terça-feira, 29 de junho de 2010

Sonho de Fundação em projectar a velhice num lar de luxo em Ansião!

Ao projetar o meu pensamento as memórias e os sonhos atropelam-se em clamar para ser eleitos onde apenas um merecerá essa honra no sonho "mayor" idealizar como gostaria que fosse a minha própria velhice. A minha apetência para construir castelos no ar é antiga, para esta nova etapa da minha vida entendi como aliciante reconstruir um desses muitos sonhos para mim de todos o mais fascinante. A esperança que um dia hei-de ser rica!
Costa
O sonho mayor em liderar uma Fundação que perpetuasse o nome dos meus pais, de cariz humanitário, numa dimensão solidária de luxo, onde o residente teria de obedecer a critérios de objetivos pré – definidos.
Numa propriedade de família na Fonte da Costa o local ideal no apogeu a recordar boas lembranças de outrora, onde o meu pai em garoto apanhava carrascos para os fornos da padaria e se acoitava da chuva debaixo de uma pequena anta, onde haviam dois munhos, o carreiro do moleiro fazia extrema, aqui em miúdas, eu e a minha irmã apanhávamos pinhas verdes para ao lume fazer saltar pinhões, lindos os ramos de madressilva na primavera, com vistas sobre a vila cortada aqui e ali, por todo o lado por muros de pedra solta.Um paraíso selvagem que no outono se alinda de laranja com os medronhos.
As vistas que se contemplam é de tirar o fôlego sobre a vila de Ansião que se espraia à nossa frente em vale delicioso com os Casais em contraforte que lhe confere uma beleza ímpar e para além as eólicas do Rabaçal, Grondramaz e,... O clima por aqui é ameno na mística vegetação mediterrânica  numa simbiose de tonalidades e aromas intensos encantaria por certo todos aqueles que desejem desfrutar de caminhadas. Um lugar de eleição meu e da minha irmã numa extensão de 40.000 m2 , único, perfeito, pelo qual sempre sonhei.O lema da Fundação passaria por proporcionar à família residente pró vida em ambiente saudável, com Livro de Reclamações, numa mensalidade super acessível 75% da reforma de cada utente, sendo o restante para seu próprio usufruto .Teria de contemplar aposta exigente em programas temáticos inovadores e criativos de lazer e terapêutico. Onde a esperança de viver o dia a dia com muita alegria e bem-estar seria a exaltação maior e num qualquer dia quando a partida não puder ser mais adiada sentir na despedida de cada um, um adeus no olhar e sorriso nos lábios...Exigência no expoente máximo da arquitetura e design, em aposta no último grito de acessibilidades, conforto, aproveitamento da luminosidade natural em apartamentos individuais de privacidade mais intimista e acolhedora para a família residente. Também na escolha dos melhores profissionais dos ramos: saúde; alimentação; técnicos de artes e animação; entre outros numa panóplia de serviços oferecidos a senda dos objetivos da Fundação: Enfermaria;Ginásio; Piscina; SPA com linha de higiene, sais de banho e fragrâncias; Atelier para Workshops, Biblioteca; Espaço Cibernauta; Salão de Música e Baile; Capela; Salão Chá num ambiente de conforto com poltronas que inspire ao relaxe e, inevitavelmente ao deleite do romance, que seja apenas a sedução!
Aposta em excursões culturais semanais em autocarro de luxo. Toda a vida comunitária a ser regida por padrões definidos acordados por todos no ato da inscrição com a meta final de atingir os objetivos traçados e alcançá-los com êxito na expeta conquista de vitória nas tarefas partilhadas e cumplicidade com os demais Valores que desencadeariam um crescimento e empenho da família residente com o intuito de todos quererem mais, porque o sucesso almeja mais sucesso na concretização do ranking dos objetivos previamente traçados.O troféu para o residente que por eleição direta recebesse maior votação sobre a sua performance na semana em causa, receberia um prémio - um voucher com direito ao gozo de um fim-de-semana num hotel no Porto, no meu carro de eleição um Jaguar com chauffeur privativo, com direito a escolha da companheira/o.Para no fim do dia em repouso na paz do quarto, a troca de sorrisos e olhares com malícia, ao som da canção imortal de Sérgio Godinho.
O elixir da eterna juventude

Estou velho!
Dói-me o joelho
Dói-me parte do antebraço
Dói-me a parte interna
De uma perna
E parte amiga
Da barriga
Que fadiga
O que é que eu faço?
Escolho o baço ou o almoço?
Vira o osso
Dói o pescoço
É do excesso
Do ex-sexo
Alvoroço
Reboliço
Perco o viço
Quero ser p'ra sempre jovem
As minhas células movem
Uma campanha eficaz
Água benta e aguaras
O elixir da eterna juventude
Esse que quer que tudo mude
P'ra que tudo fique igual
Estava marado
Falsificado
É desleal!

Misticismo agora à parte saber envelhecer é uma arte"arte-nova", "arte-final".
Numa luta desigual a canção deixa um rasto de prazer há muito esquecido...O clímax do orgasmo intelectual em voltar a sentir esse prazer máximo a redescobrir lembranças perdidas no tempo.Que sensação extraordinária voltar a desfrutar desse prazer novamente que estava adormecido de uma forma diferente.Disso não tenho dúvidas porque a idade só se aplica às pessoas vulgares!
Etapa de promover a saúde física e mental num compromisso de uma vida saudável faria em todos o inusitado do Prazer voltar a acontecer!
Anseio por demais concretizar este desejo!
Como o almejo!

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Vaguear por Lisboa no meu aniversário de 2010

Lisboa. No postal de parabéns, a minha filha pedia para eu mudar hábitos, pensar mais em mim, emagrecer!
Como está lindo o Cais do Sodré com tantos novos bancos redondos de cores fortes e floreiras com oliveiras. Muita gente a mirar o rio...
Ao Terreiro do Paço gostei de ver a Pala para receber o Papa .Estrategicamente plantada no Cais das Colunas onde outrora desembarcaram réis e rainhas...Idílico cais, simples mas com muita energia, as colunas a beijarem as águas de mansinho, inspiram a sonho!
E a Praça do Comércio já a conheci com chão de tantas maneiras em calçada portuguesa, seguiram-se vários tapetes de maquedame...Gosto da forma como termina com degraus em mármore.Ao jardim do Tabaco, apesar das palmeiras lindas, continua num abandono, de cheios nauseabunda com gente esquisita. Ao início cortaram a primeira palmeira deixando o canteiro inestético ao desleixo em espera urgente de substituta. A Casa dos Bicos com uma das janelas abertas onde estava um homem com uma espátula a limpar os frisos de metal daquelas ombreiras que deveriam ter sido em pedra mas o arquitecto teimou em jeito arrojado manter a traça do antigo com incursões no moderno metal, em abono da verdade não gosto, mesmo nada...Adoro pedras e toda a força que elas exercem em mim, ainda há canteiros pelo que se devia ter apostado em requalificar à época, porque a pedra é eternas, enquanto o metal, vai apodrecendo...
Porque o contraste choca-me!
Agora a Casa dos Bicos passou a albergar o Museu do José Saramago.Apesar de prémio Nobel, o espaço é muito emblemático, em demasia para o albergar...Aquela casa, inspira a Descobertas e Descobrimentos como o Jerónimos, a Torre de Belém...mas aqui se mostra diferente pela magia de tantos bicos...Ainda me lembro do primeiro restauro em que a visitei pela primeira vez, pena pouco me lembro...Conheci o abandono a que foi vetada a caminho de Alfama pelo tardoz pela viela .
Oliveira da Azinhaga da terra onde nasceu Saramago 
As suas cinzas repousavam no sopé da oliveira .
A caminho de Alfama reparei nas favas já despontadas do canteiro da árvore em frente ao restaurante juntinho à estrada. Há dias nasciam e cresceram num ápice, floriram e agora para ficarem gradas, foram como manda a tradição rural despontadas!
Indecisa a pensar qual o arco com escadinhas da antiga muralha da cidade para rumar até à mansarda da minha filha.Cheguei a casa ofegante, sempre a subir é obra!
Adoro Alfama sobretudo pela vista sobranceira ao rio que se mostra um postal ilustrado que me deleita, derrete a retina, engasga de paixão.Adoro este Tejo!
No regresso novamente a pé, desta vez fui por dentro e por a igreja de Nossa Senhora da Conceição Velha estar aberta no convite a entrar e rezar ainda comprei duas velas que acendi; a Santo Expedito e a Sta Filomena. Saí mais confortada, o pior eram os pés, tinha escolhido uns sapatos baixos mas um nadita apertaditos...com o calor incomodavam-me!
Ao Corpo Santo, três miúdas à minha frente em alegre conversa sobre rapazes, reparei que uma entra na telenovela dos Vampiros, não é que acompanhe, quero é ver o programa a seguir e tenho de aguentar. Cheguei ao último minuto para a partida do barco. Sentei-me no primeiro andar onde gosto de olhar o buliço do rio, ao longe vinha uma caravela com quatro mastros, parecia o Criola, mas quando virou não vi a nossa bandeira...Linda, branca, elegante, soberba!
Um homem sentiu-se indisposto no barco, chamavam por ajuda, afinal é hábito dizia ele já recomposto, ao sair uma senhora pedia-lhe para se sentar no banco na praceta até se sentir com mais forças que ele aceitou o conselho e eu continuei a pé, agora sempre a subir a caminho de casa. Passei na florista, não resisti, comprei uma buganbília cerise,carmesim,cereja a minha cor predilecta.Os sapatos chateavam-me e não fui de modas, fiz deles tipo sandálias, acalcanhei-os com desprezo...e venci!
Caminhei bem melhor...alívio, onde me interroguei porquê sofrer, que se lixe a etiqueta...O parecer mal...que se lixe a opinião dos outros!
Quando cheguei a casa, cansada, tomei um bom banho, massajei os pés e deitei-me no sofá a descansar. Jantar a dois com champanhe francês...
Grande dia!

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Em dia de 25 de abril de 2009 a feira de Algés e Alfama,...

Longe vão os anos que nesta data criava em mim tamanha ansiedade de assistir aos muitos concertos...
Cansei-me optei por mudar de horizontes e fomos à feira de Algés.
Caminhámos por entre estátuas de pedra, com gente que ia e outras que vinham!
A consciência dizia-me se almoçássemos na casa da nossa filha ficava "o dia do 25 de abril mais barato"...
Aparecemos de surpresa e preparou-se a mesa com vista sobre o Tejo, tão bonita até parecia que havia festa.

Nada faltou desde a tábua de queijos e presunto, os croquetes, a boa salada com oregãos de Sicó, arroz branco, uma das minhas especialidades para segurar a lasanha, que não era muita...salada de frutas, café, bagacinho do nosso lavrado em garrafa de vidro antiga servida em cálices diferentes de todas as cores e tamanhos e tarte de requeijão. O dia estava a convidar. Alfama é lindíssima com tantos miradouros cheios de gente, tantas frestas de caras para o rio, a caminho da Graça sempre a subir...
Visita à Villa Sousa, logo à entrada dois tetos em estuque autênticas obras de arte, em semelhança com os agora condomínios de luxo...Encontrámos outro miradouro sobre o rio, mas sem forças fui devagarinho até ao miradouro da Senhora do Monte... Ao lado das Mónicas, na pedra gravada a inscrição, CASA DE CORRECÇÃO, debalde tinha-me esquecido da minha máquina em  dia que convidava a fotos únicas. 
Cansados de sacos nas mãos e tantas escadas a subir e a descer Alfama...Adorei tê-la ajudado, foi um prazer!
Aqui estou eu a descongestionar o stress e o cansaço.Contente apesar de tudo. Teimosa, apenas bebi um chá verde e uma fatia de bolo de chocolate que fiz ontem, uma delícia, a cobertura ficou um espanto, cremosa a derreter suavemente na boca...ainda consegui introduzir o IRS, este ano diferente pela primeira vez. Amanhã pago os impostos, essa é para doer, e muito.Distingui turistas de mochila às costas com cravos entalados à laia do que se viu há 36 anos nas espingardas...e alguns, poucos, murchos pelo chão...
E o 25 de Abril onde ficou neste me longo dia?

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Rio Maior no 32º aniversário de casório na feira da cebola

O tempo convidou a passeio, o vestido fresco ajudou, senti-me muito bem, gostei de ter revisitado Rio Maior a vila e as suas salinas, que muitos não conhecem.

Festejo do 32º aniversário de casamento na vontade de ir até Rio Maior na feira da cebola, há anos que aqui não vinha...
Os muitos feirantes ordeiramente alojados em tendas todas iguais junto ao pavilhão das feiras com muita qualidade de cebola, desde a branca, espanhola, roxa e claro da portuguesa, a minha favorita que devoro!
Chegou-se a hora de almoço. Decorria um festival gastronómico no pavilhão; havia carne barrosã, de toiro do Ribatejo e arouquense, escolhi a última. Uma maravilha!
Como entrada um pratinho de frangalhos de carne estufada, foi comer e chorar por mais, nem há palavras para falar do deleite apetitoso degustado, escolhemos costeleta de novilho e naco acompanhados com batata cozida, vinho do Douro, fresquinho e queijo da serra da Estrela. Repasto caro, mas delicioso.
Interessante foi a companhia de um casal muito simpático de Alenquer, à volta das nossas idades, mais coisa menos coisa, grandes entusiastas da boa comida portuguesa e de passeios. Alegre cavaqueira,esmiuçamos cumplicidades, gosto por velharias e carros de marca Jaguar....Diria um casal moderno, de boa conversa, gostei imenso, beijinhos para a Emilinha e Sr. Vieira -, temos de nos reencontrar!
No primeiro andar tomámos um café, nada de doces e fomos à feira onde comprei um saco de 5 kg e uma réstia, pelo fascínio desde miúda quando eu própria as fazia.
Ainda uma volta pela feira de artesanato fiquei de olho numa ceira, linda, mas era carota, fica para a próxima.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Capela Santo António ao Ribeiro da Vide em Ansião

Citar o Padre Manuel Ventura, pároco de Ansião na página do Facebook
"Esta capela de Santo António ao Ribeiro da Vide deve datar dos meados do século XVII. Na soleira da porta que dá da capela para a sacristia, encontra-se a data de 1647, que outrora deveria estar na verga da porta principal mas que para aí deve ter sido deslocada quando foi feita a sacristia. A verdade é que esta capela não aparece na relação de capelas da paróquia de Ansião feita em 1627 pelo pároco da mesma.
A Relação do estado das igrejas, confrarias e capelas da freguesia de Nossa Senhora da Conceição de Ansião, redigida pelo Padre José Fernandes da Serra, em 1769, diz o seguinte:
«A Capella de Santo , tem calis, patena, e colher de prata, pedra de ara, quatro toalhas, duas mezas de corporais, seis sanguinhos, huma vestementa de seda de corres [sic], alva, amito, e cordam em bom uzo, dois frontais, hum de seda de corres [sic] muito uzado, e outro de damasco branco, e incarnado quazi novo, a Imagem do Santo em vulto bem esculpida e incarnada, hum Santo Christo bem perfeito, dois castissaes de estanho, e sino; esta forrada de guarda pó.» In “Notícias e Memórias Paroquiais Setecentistas - Ansião”
É provável que esta capela fosse outrora muito mais pequena. Como acontecia com quase todas, tratava-se de um centro de apoio à administração dos sacramentos aos doentes. Quando o pároco era chamado, as pessoas disponíveis, ao toque do sino ou sineta, reuniam-se ao pé da capela e aí organizavam uma procissão de acompanhamento do Santíssimo Sacramento até à casa do doente.
A sacristia parece ter sido um acrescento relativamente recente, quando ela começou também a servir para dizer Missa, ao menos uma vez por ano, com festa em homenagem ao padroeiro."
O Inventário Artístico de Portugal – Distrito de Leiria de 1955, da Academia das Belas Artes, refere: «Fica num alto cerca da povoação sobre um escadório de vários lanços. Está quase abandonada, e não tem coisa alguma de interesse artístico.»Creio que o seu autor, Gustavo de Matos Sequeira, não valorizou devidamente a imagem de Santo António e o Cristo crucificado que devem ser da época da construção.
Reflectindo sobre a matéria das Memórias Paroquiais que o  Sr Padre Manuel Ventura Pinho transcreveu e a sua versão aos factos faz sentido questionar sobre a capela apesar de instituída em 1603 por João Freire não foi nessa data construída, apenas instituída nessa vontade, até porque não aparece referenciada na relação de capelas de Ansião de 1627.Para mais tarde ser erigida  mais pequena com frontaria a nascente que ainda hoje existe a porta mais pequena onde junto da mesma encontramos no chão lajeado números de sepulturas.
Capela a nascente para a quinta do Bairro
Laje na soleira da porta para a sacristia com a inscrição de 1647
Falta investigação da razão abaixo da data  1647  os números 6    4. 
O Livro sobre o Património Religioso de Ansião do D. Manuel Augusto Dias, filha Dra Joana Dias e do Dr. António Simões sobre esta capela, pouco quase nada mencionado tendo sido retirado do meu Blog sem indicar fontes em Webegrafia a menção da data de 1641, por lapso de não saber ler português arcaico confundi o 7 por um 1 que à posterior retifiquei por altura do baptismo dos meus queridos netos nesta capela quando o Padre José Eduardo Coutinho a meu pedido celebrou o seu baptizado me esclareceu da data correta. Em repto isto é investigação em fazer correlação do que está escrito nas Memórias Paroquiais, mas também de colocar nos espaços a matéria exarada, no caso em mais saber desta capela a indiciar ser anterior à data de 1647 mas que até hoje ninguém assim a abordou, apenas superficialmente não a dignificando no valor que encerra herança do seu passado!
Citar excertos das Memórias Paroquiais Setecentistas de Mário Rui Simões Rodrigues e Saul António Gomes «a capela que instituiu João Freire desta villa aos 18 de outubro de 1603, parte dela possui Luísa Freire desta villa que manda dizer 24 missas e outra parte a possue Domingos Freire que manda dizer 18 missas, morador na mesma villa."«(...) devoto a Santo António ao Ribeiro da Vide, o Padre António Freyre de Sam Bento, e seu irmão o licenciado Manoel Freyre Coutinho desta vila (...) e hum a S.João no lugar da Sarzedela na Capela de Santa Luzia...»
Pressupõe João Freire como arrendatário da quinta do Bairro que era do Mosteiro e ainda estalajadeiro ao Largo do Bairro onde a quinta extremava a nascente e houve uma estalagem para ter dado o orago a Santo António, o patrono dos viandantes.Família teria origem no Escampado da Lagoa, na centúria de 500 aparece um André Freire que seria rico no papel de padrinho de batismos. Famílias ricas, exploravam moinhos e lagares de azeite e naturalmente também estalajadeiros.João Freyre tinha de ter posses para pôr a estudar em Coimbra pelo menos um filho e o outro seguir o sacerdócio, e neste caso tinha de ter bens, porque ele podia não ter igreja para paroquiar num tempo de fartura de homens a abraçar o sacerdócio, e ainda instituir uma capela.Não seria apenas da agricultura a retirar fortuna.O apelido Freire deu alguns padres a Ansião;Citar  Informação ao Cabido de Coimbra em 29.05.1769

"Relação dos clérigos da freguesia de Ansião assinada pelo Cura acima Jozé Fernandes da Serra   
Padre António Freire de S.Bento, várias vezes Pároco encomendado,vigário da Aguda, Cura na igreja de Ansião três vezes e duas Cura da Santa Sé de Coimbra, tem património a título que se ordenou muito suficiente."
Outros Padres  dos Escampados com o apelido Freyre

" O Padre Jozé Freyre do Escampado de Santa Marta de secenta, e ceis annos, hé confessor e ajuda, a tudo o que pode, e por ser munto achaquado não pode mais (?) mas tem munto zello da salvação das Almas; os livros também os remeteo;tem património suficiente, a titulo do qual se ordenou."

"O Padre Manoel Freyre  de Assumpção do lugar do Escampado de Santa Marta, de idade de cincoenta e nove anos, hé formado nos Sagrados Canones e nisto se aplica munto;também he confessor, e não deixa de ce exercitar neste ministério;padece alguns achaques especialmente de gotta, e por esta cauza não pode muntas vezes vir a Igreja;os livros que tinha de Moral, os remeteo também para a cidade de Porto pella mesma Ley."
Desconhece-se a data da inicial construção da capela que teria sido mais pequena com frontaria a nascente para em finais do século XIX ampliada com frontaria a norte quando foi feito o escadatório com dois bancos em pedra ocos na frente a ladear a porta. Depois da implantação da República houve capelas que foram anuladas e esta permaneceu para em 1926 sofrer nova requalificação com acrescento da sacristia onde foi deixada na soleira a laje com a data seguida do chão da sacristia a cimento feita pelo meu avô Francisco Rodrigues Valente.  Quanto à laje  se pertenceu inicialmente à frontaria (?) é provável. A parte da afirmação do "Sr Padre Ventura a dizer que Gustavo de Matos Sequeira, não valorizou devidamente a imagem de Santo António e o Cristo crucificado que devem ser da época da construção." Na verdade o Santo primitivo era em pau , existe um relato num Livro do César Nogueira " O Santo foi levado à fonte do Ribeiro da Vide para o lavar", a evidenciar que teria sido queimado pelos invasores pela marca da fogueira no lajeado, para hoje a que existe ser em terracota.E os instrumentos em prata os levaram por serem menos pesados.
Adoro ver o Santo engalanado com fita no braço
 Os meus oratórios


Chão em cimento da sacristia com a data e iniciais do nome do meu bisavô paterno
Marca da fogueira no lajeado da capela no endireito da porta a nascente
Na passagem dos invasores franceses em 1810 no seu chão lajeado fizeram fogueira cuja marca.
As pedras na volta da marca da fogueira encontram-se à toa numeradas e desde pequena me interrogava julgando ingenuamente que teriam sido eles que as tinham feito, para muito mais tarde conhecer outras semelhantes na igreja da Torre de Vale Todos e finalmente entender que as capelas também serviam para testemunhar a  fé católica de cristãos novos aqui aportados, mas também para nela ficarem sepultados.O que atesta a capela ter sido antes mais pequena.
Ainda me lembro da capela velhinha, quase a cair em 1965 de belo altar em madeira em azul marmoreado, muito bonito, pena foi terem-no substituído por um altar de pedra...Tenho uma foto do casamento da prima Tina tirada do quintal dos pais em que se identifica a Capela velhinha de paredes abobadadas. Sofreu obras de grande restauro por volta de 65/66 (?), tendo mantido a volumetria do espaço apenas perdendo a originalidade interior e exterior.Do exterior foram retirados os bancos ocos em pedra que existiam a ladear a porta de entrada, a Cruz e o campanário do sino foram novos e também foram alteradas as janelas a poente. Do interior foi retirado o altar em madeira na tonalidade azul em marmoreado muito gracioso e foi feito um patamar em cima do lajeado para suporte do altar de pedra e na parede frontal duas mísulas para suporte das Imagens, havendo apenas a do Santo António. A tia Maria muito devota à Senhora de Fátima enterneceu para a sua aquisição com um grande Crucifixo, espólio que enriqueceu a Capela. O lampadário central foi retirado e electrificada com um candeeiro no teto, ao meu gosto ficou em demasia alto e candeeiros com chaminé facho na lateral do altar, mais tarde foi apetrechada com bancos, tornando-a muito moderna... Do tempo primitivo apenas o lajeado do chão e a Imagem de Santo António e um Crucifixo.
No adro foi queimado o altar e a mesa da sacristia, ainda lhe salvei um puxador de madeira!
A prima Júlia ofertou-me a caixa de esmolas, por ter sido substituída por duas novas.
 O interior atual da Capela de Santo António

Esta capela de Santo António ao Ribeiro da Vide jamais foi objecto de videos e fotos de publicidade ao concelho de Ansião, tão poucono concurso Olhares de Ansião a que concorri...Para ganhar a ponte do Marquinho...
Capela com belo escadatório  dos finais do século XIX com a construção do segundo hospital no outro promontório com o rasgo de novas estradas; para o hospital, Escampados, Barreira com quatro viadutos em pedra para encanar o ribeiro(Vide) e a fonte em 1897.O Ribeiro da Vide, o adro da Capela de Santo António,o Largo do Bairro de Santo António e a Cerca, foram no meu passado locais enigmáticos da minha meninice e adolescência onde mais a norte tenho a minha segunda habitação e nas minhas deslocações a Ansião os percorro amiúde e ainda a quelha para o Vale Cerejeira, sendo certo que adoro subir o escadatório a relembrar o tempo que fui criança e fazia das lajes deitadas ao longo dos degraus, escorrega...
Vivi de paredes meias com a Capela de Santo António no tardoz do adro no gaveto à esquerda .No linguarejar da minha mãe a minha avó materna Maria da Luz da Moita Redonda vinha passar umas temporadas a Ansião para me ajudar a criar, mas passava o tempo de roda das criadas com medo que elas "roubassem" alguma coisa de valor, na idade mais de 70 anos já não lhe conferia feição para governanta nem tão pouco para ama ao me deixar sozinha na camita com o biberão enroscado na fé e sorte da reza no pedido de mediação ao divino "Santo António, Santatoninho te acuda minha filha, Pai Nosso e Avé Maria" - ao jus aludir ao soneto do Códice Conimbricense O "Divino António com o Menino Jesus nos braços" "Fiava-se Deus dele, e bem convinha - que desse António a Deus, o mais, que teve - se Deus a António deu o mais, que tinha"...Expressão lírica no azo em acreditar nos Milagres feitos por Pádua ...O  "Santo" esse fazia o que podia para tomar conta de mim,  não seria por morar paredes meias com a Capela que recebia mais graças, afinal via todos os dias a tia Maria à sua volta com rezas, flores e azeite para o alumiar e, graças não sei se as recebeu quantas pediu (?).
A casa dos meus pais e a capela 

Quintal dos meus pais beija  o adro da Capela de Santo António 
Foto com a minha mãe e as primas Tina e Júlia junto do muro de pedra antigo depois de me banharem no alguidar... Apesar da má qualidade da foto distingue-se a nova estrada para a Barreira e a antiga de ligação da vila ao inicio do Cimo da Rua ao Ribeiro da Vide roteada em meados da centúria de 600 quando o poder da Vintena foi instalado na Cabeça do Bairro  a passar à minha porta.
Foto captada pelo meu pai com a máquina emprestada pelo Jaime Paz ao cimo do escadatório da Capela de Santo António com os plátanos ainda meninos adolescentes... Segura-me ao colo no dia do meu batizado a minha querida avó materna Maria da Luz Ferreira da Moita Redonda - Pousaflores  no dia 8 de agosto de 1957, cujo padre sobrinho do meu avô  José Lucas  viria a ser considerado Ilustre Ansianense o Dr. António Freire de Lisboinha.
 Alunas do Externato António Soares Barbosa
Cortesia da Suzete ao permitir a partilha pela Odete Antunes na página do Facebook dos antigos colegas do Externato. Na foto as colegas: Eugénia Nunes, Suzete, São Vicente, Silvina, Emília de Almoster, eu e Odete do Marquinho.
Sentadas no banco defronte da capela que ainda não tinha sido remodelada, tendo-lhe sido retirado os bancos de pedra ocos que tinha na frontaria, portanto antes de 1965 (?).
Só reconheci o local pela casa feita para o casamento da prima São do balanço do poço e o muro de pedra no seguimento para a casa dos meus pais a nascente.

 A minha escolha do escadatório  onde me fiz à foto 
 
 
A Capela é aberta por altura da Trezena no ritual das velas acesas no pedido do terço durante os treze dias antecedentes à festa do padroeiro, o Santo António festejado no dia 13 de junho. O patrono dos estalajadeiros que as exploraram durante séculos na beira da estrada real, pelo menos duas estalagens identificadas no Largo do Bairro e mais duas para norte tenham sido, uma na quinta do Atalho e outra a que foi a casa dos meu bisavô Elias da Cruz. E claro entre elas haviam tabernas, a do Ti Parolo a do Ti Moreira sejam as mais recentes que ainda conheci .
Em 1971/72 frequentei o Colégio Religioso as Salesianas no Monte Estoril. Quis nessa altura o malfadado destino antecipar brutalmente a morte do meu pai, com isso não voltei ao Colégio.O facto de ter estudado um ano neste Colégio conferiu-me um estatuto de pessoa adulta sabedora das doutrinas de cariz religioso no julgar de muitas pessoas para no ano seguinte a tia Maria me dirigir convite para pedir o terço na Trezena. Honra que até aí só era pertença de uma velhota do Cimo da Rua. Um grande prazer por ter assumido tão grande responsabilidade. Estranho ouvir a minha voz sonante, clara a recitar o terço naquela Capela apinhada, porém em silêncio, apinhada de gente!
A chegada da hora fazia-se com o corropio dos cachopos em puxar o pingarelho do sino, até eu.Adorava no final a cançoneta dedicada ao Santo, enchia-me de prazer logo eu que nem sei cantar ali sentia dava-lhe jeito.A partir de meados de maio começavam os preparativos de fazer as flores e bandeirolas em papel de todas as cores. Na véspera da festa os cachopos tinham a tarefa de estender cordel pelo recinto do adro e escadaria para colar as bandeirolas com cola feita com farinha e vinagre. Os homens montavam os arcos grandes em pinho, pesados, depois de enfeitados eram postos no ar depois de abertos os buracos fundos. No arraial rapazes graçolas em rancho iam buscar lenha para se saltar à fogueira . Pedia-se a burra da tia Maria, a Gerica, onde íamos pelos pinheirais roubar aqui e ali, trazia-se uma carrada das grandes, mal arrumada a fugir pelos fueiros toscos de pinho com os cachopos em paródia a rir e a brincar. As mulheres lavavam a capela e enfeitavam o altar. Moçoilas a tentar fazer tapetes de malmequeres amarelos nos patamares das escadas depois dos cachopos a terem raspado com o sacho e varrido com a vassoura de urze.Pela noitinha no adro acendia-se a fogueira, abria a tasca dos comes e bebes, ajeitava-se a música para o bailarico, acendiam-se as luzes. O arraial estava pronto para começar a festa.Predilecção sentia por a minha casa ser paredes meias com o adro, num passo estava na festa...À volta da fogueira reunia-se uma mão cheia de gente de várias faixas etárias a comer petingas assadas no brasido e chouriça, bem regadas com vinho, cervejas e sumos.Noite dentro a deitar conversa fora, havia encantamentos e deslumbramentos. Tudo era pecado naquele tempo. Tudo era proibido. Ia para casa desgastada com a sensação de não ter gozado quase nada, e havia tanto para gozar.Rapazes bonitos, o Fernando do Pinhal, o Zé Emídio, o Toino do Tarouca, o Alberto da Carmita, o Chico Borges e,....
Capela aberta com as luzes do altar acesas
Nunca me canso de fotografar aqui em  paisagem outonal
 Paisagem primaveril
 Infraestruturas de apoio às festas
Sem estética nem rigor a desfiar o espaço ...
2016
Em 2016 no último dia da Trezena foi servida sardinha assada com broa e vinho, a "Isaura Reala" levou um panelão de bom caldo verde e uma palangana de petinga com molho escabeche. A Tita uma vida  a viver no Seixal mudou-se para a casa herdada do sogro"Trinta" ao Ribeiro da Vide fez uma grande caixa de "S" de Azeitão, eu e a minha mãe passámos duas horas na cozinha a fazer um grande arroz doce e bolinhos de bacalhau, com a conversa  esqueceu-se de pôr a farinha toda no Pão de Ló pelo que baixou, tivemos do comer em casa, estava maravilhoso, outros ofereceram bolos e rissóis e,...
A minha mãe no jardim da sua casa no tardoz da Capela
Domingo o dia ansiado de festa estreava sempre um vestido novo. Usava as pinturas da minha mãe para me maquilhar. Lembro-me de num ano a minha prima São me dizer, "oh cachopa estás muito bonita com os olhos pintados". Adorava sentir os meus cabelos cor asa de corvo longos soltos ao vento, davam-me tanta segurança fosse pelo brilho e elogios. Confiante, vaidosa e fresca até à igreja matriz buscar os paramentos para a missa e procissão. A Capela enchia-se de gente a transbordar para a rua. A procissão era muito grande e bonita. A Filarmónica abrilhantava com rasgados sons dos instrumentos reluzentes ao sol em contraste com a farda azul. As janelas enchiam-se de colchas brancas e de seda para a procissão passar. Depois abria-se a festa com a quermesse e com o pregão das fogaças oferecidas ao Santo e animais.Alguns compravam a própria fogaça oferecida com o assado para a ir comer com a família pela Cerca. Ouviam-se gritos para os jogos tradicionais. Anos mais tarde junto à tasca dos comes e bebes havia sempre gente a comer caldo verde, feijoada, carne assada, torresmos e couratos com vinho a sair dos pipos em infusas para atestar copos de três em flecha.O som do altifalante da música convidava a bailarico, apareciam sempre os desocupados, embriagados, tristes, solitários e claro bons rapazes, bonitões, atrevidotes, malandrecos e rapazes de outras paragens. Tempo de se desconfiar de tudo e de todos. De ficar "falada" infelizmente já não tinha pai e sentia por isso o dobro do dever de me recatar pela defesa da honra...No entanto sentia querer namorar!
Adorava rir-me, fazer festa. Saudades de tempos que já não voltam.
Nesta Capela casei em 1978 - o segundo casamento aqui celebrado.Os meus netos foram em 2016 aqui batizados.
Porta engalanada para o batizado

FONTES
Página da Igreja de Ansião Padre Manuel Ventura
O Livro sobre o Património Religioso de Ansião do D. Manuel Augusto Dias, filha Dra Joana Dias e do Dr. António Simões

terça-feira, 13 de abril de 2010

Gondramaz aldeia de xisto em Miranda do Corvo


Visitei em família a aldeia de Gondramaz no feriado de 1 de Maio de 2006. Aldeia em xisto nas faldas da serra da Lousã, encravada num dos contrafortes do alto da serra de Miranda do Corvo a uns valentes 9 Kms sempre a subir por estrada estreita e sinuosa, eis que chegamos ao paraíso muito a gosto ainda a placa identificativa das antigas,em cimento, na companhia das antenas de energia renovável em desfile não me chocou!
Também se pode subir pelos carreiros estrategicamente já delineados com sinalética.Gostei de calcorrear as calçadas de xisto, revivi um cenário idílico, transcendente de foro mui emocional, só igualável a um orgasmo seja intelectual ou sexual. Mesmo assim, a um deles, seja qual for.Praticamente a aldeia toda requalificada, e a meu ver muito bem, com muitos motivos de interesse.

Mulher nua em pedra tão desnudada, agressiva, cravada numa das paredes, aventa ao visitante artista escultor, que por lá tem o seu atelier. Noutra parede apenas pequena caras esculpidas, a fazer lembrar escultura visigótica.
Parapeitos das frágeis janelas com ardósias  e nelas tachos de barro preto característico de confeccionar a chanfana, ali dispostos em jeito de vasos.
Adorei tal conexidade naquele cenário, tipicamente tão português e o contraste da negrura do barro sem vidragem como manda a tradição.A aldeia é circundada por cerejeiras, vales a perder de vista como se tivessem ali sido semeadas, nascem espontaneamente desde os confins da chamada Terra Quente em Trás os Montes, em jeito de despedida abruptamente até se extinguem no concelho de Alvaiázere depois do Rego da Murta, Areias, mais coisa menos coisa.
O lavadouro
A capela

Seguidores

Arquivo do blog