quinta-feira, 4 de maio de 2017

Fontes, Lagoas, Poços e Tanques de Chafurdo em Ansião

Aviso
A utilização de imagens e saberes exarados  nesta crónica quando utilizados devem fazer menção em Fonte, trata-se de investigação da  minha autoria.
Desde que me conheço no quintal dos meus pais ao Bairro de Santo António em Ansião a existência de um poço de formato estranho, sob o comprido, abaulado dos lados ( reportava para o formato de urna)  com uma escadaria em pedra e bastantes degraus, muita vez a subi e desci para tirar água coberta de limos pequeninos para a rega do couval em agosto...Mas também serviu para andar de barco, numa câmara de ar de um pneu das camionetas Serras de Ansião, as limpavam ao Ribeiro da Vide, onde a deixaram e a minha irmã  reutilizou dando um nó com uma corda ao meio para fazer dela um barco e navegou neste poço com remos, vassouras de piaçaba...
Poço de chafurdo
A foto apenas mostra a entrada com a escada, ao fundo a minha mãe mandou fazer uma parede prolongando-se o resto para outro quintal que ficou em partilhas para um familiar.
Demorei 50 anos para encontrar outro semelhante em Ansião. Sem ninguém nunca me souber explicar porque tinha aquele formato alongado com escadaria em relação  aos demais poços todos em redondo.Foi a D. Maria José Nogueira que me disse ser um poço de mina. Há anos a minha mãe mandou limpar o poço e não lhe distinguimos nem  mina,  nem tesouro, acima do poço haviam paredes muito grossas a evidenciar naquele alto, o maior a sul depois da vila onde teria sido um habitat romano?Sendo que se encontra a escassos metros da estrada real, antes romana...Aclararia numa conversa com a Fernanda Freire das Lagoas ao me falar da existência de uma mina de água na quinta das Lagoas com data de 1771  onde fui há dois anos, propriedade camarária com terreno limpo, com a fonte envolta em silvedo não a pude observar devidamente, sendo certo aventa ser uma fonte de chafurdo com mina, porque dei conta que a água escorre por ribeiro até se extinguir mais à frente na propriedade. Necessita ser limpa para saber se ainda tem a data e porque é património público histórico a preservar.
Mina de chafurdo da fonte da Quinta das Lagoas
Mais tarde a D Elvira André me confidenciou afinal a minha dúvida sobre o poço no quintal dos meus pais era um poço de  chafurdo , que ela herdou uma propriedade também com um , logo parti para o descobrir, em formato redondo e a escada em pedras soltas sobrepostas ao longo do muro do poço .Infelizmente o seu proprietário atulhou-o de telhas.... O musgo não deixa na foto de ver a escada.
 Ao lado do poço a mina em formato de fole ou cornucópia
Quinta do Lameirão no antigo caminhos dos Barreiros
Costado norte da margem do Nabão onde houve a Fonte da Bica com tanque de chafurdo
"O Padre José Eduardo Reis Coutinho no seu Livro de 1986 na pagina 78 em nota de rodapé   menciona que dos antigos fontanários de "chafurdo" , é considerável o que existe no termo de Lagoas e à entrada da Sarzedela. Fica junto à estrada e, pela estrutura de alvernaria, parece um forno de cozer pão;sendo exemplar único no seu género, merece ser atentamente preservado, porque é património cultural. Outro existe na Bica, e data de 1783." Possivelmente o Padre Coutinho refere-se ao que se chama rio na Sarzedela, no termo de Lagoas,que não conheço, e este da Bica de 1783.
Na minha memória guardo ainda a Quinta ao Lameirão com  um enorme tanque de chafurdo em lajeado e no canto o  fontanário, a fonte da Bica, sita na beira da estrada coimbrã , hoje soterrado no nó do IC 8 em Ansião. De tanto (falar e bater...) tenha havido clarividência para na rotunda à imediação da sua primitiva localização ter sido recentemente  colocado o enorme barril que serviu de ornato ao cortejo do Povo o ano passado do carro dos Netos, no tema  alusivo à água e às fontes para aqui neste sítio ter sido colocado o barril, para mim não foi por acaso!
E obviamente me parece a atitude de louvar!
O barril encontra-se com o bucal para a vila

Motivo alegórico  do carro de A.C Netos  de 2016
Fonte dos Netos
Antes teria sido com muita certeza um poço de chafurdo na beira da estrada romana, transformado em fonte na década de 60
Fontes
Ainda se encontram  no concelho datam de  1964 numa empreitada do Sr. Margarido de Santiago da Guarda e do pedreiro, o meu avô "Zé do Bairro" . Na maioria das vezes  com a roda em ferro para fazer emergir a água, em Ansião; Netos, Fonte da Costa , Salgueiro,  Granja e Carvalhal em Santiago da Guarda, Lagoa do Pito, Aljazede, Ribeirinho em Chão de Couce  nesta Páscoa a roda da fonte foi retirada...
Fonte da Costa
Tudo aventa antes da intervenção 1964 pelo meu avô,seria um poço com tanque de chafurdo, é muito provável, pela dimensão do espaço na beira da estrada na ligação à Igreja Velha para Albarrol e aos munhos que houveram no Escampado da Costa.
Nas imediações haviam poço de chafurdo no quintal do Ti Parolo, eram dois, na beira da estrada real.
Fonte da Costa
Fonte da Granja em Santiago da Guarda na beira da estrada que foi romana.
 
Poço e Fonte do Carvalhal a intervenção alterou supostamente a fonte que seria também com tanque de chafurdo do tempo romano.A metros de uma brutal cisterna romana.
 
Fonte de Chafurdo de Almoster
Lucília do Carmo -  "Havia uma fonte de chafurdo junto ao Casal da Raínha, perto de Almoster, deixou de ser porque me lembro de o meu Pai como estava na Junta de Freguesia, de terem feito as ditas obras, isto por volta de 1949/50 não sei ao certo !"De novo alterada em 1982, perdeu-se o valor da história que encerrava, na beira da estrada para o Vale da Couda.
Estive no local e distingui a fonte, aventa  tenha sido de facto uma fonte com tanque de chafurdo.
A água é um bem essencial para a vida, os nossos antepassados na região sempre tiveram escassez de água por ser um chão cársico com muitas fendas e a água se entranhar  pelos algares que dão vida de inverno a vários rios, (Nabão, Dueça, Anços, Rio dos Mouros, Rio do Olho do Tordo, Fontinha em Almoster , ribeiras e ressurgência d'àgua perto de Formigais.
Sendo certo que em toda a região cársica a única que encontro com água no verão, apesar deste ano com seca que outra igual não se deslinda nos últimos 100 anos, se encontra a nascente de Almoster  num grande poço ao cimo da encosta cuja estrada de terra atestada na toponímia .
Poço que abastece a Ribeira de Almoster
E um  outro veio de água  abastecia as azenhas a poente, no passado aqui se chamava Chão d'águas, hoje não sei. Senti um deslumbre de fresquidão e não tem sido aproveitado e o merecia, para usufruto da população e viandantes em peregrinação a caminho de Fátima e de Santiago de Compostela.Que outro espaço assim nasceu o ano passado na Freixianda também com um ribeira, que o visitei, se mostra fresco, florido e muito agradável para se passar um dia em família com fornos, churrascos, parque infantil e outras estruturas, para pensar a câmara de Alvaiázere em distinguir Almoster apesar de estar de costas tem mérito e o merece e bem em ser engrandecida! 
Ribeira de Almoster 
Ponte restaurada nos ombrais laterais, cujo lameiro tenha sido este ano limpo, já crescem silvas e as árvores na moldura da ribeira estão muito grandes
Azenhas de Almoster
Na lateral apesar da interrupção da variante de Almoster para o Arneiro a norte se encontram as azenhas onde ainda corre a água.
Costado a nascente da serra de Nexebra 
Minas escavadas no xisto, sempre aventei ser herança dos romanos na prospecção de ouro.Existe ainda o nome Cascalheira ou Seixaleira, pedras que ficaram da sua exploração.
Os primeiros povoadores talvez na centúria de 700 as reutilizou para captar a água. No meu tempo de criança a água era dividida por dias, ou horas pelos moradores, consoante a mina estivesse em terreno do dono, este teria o quinhão maior. Nas férias em casa da minha avó materna Maria da Luz apreciava as levadas de água a correr de mansinho, imagem que até hoje guardo que a beleza da água a deslizar pelo rego debruado  a verde da erva em misto de bucólico e silêncios só era interrompido pelo chilreio dos piscos, do cuco ou da coruja à noite, a minha música, porque a minha avó não tinha rádio. Havia também minas férreas, na sua volta tudo era ocre que o povo aproveitava para cozer a hortaliça, ficava verdinha. Para lavar a roupa era usada a mina a norte da Mouta Redonda, nas Calhas, nome que lhe ficou pelas calhas em pinho que traziam a água da mina do alto da encosta até um baixio onde fizeram um tanque e as mulheres a lavavam, correndo a demasia para um grande poço que ainda existe e dele se regavavam as hortas ao Furadouro. No meu tempo de criança, anos 60 na Mouta Redonda, por ter aparecido a novidade, o plástico, o povo canalizou a água das minas para as suas casas com canos finos, duros em preto, ainda se encontram facilmente pela serra. O meu avô José Lucas fez a ligação à sua mina da Cavada, descia pela força da gravidade para encher um grande tanque em pedra que ainda existe ao cimo do quintal, herança da minha mãe, cujo bocal, uma pedra esculpida com formato de rego  muito trabalho me deu a mim e à minha irmã trazer para recordação,  a água chegava à torneira presa ao postalete de madeira, nada mais que um tronco de árvore meio torto a servir de pilar ao telheiro da casa de chão em  terra rossa a imitar África pela cor forte em contraste com a bacia grande em plástico azul bebé que os tios "Paredes e Rosária", na sua primeira vez de férias após a sua emigração para Luanda haviam de comprar, porque a casa já tinha luz elétrica oferecida pelo Comendador Alberto Rosa de Lisboinha, muita novidade que noutras aldeias ainda nada disto havia. No entanto o ribeiro que lhe corre pela frente do caminho do Vale uns metros acima da casa que foi da Ti Rosa da quelha, na passagem à mina do Vale o ribeiro estrangula-se onde haviam duas ou três pedras brancas para lavar roupa trazidas da serra da Ovelha no dorso do burro do Ti Mateus, o sitio onde gostava de tomar banho junto de figueiras enfezadas que acabaram por morrer...Nesta Páscoa apesar do caminho da quelha ter sido fechado para a serra há uns anos, indevidamente, nas imediações o  seu dono por ter roçado as silvas teimei nele voltar a passar, foi difícil, mas consegui para ficar fascinada ao reparar que as figueiras rebentaram, pequenas, mas bonitas...Por toda a Nexebra existe ainda o rasto de antigas minas, na maioria secas pela forte eucaliptização. A sul a mina do Gavião que foi do avô do meu marido com tanque, era uma mina de chafurdo como era a de S. João do Outeiro do Cuco e outras por certo. 
Mina da Cova da Raposa na Nexebra, atualmente seca e visível pelo fogo...
Mina férrea na estrada do Pinhal do Índio de Pousaflores para o Furadouro
Mina de S. João do Outeiro do Cuco na Nexebra
Antes e agora intervencionada pela JFP em setembro de 2016
A JFP ao fazer a ligação da Mina de S. João à fonte pública se devia ter acautelado, a mina esteve durante anos com pouca ou quase nenhuma saída de água, quando toda uma vida esteve a correr dia e noite em tempo sagrada, para agora ter sido deixada de porta aberta se mostra sujeita a vandalismos (?), sendo que supostamente a água não foi sujeita a análise (?) estando a fonte sem qualquer aviso, sendo inevitável que quem dela se abeire seja levado a beber água. Foi o que fiz pela saudade de outros tempos ao encher 3 garrafas, para mim, o meu marido e a minha mãe, imagine-se foi um Deus nos acuda de vómitos, disenteria, ficando o corpo sem forças, três dias e tivemos muita sorte porque disso logo dei conta !
O que não foi feito aqui devidamente? O lavadouro foi requalificado e abastecido de água.
Ligação da água da Mina pela JFP sem se saber se procedeu à análise das águas que deveria estar afixado o seu relatório na fonte. 
A JFP deveria ter procedido ao fecho da Mina com porta de ferro por precaução de vandalismo com  fonte na sua frontaria para quem passar pela serra se saciar.
Em cúmulo a fonte não apresenta qualquer aviso sobre a qualidade da água e no passado apesar de seca tinha aviso, ainda identificável nesta foto.Foi reposta depois de reclamação que lhes enderecei o ano passado.

Primitiva fonte e lavadouro ao Vale, na Mouta Redonda
Alguém o mandou construir na década de 60, disso não tem qualquer menção, porque era pessoa sem vaidade, mas que hoje dá a falsa  sensação que foi a JFP em 2016 que o fez, e isso não é verdade. 

Por não haver placa sobre a qualidade da água leva qualquer pessoa a saciar a sede, ainda mais porque o espaço foi requalificado há pouco tempo.
Esta água contaminou pelo menos 3 pessoas-, a mim, à minha mãe e ao meu marido.
A JFP deveria ser mais cautelosa ao executar tarefas que envolvem terceiros, tomando cautela de prós e contras, porque com a saúde pública não se brinca!

Requalificação da fonte ao Vale na Mouta Redonda 
Sendo uma aldeia antiga, o telhado deveria ter sido privilegiado em telha vã, que ainda existe em muita ruína.A mangueira ainda ligada para salvar as casas do incêndio...e o continuou para rega de quintais...
Em Ansião além das fontes públicas as pessoas em geral tinham nos quintais poços para abastecimento das casas, minas, ou fontes de chafurdo onde mergulhavam os cântaros para retirarem a água.Sem saber os riscos que corriam, porque as águas não eram analisadas, e todos os dejectos domésticos eram despejados na estrumeira e claro com risco de contaminação. Mas também me lembro de ver gente a limpar poços, tinham essa preocupação, embora não os tapassem para encher com a chuva, mais tarde a água era encaminhada dos beirados por calhas direcionadas para encher os poços que não tinham nascente,  em geral era cimentado para não perder a água. Conheci alguns assim.
Em 1939 foi um ano de grande seca, a maioria do milho secou por falta de água, havendo pouca ou nenhuma safra. Outras secas se seguiram em 1944 a 1946 por todo o País, além dos efeitos secundários da grande guerra faltava milho para fazer a broa. Nesta altura houve uma epidemia de tifo, que vitimou muita gente. No Pereiro morreu o pai da minha querida tia Emília e a irmã mais nova por terem bebido água que estaria inquinada de um poço.
Em tempo de parca cultura em povo fortemente beatizado via  em Deus a sua salvação para em tempos de aflição em anos de seca era costume fazerem novenas ou procissão aos campos com preces de rezas com pedido a Nosso Senhor que mandasse a chuva...Então não me lembro da minha avó Maria da Luz quando se ia a Chão de Couce ou a Pousaflores levava todo o santo caminho a rezar, " este pinhal que foi do Ti Columbano avé maria e padre nosso e este que foi do sicrano e aquele do beltrano...Um tempo de tanta reza para hoje a minha se mostrar mui reduzida, que ainda a faço diariamente...
No inicio do séc. XX  procedeu-se ao abastecimento de Fontes na rede pública na vila de Ansião com água da Mina da Garriaza,  elevada ao Castelinho do Cimo da Rua, que tem pela frente um pedestal, que ainda existe com esculturas interessantes, já deviam estar limpas, que delas dei a conhecer em setembro de 2015, sabendo que já andaram em sua roda ...
O pedestal era encimado por uma Cruz alta, por isso se chamava Cruzeiro. 
Toponímia incompleta em Ansião - Rua da Mina
O certo ser Rua da Mina do Carrascoso
 
 Obra da Câmara municipal datada de 1902
Com muita certeza realizada pelo meu bisavô Francisco Rodrigues Valente, pedreiro durante anos limpava o canal de areias para a água se manter limpa.
Porque razão de se chamar castelinho à casinha com paredes encimada por ameias?As ameias ditam aqui ter havido qualquer construção antiga de defesa  do tempo romano, a estrada é via romana para sul para em época medieval  ter sido capela, alguém ainda se lembrava de ali ver um sino, pese não haver qualquer registo, podia ter sido particular para no inicio do século XX ter sido transformada em castelinho, o que faz sentido dizer (?).
Castelinho, ao Cimo da Rua em Ansião
Fiquei de boca aberta ao reparar como foi possível o arquitecto da Câmara ter permitido que a casa no seu tardoz lhe ficasse tão "entalada"...
A estrada da vila bifurcava-se aqui uma seguia pela Garriaza na direção do Carrascoso e Empiados, Venda do Negro, Alvaíazere. No Carrascoso nasceu a ligação ao Casal d' Afonso Pera com dois moradores na centúria de 500.
O Cimo da Rua apresenta ainda algum casario de traça bem antiga com janelas de avental que alguns aventam a data de 1735, num lintel apesar de seguro por uma tira em ferro o que deslindo é 1 3 1 4 (?).O enigma estará apenas no 2º algarismo a ser um "8",  e deveria ser apurado, porque faz toda a diferença sobre o passado de Ansião.Entretanto com a requalificação- desapareceu!
Rua Jerónimo Soares Barbosa 
A Fonte  já não existe, apenas o estreito edifício do depósito de água que daqui descia para a vila.
Fontanário em ferro no Largo Adolfo Figueiredo na vila

Em 1903 Alberto de Pimental na sua viagem pela Extremadura 
Esteve em Ansião tendo-se referido à existência de uma fonte - um marco fontanário no terreiro da Praça do Município, supostamente foi retirado por volta de 1937, devido ao incêndio nos Paços do Concelho que depois foi ampliado e na mesma altura foi executada a primeira calçada e a placa com bancos  pelo Manuel Murtinho, cuja data se encontrava emoldurada em calçada 37/9 ? ,  não sei se preservaram para um dia mostrar no Museu que tarda nesta terra abrir!

Fontanário ao Fundo da Rua 1937
Com duas pias em pedra para os animais saciarem a sede
Fonte do Ribeiro da Vide de 1897
A abertura da nova estrada Ansião Barreira permitiu a construção da fonte que abastecia no meu tempo a população do Ribeiro da Vide e caminhantes. A nascente encontra-se a sul a escassos metros no jardim, que foi indevidamente tapado o poço que é lajeado com tiras em ferro como a fonte.
A  vila foi dotada de abastecimento de água em 1972.
 As pedras na frente serviam para lavar roupa, a cheguei aqui a lavar
Outro poço ao Ribeiro da Vide
No meu tempo já existia ao Ribeiro da Vide este grande poço público onde os bombeiros enchiam o autotanque, também servia para encher os tanques do lavadouro público ligando o motor elétrico. Desconheço se este poço é artificial ou natural e foi intervencionado entre 55/57 como outros em ambiente cársico para prospecção de águas,  sempre o conheci  já fechado com um lavadouro público a metros a poente, entretanto demolido na primeira requalificação do Jardim do Ribeiro da Vide tendo sido outro feito agora junto do poço.
Fonte de Chão de Couce
A água vinha da serra da Nexebra de uma mina
Dolina cársica
Lagoa da Ameixieira
A seu redor a nascente alguns poços para rega das hortas de onde trouxe boa alface e couve galega para aferventar. Um dos poços é de chafurdo disse-me o meu compadre.
A horta tem um ombral em pedra no portelinho , parece ter inscrição, irreconhecível pelos líquenes,  pode ser um marco antigo?
Na minha infância o meu pai em Ansião mandou fazer um poço novo no quintal e um tanque no sótão, porque a casa foi a primeira na terra a ter placa com cimento em 57, a água era puxada por um motor eléctrico que ainda existe com canalização debaixo da terra, só possível porque naquele tempo a electricidade tinha puxada para o Hospital que estava na altura desativado,  depois do Ribeiro da Vide só a nossa casa e a da tia Maria a tinham até ao 25 de abril.
Tanques de chafurdo  debaixo de um dos arcos da Ponte da Cal
Na minha teoria a ponte não precisava de ter sido feita com dois arcos, apenas um chegava para abraçar a ribeira, a ter sido feita com dois tendo debaixo do arco norte dois tanques de chafurdo, o tenha sido porque aqui antes foi um habitat romano onde ainda haveria o tanque de banhos, dando o mote ao Mestre de obras para a sua feitura, depois dos romanos os judeus deram continuidade aos banhos até serem proibidos por incitar a más praticas sexuais, desinibição e falta de pudor fruto da forte  beatização. No final do século XIX o tempo áureo do Banho Santo até meados de 30 do século XX...Na verdade as pessoas chafurdavam dentro dos tanques, porque são muito baixos, e as águas as achavam e reconheciam ter poderes milagrosos, de facto as água tem carateristicas medicinais, sobretudo para males de pele. Já no Agroal um afluente do Nabão com água todo o ano com as mesmas carateristicas químicas  onde assisti durante anos muitos a tomar efetivamente banho com sabão azul e branco, junto da roda dos alcatruzes, hoje não existe, ensaboavam o corpo, deles se ouvia o reparo  "olha-me  para aquele mastunso ensaboado acarvar-se na água até ao pescoço..."
Na verdade as propriedades químicas das águas lhes advêm das profundezas dos algares , de facto fazem bem a problemas de pele, mas não saõ milagrosas, esse dito foi ditado pela beatização!
A pia rectangular e estreita, na tradição popular dita ter sido onde a Rainha Santa Isabel se banhava inserida dentro do tanque das mulheres,  indicia ter sido feita com o propósito para uso das crianças para não se afogarem, até porque a Rainha Santa Isabel jamais por aqui passou por a ponte ser bem mais recente de 1648, data que correlacionei na adjudicação da obra ao Mestre de Obras de Fala, Coimbra. Contudo aqui passou uma via romana que se bifurcava nas Lagoas e outra pelas Lameiras, para o primitivo burgo de Ansião,  ao meio do costado havia a fonte da Bica com um grande tanque de chafurdo, aqui sim o sitio mais confortável na beira da estrada cujo tanque com dois degraus a toda a volta, a ribalizar um tanque de termas romanos, o palco ideal para a Rainha Santa Isabel alguma vez se ter apeado para saciar a sede e refrescar os pés.Mais abaixo fazia-se a entrada na ribeira de norte para sul estrangulada para entrada de carroças. Quando o burgo foi desativado depois de 1593 para nascente foi reativado o troço de Lagoas com passagem pelo Nabão na que veio a ser a ponte da Cal, também com a margem estrangulada de norte para sul a poente antes da construção da ponte e que ainda hoje isso evidencia, pese as obras.
Pia das crianças e não onde se diz se banhou a Rainha Santa Isabel...
Na requalificação da envolvente do Nabão 
Os poços das propriedades confinantes que ficaram no espaço foram reconvertidos na traça antiga.
Poço na minha propriedade e da minha irmã com nora nas Lameiras em Além da Ponte
Poço desprotegido nas Lameiras em Além da Ponte
A guarda em tijolo em derrocada
Contudo tenho apreciado muito poço coberto por grade em ferro  e outros com vedação em rede
 Poço totalmente desprotegido na Mouta Redonda
Ribeirinho
Poço de chafurdo conhecido por poço da Ameixeira 
Não se encontra classificado. Em 1747 o padre Serra diz o povo falava que estes poços de nascentes eram fábrica de mouros- admito que sejam mais antigos, herança romana, por a  fonte do Alvorge, igualmente foi no passado um poço de chafurdo em ambiente cársico que os romanos protegiam na beira da estrada romana com uma torre, ditou o nome do Alvorge - pequena torre.
 
Um grande poço em redondo com o canal de acesso por escadaria em pedra ao género da entrada para a câmara usual numa anta
 
Nesta Páscoa cheio de água até quase ao primeiro degrau.
Canal de entrada pedonal para a escadaria que lhe dita o nome de poço de chafurdo.


 Fonte do Ribeirinho feita em 64 pelo meu avô "Zé do Bairro"
 Um poço artificial da lista de outros feitos entre 55/57 em ambiente cársico para captação de água. Foi-lhe retirada a roda de ferro para fazer emergir a água...
 A foto que registei a todos os que fizeram o favor de me acompanhar nesta caminhada
Bem hajam pelo carinho, disponibilidade e prontidão de me aturarem nas minhas divagações.
Quem se lembra do balanço para tirar a água dos poços?
Herança deixada pelos mouros... com outros nomes; picota, cegonha e,...


Lagoa cársica do Ribeirinho
O que dela resta, mostra-se afunilada pelo caminho , apresenta-se ao género de um barranco,  está neste estado atulhado de vegetação...sem qualquer atenção tão pouco manutenção ao património natural, desprezado pelas Juntas de Freguesia, por pura falta de conhecimento cultural!
Se em Ansião os tanques da Ponte da Cal estão no estado que mostrei , aqui a JFCC não se mostra de melhor eficácia. Algo é necessário se fazer e rapidamente para não se perder a identidade do nosso passado. As lagoas da Ameixieira e do Ribeirinho devem ser limpas, para ser motivo de atração turística, ao se mostrarem em total abandono, o tenham sido até aqui de visão curta!
Uma achega para campanha nas próximas eleições!
Chão de Couce
Na primitiva Quinta da Cerca
Resiste o poço de chafurdo com escada de pedra sobre pedra seca , a casa foi arrasada, o poço ainda existe...
Poço de chafurdo conhecido por Poço dos mouros na Ateanha
A escadaria se desmembrou no muro que havia atrás de mim, segundo a mãe do Costa, vizinho da minha mãe com 94 anos, me confidenciou
 Poço e fonte de chafurdo na Torre da Ladeia no Alvorge na beira da que foi estrada romana
Quinta do Dr.Faria
Antes foi da Maria Francisca sempre me falaram da existência de um tanque que encontrei agora em junho de 2017, em formato retangular fechado por vedação em rede. Por estar com água e limos, tem de ter nascente, mas como  não se encontra devidamente limpo, fica a dúvida se é um poço de chafurdo com tanque (?) .
Poço com tanque de chafurdo (?) ao lado da escada de acesso à casa da Quinta do Dr.Faria
Cimo da Rua, Ansião
A "Bina piloto" leu a crónica e disse-me que no quintal do seu tio Jerónimo Coutinho no Cimo da Rua recentemente vendido à Celeste Neno também havia um poço de chafurdo com escada. A Celeste interessada envia-me mensagem a dizer que não é no quintal da casa que comprou, mas sim noutro que os pais do Zé Manel (electricista) cultivaram quando era miúdo.

Carvalhal, Ansião
A minha amiga Helena do Carvalhal, também me disse que ia buscar água a um poço com estas carateristicas ao quintal do Ti Augusto Lopes, perguntei à Celeste se ainda existia, disse-me que o irmão o remodelou com manilhas tendo retirado a escadaria e na volta tinha  um lajeado lindo.

Vale Mosteiro onde hoje é o Intermaché
Em terreno do Sr.Artur Paz havia um poço de chafurdo com mina, que o mostrou ao sobrinho Renato Paz,  fez o favor de partilhar comigo, dizia-lhe o tio " no verão o descia pela escada e se metia num túnel, seria a mina da água onde a água nascia..."
Na propriedade do Ti Parolo havia um poço de chafurdo.

Várzea de Aljazede 
Existe o poço do Carril com escadaria assinalado pelo Prof Salvador Dias Arnault que não o soube identificar, também na beira da estrada romana.

Quinta da Fonte em Ansião
Que foi de Adriano Carvalho, cuja fonte veio a dar o nome à urbanização tenha sido também um poço de chafurdo (?) onde as mulheres se abasteciam de água.

Fonte Santa, Ansião 
Nascente cársica que aflorou em agosto em 1623 em terra de saibro, por isso o povo aventou dizer era Milagre. Teria sido feito um tanque de chafurdo alterado em 1902/3 pelo meu bisavô, tal como a do Cimo da Rua, no castelinho, por certo todas seriam poços com fontes de chafurdo, o que faz sentido dizer e com as alterações do progresso se perderam essas caracteristicas.

Coluna de aqueduto com escada de pedra seca em Almoster
Casal da Rainha em Almoster
Muro com escada em pedra seca, registada em andamento...
Muro na Cabeça Redonda com escada de pedra seca
Na região de Sicó e Ansião haverão outros poços e fontes de chafurdo , partilhei o que conheço e conheci, sendo que jamais  alguém se referiu sobre este tipo de poço ou fonte com este nome - CHAFURDO.

Lagoa cársica da Cabeça Redonda
Agosto de 2017, com pouca água...
Lagoa de Aljazede
Lagoa do Pito na Lagarteira em setembro de 2015
Mais uma achega aos vários tipos de captação de água; poços, fontes, tanques e lagoas para os animais beber  tradicionais na região de Sicó inserido a sua maioria em trajeto romano/medieval .
A prospecção de águas para abastecimento ás populações é evidenciada desde o tempo romano na região com a Fonte do Alvorge, na Granja e Carvalhal em Santiago da Guarda, poço Minchinho na Fonte Carvalho, Poço do Sobral na Ribeira do Açor, Olhos d'Água. Entre os anos 55/57 houve uma intervenção em alguns poços cársicos nas nascentes de rios,  novos poços foram feitos no Vale Aquífero do Nabão, sem se ter encontrado grandes lençóis freáticos. Mais tarde em 80 depois de esgotado o furo no poço dos Olhos d'Água a sul da estrada junto da Renaul houve um novo estudo num pinhal dos meus pais, na Vinha, onde existe um grande furo, debalde sem capacidade para abastecimento da vila, até se finarem as explorações em Ansião.

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Até que enfim o reconhecimento público ao meu trabalho neste Blog


Em 15 de dezembro de 2016 recebi um comentário que passo a citar:
"Muito bom dia, frequento actualmente o Mestrado de Arte e Património na Universidade de Coimbra. Estou a realizar um trabalho para a cadeira de seminário de Espaços do Sagrado à volta da lenda da passagem da Rainha Santa Isabel por Ansião, passo a nomear alguns dos tópicos: a tradição oral, os banhos santos, as festas em honra da santa, o nome "Ancião"; e o painel de azulejo comemorativo da lenda. A informação é realmente muito pouca, e no seu blog tenho encontrado algumas coisas, assim sendo se me pudesse ajudar mais dando informações sobre este assunto e aconselhar-me sobre livros ou pessoas como por exemplo moradores seniores, cuja experiência e histórias de vida com certeza me irão ajudar a descobrir melhor esta identidade cultural da vila de Ansião. Eu tenho família no concelho de Ansião, e do que pesquisei surgiu este interesse de haver algo escrito mais completo sobre estas tradições. Obrigada  em Cortejo Alegórico das Festas do Povo em Ansião 2016"
Enviou nova mensagem de agradecimento via email com palavras de carinho.
Para meu espanto mencionou pessoas a quem pediu a mesma ajuda em Ansião.debalde se recusaram dizendo que não tinham disponibilidade, não as mencionou no trabalho, por isso também aqui me escuso delas falar, mas registei!
AGRADECIMENTO 
O MEU BEM HAJA
Rosa em cerise que encontrei em dia de estorreira de calor no meio de arbustos do que foi um jardim na beira de uma rua na cidade de Pombal, ao lado da ruína de uma casa de traça popular e castiça, tenha sido este fôlego de ar fresco que me levou a publicar em 15 de fevereiro nova crónica sobre a Rainha Santa e a sua passagem por Ansião que passei a rascunho para não perturbar o trabalho em mãos da Maria Castela Dias, mas também porque se abriram novas pistas sobre os primórdios de Ansião, e como desde o Natal ainda não tinha tido oportunidade em me deslocar, só agora pela Páscoa o pude fazer, nesse pressuposto com algum tempo para averiguar novos dados surgidos em flecha, ainda não detentora de todos, entendi por ser matéria extensa a dividir em quatro crónicas;

Ensaio sobre a passagem da Rainha Santa Isabel por Ansião
Deslindar o ansianense Belchior Reis de Ansião
Bairro de Santo António, 3º burgo medieval de  Ansião
e...
Ontem 2 de maio ao abrir o e-email dar conta de uma mensagem que entendi a título de prenda antecipada do meu aniversário de 60 primaveras, nada mais do que a  cópia do trabalho para Mestrado de Maria Castela Dias, efetuado em janeiro.

Rainha Santa Isabel em Ansião: A Sacralização da Lenda

Eternamente grata por esta jovem ter mencionado pela 1ª vez o meu nome no seu trabalho de pesquisa em Webgrafia, Fotos e na Conclusão se referir :
" o trabalho foi muito difícil de realizar devido à escassa informação à cerca deste tema, e a que se encontra disponível é bastante contraditória .Procurei muito, e a pesquisa foi demorada e infrutífera em muitas tentativas.Mas acabei por encontrar facilmente o livro que José Coutinho escreveu sobre este tema, que contém muita informação útil mas ao mesmo tempo duvidosa. Também o blog de Isabel Coimbra, que encontrei por acaso, acabou por se tornar numa fonte muito útil de informação. A senhora Isabel tem uma escrita cuidada, e procura ter fontes seguras, o que é de um cuidado louvável, mas ainda assim não é completamente confiável pois a informação surge com algumas incertezas".

Considerações à parte, esclareço que apesar de não ser licenciada tive uma infância e adolescencia a memorizar questões sem resposta sobre locais que me são queridos, a que juntei 30 anos de trabalho nos CTT e como bancária em dualidade o trabalho doméstico e rural quando posso, para hoje em idade madura afirmar com segurança sem qualquer margem de dúvida foi muito o que angariei nesta universidade da vida, para em nada me sentir diminuída ao lado de muito licenciado com quem trabalhei, e isto não é falta de modéstia, apenas a verdade, sendo que reconheço que o estudo será sempre a via primordial e fundamental para a carreira profissional na ascensão da vida de alguém.
Em abono da verdade desprezei a minha formação académica, não valorizei o facto dos meus pais já terem ambos o 5º ano dos Liceus, em prol dos pais dos meus colegas apenas a 4ª classe, a que juntei deliberadamente vários chumbos, na primária e no colégio, por ser tímida, embora de perfil irrequieto e irreverente, toldada na adolescência com coisas vãs fruto da idade, sem jamais almejar Coimbra, a minha terra, para nela viver a sua academia universitária, e isso confesso sinto que perdi por ser nesse tempo limitada nas ideias e nos ideais, e assim se ter reflectido o que de menos bom até hoje me aconteceu este fatal erro imperdoável que carrego em sacrifício nesta vida, sei que ainda estaria a tempo de o concretizar, mas não seria a mesma coisa-, Coimbra, terra de encanto vivida em plena juventude de aprendizado cumulativamente com namoro rico pela panóplia de escolhas, acredito em chão assim vivido pelos parâmetros bucólicos e idílicos onde aprendizes a doutores e de amores, nesta terra no ganho de grande vantagem para muita porta se abrirem no futuro com os mesmos horizontes...
Aluna mediana na escola, pouco sei de gramática, baldas em regras de pontuação com crasso vício profissional ao emitir pareceres comerciais por mensagem, ainda nem existiam nos telemóveis olhando à limitação de caracteres, a custo sinto vou melhorando, reconhecendo que não tive no passado nenhum professor que me cativasse para os estudos e dele guarde boa memória, para apenas acontecer ao concretizar meio século de idade no despertar para a escrita na voz de uma professora de português na equivalência ao 12º ano, nas Novas Oportunidades, curso EFA de 1.150 H ao me elogiar a minha escrita, chamando-a  " queirosiana", facto que me deixou radiante, aliás já no banco ditava cartas nos meus pareceres comerciais, no hábito de serem alvo de comentários abonatórios por parte de analistas de crédito, diretores e de colegas, por não terem a mesma aptidão na escrita, o uso de linguagem seca e de parcas palavras. Recordo uma distribuição de prémio, um colaborador não merecia receber quinhão por não corresponder em esforço  ao padrão comercial, limitava-se a executar a tarefa delegada, quando no âmbito bcp havia a necessidade de polivalência de trabalhar em rede de powerment. Em virtude de ser a gerente do balcão incumbida nesta tarefa da divisão monetária teimei em não o deixar sem ser contemplado na ideia a transmitir juntamente  com mensagem privada onde frisei poder contar com a minha ajuda no que fosse necessário, dano-lhe encorajamento, valorização profissional na necessidade de polivalência para outros valores no futuro vir a recebe...na verdade arisquei por saber de antemão ia ser tomado pela tamanha surpresa, ainda por cima atribuído por mim, uma mulher gerente sem licenciatura no Bcp em muita cabeça de homem de ideologia esquerdista, conservador e de olho atento sempre a duvidar de tudo e de todos, debalde em total surpresa se deixa ficar bestialmente feliz, soltando a voz para o staf do Balcão "a Isabel parece o Dr. Mário Soares a escrever. Foi demais, gostei muito, bem haja..."
Então como se justifica esta vontade nata e apaixonada de escrever ? Devo aos genes dos meus pais, a minha irmã herdou os genes paternos ligados à poesia, eu herdei os genes maternos ligados à prosa que ouvia nos longos serões do correio até à meia noite na companhia da minha mãe, que no seu achar na vez de me ensinar fazia-me as redações, eventualmente tenha sido o meu atraso literário, o mesmo aconteceu em línguas, por isso nada sei de inglês nem francês, apesar de vários anos de ensino. Foi a vida em fase madura que me havia de despertar para narrar memórias para mais tarde quiçá num Lar ou no conforto de uma das minhas casas, voltar a ler e me voltar a emocionar, a que juntei outra paixão, a fotografia, apesar de não ter máquina de valia, contudo sem explicação não gosto de ler. Nunca li livros, e os havia na casa dos meus pais, apenas um romance de Pedro e Inês de letras gordas, no cabeleireiro ou no médico no tempo de espera  leio revistas com meses de publicação de trás para a frente, apesar de saber que a leitura é o maior veiculo da informação e conhecimento a claro quem souber dissecar o que interessa do lixo, a vida dos outros ditos cor de rosa, a mim nada me interessa, na verdade tentei ler sem jamais algum autor me cativar e prender na leitura, por incrível que pareça foi a crónica sobre a passagem dos 500 anos do Livro a Peregrinação de Fernão Mendes Pinto que me cativou por ter sido escrita em época tão remota e ainda assim a achar descritiva e bela por me ter transportado na sua viagem, pelo que me incute dizer semelhante  à minha que nessa altura descobri o mesmo jeito...A que acresce dose de cultura angariada com a televisão em casa dos meus pais desde 1962, através dela viajei e conheci a globalização sempre em paralelo com a paixão por esta terra de Ansião onde tenho raízes e vivi duas décadas 60/70, onde continuo a ir mantenho no concelho duas casas, para nesta massa misturar carateristicas; razoável memória, poder de observação, curiosa, gostar de falar, ouvir as pessoas e de me questionar sobre o passado histórico a que acrescento sem modéstia dose de talento, porque tudo tem de ser feito com imensa paixão!
A minha prosa é descritiva, emocional, direta, simplista, mas também de crítica acutilante pelo que aceito não seja do agrado a todos. Gosto de especular e saio constantemente da base de conforto, ao tecer teorias sem base de suporte a prova documental , sendo óbvio que as sujeito sempre a interrogação, porque uma coisa é assim escrever e outra é nada dizer, decidida, gosto de partilhar para espicaçar mentalidades adormecidas!Sem rede, nem medo de críticas menos abonatórias de algumas pessoas que falam entre dentes "mas para que ela quer saber isto..." jamais baixei os braços, tendo neste blog partilhado informações que de outro modo jamais historiador natural de Ansião, e outros novos nos últimos tempos a publicar-,  Cadernos de Estudos Leirienses, todos sem exceção, apenas  se baseiam em factos narrados, jamais saindo da sua base de conforto para falar da sua vivência em Ansião fixa ou esporádica, ou do que pretendem especular na sua perspetiva sobre o passado desta terra, por isso o avanço sobre os primórdios de Ansião é ainda lamentavelmente mínimo.

Tenho em mãos temáticas dissuasoras jamais abordadas em profundidade por algum historiador, apesar de não haver suporte escrito, por os livros do passado de Ansião terem ardido no incêndio no Tribunal ocorrido em 1937, mas por paixão e teimosia confrontar almas e lhes dizer que continuo viva com clarividência e vontade em mais saber e descobrir do passado desta terra, por nesta continuidade algo se fazer Luz, e sentir estar  perto de muita verdade que aconteceu ao Bairro e Ribeiro da Vide. Despertei na leitura do nº 9 dos Cadernos de Estudos Leirienses onde é referido os termos da vila de Ansião e seus moradores nos Lugares. Estranhamente desalentada por jamais falar do meu  Bairro de Santo António e do Ribeiro da Vide. Pelo que me interrogo se estaria incluído nos termos da vila (?). Lugar criado em redor de farto Largo por onde passava a estrada medieval aqui o sítio do 3º burgo da vila de Ansião, mas disso vou contar em crónica.
Acrescento a banal observação e sincera franqueza constatar na continuidade aos dias d'hoje me parecer (?) apenas se continuar a fazer pesquisas; Torre do Tombo, Memórias Paroquiais, Mosteiro de Santa Cruz, Arquivos camarários e distritais e com dias uma nova descoberta jesuíta escondida numa coluna de um altar da Sé Nova, concerteza aborda a Granja em Santiago da Guarda e Alvorge onde estiveram sediados jesuítas...Descobertas de sobeja importância,contudo em alguns casos se tem revelado de pouca valia em mais acrescentar à velha prática ancestral em compilar história, sem alma apaixonada do verdadeiro historiador, o amante destas Coisas do passado que consegue entranhar-se nos locais para fazer correlação de factos e estórias com história na interligação a supostas pistas novas a indagar e aos dias d'hoje o paralelo no intercâmbio com as gentes, para assim se chegar mais longe, e não apenas a vontade em publicar que em todos os casos e mesmo no meu se mostram incompletas, ou de cariz duvidoso ou contraditório, para em resulto nada ou pouco se acrescentar ao já conhecido, e desse modo sempre a matar e repisar o que já se sabe de cor e salteado sobre esta terra de Ansião, até agora  o seja pela metade, para falar do padrão ao Fundo da Rua, a seu tempo digo porquê!
Teimosa o bastante e de vontade confiante no meu cariz de mulher de alvo obstinada e prática, por vezes levada pelo espírito vivo e me deslumbrar, com isso me perder, acabando mais tarde por me encontrar e rectificar sem vergonha ou medo, porque se trata de história e do passado, e não de uma cirurgia onde não deve haver lugar a erros. Na verdade tenha sido esta caminhada desde 2009 frutífera pelos comentários e incentivos de muitos que me tem dado força para continuar. Reconheço que ao longo do tempo haja alguém que se tenha aproveitado de algumas das minhas informações e de fotos, porque delas sinto tem feito uso como se fossem suas, sem jamais referirem a FONTE, e isso é condenável, jamais me calo!

Na minha cabeça gravita o objetivo final de aclarar mais sobre os primórdios da história de Ansião!

Seja este dia para me sentir particularmente feliz por ser a 1ª vez que o meu nome aparece referenciado num trabalho público. Só por isso valeu a pena tantas horas de dedicação, de empenho, de esforço a ouvir tanta contrariedade, porque na verdade não é fácil abordar assuntos sem base de suporte fiável, já falar da memoria de pessoas seja mais agradável, contudo nem todas o tem apreciado pelos diferentes graus de cultura versus incultura, ao se mostrarem dispares disso tem dado feedbak à minha irmã e mãe, apenas duas vozes de mulheres outrora belas, supostamente mal amadas com orgulho ferido...
Na verdade em nada as tem de incomodar, e sim a mim, que escrevo!
Só passível de acontecer esta atitude negativa em gente sem vínculo de personalidade pela tamanha beleza que foram abençoadas, mas lhes toldou dotes de inteligência...
A este tipo de gente que simpatizava  deixo um lamento...Temos pena!
Também não menos atenta e reparar que os haja diplomados, ligados à autarquia (?), se dignam disponibilizar em sites publicitários informação errónea...
Lamentavelmente sem rigor  supervisionado pelo Pelouro da Cultura camarário detectei informação errónea publicada o que francamente não abono e se ressalva ao jus do ditado popular
Só não erra quem não trabalha...
Seja a pura verdade, que em gente diplomada em pelouro desta natureza denota falta de perfil e conhecimento sem denotar  paixão pelo trabalho  remunerado, custa deveras aceitar!
Exemplo:
http://www.descubra-ansiao.com/cultura-e-historia/patrimonio-religioso/4/capela-da-misericordia-de-alvorge 
Onde é atribuído o altar da Misericórdia de Ansião ( com a foto e as Imagens) à Misericórdia do Alvorge...
Francamente não gostei!
Altar da Misericórdia de Ansião
Detém uma Imagem de maior porte da Rainha Santa Isabel mui semelhante há que existe na Capelinha de Além da Ponte, ao centro Nossa Senhora do Pranto e na direita S.Francisco Xavier, todas as Imagens na Capela ao meu olhar serão atribuídas à 1ª década do séc. XX (?). 

  Misericórdia do Alvorge não encontrei foto do seu altar
O mesmo site camarário
Não menciona no conteúdo do anúncio publicitário nem tão pouco no documental a Capela de Santo António ao Ribeiro da Vide edificada em 1647 com eloquente escadatório em pedra que na última requalificação do jardim aos seus pés não houve pejo de deixar soterrado 4 degraus...
Painel azulejar da Rainha Santa 
Faz referência ao painel azulejar com a Rainha Santa ao Fundo da Rua ter sido encomendado por Virgílio Rodrigues Valente (comerciante dono do café Valente), até podia ter sido dele a autoria de embelezar a fonte na frontaria norte do seu prédio, aquando da rede de abastecimento de água pública na vila com ligação à Mina da Garriaza entre o Casal das Peras e o Cimo da Rua, mas quem o pagou, pela menção no painel foi a CMA, sendo credível que apenas tenha dado autorização para ser credenciado no seu património, retratando a Lenda da Rainha Santa Isabel enquanto viandante por Ansião, dando esmola a um ancião.Sem descuidar a época  por ter sido emigrante ao Brasil, num modo geral os que regressaram traziam ideias ditadas pela suposta riqueza, vaidade e ostentação em mostrar a diferença do status social !
O que não quer dizer que aqui tenha sido isso que efetivamente aconteceu (?)...
A minha análise põe em contraponto dois supostos homens a viver no auge da década de finais de 30 , um a viver em Aquém da Ponte ao Fundo da Rua, e outro com casa em Além da Ponte, ambos na defesa dos mesmos ideais, os testemunhos lendários do passado de Ansião, sendo que a Rainha Santa jamais aqui trilhou e antes a poente  da Ponte da Cal , para em acordo de cordialidade um deles ficar com o painel azulejar encastrado no seu prédio e o outro ter ficado com a Capelinha " de S.Pedro e da Rainha Santa "semi entalada" por entre muros à laia de paredes meias privada na sua quintarola (?)...
Supostamente acredito que ambos se deram por satisfeitos!

Calçada romana
Fala da hipótese de haver uma calçada romana.Existem dois troços catalogados; Vale Boi e Tojeira, sem sinalização nem manutenção, havendo outros por catalogar Pinheiro, Escampado, Netos e...
Malfadado traçado da calçada romana de ligação de Santiago da Guarda a Ansião, precisamente ao Vale de Boi, por volta de 1976 havendo necessidade de se abrir uma nova variante, para não cortar umas oliveiras numa fazenda, se prejudicou para sempre um belo troço de calçada romana, imensamente branca que o Ilídio Batista nela caminhava todos os dias a caminho da escola primária, homem indignado com este despropósito ao não ver preservado o património, não se calou, e o transmitiu aos colegas em Coimbra; Dr. Manuel Dias e ao que viria a ser Padre  o José Eduardo Coutinho, todos unidos nesta na mesma atitude de nobreza conseguiram trazer ao local o seu Prof Dr. Jorge Alarcão para identificar o que restou da calçada numa curva-, o primeiro, ou segundo troço de calçada romana catalogada no concelho, o outro encontra-se na Tojeira. Debalde em Ansião lamentavelmente em mais nenhum mandato até hoje, não houve responsável pelo Pelouro da Cultura que lhe conferisse a grandeza de o manter limpo e sinalizado, por isso há muitos anos jaz abandonado, soterrado e esquecido, no cumulo para em desprezo a Junta de Freguesia de Santiago da Guarda por ter um terreno de baldio na sua frontaria com a mesma há anos sem o saber ou sabendo, e fazendo "ouvidos de mercador " abriu sobre a calçada uma serventia com manilhas e a entupiu...
Prospecto da corrida do Calais não sendo correto calaias
O prospecto publicitário referente a Evento Solidário cujo valor das inscrições reverteu a favor dos Bombeiros Voluntários de Ansião- www.corridadocalaias.com.
O prospecto revela indício errado ao terem escrito incorretamente o nome porque ficou conhecido o "Manuel Calais", soldado das Louriceiras de S.António-, Manuel Teixeira , homem que foi à primeira guerra de onde voltou com as "ideias avariadas" que no linguarejar do povo analfabeto muitos o pronunciariam à portuguesa Calaias, esmorecendo assim o real significado de ter alterado o seu apelido (Teixeira) como passou a ostentar e dizem assinar, matando em definitivo a história do real valor e a sua vontade de assim se querer identificar em algo que o impressionou e muito, em Calais!
Dei conta da forte visualização na altura desta crónica.
Acontece que na região das Cinco Vilas e Ansião, além deste herói da 1º Guerra Mundial, houve outros homens que tomaram como alcunha "Calais" para na deturpação do vocábulo francês no aportuguesado se pronunciar  "Calaias", quem os conheceu fala que houve um em  Maçãs de D. Maria, outro na Sarrada da Mata e outro nas Ferrarias.
Mas o de Ansião seria teimoso gostava de assinar à francesa - Calais!
E por isso seja esta a verdade que deveria passar!
Antiga Praça do Peixe atual Biblioteca
Nesta quadra desloquei-me à Biblioteca para ter acesso à internet tendo reparado que exibe na receção um belo painel executado a ponto Cruz da autoria de Filipe Antunes dos Santos - não sei se ofertado se adquirido (?) retratando a Rainha Santa Isabel dando esmola a um ancião, evocando o painel azulejar que existe ao Fundo da Rua mandado fazer pela Câmara de Ansião em 1937.
Claro que esta lenda não passa de lenda, sem cunho verídico!
Não foi o facto de a Rainha Santa dar esmolas que ditaria o nome à terra de Ansião, quem assistiu há anos ao programa televisivo da Dra Edite Estrela sabe que Ansião deriva do germânico, Ansiun seria  o nome de alguém que arrendou ou comprou parte da vasta herdade ao Mosteiro de Santa Cruz.
Recordo em 75 ter tido um professor de inglês em Ansião, dizia que quando ia de férias para o Magrebe, se punha na esplanada do hotel a crochetar...imagine-se ao tempo o que isto na minha cabeça despoletava...
Arte que não tem sexo, que no meu tempo as dividia em tarefas para meninas e para meninos!
Por último não conheço pessoalmente Maria Castela Dias.
Na altura valorizei o apelido "Castela" ao me reportar para gente com ligação aos Netos ligada ao restaurante da Tia Matilde no Camporês (?), recentemente falecida, que descanse em Paz!
Seja este vaticínio verdadeiro ou não (?), para assim desenfreada partir à laia da boa gente da região de Sicó em retribuir gratidão e estima apesar da pouca valia a da partilha de passaportes que encontrei numa pesquisa no arquivo distrital de Leiria de pessoas com o mesmo apelido, na eventualidade de algum ser seu ascendente familiar (?).cOu não.Para mim as ofertas são assim mesmo, o que interessa é a vontade de ofertar e não o que se recebe!
Passaporte de Manuel Dias 1895-11-25
Idade: 9 anos
Filiação: Paternidade não mencionada / Rosa da Conceição
Naturalidade: Loureiros / Ansião
Residência: Loureiros / Ansião
Destino: santos (Brasil)
Observações: Escreve
Passaporte de Manuel Dias 1897-08-26
Idade: 22 anos
Filiação: José Dias / Ana de Jesus
Naturalidade: Vale da Sancada / Lagarteira / Ansião
Residência: Vale da Sancada / Lagarteira / Ansião
Destino: Santos / Brasil
Observações: Escreve
Passaporte de Luís Dias 1904-05-16
Idade: 20 anos
Filiação: Manuel Dias / Joana Maria
Naturalidade: Casal de João Bom / Torre de Vale de Todos / Ansião
Residência: Casal de João Bom / Torre de Vale de Todos / Ansião
Destino: Santos / Brasil
Passaporte de Luís Dias 1904-08-16
Idade: 24 anos
Filiação: José Dias / Maria Lucilia
Naturalidade: Outeiro / Alvorge / Ansião
Residência: Outeiro / Alvorge / Ansião
Destino: Rio de Janeiro / Brasil
Passaporte de José Maria 1907-02-22
Idade: Não mencionada
Filiação: Caetano Dias / Maria de Jesus
Naturalidade: Pião / Lagarteira / Ansião
Residência: Pião / Lagarteira / Ansião
Destino: Santos / Brasil
Passaporte de Rafael Dias 1908-05-09
Idade: 37 anos
Filiação: José Dias Martinho / Maria Emilia
Naturalidade: Vale da Figueira / Lagarteira / Ansião
Residência: Pião / Lagarteira / Ansião
Destino: Santos / Brasil
Observações: Não escreve
Passaporte de José Dias  1908-02-13
Idade: 20 anos
Filiação: Francisco Dias / Ana Rosa
Naturalidade: Sarzedela / Ansião
Residência: Sarzedela / Ansião
Destino: Santos / Brasil
Observações: Escreve
Passaporte de Eduardo Dias 1913-02-03
Idade: Não mencionada
Filiação: Paternidade não mencionada / Maria Teresa
Naturalidade: Netos / Ansião
Residência: Netos / Ansião
Destino: Santos ( Brasil )
Observações: Não tem

Em remate - Caríssima Maria Castela Dias, o meu bem haja pelo carinho que me deferiu!
Amei o seu trabalho.
Registei com agrado abordagem da existência de um mosteiro e da cama de pedra da Rainha Santa Isabel.
Sobre os banhos, as divergências na oralidade dos testemunhos tem haver com o grau cultural, a maneira como as pessoas registam em memória o que gostaram ou não, do que aconteceu na sua vida. Também falo com muita gente, alguns são completamente alheios ao passado não querendo saber de nada, por não lhes despertar qualquer interesse... Também os há que adoram falar, até os olhos lhes brilham, em alguns tenho dificuldade em os perceber pela falta de dentes ou surdez, pelo que o diálogo se mostra deficitário. O que se lamenta é que no passado ninguém os tentou procurar e colher tanta informação sadia e assim mais se saber... 
Doravante se entender contatar-me jamais hesite.
Da conversa irradia Luz e mais saber.
Desejo-lhe sucesso profissional e na sua vida privada.
Um grande abraço de gratidão sincera!


Fontes
Mestrado de Arte e Património de Maria Castela Dias da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra

http://analisesocial.ics.ul.pt/documentos/1223378081S4cET4df4Yh89IX7.pdf

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