terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Falar da tradição dos Lenços de Namorados

Os lenços são bordados pela poesia ditada pelo amor em quadras populares que expressam o sentir do coração da bordadeira, e claro também do dono do seu coração a quem ela o oferece.
As quadras traduzem: amor, ternura, desejo, apreço, ansiedade, entrega, sinceridade, saudade, ciúme e desgosto
Raros são os lenços que não apresentam um ou dois dizeres.
As raparigas ouviam o coração -, escreviam com a sabedoria popular, onde os erros de ortografia reinam, pois lembremos que a maioria das bordadeiras não sabiam ler nem escrever, limitavam-se a copiar letras e palavras.
Aqui não se pode procurar concordância ou respeito pelas regras de ortografia, há letras invertidas, letras que faltam ou que sobram, outras indecifráveis, daí que seja necessário interpretar estes dizeres tão próprios do nosso povo. 
No entanto as quadras têm um elo em comum - o Amor - , temática subjacente à própria natureza dos Lenços de Namorados, onde é, na maioria das vezes, expressa por uma promessa de amor, como se pode constatar na quadra seguinte: “A carta que eu te escrevo sai-me da palma da mão a tinta sai dos meus olhos e a pena do coração” ...
 
Alguém escreveu um dia “Quando um homem, ou mulher se encontra fortemente apaixonado, tudo neles é poesia”… 
  • O que me dá motejo para recordar um ritual de antigamente -, em que a mulher é que pedia namoro ao rapaz -, parece  motejo neste agora renascido...
Conta a minha mãe, que se lembra do seu pai José Lucas  nascido em Lisboinha, freguesia de Pousaflores, concelho de Ansião, no distrito de Leiria, ter recebido nos primeiros anos do século XX de uma amada do Vale Cego, aldeia próxima , num arraial do S. Bartolomeu no Pereiro, um grande lenço muito bem bordado a ponto de cruz de cores vivas e quadras de amor. Por a moça não ser do seu agrado, não o pôs ao pescoço -, deveria tê-lo logo devolvido, o sinal do homem que o recebia por não estar nela  interessado no namoro. 
Desobedeceu ao ritual de boas maneiras. Casou com a minha avó, outra mulher da Moita Redonda, em 1910 ano da implantação da Republica, sendo que a minha mãe nasceu  em 35, e do lenço bonito se lembrar de o ver em casa, e dele me falar em miúda -, é surreal a durabilidade do pano e do ponto, ora bordado antes do casamento, sendo em 35 que nasce a minha mãe, se acrescentar mais 8 anos para dele se lembrar, ronda os 40 anos de vida!
  • Os lenços continuam a ser bordados para venda de artesanato no Minho em Vila Verde .
  • Grande lamentação no concelho de Ansião inserida no Maciço de Siçó esta arte popular ter ficado perdida no tempo, ora meninas sem emprego reinventem esta tradição!

foto de cortesia de um blog
Os Lenços continuam a tradição a ser bordados com dizeres e quadras populares dos típicos lenços dos namorados de antanho no ouvir o coração e escrever com a sabedoria popular. Hoje finalmente comprei um lenço dos namorados. Pena que não é para oferecer. Apenas para perdurar no tempo das minhas memórias.


foto de cortesia de um blog


Alguns versos


A carta que eu te escrevo
Sai-me da palma da mão
A tinta sai dos meus olhos
E a pena do coração.
............
Escrevia-te uma carta
Se tu a soubesses ler,
Mas tu dá-la a ler a outrem,
Tudo se vem a saber.
.........
A carta que me escreveste
Inda não ia acabada
Faltava-le pôr no meio
Uma rosa encarnada.
...............
Cartas de amor são mentiras
E amores mentiras são;
Mentira foi teu amor
Que enganou meu coração.
....................
Escreve-me, amor, escreve.
Lá do meio do caminho;
Se não achares papel,
Nas asas de um passarinho.
.....................
E tan certo eu amarte
Como o lenço branco ser
Só deixarei de te amar
Cuando o lenço a cor perder
..................
O meu coracaO/
so a ti adora
So por ti suspiRa/
So por ti chora

Outra das representações encontradas em algumas quadras são as declarações de amor por parte da rapariga:


Ot eu lado satisfeita
Paco o ano uteiudia
Sotus u m e u e ncanto
Am i nhadoce.alegria
.........
(Ao teu lado satisfeita
Passo a noite e o dia
Só tu és o meu encanto
A minha doce alegria)

Não tão comuns mas que ainda se pode presenciar são as iniciativas das bordadeiras em oferecer o seu coração solitário.

Nestas quadras podemos ver duas maneiras de o fazer:
A primeira a bordadeira manda o lenço dar provas das suas aptidões a toda a freguesia para arranjar partido; na segunda mostra a sua lealdade a quem a quiser amar:


Bai lenco da minha mao
Bai currer a freguesia
Bai dar em formações
Da minha sabeduria
...............
Méu curação lial
Quem Mo qizér amar
Merserá gárndeCastigo
Quem no cizér falsiar.

Os Lenços são também formas de as moças expressarem as suas saudades e promessas de amor aos rapazes que se ausentam das suas terras.Podemos ver por exemplo nas seguintes inscrições:


Aqui tens meu coração
E a chabe pró abrir
Num tenho mais que te dar
Nem tu mais que me pedir.
...........
Bai carta feliz buando
Nas asas dum passarinho
Cando bires o meu amor
Dále um abraço e um veijinho
............
Meu Manel bai pró Brasil
Eu tamen bou no bapor
Guardada no coração
Daquele qué meu amor
...........
Evidentemente que nesta preciosidade artesanal podemos encontrar além destes, outros estilos de quadras bordados nos lenços.O certo é que os lenços de namorados pelos dizeres que contêm, pelo seu simbolismo e o seu significado sentimental se apresentam como a mais genuína forma de poesia popular utilizada pelas moças do Minho e da Beira Litoral em idade de casar.


O cravo depois de sêco
Senefica amôr perdido
Ainda creira não posso
Tirar de ti osentido
........
A rosa do meu peito
A flor do meu jardim
Deicha de amar a quemAmas
Se me queres amarAmim.
..........
AmorAmor tu es a estrela que a
De guiar o meu sêr pois
Sem ti meu queridoAnjo
eme impocivel viver
...........
Para Lisboa te mandei
Um jenchinho quasi novo
Em cada ponta seu sospiro
No meio dos ais que eu morro
...........
Coração por coração
Amor num troques ó meu
Olha que o meu coração
Sempre foi lial ao teu
...........
Aqui tens meu o meu coração
E a chabe pró abrir
Num tenho mais que te dar
Nem tu mais que me pedir
..........
Bai carta felis buando
Nas asas dum pasarinho
Cando bires o meu amor
Dále um abraço e um veijinho
.........
Meu Luís bai pró mar
Eu tamen bou no bapor
Guardada no coração
Daquele qué meu amor.
...........
O amor dá-nos asas
Para nos fazer voar
Rir alto para o além
E para mim de amor rir tamen.
.........
Gosto de ti curação
Porque sim doce mel
E tu com tes medos
Partes ome curação
.........
Pergunta a quem saiba ama
Qual e mais para sentir
Se amar e viver ausente
Se ver i não possuir.
.........
No centro deste lencinho
O teu nome está garbado
Dentro em meu coração
O teu rosto retratado.
.........
Coração, relogio tonto!
Tuas horas sempre são
Desejos das que hão-de vir,
Saudades das que lá vão!
.......

  • Paródiasao jeito do bordado dos Lenços dos Namorados
Azulejo alusivo ao tema que tenho numa das casas de banho
Paródia bordada ao jeito dos lenços dos namorados
Desde sempre algumas ladainhas ainda vivem presentes na minha memória. Enredos vividos com a minha avó e a sua comadre Rosa -, avó do meu marido contadas pela minha mãe.Reproduzi uma delas numa cortina velha comprada na feira da ladra - bordei ao jeito dos típicos Lenços dos Namorados -, não me cuidei no ponto a fazer alusão ao preceito da tradição...com erros  e tudo!

"I’nha madrinha olhe lá o toque da corneta no Fojo, trará notícias de Insião? 
Não, os belozes calharam mal no natal , antes que o pernas aranhão de mina matirasse com a sertã, abalei de cabanejos abarrotar de galinhas que enfeirei no Ovelale, mas ao alto de Lusboinha logo uma me fugiu às alminhas..."
"Ó afilhada Rosa, centa i’nha mensa, ceia mais eu, oremos as duas Padre-nosso e Avé maria, benza a nós mais um bom dia, benza Deus, Amén…"
"N’ho madrinha, u mê cão morreo, morreo…matastese-u…!"
"Ó i’nha filha pouca sorte a tua, arranjaste um home filho má piçalho, um pernas aranhão de mina, não tem inducação nenhuma"
"N’ ho madrinha eu já lhe digo nã gosto qui falem no mêu nome, uvi prá i umas lérias… atão não gostas que falem do tê nome e tu falas no dos outros..."

"Ó mãe se eu viesse do estrangeiro e aparecesse com as minhas meninas, você tirava-as pela pinta? Ai, não, tu eras muito branquinha…"

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Critica ao programa do Prof Hermano Saraiva em Ansião

Falar de Ansião  aquém do espectável na visão do Prof Hermano Saraiva em novembro de 2007 já estava prevista a sua visita a Ansião.O Jornal Serras, anunciara o convite assim como o mote de exigências, nomeadamente a visita a dez locais de interesse no concelho. Aconteceu a uma 5ª feira no princípio do mês de Dezembro indo para o ar no dia 10. O programa poderia ter sido melhor a meu ver porque o Prof. demorou demasiado tempo com a polémica da ortografia do topónimo Ansião escrito antigamente com "C" e atualmente com "S" por decreto-lei e ainda aflorou outra versão junto à Ponte da Cal sobre a lenda da Rainha Santa Isabel quando aqui passou e se apeava da sua liteira para se refrescar dando esmola a um Ancião, (sendo ancião, um mendigo,velho). Não fiquei totalmente convencida ...No meu tempo dizia o povo que a ribeira só corria no inverno, no tempo dos nabos até meados de junho, dependia da invernia de chuva.
Correlacionei a construção da ponte  da Cal foi adjudicada em 1648 a um Mestre de obras de Fala, Coimbra . Foi privilegiada a escolha  de um troço romano desativado nas Lagoas, antes esteve em uso outro mais para poente a passar pelas  Lameiras, Igreja Velha e Vale Mosteiro e para sul  Almoster e Ourém. Vinha de Conimbriga se ramificava depois do Rabaçal, em Tamazinhos, onde foi encontrado um miliário para algures entre a Cumeeira e a Lagarteira se voltava a bifurcar, a principal via seguia para Togeira, Rego da Murta e Tomar e a outra pela  Constantina, Netos e Lagoas, Ansião, onde como já mencionei se  bifurcava em duas variantes - uma na direção ao Vale Mosteiro a que foi privilegiada para o primitivo burgo ali estabelecido e na minha perspectiva depois de 1593 foi alterado para nascente pela construção de uma nova matriz com essa data  sendo na centúria seguinte  reativado o troço da antiga via romana mais a direito onde se veio a construir a Ponte da Cal . A rua que partia desta para a vila passou a chamar-se Rua Direita. Precisamente  nas Lameiras no local do nó do IC8 havia um fontanário em pedra - Fonte da Bica e na frente abria-se um grande tanque de chafurdo lajeado que conheci em miúda com a minha irmã a recordação o seu tamanho à semelhança de uma piscina, ornado a dois degraus, muito mais tarde num filme passado na Bretanha distingui um igual, a reivindicar no passado tenha sido um tanque romano? Situado na beira da estrada real até 1593, e na sua frente para poente havia uma casa antiga, talvez da quinta? O Nabão ficava-lhe a escassos metros para sul onde as carroças e os cavalos entravam na ribeira sem muro com muito cascalho, no meu tempo atravessava-se o Nabão com água por uma estreita ponte de pedra pedonal que dava acesso a um carreirinho também de pedra de encosto ao muro alto da propriedade confinante a sul que embocava numa casinha onde foi no século XIX o matadouro e no meu tempo canil municipal. Esta estrada real  a primeira em Ansião e a segunda depois de 1648 com a construção da Ponte da Cal foi relegada para 2º plano pelo ministro Fontes Pereira de Melo quando a retraçou por Pombal - a nº 1, deixando Ansião mais pobre no traçado de acessibilidades principais.
No tempo da Rainha Santa Isabel a Ponte da Cal ainda não existia. O que existia era a passagem sem água e talvez tivesse havido uma ponte de madeira (?) até ser a actual construída. Quem vem de norte ainda verifica que o actual adro da capela de S Pedro se apresenta baixo e era nesse sentido que se fazia a passagem de pessoas e carroças em tempo de seca ou pouca água. Aqui neste local foi identificado um habitat romano, verossímil  que a razão da ponte ter ficado debaixo do arco a norte com tanques de chafurdo é porque ali já existia um tanque romano para banhos. No tempo da Rainha Santa Isabel a via romana aqui com traçado estava em declínio estando em actividade a outra das Lagoas , Lameiras e Vale Mosteiro, nesse pressuposto a  Rainha Santa jamais aqui se apeou para se refrescar e se alguma fez aconteceu o tenha sido no tanque de chafurdo com a fonte da Bica, mesmo na beira da estrada então real e com melhor acesso que a ribeira do Nabão . Em verdade em tempo de  inverno com chuva o Nabão é impossível de se passar pelo seu leito, uma possibilidade era contornar a nascente do Nabão que dista um escasso quilometro pela derivação  da estrada coimbrã esciam pelo lombo da Fonte Galega ao Vale do Buyo onde se encontra desactivada uma capelinha de Alminhas, o caminho ainda lá está e se encaminhavam  para poente para Ansião passando pelos Olhos d' Água.
As lendas não passam de lendas com alguma raiz verdadeira misturada com a criatividade e crendice de um povo  analfabeto beatizado que acreditava facilmente em tudo que não sabia explicar o rotulando de Milagre, ao se banharem nas águas, se lavavam e livraram de pulgas piolhos e lendêas , sem saber o que era higiene e tendo estas águas propriedades químicas que resultam em boa prática para curas e males de pele  os fazia sentir melhor e nesse facilitismo lhe atribuírem poderes milagrosos, ritual que veio a originar o Banho Santo, mas antes tenha sido deixado pelos romanos que os judeus também fizeram uso até ser proibido por se mostrarem os corpos e induzir a pecado... Os banhos uma tradição judaica de purificar o corpo, mais tarde proibidos por induzir a liberdades que não eram bem vistas pela igreja tendo sido proibidos.Debaixo do arco norte um tanque de chafurdo para homens e outro para mulheres, eram fechados por tabuado de madeira que se encaixava em furos no rebate dos tanques. No tanque das mulheres existe uma pia  pequena que atribuem erradamente à  Rainha Santa, e não o foi como antes já expliquei, esta ponte foi construida em 1648, o pequeno tanque rectangular era para as crianças onde ao lado as mães delas tomarem conta, na minha opinião. Nos tanques de chafurdo todos se banhavam para se lavarem e tratarem de mazelas e eczemas de pele. Vou contar uma cura que é verdadeira, a minha avó materna Maria da Luz Ferreira da Mouta Redonda chegou aqui a deslocar-se com o filho Alberto Lucas à roda de mais de 80 anos por sofrer de eczemas na pele nos braços ficando curado da maleita. No meu entender os tanques de chafurdo foram inicialmente feitos para reterem água quando o rio começa a ficar seco, aliás existiam ao longo do leito tanto na margem esquerda como direita poços para regar os milheirais no verão, tive a sorte de nunca ter caído em nenhum, os meus pais eram donos de uma fazenda, a Lameira, extrema com a margem norte do Nabão, no verão quando o calor apertava aqui afluía com a minha irmã de bicicleta para tomarmos uma banhoca entre o manto de agriões floridos a fervilhar nos fios de água em jeito de regato,  em Ansião o Nabão sempre se chamou somente ribeira! A primeira vez que distingui este nome - Nabão foi numa minúscula tabuleta na ponte do Marquinho quando ali passava na camioneta para Pombal...
Recordo há muitos anos ter visto um programa de língua portuguesa da Dra Edite Estrela a dissecar a origem do nome " Ansião" alvitrou vinha do latim Ansianum o resto já não me recordo bem, para agora o Prof Hermano Saraiva vir dizer que o nome é de origem germânica...De facto a região foi pertença do Mosteiro de Sta Cruz de Coimbra onde teve a herdade de Ansian que mandou povoar por 30 povoadores e suas famílias com povoadores da Galiza - povo franco, hebreus e judeus cristianizados ainda existe descendência cruzada com mouros e berberes . 
O ilustre Prof Hermano Saraiva falou da Torre, de Santiago da Guarda, na sua teoria seria uma torre de vigia como haveriam outras que o tempo não perdoou, como a Torre de Vale Todos que hoje nem vestígios há da sua existência...Falou das escavações romanas e da descoberta dos magníficos painéis de mosaicos cuja extensão, os maiores da Península, e do que fora uma das casas do Conde Castelo Melhor mais tarde reaproveitada no espaço, enquadrada com a torre. Deprimente, não culpa dele, mas de ouvir a verdade nua e crua ... "bom, o espaço era de particulares, foi comprado pela Câmara "  digo eu, supostamente se endividou até ao tutano, para hoje ser o único monumento nacional no concelho, menos mal, só por isso valeu a pena. Mas digo eu, o proprietário deveria ter o orgulho de o ter doado à sua terra porque em abono da verdade nunca dele usufruiu em rigor, entaipado, o que foi bom, falo das janelas e portas ao estilo manuelino atulhadas de pedras soltas deixando escapar ao olhar mais curioso o efeito da pedra trabalhada a lembrar lábios carnudos, sem cordas, fatalmente o que recordo de infância, na frente já no meu tempo havia uma taberna e mercearia separadas, e entre elas ao fundo do pátio se antevia o que restava do espólio monumental , com a torre cheia de ervas a crescer por todas as frestas e ainda uma figueira em rematar à laia de pouca história não dizer ali foi um paço com brasão dos  Condes Vasconcelos Ribeiros de Sousa e Prado de 1544, vendido ou perdido nos finais da década de 50...
Viva o Dr Adriano Rego que doou o espaço denominado Mata Municipal no coração da vila de Ansião, embora não fosse sua herança  e sim da segunda esposa D Lidia Veiga.Todos sabem que está em falta a Câmara que ainda não mandou erguer estátua no referido local com a menção da data da escritura a ser desterrada pela sua filha Sra D. Maria Amélia.É o que faz sentido no mínimo se o pai tão tivesse sido benemérito hoje a referida senhora e a sua irmã poderiam vender o espaço por muito e bom dinheiro.Coisas para pensar com muito respeito!
Não apreciei o facto do Prof tivesse falado do " Santiago" sem raiz histórica  ao nome do Lugar - a origem do topónimo Santiago, da Guarda ,advêm da existência da Quintã da Guarda que vem da centúria de 400 e da sua Feira da Moita Santa . Antes teve  nome árabe  Almoçam ou parecido (?), a quintã da Guarda veio a juntar o nome Santiago alusivo ao apóstolo cuja peregrinação do seu Caminho para  Santiago de Compostela  e paar sul Garreaja, Empiados, Casal Soeiro, Venda do Negro, ou  outro talvez o mais antigo Vaçe Mosteiro, Chã Galega, Escarramoa, Barreira , Gramatinha, Venda do Negro.
Continuando a falar do orador seguiu para a Torre Vale Todos onde mostrou as Imagens antigas da igreja, a mais importante da escola de Coimbra, de João de Ruão e uma Imagem do Santíssimo do séc XV.Não mostrou mais nada porque se tinha levantado uma imensa névoa, acabando o programa no posto de turismo, a mostrar o queijo do Rabaçal  e a falar do  aferventado...O que ficou por dizer ? Nada falou de Dom Luís de Menezes o Senhor de Ansião, onde foi o seu solar, hoje os Paços do Concelho, ampliado em 1937 quando sofreu um incêndio.Não falou da Igreja da Misericórdia sobretudo do vestígio no tardoz da sua porta gótica e do túmulo que ali jaz que se encontra o letreiro fracturado de um capelão de Gois. Nem da Igreja Matriz. Imperdoável foi mesmo não ter ido ao Avelar mostrar a sua Igreja, a rivalizar a beleza dos dourados com a Igreja da Torre de Vale de Todos e da Aguda, tão pouco do forno da Nossa Senhora da Guia, da tradição do Bodo aos pobres instaurada pela Rainha Santa Isabel e na região centro tão enraizada em  Soure, Abiul, Pombal, Ansião, Aguda, Tomar e do que foi a indústria têxtil no Avelar trazida por galegos judeus. Tão pouco falou da Igreja de Chão de Couce e do seu retábulo pintado pelo Mestre Malhoa  durante 50 anos viveu sazonalmente em Figueiró dos Vinhos, com a mãe da Beatriz Costa onde veio a conhecer um brigadeiro amante do teatro que lhe fez despertar essa arte maior, trazendo-a para Lisboa onde acabou por abraçar a vida artística. O Mestre Malhoa  muito amigo da família da Quinta de Cima  passava o mês de Setembro em Chão de Couce, ainda hoje mantêm o seu quarto e contam-se histórias recheadas de humor sarcástico, quando num faustoso repasto se consolava com uma perna de leitão assado esta lhe escapou para a carpete, sorrateiramente a levanta com o sapato e a esconde...O programa televisivo tem uma duração pequena, de fato não pode tudo ser abordado.
Mas também é verdade que poderia ter uma visão diferente, já sei que o dia não estava bom para a filmagem mas convenhamos, quando estava ao pé da Ponte da Cal podia ter dito, olhem, aqui corre o rio Nabão para uma maioria do público ainda o fatal desconhecimento, há gente que acha que nasce no Agroal, outros em Tomar, mas de fato nasce no Algar da serra da Ameixieira rebentando em dois poços feitos pela erosaõ das águas em milénios, hoje apenas existe um o outro julgo seja na chamada eira que se encontra atulhada porventura com o novo poço nos anos 60 ? Não mencionou a casa que lhe estava mesmo defronte que fora do Dr Vítor Duarte Faveiro, foi Diretor das Contribuições e Impostos no tempo de Salazar o mentor do nº de contribuinte.Nem tão pouco falou do considerado mais ilustre  ansianense Pascoal José de Melo Freire dos Reis  nome de rua em Lisboa e em Ansião, faltando-lhe o apelido "Reis" e por isso a falta de ligação dos seus descendentes por desconhecimento, aos 19 anos foi o juridisconsulto decisivo no julgamento dos Távoras, ao bater o martelo na terrível sentença para mim armadilhada pelo Marquês de Pombal, seja por isso em Ansião nunca lhe foi erigida nenhuma estátua (?) numa terra de pedra e de canteiros. Para mim de longe o mayor Ilustre ansianense é o Conselheiro, o Padre António José da Silva pela obra que deixou a Ansião, a institucionalização da Comarca e os limites actuais.Admirei-me do Prof  não ter ido à Constantina, o seu povo é vaidoso com a sua capela de 1623 com alpendre desproporcionado dizem os críticos de arte onde se guarda religiosamente um manuscrito na Confraria do rei Filipe II.Na Fonte Santa foram encontrados vestígios da pré história descobertos em 1786: duas sepulturas e facas em sílex e mais não sei quê..E a anta que o Padre Coutinho identificou? E os machados de pedra do Neolítico descobertos na Gramatinha ,sem se saber onde estão!
Ficou por abordar o episódio do campo da célebre Batalha de Ourique celebrizada em Ourique no Alentejo ou se travado na várzea entre a Atenha, Aljazede e Chãos de Ourique. Num seu programa o Prof  nesta temática a atribui na possibilidade de aqui ter sido travada não negligenciando outros locais  além destes descritos; Chã de Ourique no Cartaxo e Campo de Ourique em Lisboa.
O Professor não falou no Alvorge vila com tanto património e capelinha datada de 15.., recentemente recuperada a fonte e tanque de chafurdo roman no vale junto da estrada romana/ medieval vinda da Fonte Coberta onde me recordo há mais de 40 anos lá ter ido num dia da festa de táxi, descemos o costado com o meu pai para nos mostrar um solar já abandonado com brasão dos Carneiro Figueiredo da Guerra. Anos mais tarde fui conhecer a nascente da Ribeira de Alquelamouque, é visível onde rebenta a água com lajes de pedra em forma de triângulo invertido a evidenciar origem romana/visigótica, embora entaipada de pedras  com canal de água desviado onde ainda distingui o que resta das antigas casas de pedra pela ribanceira acima entremeadas pelos rebanhos, cujo leite de mistura de cabra e ovelha faz nascer um queijo de paladar delicioso atribuído à erva de Sta Maria, assim chamado o tomilho por estas redondezas em todo o maciço de Sicó, e ao cimo do outeiro existe uma capelinha de 16.. com alpendre pequeno e pedras de avental a fazer de muro, muitas casas restauradas à traça antiga de gente abastada que vive na cidade , e aqui tem o seu refúgio de fim de semana. O Prof falou que Ansião não era terra de palacetes nem quintas, era uma terra pobre que fora dada às pessoas para nela viverem, daí o número exorbitante de aldeias julgo 180 (?) em todo o concelho. Mas afinal existem casas importantes, ora vejamos o rol:
Paço do Conde Castelo Melhor foi um paço, a quinta da Guarda e a capela da Moita Santa.Ruínas do paço jesuíta na Granja em Santiago, junto à Estradinha havia um grande casario da família do marido da filha do Sr José da Silva do Fundo da Rua, da D Palmira. No Alvorge a quinta da família do Dr Rui Lopes que fundou o colégio Nuno Alvares em Tomar onde o Professor estudou e o meu pai, o solar dos Carneiro Figueiredo da Guerra, a quinta do Sobral, a Quinta de Maceda. Netos, uma casa solarenga de 17...e no Maxial a quinta de ...na vila a  quinta de Além da Ponte e o seu Moinho com capela de 16.. o Morgadio do padre António dos Santos Coutinho e outro no Moinho das Moutas, e a ruína de uma casa de traça judaica, a quinta de S Lourenço, a quinta de NSConceição, a quinta do Bairro, a Quinta das Lagoas, o Morgadio da Sarzedela, as quintas na Lagarteira, o Couto do Bispado da Torre,  o solar de 1852 onde viveu o Dr Domingos Botelho de Queiroz, o solar na vila dos Soares Barbosa e o solar mandodo construir pelo Pascoal dos Reis... e as que se perdeu o seu nome no tempo.Na vila de Ansião temos ainda a quinta com casa solarenga forrada a azulejo Viuva Lamego dos finais do séc. XIX comprada pelo Sr Moisés por detrás da biblioteca, antes fez parte da quinta do solar onde viveu o Sr Zé Piloto e a família da D. Alda Gaspar, a quinta Veiga onde viveu o Dr Adriano Rego, a quinta do Dr Faria  confina com o mercado ainda visível o enorme cedro do Líbano e as ruínas da casa tipicamente portuguesa com janelas de avental e pedras para os vasos ladeando as janelas e,...Em Chão de Couce a famosa Quinta de Cima dos primórdios da nacionalidade da família de  D Leonor Teles onde esteve com o rei D Fernando, e mais tarde se refugiou com o conde Andeiro, o seu amante, a Quinta de Baixo, a Quinta da Rosa e,...No Avelar, na Rascoia a Quinta de Sto Amaro de 17..inscrição na frontaria da capela.Peço desculpa, sei que existem mais, mas não fiz nenhum estudo prévio, tudo é de improviso neste roteiro a falar de estória com história!
Lembrei-me dos moinhos de vento  nesta zona são de madeira e rodam consoante o vento. Herança trazida na minha opinião pelos judeus na sua Diáspora vindos do médio oriente trazendo a herança do Afeganistão e aqui  aportados vindos do litoral para o interior cuja existência se encontra desde a gândara ao Maciço de Sicó, considerados exemplares únicos no mundo, igual só os distingui  em Porto Santo em que as rodas de pedra deslizam sobres círculos chamados eiras, também de pedra , o moinho com dois lados iguais e um diferente, rodam à força de um só homem e os moinhos de água, masi antigos, já existiam em 1359, por existir uma contenda arquivada na Torre do Tombo que os testemunha, julgo apenas existem um ou dois exemplares a laborar, de particulares, os demais que vou compilando estão em ruina e sem oalno de catalogação, já os moinhos de vento foram repostos na serra da Portela , Outeiro, Melriça. Na Costa ao Escampado também existiram dois munhos de vento , descobri um dos morros há muitos anos na extrema de uma propriedade minha e da minha irmã com vista deslumbrante sobre a vila de Ansião.
Da gastronomia ficou por dizer além do aferventado, o requentado que a minha avó Maria da Luz Ferreira dizia fertungado, a Cachola que a minha TITI fazia muitíssimo bem, o cabrito assado no forno acompanhado com grelos, a chanfana de cabra velha, o rechelo também conhecido por borrego, o verde, a lebre guisada, a galinha na púcara com couves, galo de cabidela, leitão assado, perdiz de escabeche, bacalhau com colorau.....isto e muito mais era a cozinha da minha avó Maria da Luz Ferreira na aldeia de Mouta Redonda freguesia de Pousaflores. Era hábito a família fazer grandes piqueniques na serra da Nexebra quando a mesma era despida de eucaliptos coberta de flores salpicada por castanheiros e pinheiros nórdicos nos outeiros e na Quinta de Cima. Sempre a subir os outeiros de cabazes à cabeça as mulheres chamadas de criadas resmungavam pelas costeiras acima, os homens esses conversavam e fumavam - o D João, o médico de Chão de Couce era um dos convidados além do padre Melo.
Fica sempre algo por dizer, por mim não terminava nunca a falar de Ansião e do seu concelho, nunca me basta, porque gosto de Ansião, apesar de não ser a minha terra de nascença, é com certeza a minha terra de adopção eleita pelo meu coração.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Dor da AnaC com os enfeites na testa - os "cornos"

Sinto-me radiante...no entanto as insónias atormentaram-me o sono.
Aprovada no exame  de Mediação de Seguros com 88%, pior 4 colegas chumbaram.
A tristeza foi tal... o combinado jantar debalde não aconteceu. Não havia carisma.
Senti uma mágoa com as Anas...tão novinhas!
A mais velha, mal chegou desabafou comigo o problema grave que a tinha acometido no último dia de formação. Era o que suspeitava...muito sofrida, cheia de dúvidas, insegura, terrivelmente mergulhada em ciúmes! 
Depois da loucura de "roubar o marido" com 17 anos, ainda menor da casa dos pais, passados 7 anos, sentiu na pele a dor fria da traição... mulher adúltera quarentona, mãe de 4 filhos...tamanha tortura de se sentir trocada, do despeito, do desengano...desenganada, enraivecida, tirou férias, isolou-se na Castanheira, não estudou.Sei que sofrer de amor é violento, desgastante!
Não se conforma...pergunta-se o porquê?  e diz em tom lacónico "não lhe falta nada em casa, até têm demais..".
Mote para me fazer recordar de outro desabafo ouvido há anos da boca de um homem que utilizou a mesma frase a propósito de a mulher o ter enganado com o seu melhor amigo...
O que deixa a pensar qualquer um...não vasta viver juntos, exercitar o sexo em infinitas variantes, é preciso dar espaço, dialogar, manter a chama acesa, seduzir todos os dias, encantar com um simples olhar, toque, mordicar de orelha, acariciar os cabelos, deleitar-se num segundo de prazer...aguçar o apetite para mais tarde degustar.
O segredo em manter um homem fiel...
Incrivelmente ser má, e sorrir mel...
Ser atrevida e mui recatada,companheira e atenta aos sinais
Amiga pragmática, amante e mui descarada
Mulher, esposa, mãe...
Adorável, sentir em todos os momentos, aquele...como o da primeira vez!
Capaz de sentir essa vibração é surreal!
Mantê-la é divinal...

De regresso, triste, amargurada, queria tanto que tivessem passado. A princesa, eternamente doce, quicá no papel de rivalizar com a "Gioconda" o modelo famoso de Miguel Ângelo, adorável, sedutora, enigmática, formas a perder de vista, sinais que descem,invadem o decote, mergulham...linda a princesa!Não merecia! Só desculpável se estiver apaixonada, e não teve tempo de estudar.Mas dia 20, tem de ser!
O Jorge, furioso, descartava-se, visivelmente chateado.
O João morreu na "praia", por 2 míseros pontos, alterou uma resposta que tinha certa.
Aberta desta feita mais uma nova etapa nesta minha vida desocupada.
Agora tenho de arrancar, começar pelo início, apesar de ir ouvir muitos "nãos"...nesta vida fecham-se portas, outras se abrem - estar alerta é preciso, não deixar escapar oportunidades!Tento -, quero conseguir, o tempo o dirá. Não me falta vontade quanto mais não seja para não desencantar os novos amigos que entretanto ganhei e que apostam em mim - têm sido determinantes na atitude, força, no querer...por eles vale a pena não esmorecer, tão pouco desmerecer tamanha amizade...
Isso jamais!

Olhar o mar em Matosinhos ...

Na 2ª semana de Janeiro de 2006 tive o privilégio de desfrutar Matosinhos durante 15 dias em formação curricular.Fiquei alojada no hotel Amadeus no 6º piso mesmo em frente a uma das principais rotundas da cidade. Com vista magnífica sobre o mar, as ondas a estatelarem-se nas rochas, cenário deslumbrante quando não havia nevoeiro. O andante a passar no meio da rotunda e da fileira de camiões de combustível da Teal de Maças de D. Maria, ali tão perto...
Matosinhos é uma cidade moderna, muito limpa, arrumada, grandes avenidas, edifícios com design elegante duma nova arquitectura que está a emergir com muita massa em vidro e inox, e uma frente de mar a perder de vista desde o Castelo do Queijo até ao Porto de Leça de Palmeira.Depois do jantar, fui várias vezes em breve caminhada junto à imensa frente de mar, o prazer de sentir as ondas a tocar de mansinho a areia, parecia que estava em Sesimbra, se não tivesse a oportunidade de apreciar tão rara beleza talvez não acreditasse que ali tal fosse possível, imagem soberba, espectacular.Em frente ao mar do outro lado da avenida sucedem-se as casas de grelhados a mais famosa o 427, nº da porta...onde se pode ver muitas vezes o Pinto da Costa, cafés modernos tudo à mistura com enormes armazéns típicos do início do século XX com grandes portões agora revitalizados em discotecas, restaurantes, tabernas de degustação de vinhos, apresentam na frontaria grandes lonas a anunciar o repasto, nesta última um Lamborgoni imensamente amarelo à porta.Jantei todos os dias em locais diferentes, no Mocho Sentado com música ao vivo, batuque brasuca, os criados vestidos a rigor, um de meia-idade parecia o detective Poirrot com enormes sobrancelhas pretas e olhar irrequieto num jeito de o igualizar, até fazia impressão, também, nessa noite quem lá estava era o Diego jogador do Porto, acabou por ser dispensado do clube alguns tempos depois, festejava o seu aniversário, recebeu do barman um enorme ramo de rosas vermelhas e beijaram-se afectuosamente na face.Porém na mesma semana ainda o havia de encontrar novamente com amigos e algumas crianças na pizaria italiana, o espaço muito bem decorado. Deleitava-se com uma bela e enorme piza. Os empregados eram uma brasa tipo macho latino; morenos, altos, musculados, barba rija, mui gostosos de olhar fulminante, um delírio de homens...
Bem... falava do jantar magnifico no Mocho Sentado, do vinho, autêntico néctar dos deuses, aperitivos, carne, saladas, sobremesa...bom, o ambiente ... os casacos ficam logo à entrada em cabides altos, ambiente dos melhores até hoje onde já entrei, doce vida, só para quem pode...na praça junto à Câmara comi numa marisqueira sentada ao balcão uma belíssima sopa de peixe, faltavam os coentros, o empregado de imediato se esgueirou e numa rajada os trouxe, que cheirinho. Numa outra noite fui de andante até Sta Catarina mesmo no coração do Porto jantar no mais famoso café o Magestic.....comi uma soberba francesinha, o espaço antigo e um pouco degradado sobretudo nos espelhos e couros, ambiente tipo anos 20 com mesinhas altas de madeira, guardanapos grandes de algodão, ao fundo o piano lindo preto de calda curta.Há, já me esquecia , num desses grandes armazéns, havia um restaurante fino a funcionar no r/c e depois de subir um lanço de escadas o espaço abria-se amplo, com 20 pratos confeccionados à escolha, tentei aproveitar e comer o máximo, repeti, repeti mas debalde já não ...ambiente mui acolhedor. No almoço de despedida fomos à discoteca que também tem a vertente de self service, logo na entrada deparámos com um grande sofá a fazer lembrar o programa do Herman no formato de boca com lábios tipo a mulher do Brad Pitt...,“lábios em amarelo”, um espanto!Ao longo da escadaria estendiam-se grandes tapeçarias em jeito de imitação de quadros, muito encantador. Já no 1º andar as escadas eram insinuantes e atrevidas a abrirem-se para um espaço novo, escolhi à vontade,o bolo de chocolate estava uma delícia. No último dia fomos ao Assador à entrada do Porto, na zona industrial, o espaço muito agradável, aliás vários espaços à escolha do cliente; recatado, snob e o dito normal, com palco para se desfrutar música ao vivo, tudo é grelhado no momento, aderimos à picanha recheada de frutas exóticas, o vinho uma pomada e para remate a jeito de despedida bebeu-se uma garrafa de uísque James Marti'ns que à laia de piada trouxe de recordação, vazia pois claro, bem ,ainda trazia um pinguito no fundo que o Luís Alberto saboreou...risos. Houve dias que comia mesmo por ali numa pastelaria que servia mini-pratos, comi sobretudo francesinha e bitoque entalado em fatias de pão saloio com alface. Depois do jantar fiz grandes caminhadas, tipo "brigada do passeio", cruzava-me com algumas pessoas tipo rol de vizinhos a caminhar a passo acelerado em alegre cavaqueira , na tentativa de queima de calorias claro está. Senti as noites, apesar de ser Janeiro não eram frias, acolhedoras até para a estação, de manhã quase que não era preciso grandes agasalhos pareceu-me o frio mais seco.Numa dessas noites passeei ao longo do porto de Leça todo vedado não deu para desfrutar a beleza da foz do rio que lhe deu o nome pareceu-me no entanto bonito, subi até ao Senhor de Matosinhos, igreja enorme lá no alto a desfrutar o mar e o rio a banhar-lhe os pés, o espaço envolvente verdejante e amplo com alguns bares é confortante e eis que senão já estava outra vez na zona velha no começo da rua que deve ter quase 2 kms Conde .... e termina no hotel,de um lado e do outro vislumbram-se algum casario tipo solarres, outros pobretes mais remediados e capelas, tudo bordado a granito enegrecido pelo tempo com o fulgor do brilho translucedente dos cristais de quartzo, tão intensos a imitar diamantes na penumbra da noite. Foram 15 dias inexplicáveis de prazer de reconhecer a cidade do Porto e toda a extensa zona ribeirinha no seu mais alto esplendor até Leça da Palmeira, valeu a pena, quero voltar com a família.O tempo ajudou não choveu, o sol foi assaz resplandecente a tocar o mar parecia primavera, foi um deleite conhecer assim Matosinhos.
Naturalmente algo ficou por dizer por esquecimento talvez mas o interessante é voltar e redescobrir e assim valorizar num cenário diferente e mais agradável.Até sempre Matosinhos, de repente pareceu-se uma cidade espanhola, imaginem, a sobriedade dos edifícios, muita tijoleira... vidraria e inoxs, o modernismo num contrate quase perfeito com o passado, nunca tinha visto por metro quadrado tantas máquinas voadoras de alto calibre como nesta cidade, Ferraris azul e vermelho, Lamborgini, Mercedes último modelo assim com BMW,.....e tantos outros....imaginem até existe uma enorme loja de gaveto só com artigos para comandantes de aeronaves e afins, nunca tinha visto um espaço tão grande recheado de bonés, fardas, acessórios e um não sem fim de tudo.....crachás, insígnias tudo muito amarelo a reluzir na frontaria da grande porta com degrau redondo.
Bem Hajam os que vivem e podem desfrutar desta terra , um cumprimento especial para o sapateiro na correnteza do hotel que muito amavelmente me recolocou novas capas nas botas, pois o piso é todo em calçada granítica, mas os pés são tortos e as capas escafuderam-se, o costume, o sapateiro é que foi amável, aguardei no momento e foi muito barato.
Gostei de ter dormido em Matosinhos.
Não me lembro se por lá sonhei!

Odemira e o refúgio no Brejão da Amália Rodrigues

Agosto de 2007 de férias em Odemira na redescoberta do sudoeste alentejano -, a famosa Costa Vicentina!
  •  Soberba a vastidão dos terrenos e do mar a perder de vista.
  •  Praias lindas e mui doces:Odeceixe, Zambujeira, Almograve, Milfontes, outras mais pequenas Carvalhal, Azenha do Mar, Brejão...
Logo de manhãzinha rumei à Zambujeira  atalhei pelo Montelavado num passeio a pé pelo gosto de descobrir a nova arquitectura enquadrada na traça tradicional com aberrações também, ainda as que o cunho de bom gosto teimaram preservar.
No turismo comprei uma pequena carpete redonda  em trapologia, bonita decora uma das minhas casas.
as praias são encantadoras. Bons banhos, areia mui fina, bom sol e para almoço peixe grelhado, saboroso e fresco.
De regresso tomámos a estrada para S. Teotónio rumo ao interior numa aventura que só visto -, atalhei o caminho, percorremos uma estrada em terra batida. Coisas e gostos só para quem gosta de grandes desafios, de conhecer contrastes, belezas perdidas, aridez, pobreza, sentir o isolamento, não ver viva'alma.

Sabóia tem a doçura do nome aberto, por entre confins de serranias e montes abandonados onde a energia nos poucos habitados se obtêm por painéis solares. 
Chegados à albufeira de Santa Clara a Velha, que no tempo da outra senhora se chamava Salazar , muda a paisagem,  gostei imenso, situa-se no cimo de um pequeno monte rodeada de água a fazer lembrar uma península onde estive em 2003 na pousada.
Paisagens avistadas  de encanto fenomenal, no recinto uma carroça antiga de cores fortes, pena que o tempo não perdoe, sente-se a deteriorar lentamente...na aldeia, o burgo que lhe dá a graça do nome há bons restaurantes, um minúsculo mercado com quatro bancas, uma loja de artesanato e um antigo poço com uma lenda... empestado com a invasão de lagostins...uma praga!
Quis o destino o emprego da minha filha na escola de Odemira que aqui voltasse em 2007 . A minha 3 ª vez com mais tempo para percorrer o concelho.
O passeio torna-se doce com a companhia da linha de caminho de ferro de uma via, tanta tranquilidade, contrates de cores, aromas silvestres, torna a paisagem surreal, idílico excelso cenário a fazer lembrar Rembrandt com destino programado  Luzianes Gare
Na Junta de Freguesia  um edifício de sobrado, apreciei no r/c a obra escultórica do seu balcão num trabalho em madeira, uma autêntica obra de escultor. Disseram-me que tinha sido feita por um conterrâneo, pena um alcoólico. Pena fiquei eu de não se recuperarem pessoas tão criativas e com tanto valor para deixar aos vindouros.
Pessoas muito hospitaleiras, cheias de garra e unidas. Apreciei e atesto esse perfil nas longas conversas entre as entrevistas a que tinham vindo para as Novas Oportunidades. Admirável, reconhecer naquele fim de mundo onde o " Diabo perdeu as Botas"  encontrar pessoas com idades maduras, cheios de vontade para aprender, saber mais, no reconhecimento maior de não deixar perder oportunidades governativas. 
Sim, porque gente como esta não há, sentiram na pele a ditadura, a miséria e a fome. Nunca nesta minha vida tinha travado conhecimento com gentes de alto gabarito, na forma de agarrar, no querer, e exercer vontades, não perder o "comboio" afinal passa ao lado o da Refer , falava eu em sentido figurado, o leitor perceberá de que comboio falo, o do progresso!
Vi homens chegarem em tractores, de carro, e ainda a pé. Alguns, vinham directamente dos trabalhos agrícolas, de botas, despenteados, suados, que importava? Importante, era não faltar à hora da entrevista. E não faltou nenhum! Bem hajam. Percebi, com todos os que falei, e foram muitos, homens e mulheres - os achei melhores do que eu, que nada fazia, mulher vazia , descrédula sem rumo, com eles ganhei a força e coragem para lutar e saber estar nesta vida ainda com oportunidades, e agarrá-las!
A eles devo a força para mudar. Mudei. Mentalizei-me na viagem de regresso, obrigada a deixar o carro à minha filha, vim de expresso -, entrosei o estigma e dei corda aos sapatos inscrevi-me nas Novas Oportunidades, afinal só tinha o 9º ano.Por opção frequentei um curso EFA, - canudo referente à equivalência do 12º ano graças à conta da força daquelas gentes que conheci.Bem Hajam Povo de Lusianes Gare!
O regresso de Luzianes Gare a  Odemira de noite foi mais complicado... 230 curvas.Sem luz eléctrica, valetas cheias de erva alta, aqui e ali irrompiam à nossa frente raposas, ginetos, gatos... cheias de medo, um horror de aventura a percorrer a estrada pela serra. 
Concelho muito rico e tão ímpar na simbiose mística do litoral, e a aridez da serrania interior.O maior da Europa. Deslumbrante em tantas tonalidades.
Lamento de momento não me recordar da última aldeia antes de chegar a Odemira onde parei para travar conhecimento com o cesteiro Sr Pombareiro, homem na casa de mais de 8o anos,um deslumbre de pessoa,  quem encomendei uma cesta grande com tampa, arranjei uns clientes, ofereceu-me uma cestinha feita em cortiça , mais tarde pedi-lhe para me fazer uma tampa para o meu "cortiço" assim chamado às colmeias no centro do país na Beira Litoral, decora a minha casa rural, enriquecido que ficou com a tampa à antiga com espetos em estevas.Ofereceu-ma. Dei-lhe dois beijos, ficou fascinado com a minha alegria e espontaneidade.
  • No turismo na vila comprei um cesto grande ovalado com pequena tampa, decora a minha 2ª casa ...com as minhas bengalas que comecei a coleccionar há coisa de 30 anos.Adorei Odemira e as suas gentes. Esta é a verdade.
O parque municipal na Boavista dos Pinheiros  parece Sintra que todos conhecemos em miniatura.Grande a variedade de alegrias do lar, a maior que jamais vira. Todos os espaços muito emblemáticos, recantos muito acolhedores onde não falta o riacho a correr apressado por entre calhaus rolados. Há imensas mesas, até para grandes grupos e assadores para os grelhados também não faltam. Visitei o espaço várias vezes, fresco, romântico, simplesmente mui agradável. Um dia levei um piquenique, arroz de coelho.Lembro que nos soube muito bem, depois fomos tomar o café e o bagacinho no parque, proporcionaram-nos uma visita da típica cozinha alentejana, onde nada faltavam objectos que fazem parte do meu imaginário, foi gratificante. Um senão o difícil estacionamento, perguntei aos "Almeidas" do parque -, resposta na ponta da língua  "a câmara está em negociações com a quinta adjacente".
Brejão
 Margarida na estrada principal a forma de descobrir onde se corta para o refúgio da Diva é dada por uma margarida em ferro- azul e amarela, em tamanho grande cravada no chão no lado direito. Passa-se por terrenos com plantio de morangos, e ao fundo pouco estacionamento em terra batida ao longo dos muros da propriedade da Diva, ao meio o portão banal, o mais simples, no contraste de grandes solares e quintas que os ostentavam grandes, pesados, elaborados com requinte em ferro forjado de formas delicadas que a mim me fazem sempre parar para olhar. 
Entrada da herdade da Diva
O extremo a poente da propriedade da Diva confina com o mar e tem na escarpa escadaria, em ziguezague, que dá acesso à praia outrora privativa. Em grande degradação, sobretudo junto ao mar. O acesso que fiz à praia feito à socapa por um escuso carreiro, na extrema do terreno com um ribeiro que nos acompanha até ao mar, sinuoso, que tem de se ter cuidado, espreitam alguns perigos de pedras, ardósia, canas, mimosas, há que ter cuidado, mas vale a pena sentir este lugar que reporta a Sintra. 

A propriedade é enorme com frente para o oceano. Apenas a percorri a medo ao longo do carreiro a sul onde se encontra a construção primitiva do monte, e a nascente existe a parte nova que a Diva mandou construir em cimento armado, moderna anos 60, com piscina, também com sinais de evidente degradação onde vivem os "caseiros", gente sem qualquer formação e escrúpulos, dito pelos miúdos filhos do casal, que encontrei noutro dia sentados na falésia junto à foz do riacho a tomar conta do rebanho, para espanto meu, reparei que se regulam pelo sol, para saber as horas da merenda. Travámos conversa, putos giros, inocentes, disserem que os pais quando encontram turistas a tirar fotos os obrigam a entregar os rolos, sendo corridos a pontapé. De facto existe uma placa com a menção " Propriedade privada" muito velha meia desfeita...
A parte nova construída convive com a antiga tradicional do monte, entre elas largos passeios em cimento onde adormece uma carroça pintada de cores berrantes.Entrei pela vedação em rede esburacada junto à casa do lavadouro onde vi carpetes, camas velhas de ferro , espelho de fazer a barba ainda em papel prata, corroído pelo tempo, e moldura comida pelo caruncho, tudo jazia em apodrecimento, em cima das pedras de lavar...ao abandono, à mão de semear em estado desprezível, velho, estragado, um caos a perder-se a olhos vistos...
Enquadrado em paisagem de tirar a respiração com praia encravada no meio de duas arribas, que a torna acolhedora, única, neste paraíso místico a contracenar com a escadaria e canteiros semi desfeitos com as intempéries.
A casa tradicional alentejana, baixinha pintada de branco, com rebordos a azul a lembrar o mar, decorada com margaridas a que chamam malquereres pintados pela Diva. Eu por saber da sua amizade com a amiga Maluda, e esta gostar de cores fortes, pensei no imediato que teriam sido por ela pontadas.
Apreciei a casota do cão, o poço tapado tipo mina, o lavadouro e o muro da entrada, em todos o traço de pequenas e grandes margaridas de todas as cores.
Em miúda recordo a capa da revista "O Século" defronte da piscina a Diva vestia um traje árabe castanho comprido rasgado de lado e debruado a rendas. Ir ao local tantos anos depois, sentir o mesmo perfume que a Diva tantas vezes e na véspera de morrer saboreou, é sentir uma exaltação maior num Apocalipse sem igual.
Pá de madeira que jaz pendurada na minha cozinha velha em madeira afeiçoada em jeito de pá, quem sabe se seria da azenha na fraga a sul da casa da Diva.

Relíquia que encontrei por terras de Brejão -, idiota escrevi como ouvi Breijão. Não resisti a trazê-la comigo estava pendurada num ramo de uma pequena figueira à minha espera possivelmente teria servido para encher as sacas de farinha na azenha em ruínas, destelhada , com Mós prostradas pelo chão, entre a falésia e o riacho que comanda o carreiro até ao mar.
Voltei novamente ao local, não resisti a fazer uma necessidade fisiológica no mesmo lugar onde a Diva se passeou...coisa de vontades e reparei num monte de lixos  de onde retirei uma tela de platex velhíssima que restaurei, ganhou com a moldura ao estilo de outra que vira no CCB.

Passeio de comboio a vapor da Régua ao Tua

Um dos meus sonhos de infância era viajar num comboio a vapor. Decidi presentear a família. Se melhor o pensei melhor o fiz. Na Net descobri o endereço turístico e foi fácil fazer a reserva e transferência electrónica ao que de retoma me foi enviado o Voucher para 4 pessoas.Partimos de Ansião no sábado dia 30 de Setembro 2006, pelas 7,30 tomámos a direcção da IP3 só parámos em Mortágua para beber um café e verter águas, comemos uns folhados que tinha feito de véspera para o farnel.De seguida fomos revisitar Tondela, está em franco crescimento, muita habitação nova e infra-estruturas de grandes superfícies. Mal consegui localizar o Solar (restaurante onde há coisa de 25 anos tinha saboreado o melhor caldo verde nesta vida, apesar do que a minha mãe faz também ser muito bom, ali junto à igreja com a sua torre alta do inicio do séc XX.
Convenci o meu marido a rumar até às termas de S. Pedro do Sul. Quase que não reconhecia o local, tantas foram as obras. Deixei de ver o balneário romano. Banhei as mãos nas águas sulfurosas e quentes. 
De regresso à estrada e com receio de nos podermos atrasar só voltámos a parar na Régua. Reconheci a velha estação ferroviária e os vastos armazéns vinháticos em madeira a cair de velhos, na linha fazia-se ouvir o comboio, estava com a fornalha a arder, via-se o fumo saído da chaminé a ondular o horizonte, muito escuro.....do outro lado o rio imenso a espraiar-se num sorriso aberto e mesmo junto a nós o frenesim do vaivém das vindimas com as carrinhas a abarrotar de uvas a luzir no inox dos tanques a caminho dos lagares. Já em Godim por causa dum casamento entrámos numa estrada tão estreita como nunca vi, sempre a subir e não havia jeito de o piso melhorar nem sentido de saída, decidimos inverter a marcha em boa hora o fizemos, já quase à entrada vinha um táxi se tivesse sido um pouco mais à frente não sei como sairíamos daquela enrascada, agora a situação criada quase dá para sorrir, mas não para repetir.Naquela região, o nosso olhar só alcança beleza, vinhedos e mais vinhedos, casas solarengas com os lagares em laboração e o cheiro, o cheiro a mosto a vinho novo...nada de encontrar um parque de merendas para degustar o piquenique que levava e já se fazia horas de almoçar foi mesmo à beira da estrada numa urbanização de vivendas no muro largo de cimento armado que suporta o declive, serviu de mesa e como pano de fundo o rio como paisagem, atrás de nós o corropio da azáfama das vindimas, todos nos endereçavam cumprimentos, estávamos no norte, as pessoas são mais hospitaleiras.Depois de reconfortarmos o estômago fomos estacionar o carro e tomar um címbalo no café da estação.Visitámos o comboio estava a máquina a ser oleada com grandes regadores com bico fino e muito comprido, o operador de manutenção disse-nos que a fornalha demorava 4 horas a aquecer, vi pela 1ª vez o carvão verdadeiro utilizado nos comboios e navios de outrora, trouxe uma pequena amostra para a minha colecção de pedras. 
O comboio ia cheio, sentámo-nos nos lugares virados para o rio, muito fumo e muito apito, trim....pim... pim...quase demasiado, mas faz parte do cenário, foi-nos servido a bordo bôla de presunto de Lamego e um cálice de vinho do Porto e água fresquinha esta grátis, apenas tínhamos de comprar o púcaro de alumínio de 1 € para bebermos as vezes que os aguadeiros passavam de garrafão de palha em braços de rótulo branco a dizer ÁGUA.A nossa carruagem era das mais antigas, uma maravilha, para se abrir as janelas tinham correias de couro largas e para se porem os casacos tinham por cima dos bancos suportes em ferro forjado com rede.Todo o passeio foi deslumbrante. Todo o trajecto desfrutado é magnífico, avistam-se nas colinas muitas quintas no meio dos socalcos de vinhedos, exibem garbosamente grandes cartazes publicitários das suas produçoes ao viajante que fica viciado e espontaneamente repete em voz alta, olha ali em cima é a quinta da Ferreirinha, e a do Calém e a do K... da janela nas curvas via-se o deslizar sinuoso do comboio ao longo do rio, a estrada de fumo e barcos de recreio , trocávamos acenos de adeus, do outro lado as infindáveis paredes e barreiras de xisto como companhia e muito respeito.
 
Chegámos ao Pinhão, sítio pitoresco, no rio viam-se muitos barcos. Alguns turistas terminaram ali o seu passeio . Outros tomaram um dos barcos rumo à Régua, antes tomavam aperitivos na House Vintage do Porto. Quanto a nós preferimos apenas fazer o circuito de comboio, seguimos até ao nosso destino o Tua. Desembarcámos para o comboio mudar de linha e reabastecer de água, foram manobras muito bonitas a fazer lembrar os filmes de westerns, nunca antes tínhamos presenciado tal façanha, a fornalha a ser atestada de carvão pelos homens com pás enormes para não se queimarem. As manobras são um momento lúdico a não perder.Os turistas estavam radiantes meteram-se dentro da máquina queriam ver todos os pormenores, logicamente estavam todos farruscas, até nós, as narinas ficaram cheias de fuligem e a nossa roupa também. Durante o percurso da viagem fomos abrilhantados por um grupo de 4 pessoas de um rancho folclórico, fenomenal a miúda da pandeireta era muito bonita e sabia-o.......fogosa e atrevida o raças da moçoila!
Neste compasso de tempo trouxe umas placas de xisto para a minha colecção assim como um bloco redondo de granito típico desta zona.De regresso oferecemos os nossos lugares aos senhores que tinham vindo sentados do lado do xisto, para poderem apreciar o rio, foi um bonito gesto, sei. Pelo meio estabelecemos alegres conversas, lembro o Sr de Arco do Baúlhe que dizia ser o maior produtor de tremoços da região, o homem não se calava estava sempre a meter conversa com as hospedeiras de bordo, deviam ter trazido uns pastelinhos de bacalhau e tremoços , a bôla que nos deram só deu para o furo de um dente, caramba afinal o bilhete custa 8 contitos...

Acabou a viagem de novo chegada à Régua. Despedimos-nos dos companheiros anónimos desta linda viagem. Aproveitámos ainda a luz do dia e demos uma voltinha pela parte histórica de carro e decidimos ir até Viseu onde já chegámos de noite, jantámos no Hilário, tasca mesmo na zona histórica , barato e muito boa confecção, quando saímos estava a chuviscar, decidimos ir para casa e não dormir fora, a chuva no restante percurso foi intempestiva, furiosa, quase não deixava ver o piso mas com a graça de Deus chegámos bem, dormimos toda a noite o cansaço tomou conta de todos...
Valeu o passeio foi inesquecível!
Aconselho a todos vivenciarem tão belos cenários.

Casal do Galego e Carvalhal em Ansião

O Casal do Galego mudou de toponímia, sem saber a razão para Pinhal...
Casa da Ti Alzira Aureliano
Boa mulher acabou cega, a minha primeira vez que senti a cegueira e seus efeitos tanta aflição me fazia vê-la naquela casa jamais concluída na beira da estrada ao Carvalhal, sem luz, não enxergava nada. A casa ainda resiste de encosto à parede norte a roseira de pétalas pálidas, tantas vezes colhi as suas belas rosas de conversa com ela a caminho das Cavadas e de outras fazendas na carroça puxada pela mula "Gerica" na companhia da prima Júlia do Bairro sempre com tempo para dois dedos de conversa com a pobre mulher …"atão Ti Alzira como está vossemecê hoje?" com tempo de me abeirar da roseira para sufragar em cheiro apressado rosas!

O Ti Narciso conhecido pelo "Lavrante" com o genro trabalhavam a pedra. Ainda vive na minha memória as lembranças de os ver a partir pedra na eira atrás da casa quando ia à minha fazenda da Barroca do Bairro na extrema com o ribeiro e o quintal dele, e o dia quando trouxeram uma nova pia para o azeite, dizia-lhe a minha mãe "espero que esta não lhe ponha ranço como a outra...", retorquiu o pobre homem ”tire-lhe a senhora a borra do fundo que mau sabor a pedra não lhe dá”. Enquanto isso, o genro agradecia o gelo que os filhos tinham vindo buscar a nossa casa em  tabuleiros de gelo que se partia  com o martelo para encher a botija redonda que traziam e levavam em corrida para a mãe que tinha sido operada ao estômago… 
Casa da "Maria entrevada"

Mãe das minhas amigas: Idalina, Helena e Júlio. Vítima de um aparatoso acidente doméstico quando trabalhava como mulher-a-dias na casa do Sr. Oliveira na vila. Grávida quando subia a escada de madeira com um cântaro de água desequilibrou-se e caiu desamparada, fraturando a coluna. Entrevada ficou para sempre, assim se dizia num tempo que não se faziam seguros de acidentes pessoais, porque existir até existiam. Não se compreende em gente abonada, tal sabedoria não abonar, nem tão pouco entender reparar o acidente de outra forma. As poucas vezes que conversei com ela na cozinha junto ao lume a vi rastejar para o atiçar… Afetuosa era demais a mãe das minhas amigas, mulher de poucos recursos teve brio de obsequiar a oferta do pasto da Ferranha para as ovelhas, as filhas a minha casa vieram trazer a oferenda, açúcar, arroz e, ...Mulher bondosa, sofrida, não merecia tanto azar nesta vida!...
O marido Abílio Carvalho era do Bairro, costumava ir ao Alentejo à ceifa. Um ano a camioneta deixou-o ao Ribeiro da Vide quando eu ia a passar, orgulhoso com as oferendas que trazia logo ali me mostrou - oh cachopa olha o chapéu que trouxe do Alentejo - ali o abre, enorme, em pano azul...e um grande pão- dura 7 dias...

"Ti Ana Sapateira" 
Gostava da pinguita, abastecia-se na adega do vizinho Augusto Lopes e Ti Eufrofina, a quem chamávamos Porfina, os filhos malandros misturavam água, ela não notava, ainda lhe faziam outras tropelias, sim porque a Emília era levada da breca…
Reminiscências da arquitectura romana/visigóticas da sua casa
A empena em V invertido para sustentar a parede acima da porta,  na berma da que foi a estrada medieval
 
Já não me lembro como se chamava a mulher que aqui viveu e tinha a filha em Lisboa
Casa da prima Ermelinda já falecida
O Ti Augusto Lopes e Ti Eufrofina
Tinham no quintal um poço de chafurdo
Carvalhal do Bairro
Casa da irmã da minha avó paterna a tia  Maria da Luz Canhoto
A Ti Jezulinda era uma mulher alta do Casal Soeiro, carismática no meandro das crendices e das poções mágicas…Tirou-me o cobranto.
A Ti Ermelinda e o Ti Neco quando tinham os netos de férias estes perdiam-se nas brincadeiras no Largo do Bairro, mal a noite caia punha-lhes o candeeiro a petróleo na janela, assim o Zé Manel e a Cristina não perdiam o caminho de casa…
Mais gente do Carvalhal: Arlindo e Helena; Celeste, Emília, António e Lídia Lopes; Prima Luzita do "Canhoto" e irmãos; António, Filipe e Mário e,
No Pinhal: Helena e Fernando, altos e bonitos; Henrique, Joaquim, Mário, Gracinda, Maria, do Ti " Borracheiro", muito dados; Adelaide e,

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