Falar de Ansião aquém do espectável na visão do Prof Hermano Saraiva em novembro de 2007 já estava prevista a sua visita a Ansião.O Jornal Serras, anunciara o convite assim como o mote de exigências, nomeadamente a visita a dez locais de interesse no concelho. Aconteceu a uma 5ª feira no princípio do mês de Dezembro indo para o ar no dia 10. O programa poderia ter sido melhor a meu ver porque o Prof. demorou demasiado tempo com a polémica da ortografia do topónimo Ansião escrito antigamente com "C" e atualmente com "S" por decreto-lei e ainda aflorou outra versão junto à Ponte da Cal sobre a lenda da Rainha Santa Isabel quando aqui passou e se apeava da sua liteira para se refrescar dando esmola a um Ancião, (sendo ancião, um mendigo,velho). Não fiquei totalmente convencida ...No meu tempo dizia o povo que a ribeira só corria no inverno, no tempo dos nabos até meados de junho, dependia da invernia de chuva.
Correlacionei a construção da ponte da Cal foi adjudicada em 1648 a um Mestre de obras de Fala, Coimbra . Foi privilegiada a escolha de um troço romano desativado nas Lagoas, antes esteve em uso outro mais para poente a passar pelas Lameiras, Igreja Velha e Vale Mosteiro e para sul Almoster e Ourém. Vinha de Conimbriga se ramificava depois do Rabaçal, em Tamazinhos, onde foi encontrado um miliário para algures entre a Cumeeira e a Lagarteira se voltava a bifurcar, a principal via seguia para Togeira, Rego da Murta e Tomar e a outra pela Constantina, Netos e Lagoas, Ansião, onde como já mencionei se bifurcava em duas variantes - uma na direção ao Vale Mosteiro a que foi privilegiada para o primitivo burgo ali estabelecido e na minha perspectiva depois de 1593 foi alterado para nascente pela construção de uma nova matriz com essa data sendo na centúria seguinte reativado o troço da antiga via romana mais a direito onde se veio a construir a Ponte da Cal . A rua que partia desta para a vila passou a chamar-se Rua Direita. Precisamente nas Lameiras no local do nó do IC8 havia um fontanário em pedra - Fonte da Bica e na frente abria-se um grande tanque de chafurdo lajeado que conheci em miúda com a minha irmã a recordação o seu tamanho à semelhança de uma piscina, ornado a dois degraus, muito mais tarde num filme passado na Bretanha distingui um igual, a reivindicar no passado tenha sido um tanque romano? Situado na beira da estrada real até 1593, e na sua frente para poente havia uma casa antiga, talvez da quinta? O Nabão ficava-lhe a escassos metros para sul onde as carroças e os cavalos entravam na ribeira sem muro com muito cascalho, no meu tempo atravessava-se o Nabão com água por uma estreita ponte de pedra pedonal que dava acesso a um carreirinho também de pedra de encosto ao muro alto da propriedade confinante a sul que embocava numa casinha onde foi no século XIX o matadouro e no meu tempo canil municipal. Esta estrada real a primeira em Ansião e a segunda depois de 1648 com a construção da Ponte da Cal foi relegada para 2º plano pelo ministro Fontes Pereira de Melo quando a retraçou por Pombal - a nº 1, deixando Ansião mais pobre no traçado de acessibilidades principais.
No tempo da Rainha Santa Isabel a Ponte da Cal ainda não existia. O que existia era a passagem sem água e talvez tivesse havido uma ponte de madeira (?) até ser a actual construída. Quem vem de norte ainda verifica que o actual adro da capela de S Pedro se apresenta baixo e era nesse sentido que se fazia a passagem de pessoas e carroças em tempo de seca ou pouca água. Aqui neste local foi identificado um habitat romano, verossímil que a razão da ponte ter ficado debaixo do arco a norte com tanques de chafurdo é porque ali já existia um tanque romano para banhos. No tempo da Rainha Santa Isabel a via romana aqui com traçado estava em declínio estando em actividade a outra das Lagoas , Lameiras e Vale Mosteiro, nesse pressuposto a Rainha Santa jamais aqui se apeou para se refrescar e se alguma fez aconteceu o tenha sido no tanque de chafurdo com a fonte da Bica, mesmo na beira da estrada então real e com melhor acesso que a ribeira do Nabão . Em verdade em tempo de inverno com chuva o Nabão é impossível de se passar pelo seu leito, uma possibilidade era contornar a nascente do Nabão que dista um escasso quilometro pela derivação da estrada coimbrã esciam pelo lombo da Fonte Galega ao Vale do Buyo onde se encontra desactivada uma capelinha de Alminhas, o caminho ainda lá está e se encaminhavam para poente para Ansião passando pelos Olhos d' Água.
As lendas não passam de lendas com alguma raiz verdadeira misturada com a criatividade e crendice de um povo analfabeto beatizado que acreditava facilmente em tudo que não sabia explicar o rotulando de Milagre, ao se banharem nas águas, se lavavam e livraram de pulgas piolhos e lendêas , sem saber o que era higiene e tendo estas águas propriedades químicas que resultam em boa prática para curas e males de pele os fazia sentir melhor e nesse facilitismo lhe atribuírem poderes milagrosos, ritual que veio a originar o Banho Santo, mas antes tenha sido deixado pelos romanos que os judeus também fizeram uso até ser proibido por se mostrarem os corpos e induzir a pecado... Os banhos uma tradição judaica de purificar o corpo, mais tarde
proibidos por induzir a liberdades que não eram bem vistas pela igreja
tendo sido proibidos.Debaixo do arco norte um tanque de chafurdo para homens e outro para mulheres, eram fechados por tabuado de madeira que se encaixava em furos no rebate dos tanques. No tanque das mulheres existe uma pia pequena que atribuem erradamente à Rainha Santa, e não o foi como antes já expliquei, esta ponte foi construida em 1648, o pequeno tanque rectangular era para as crianças onde ao lado as mães delas tomarem conta, na minha opinião. Nos tanques de chafurdo todos se banhavam para se lavarem e tratarem de mazelas e eczemas de pele. Vou contar uma cura que é verdadeira, a minha avó materna Maria da Luz Ferreira da Mouta Redonda chegou aqui a deslocar-se com o filho Alberto Lucas à roda de mais de 80 anos por sofrer de eczemas na pele nos braços ficando curado da maleita. No meu entender os tanques de chafurdo foram inicialmente feitos para reterem água quando o rio começa a ficar seco, aliás existiam ao longo do leito tanto na margem esquerda como direita poços para regar os milheirais no verão, tive a sorte de nunca ter caído em nenhum, os meus pais eram donos de uma fazenda, a Lameira, extrema com a margem norte do Nabão, no verão quando o calor apertava aqui afluía com a minha irmã de bicicleta para tomarmos uma banhoca entre o manto de agriões floridos a fervilhar nos fios de água em jeito de regato, em Ansião o Nabão sempre se chamou somente ribeira! A primeira vez que distingui este nome - Nabão foi numa minúscula tabuleta na ponte do Marquinho quando ali passava na camioneta para Pombal...
Recordo há muitos anos ter visto um programa de língua portuguesa da Dra Edite Estrela a dissecar a origem do nome " Ansião" alvitrou vinha do latim Ansianum o resto já não me recordo bem, para agora o Prof Hermano Saraiva vir dizer que o nome é de origem germânica...De facto a região foi pertença do Mosteiro de Sta Cruz de Coimbra onde teve a herdade de Ansian que mandou povoar por 30 povoadores e suas famílias com povoadores da Galiza - povo franco, hebreus e judeus cristianizados ainda existe descendência cruzada com mouros e berberes .
O ilustre Prof Hermano Saraiva falou da Torre, de Santiago da Guarda, na sua teoria seria uma torre de vigia como haveriam outras que o tempo não perdoou, como a Torre de Vale Todos que hoje nem vestígios há da sua existência...Falou das escavações romanas e da descoberta dos magníficos painéis de mosaicos cuja extensão, os maiores da Península, e do que fora uma das casas do Conde Castelo Melhor mais tarde reaproveitada no espaço, enquadrada com a torre. Deprimente, não culpa dele, mas de ouvir a verdade nua e crua ... "bom, o espaço era de particulares, foi comprado pela Câmara " digo eu, supostamente se endividou até ao tutano, para hoje ser o único monumento nacional no concelho, menos mal, só por isso valeu a pena. Mas digo eu, o proprietário deveria ter o orgulho de o ter doado à sua terra porque em abono da verdade nunca dele usufruiu em rigor, entaipado, o que foi bom, falo das janelas e portas ao estilo manuelino atulhadas de pedras soltas deixando escapar ao olhar mais curioso o efeito da pedra trabalhada a lembrar lábios carnudos, sem cordas, fatalmente o que recordo de infância, na frente já no meu tempo havia uma taberna e mercearia separadas, e entre elas ao fundo do pátio se antevia o que restava do espólio monumental , com a torre cheia de ervas a crescer por todas as frestas e ainda uma figueira em rematar à laia de pouca história não dizer ali foi um paço com brasão dos Condes Vasconcelos Ribeiros de Sousa e Prado de 1544, vendido ou perdido nos finais da década de 50...
Viva o Dr Adriano Rego que doou o espaço denominado Mata Municipal no coração da vila de Ansião, embora não fosse sua herança e sim da segunda esposa D Lidia Veiga.Todos sabem que está em falta a Câmara que ainda não mandou erguer estátua no referido local com a menção da data da escritura a ser desterrada pela sua filha Sra D. Maria Amélia.É o que faz sentido no mínimo se o pai tão tivesse sido benemérito hoje a referida senhora e a sua irmã poderiam vender o espaço por muito e bom dinheiro.Coisas para pensar com muito respeito!
Não apreciei o facto do Prof tivesse falado do " Santiago" sem raiz histórica ao nome do Lugar - a origem do topónimo Santiago, da Guarda ,advêm da existência da Quintã da Guarda que vem da centúria de 400 e da sua Feira da Moita Santa . Antes teve nome árabe Almoçam ou parecido (?), a quintã da Guarda veio a juntar o nome Santiago alusivo ao apóstolo cuja peregrinação do seu Caminho para Santiago de Compostela e paar sul Garreaja, Empiados, Casal Soeiro, Venda do Negro, ou outro talvez o mais antigo Vaçe Mosteiro, Chã Galega, Escarramoa, Barreira , Gramatinha, Venda do Negro.
Continuando a falar do orador seguiu para a Torre Vale Todos onde mostrou as Imagens antigas da igreja, a mais importante da escola de Coimbra, de João de Ruão e uma Imagem do Santíssimo do séc XV.Não mostrou mais nada porque se tinha levantado uma imensa névoa, acabando o programa no posto de turismo, a mostrar o queijo do Rabaçal e a falar do aferventado...O que ficou por dizer ? Nada falou de Dom Luís de Menezes o Senhor de Ansião, onde foi o seu solar, hoje os Paços do Concelho, ampliado em 1937 quando sofreu um incêndio.Não falou da Igreja da Misericórdia sobretudo do vestígio no tardoz da sua porta gótica e do túmulo que ali jaz que se encontra o letreiro fracturado de um capelão de Gois. Nem da Igreja Matriz. Imperdoável foi mesmo não ter ido ao Avelar mostrar a sua Igreja, a rivalizar a beleza dos dourados com a Igreja da Torre de Vale de Todos e da Aguda, tão pouco do forno da Nossa Senhora da Guia, da tradição do Bodo aos pobres instaurada pela Rainha Santa Isabel e na região centro tão enraizada em Soure, Abiul, Pombal, Ansião, Aguda, Tomar e do que foi a indústria têxtil no Avelar trazida por galegos judeus. Tão pouco falou da Igreja de Chão de Couce e do seu retábulo pintado pelo Mestre Malhoa durante 50 anos viveu sazonalmente em Figueiró dos Vinhos, com a mãe da Beatriz Costa onde veio a conhecer um brigadeiro amante do teatro que lhe fez despertar essa arte maior, trazendo-a para Lisboa onde acabou por abraçar a vida artística. O Mestre Malhoa muito amigo da família da Quinta de Cima passava o mês de Setembro em Chão de Couce, ainda hoje mantêm o seu quarto e contam-se histórias recheadas de humor sarcástico, quando num faustoso repasto se consolava com uma perna de leitão assado esta lhe escapou para a carpete, sorrateiramente a levanta com o sapato e a esconde...O programa televisivo tem uma duração pequena, de fato não pode tudo ser abordado.
Mas também é verdade que poderia ter uma visão diferente, já sei que o dia não estava bom para a filmagem mas convenhamos, quando estava ao pé da Ponte da Cal podia ter dito, olhem, aqui corre o rio Nabão para uma maioria do público ainda o fatal desconhecimento, há gente que acha que nasce no Agroal, outros em Tomar, mas de fato nasce no Algar da serra da Ameixieira rebentando em dois poços feitos pela erosaõ das águas em milénios, hoje apenas existe um o outro julgo seja na chamada eira que se encontra atulhada porventura com o novo poço nos anos 60 ? Não mencionou a casa que lhe estava mesmo defronte que fora do Dr Vítor Duarte Faveiro, foi Diretor das Contribuições e Impostos no tempo de Salazar o mentor do nº de contribuinte.Nem tão pouco falou do considerado mais ilustre ansianense Pascoal José de Melo Freire dos Reis nome de rua em Lisboa e em Ansião, faltando-lhe o apelido "Reis" e por isso a falta de ligação dos seus descendentes por desconhecimento, aos 19 anos foi o juridisconsulto decisivo no julgamento dos Távoras, ao bater o martelo na terrível sentença para mim armadilhada pelo Marquês de Pombal, seja por isso em Ansião nunca lhe foi erigida nenhuma estátua (?) numa terra de pedra e de canteiros. Para mim de longe o mayor Ilustre ansianense é o Conselheiro, o Padre António José da Silva pela obra que deixou a Ansião, a institucionalização da Comarca e os limites actuais.Admirei-me do Prof não ter ido à Constantina, o seu povo é vaidoso com a sua capela de 1623 com alpendre desproporcionado dizem os críticos de arte onde se guarda religiosamente um manuscrito na Confraria do rei Filipe II.Na Fonte Santa foram encontrados vestígios da pré história descobertos em 1786: duas sepulturas e facas em sílex e mais não sei quê..E a anta que o Padre Coutinho identificou? E os machados de pedra do Neolítico descobertos na Gramatinha ,sem se saber onde estão!
Ficou por abordar o episódio do campo da célebre Batalha de Ourique celebrizada em Ourique no Alentejo ou se travado na várzea entre a Atenha, Aljazede e Chãos de Ourique. Num seu programa o Prof nesta temática a atribui na possibilidade de aqui ter sido travada não negligenciando outros locais além destes descritos; Chã de Ourique no Cartaxo e Campo de Ourique em Lisboa.
O Professor não falou no Alvorge vila com tanto património e capelinha datada de 15.., recentemente recuperada a fonte e tanque de chafurdo roman no vale junto da estrada romana/ medieval vinda da Fonte Coberta onde me recordo há mais de 40 anos lá ter ido num dia da festa de táxi, descemos o costado com o meu pai para nos mostrar um solar já abandonado com brasão dos Carneiro Figueiredo da Guerra. Anos mais tarde fui conhecer a nascente da Ribeira de Alquelamouque, é visível onde rebenta a água com lajes de pedra em forma de triângulo invertido a evidenciar origem romana/visigótica, embora entaipada de pedras com canal de água desviado onde ainda distingui o que resta das antigas casas de pedra pela ribanceira acima entremeadas pelos rebanhos, cujo leite de mistura de cabra e ovelha faz nascer um queijo de paladar delicioso atribuído à erva de Sta Maria, assim chamado o tomilho por estas redondezas em todo o maciço de Sicó, e ao cimo do outeiro existe uma capelinha de 16.. com alpendre pequeno e pedras de avental a fazer de muro, muitas casas restauradas à traça antiga de gente abastada que vive na cidade , e aqui tem o seu refúgio de fim de semana. O Prof falou que Ansião não era terra de palacetes nem quintas, era uma terra pobre que fora dada às pessoas para nela viverem, daí o número exorbitante de aldeias julgo 180 (?) em todo o concelho. Mas afinal existem casas importantes, ora vejamos o rol:
Paço do Conde Castelo Melhor foi um paço, a quinta da Guarda e a capela da Moita Santa.Ruínas do paço jesuíta na Granja em Santiago, junto à Estradinha havia um grande casario da família do marido da filha do Sr José da Silva do Fundo da Rua, da D Palmira. No Alvorge a quinta da família do Dr Rui Lopes que fundou o colégio Nuno Alvares em Tomar onde o Professor estudou e o meu pai, o solar dos Carneiro Figueiredo da Guerra, a quinta do Sobral, a Quinta de Maceda. Netos, uma casa solarenga de 17...e no Maxial a quinta de ...na vila a quinta de Além da Ponte e o seu Moinho com capela de 16.. o Morgadio do padre António dos Santos Coutinho e outro no Moinho das Moutas, e a ruína de uma casa de traça judaica, a quinta de S Lourenço, a quinta de NSConceição, a quinta do Bairro, a Quinta das Lagoas, o Morgadio da Sarzedela, as quintas na Lagarteira, o Couto do Bispado da Torre, o solar de 1852 onde viveu o Dr Domingos Botelho de Queiroz, o solar na vila dos Soares Barbosa e o solar mandodo construir pelo Pascoal dos Reis... e as que se perdeu o seu nome no tempo.Na vila de Ansião temos ainda a quinta com casa solarenga forrada a azulejo Viuva Lamego dos finais do séc. XIX comprada pelo Sr Moisés por detrás da biblioteca, antes fez parte da quinta do solar onde viveu o Sr Zé Piloto e a família da D. Alda Gaspar, a quinta Veiga onde viveu o Dr Adriano Rego, a quinta do Dr Faria confina com o mercado ainda visível o enorme cedro do Líbano e as ruínas da casa tipicamente portuguesa com janelas de avental e pedras para os vasos ladeando as janelas e,...Em Chão de Couce a famosa Quinta de Cima dos primórdios da nacionalidade da família de D Leonor Teles onde esteve com o rei D Fernando, e mais tarde se refugiou com o conde Andeiro, o seu amante, a Quinta de Baixo, a Quinta da Rosa e,...No Avelar, na Rascoia a Quinta de Sto Amaro de 17..inscrição na frontaria da capela.Peço desculpa, sei que existem mais, mas não fiz nenhum estudo prévio, tudo é de improviso neste roteiro a falar de estória com história!
Lembrei-me dos moinhos de vento nesta zona são de madeira e rodam consoante o vento. Herança trazida na minha opinião pelos judeus na sua Diáspora vindos do médio oriente trazendo a herança do Afeganistão e aqui aportados vindos do litoral para o interior cuja existência se encontra desde a gândara ao Maciço de Sicó, considerados exemplares únicos no mundo, igual só os distingui em Porto Santo em que as rodas de pedra deslizam sobres círculos chamados eiras, também de pedra , o moinho com dois lados iguais e um diferente, rodam à força de um só homem e os moinhos de água, masi antigos, já existiam em 1359, por existir uma contenda arquivada na Torre do Tombo que os testemunha, julgo apenas existem um ou dois exemplares a laborar, de particulares, os demais que vou compilando estão em ruina e sem oalno de catalogação, já os moinhos de vento foram repostos na serra da Portela , Outeiro, Melriça. Na Costa ao Escampado também existiram dois munhos de vento , descobri um dos morros há muitos anos na extrema de uma propriedade minha e da minha irmã com vista deslumbrante sobre a vila de Ansião.
Da gastronomia ficou por dizer além do aferventado, o requentado que a minha avó Maria da Luz Ferreira dizia fertungado, a Cachola que a minha TITI fazia muitíssimo bem, o cabrito assado no forno acompanhado com grelos, a chanfana de cabra velha, o rechelo também conhecido por borrego, o verde, a lebre guisada, a galinha na púcara com couves, galo de cabidela, leitão assado, perdiz de escabeche, bacalhau com colorau.....isto e muito mais era a cozinha da minha avó Maria da Luz Ferreira na aldeia de Mouta Redonda freguesia de Pousaflores. Era hábito a família fazer grandes piqueniques na serra da Nexebra quando a mesma era despida de eucaliptos coberta de flores salpicada por castanheiros e pinheiros nórdicos nos outeiros e na Quinta de Cima. Sempre a subir os outeiros de cabazes à cabeça as mulheres chamadas de criadas resmungavam pelas costeiras acima, os homens esses conversavam e fumavam - o D João, o médico de Chão de Couce era um dos convidados além do padre Melo.
Fica sempre algo por dizer, por mim não terminava nunca a falar de Ansião e do seu concelho, nunca me basta, porque gosto de Ansião, apesar de não ser a minha terra de nascença, é com certeza a minha terra de adopção eleita pelo meu coração.