segunda-feira, 26 de junho de 2017

Rota da cereja que não enxerguei em Orca no concelho do Fundão com giro a Espanha

Mais outra viagem de reconhecimento em pressa apressada ao interior da Beira Baixa em tempo da boa cereja, a convite da minha irmã a trabalho, no seu habitual pagamento de inter ajuda na lida da sua casa, que estendeu à família, a escolha recaiu em dia de muito calor a Orca, nome que jamais tinha lido, nem sequer ouvido, no imediato associei a um tipo de cetáceo, que na pesquisa na internet pode também ser associado a uma pequena ânfora,  e no regionalismo se refere a dólmen ou anta, por nesta região terem sido abundantes e ainda se encontram.
Deixámos Ansião pelo IC8 ainda totalmente de costados verdes, a dias do incêndio de Pedrogão Grande alinhado pelo flanco da praia fluvial de Mosteiro a  caminho de Vila Facaia,  apanhando muitas pessoas em fuga desalmada das altas chamas na "estrada da morte" na ligação de Castanheira de Pêra da praia das Rocas, a Figueiró dos Vinhos,  onde padeceram sem ajuda, calcinados, um inferno, sem serem pecadores, maldita sina, culpa que não devia morrer solteira a deste fogo fatídico para 64 e feridos mais de 200!

Ao longe avistei a cidade de Castelo Branco para deixar a auto estrada na Lardosa a caminho de Orca, a segunda maior freguesia do concelho do Fundão, de onde dista cerca de 24km , limitada pelas freguesias; Penamacor, Mata da Rainha, Vale de Prazeres, Alpedrinha, Póvoa da Atalaia, Atalaia do Campo, Lardosa, Castelo Novo, Lousa, São Miguel de Acha e Aldeia de Santa Margarida.

Chegados a Orca logo apeados do carro para em caminhada  encontrar os sanitários públicos sem porta de entrada, mas com porta no privativo, em abono da verdade se apresentavam de manhã asseados, enquadrados abaixo do nível da estrada , ao lado em cima encontra-se um Multibanco, de boa visibilidade por questões de segurança. Nos dois cafés da terra, um fechado temporariamente, entrámos no da beira da estrada para tomar o pequeno almoço reforçado onde saboreei uma bela chamuça dando conta do relógio com duas valências; além de nos dar as horas exibe a padroeira da terra - Nossa Senhora da Oliveira, que outra igreja a esta Senhora dedicada só conheço na Rua S.Julião em Lisboa.
Rua Engenheiro Lopes Galvão Orca, a placa toponímica em mármore branco merece que as letras sejam repintadas!
Citar excerto http://www.freguesias.pt/freguesia.php?cod=050420
"A história de Orca o seu topónimo não passou despercebido a alguns dos maiores arqueólogos, perde-se nos meandros do tempo com lusitanos, romanos e mouros, deixando vestígios indeléveis da sua permanência, mas certamente, primeiro que todos, os construtores de orcas ou dólmens.Orca não teve foral, nem o seu nome consta no "Cathalogo de todas as egrejas, comendas e mosteiros que havia nos Reinos de Portugal e Algarves pelos anos de 1320 e 1321".

"Orca, como a maioria das povoações vizinhas (Zebras, Martianas, Aldeia de Santa Margarida, São Miguel d'Acha, Vale de Prazeres e Póvoa da Atalaia), teve um pequeno castelo ou reduto e uma cerca para defesa dos seus habitantes,  hoje nada resta  em nenhum dos Lugares desse acastelado, nem se sabe o sítio, nem se encontra documentação, apenas a toponímia se encarregou em lhe eternizar o nome:
Rua do Castelo e Beco do Reduto."
Granito nesta terra é Rei!
Belos exemplares de casario, suportes de varandas, balcões  e Fontes.
Bela casa com data na frontaria em numeração romana 1860, apresenta suportes em pedra da antiga varanda  porque a porta foi alterada para janela e a nova reconstrução a opção de a deslocalizar para uma nova em madeira, o que me pareceu (?).
Desconheço a genealogia das gentes de Orca, seria interessante alencar os seus nomes!
Andorinhas  e os seus ninhos tornam as visitas muito agradáveis e românticas...
 
Cruzeiro das Almas
A estrada vinda da Lardosa divide Orca em dois povoados; norte e sul.Afinal a vida em Orca acontece com o movimento da estrada, a sua população largamente idosa e a que vi rara...
Lápide numa casa com data de 1882.
Bonita glicínia roxa onde fotografei a minha mãe prestes a celebrar 83 anos.
Igreja de S.Francisco de Assis
Belo solar senhorial de 1866, não sei a família que a mandou construir. Julgo conhecida por Casa grande, Casa de Orca ou Casa das Rendas (?) com alvará de turismo de habitação a funcionar no tardoz (?).
Quase que não se enxergava viva'alma em Orca, apenas distingui dois velhotes junto da estrada sentados num banco sob a sombra de uma figueira, mais dois na Alameda de Nossa Senhora da Oliveira, trabalhadores numa reconstrução de uma casa junto da JF onde uma vizinha "fanava"  alfazema do jardim público, ainda outra pela manhã na espera do carro da venda de géneros alimentícios à porta comprou uns sacos de bolos e logo a vi a trincar um...Este velhote, o único andante em pleno calor  em hora de sesta a caminho de duas velhotas sentadas ali a uns metros, por certo para entrosar conversa!
Desconheço se existe em Orca uma valência para acolher idosos durante o dia (?). 
Casario com o tradicional  balcão, carateristica da Beira interior ex-libris ali bem perto em Medelim
Varandim de pedra cuja grade de ferro forjado prostrada no chão...
Suportes em pedra de um varandim
E claro depois de uma voltinha pelas ruelas  repletas de muito casario de paredes meias, um devoluto e outro em venda, em sitio altaneiro, o palco onde  me fiz à foto!
Fontes de boa água: Amoreira e de Orca, ainda dei conta de outra na frontaria de um casario na beira da estrada que não fotografei ao género de mina fechada.
Fonte de Orca.
O que falta?
Placards com o nome das fontes, igrejas e a sua história
Casario reconstruido com traça antiga, um bom exemplo de requalificação
Fortes contrastes em Orca com casario de traça antiga em abandono e reconstruido com mestria da tradição para o presente e gentes vindouras.
Restaurante  propriedade da Junta de Freguesia de Orca onde se vendem produtos regionais, pela frente vasto olival a merecer atenção especial em toda a envolvente e não apenas pela metade,  no tardoz uma boa piscina com espaço verde de lazer.
Minúscula horta biológica do restaurante. Réplica de meda de colmo,cabana de pastores (?)
Piscina de Orca estava neste dia de intenso calor intenso e seco sem gente...o que estranhei!
Regalei os olhos em todas as direções com belos exemplares de granito, porque também sou amante de pedras...Circundei o empreendimento onde ainda persistem muros de granito a marcar a traça antiga de Orca.
Algures no casario na paisagem casa de gente alegadamente a quem saiu o euromilhões, o que ouvi...
Na beira da estrada no terreno distingui um poço com limos encoberto pela vegetação , sem proteção!
Fonte da Amoreira
Belo exemplar de arquitetura  cuja origem desconheço, ou será visigótica pelo formato ou moura (?), por conhecer o Maciço de Sicó reportou-me para uma fonte de chafurdo (?)...

Dizia-me uma vizinha, a que vi de manhã a saborear um bolo - "os furos que tem vindo a ser feitos deixa a fonte com menos corrente de água"...
A Fonte de chafurdo de origem moura (?), por nela na boca se enchiam os cântaros, os "acarbando"  na água, que aqui nesta terra pode ter outra denominação!
Da fonte sai um regato que abastece um tanque de lavagem manual comunitário, onde vi uma estrangeira chegar e de imediato se pôs a lavar a roupa no tanque e logo sem molas a estendeu nos vários estendais que se encontram ao longo da viela na ligação dos povoados com a estrada que os corta ao meio.
A viela, azinhaga, quelha,  não sei o nome que aqui lhe dão, com restos do primitivo muro de pedra seca de granito...
 Belas rosas carmesim  de um quintal resistem ao calor cáustico...
Interior do restaurante de cariz moderno onde o antigo também convive  pela introdução da carroça.O que francamente gostei bastante. A foto foi captada de fora com os reflexos dos vidros...
Reparei que aqui trabalha gente jovem, uma boa aposta para incrementar esta faixa etária para a terra não morrer.
 
Alameda Nossa Senhora da Oliveira inaugurada em 2009.
Grande, mas de parca moldura, por isso pobre, há que investir mais neste espaço em prol de fomentar o turismo mas sobretudo para acolher o seu povo.
Na frontaria da capela o púlpito em pedra com data de 1673.
Porta ladeada por duas colunas em pedra com as pias de água benta escavadas.
 
À laia de sermão não resisti subir ao púlpito e abrir os braços...
 
 Pedestal em pedra alusiva a Nossa Senhora a falar aos Pastorinhos
A minha mãe a protestar com as mãos - não quero mais fotos...
Andava um funcionário da JF com a roçadora a cortar a erva , iniciativa importante em manter os espaços públicos limpos e preservados, contudo nesta parte onde se insere o campo de jogos o achei paupérrimo, a necessitar de intervenção que se coadune com a Alameda e a Capela, as pedras a fazer de bancos  espalhadas a esmo sem estética, não gostei. Urje ser feito um plano urbanístico com rigor e estética que não choque o antigo com o moderno.Hoje em espaços públicos a copa das oliveiras  é podada em círculo , como se veem em Azeitão, e noutras terras. Seria uma aposta futurista de empregabilidade , em paralelo com a preservação das pedras- o granito, para trazer mais gente à terra, porque acredito a paisagem fica muito mais interessante e acolhedora nesta simbiose!
Pedras com história  a merecer um refinado olhar, no chão o resto de uma coluna com o pé e fuste, e ainda outra pedra com a inscrição "SOL" encastrada a cimento no muro... com uma data no tardoz...
 
Em Orca falta um parque de estacionamento ordenado e não desordenado ao Deus dará na sombra das oliveiras ...
Deixámos Orca com cegonhas no ninho e ovelhas a pastar...
A fazer tempo para almoço o destino levou-nos a Espanha para encher o depósito em Val Verd D'fresco. Na viagem a minha irmã falou-nos muito bem do Presidente da Junta de Freguesia, do que tem feito pelo desenvolvimento de Orca, das aquisições e valências sociais.Logo o imaginei homem de "olhão", ao não ter medo de pegar nesta terra quase esquecida, de pouca população, na maioria idosa, e a custo a tem tentado reerguer do marasmo em que foi vetada com o êxodo rural e emigração, aproveitando os incentivos dos apoios comunitários (?). Acrescento à laia de atrevida-, o seja abençoado de ideias e atitudes novas que em contraponto possa não agradar a todos a chegada de gente visionária, por isso seja costume em boca de gente maldizente que jamais fez obra, dizer mal de tudo, por nada fazer se deixa quedo e  na verdade quase nada enxerga sobre o progresso que neste século XXI faz sentido ser aposta futurista apelando ao turismo de massas para revitalizar Orca, porque a freguesia de Orca tem potencial para se afirmar na rota do turismo pela aposta da sua ruralidade em granito na  envolvente que inspira a sonhar pela sua natureza  de cariz idílico de baixas serranias em contraste com a planura seca e infinita, pela gastronomia, porque não aposta em plantio de cerejal, embora saiba que a árvore aprecia o chão xistoso, sendo interessante a mancha de olival em local público, desconheço se pertence a alguma Confraria, remanescente de quinta ou baldio ( ?),  também se colhem a azeitona? Em caso afirmativo uma virtude de progresso, em caso negativo o dever de repensar na tarefa com pessoal no Fundo de Desemprego, que a JF só suporta metade do ordenado e assim fomentar mais riqueza para Orca, no meu opinar, credenciar a produção de queijo e seus derivados, e ainda a preservação do património histórico e cultural  edificado e o que esteja em vias de extinção (?), infelizmente pouco encontrei nas pesquisas, quiçá as fiz mal! Faltam trilhos identificados para visualização dos testemunhos do seu passado-, as orcas, e claro, apostar nas tradições das suas gentes hospitaleiras e das redondezas, muita valência e ainda de alta importância existem boas águas e termas!
Orca pelo tamanho em património e casario levou-me ao equivoco de lhe chamar vila, pois no concelho onde cresci há vilas da mesma dimensão, sendo que apenas se trata de uma freguesia, contudo para mim no coração, a contemplei merecedora d'esse digno título!
O mesmo aconteceu com o título da crónica, por não ter adesão em visualizações foi uns dias mais tarde alterado à revelia para granjear público com o despoletar memórias da minha adolescência a caminho da Sertã, onde distingui naquele tempo pela beira da estrada cerejeiras carregadas de cerejas a crescer envoltas de grandes pedras, que antes jamais assim as tinha visto, curiosamente não vi nem uma cereja em Orca, de papo cheio com as que tinha  saboreado gordas e rijas  na véspera trazidas d'algures doutra freguesia pela minha mana!
Nome da terra lhe advêm da boa água onde parámos para encher as garrafas para prosseguir viagem .Existe um complexo termal chamado Fonte Santa, onde centenas de pessoas se deslocam para aqui usufruírem destas termas.Capela do Espírito Santo e Calvário
Ainda existe a ponte romana e calçada romana.A minha irmã a encher a garrafa

 Aldeia do Bispo
 O que resta de um solar, não sei se foi a casa do bispo...
Muito interessante as pedras a ladear as janelas para vasos, as primeiras que encontrei trabalhadas como se fossem mísulas, ao invés de pedra plana por comparação sobretudo na Beira Litoral .
1861data no remate na frontaria
 
 
 Nesta janela puseram aros em ferro para os vasos
Notei outra grande alteração no casario:
Janelas estreitas sitas ao nível do sótão em detrimento do centro e norte do País que em geral se apresentam no r/c e caves.

 Outro pormenor característico na construção medieval é abaixo da janela duas a três pedras longas
 
 
 
Pequena ponte sob o rio Batágua do Parque de Campismo do Freixial
Dista  11 Km de  Penamacor.Apenas a 30 km da auto estrada e a...21de Espanha; 17 de Monsanto; 30 de Idanha; 26 km de Penha Garcia e a 21km da Meimoa .

Por terras do Tejo Internacional
"A cerca de 5 km da aldeia de Aranhas, 11 km da vila de Penamacor e a 6 km de Espanha, sulcada por aprazíveis vales e ribeiras, nas proximidades da Reserva Natural da Serra da Malcata.A  Primavera deslumbra pela intensa paleta de cores de que se revestem os campos (o roxo do rosmaninho e da urze, os amarelos da giesta e da carqueja e o branco das estevas floridas) e pelos aromas que inundam o ar que se respira. O Verão é quente! E o sol, por vezes abrasante, convida às sombras frescas dos freixos, dos amieiros e salgueiros que abundam no Parque e ao longo das linhas de água. Nada, porém, que um banho refrescante na piscina ou num qualquer remanso da ribeira não compense!
O silêncio, aqui, não é de ouro; é simples e naturalmente musical! "
 
Santuário de Nossa Senhora do Bom Sucesso a 12 km de Penamacor no cimo de um pequeno morro na estrada para Espanha. Festa no 3º domingo de agosto. Ño tardoz da capela existe um abrigo aberto ao género que se encontra no Cabo Espichel , por apenas o ver em andamento não consegui fotografar...
Reserva Natural da Serra da Malcata
Situa-se entre os concelhos do Sabugal e de Penamacor, com diversos cursos de água,  em área com cerca de 20km2.  A Reserva está situada bem próxima da fronteira com Espanha, teve como objectivo primário a protecção e conservação do lince ibérico, uma espécie em vias de extinção, que aqui encontra um abrigo natural, e é também o símbolo da Reserva. Muitas outras espécies de Fauna aqui coabitam, como o gato-bravo, a raposa, o javali, a fuinha, ou o afamado lobo-ibérico, ou outras espécies como a cegonha-preta, também em vias de extinção, a cobra-rateira, o cágado ou o lagarto-de-água, entre tantas outras. Em termos de Flora, esta é uma zona de matagal mediterrânico, encontrando-se azinheiros, estevas, carvalhos, freixos e salgueiros, aveleiras, cerejeiras-bravas, castanheiros e sobreiros, e mais recentemente pinheiros, eucaliptos e vinha. A fronteira situa-se na ponte do rio Torto, afluente do Erges, a primeira localidade espanhola VilaVerde Del Fresno, já foi portuguesa até a meados do séc XVI.
 
 Igreja de Nossa Senhora da Assunção inacabada...
Colunatas em pedra ao género de outras em Portugal
 Paços do concelho
Nas bombas de combustível enquanto se enchia o depósito dei conta deste letreiro e perguntei à empregada se vendiam cedros...olha para mim a rir e diz-me  - cerdos são porcos...
Vista panorâmica para o lado de Portugal
 Afloramentos graníticos como se encontram na Serra de Estrela, Beira Alta e Trás os Montes
 
Perdemo-nos no caminho de atalho de Cilleros  fomos parar a Villa de Moraleja
 
Reentrada na fronteira de Monfortinho
Onde almoçamos, porque o restaurante altaneiro de Monfortinho estava fechado para limpezas...
Lamentavelmente sem tempo não fui ver o que mais queria - a rota dos fósseis com partida do Largo do Chão da Igreja ao castelo, em destaque  na aldeia algumas casas preservam os traços típicos da região – abundância de quartzito, xisto e mistura de granito. Ao castelo parar no miradouro, observação a norte do Vale do Ponsul e a sua falha geológica, e a sul a planície da campina de Idanha que se perde de vista com dois pontos de interesse especiais – os fósseis e a cascata da fonte do pego.Os fósseis na verdade estão ao longo de todo o percurso, no entanto perto da fonte do pego os fósseis são claramente identificáveis, além do que ali é facilmente perceptível o tamanho destes “bichos” de outras eras. Quanto à fonte do pego e a sua cascata encontram-se bem preservadas, e são a delicia dos visitantes do Verão.Seguindo junto a uma levada no caminho de regresso a Penha Garcia com flora envolvente, em destaque  para os majestosos sobreiros.
Fósseis impressionantes
Na região centro no Maciço de Sicó, em especial entre o Rabaçal e Santiago da Guarda, existem também muitos vestígios do fundo do mar , mas de dimensão muito pequena em relação aos de Penha Garcia.
Uma pedra fossilizada encontrada na Venda do Brasil (Ansião) abundante em pedras esburacadas do fundo do mar que a minha irmã tem no jardim onde distingui fosseis finos (?) entre outros que tenho.
Nesta pedra calcária outro fóssil em formato de caracol encontrado na Serra da Ameixieira
 Vista panorâmica de Penha Garcia

Ao longe o morro de Monsanto em forma de cone a lembrar o Maciço de Sicó no Rabaçal, os montes Germanelos.

Medelim
Vila outrora onde se refugiaram Judeus. Entrámos e saímos sem parar, com grande pena minha. Distingui umas mulheres na conversa à entrada da terra,  e antes da saída para a direita numa rua paralela para dentro havia casario em pedra muito interessante, onde os balcões aqui são príncipes - 216, apenas registei o fontanário que divide a estrada defronte da igreja matriz e o seu Santuário, na berma pela sombra seguia  a pé um velhote vestido com camisa de mil retalhos...perdida a olhar para o muro alto do Santuário, a minha irmã é que o viu e já não consegui fotografar com grande pena, assim perdida a mitigar o que poderia ter sido tema para uma boa  tela naturalista...
Mais uma rota em viagem relâmpago a trabalho da minha irmã, e com esta já são umas quantas aos limites do Tejo Internacional, apenas horas e poucas, por isso apressada por terras que gostei de mirar e sentir sem pretensão de monografia nem coisa que o valha, apenas ao meu jeito relatar o que memorizei e me chocou o olhar, sejam as críticas, e claro sempre a minha opinião, para mais tarde voltar a recordar, por isso lhe junto outra paixão a fotografia!
O intento além do conhecimento que é importante, seja o de sorver cultura com paisagens encravadas em paraísos a perder de vista em aridez debruado por recantos bucólicos no recôndito de Portugal, para mim o era em parte desconhecido, ficando assim mais rica  e com nata vontade em voltar! 
Acaso viajasse no banco da frente teria por certo captado melhores fotos, atrás, é praticamente impossível apanhar bons planos.
E por último o fascínio da minha partilha em despoletar nos demais a mesma vontade, nem que seja o falar de Orca e do roteiro das terras circundantes !
Obriga mana, amei!


Fontes
http://www.freguesias.pt/freguesia.php?cod=050420
https://pt.wikipedia.org/wiki/Orca
http://www.cm-penamacor.pt
https://www.google.pt/search?q=penha+garcia+fosseis
http://www.jornaldasautarquias.pt
Cinco fotos google

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Pedrogão Grande mais do que o incêndio foi a tragédia humana !

Bem hajam tantos bons amigos que enviaram mensagens no Facebook, e que ligaram, todos muito preocupados com a tragédia do incêndio em Pedrogão Grande a progredir em frentes para poente; Figueiró dos Vinhos, Castanheira de Pêra, Aguda, Maças de D.Maria, Fato (Avelar), Penela e Deus queira não avance para o costado nascente da Nexebra, onde tenho uma casita!
Graças a Deus deixei Ansião no feriado de quinta feira logo pela manhã para estar com os meus netos até ontem, mini férias de inestimável alegria pela excelsa e mui extraordinária maravilha, mal me dei conta desta fatídica noticia em chão que conheço sobejamente, muito antes do IC8 ter sido traçado, num tempo de estradas de curva contra curva a rondar as serras que trilhei de carro com a minha mãe a trabalho nos Correios em Castanheira de Pera e Figueiró dos Vinhos, e há 3 anos a convite da minha amiga Cristina para um jantar no Dia da Mulher a Campelo quando atalhei por uma estrada estreita por entre floresta de hectares de eucaliptal medonho onde  mais nada se via já a rondar a noite, bem medo tivemos até chegar ao destino. Espero que todas as boas gentes que conheci nessa noite se tenham salvo, lamento não me recordar os seus nomes... A semana passada a última vez que passei no IC8 completamente verde e fresco a caminho de Orca, depois de Castelo Branco, com uma voltinha por Espanha, VilVedDelFresco, para reentrar em Monfortinho, e almoçar em dia avassalador de calor em Penha Garcia. Acaso tivesse alongado a estadia por certo no sábado, dia do incêndio, para abafar calores nesta zona centro de grandes amplitudes térmicas, o mais certo era ter ido a banhos ao Mosteiro ou Fragas de S.Simão -, buracos plantados nas profundezas de vales rodeados de eucaliptos todos de parca saída,  igual em Penela, na cascata da Pedra da Ferida e,...
GRANDÍSSIMA FATALIDADE
 NINGUÉM MERECE MORRER NUM INTERNO! 

Apontar falhas?
Supostamente a grande falha deve começar por ser analisada onde o fogo começou, em Pedrogão Grande , da boca do comandante diz que enviou um carro com 5 homens...Pelo menos um deles já no palco do fogo devia ter a missão de avaliar os flancos que o incêndio tomava, se o podiam combater ou se mostravam desgovernados, para disso dar conhecimento imediato ao comando, e este poder agir em conformidade solicitando ajuda aérea e ainda ajuda dos bombeiros das vilas circundantes, e aqui como tudo estava no início não se pode apontar falhas ao sistema de comunicações...O que transpareceu houve deficiente avaliação da gravidade do incêndio, que se alastrou sem governo, onde foi esquecida a morfologia do terreno de grandes costados ingrímes, com salpico de aldeias, tendo sido  alegadamente ponderado em leviandade  como mais um fogo nesta região  a ditar a morosidade dizem de 5 horas (?) na solicitação de reforços aéreos e outros meios.Faltou lógica, raciocínio e responsabilidade em dar segurança à população residente e à do fluxo anormal vinda de fora,  lamentavelmente desta ninguém se lembrou!
Ao que parece não houve clarividência  na sua proteção, nem foram usadas medidas (megafones e rádios ) , todos se esqueceram que era sábado, dia de imenso calor a rondar os 40º em que muita gente aqui aportou a lazer para as praias fluviais da região, sequiosos de descanso e de banhos , pessoas aqui tem a sua 2ª habitação, outros na visita a familiares, os idosos residentes e os estrangeiros que vivem isolados na serra.
Estranhamente a GNR com equipas de jipes com três homens e um depósito de água , os vi atuar no fogo na Nexebra pela Páscoa, não se entende a razão de não terem apoiado a população das aldeias neste fogo de Pedrogão, ou ajudaram e dessa ajuda não se fala? Na verdade o incêndio na Nexebra bem podia ter tomado outras propulsões, tendo sido dominado, as casas foram protegidas, enquanto o fogo lavrou sem governo, tendo contudo forma de ter sido fortemente colmatado com menos prejuízos se houvesse corta - fogos, em contraponto a este de Pedrogão, o comando de Ansião não hesitou em solicitar reforços logo após chegar ao local, disso me dei conta por estar presente- o que explica que nem todos os comandos tem homens de carater e perfil destemido para o exercício das suas cabais funções, pelo que merece ser reavaliado de futuro o posto de comandante com exigência e  postura  além de perfil  para cenários desta envergadura e não entrar em pânico! Não basta ser indigitado a comandante para andar com divisas nos ombros, se não mostra eficácia em momentos cruciais... Claro que tem de ter vários talentos!
Mas também foi importante algumas pessoas da Moita Redonda que apagaram focos incendiários onde eu com o meu marido ajudamos para não evoluir , acaso se juntavam seria um Deus nos acuda!
Neste incêndio de Pedrogão desconheço se os Presidentes das Câmaras dos concelhos limítrofes mostraram trabalho junto das suas populações, em contraponto em  dia de eleições é costume enviar carros para transportar os eleitores idosos para votar, ou alegadamente  se revelaram de pouca valia se esqueceram deles e dos seus bens... Falta saber se estiveram presentes no palco das operações, se tomaram alguma providência em relação à população dispersa, e também falta apurar quem comandou as forças envolvidas até chegar a proteção civil. Sem descuidar a fonte de ignição que também deve ser apurada, pode ter sido mão criminosa de pirómano...e não da trovoada seca!
As supostas autoridades de patente chegadas mais tarde ao local  ao se deixarem ficar sediadas a nascente deste teatro incendiário, aparentemente com défice de ligações, seja suposto dizer que não souberam movimentar no terreno as várias forças envolvidas sobretudo na zona crítica de Figueiró dos Vinhos, por serem  desconhecedoras da morfologia do terreno de parcas acessibilidades com fluxo anormal de gente, e ainda o salpico de aldeias com altura de arvoredo a rondar mais de 40 metros, cenário que fez toda a diferença com o vento a progredir rapidamente com labaredas incendiárias, ao cair provocam novos fogos.
Falhou o dever de alertar toda a população  via rádio, televisão ou megafone, para não saírem de casa, nem das praias - dois portos seguros, até chegar ajuda, mas também de não usarem as estradas alternativas pelo perigo de ficarem encurraladas pela altura do arvoredo. Na verdade algo falhou na segurança das populações, o que fatalmente veio a acontecer massivamente, para da boca de uma testemunha dizer ter sido encaminhada para a estrada rotulada da "morte"- fatal incúria de algum suposto graduado (?), inadmissível a partir do momento que foi fechado o IC8, sendo largo de piso, em detrimento das outras vias secundárias como a EN236 e das suas variantes e ainda por estarem cercadas de eucaliptos...  Todos se deixaram ficar a ver o fogo progredir, no falso julgamento que seria como tantos outros aqui ocorridos, só que nas clareiras da floresta havia  gente!
Aqui no Pinhal Interior as parcas condições de extrema pobreza veio a originar um fenómeno emigratório desde os finais do séc. XIX a caminho de África e do Brasil , a que se seguiu o êxodo rural na altura da II Guerra Mundial a caminho do litoral e de Lisboa, na época de 60 para França, Canadá e outros países, em que só alguns voltaram pelas substanciais alterações significativas dos últimos 25 anos por as vilas circundantes terem criado condições para a população se reinstalar com novas vias de acessibilidades (IC8), infraestruturas sociais, e ainda as praias fluviais das suas ribeiras; Aldeia Ana de Aviz; Poço da Corga; Praia das Rocas, Mosteiro, Pé de Janeiro, Campelo, Alge, Fragas de S.Simão e,... Faz sentido dizer tenham sido algumas pessoas saídas de algum destes locais frescos de águas , um porto seguro, que em pânico decidem sair,  ao tomar a estrada que lhes fazia sentido ser corta fogo para os salvar-, sem contudo ponderar as mudanças bruscas do vento, a altura descomunal dos eucaliptos, calor abrasador, fumo e o barulho da madeira a arder, e na mesma os que saíram de casa sem ponderar a valência do seu porto seguro pelas condições de segurança, na má decisão apressada foram porta fora em correria para a morte, envoltas na escuridão e chamas, com árvores caídas na estrada, onde tentaram salvar-se com inversões de marcha, choques e despites, uns ficaram dentro dos carros e outros espalhados pela estrada , grande azar ditou a sua escolha com destino errado - Figueiró dos Vinhos, em detrimento de Castanheira de Pera, que era mais seguro.-,  maldito inferno, sem  qualquer hipótese de sobrevivência, viria a ditar o fatal número de mortes em faixas etárias muito jovens aqui em gozo de férias, outras a aproveitar o feriado com ponte,  todas elas desconhecedoras da realidade dos fogos, sobretudo como se proteger dele. Em contraponto a uma população resistente, teimosa, de parca cultura, mas com conhecimento de causa sobre incêndios, jamais abandonam a sua casa, só à força,  a protegem como podem,  regando telhados e em volta com a sua mangueira de parca corrente, porque a água é escassa, alguns se salvaram ao se meterem dentro de um tanque de água, impressionante o seu poder de sobrevivência, ao pensar no melhor naquele momento!
O choque violento de um veiculo particular num carro dos Bombeiros, no imediato os cinco bombeiros tentaram desencarcerar as 4 pessoas , ficando todos gravemente queimados quando o carro é tomado pelo fogo, um deles já faleceu, pai e filho em estado crítico e os outros estáveis. Pergunta-se ? O carro dos bombeiros tinha o depósito cheio?Não tinha mangueiras ? A ter água e mangueiras o que aconteceu de pânico em cinco pessoas para nenhuma se lembrar de protegerem o perímetro com a água naquele inferno, enquanto os colegas tentavam desencarcerar os ocupantes da viatura? Assunto que deve ser averiguado, porque os envolvidos do carro todos faleceram!
Fiquei chocada com um sobrevivente em fuga que relatou ter visto um homem a sair do carro para imediatamente ser tomado pelo fogo nos cabelos, vindo cair contra o seu carro do seu lado - desculpem fiquei com  a nítida impressão que lhe implorava ajuda...Apesar do carro cheio nem o tentou...
Custa aceitar é terem morrido tantas pessoas em pleno séc XXI!
Algo falhou que não deve nem pode passar impune, doa a quem doer!
Palco da morte por asfixia ou carbonizadas, sentiram que iam morrer naquele inferno!
Jamais tamanha desgraça assim vista a manchar o centro de Portugal, no Pinhal Interior, a região da maior densidade florestal que já foi a primeira na Europa, mas continua ao Deus dará sem qualquer ordenamento, salpicada de aldeias primitivas, sempre viveram rodeadas por pinhal, e mais tarde pelo eucalipto aqui introduzido há coisa de 80 anos por ter uma periodicidade para corte mais interessante que o pinheiro que demora no mínimo 40 anos a se formar. Floresta altamente combustível, o eucalipto com a agravante da secura que provoca nos solos chega a ter alturas de 50 metros, em incêndio  as folhas voam em labaredas caindo até  5 quilómetros de distancia provocando outros focos incendiários, disso já  fui testemunha.
Por aqui impera a floresta desordenada, sem qualquer planeamento, tão pouco fiscalização, apenas existe por difamação o plantio ilegal por má vizinhança e inveja, a que acresce a falta de prevenção. Na verdade esta região tem sido assolada ciclicamente por brutais incêndios. Bem me recordo do meu pai bombeiro voluntário estar sentado na mesa para almoço ou jantar na década de 60 e sair em passo apressado a caminho do quartel, mas mortes por aqui e tantas, foi a primeira vez. Se para acautelar terramotos em Lisboa há medidas preventivas para as famílias terem um ponto de encontro entre outras medidas cautelares, porque não existem para fogos urbanos ou em âmbito rural para as pessoas saberem como se resguardar, do que pode ser um  cenário de fogo medonho?
Os seguros contra incêndio são obrigatórios, a maioria de casas ardidas não os tem, gente uma vida a viver por entre eucaliptos como se fossem flores, a um metro da porta de casa...Fatalmente seja triste constatar, porque em 1940 na Moita Redonda no concelho de Ansião, as pessoas sem cultura já ostentavam na fachada da casa o dístico da SEGURADORA...Faz pensar!
Pior, a morfologia do terreno xistosa em escarpa com casas salpicadas aqui e além, algumas por estrangeiros aqui apostaram  morar,  mas ninguém sabe onde vivem alguns, a proteção civil teve de se valer dos carteiros, os únicos com conhecimento de causa, quando deveria este levantamento ser pertença da JF, e há muito que esta gente isolada deveria estar em contacto com a GNR, afinal estão por CONTA E RISCO!
Coisa do terceiro Mundo!
A primeira vez que viajei a Badajoz em 1975 reti em memória no Alentejo a existência ao longo das herdades com quilómetros uma longa faixa lavrada com uma largura a rondar os 10 metros, durante anos intrigada sem saber a sua razão, até que soube que era feito para prevenção de incêndios, pelo incauto das pessoas que vão a conduzir e a fumar  mandam as beatas para as bermas, com ervas secas fácil atear e progredir, mas que o acerro lavrado impede...Medida cautelar  não aplicada noutras zonas do País e o devia, sobretudo aqui nesta mancha florestal em que os eucaliptos rondam alturas abismais em viagem durante quilómetros apenas estes se veem, um pouco de céu e a estrada estreita e sinuosa.
Uma nova aposta de plantio no perímetro das aldeias seja cerejal, aqui em terra de xisto se dá bem, enquadrado com  castanheiro, carvalho, sobreiro, olival, e porque não outeiros a perder de vista com plantio de vinha? Como em França se veem hectares de boas castas na volta a França? Ousadia é saber Mudar a estética da paisagem a pensar nas gentes vindouras!
Ouvi na TV alguém falar que Portugal devolveu Fundos destinados a prevenção, por não saberem quem os devia receber ...Uhhau! 
Não há acerros de limpeza no perímetro das aldeias e das estradas, devia ser tarefa das JF para manter a margem de segurança das suas populações revelam no mínimo falta de visão futurista, porque nunca aconteceu uma tragédia desta envergadura! 
As Juntas de Freguesia serão as entidades mais perto das populações. Urge que o presidente seja remunerado a tempo inteiro sem ter outra actividade para o cumprimento cabal das suas funções.
As entidades a meu ver certas para vir a receber os Fundos para prevenção, e a dar conta das despesas com a contratação de desempregados para fazer as limpezas, aquisição de maquinaria, veículos necessários e ainda staf para a logística das tarefas administrativas adjacentes às intervenções que se pretendem agendar. Assim as bermas e os lastros ao longo da beira das estradas com  acerro de 10/15 metros e no mesmo um perímetro de pelo menos 50 metros em redor das aldeias a manter limpo, dava emprego anual, porque não basta apenas fazer uma vez ao ano, no mínimo são necessárias duas vezes.
Actualmente existe apenas uma máquina em cada concelho a cortar a erva das valetas que acorre a todos os lugares...
Um Obrigado aos Bombeiros, e aos GIP da GNR, que já as vi a atuar são rápidos  com eficácia, à Cruz Vermelha e outros, extensivo às gentes que apoiaram da forma que acharam melhor, pondo em causa a sua própria vida e quietude .
A tragédia originou uma onda de solidariedade imensa!
Na verdade Portugal é  um País amigo e fraterno. Na época de 60 uma onda solidária desta natureza, a Pirâmide, em que muitos contribuíram com Ouro e Dinheiro. Quem tomou conta dos donativos, um deles, viria a ofertar a uma nora com quem trabalhei descendente de conde falido que exibia belos exemplares de conjuntos em ouro antigos de grande requinte e qualidade e ainda um anel brasonado, que não era o de família, esse há muito estava no "prego"...Por isso fico sempre de pé atrás, desconfiada dos fins, se são mesmo agraciados as aclamadas vitimas, pelo que deixei há muito de fazer qualquer tipo de contribuição.

O problema é quem vai ganhar com a brutal desgraça de alguns? 

Historicamente a desgraça em Portugal tem aberto filões a alguns sem escrúpulos para ganhar fortuna, por isso não faço qualquer contribuição, compete ao ESTADO participar, comparticipar e intervir-, falo assim porque não fujo a impostos, os pago contrariada, sobretudo o IMI em Ansião é altamente injusto.
IMPORTANTE O PÚBLICO SABER QUEM VAI TOMAR CONTA DESTE CONTROLE FINANCEIRO E AS CONDIÇÕES IMPOSTAS  PARA A POPULAÇÃO PODER USUFRUIR DESTES DONATIVOS, EM GERAL COM ALÍNEAS A MAIS...!
NÃO DESCUIDAR SE REALMENTE AS VÍTIMAS VIRÃO A SER AJUDADAS COMO BEM O MERECEM!

Contudo  emocionada e muito solidária com as gentes que sofrem e sofreram neste palco de horror.
Na verdade quem deve patrocinar ajuda é o Governo!  
Um Bem haja em perpétua memória a todos os que faleceram, dos que ainda sofrem em dor pelos ferimentos, e de outros ainda sem saber de  familiares, para não falar dos prejuízos incalculáveis sofridos, mas na realidade salvar pessoas é o mais importante .
Muitos contributos tem sido entregues em géneros, mas já sem espaço para armazenamento em vários quartéis de bombeiros sem espaço para dormir e pelo tempo de durabilidade (legumes e frutas) pediram para não enviar mais.
Muito dinheiro direcionado para esta tragédia;
Contas abertas por várias Instituições
Cáritas
Fundações 
Televisões com o valor total das chamadas de valor acrescentado, uma boa iniciativa. 
Anónimos.
A tragédia tem culpados,  por isso não deva morrer solteira esta culpa!
Parem de se refugiar em desculpas e relatórios esfarrapados, se forem homens de "H" GRANDE ASSUMAM AS FALHAS QUE COMETERAM!

Urja fazer balanço pondo na mesa o ordenamento da floresta nesta maior mancha florestal do Pais, porque apesar dos estudos efetuados por várias Universidades, tarda um deles a ser aplicado, a meu ver o seja por outros interesses: das celuloses e politicamente, mas também porque o povo é adverso a mudança, numa maioria inculto, e de parca globalização, se sente dominador naquilo que é o seu território de courelas de minifúndio, tendo por isso aversão a novas  medidas que venham a ser implementadas como acerros de corta fogo  no mapa do mosaico florestal a pensar no futuro para prevenir grandes incêndios, ao invés se fossem inteligentes saberiam que os favorece mais cedo ou mais tarde, mas sobretudo no futuro aos vindouros-,  entretêm  de interesses de uns e outros, falam, refilam, mas no tempo se tem vindo a sobrepor ao que realmente deveria importar e os políticos para ganhar votos se deixam quedos, esta a verdade!
O plano do ordenamento das courelas pelo que ouvi falar continuam a ser dos seus donos mas deve ser tratada por uma organização,cujos deveres seja a defesa do património florestal fazendo manutenção, abertura de acerros, com divisão de lucros pelos seus associados, que não estando interessados  a podem vender à referida  organização.
O único problema que encontro para esta medida é que as courelas foram registadas com metragem inferior ao real, para não pagarem tanto, claro os prejudica e muito.
Para memória presente e futura dos que tragicamente faleceram consumidos pelas chamas, resta a esperança que essa culpa não morra solteira, para isso urde se fazerem ouvir políticos de colhões, porque o País está farto da incúria de "con...de sabão " nascidos em berço d'oiro com governanta para lhes lavar o cu e dar papa à boca a meninos mimados com chaffeur para os levar ao colégio e a discotecas, sempre com muito dinheiro nos bolsos e cartões dourados,  tudo tiveram na vida, nada lhes faltou, não tendo por isso a vivência da ruralidade descontextualizados deste real panorama, contudo sortudos porque alguém os orientou na política com cunhas e compadrio, onde ganham sobejamente bem, sem chatices, nem horários e pouca ou nenhuma responsabilidade, jamais assistiram a um incêndio, nem imaginam as labaredas altíssimas, o calor abrasador, a tristeza, medo e angústia em muita gente que fica literalmente sem NADA, cambada de ignorantes das realidades do interior de Portugal, uma maioria de imbecis sem cultura!
Quando metem o "pé na poça e na Mó de baixo" destituídos dos cargos ao sair da política, encontram rapidamente emprego a liderar grandes empresas onde recebem altas "alcabalas" e ainda supostos outros derivados interesses com o tráfego de influências-, gentalha que apelido de meia tigela, que não sabe o que é receber ordenado mínimo, RSI, ou a viver no desemprego a contar esmolas e refeições na Santa Casa da Misericórdia, a única Instituição no País que desde que foi  instaurada respeita os seus compromissos para que foi votada. O País precisa de pessoas em lugares de chefia com vários talentos, os tem sido escolha a via da cunha e compadrio politico, e claro nestas horas de azar não se mostram à altura do desempenho das suas funções, por não ter quaisquer perfil para atuar em situações de stress, faltando-lhes liderança, no caso conhecimento  da morfologia do terreno ingríme coberto a eucaliptos com aldeias salpicadas, realidade que viria a marcar drasticamente a tragédia  porque dificilmente saem da sua base de conforto por medo de falhar pela falta de visão em assumir responsabilidades.
Diz o povo na sua mestria, depois do dilúvio o mundo acaba reduzido a fogo...
Para lá caminhamos infelizmente!
Paz às almas  de quem partiu inesperadamente nesta tragédia!  
Gentes atingidas vão ter Fundos de apoio ESTATAIS E PARTICULARES em prol de outras zonas, igualmente sofredoras com incêndios e prejuízos a cada ano ao ter de vender a madeira a preço baixo e ainda por favor, acaso o diâmetro não interessar nem a querem, nada recebendo do Estado nem de ninguém! 
Quem Lucra com os incêndios? 
Os madeireiros que a compram ao preço da uva mijona ... 
As celuloses com o fabrico de papel de primeira qualidade, os grandes interesses de meia dúzia com plantações de hectares espalhados pelo País onde não se registam incêndios,  na verdade faz pensar, o  prejudicado, o que ganha menos é sempre o produtor, o pequeno proprietário que vende a madeira queimada, mas está igualmente boa, apenas a casaca escura, os madeireiros é que a denegrirem dizendo que as fábricas não a recebem e até já marcam os parceiros que trazem madeira queimada, quando se sabe que há fábricas que a recebem para outros fins, mas disso não dão conhecimento , ficam com os trunfos nas mangas, por isso é ainda o proprietário o que ganha menos nesta escala de grandeza e de altos interesses!
 Estiveram no teatro da tragédia elementos governativos, espera-se que algum deles tenha supervisionado as brutais dificuldades na liderança de tanta hierarquia no comando onde fica visível o  desconhecimento da realidade local da morfologia do terreno, da avaliação ocorrida em fim de semana prolongado -, sábado de alta temperatura com fluxo anormal de pessoas vindas de fora nesta região e outras para empreendimentos turísticos das praias pluviais, numa maioria o medo as toldou no julgamento apressado em se salvar acabando surpreendidas na fuga por conta e risco, por serem desconhecedoras deste flagelo em palco adverso.

Deixo a estas boas gentes sofredoras do Pinhal Interior erradamente assim catalogado, onde o eucalipto é rey,  muita coragem para seguir em frente! 
Porque este Inferno ainda não acabou, nem acaba nunca , vejam-se os incêndios na Austrália de onde é originário o eucalipto e em Portugal não há coalas que se alimentam das suas folhas...
Politicamente Ansião a meu ver deveria ter disponibilizado imediatamente o Centro de Negócios no Camporês, mais atento esteve o diretor do Clube do Avelar  pela familiarização com o passado desta terra de tecelões que aqui aportaram vindos de Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pera, por isso o ganhador da vantagem na dianteira na remota rivalidade destas terras do mesmo concelho, possa eventualmente ditar nas próximas eleições vitória ao partido socialista pela primeira vez depois do 25 de abril,  em Ansião!
Estou convita que NÃO! 
Santiago da Guarda tem de votar em massa, pela continuidade!
O presidente da República ao se deslocar por duas vezes ao palco deste cenário estando acompanhado pelo presidente da edilidade de Ansião possa vir a ditar outro desfecho, tudo depende das medidas acertadas que venham a ser implementadas. 

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Ansião no Ribeirinho dando aula a céu aberto a falar de cultura !

Serra da Ameixieira-, Lugar antigo do termo de Ansião, abrigado ao vale no costado norte da serra do Casal Soeiro.
 
 A calçada portuguesa da sua rua principal encontra-se assim...entupida de ervas!
 
Quando percorria a calçada senti que ainda persiste a mística do seu casario em pedra, uma com balcão, carateristica da região do Maciço de Sicó  e o tradicional "V" invertido, herança deixada pelos árabes.
Porta aberta com ombreiras em calcário cujo lintel há muito caiu, ainda assim se mostra a ruína bela com marcas dum tempo de antanho,os líquenes alapados em branco e amarelo e o buraco onde a fechadura entrava.
Outra porta ainda resistente mostra-se florida onde a única papoila  se mostra rainha, por ser vermelha no meio do amarelo. Esta porta apresenta uma particularidade - Acima do lintel tem uma nesga e outro lintel, para que serviria? Julgo seja para entrada de ar, sem medo de cobras, ou para guardar a chave, sem medo de ladrões...
 Este uso na região porque já antes o tinha encontrado nesta casa  em Albarrol
 Mais portas abertas...onde as árvores nascem sem pedir licença, nem hesitei no registo da minha selfie...

 Bela casa tradicional com balcão e o "V" invertido acima do lintel da porta.
 
 Na lateral norte ainda visíveis os suportes em pedra que sustentavam um alpendre?
Outra bela casa pela riqueza da simplicidade com a janela na beira do telhado, a reportar a minha lembrança para a escola primária, as primeiras casas que desenhei eram assim...
 Uma janela na lateral com as tradicionais pedras, os piais para os vasos de sardinheiras
 O que resta de um alpendre já adulterado com o pilar em tijolo e ainda de telha mourisca
 
Encontrei este arbusto que não sei o nome, florido em cachos em lilás que me reportou para a sua antiguidade, noutros tempos havia poucas espécies de flores, não é como hoje que se compram. Havia assim um igual na antiga estalagem da Ti Maria da Torre no Bairro de Santo António.
Maravilhosa a sensação que a caminhada constantemente oferece em recordações da minha infância, que me fez sentir ainda mais jovem e feliz por as ter guardado na minha memória coletiva.
Esqueleto de uma árvore hirta de seca o poiso a balanço para tirar água dum poço?
Lamentavelmente hoje o Lugar encontra-se quase em total abandono, sendo objeto de cobiça de estrangeiros com uma visão e cultura diferente; se mostram mais amantes da natureza, dos seus silêncios, da paz que aqui irradia seja ao nascer ou pôr do sol, precisamente aqui onde se mostra de raios multifacetado, de cores quentes, estonteantes, e abrasador no rasto da profunda imagem em o ver a  fugir dos vales e dos costados crespos em salpicos de pedra branca pintada de líquenes com história, não sendo a deles, lhes dão o seu real valor em prol dos donos, por  não lhe conferirem o mesmo valor, ou outra razão, as vendem para aqui virem morar...Obviamente algo vai muda na paisagem, e disso francamente não aprecio. 
Se os donos dos imóveis em ruína se pretendem deles desfazer, cada um sabe por si e da sua vida, agora a Câmara e a JFCC deveria ter um papel predominante neste património em especial, em não o deixar alterar na sua traça original, muito menos ser caiado, o que não invalida no seu interior cada um possa fazer o que quiser, mas por fora a arquitetura devia para memória futura ser mantida, no meu opinar.
Porque este Lugar de termo, faz parte do que hoje chamamos Ansião, onde viveu gente de valor, quem sabe de famílias importantes daquele tempo, alguns emigraram para o Brasil, e hoje seus descendentes, supostamente os seus actuais donos nem disso o sabem, ao jus do ditado "quem não sabe de onde vem , não sabe para onde vai,  não sabe a sua identidade ".
 
 Casa com parede desmoronada

 Vista para sul ao longe uma eira em pedra
 
 O costado a sul na maioria com vegetação mediterrânica com salpico de eucaliptal...
 
 Vista sobre o vale e o costado onde aqui o pôr do sol  acontece de matar a respiração!
 Bom gosto nas suas gentes, num recanto um banco feito num tronco de oliveira

Numa pesquisa encontrei passaportes de gente que daqui saiu na procura de melhor vida, não sei se voltaram.

Passaporte de João Mendes Fajó - Apelido que me é desconhecido
1912-11-28 Idade: Não mencionada
Filiação: José Mendes Fajó / Emilia de Jesus
Naturalidade: Ribeirinho / Chão do Couce / Ansião
Residência: Ribeirinho / Chão do Couce / Ansião
Destino: Santos ( Brasil )

Passaporte de Manuel Simões 1908-09-21 Idade: 19 anos
Filiação: Bernardo Simões / Barbosa de Jesus
Naturalidade: Ribeirinho / Chão de Couce / Ansião
Residência: Ribeirinho / Chão de Couce / Ansião
Destino: Santos / Brasil
Observações: Escreve


Amei ter percorrido o Lugar do Ribeirinho dando aula a céu aberto a falar de cultura,  aos que me acompanharam; a minha comadre Odete, a sua irmã Arminda e ao meu marido. Não sei se gostaram, porque gostos não se discutem, senti  motivação a olharem  este passado importante do seu real valor.
Bem hajam pelo privilégio de me terem acompanhado.

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