradouro do Castelo de Almada, basta apanhar o cacilheiro  depois em caminhada pelo Ginjal tem restaurantes na borda do rio muito bons como o Ponto Final com este cais espetacular onde registei a minha mãe no dia do seu aniversário em 2010 passado em Cascais  e na volta aqui viemos tomar um refrigerante e desfrutar o Tejo e Lisboa.


Esplanada do Ponto final 
Atrevimento é subir a escadaria. Se não tiver forças, tem sempre o elevador panorâmico.
Há um jardim relvado junto do Tejo.
Património,o Fontanário da Pipa onde as caravelas enchiam as pipas d'água doce a caminho de outros mares. 
 
 
 

Em frente do Museu do Mar no Olho de Boi jazem mós de lagar em pedra e uma pedra esculpida em pia.

Quinta do ARIALVA

A entrada da Quinta de Arialva logo a seguir a Olho de Boi a beijar o Tejo no sopé do Cristo Rei
Há registo que o palacete foi mandado edificar por um nobre irlandês João O'Neill em 1766
Litígios de heranças (?) e decadência com abandono da indústria de engarrafamento de vinhos foi abandonada sendo rapidamente vandalizada por toxicodependentes .
  • Julgo que no momento a propriedade é camarária com projeto de revitalização que englobe as minas de ouro julgo de origem fenícia no vale debaixo da ponte(Vale da Rocha Brilha). 
Julgo tem havido muitos entraves nesta zona ribeirinha com propriedades cujos herdeiros ausentes pelo Brasil e noutras bandas, em tudo torna as negociações morosas  ao que se acresce o aproveitamento de gente sem escrúpulos que vão tomando poiso de espaços, e depois tem de ser despejados, além das verbas para limpeza e revitalização sendo que a falésia neste espaço ainda por estancar em segurança!
Conheci a quinta há 35 anos com os armazéns de pipos de madeira  ainda intatos de tão grandes que rondavam os tetos, o palácio fechado nem me atrevi a espreitar, porque não descortinei a entrada de acesso das instalações fabris à arriba da casa por uma escadaria.
Na segunda vez que visitei o espaço descobri a cozinha do forno de lenha com dois alguidares vidrados em ocre e verde encravados em bancada cerâmica para neles se amassar a farinha .
A frontaria para a arriba de lajes que seguia o enfiamento do portão da entrada, hoje apresenta-se entupida com um penedo de tonelada desprendido da falésia, na sua frente muro de sustentação do jardim em leirões e do lado oposto outro jardim, na mediação do palácio com o miradouro alpendrado que gosto de chamar caramachão,  e do lado da falésia o lagar de varas para terminar noutro jardim de muro de pedra de sustentação do Tejo com bocas compridas para escoamento de águas .
Anos mais tarde incendiada e destruída sendo que no passado o palácio teve estuques lindos que vi resquícios nas paredes.
 
O escritório adornado de prateleiras minúsculas foi à poucos anos destruído como o telhado.
Bela chaminé estreita ao lado do mirante
Passeio em família numa caminhada de sábados à tarde.
Triste ver o que resta da Quinta de Arialva totalmente destruída , outrora tão abonada noutros tempos de grande labuta,- resta-lhe a vista sobre o postal de vistas -, a capital!
  • Reviver o Lagar de Varas ainda em óptimo estado a pedir quem lhe acudam antes que seja mais vandalizado. Julgo o que arruinou a vida do Lagar foi a filoxera nos vinhedos da encosta do Cristo Rei  nos anos 1856 (?). ainda resistem algumas parreiras bravias desses tempos com gvinhas e cachos...
 

Breve descanso naquela que um dia foi o miradouro em varanda coberta do solar da Quinta de Arialva sobranceira ao rio e apreciar a três a vista sobre Lisboa com a brisa de mansinho a tocar os veleiros...A sonhar!
Vislumbrei das janelas abertas o Cais da Rocha, e nele havia paquetes, rebocadores e porta - contentores. Enquadrado na silhueta da  ponte vinha a deixar rasto nas águas do Tejo o cacilheiro de Belém a caminho da Trafaria. 
Pescadores amadores de fim-de-semana em pequenos barcos pintados em cores berrantes a fazer lembrar toiros e festa brava, junto à margem. Outros empoleirados no muro de sustentação do jardim junto do miradouro com o varandim, adornado de lindas bicas de pedra...
 Bancos de jardim revestidos a azulejos
O Tejo e Lisboa  na vista do caramachão  fechado, só aberto de janelas
No rio  no cais atracavam barcos com pipas de vinho para aqui ser engarrafado.
O que resta da Capela de São João na frontaria do solar
Jardim entre o Lagar de Varas e o miradouro do Tejo

Instalações fabris 
Caves onde foi engarrafado o vinho de marca "Arialva e Benfica "que trouxe rótulos...
Passeio de colunatas em pedra para sustentação de videiras  na sombra para os jardins em leirões com escadinhas

Só vi destruição. Registei o que resta de cubas de armazenamento, ainda me lembro dos enormes pipos em madeira  a rondar os tetos.
 Atrevimento descer até ao rio por carreiros de pescadores
A ponte vista de baixo para cima, do rio
 Vale da Rocha Brilha, por aqui minas de ouro em tempos idos onde apareciam limalhas no Tejo. 
Revigorar forças  no continuar a subir a falésia até ao Cristo Rei!

Descansei ao meio da falésia ainda antes de chegar na hora de assistir à missa  no Cristo Rei, sem antes apreciar a magnífica paisagem.

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